Seder Moed · Massechet Taanit · Perek Bet · Mishná 3 de 10

Zichronot, Shofarot e os salmos da aflição

וְאֵלּוּ הֵן, זִכְרוֹנוֹת וְשׁוֹפָרוֹת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná identifica quais são as seis bênçãos adicionais mencionadas na mishná anterior, e traz a opinião de Rabi Yehuda, que as substitui por versos ligados diretamente à fome e à peste.

E estas são elas: Zichronot e Shofarot; "Ao Eterno em minha angústia clamei, e Ele me respondeu" (Tehilim 120:1); "Levantarei meus olhos aos montes" etc. (Tehilim 121); "Das profundezas Te chamei, ó Eterno" (Tehilim 130); "Oração de um aflito quando desfalece" (Tehilim 102).As seis bênçãos consistem nas passagens de Zichronot e Shofarot, tomadas da liturgia de Rosh Hashaná, seguidas de quatro salmos de súplica pessoal e coletiva, cada um evocando a experiência de alguém que clama a D'us em profunda aflição.

Rabi Yehuda diz: não era necessário dizer Zichronot e Shofarot, mas em seu lugar diz-se: "Se houver fome na terra" (Melachim I 8:37); "Se houver peste" etc.; "A palavra do Eterno que veio a Yirmeyahu sobre os assuntos das secas" (Yirmeyahu 14).Rabi Yehuda discorda quanto ao conteúdo dessas seis bênçãos: em vez de Zichronot e Shofarot — passagens associadas a Rosh Hashaná, e não especificamente à seca — ele propõe versos da oração de Shlomo na dedicação do Templo sobre fome e peste, e a profecia de Yirmeyahu especificamente dedicada às secas, por serem tematicamente mais próximos da ocasião.

E diz seus encerramentos.Após cada uma dessas passagens, o oficiante conclui com a bênção própria correspondente, como o restante do capítulo detalhará.

וְאֵלּוּ הֵן, זִכְרוֹנוֹת, וְשׁוֹפָרוֹת, אֶל ה' בַּצָּרָתָה לִּי קָרָאתִי וַיַּעֲנֵנִי (תהילים ק״כ:א׳), אֶשָּׂא עֵינַי אֶל הֶהָרִים וְגוֹ' (שם קכא), מִמַּעֲמַקִּים קְרָאתִיךָ ה' (שם קל), תְּפִלָּה לְעָנִי כִי יַעֲטֹף (שם קב). רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, לֹא הָיָה צָרִיךְ לוֹמַר זִכְרוֹנוֹת וְשׁוֹפָרוֹת, אֶלָּא אוֹמֵר תַּחְתֵּיהֶן, רָעָב כִּי יִהְיֶה בָאָרֶץ (מלכים א ח׳, ל"ז), דֶּבֶר כִּי יִהְיֶה וְגוֹ', אֲשֶׁר הָיָה דְבַר ה' אֶל יִרְמְיָהוּ עַל דִּבְרֵי הַבַּצָּרוֹת (ירמיה יד). וְאוֹמֵר חוֹתְמֵיהֶן:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Melachim Alef 8:37-38
רָעָב כִּי יִהְיֶה בָאָרֶץ, דֶּבֶר כִּי יִהְיֶה, שִׁדָּפוֹן יֵרָקוֹן אַרְבֶּה חָסִיל כִּי יִהְיֶה, כִּי יָצַר לוֹ אֹיְבוֹ בְּאֶרֶץ שְׁעָרָיו, כָּל נֶגַע כָּל מַחֲלָה. כָּל תְּפִלָּה כָל תְּחִנָּה אֲשֶׁר תִהְיֶה לְכָל הָאָדָם לְכֹל עַמְּךָ יִשְׂרָאֵל, אֲשֶׁר יֵדְעוּן אִישׁ נֶגַע לְבָבוֹ, וּפָרַשׂ כַּפָּיו אֶל הַבַּיִת הַזֶּה.
Se houver fome na terra, se houver peste, se houver ferrugem, mofo, gafanhoto ou lagarta; se seu inimigo o sitiar na terra de suas cidades, qualquer praga, qualquer enfermidade; toda oração, toda súplica que houver de qualquer homem, de todo Teu povo Israel, cada um conhecendo a praga de seu próprio coração, e estender suas mãos para esta Casa.

