Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Bet · Bameh Madlikin
בַּעֲוֹן עִינּוּי הַדִּין

A conclusão sobre o roubo e as mulheres de Machoza; a lista completa das consequências coletivas — justiça corrompida, juramentos, profanação do Nome e do Shabat, derramamento de sangue, relações proibidas, idolatria, negligência de shemitá e obscenidade; e a abertura do relato sobre hidrokan e askara

Shabbat 33a — a continuação direta do comentário de Rava sobre as mulheres de Machoza, interrompido no limite de 32b

O daf abre completando a frase de Rava, iniciada ao final de 32b: as mulheres de Machoza "comem e não trabalham", o que as leva a fazer seus maridos roubarem para sustentá-las — e a Guemará encadeia os versículos de Amós, Joel e Isaías sobre o gazam (gafanhoto cortador) e as demais pragas sucessivas, culminando na leitura homilética "carne de seu braço" como "carne de sua semente" — isto é, dos próprios filhos. A partir daí, a Guemará expõe, item por item e com sua fonte bíblica precisa, uma longa lista de pecados coletivos e suas consequências nacionais: o atraso, a distorção e a corrupção da justiça, e a negligência do estudo da Torá, que trazem guerra, saque, peste e fome; o juramento em vão, o juramento falso, a profanação do Nome Divino e a profanação do Shabat, que trazem feras selvagens, perda de gado, declínio populacional e estradas desertas; o derramamento de sangue, que causa a destruição do Templo e o afastamento da Presença Divina; as relações proibidas, a idolatria e a negligência dos anos de shemitá e jovel, que trazem o exílio; e a obscenidade da boca, que traz calamidades, decretos severos e a morte prematura dos jovens, com o ensinamento de que mesmo quem apenas ouve em silêncio a obscenidade é responsabilizado. Segue-se o ensinamento de Rav Oshaya sobre quem se prepara deliberadamente para o pecado, a quem sobrevêm feridas e a doença de hidrokan (hidropisia); a baraita dos três tipos dessa doença — a do pecado, a da fome e a da feitiçaria —, todos distintos por sua aparência física; e os episódios de Shmuel HaKatan, que se curou após orar, de Abaye, cuja doença Rava atribuiu à fome por jejuns voluntários, e de Rava, cuja própria doença é explicada pela retenção forçada durante suas aulas. O daf prossegue com a baraita dos quatro sinais — hidrokan para o pecado, icterícia para o ódio gratuito, pobreza para a arrogância, e askara (garrotilho) para a maledicência — e conclui, em seu último segmento, abrindo o relato sobre a origem e a natureza da doença de askara, cuja exposição completa segue em 33b.

A conclusão: as mulheres de Machoza e o pecado do roubo · דְּאָכְלָן וְלָא עָבְדָן

01Rava conclui: elas comem e não trabalham, levando seus maridos a roubar; a cadeia de versículos sobre o gazam, o gafanhoto e a lagarta, culminando em "carne de sua semente"
Rava (conclusão, diante da Guemará)
דְּאָכְלָן וְלָא עָבְדָן. וּכְתִיב: ״הִכֵּיתִי אֶתְכֶם בַּשִּׁדָּפוֹן וּבַיֵּרָקוֹן הַרְבּוֹת גַּנּוֹתֵיכֶם וְכַרְמֵיכֶם וּתְאֵנֵיכֶם וְזֵיתֵיכֶם יֹאכַל הַגָּזָם״, וּכְתִיב: ״יֶתֶר הַגָּזָם אָכַל הָאַרְבֶּה וְיֶתֶר הָאַרְבֶּה אָכַל הַיָּלֶק וְיֶתֶר הַיֶּלֶק אָכַל הֶחָסִיל״. וּכְתִיב: ״וַיִּגְזוֹר עַל יָמִין וְרָעֵב וַיֹּאכַל עַל שְׂמֹאל וְלֹא שָׂבֵעוּ אִישׁ בְּשַׂר זְרוֹעוֹ יֹאכֵלוּ״, אַל תִּקְרֵי ״בְּשַׂר זְרוֹעוֹ״ אֶלָּא ״בְּשַׂר זַרְעוֹ״.

