O daf abre concluindo a explicação da posição de Rav Chisda: se a vela de Chanucá se apaga, não é preciso reacendê-la, mas é proibido usar sua luz para fins comuns — por isso permite-se acender com materiais desqualificados em dia de semana, mas não em Shabat. Em seguida, Rabi Zeirá transmite em nome de Rav uma posição ainda mais permissiva, que autoriza pavios e óleos desqualificados tanto em dia de semana quanto em Shabat, pois Rav entende que, mesmo apagando-se, não é preciso reacender, e mesmo assim é proibido usar sua luz. Essa tradição só é aceita por Abaie na segunda vez em que a ouve, agora em nome de Rabi Yochanan — episódio que gera a reflexão de que se aprende melhor na juventude. Uma baraita sobre o horário da mitzvá ("do pôr do sol até que se acabe o pé do mercado") é usada como objeção e depois harmonizada, e Rabá bar bar Chana define esse horário como o momento em que os vendedores ambulantes tarmoditas terminam de circular. Uma baraita central expõe os três níveis da mitzvá — a vela básica por casa, os que se esmeram acendendo uma vela por pessoa, e os que se esmeram ainda mais segundo a disputa entre Beit Shamai (decrescente, de oito a uma) e Beit Hilel (crescente, de uma a oito) — com duas explicações de Ula para a razão de cada escola, e o relato de dois anciãos de Tsidon que praticavam cada costume com fundamentos diferentes. Outra baraita trata do lugar de acender a vela — à porta de casa, na janela para quem mora no sobrado, ou sobre a mesa em tempo de perigo — e Rava exige uma vela adicional para uso comum, dispensada havendo uma fogueira, exceto para pessoa importante. O daf então chega à célebre pergunta "que é Chanucá?", respondida por uma baraita que narra a impureza dos óleos do Templo pelos gregos, a vitória da casa dos Chashmonaim, a descoberta de um único jarro de óleo puro e lacrado, suficiente para um dia, e o milagre de ele ter ardido por oito dias — motivo pelo qual se instituíram esses dias como dias de louvor e agradecimento. O daf fecha com uma baraita sobre responsabilidade por incêndio causado por uma fagulha de ferreiro ou por linho de um camelo que pega fogo na vela de um lojista, a isenção de Rabi Yehuda quando a causa é uma vela de Chanucá, e a conclusão de Ravina, em nome de Rabá, de que a mitzvá exige colocar a vela dentro de dez palmos de altura — abrindo, com a atribuição a Rav Kahana em nome de Rav Natan bar Minyomi, uma nova exposição que a Guemará completa apenas em 22a.
(Rav Chisda entende que, se a vela) se apagou, não é preciso cuidar dela (reacendê-la), mas é proibido usar sua luz (para fins comuns). Disse Rabi Zeirá, em nome de Rav Matna — e alguns dizem, disse Rabi Zeirá em nome de Rav: os pavios e óleos a respeito dos quais disseram os sábios que não se acende com eles em Shabat, acende-se com eles em Chanucá, seja em dia de semana, seja em Shabat. Disse Rabi Yirmeyá: qual é a razão de Rav? Ele entende que, se (a vela) se apagou, não é preciso cuidar dela, e é proibido usar sua luz.
A Guemará conclui a explicação da posição de Rav Chisda, iniciada no fim de 21a: ele entende que, se a vela de Chanucá se apagar, a pessoa não está obrigada a reacendê-la — pois a mitzvá já foi cumprida com o acender inicial —, mas, por outro lado, é proibido usar sua luz para fins comuns, precisamente porque se trata de uma vela de mitzvá. Essa segunda restrição é o que exige, em Shabat, apenas pavios estáveis: se o pavio for de má qualidade, a chama tremerá e a pessoa será tentada a inclinar a vela como se estivesse ajustando-a para uso, o que não ocorre em dia de semana, quando tal ação não constituiria transgressão. Em seguida, surge uma posição ainda mais permissiva, transmitida por Rabi Zeirá em nome de Rav (a tradição hesita entre Rav Matna e Rav como fonte): permite-se qualquer pavio ou óleo desqualificado tanto em dia de semana quanto em Shabat. Rabi Yirmeyá explica que Rav compartilha da mesma dupla posição de Rav Chisda — não é preciso reacender, e é proibido usar a luz —, mas extrai dela a conclusão oposta quanto a Shabat: exatamente porque de qualquer forma é proibido usar a luz da vela, não há razão para temer que a pessoa venha a inclinar o pavio para fins de uso, e por isso pode-se acender mesmo com materiais instáveis, mesmo em Shabat.