Este é o verso central da oração de Shlomo na dedicação do primeiro Templo — a oração que Rabi Yehuda propõe recitar em vez de Zichronot e Shofarot nesta bênção adicional dos jejuns. Onde Zichronot e Shofarot lembram episódios da história de Israel para invocar a memória divina em favor do povo, o verso de Shlomo faz o oposto: descreve com precisão cirúrgica o próprio cenário do jejum comunitário — fome, praga, seca — e pede que toda oração sincera, de qualquer indivíduo que reconheça sua própria falha, seja ouvida. Rabi Yehuda argumenta que, para uma súplica por chuva especificamente, este texto — que menciona literalmente fome, peste e a terra — fala mais diretamente à situação do que os versos de Rosh Hashaná, ainda que a halachá final não siga sua opinião.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam esclarece que os "Zichronot" aqui seguem o mesmo modelo halachico dos de Rosh Hashaná, e que a halachá segue Rabi Yehuda; Bartenura detalha a estrutura dos encerramentos.

Rambam · Perush HaMishná, Taanit 2:3
אלו הן זכרונות ושופרות אל ה' בצרתה לי כו': הזכרונות והשופרות כמו שקדם זכרם בראש השנה, ר"ל שלא יאמר זכרון של יחיד ולא זכרון של פורענות. והלכה כרבי יהודה.

"E estas são elas: Zichronot e Shofarot, 'ao Eterno em minha angústia clamei' etc." — os Zichronot e Shofarot são como já mencionado a respeito de Rosh Hashaná, isto é, que não se diga uma lembrança individual nem uma lembrança de punição. E a halachá segue Rabi Yehuda.

Bartenura · Taanit 2:3
זִכְרוֹנוֹת וְשׁוֹפָרוֹת. כָּל הַפְּסוּקִים כְּמוֹ שֶׁאוֹמְרִים בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה: וְאוֹמֵר חוֹתְמֵיהֶן. אַחַר זִכְרוֹנוֹת חֲתִימַת זִכְרוֹנוֹת, וְאַחַר שׁוֹפָרוֹת חֲתִימַת שׁוֹפָרוֹת, וְכֵן אַחַר כֻּלָּם כְּדִמְפָרֵשׁ וְאָזֵיל.

"Zichronot e Shofarot" — todos os versículos tal como se recitam em Rosh Hashaná. "E diz seus encerramentos" — depois de Zichronot, o encerramento próprio de Zichronot, e depois de Shofarot, o encerramento próprio de Shofarot, e assim depois de todas as demais passagens, conforme a mishná seguinte passará a detalhar.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi identifica os salmos citados e observa que todos pertencem ao mesmo gênero literário de súplica pessoal em tempo de angústia.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Taanit 15a — os salmos de súplica desta bênção
זִכְרוֹנוֹת וְשׁוֹפָרוֹת – כָּל הַפְּסוּקִים שֶׁאוֹמְרִים בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה. אֶל ה' בְּצָרָתָה לִי כוּ' – כֻּלָּן הֵן מִזְמוֹרִים.

"Zichronot e Shofarot" — todos os versículos que se recitam em Rosh Hashaná, incorporados aqui como parte das seis bênçãos adicionais. "Ao Eterno em minha angústia clamei etc." — todos estes quatro textos citados na sequência são salmos, isto é, passagens do Livro de Tehilim especificamente compostas como súplicas de angústia pessoal — Rashi observa a unidade literária do grupo, distinguindo-o das passagens de Zichronot e Shofarot que o precedem, de origem e função litúrgica distintas.