... pois (as mulheres de Machoza) comem e não trabalham (para seu próprio sustento, levando seus maridos ao roubo). E está escrito: "feri-vos com queimadura e com amarelecimento; a multidão de vossos jardins e vossas vinhas e vossas figueiras e vossas oliveiras devorou o gazam" (Amós 4:9). E está escrito: "o que sobrou do gazam comeu o gafanhoto (arbê), e o que sobrou do gafanhoto comeu a larva (yelek), e o que sobrou da larva comeu a lagarta (chassil)" (Joel 1:4). E está escrito: "e cortará à direita e terá fome, e comerá à esquerda e não se saciará; cada um comerá a carne de seu próprio braço" (Isaías 9:19). Não leias "a carne de seu braço" (besar zeroô), mas sim "a carne de sua semente" (besar zaro)(isto é, de seus próprios filhos).

Nota

O daf 33a abre completando, em suas primeiras palavras, a frase de Rava interrompida ao final de 32b: as mulheres de Machoza, comparadas às "vacas de Basã" do profeta Amós, comem com fartura mas não trabalham para seu próprio sustento — levando seus maridos a recorrer ao roubo para satisfazer suas exigências de luxo. Rashi explica que isso as torna, em certo sentido, cúmplices do roubo cometido pelos maridos, e que, além disso, por estarem acostumadas ao comer e ao beber refinados, elas mesmas induzem seus maridos a roubar. A Guemará então encadeia uma sequência de versículos que ilustram a escalada da punição pelo pecado do roubo: primeiro Amós, que descreve o gazam (uma praga de gafanhoto cortador) devorando jardins, vinhas, figueiras e oliveiras; depois Joel, que mostra essa praga se sucedendo em quatro estágios crescentes — gazam, arbê, yelek e chassil —, cada um devorando o que sobrou do anterior, numa devastação total e progressiva; e por fim Isaías, que descreve a fome extrema resultante, ao ponto de cada um, desesperado, "comer a carne de seu próprio braço". A Guemará relê essa última expressão de forma homilética: não "a carne de seu braço" (zeroô), mas "a carne de sua semente" (zaro) — isto é, das crianças, dos próprios filhos —, elevando a imagem da fome ao seu grau mais terrível e ligando-a de volta ao ensinamento de 32b sobre pais que, pelo pecado do roubo, chegam a comer a carne de seus próprios filhos e filhas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "comem e não trabalham" e a cadeia de pragas
דאכלן ולא עבדן - ונמצא שגוזלות את בעליהן ועוד מתוך שמלומדות במאכל ובמשתה גורמות לבעלים לגזול:

"Pois comem e não trabalham" — e assim se constata que roubam (o sustento) de seus maridos; e ainda mais: por estarem acostumadas ao comer e ao beber (refinados), fazem com que os maridos (sejam levados a) roubar.

וכתיב - בההיא פרשה בנבואת עמוס הכיתי אתכם בשדפון וסיפיה דקרא כרמיכם וזיתיכם יאכל הגזם וכתיב ביואל יתר הגזם דמשמע שהגזם אינו אלא תחלת מכה ואחריה באים ארבה וחסיל אלמא גובאי עולה בעון גזל וכיון דמיני גובאי עולין רעב הוה וכיון דהרעב הוה כתיב בישעיה ויגזור על ימין ורעב וגו' וסיפיה דקרא איש בשר זרועו יאכלו:

"E está escrito" — nessa mesma passagem, na profecia de Amós: "feri-vos com queimadura", e o fim do versículo: "vossas vinhas e vossas oliveiras devorou o gazam"; e está escrito em Joel "o que sobrou do gazam", o que indica que o gazam não é senão o início de uma praga, e depois dele vêm o gafanhoto e a lagarta — donde se conclui que a praga do gafanhoto aumenta pelo pecado do roubo; e, uma vez que os tipos de gafanhoto aumentam, sobrevém a fome; e, uma vez que a fome sobrevém, está escrito em Isaías "e cortará à direita e terá fome etc.", e o fim do versículo: "cada um comerá a carne de seu próprio braço".

