Ficaram de pé em oração: fazem descer diante da arca um ancião e experiente, que tenha filhos e cuja casa esteja vazia, para que seu coração esteja inteiro na oração. — Escolhido o momento da oração comunitária, a comunidade designa como oficiante um homem idoso e versado na liturgia, que já tenha filhos — sinal de maturidade e responsabilidade — e cuja casa esteja "vazia", isto é, sem recursos, pois a pobreza mantém seu coração voltado inteiramente para a súplica, sem distrações de riqueza ou conforto.
E ele recita diante deles vinte e quatro bênçãos: as dezoito de cada dia, e acrescenta a elas mais seis. — À Amidá comum de dezoito bênçãos, recitada todos os dias, somam-se seis bênçãos adicionais próprias do dia de jejum severo, totalizando vinte e quatro — cada uma delas evocando um episódio bíblico de súplica respondida, como o restante do capítulo passará a detalhar.
Este salmo, um dos que a Guemará situa entre as seis bênçãos adicionais do jejum severo, ilustra o tipo exato de súplica exigido do oficiante escolhido nesta mishná. "Das profundezas Te chamei" descreve precisamente o estado de quem já esgotou seus próprios recursos — materiais e espirituais — e clama por inteiro; é por isso que a mishná exige um oficiante cujo coração esteja "inteiro na oração": um homem pobre, maduro, sem as distrações de riqueza que poderiam dividir sua atenção diante da gravidade do momento. A voz que "sobe das profundezas" no salmo é a mesma voz que a comunidade busca no oficiante — alguém cuja súplica pessoal já nasce de um lugar de necessidade genuína.
Rambam explica por que a experiência na oração precede até mesmo a idade como critério de escolha, e Bartenura detalha o duplo sentido de "casa vazia".
"Ficaram de pé em oração, fazem descer diante da arca um ancião e experiente etc." — "sua casa vazia" quer dizer vazia de sustento e vazia de transgressões. O homem apto a ser designado, antes de qualquer outro critério, é aquele que é experiente na oração e em falar diante da congregação; só depois disso vêm a idade avançada e a voz agradável — requisitos válidos para todo oficiante de oração pública. Soma-se a isso, no caso específico tratado aqui, que ele deve ser "carregado de responsabilidades", isto é, ter filhos, e que sua casa esteja vazia, sem que tenha saído contra ele má fama em sua juventude — para que os corações do povo se voltem a ele com boa vontade e todos aceitem suas palavras de bom grado. E estas seis bênçãos são recitadas depois de "Redentor de Israel" e antes de "Curador dos enfermos".
"E experiente" — que conhece a ordem da oração. "E tem filhos e sua casa está vazia" — que não tem em casa com que sustentar seus filhos, e por sua alma estar angustiada ele ora com verdadeira intenção; ou, alternativamente, sua casa está "vazia" de transgressões, de modo que não saiu contra ele má fama em sua juventude. "E acrescentam a elas seis" — entre a bênção de "Redentor" e a de "Curador" ele recita estas seis bênçãos adicionais.
Rashi acrescenta que a experiência do oficiante inclui a fluência da oração em sua boca, para que não erre — pois um erro do oficiante é considerado mau sinal para quem o enviou.
"E experiente" — habituado a orar, com sua oração fluente em sua boca, de modo que não erre — pois todo oficiante que erra é sinal ruim para aqueles que o enviaram, isto é, para a comunidade em cujo nome ele ora. "E sua casa vazia" — dá a entender que ele é pobre e não tem sustento em sua casa; mas a Guemará explica ainda outra razão: que seu corpo esteja limpo de transgressões, que não tenha pecado e que não tenha saído contra ele nenhuma má fama por qualquer transgressão — de modo que a expressão "casa vazia" carrega, para Rashi, tanto o sentido material da pobreza quanto o sentido moral de uma vida sem mácula pública.