E do mesmo modo, a cidade em que há peste ou desmoronamento — aquela cidade jejua e clama, e todas as suas vizinhas jejuam mas não clamam. Rabi Akiva diz: clamam mas não jejuam. — O mesmo esquema de resposta diferenciada da mishná anterior se aplica aqui: a cidade diretamente atingida pela peste ou pelo colapso de suas construções jejua e clama com shofar; as vizinhas apenas jejuam, por solidariedade e prevenção, sem clamar, já que a calamidade ainda não as atingiu diretamente.
O que é peste? Cidade que envia quinhentos soldados de infantaria, e saíram dela três mortos em três dias, um após o outro — eis que isto é peste; menos que isso, não é peste. — A mishná fornece um critério quantitativo objetivo: numa cidade cuja população de homens aptos ao serviço militar chega a quinhentos, três mortes em dias consecutivos indicam uma taxa de mortalidade anormal, digna de ser tratada como epidemia; um ritmo de mortes inferior a esse, mesmo que trágico, é considerado dentro do padrão natural e não aciona esta halachá específica.
A peste — o dever — figura na Torá entre as calamidades da tochachá, a repreensão de Devarim, como consequência que "adere" ao povo, uma imagem de doença que se espalha e persiste enquanto não é tratada. A mishná adota essa mesma categoria bíblica e lhe dá contorno halachico preciso: em vez de deixar em aberto o que conta como praga digna de jejum comunitário, define um limiar numérico — três mortes em três dias consecutivos numa cidade de quinhentos homens aptos — que transforma a linguagem profética de calamidade em critério aplicável pelo tribunal. O desmoronamento de mafolet, colocado ao lado da peste, recebe o mesmo tratamento processual, ainda que sem um critério numérico próprio, tratado por Rambam como queda de muros fortes sem causa aparente.
Bartenura define mafolet com precisão, distinguindo muros fortes que caem sem razão de muros já fracos, cujo colapso não conta para esta halachá.
"Desmoronamento" — quando os muros fortes da cidade caem sem razão aparente. Mas se são muros já enfraquecidos e prestes a cair, isso não conta como mapolet para os fins desta halachá, pois seu colapso tem causa natural evidente e não é sinal de calamidade divina.
Rashi lê a mishná junto com a anterior, aplicando o mesmo raciocínio econômico das cidades vizinhas também ao caso de peste e desmoronamento.
Esta é a versão correta do texto: "aquela cidade jejua e clama, e todas as suas vizinhas jejuam mas não clamam" — e por isso jejuam, porque aquela cidade [afetada] irá comprar mantimento na cidade vizinha, e haverá fome também nela — o mesmo raciocínio econômico que fundamenta a resposta das vizinhas no caso da chuva se aplica igualmente aqui. "Ou desmoronamento" — quando os muros e as casas caem pelo vento, sem causa humana ou defeito estrutural conhecido, o que identifica o evento como calamidade digna de resposta comunitária, e não mero acidente de construção.