A oferenda de subida é santidade suprema. Seu abate é no norte, e a recepção de seu sangue em vaso de serviço é no norte, e seu sangue requer duas aplicações que são quatro. — Como as demais oferendas de santidade suprema, a oferenda de subida é abatida e tem seu sangue recebido no norte. Quanto à aspersão do sangue, são feitas apenas duas aplicações — em dois chifres diagonalmente opostos do altar — mas, por atingirem simultaneamente as quatro faces do altar, são contadas como “quatro”.
E requer esfolamento e corte em pedaços, e é totalmente consumida pelos fogos. — Aqui reside a marca distintiva da oferenda de subida: depois do abate, sua pele é retirada (e entregue ao sacerdote que a ofereceu) e sua carne é cortada em pedaços específicos, mas, ao contrário de toda outra oferenda de santidade suprema, nada de sua carne é comido por sacerdote ou por israelita algum: ela é posta inteira sobre o fogo do altar e completamente consumida.
Rambam observa que a Torá nunca chama a oferenda de subida explicitamente de “kodshei kodashim” — é a mishná que o ensina, por equipará-la à oferenda de pecado e à de culpa quanto ao lugar do abate e da recepção do sangue. Explica ainda por que suas duas aplicações contam como quatro: a Torá ordena que o sangue seja “jogado sobre o altar ao redor” (saviv), expressão que exige que as quatro paredes do altar sejam atingidas, mas apenas por meio de um verdadeiro arremesso à distância (não um contorno contínuo como um fio) — o que só se realiza jogando o sangue duas vezes, em dois chifres diagonalmente opostos, de modo que cada jato cubra duas paredes adjacentes.
Bartenura explica que classificar a oferenda de subida como “kodshei kodashim” tem consequências práticas: ela se torna inválida se sair da área permitida, se oferecida por sacerdote que ainda não completou sua purificação naquele dia, ou por quem ainda deve trazer sua oferenda de expiação final, e está sujeita às leis de meilá (uso indevido de bem sagrado). Localiza as duas aplicações nos chifres nordeste e sudoeste, precisamente porque o chifre sudeste não tinha base própria (a tradição liga isso à profecia de Yaakov sobre Binyamin) e a oferenda de subida exige que sua primeira aplicação seja feita defronte a um chifre com base. E conclui citando o versículo que ordena expressamente o esfolamento e o corte em pedaços, e que toda ela é consumida sobre o fogo.