Os sócios (donos em conjunto de um mesmo monte de produto) que separaram teruma um após o outro (cada um, sem saber que o outro já havia separado): Rabi Akiva diz: a teruma de ambos é teruma (cada sócio tem autoridade sobre sua parte, e por isso as duas separações valem). Mas os sábios dizem: a teruma do primeiro é teruma (apenas a primeira separação vale, pois, uma vez separada a teruma do monte todo, o segundo já não tinha mais parte da qual separar). Rabi Yosse diz: se o primeiro separou na medida correta, a teruma do segundo não é teruma (concordando com os sábios nesse caso); mas se o primeiro não separou na medida correta, a teruma do segundo é teruma (pois, não tendo o primeiro cumprido integralmente a obrigação, ainda restava parte a ser separada, e a do segundo a completa).
O debate desta mishná gira em torno de quem tem autoridade para separar a teruma de um produto pertencente a mais de um dono, aplicando o princípio de que a teruma deve ser separada com pleno conhecimento e intenção (מַחֲשָׁבָה) do proprietário.
Por que os sábios consideram válida apenas a teruma do primeiro sócio, enquanto Rabi Akiva valida ambas? Para os sábios, uma vez que o primeiro sócio separou a teruma de todo o monte em nome da sociedade, o produto deixou de ter, tecnicamente, uma "parte" disponível para o segundo sócio separar sua própria teruma — a obrigação do monte já estava cumprida. Rabi Akiva, por sua vez, entende que cada sócio individualmente mantém plena autoridade sobre sua fração ideal do monte, de modo que a separação do primeiro afeta apenas a fração dele, deixando a fração do segundo ainda sujeita a ser separada por ele mesmo — daí ambas as terumot valerem, cada uma incidindo sobre a porção do respectivo sócio. Rabi Yosse propõe uma via intermediária: concorda com os sábios que, em princípio, a teruma do primeiro esgota a obrigação — mas apenas se ele de fato separou a medida integral exigida; se não o fez, ainda resta uma parcela pendente, e a teruma do segundo sócio vem a completá-la.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado a quem está apto a separar a teruma e em que circunstâncias.
O Rambam decide como Rabi Yosse — a via intermediária entre Rabi Akiva e os sábios — tornando explícito que a segunda teruma, quando válida, recai apenas sobre o que restou pendente após a primeira separação incompleta.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Ficou em dúvida na Guemará (do Talmud Yerushalmi) o que Rabi Yosse quis dizer com "na medida correta" — se se refere à medida bíblica (como ainda se explicará), ou à medida que o companheiro (o outro sócio) separou. E disseram: se quis dizer "na medida da Torá", que é um cinquentavos, ele está discordando das palavras dos sábios; e se quis dizer a medida do companheiro, ele está apenas explicando as palavras dos sábios e concordando com sua opinião. E a lei segue os sábios, conforme Rabi Yosse os explica.
"A teruma de ambos é teruma": isto é, a teruma de cada um deles vale metade teruma e metade produto comum (pois cada sócio só tinha autoridade sobre metade do monte). Assim, quando ambos separaram teruma de cinquenta seá, este uma seá e aquele uma seá, na verdade só se consagrou meia seá em cada uma delas, cada um conforme sua parte.
"Se o primeiro separou na medida correta": um cinquentavos, a medida que os sábios estabeleceram — sua teruma é teruma. E a lei segue Rabi Yosse, pois ele vem apenas explicar as palavras dos sábios. Há quem explique: se o primeiro separou na medida do que o companheiro separou depois, sua teruma é teruma — pois vemos que este último ficou satisfeito com o que o primeiro separou, já que sua intenção concordava com a dele quanto à medida da teruma. Mas a primeira explicação me parece a principal.