E os homens do turno jejuavam quatro dias na semana, de segunda a quinta-feira. E não jejuavam na véspera de Shabat, por respeito ao Shabat. E nem no domingo, para que não saíssem do repouso e do deleite para o esforço e o jejum, e morressem. — A rotina semanal dos homens do turno excluía deliberadamente dois dias: a véspera de Shabat, para que ninguém entrasse no dia sagrado enfraquecido pelo jejum, e o domingo, o primeiro dia após o Shabat, por uma razão de saúde física — a transição abrupta do descanso e do prazer do Shabat direto para o esforço físico do jejum era considerada perigosa o suficiente para, em tese, colocar vidas em risco.
No primeiro dia: "No princípio" e "Haja firmamento". No segundo: "Haja firmamento" e "Ajuntem-se as águas". No terceiro: "Ajuntem-se as águas" e "Haja luminares". No quarto: "Haja luminares" e "Pululem as águas". No quinto: "Pululem as águas" e "Produza a terra". No sexto: "Produza a terra" e "E foram concluídos os céus". — Cada um dos seis dias úteis da semana correspondia a uma porção específica do relato da Criação em Bereshit, lida em ordem cronológica do primeiro ao sexto dia da própria Criação — uma sobreposição deliberada entre o calendário semanal humano e a sequência bíblica da origem do mundo, de modo que os homens do turno revivessem semanalmente, através da leitura pública, a obra divina que sustenta a existência contínua do universo.
Uma porção longa é lida por dois, e a curta por um só, na oração da manhã e na adicional. E na da tarde entram e leem de memória, como se lê o Shemá. Na véspera de Shabat, na oração da tarde, não entravam, por respeito ao Shabat. — A leitura pública do Sefer Torá seguia regras técnicas de divisão conforme o número mínimo de versos por leitor; e, na terceira oração do dia, a leitura era feita de memória, sem o rolo da Torá, do mesmo modo simplificado como se recita o Shemá diariamente — mas mesmo essa leitura simplificada era suspensa na véspera de Shabat, para que a proximidade do dia sagrado não fosse comprometida por nenhuma atividade adicional do turno.
O relato da Criação, dividido pela mishná em seis segmentos correspondentes aos seis dias úteis da semana, é o único texto bíblico nesta massechet lido não por seu conteúdo legal ou histórico, mas por sua função cosmológica — a afirmação de que o mundo tem uma origem intencional e ordenada. A escolha não é arbitrária: ao ler diariamente a porção do dia correspondente da Criação, os homens do turno leigo reencenavam semanalmente, no calendário humano, a sequência divina original, unindo o tempo cíclico da semana ao tempo linear da origem do cosmos. Essa leitura acompanhava, dia após dia, a mesma oferenda diária que, segundo a mishná anterior, sustenta simbolicamente a continuidade do mundo — de modo que jejum, oração e leitura da Criação formavam, juntos, uma reafirmação semanal de que a existência do universo depende de uma relação ativa e contínua entre Israel e seu Criador.
Bartenura explica a razão adicional pela qual não se jejuava em Shabat, e detalha o mecanismo da leitura simplificada na oração da tarde.
"E não jejuavam na véspera de Shabat, por respeito ao Shabat" — e nem é preciso dizer que não jejuavam no próprio Shabat, já que é absolutamente proibido jejuar nesse dia; a mishná menciona apenas a véspera porque, quanto ao Shabat propriamente dito, a proibição já é evidente por si mesma, sem necessidade de explicação adicional.
Rashi explica a lógica da divisão das porções bíblicas por dia e o significado técnico de "leitura de memória" na oração da tarde.
"No primeiro dia" — da semana. "Leem 'No princípio', etc." — a primeira porção junto com a porção "Haja firmamento", porque a porção "No princípio" sozinha não contém os nove versos necessários para a leitura completa de sacerdote, levita e israelita — e assim em todas as demais combinações, cada par de porções foi calculado para atingir o número mínimo de versos exigido pela leitura pública. "Porção longa" — nessas porções específicas a leitura era feita por dois leitores, pois a primeira porção de Bereshit tem apenas cinco versos, insuficientes para um único leitor, e por isso liam-na em dupla. "E leem de memória" — cada um por si mesmo, sem depender de um rolo da Torá físico, de modo semelhante à recitação diária do Shemá — uma concessão prática que reconhecia a menor solenidade da terceira oração do dia em comparação com as leituras públicas da manhã e do musaf.