"Não é preciso cuidar dela" — portanto, em dia de semana (usar materiais desqualificados) é permitido.
"E é proibido usar sua luz" — para que seja reconhecível que se trata de uma vela de mitzvá; e não há que temer (a pessoa vir) a inclinar (a vela).
Disseram-na os sábios diante de Abaie em nome de Rabi Yirmeyá, e ele não a aceitou. Quando veio Ravin, disseram-na os sábios diante de Abaie em nome de Rabi Yochanan, e ele a aceitou. Disse (Abaie): se eu tivesse merecido, tê-la-ia aprendido em sua fonte desde o início. (Objeção:) Mas ele já a aprendeu! (Resposta:) A diferença prática está no estudo da juventude (que se fixa mais profundamente).
A Guemará narra um episódio sobre a transmissão dessa mesma tradição. Quando os sábios a relataram a Abaie citando Rabi Yirmeyá como fonte da explicação, ele não a aceitou — talvez por dúvida quanto à autoridade da atribuição. Mais tarde, quando o sábio Ravin chegou da Terra de Israel trazendo a mesma explicação, agora em nome de Rabi Yochanan (mestre de Rabi Yirmeyá, e portanto fonte mais autorizada), Abaie a aceitou prontamente. Ele então lamenta não ter tido o mérito de aprendê-la já da primeira vez em sua fonte originária, o que teria lhe permitido absorvê-la com a força de um estudo de juventude. A Guemará esclarece que, embora Abaie já tivesse tecnicamente "aprendido" a mesma explicação da primeira vez, há uma diferença prática real: o estudo aprendido na juventude fixa-se na memória de modo mais permanente e seguro do que o aprendido mais tarde.
"E não a aceitou" — pois não pensou apoiar-se nas palavras (de Rabi Yirmeyá sozinho).
"Se eu tivesse merecido" — se eu tivesse tido o mérito de aprendê-la (diretamente de Rabi Yochanan), tê-la-ia estudado como a ouvi da primeira vez.
"O estudo da juventude" — permanece mais firme do que o da velhice.
(Pergunta:) E (é mesmo correto que, se) se apagou, não é preciso cuidar dela? Mas contradisseram (a partir de uma baraita): sua mitzvá (dura) desde que o sol se põe até que se acabe o pé (o movimento de pessoas) do mercado. Acaso não (significa isso que), se (a vela) se apagou, volta a acendê-la (dentro desse período)? (Resposta:) Não; (o sentido é que), se ainda não acendeu, acende (dentro desse período). E também (pode entender-se a baraita como referindo-se apenas) à sua medida (de duração do óleo necessário, e não à obrigação de reacender).
A Guemará traz uma objeção contra a posição de que, apagando-se a vela, não é preciso reacendê-la: uma baraita ensina que "sua mitzvá dura do pôr do sol até que se acabe o pé do mercado" — isto é, até que as pessoas parem de circular pelas ruas. Isso parece sugerir que, durante todo esse período, se a vela se apagasse, seria preciso reacendê-la, para que continuasse queimando enquanto há gente na rua para ver o milagre (o propósito de "publicar o milagre"). A Guemará responde com duas alternativas: a baraita trata apenas de quando a pessoa ainda não acendeu a vela — nesse caso, pode e deve fazê-lo a qualquer momento dentro desse período, mas isso não implica que deva reacender uma vela já apagada; ou, alternativamente, a baraita está apenas indicando a medida de óleo necessária para o pavio (o suficiente para durar até esse horário), sem tratar da questão de reacender.
"À sua medida" — que haja nela óleo na medida (suficiente para durar) esse (período); mas, ainda assim, se se apagou, não é preciso cuidar dela.
"Até que se acabe o pé do mercado" — e até quando (exatamente)? Disse Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan: até que se acabe o pé dos tarmoditas (vendedores ambulantes de lenha).
A Guemará precisa o momento exato em que termina o período obrigatório da mitzvá: não quando a última pessoa comum sai às ruas, mas quando param de circular os tarmoditas, um grupo de vendedores que ficava no mercado até mais tarde que os demais, vendendo lenha fina a quem precisasse acender fogo em casa depois de escurecer — sendo, portanto, o último grupo de pessoas nas ruas capazes de ver e reconhecer a vela de Chanucá.