A justiça corrompida e a negligência da Torá · בַּעֲוֹן עִינּוּי הַדִּין וְעִיוּוּת הַדִּין

02O atraso, a distorção e a corrupção da justiça, e a negligência da Torá, trazem guerra, saque, peste e fome, com a fonte de que "aliança" significa Torá
Guemará
בַּעֲוֹן עִינּוּי הַדִּין, וְעִיוּוּת הַדִּין, וְקִלְקוּל הַדִּין, וּבִיטּוּל תּוֹרָה — חֶרֶב וּבִיזָּה רָבָה, וְדֶבֶר וּבַצּוֹרֶת בָּא, וּבְנֵי אָדָם אוֹכְלִין וְאֵינָן שְׂבֵעִין, וְאוֹכְלִין לַחְמָם בְּמִשְׁקָל. דִּכְתִיב: ״וְהֵבֵאתִי עֲלֵיכֶם חֶרֶב נוֹקֶמֶת נְקַם בְּרִית וְגוֹ׳״. וְאֵין ״בְּרִית״ אֶלָּא תּוֹרָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אִם לֹא בְרִיתִי יוֹמָם וָלָיְלָה וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״בְּשִׁבְרִי לָכֶם מַטֵּה לֶחֶם וְאָפוּ עֶשֶׂר נָשִׁים וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״יַעַן וּבְיַעַן בְּמִשְׁפָּטַי מָאָסוּ״.

Pelo pecado do atraso da justiça (inuy hadin), e da distorção da justiça (ivut hadin), e da corrupção da justiça (kilkul hadin), e da negligência da Torá — vêm a espada e o grande saque, e vêm a peste e a fome, e os filhos do homem comem e não se saciam, e comem seu pão a peso. Pois está escrito: "e trarei sobre vós a espada vingadora, vingança da aliança (etc.)" (Levítico 26:25). E "aliança" não é senão a Torá, como está dito: "se não for minha aliança de dia e de noite (etc.)" (Jeremias 33:25). E está escrito: "ao quebrar-vos o bordão do pão, dez mulheres cozerão (vosso pão num só forno, etc.)" (Levítico 26:26). E está escrito: "porque, e por causa de que, rejeitaram meus juízos" (Levítico 26:43).

Nota

A Guemará inicia aqui uma extensa exposição, organizada por categorias de pecados coletivos e suas respectivas consequências nacionais, cada uma apoiada em fontes bíblicas precisas. O primeiro grupo reúne três formas de corrupção judicial — o atraso deliberado na emissão de sentenças por considerações pessoais dos juízes, a distorção intencional do veredicto, e a corrupção resultante de mera negligência — junto com a negligência geral do estudo da Torá. A consequência conjunta dessas quatro falhas é descrita numa escala de calamidade: guerra e saque generalizado, peste e fome, e a situação humilhante de as pessoas comerem sem nunca se saciar, tendo seu pão racionado a peso. A base bíblica vem do versículo da Tochechá em Levítico, que fala da "espada vingadora, vingança da aliança" — e a Guemará estabelece que "aliança" (brit), sem outra especificação, refere-se à Torá, apoiando-se num versículo de Jeremias que descreve a Torá como "minha aliança de dia e de noite", numa alusão ao estudo constante, tanto diurno quanto noturno. Os versículos seguintes de Levítico completam a descrição da punição: o "bordão do pão" quebrado, de modo que dez mulheres precisam compartilhar um único forno para cozer o pouco pão disponível, e a causa última — a rejeição dos juízos divinos, isto é, da justiça e da Torá.

03Juramento em vão, juramento falso, profanação do Nome e do Shabat trazem feras selvagens, perda de gado, declínio populacional e estradas desertas, por analogia verbal entre "profanação" e "profanação"
Guemará
בַּעֲוֹן שְׁבוּעַת שָׁוְא וּשְׁבוּעַת שֶׁקֶר וְחִילּוּל הַשֵּׁם וְחִילּוּל שַׁבָּת — חַיָּה רָעָה רָבָה, וּבְהֵמָה כָּלָה, וּבְנֵי אָדָם מִתְמַעֲטִין, וְהַדְּרָכִים מִשְׁתּוֹמְמִין. שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְאִם בְּאֵלֶּה לֹא תִוָּסְרוּ לִי״ — אַל תִּקְרֵי ״בְּאֵלֶּה״, אֶלָּא ״בְּאָלָה״. וּכְתִיב: ״וְהִשְׁלַחְתִּי בָכֶם אֶת חַיַּת הַשָּׂדֶה וְגוֹ׳״, וּכְתִיב בִּשְׁבוּעַת שֶׁקֶר: ״וְלֹא תִשָּׁבְעוּ בִשְׁמִי לַשָּׁקֶר וְחִלַּלְתָּ אֶת שֵׁם אֱלֹהֶיךָ״. וּבְחִלּוּל הַשֵּׁם כְּתִיב: ״וְלֹא תְחַלְּלוּ אֶת שֵׁם קׇדְשִׁי״. וּבְחִלּוּל שַׁבָּת כְּתִיב: ״מְחַלְּלֶיהָ מוֹת יוּמָת״, וְיָלֵיף ״חִילּוּל״ ״חִילּוּל״ מִשְּׁבוּעַת שֶׁקֶר.

