Não se decreta jejum sobre a comunidade em Rosh Chodesh, em Chanucá e em Purim; e se já começaram, não interrompem — palavras de Rabán Gamliel. — Rosh Chodesh, Chanucá e Purim são dias festivos que impedem o início de um novo jejum comunitário; mas, segundo Rabán Gamliel, se a série já estava em curso antes de se saber que um desses dias cairia dentro dela, não se interrompe a sequência por causa disso.
Disse Rabi Meir: ainda que Rabán Gamliel tenha dito que não interrompem, ele reconhecia que não completam. — Rabi Meir qualifica a posição de Rabán Gamliel: "não interromper" não significa jejuar o dia inteiro normalmente; mesmo Rabán Gamliel concordaria que, nesse dia específico dentro da série, come-se ao entardecer, sem completar o jejum até o pôr do sol pleno.
E também Tishá BeAv que caiu em véspera de Shabat. — A mesma regra de "não completar" se aplica quando o Nove de Av — o mais grave dos jejuns fixos do calendário — cai numa sexta-feira: por respeito à honra do Shabat que se aproxima, come-se um pouco antes do pôr do sol, encerrando o jejum um pouco mais cedo do que em circunstâncias normais.
O verso agrupa Rosh Chodesh junto com "o dia de vossa alegria" e "vossas festas fixas" — a mesma categoria de ocasião festiva marcada por trombetas e sacrifícios de celebração, e não de aflição. É esse status de dia intrinsecamente alegre, e não de jejum ou luto, que fundamenta a proibição desta mishná de iniciar uma nova série de jejuns justamente em Rosh Chodesh — ao lado de Chanucá e Purim, que a tradição posterior consagrou com o mesmo caráter festivo. Ao mesmo tempo, o verso ajuda a explicar por que, segundo Rabán Gamliel, uma série já iniciada antes não precisa ser interrompida: o impedimento recai sobre o início do jejum num dia classificado como festivo, mas não anula automaticamente o processo de súplica comunitária já em curso, que apenas se adapta — comendo mais cedo, sem completar o dia inteiro — para conviver com a alegria do dia especial que sobreveio.
Rambam esclarece que a halachá não segue Rabi Meir, e explica a condição histórica para Tishá BeAv cair em véspera de Shabat; Bartenura detalha o motivo prático de comer antes do pôr do sol.
"Não se decreta jejum sobre a comunidade em Rosh Chodesh etc." — "e se já começaram, não interrompem" quer dizer: se já começaram a jejuar mesmo por uma hora antes de saber do dia festivo, não interrompem o jejum, mas completam o dia normalmente. E o que Rabi Meir disse, que Rabán Gamliel reconhecia que "não completam", quer dizer que jejuam parte do dia e comem na outra parte. E o mesmo vale para Tishá BeAv caindo em véspera de Shabat: jejuam parte do dia e comem ao final dele, por causa da honra do Shabat. Mas a halachá não segue Rabi Meir — antes, se já começaram, jejuam e completam o dia inteiro. Já Tishá BeAv caindo em véspera de Shabat, jejuam desde o início e completam normalmente.
"E se já começaram" — que já haviam decretado os jejuns antes, e começaram a jejuar por causa da calamidade mesmo que apenas um dia, e um destes dias festivos veio a coincidir dentro da série, não interrompem. E a halachá não segue Rabi Meir, mas sim que jejuam e completam normalmente; e do mesmo modo, Tishá BeAv caindo em véspera de Shabat, jejuam e completam o dia inteiro.
Rashi identifica a razão pela qual Rosh Chodesh, apesar de chamado "moed", não impõe as mesmas restrições festivas de outros dias marcados.
"Em princípios de mês" — porque Rosh Chodesh é chamado "moed" (ocasião fixa) na Escritura. "E se já começaram" — que já haviam aceitado o jejum antes e Rosh Chodesh veio a cair dentro da série, não interrompem, pois, embora Rosh Chodesh seja chamado "moed", não está escrito a seu respeito "dia de banquete e alegria" com a mesma força que outras festas — daí a diferença de grau que permite à série de jejuns continuar através dele. "Que não completam" — não jejuam o dia inteiro, mas comem próximo ao entardecer — Rashi situa assim Rosh Chodesh numa categoria intermediária: festivo o suficiente para impedir o início de um jejum, mas não tão festivo a ponto de romper uma série já em curso.
Aqui se completa o Perek Bet — dez mishnayot dedicadas à ordem exata das orações e súplicas nos jejuns comunitários mais severos: a retirada da arca à praça pública com cinzas e palavras de repreensão (2:1); a escolha do oficiante, pobre e experiente, com coração inteiro na oração (2:2); as seis bênçãos adicionais de Zichronot, Shofarot e salmos de aflição, com a alternativa de Rabi Yehuda (2:3); a fórmula completa das sete respostas históricas, de Avraham a David e Shlomo (2:4); o episódio de Rabi Chalafta em Tzipori e a restrição do uso do shofar ao recinto do Templo (2:5); a escala paralela de jejum para os homens do turno sacerdotal e da família de serviço (2:6); as regras sobre vinho, corte de cabelo e lavagem de roupa desses mesmos grupos (2:7); a extensão das proibições de Megilat Taanit aos dias vizinhos (2:8); a regra de calendário contra decretar jejum numa quinta-feira (2:9); e, por fim, os dias em que não se inicia um jejum — Rosh Chodesh, Chanucá e Purim — e o tratamento de uma série já em curso, incluindo o paralelo de Tishá BeAv em véspera de Shabat (2:10). O tratado prossegue no Perek Guimel, que trata de jejuns decretados por calamidades distintas da seca — chuvas em excesso, pragas, guerra e outras aflições que atingem a comunidade.