"O pé dos tarmoditas" — nome de um povo que recolhe lenha fina, e demoram-se no mercado até que os habitantes do mercado vão para suas casas, ao escurecer, e acendem fogo em suas casas; e, quando precisam de lenha, saem e compram deles.
Ensinaram os sábios (numa baraita): a mitzvá de Chanucá (é) uma vela para o homem e sua casa. E os que se esmeram (na mitzvá), (acendem) uma vela para cada um (dos membros da casa). E os que se esmeram além dos que se esmeram — Beit Shamai diz: no primeiro dia acende oito, e a partir daí vai diminuindo; e Beit Hilel diz: no primeiro dia acende uma, e a partir daí vai aumentando.
A baraita estabelece três níveis progressivos de cumprimento da mitzvá de Chanucá. No nível básico, uma única vela por casa, independentemente do número de moradores, cumpre a obrigação de todos. Os que desejam ir além ("os que se esmeram") acendem uma vela para cada membro da casa. Um terceiro nível, ainda mais requintado, é objeto de disputa entre as duas escolas: Beit Shamai propõe começar com oito velas no primeiro dia e ir diminuindo uma a cada dia, enquanto Beit Hilel propõe o inverso, tradicionalmente seguido até hoje — começar com uma vela e acrescentar uma a cada noite, até completar oito na última noite.
"Vela para o homem e sua casa" — uma vela em cada noite; e o homem e todos os membros de sua casa se contentam com uma única vela.
"E os que se esmeram" — atrás das mitzvot, fazem uma vela em cada noite para cada um dos membros da casa.
Disse Ula: discordam a esse respeito dois amoraim no ocidente (Terra de Israel), Rabi Yossei bar Avin e Rabi Yossei bar Zevidá. Um disse: a razão de Beit Shamai (corresponde) aos dias que entram (que ainda virão), e a razão de Beit Hilel (corresponde) aos dias que saem (que já passaram). E um (outro) disse: a razão de Beit Shamai (corresponde) aos touros da festa (de Sucot, que diminuem), e a razão de Beit Hilel é que se sobe no sagrado e não se desce.
Ula relata duas explicações distintas, formuladas por dois sábios da Terra de Israel, para o fundamento por trás da disputa entre as escolas. A primeira explicação relaciona o número de velas aos dias restantes ou já passados da festa: Beit Shamai conta em correspondência aos dias que ainda faltam (por isso decrescente, de oito a um), enquanto Beit Hilel conta em correspondência aos dias já decorridos (por isso crescente, de um a oito). A segunda explicação relaciona o número de velas aos touros oferecidos como sacrifício público durante os sete dias da festa de Sucot (Bamidbar 29:12-34), que diminuem a cada dia (treze, doze, onze...) — assim, Beit Shamai segue esse padrão decrescente; Beit Hilel, por sua vez, segue o princípio geral de que, em assuntos de santidade, deve-se sempre aumentar e nunca diminuir.
"Em correspondência aos dias que entram" — os que ainda estão por vir.
"Os dias que saem" — os que já saíram; e este (dia) em que (a pessoa) se encontra é contado entre os que saem.
"Os touros da festa" — vão diminuindo, nos sacrifícios da porção de Pinchas.
"Sobe-se no sagrado e não se desce" — aprendemo-lo de um verso, em Menachot, no capítulo "Shtei HaLechem".
Disse Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan: havia dois anciãos em Tsidon. Um agia conforme Beit Shamai, e um agia conforme as palavras de Beit Hilel. Este dava fundamento às suas palavras (a prática de Beit Shamai) em correspondência aos touros da festa, e aquele dava fundamento às suas palavras (a prática de Beit Hilel) em que se sobe no sagrado e não se desce.
Rabá bar bar Chana relata um caso histórico que confirma e ilustra a segunda das duas explicações de Ula: em Tsidon viviam dois anciãos, cada um seguindo uma das duas práticas, e cada um justificando sua prática exatamente com a segunda razão citada — a analogia com os touros decrescentes da festa de Sucot, no caso de quem seguia Beit Shamai, e o princípio de que se aumenta e não se diminui em santidade, no caso de quem seguia Beit Hilel.