Pelo pecado do juramento em vão e do juramento falso, e da profanação do Nome, e da profanação do Shabat — as feras selvagens se multiplicam, e o gado desaparece, e os filhos do homem diminuem, e os caminhos ficam desolados. Como está dito: "e se, apesar destas coisas (be'ele), não vos corrigirdes para mim (etc.)" (Levítico 26:23) — não leias "be'ele" (estas coisas), mas sim "be'alá" (por causa de um juramento). E está escrito: "e enviarei contra vós a fera do campo (etc.)" (Levítico 26:22). E está escrito quanto ao juramento falso: "e não jurareis por meu nome falsamente, e profanarás o nome de teu D-us" (Levítico 19:12). E quanto à profanação do Nome, está escrito: "e não profanareis o nome de minha santidade" (Levítico 22:32). E quanto à profanação do Shabat, está escrito: "os que a profanarem (mechaleleha) certamente morrerão" (Êxodo 31:14), e deduz-se (a lei) por meio de guezerá shavá — "profanação" (chilul) de "profanação" (chilul) — a partir do juramento falso.

Nota

O segundo grupo reúne quatro pecados relacionados à santidade da palavra e do tempo sagrado: o juramento em vão (uma declaração jurada sem propósito ou sobre algo evidente), o juramento falso, a profanação do Nome Divino, e a profanação do Shabat. Sua consequência conjunta é descrita como uma inversão da ordem natural: as feras selvagens, normalmente contidas, se multiplicam e invadem o território humano; o gado doméstico desaparece; a população humana diminui; e os caminhos, antes movimentados, ficam desertos, por medo dos perigos. A base para o juramento em vão vem de um jogo de palavras homofônico: o versículo da Tochechá que fala de "estas coisas" (be'ele) é relido como "por causa de um juramento" (be'alá), ligando a punição descrita — o envio da "fera do campo" — a esse pecado específico. Para o juramento falso e a profanação do Nome, a Guemará cita diretamente os versículos que os proíbem, ambos usando a raiz "chilul" (profanação). Para a profanação do Shabat, a Guemará nota que o versículo de Êxodo que prescreve a pena de morte para "os que a profanam" (mechaleleha) usa a mesma raiz, permitindo derivar, por guezerá shavá (analogia verbal entre termos idênticos em contextos distintos), que a mesma punição — feras selvagens e desolação — aplica-se também à profanação do Shabat, assim como se aplica ao juramento falso e à profanação do Nome.

04O derramamento de sangue causa a destruição do Templo e o afastamento da Presença Divina de Israel
Guemará
בַּעֲוֹן שְׁפִיכוּת דָּמִים בֵּית הַמִּקְדָּשׁ חָרֵב, וּשְׁכִינָה מִסְתַּלֶּקֶת מִיִּשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְלֹא תַחֲנִיפוּ וְגוֹ׳ וְלֹא תְטַמֵּא אֶת הָאָרֶץ אֲשֶׁר אַתֶּם יוֹשְׁבִים בָּהּ אֲשֶׁר אֲנִי שׁוֹכֵן בְּתוֹכָהּ״. הָא אַתֶּם מְטַמְּאִים אוֹתָהּ — אֵינְכֶם יוֹשְׁבִים בָּהּ, וְאֵינִי שׁוֹכֵן בְּתוֹכָהּ.

Pelo pecado do derramamento de sangue, o Templo Sagrado é destruído, e a Presença Divina (Shechiná) se afasta de Israel, como está dito: "e não contamineis (etc., a terra; pois o sangue contamina a terra, e à terra não se expia pelo sangue que nela se derramou senão pelo sangue de quem o derramou). E não contaminarás a terra em que habitais, no meio da qual eu habito" (Números 35:33–34). Eis que, se a contaminardes — não habitareis nela, e eu não habitarei no meio dela.

