Após o princípio da frequência, a mishná enuncia o segundo princípio geral de precedência: a oferenda mais sagrada precede a menos sagrada. Ela percorre, clausula por clausula, uma cadeia descendente que vai do sangue da oferenda de pecado até o primogênito, justificando cada passo com um traço técnico específico do serviço de cada categoria.
E toda oferenda que é mais sagrada que sua companheira precede a companheira. — Enunciado do segundo princípio geral, complementar ao da frequência: quando não há diferença de regularidade entre duas ofertas, prevalece o grau de santidade.
O sangue da oferenda de pecado precede o sangue da oferenda de subida, porque expia. — A aspersão do sangue da chatát precede a da olá porque a primeira expia transgressões graves, puníveis com caret, enquanto a segunda é oferenda voluntária ou de elevação espiritual.
Os membros da oferenda de subida precedem as partes queimadas da oferenda de pecado, porque são inteiramente para as chamas. — Na queima sobre o altar, os membros da olá — consumida por inteiro pelo fogo — precedem as partes designadas da chatát, da qual apenas uma porção é queimada.
A oferenda de pecado precede a oferenda de culpa, porque seu sangue é posto sobre os quatro chifres e sobre a base. — A chatát recebe uma aspersão mais abrangente — nos quatro cantos do altar, com o derramamento do restante sobre a base — do que o asham, cujo sangue é aspergido em apenas dois cantos.
A oferenda de culpa precede a oferenda de agradecimento e o carneiro do nazireu, porque é santidade suprema. — O asham pertence à categoria de kodshei kodashim (santidade suprema), enquanto a todá e o carneiro do nazireu são de santidade leve.
A oferenda de agradecimento e o carneiro do nazireu precedem a oferenda de paz, porque são comidos por um só dia e requerem pães. — Todá e o carneiro do nazireu se comem apenas até a meia-noite seguinte, como as ofertas de santidade suprema, enquanto o shelamim comum se come por dois dias; e ambos exigem pães que os acompanham — quatro tipos com a todá, dois com o carneiro do nazireu.
A oferenda de paz precede o primogênito, porque requer aplicação de quatro, imposição de mãos, libações e a oscilação do peito e da coxa. — O shelamim exige um conjunto de serviços — duas aplicações de sangue que equivalem a quatro, imposição de mãos pelo dono, libações de vinho e a oscilação do peito e da coxa por sacerdote e dono — nenhum dos quais é exigido para o primogênito.
Rambam explica que meratsé significa expia — que a oferenda de pecado expia transgressões graves puníveis com caret. Quanto às partes queimadas da chatát: embora todas sejam queimadas, tal como os membros da olá, esta última é totalmente consumida pelo fogo, enquanto da chatát só se queimam as partes designadas — e é isso que a mishná quer dizer com “porque são inteiramente para as chamas”. Quanto à expressão “aplicação de quatro” na oferenda de paz, refere-se a duas aplicações que equivalem a quatro. Todas essas leis mencionadas nesta halachá já foram explicadas no quinto capítulo deste tratado, e ainda explicaremos em Menachot que o primogênito e o dízimo animal não requerem libações nem oscilação.
Bartenura precisa: “o sangue da chatát precede o sangue da olá” — quando ambos já estão abatidos e prontos para serem aspergidos; “porque expia” — expia os passíveis de caret, que precisam de uma expiação maior. “Os membros da olá precedem” em sua queima às “partes da chatát”, se o sangue de ambas já foi aspergido, “porque são inteiramente” — um aspecto de acréscimo para o altar. “Sobre os quatro chifres e sobre a base” — o derramamento do resto do sangue; e no asham não encontramos essa aplicação. “Aplicação de quatro” — duas aplicações que equivalem a quatro; e o primogênito requer apenas uma aplicação, sem imposição de mãos, libações nem oscilação do peito e da coxa.
Rashi introduz a pergunta da guemará: de onde se aprende que o sangue da chatát precede o sangue da olá, e que os membros da olá precedem as partes queimadas da chatát? A guemará busca a fonte no “segundo touro, filho de gado”, trazido na consagração dos levitas, mencionado na parashá Behaalotchá (Números 8) — caso em que a oferenda de pecado é sacrificada antes da oferenda de subida, servindo de paradigma para o princípio geral de precedência entre as duas.