Não se decreta jejum sobre a comunidade, no início, numa quinta-feira, para não inflar os preços. — O primeiro jejum de qualquer nova série não pode cair numa quinta-feira, porque, se caísse, todos correriam às compras na sexta-feira seguinte tanto para depois do jejum quanto para o Shabat, e os comerciantes, vendo a movimentação incomum, poderiam supor erroneamente que uma fome generalizada havia chegado, e elevar os preços.
Mas os três primeiros jejuns são em segunda, quinta e segunda, e os três segundos são quinta, segunda e quinta. — Em vez disso, a sequência fixa para as duas primeiras etapas de três jejuns alterna entre segundas e quintas-feiras, sempre começando e terminando de modo a nunca abrir a série inteira justamente numa quinta.
Rabi Yosei diz: assim como os primeiros não caem numa quinta, também não os segundos nem os últimos. — Rabi Yosei estende a mesma preocupação a todas as etapas da escala, e não apenas à primeira: nenhuma delas, em nenhum momento, deve começar numa quinta-feira.
O profeta Amós denuncia comerciantes que exploram até mesmo os dias sagrados como pretexto para elevar preços e adulterar medidas — precisamente o tipo de comportamento oportunista que esta mishná busca prevenir de antemão. Onde Amós repreende a ganância que já ocorreu, a mishná constrói uma salvaguarda preventiva: sabendo que qualquer sinal de compra apressada e em grande quantidade — como aconteceria se o jejum caísse numa quinta, levando as famílias a comprar mantimentos em dobro na sexta seguinte — pode ser mal interpretado pelos comerciantes como indício de escassez, os sábios simplesmente removem a quinta-feira do calendário possível para o início de qualquer série de jejuns, evitando que a piedade religiosa da comunidade se transforme, ainda que involuntariamente, em oportunidade para a exploração que Amós tanto condena.
Rambam explica o mecanismo social por trás da regra, e Bartenura detalha as duas leituras possíveis do receio de "inflar os preços".
"Não se decreta jejum sobre a comunidade, no início, numa quinta-feira etc." — para não inflar os preços dos gêneros alimentícios, pois o povo simples diria: "se não fosse a grande necessidade de chuva, não jejuariam justo antes do Shabat" — concluindo erroneamente que a situação é mais grave do que de fato é, e agindo com pânico no mercado. E a halachá não segue Rabi Yosei.
"Para não inflar os preços" — quando os donos de lojas veem que se compram, na saída da quinta-feira, duas grandes refeições de uma vez — uma para a noite seguinte ao jejum e outra para o Shabat —, poderiam supor que uma fome geral chegou ao mundo, e por isso encareceriam e inflariam o preço. Mas quando o jejum começa numa segunda-feira, os comerciantes sabem que a compra extra se deve apenas ao jejum em si, e não a uma escassez real.
Rashi confirma a mesma leitura, focando no gatilho psicológico exato: a coincidência de duas grandes compras na mesma véspera de quinta-feira.
"Para não inflar os preços" — quando os donos de lojas veem que na saída da quinta-feira se compram duas grandes refeições de uma vez — uma para encerrar o jejum e outra para o Shabat —, eles supõem que uma fome chegou ao mundo, e encarecem e inflam o preço dos gêneros. Mas uma vez que já se sabe, desde o início da sequência, que a comunidade está jejuando por decreto formal, os comerciantes compreendem que a compra dobrada se deve apenas ao jejum, e não a qualquer escassez real — Rashi enfatiza que é exatamente a coincidência acidental entre o fim do jejum e a véspera de Shabat na mesma noite que criaria a aparência enganosa de pânico alimentar, e é essa coincidência específica que a regra do calendário busca evitar.