Nota

O terceiro item da lista é o derramamento de sangue (shefichut damim), o assassinato, cuja consequência é apresentada de forma direta e severa: a destruição do próprio Templo Sagrado, e o afastamento da Presença Divina do meio de Israel. A base bíblica vem de um versículo de Números que trata especificamente das leis das cidades de refúgio e da contaminação causada pelo derramamento de sangue: a terra, afirma o versículo, é contaminada pelo sangue derramado nela, e não há expiação para essa contaminação senão através do sangue de quem o derramou; e o mesmo versículo declara que D-us habita "no meio dos filhos de Israel". A Guemará extrai a consequência por leitura inversa: se a terra é contaminada pelo derramamento de sangue, e D-us habita nela apenas enquanto ela permanece pura, segue-se que a contaminação pelo sangue provoca tanto o exílio do povo de sua terra quanto a retirada da própria Presença Divina.

Relações proibidas, idolatria e a negligência de shemitá e jovel · בַּעֲוֹן גִּלּוּי עֲרָיוֹת

05Relações proibidas, idolatria e a negligência dos anos de shemitá e jovel trazem o exílio, com a fonte de que a própria terra "vomita" seus habitantes contaminadores
Guemará
בַּעֲוֹן גִּלּוּי עֲרָיוֹת וַעֲבוֹדָה זָרָה וְהַשְׁמָטַת שְׁמִיטִּין וְיוֹבְלוֹת — גָּלוּת בָּא לָעוֹלָם, וּמַגְלִין אוֹתָן, וּבָאִין אֲחֵרִים וְיוֹשְׁבִין בִּמְקוֹמָן. שֶׁנֶּאֱמַר: ״כִּי אֶת כׇּל הַתּוֹעֵבוֹת הָאֵל עָשׂוּ אַנְשֵׁי הָאָרֶץ וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״וַתִּטְמָא הָאָרֶץ וָאֶפְקוֹד עֲוֹנָהּ עָלֶיהָ וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״וְלֹא תָקִיא הָאָרֶץ אֶתְכֶם בְּטַמַּאֲכֶם אוֹתָהּ״.

Pelo pecado das relações proibidas (guilui arayot), e da idolatria, e da negligência dos anos de shemitá e jovel — o exílio vem ao mundo, e exilam-nos (o povo de Israel de sua terra), e vêm outros e se assentam em seu lugar. Como está dito: "pois todas essas abominações fizeram os homens da terra (que estavam antes de vós, etc.)" (Levítico 18:27), e está escrito: "e se contaminou a terra, e cobrei sua iniquidade sobre ela (etc.)" (Levítico 18:25), e está escrito: "e que a terra não vos vomite, quando a contaminardes, como vomitou a nação que estava antes de vós" (Levítico 18:28).

Nota

O quarto grupo agrupa três transgressões graves — relações sexuais proibidas, idolatria, e a negligência da observância dos anos sabáticos (shemitá) e do jubileu (jovel), quando a terra deveria ficar em repouso — cuja consequência comum é o exílio: o povo de Israel é retirado de sua terra, e outros povos vêm ocupar seu lugar. A base bíblica vem da passagem de Levítico que descreve como os cananeus, antigos habitantes da terra, foram expulsos por causa das mesmas abominações — relações proibidas e idolatria —, contaminando a terra a tal ponto que ela "vomitou" seus habitantes. A Guemará aplica o mesmo princípio a Israel: assim como a terra expulsou seus habitantes anteriores por essas transgressões, ela expulsará também o povo de Israel, caso este a contamine da mesma forma.

06A fonte específica para a idolatria: cadáveres lançados sobre os ídolos, os santuários assolados, e a dispersão entre as nações
Guemará
וּבַעֲבוֹדָה זָרָה כְּתִיב: ״וְנָתַתִּי אֶת פִּגְרֵיכֶם וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״וַהֲשִׁמּוֹתִי אֶת מִקְדְּשֵׁיכֶם וְגוֹ׳״, ״וְאֶתְכֶם אֱזָרֶה בַגּוֹיִם״.

