Seder Moed · Massechet Taanit · Perek Guimel · Mishná 2 de 9

Chuva insuficiente para cisternas, poços e cavernas

יָרְדוּ לַצְּמָחִין אֲבָל לֹא יָרְדוּ לָאִילָן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná estende o princípio de clamor imediato a quatro combinações de chuva parcial: suficiente para a vegetação mas não para as árvores, ou o inverso, ou suficiente para ambas mas não para encher as reservas de água que sustentam o ano.

Se choveu para a vegetação mas não choveu para a árvore; para a árvore mas não para a vegetação; para esta e para aquela, mas não para as cisternas, os poços e as cavernas — clamam sobre isso imediatamente.A vegetação de raízes rasas e as árvores de raízes profundas têm necessidades de água diferentes, de modo que uma mesma chuva pode bastar para uma e não para a outra; e mesmo quando basta para ambas, se não penetrou fundo o bastante para encher as cisternas, os poços escavados e as cavernas naturais que armazenam água para todo o ano, a comunidade clama de imediato, sem esperar a escala gradual, pois o abastecimento de água potável para os meses secos está em risco.

יָרְדוּ לַצְּמָחִין אֲבָל לֹא יָרְדוּ לָאִילָן, לָאִילָן וְלֹא לַצְּמָחִים, לָזֶה וְלָזֶה אֲבָל לֹא לַבּוֹרוֹת לַשִּׁיחִין וְלַמְּעָרוֹת, מַתְרִיעִין עֲלֵיהֶן מִיָּד:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 8:7
כִּי ה' אֱלֹהֶיךָ מְבִיאֲךָ אֶל אֶרֶץ טוֹבָה, אֶרֶץ נַחֲלֵי מָיִם, עֲיָנֹת וּתְהֹמֹת יֹצְאִים בַּבִּקְעָה וּבָהָר.
Pois o Eterno teu D'us te traz a uma terra boa, terra de ribeiros de água, de fontes e de profundezas que brotam no vale e no monte.

A Torá descreve Eretz Yisrael não apenas como terra fértil para plantio, mas como terra de reservas de água — fontes, profundezas e ribeiros — que sustentam a vida muito além do momento em que a chuva cai sobre a plantação. É essa dupla necessidade que a mishná reconhece: uma chuva pode ser suficiente para fazer brotar a vegetação da estação e ainda assim ser insuficiente para repor as cisternas, os poços e as cavernas de que a população depende durante os meses sem chuva. A bênção da terra descrita no verso não se cumpre apenas quando a colheita brota, mas quando as reservas subterrâneas de água — a outra metade da promessa — também se enchem; por isso a mishná trata a falta desse segundo componente como calamidade que exige clamor imediato, independente do sucesso da vegetação em si.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica o mecanismo agronômico por trás da diferença entre chuva suave e chuva intensa, base para entender por que uma mesma chuva pode servir à vegetação e não às árvores.

Bartenura · Taanit 3:2
יָרְדוּ לַצְּמָחִים וְלֹא לָאִילָן. כְּגוֹן שֶׁיָּרְדוּ בְּנַחַת, שֶׁזֶּה יָפֶה לַצְּמָחִים וְלָעֲשָׂבִים וְאֵינוֹ מוֹעִיל לָאִילָנוֹת:

"Choveu para a vegetação e não para a árvore" — por exemplo, quando a chuva caiu suavemente, o que é bom para a vegetação e as ervas, mas não beneficia as árvores, cujas raízes mais profundas exigem chuva mais intensa e penetrante para serem alcançadas.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi remete à Guemará para a explicação técnica da diferença entre os tipos de chuva e identifica as três reservas de água mencionadas na mishná.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Taanit 18b-19b — a explicação técnica e a identificação de cisternas, poços e cavernas
ירדו לצמחים אבל לא לאילן – מפרש בגמ': לבורות שיחין ומערות – בבבא בתרא מפרש מאי בור ומאי שיח ומאי מערה וכולן בית כניסיות מי גשמים לשתיה:

"Choveu para a vegetação mas não para a árvore" — a Guemará explica o mecanismo técnico dessa diferença. "Para as cisternas, os poços e as cavernas" — em Bava Batra explica-se o que é bor, o que é shiach e o que é meará, sendo todos eles reservatórios que recolhem água de chuva para beber — Rashi situa assim os três termos da mishná numa mesma categoria funcional, três formas distintas de armazenamento subterrâneo de água potável, diferenciadas por sua construção, mas unidas pelo propósito comum de sustentar a população durante os meses sem chuva.