Eis que este está em vez de chatat, e em vez de oferenda de elevação — não disse nada. “Em vez desta chatat, e em vez desta oferenda de elevação”; “em vez da chatat e em vez da oferenda de elevação que tenho em casa”, e de fato tinha — suas palavras permanecem. Se disse, sobre um animal impuro e sobre um animal com defeito: “eis que estes são oferenda de elevação” — não disse nada. “Eis que estes são para oferenda de elevação” — serão vendidos, e com seu dinheiro trará uma oferenda de elevação.
— Esta última mishná do Perek Hei estabelece o requisito final e mais básico para que a temurá se efetive: o animal consagrado visado deve ser conhecido e determinado no momento da troca. Dizer, de modo genérico, “em vez de uma chatat e em vez de uma oferenda de elevação” — sem apontar para nenhum animal específico nem ter nenhum em mente com clareza suficiente — não produz efeito algum, pois a Torá exige que exista um consagrado definido no momento em que se declara o substituto. Mas se o dono aponta para uma chatat e uma oferenda de elevação que estão fisicamente diante dele, ou mesmo se apenas se refere “à chatat e à oferenda de elevação que tenho em casa” — contanto que de fato as tivesse naquele momento —, isso já basta para tornar o consagrado suficientemente determinado, e suas palavras permanecem válidas. A segunda parte da mishná trata de um caso distinto: um animal de espécie impura, ou um animal com defeito permanente, que nunca poderão, em circunstância alguma, ser fisicamente oferecidos no altar. Se o dono diz sobre eles “eis que estes são oferenda de elevação” — como se pretendesse oferecê-los eles mesmos —, não disse nada, pois é impossível consagrar ao próprio corpo do altar algo que nunca poderá ser oferecido. Mas se ele diz “eis que estes são para oferenda de elevação” — isto é, destinados ao valor de uma oferenda de elevação, não a si mesmos —, essa consagração de valor é plenamente válida: os animais são vendidos, e com o dinheiro de sua venda se traz uma oferenda de elevação de fato.
Rambam explica que a expressão da mishná “em vez de chatat e em vez de oferenda de elevação” equivale a dizer “ou em vez de oferenda de elevação” — isto é, sem determinar qual das duas. E a razão de isso não ter efeito é o que disse o Misericordioso: “não o trocará e não o substituirá” — só se pode fazer a temurá quando o consagrado já é conhecido e determinado.
Bartenura explica que “em vez de chatat ou em vez de oferenda de elevação” é dito de modo genérico, sem dizer “em vez desta chatat” ou “desta oferenda de elevação”. Sobre “não disse nada”: porque está escrito “não o trocará e não o substituirá” — até que o consagrado seja conhecido e determinado no momento em que se faz a troca por ele. Sobre “em vez desta chatat”: e havia uma chatat parada diante dele. Sobre “eis que estes são para oferenda de elevação”: entende-se que é para o valor de uma oferenda de elevação; pois, se a intenção fosse que eles mesmos fossem oferecidos, o dono teria dito “eis que estes são oferenda de elevação”.
Rashi esclarece que “em vez desta chatat” pressupõe que havia uma chatat parada diante do dono, apontada e identificável. Sobre “eis que estes são para oferenda de elevação”: entende-se que é para o valor de uma oferenda de elevação, pois, se a intenção do dono fosse que eles mesmos fossem oferecidos, ele teria dito “eis que estes são oferenda de elevação”. A Guemará observa que esta mishná, ao ensinar que a expressão genérica “em vez de chatat, em vez de oferenda de elevação” não tem efeito, não segue a opinião de Rabi Meir. E, quanto ao animal impuro e ao animal com defeito destinados ao valor de uma oferenda de elevação, não é necessário esperar que eles pastem até adquirir um defeito antes de vendê-los — pois já se encontram, desde o início, impuros e inaptos ao altar.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Hei de Massechet Temurá — seis mishnayot dedicadas à linguagem exata da consagração e da temurá, e às condições sem as quais uma declaração verbal não produz efeito algum: a abertura, com o artifício lícito para desviar o bechor da santidade automática da primogenitura, consagrando a cria ainda no ventre a uma oferenda de elevação ou de paz (5:1); os casos de dois machos, duas fêmeas, e da cria de sexo indeterminado ou duplo, com a disputa de Rabban Shimon ben Gamliel sobre quando a santidade das crias dos consagrados recai sobre elas (5:2); a ordem entre a designação da mãe e da cria, e a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yossi sobre o valor da reconsideração dentro do tempo de uma fala (5:3); o mesmo debate transposto para a linguagem da temurá, quando um único animal é declarado substituto de duas oferendas distintas numa só fala (5:4); as fórmulas verbais que efetivamente produzem uma temurá — “em vez desta”, “substituto desta”, “permuta desta” — em contraste com a linguagem de resgate, e o caso do consagrado defeituoso que sai para o âmbito comum (5:5); e por fim a exigência de que o consagrado visado pela temurá seja conhecido e determinado, e a diferença entre destinar um animal inapto para ser ele mesmo oferecido e destiná-lo apenas para seu valor (5:6). Por possuir Guemará no Talmud Bavli, as seis mishnayot deste perek se distribuem por Temurá 24b–27b, e cada uma reuniu, além do Rambam (Perush HaMishná) e do Bartenura, o comentário de Rashi sobre a respectiva sugya.
O tratado prossegue, em seu próximo capítulo (Perek Vav), com as leis dos animais inteiramente desqualificados para o altar — entre eles o rove e o nirva, o mukdê e o ne'evad — que, segundo a própria Guemará, tornam proibido qualquer valor que se misture com eles, por mínimo que seja.