Os homens do turno têm permissão para beber vinho à noite, mas não de dia; e os homens da família de serviço, nem de dia nem de noite. — Ainda que o tema não seja diretamente o jejum, a mishná registra aqui uma diferença adicional entre os dois grupos: os homens do turno semanal podem beber vinho durante a noite, quando o risco de serem chamados a auxiliar no serviço é menor, mas não durante o dia; já os homens da família responsável pelo serviço daquele dia específico não podem beber vinho em momento algum, de dia ou de noite, por estarem diretamente envolvidos no trabalho sacrifical.
Os homens do turno e os homens do maamad são proibidos de cortar o cabelo e de lavar roupa, mas na quinta-feira têm permissão, por causa da honra do Shabat. — Durante toda a semana de seu turno, tanto os homens do turno sacerdotal quanto os representantes leigos do maamad — que acompanham e representam o povo durante o serviço — abstêm-se de cortar cabelo e lavar roupas, mas essa restrição é suspensa na quinta-feira, permitindo-lhes se arrumar a tempo de receber o Shabat com dignidade.
Este verso, dirigido a Aharon logo após a morte de seus dois filhos, é a fonte bíblica da proibição de servir no Templo sob efeito de vinho — proibição que, segundo Rambam em seu comentário a esta mishná, está diretamente na base da distinção que a mishná traça entre os homens do turno e os homens da família de serviço. É precisamente porque a entrada "na Tenda do Encontro" sob efeito de vinho carrega a pena descrita no próprio verso — "para que não morrais" — que a mishná é tão cuidadosa em distinguir quem pode beber e quando: os homens do turno, que só seriam chamados a servir em caso de emergência, podem beber à noite; os homens da família de serviço daquele dia específico, que decerto haverão de entrar no santuário, são proibidos em qualquer horário, de dia ou de noite, enquanto durar seu turno de serviço.
Rambam identifica quem são os homens do maamad e liga a proibição de vinho ao verso de Vayikrá; Bartenura detalha o papel do maamad como representantes de todo o povo de Israel.
"Os homens do turno têm permissão para beber vinho à noite, mas não de dia etc." — a proibição de vinho aos homens do turno durante o dia é constante, e a razão é que, caso o serviço se torne pesado demais para os homens da família responsável naquele dia, os homens do turno todo vêm ajudá-los; já para os homens da família de serviço, a proibição vale durante todo o seu tempo de trabalho, pois estão diretamente ocupados no serviço. E já se sabe como o versículo proibiu praticar qualquer coisa relacionada ao Templo em estado de embriaguez, como está dito: "vinho e bebida forte não bebereis" etc. (Vayikrá 10). E o maamad é formado por israelitas leigos.
"Homens do maamad" — são israelitas leigos fixados em Jerusalém que permanecem de pé junto ao sacrifício de seus irmãos, orando para que seja aceito com boa vontade, e ali permanecem no momento do serviço como enviados de todo o povo de Israel. "E na quinta-feira" — dentro de seu turno têm permissão para cortar cabelo, pois é costume da maioria das pessoas cortar o cabelo na quinta-feira, sem esperar até véspera de Shabat, por causa do transtorno que isso causaria.
Rashi explica por que a família de serviço não pode beber vinho nem à noite, ligando a proibição ao trabalho contínuo de recolocar sobre o altar os membros dos sacrifícios que dele se soltaram.
"Têm permissão para beber vinho" — este tema não foi dito propriamente a respeito do jejum, mas é trazido aqui de passagem, já que a mishná estava tratando dos homens do turno. "À noite" — não há por que temer que o serviço se torne pesado à noite, pois já se viu ao entardecer que os sacrifícios cessaram, e não há mais trabalho urgente que exija reforço. "Os homens da família de serviço são proibidos tanto de dia quanto de noite" — porque durante toda a noite eles continuavam recolocando sobre o altar os membros e as gorduras dos sacrifícios que porventura tivessem se soltado dele, um trabalho contínuo que não permite a mesma folga concedida aos homens do turno mais amplo.