Ensinaram os sábios (numa baraita): a vela de Chanucá, é mitzvá colocá-la à porta de sua casa, por fora. Se (alguém) morava num sobrado, coloca-a na janela próxima ao domínio público. E em tempo de perigo, coloca-a sobre sua mesa, e é suficiente.
A baraita estabelece o lugar ideal para acender a vela de Chanucá: à porta externa da casa, voltada para a rua, de modo a maximizar a publicação do milagre a quem passa. Para quem mora num andar superior, sem acesso direto a uma porta externa dando para a rua, a alternativa é a janela voltada para o domínio público. Em época de perseguição religiosa, quando acender publicamente representaria risco, basta colocar a vela sobre a própria mesa, dentro de casa, cumprindo a mitzvá de modo discreto.
"Por fora" — por causa da publicação do milagre; e não no domínio público, mas em seu pátio, pois suas casas se abriam para o pátio.
"Se morava num sobrado" — pois não tem lugar em seu pátio para colocá-la ali.
"Coloca-a" — por dentro, defronte à janela próxima ao domínio público.
"O perigo" — pois os persas tinham um decreto, em seu dia de festa, de que não se acendesse vela senão na casa de sua idolatria, conforme dizemos (no tratado) Guitin.
Disse Rava: é preciso (ter) outra vela, para usar sua luz. E, se há uma fogueira, não é preciso. E, se é pessoa importante, ainda que haja fogueira, é preciso outra vela.
Como é proibido usar a luz da vela de Chanucá para fins comuns, Rava ensina que se deve manter acesa uma vela adicional, de uso corrente, para que fique claro que a luz eventualmente aproveitada vem dela e não da vela de mitzvá. Essa precaução é dispensável se já houver uma fogueira acesa no ambiente, cuja luz serve de alternativa evidente. Mas, tratando-se de pessoa importante, que normalmente não se serve da luz de uma simples fogueira (por não ser seu costume fazê-lo), é necessária de qualquer forma uma vela adicional, para que não haja dúvida de que ele estaria usando a luz da vela de Chanucá.
"Outra vela" — para fazer um sinal distintivo da coisa.
"E se há fogueira" — de fogo, não é preciso outra vela, pois (a pessoa) usa a luz da fogueira, e há sinal distintivo de que a vela é de mitzvá.
"E se é pessoa importante" — que não costuma usar a luz da fogueira.
"É preciso outra vela" — pois, se não, não há sinal distintivo.
Que é Chanucá? Pois ensinaram os sábios (numa baraita, em) "Meguilat Taanit": em vinte e cinco de Kislev, os dias de Chanucá são oito, nos quais não se faz lamentação, e nos quais não se jejua. Pois, quando os gregos entraram no Templo, impurificaram todos os óleos que havia no Templo; e, quando prevaleceu o reino da casa dos Chashmonaim e os venceram, examinaram e não encontraram senão um único jarro de óleo, que estava posto com o selo do sumo sacerdote, e não havia nele senão (o suficiente) para acender um único dia. Fez-se nele um milagre, e acenderam dele oito dias. No ano seguinte, fixaram-nos e os fizeram dias festivos, com louvor e agradecimento.
Aqui aparece a célebre passagem "Mai Chanucá" — a pergunta central sobre a origem e o motivo da festa. A resposta vem de uma baraita, entendida pelos comentadores como originária de Meguilat Taanit, que narra o episódio fundador: durante a ocupação grega, todos os óleos puros destinados ao candelabro do Templo foram tornados impuros, de modo que, ao os Chashmonaim vencerem e retomarem o Templo, uma busca cuidadosa só encontrou um único jarro de óleo puro, ainda lacrado com o selo do sumo sacerdote — prova de que não fora contaminado. Esse jarro continha óleo suficiente apenas para acender o candelabro por um único dia, mas um milagre fez com que ardesse por oito dias completos, tempo necessário para preparar e purificar óleo novo. Por isso, no ano seguinte, os sábios instituíram esses oito dias como dias festivos de louvor (recitação do Halel) e agradecimento (a inserção de "Al HaNissim" nas orações e na bênção de graças), embora sem as restrições de trabalho de outras festividades.
"Que é Chanucá" — sobre qual milagre a instituíram.
"Com seu selo" — guardado em segredo e selado com seu anel, e (assim) se reconheceu que não haviam tocado nele.
