A ordem destes jejuns que foi dita aplica-se apenas à primeira chuva. — Toda a escala progressiva de treze jejuns detalhada no Perek Alef — dos indivíduos ao tribunal, dos jejuns leves aos severos com shofar — pressupõe que o que falta é especificamente a primeira chuva da estação (a yorê); ela não se aplica automaticamente a qualquer atraso de chuva em qualquer época.
Mas vegetação que mudou, clamam sobre ela imediatamente. — Se a vegetação já brotou mas sua aparência mudou — por doença, praga ou deformação — não se espera a escala gradual de jejuns; clama-se de imediato com toque de shofar, pois o dano já está ocorrendo e visível.
E do mesmo modo, se cessaram as chuvas entre uma chuva e outra por quarenta dias, clamam sobre isso imediatamente, porque é uma praga de seca. — Mesmo que a primeira chuva já tenha caído normalmente, uma pausa de quarenta dias completos antes da próxima chuva esperada é por si só considerada uma calamidade grave, que dispensa a escala gradual e exige clamor imediato.
A promessa distingue duas chuvas nomeadas — a yorê, primeira chuva do início da estação, e a malkosh, chuva tardia do fim — cada uma com seu tempo próprio dentro do calendário agrícola. É essa distinção bíblica entre chuvas que fundamenta a delimitação desta mishná: a escala de treze jejuns do Perek Alef foi construída em torno da ausência específica da primeira chuva, porque é ela que inaugura o ano agrícola e cuja falta ameaça o plantio desde a raiz. Vegetação já brotada que muda de aparência, ou uma pausa anormal entre chuvas já caídas, são calamidades de outra natureza — não a ausência da promessa inicial, mas um dano já em curso — e por isso a mishná as trata à parte, exigindo resposta imediata em vez da escala gradual.
Rambam explica o caso de mafolet como parâmetro para as calamidades tratadas neste perek; Bartenura detalha a contagem das três chuvas de rechavá e por que a escala de jejuns pressupõe individuos primeiro.
"A ordem destes jejuns que foi dita aplica-se à primeira chuva, etc." — Mapolet (desmoronamento) é quando muros fortes caem sem causa aparente. E a halachá não segue Rabi Akiva em nenhum dos casos deste perek.
"A ordem destes jejuns" — ditos nos capítulos anteriores, aplica-se apenas à primeira chuva: se passaram os três prazos da chuva de yorê — o terceiro de Marcheshvan, o sétimo, e o dezessete — e não caiu chuva, então primeiro jejuavam os indivíduos, e depois jejuava a comunidade os treze jejuns na ordem que foi dita.
Rashi ancora a mishná na página anterior do Perek Alef e explica o critério de vegetação alterada e o significado da pausa entre chuvas.
"A mishná: a ordem destes jejuns" — dita no primeiro perek, que no início jejuam os indivíduos a ordem de jejuns, e depois a comunidade prossegue jejuando até treze, se não foi respondida. "Na primeira chuva" — se passou o tempo da primeira chuva de yorê e não caiu chuva, jejuam e prosseguem nesta ordem. "Mas vegetação que mudou" — que se alterou de seu padrão normal — em vez de trigo saiu joio, em vez de cevada saiu erva daninha nas espigas que não formaram grão, ou outra alteração — clamam sobre isso imediatamente, mesmo nos primeiros dias, pois todo o rigor dos últimos jejuns já se aplica a esse caso. "Entre uma chuva e outra" — entre a primeira chuva e a segunda: é sinal de seca.