E quanto à idolatria, está escrito: "e porei vossos cadáveres (sobre os cadáveres de vossos ídolos, etc.)" (Levítico 26:30), e está escrito: "e assolarei vossos santuários (etc.)" (Levítico 26:31), "e a vós espalharei entre as nações" (Levítico 26:33).

Nota

A Guemará acrescenta uma fonte específica adicional para a idolatria, distinta e mais severa do que a fonte geral já citada para as relações proibidas: uma sequência de versículos da Tochechá que descrevem cadáveres lançados sobre os próprios ídolos que os idólatras adoravam — uma imagem de degradação total, em que o corpo do adorador é tratado com o mesmo desprezo que o objeto de sua idolatria —, os santuários (bamot, altares idólatras, ou, por extensão, os próprios lugares sagrados de Israel) assolados, e o povo espalhado entre as nações, uma referência direta à dispersão do exílio.

07A fonte específica para shemitá e jovel: a terra descansará seus sábados enquanto Israel estiver na terra dos inimigos
Guemará
בִּשְׁמִיטִּין וּבְיוֹבְלוֹת כְּתִיב: ״אָז תִּרְצֶה הָאָרֶץ אֶת שַׁבְּתוֹתֶיהָ כֹּל יְמֵי הֳשַׁמָּה וְאַתֶּם בְּאֶרֶץ אוֹיְבֵיכֶם וְגוֹ׳״, וּכְתִיב: ״כׇּל יְמֵי הׇשַּׁמָּה תִּשְׁבּוֹת״.

Quanto (à negligência) dos anos de shemitá e jovel, está escrito: "então a terra apreciará (o descanso de) seus sábados, todos os dias de sua desolação, enquanto vós estiverdes na terra de vossos inimigos (etc.)" (Levítico 26:34), e está escrito: "todos os dias de sua desolação, ela descansará" (Levítico 26:35).

Nota

De modo semelhante, a Guemará traz uma fonte específica para a negligência dos anos de shemitá e jovel: os versículos finais da Tochechá que descrevem a própria terra "apreciando" finalmente o descanso de seus sábados sabáticos, exatamente durante o período em que o povo de Israel estará exilado na terra de seus inimigos — pois a duração do exílio corresponde precisamente ao número de anos sabáticos que não foram observados enquanto o povo habitava a terra, de modo que a terra recebe, retroativamente e à força, o descanso que lhe fora negado.

Obscenidade da boca: quem fala e quem ouve calado · בַּעֲוֹן נַבְלוּת פֶּה

08A obscenidade da boca traz calamidades, decretos severos e a morte dos jovens, sem que órfãos e viúvas sejam atendidos em seu clamor
Guemará
בַּעֲוֹן נַבְלוּת פֶּה צָרוֹת רַבּוֹת, וּגְזֵירוֹת קָשׁוֹת מִתְחַדְּשׁוֹת, וּבַחוּרֵי שׂוֹנְאֵי יִשְׂרָאֵל מֵתִים, יְתוֹמִים וְאַלְמָנוֹת צוֹעֲקִין וְאֵינָן נַעֲנִין, שֶׁנֶּאֱמַר: ״עַל כֵּן עַל בַּחוּרָיו לֹא יִשְׂמַח ה׳ וְאֶת יְתוֹמָיו (וְאַלְמְנוֹתָיו) [וְאֶת אַלְמְנוֹתָיו] לֹא יְרַחֵם כִּי כֻלּוֹ חָנֵף וּמֵרַע וְכׇל פֶּה דּוֹבֵר נְבָלָה בְּכׇל זֹאת לֹא שָׁב אַפּוֹ וְעוֹד יָדוֹ נְטוּיָה״.

Pelo pecado da obscenidade da boca (navlut pe), muitas aflições (sobrevêm), e decretos severos se renovam, e os jovens dos "inimigos de Israel" (um eufemismo para o próprio Israel) morrem, órfãos e viúvas clamam e não são atendidos, como está dito: "por isso, com seus jovens não se alegrará o Eterno, e de seus órfãos e de suas viúvas não se compadecerá, pois todos são ímpios e malfeitores, e toda boca fala obscenidade (nevalá); com tudo isso, não se desviou sua ira, e ainda sua mão está estendida" (Isaías 9:16).

