Seder Moed · Massechet Taanit · Perek Guimel · Mishná 1 de 9

Vegetação alterada e a pausa de quarenta dias

סֵדֶר תַּעֲנִיּוֹת אֵלוּ הָאָמוּר בִּרְבִיעָה רִאשׁוֹנָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abrindo o Perek Guimel, a mishná limita a escala progressiva de treze jejuns descrita no Perek Alef ao caso específico da primeira chuva ausente, e introduz duas situações que exigem clamor imediato, sem esperar a escala: vegetação que mudou de aparência, e uma pausa longa demais entre uma chuva e outra.

A ordem destes jejuns que foi dita aplica-se apenas à primeira chuva.Toda a escala progressiva de treze jejuns detalhada no Perek Alef — dos indivíduos ao tribunal, dos jejuns leves aos severos com shofar — pressupõe que o que falta é especificamente a primeira chuva da estação (a yorê); ela não se aplica automaticamente a qualquer atraso de chuva em qualquer época.

Mas vegetação que mudou, clamam sobre ela imediatamente.Se a vegetação já brotou mas sua aparência mudou — por doença, praga ou deformação — não se espera a escala gradual de jejuns; clama-se de imediato com toque de shofar, pois o dano já está ocorrendo e visível.

E do mesmo modo, se cessaram as chuvas entre uma chuva e outra por quarenta dias, clamam sobre isso imediatamente, porque é uma praga de seca.Mesmo que a primeira chuva já tenha caído normalmente, uma pausa de quarenta dias completos antes da próxima chuva esperada é por si só considerada uma calamidade grave, que dispensa a escala gradual e exige clamor imediato.

סֵדֶר תַּעֲנִיּוֹת אֵלוּ הָאָמוּר, בִּרְבִיעָה רִאשׁוֹנָה. אֲבָל צְמָחִים שֶׁשָּׁנוּ, מַתְרִיעִין עֲלֵיהֶם מִיָּד. וְכֵן שֶׁפָּסְקוּ גְשָׁמִים בֵּין גֶּשֶׁם לְגֶשֶׁם אַרְבָּעִים יוֹם, מַתְרִיעִין עֲלֵיהֶם מִיָּד, מִפְּנֵי שֶׁהִיא מַכַּת בַּצֹּרֶת:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 11:14
וְנָתַתִּי מְטַר אַרְצְכֶם בְּעִתּוֹ יוֹרֶה וּמַלְקוֹשׁ, וְאָסַפְתָּ דְגָנֶךָ וְתִירֹשְׁךָ וְיִצְהָרֶךָ.
E darei a chuva de vossa terra a seu tempo, a primeira chuva e a última chuva, e recolherás teu grão, teu vinho e teu azeite.

A promessa distingue duas chuvas nomeadas — a yorê, primeira chuva do início da estação, e a malkosh, chuva tardia do fim — cada uma com seu tempo próprio dentro do calendário agrícola. É essa distinção bíblica entre chuvas que fundamenta a delimitação desta mishná: a escala de treze jejuns do Perek Alef foi construída em torno da ausência específica da primeira chuva, porque é ela que inaugura o ano agrícola e cuja falta ameaça o plantio desde a raiz. Vegetação já brotada que muda de aparência, ou uma pausa anormal entre chuvas já caídas, são calamidades de outra natureza — não a ausência da promessa inicial, mas um dano já em curso — e por isso a mishná as trata à parte, exigindo resposta imediata em vez da escala gradual.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam explica o caso de mafolet como parâmetro para as calamidades tratadas neste perek; Bartenura detalha a contagem das três chuvas de rechavá e por que a escala de jejuns pressupõe individuos primeiro.

Rambam · Perush HaMishná, Taanit 3:1
סדר תעניות אלו האמור ברביעה ראשונה כו': מפולת הוא שיפלו הכתלים החזקים בלי סיבה גלויה ואין הלכה כר' עקיבא בכולם:

"A ordem destes jejuns que foi dita aplica-se à primeira chuva, etc." — Mapolet (desmoronamento) é quando muros fortes caem sem causa aparente. E a halachá não segue Rabi Akiva em nenhum dos casos deste perek.

Bartenura · Taanit 3:1
סֵדֶר תַּעֲנִיּוֹת הָאֵלּוּ. הָאֲמוּרִין בַּפְּרָקִין דִּלְעֵיל, אֵינוֹ אֶלָּא בִּרְבִיעָה רִאשׁוֹנָה, אִם עָבְרוּ שְׁלֹשָׁה זְמַנִּין שֶׁל רְבִיעָה שֶׁל יוֹרֶה, שֶׁהֵם שְׁלִישִׁי בְּמַרְחֶשְׁוָן וּשְׁבִיעִי וְשִׁבְעָה עָשָׂר, וְלֹא יָרְדוּ גְשָׁמִים, אָז הָיוּ מִתְעַנִּין יְחִידִים, וְאַחַר כָּךְ מִתְעַנִּין הַצִּבּוּר שְׁלֹשׁ עֶשְׂרֵה תַּעֲנִיּוֹת עַל הַסֵּדֶר שֶׁאָמַר:

"A ordem destes jejuns" — ditos nos capítulos anteriores, aplica-se apenas à primeira chuva: se passaram os três prazos da chuva de yorê — o terceiro de Marcheshvan, o sétimo, e o dezessete — e não caiu chuva, então primeiro jejuavam os indivíduos, e depois jejuava a comunidade os treze jejuns na ordem que foi dita.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi ancora a mishná na página anterior do Perek Alef e explica o critério de vegetação alterada e o significado da pausa entre chuvas.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Taanit 18b — a escala do Perek Alef e o critério de "vegetação que mudou"
מתני' סדר תעניות אלו – האמור בפ' ראשון שבתחילה יחידים מתענין סדר תעניות ואחר כך צבור הולכין ומתענין עד י"ג אם לא נענו: ברביעה ראשונה – אם עבר זמן רביעה ראשונה של יורה ולא ירדו גשמים מתענין והולכין כסדר הזה: אבל צמחים ששנו – שנשתנו ממנהגן תחת חטה יצא חוח תחת שעורה באשה שלא היו חטים בשבולים או שינוי אחר מתריעין עליהן מיד אפילו בראשונות שכל חומר האחרונות נוהג בהן: בין גשם לגשם – בין רביעה ראשונה לשניה סימן בצורת היא:

"A mishná: a ordem destes jejuns" — dita no primeiro perek, que no início jejuam os indivíduos a ordem de jejuns, e depois a comunidade prossegue jejuando até treze, se não foi respondida. "Na primeira chuva" — se passou o tempo da primeira chuva de yorê e não caiu chuva, jejuam e prosseguem nesta ordem. "Mas vegetação que mudou" — que se alterou de seu padrão normal — em vez de trigo saiu joio, em vez de cevada saiu erva daninha nas espigas que não formaram grão, ou outra alteração — clamam sobre isso imediatamente, mesmo nos primeiros dias, pois todo o rigor dos últimos jejuns já se aplica a esse caso. "Entre uma chuva e outra" — entre a primeira chuva e a segunda: é sinal de seca.