Todo dia em que há Hallel, não há turno leigo na oração da manhã. A oferenda adicional, não há na oração de neilá. A oferenda de lenha, não há na oração da tarde — palavras de Rabi Akiva. — Rabi Akiva estabelece uma escala de prioridades: quando um dia inclui a recitação do Hallel (como Chanucá), a leitura da Criação pelo turno leigo é dispensada na oração da manhã, pois não há tempo hábil para ambas; quando há oferenda adicional (como festas e Rosh Chodesh), o turno é dispensado apenas na oração de neilá, o momento mais tardio; e quando há oferenda de lenha, um dos nove dias especiais de doação de lenha ao Templo, o turno é dispensado apenas na oração da tarde.
Disse-lhe Ben Azai: assim ensinava Rabi Yehoshua: a oferenda adicional, não há na oração da tarde. A oferenda de lenha, não há na oração de neilá. Rabi Akiva voltou a ensinar como Ben Azai. — Ben Azai corrige a ordem transmitida por Rabi Akiva, citando a tradição autêntica recebida de Rabi Yehoshua: é a oferenda adicional, não a de lenha, que tem prioridade mais tardia — dispensando o turno já na oração da tarde — enquanto a oferenda de lenha, de menor peso relativo, dispensa o turno apenas na oração de neilá, ainda mais tardia. Diante dessa correção com base numa cadeia de transmissão mais confiável, Rabi Akiva reconhece o erro e passa a ensinar de acordo com a versão de Ben Azai — um raro e notável exemplo talmúdico de um grande sábio revertendo publicamente sua própria posição.
A Torá exige que o fogo do altar nunca se apague, e que o sacerdote alimente essa chama com lenha "a cada manhã" — uma necessidade material contínua que, no Segundo Templo, era suprida em parte pela generosidade voluntária de famílias específicas, cada uma com seu dia designado, como a mishná seguinte detalhará. O sistema de precedências criado por esta mishná — entre o turno leigo, o Hallel, a oferenda adicional e a oferenda de lenha — reflete a tentativa de organizar um calendário litúrgico extraordinariamente denso, no qual múltiplas obrigações religiosas podiam coincidir no mesmo dia. A disputa entre Rabi Akiva e a tradição de Rabi Yehoshua sobre qual oferenda cede à outra ilustra como mesmo o combustível físico do altar, tema aparentemente técnico, exigia uma hierarquia cuidadosa de prioridades religiosas.
Bartenura identifica os dias concretos de cada categoria mencionada na mishná — Chanucá, os dias de oferenda adicional e os nove dias de oferenda de lenha.
"Dia em que há Hallel" — como os dias de Chanucá, nos quais se recita o Hallel completo, mas não há oferenda adicional, já que Chanucá é uma festa de instituição rabínica posterior, sem oferendas próprias no Templo — sendo por isso o exemplo claro de um dia em que apenas a categoria "Hallel", isolada das demais, dispensa o turno leigo na oração da manhã.
Rashi explica a lógica prática por trás de cada dispensa, ligando-a à sobrecarga real de trabalho dos sacerdotes e israelitas do turno naqueles dias.
"Todo dia em que há Hallel, não há turno na oração da manhã" — os que estavam em Jerusalém não rezavam pela oferenda de seus irmãos num dia em que há Hallel, porque não têm tempo disponível para realizar seu turno, já que estão ocupados recitando o Hallel, e por causa do Hallel a atividade do turno é postergada. "Oferenda adicional" — num dia em que há oferenda adicional em Jerusalém, não há turno na oração de neilá em Jerusalém, e com muito mais razão na oração da tarde adjacente ao musaf, porque estavam ocupados com o musaf, que exige sacrificar mais animais que a oferenda diária, que é uma só — não há musaf sem pelo menos dois animais — e não tinham tempo algum disponível, já que os sacerdotes do turno estavam ocupados com o musaf, e os israelitas do turno estavam ocupados cortando lenha e trazendo água, o que chegava a postergar até mesmo o turno da oração de neilá. "Oferenda de lenha" — a Guemará explica que se refere a um dos nove momentos fixos [detalhados na próxima mishná], e naquele dia em que havia oferenda de lenha, mesmo sem oferenda adicional, o turno da oração da tarde era postergado por causa da oferenda de lenha, porque ela precede a oração da tarde e assim posterga o turno adjacente a ela.