Nota

O último item plenamente desenvolvido do mnemônico introduzido em 32b é a obscenidade da boca (navlut pe) — a fala vulgar, indecente. Sua consequência é descrita como uma sucessão de calamidades: numerosas aflições, decretos governamentais severos que se renovam constantemente, a morte prematura dos jovens (referidos eufemisticamente como "os jovens dos inimigos de Israel", uma fórmula comum no Talmud para suavizar a menção direta a uma desgraça recaindo sobre o próprio povo de Israel), e o clamor não atendido de órfãos e viúvas, que ficaram sem seus provedores. A base bíblica vem de um versículo de Isaías que enumera exatamente esses elementos — jovens sem alegria divina, órfãos e viúvas sem compaixão — atribuindo a causa geral à impiedade e à malfeitoria, mas especificando, no meio do versículo, "toda boca fala obscenidade" como a transgressão central.

09Rabi Chanan bar Rava: "sua mão ainda está estendida" refere-se a quem fala obscenamente mesmo sobre o óbvio; Rav Chisda: aprofunda-se o Geinom para quem fala obscenamente; Rav Nachman bar Yitzchak: também para quem ouve calado
Rabi Chanan bar Rava; Rabá bar Sheila (em nome de Rav Chisda); Rav Nachman bar Yitzchak
מַאי ״וְעוֹד יָדוֹ נְטוּיָה״ — אָמַר רַבִּי חָנָן בַּר רָבָא: הַכֹּל יוֹדְעִין כַּלָּה לָמָּה נִכְנְסָה לַחוּפָּה. אֶלָּא כׇּל הַמְנַבֵּל פִּיו אֲפִילּוּ חוֹתְמִין עָלָיו גְּזַר דִּין שֶׁל שִׁבְעִים שָׁנָה לְטוֹבָה — הוֹפְכִין עָלָיו לְרָעָה. אָמַר רַבָּה בַּר שֵׁילָא אָמַר רַב חִסְדָּא: כׇּל הַמְנַבֵּל אֶת פִּיו — מַעֲמִיקִין לוֹ גֵּיהִנָּם, שֶׁנֶּאֱמַר: ״שׁוּחָה עֲמוּקָּה פִּי זָרוֹת״. רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק אָמַר: אַף שׁוֹמֵעַ וְשׁוֹתֵק, שֶׁנֶּאֱמַר: ״זְעוּם ה׳ יִפּוֹל שָׁם״.

O que significa "e ainda sua mão está estendida"? Disse Rabi Chanan bar Rava: todos sabem por que a noiva entra sob o pálio nupcial (chupá — isto é, é óbvio; não há necessidade de mencioná-lo explicitamente). Mas todo aquele que profere obscenidade com sua boca — ainda que lhe tenha sido selado um decreto de setenta anos de bem, transformam-no (esse decreto) em mal. Disse Rabá bar Sheila, disse Rav Chisda: todo aquele que profere obscenidade com sua boca — aprofunda-se para ele o Geinom, como está dito: "cova profunda é a boca das estranhas (mulheres proibidas — isto é, a boca que fala obscenidade)" (Provérbios 22:14). Rav Nachman bar Yitzchak disse: também quem ouve (a obscenidade) e se cala (é punido), como está dito: "ali cairá aquele contra quem o Eterno está indignado" (Provérbios 22:14).

Nota

A Guemará explica a expressão final do versículo de Isaías, "e ainda sua mão está estendida" — que parece redundante, já que a ira e o castigo já foram plenamente descritos. Rabi Chanan bar Rava esclarece com um exemplo: assim como todos sabem por que a noiva entra sob o pálio nupcial, sem que seja necessário dizê-lo explicitamente, da mesma forma esse ensinamento se refere a quem, mesmo diante de algo evidente por si mesmo (que não exige menção explícita, apenas alusão respeitosa), insiste em falar de forma obscena e explícita. A punição por essa obscenidade é severa e específica: ainda que a pessoa já tivesse um decreto celestial selado, prometendo-lhe setenta anos de vida boa, esse próprio pecado pode reverter o decreto para o mal — a "mão ainda estendida" simbolizando essa reversão adicional. Rav Chisda (citado por Rabá bar Sheila) acrescenta que quem fala obscenamente tem, especificamente, o Geinom aprofundado para si, numa leitura do versículo de Provérbios sobre a "cova profunda" da boca das mulheres proibidas — aplicada por extensão à boca que fala obscenidades. Rav Nachman bar Yitzchak estende essa mesma punição a quem meramente ouve a obscenidade e permanece calado, sem protestar — interpretando a segunda metade do mesmo versículo de Provérbios, "ali cairá aquele contra quem o Eterno está indignado", como referindo-se também ao ouvinte passivo, e não apenas a quem fala.

