Aconteceu, nos dias de Rabi Chalafta e Rabi Chananya ben Teradyon, que alguém passou diante da arca e terminou toda a bênção, e não responderam amém depois dele. — Num certo jejum, o oficiante recitou a bênção inteira até o fim sem que a congregação respondesse "amém" — o que era o procedimento esperado.
"Toquem, filhos de Aharon, toquem": "Aquele que respondeu nosso pai Avraham no Monte Moriá, Ele vos responderá e ouvirá a voz de vosso clamor neste dia." "Façam o toque de teruá, filhos de Aharon, façam o toque de teruá": "Aquele que respondeu nossos pais junto ao Mar Vermelho, Ele vos responderá e ouvirá a voz de vosso clamor neste dia." — Em vez do "amém" da congregação, o próprio chazan da sinagoga interrompia o oficiante entre cada frase, ordenando aos filhos de Aharon que tocassem o shofar — um toque longo (tekiá) na primeira, um toque tremido (teruá) na segunda — substituindo a resposta congregacional por esse sinal sonoro.
E quando o assunto chegou aos sábios, disseram: não costumávamos agir assim senão no Portão Leste e no Monte do Templo. — Ao serem consultados, os sábios esclareceram que esse costume de tocar shofar entre as frases da bênção, em vez de responder amém, era próprio apenas do recinto do Templo — no Portão Leste do Har HaBáit — e não deveria ter sido aplicado fora dali, em Tzipori.
O verso estabelece o princípio bíblico por trás de todo o uso do shofar em momento de aflição comunitária: o toque não é mero sinal acústico, mas o próprio mecanismo pelo qual "sereis lembrados diante do Eterno". É esse princípio que o oficiante do episódio relatado na mishná parece ter aplicado, substituindo o "amém" da congregação por toques reais de shofar entre as frases da bênção — como se buscasse invocar diretamente o mecanismo de Bamidbar 10:9 dentro da própria liturgia do jejum. Os sábios, ao serem consultados, não rejeitam o princípio, mas restringem sua aplicação prática: esse uso específico do shofar dentro da bênção, no lugar do amém, pertencia apenas ao cerimonial do Templo, no Portão Leste, e não deveria ter sido transposto para a sinagoga de Tzipori.
Rambam identifica os dois portões leste mencionados pelos sábios, e Bartenura explica por que a resposta usual de amém foi ali substituída pelo Nome Divino por extenso.
"Aconteceu nos dias de Rabi Chalafta e Rabi Chananya ben Teradyon etc." — quer dizer: o Portão Leste do Monte do Templo e o Portão Leste da Azará (o pátio interno). E a halachá segue os sábios, isto é, que esse costume era exclusivo daqueles dois locais sagrados.
Lemos "e não responderam depois dele amém" — pois no Templo não se respondia amém após cada bênção, mas sim "Bendito seja o Nome de Sua glória para sempre"; e estes, embora não estivessem no Templo, agiram do mesmo modo que se costumava agir ali, o que os sábios depois consideraram indevido fora daquele recinto.
Rashi identifica Rabi Chalafta como pai de Rabi Yosei e localiza o episódio na cidade de Tzipori, esclarecendo quem de fato pronunciava a ordem de tocar o shofar.
"Nos dias de Rabi Chalafta em Tzipori" — Rashi identifica este Rabi Chalafta como o pai de Rabi Yosei, e situa o episódio na cidade de Tzipori, na Galileia. A leitura correta do texto é: "e não responderam depois dele amém: toquem, filhos de Aharon, toquem" — quem pronuncia essa ordem, entre cada bênção, é o chazan da sinagoga, isto é, o assistente encarregado da liturgia, e não o próprio oficiante (shliach tzibur) que reza diante da arca — uma distinção de papéis que Rashi julga importante esclarecer. "Não costumávamos agir assim" — os sábios explicam que o costume que eles reconheciam como legítimo era precisamente o de não responder amém, substituindo-o pelo toque, mas apenas dentro do recinto sagrado do Templo.