As oferendas de pecado da comunidade e do indivíduo. Estas são as oferendas de pecado da comunidade: os bodes das luas novas e das festas. — A mishná passa agora às oferendas de pecado que não são do tipo “interno” (cujo sangue entra no Santuário) — são as oferendas de pecado ditas “externas”, comuns tanto à comunidade quanto ao indivíduo. Como exemplo das comunitárias, cita os bodes trazidos como oferenda de pecado no início de cada mês (Rosh Chodesh) e nas festas.
Seu abate é no norte, e a recepção de seu sangue em vaso de serviço é no norte, e seu sangue requer quatro aplicações sobre quatro chifres. — Como toda oferenda de pecado, também estas exigem abate e recepção do sangue no norte; mas, diferentemente das oferendas de santidade suprema já tratadas, seu sangue não é aspergido no Santuário, e sim aplicado nos quatro chifres salientes do altar externo.
Como? Subia pela rampa e virava para o contorno, e vinha ao chifre sudeste, nordeste, noroeste, sudoeste. — A mishná detalha o percurso: o sacerdote subia pela rampa de acesso ao altar e, ao chegar ao topo, virava para a borda estreita (sovev) que contorna o altar, caminhando sempre à sua direita — primeiro ao chifre sudeste (o mais próximo, às suas costas ao subir), depois ao nordeste, ao noroeste e por fim ao sudoeste, completando assim as quatro aplicações em sentido horário.
O restante do sangue, ele derramava sobre a base sul. E são comidas para dentro das cortinas, pelos machos do sacerdócio, em qualquer forma de alimento, por um dia e uma noite, até a meia-noite. — Ao contrário das oferendas “internas”, cujo resto de sangue vai à base ocidental (por proximidade à saída do Santuário), aqui o resto vai à base sul, próxima ao ponto de descida da rampa. Sua carne, por sua vez, só pode ser consumida dentro do pátio do Templo, exclusivamente por sacerdotes do sexo masculino, e apenas até a meia-noite seguinte ao abate — embora a Torá permita, em princípio, até o amanhecer.
Rambam explica que o resto do sangue é derramado na base sul porque se aprende, por analogia, que assim como na saída do Santuário o sacerdote derrama o resto na base mais próxima (a ocidental), também na descida da rampa ele o derrama na base mais próxima — a sul, já que a rampa fica no lado sul do altar. Enuncia ainda o princípio geral, válido em todo o Templo, de que toda viração de esquina deve ser feita sempre à direita, nunca à esquerda — daí o percurso sudeste → nordeste → noroeste → sudoeste.
Bartenura explica que o sacerdote precisa subir à borda do altar porque as aplicações nos chifres são feitas com o dedo, exigindo proximidade; que o primeiro chifre alcançado é o sudeste porque, subindo pela rampa (situada ao sul) e virando sempre à direita, é o primeiro que se encontra; que o resto do sangue vai à base sul por analogia com a saída do Santuário; que “dentro das cortinas” remete às cortinas que cercavam o pátio do Tabernáculo, equivalentes à muralha do pátio no Templo; e que o limite da meia-noite é uma cerca rabínica para afastar a pessoa da transgressão do limite bíblico, que na verdade se estende até o amanhecer.
Rashi explica por que, só neste caso, o sacerdote precisa subir à borda estreita do altar: como o sangue é aplicado em altura, nos chifres, e com o dedo (não por aspersão à distância), é necessário ficar em pé junto ao próprio chifre. Nos demais sangues, que são mais baixos, o sacerdote permanece no chão, junto ao canto do altar, e arremessa o sangue diretamente do vaso.
Rashi liga “dentro das cortinas” às cortinas que, no Tabernáculo do deserto, cercavam o pátio da Tenda do Encontro; explica que “machos do sacerdócio” exclui as mulheres, pois o versículo fala de “o sacerdote que a purifica” no masculino; e confirma que o limite da meia-noite é uma cerca dos sábios para manter distância segura da transgressão que acarreta caret, embora o texto bíblico permita comer até o amanhecer.