Assim é a versão correta: "e os fizeram dias festivos com louvor e agradecimento" — não que sejam proibidos quanto a trabalho, pois não foram instituídos senão para recitar o Halel e dizer "Al HaNissim" no agradecimento.
Aprendemos ali (numa Mishná, em Bavá Kama): uma fagulha que sai de debaixo do martelo e saiu (mais longe do esperado) e causou dano — (o ferreiro) é responsável. Um camelo carregado de linho, passando pelo domínio público, e seu linho entrou dentro de uma loja, e pegou fogo na vela do lojista, e incendiou o prédio — o dono do camelo é responsável. (Se) o lojista deixou sua vela por fora — o lojista é responsável.
A Guemará traz uma Mishná de Bavá Kama sobre responsabilidade por danos causados por fogo. No primeiro caso, uma fagulha do martelo de um ferreiro que se propaga e causa incêndio responsabiliza o ferreiro, por negligência previsível. No segundo caso, um camelo carregado de linho que passa por uma rua pública e cujo carregamento roça a vela de um lojista, incendiando-se e depois incendiando o prédio, responsabiliza o dono do camelo — presumindo-se que a vela do lojista estava em seu lugar normal, dentro da loja. Mas, se o próprio lojista tiver colocado sua vela do lado de fora, na rua, expondo-a ao risco de contato com cargas passantes, a responsabilidade recai sobre ele, por ter criado o perigo.
"Fagulha" — centelha, em língua estrangeira estincele.
"Martelo" — grande marreta de ferreiros.
"O dono do camelo é responsável" — pois não deveria ter aumentado sua carga (a ponto de) entrar na loja.
Rabi Yehuda diz: (se a causa do incêndio foi) uma vela de Chanucá (deixada do lado de fora), (o lojista) está isento. Disse Ravina, em nome de Rabá: isso ensina que a vela de Chanucá, é mitzvá colocá-la dentro de (uma altura de) dez (palmos). Pois, se lhe subisse ao pensamento (que se pode colocá-la) acima de dez, dever-se-ia dizer-lhe (ao lojista): deverias tê-la colocado acima (da altura) de um camelo e seu cavaleiro (para evitar o risco)! Mas talvez (a razão de não exigir isso é que), se lhe fosse demasiado trabalhoso (subi-la tão alto), viria a se abster da mitzvá.
Rabi Yehuda acrescenta uma exceção à regra anterior: se o lojista deixou sua vela do lado de fora precisamente porque se tratava da vela de Chanucá — que, como se ensinou, deve ser colocada à porta, por fora, para publicar o milagre —, ele fica isento pelo incêndio resultante, pois agiu conforme a mitzvá, e não por negligência comum. Ravina extrai daí uma conclusão prática importante sobre a altura correta para a vela de Chanucá: como a isenção de Rabi Yehuda pressupõe que o lojista colocou a vela numa altura relativamente baixa (dentro de dez palmos, a altura padrão para objetos "no domínio" de alguém), e mesmo assim ficou exposta ao contato com a carga de um camelo, isso mostra que a mitzvá exige colocar a vela dentro dessa altura — pois, se fosse permitido colocá-la mais alto, o lojista deveria ter feito assim, acima da altura de um camelo com seu cavaleiro, evitando o incêndio sem abrir mão da mitzvá. A Guemará ainda pondera, sem resolver aqui, se a única razão de não exigir uma altura tão grande seria o receio de que a pessoa, achando o esforço excessivo, acabasse por deixar de cumprir a mitzvá — questão que fica em aberto, junto com uma nova exposição de Rav Kahana em nome de Rav Natan bar Minyomi, cujo conteúdo a Guemará desenvolve apenas a partir de 22a.
"Isento por vela de Chanucá" — o lojista que, com autorização da publicação da mitzvá, a colocou ali.
"Isso ensina" — o que se ensina, que por vela de Chanucá (o lojista) está isento.
Disse Rav Kahana: expôs Rav Natan bar Minyomi, em nome de Rabi Tanchum (o que se segue)…
O daf termina em suspenso, com a mera atribuição de uma nova exposição — Rav Kahana relatando o que Rav Natan bar Minyomi expôs em nome de Rabi Tanchum. O conteúdo dessa exposição (sobre o verso "e o poço estava vazio, não havia nele água", interpretado como ensinando que, embora não houvesse água, havia cobras e escorpiões) pertence já à abertura de Shabat 22a, onde a Guemará continua e desenvolve o tema.