Quem se prepara para o pecado: feridas e a doença de hidrokan · כׇּל הַמְּמָרֵק עַצְמוֹ לַעֲבֵירָה

10Rav Oshaya: quem se prepara deliberadamente para o pecado sofre feridas e é julgado com hidrokan; Rav Nachman bar Yitzchak: hidrokan é sinal de pecado
Rav Oshaya; Rav Nachman bar Yitzchak
אָמַר רַב אוֹשַׁעְיָא: כׇּל הַמְּמָרֵק עַצְמוֹ לַעֲבֵירָה — חַבּוּרוֹת וּפְצָעִין יוֹצְאִין בּוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״חַבּוּרוֹת פֶּצַע תַּמְרוּק בְּרָע״. וְלֹא עוֹד אֶלָּא שֶׁנִּדּוֹן בְּהִדְרוֹקָן: שֶׁנֶּאֱמַר ״וּמַכּוֹת חַדְרֵי בָטֶן״. אָמַר רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק: סִימָן לַעֲבֵירָה הִדְרוֹקָן.

Disse Rav Oshaya: todo aquele que se prepara (mitmarek — literalmente, se poli, se refina) a si mesmo para o pecado — machucados e feridas (lhe) saem (no corpo), como está dito: "machucados de ferida (vêm de) a preparação para o mal" (Provérbios 20:30). E não só isso, mas é julgado com hidrokan (hidropisia), como está dito: "e golpes (que penetram) os aposentos do ventre" (Provérbios 20:30). Disse Rav Nachman bar Yitzchak: sinal do pecado é o hidrokan.

Nota

A Guemará passa a um novo tema, ainda relacionado à punição pelo pecado, mas agora voltado ao indivíduo em vez de à coletividade: Rav Oshaya ensina que todo aquele que se prepara deliberadamente para cometer uma transgressão — arrumando-se, embelezando-se, tomando providências específicas em antecipação ao pecado — sofre, como consequência, machucados e feridas visíveis no corpo, apoiando-se num versículo de Provérbios que liga "machucados de ferida" à "preparação para o mal". E mais: essa mesma pessoa é julgada com a doença de hidrokan (uma forma de hidropisia, com inchaço do abdômen), derivada da continuação do mesmo versículo, que fala de "golpes que penetram os aposentos do ventre" — lido como referência a essa doença abdominal específica. Rav Nachman bar Yitzchak resume o ensinamento com uma fórmula concisa: a própria doença de hidrokan é, em si, um sinal indicativo de que a pessoa cometeu algum pecado.

11Baraita: os três tipos de hidrokan, distintos pela aparência — o do pecado é espesso, o da fome é inchado, o da feitiçaria é fino
Baraita
תָּנוּ רַבָּנַן: שְׁלֹשָׁה מִינֵי הִדְרוֹקָן הֵן: שֶׁל עֲבֵירָה עָבֶה, וְשֶׁל רָעָב תָּפוּחַ, וְשֶׁל כְּשָׁפִים דַּק.

Ensinaram os Sábios: há três tipos de hidrokan: o (que vem) do pecado é espesso, e o (que vem) da fome é inchado, e o (que vem) da feitiçaria é fino.

Nota

Uma vez estabelecido que o hidrokan pode ser sinal de pecado, a Guemará traz uma baraita que qualifica essa afirmação: nem todo caso de hidrokan tem a mesma causa, e os três tipos possíveis podem ser distinguidos por sua aparência física específica. O hidrokan que resulta do pecado tem uma qualidade "espessa"; o que resulta da fome extrema é "inchado", mas de modo distinto; e o que resulta de feitiçaria é "fino", afetando o corpo de maneira diferente dos outros dois. Essa distinção prepara o terreno para os episódios seguintes, em que a Guemará relata casos concretos de sábios que contraíram essa doença, e como se determinou, em cada caso, qual dos três tipos se tratava.

12Os episódios de Shmuel HaKatan, curado após orar; de Abaye, cujo hidrokan Rava atribuiu à fome por jejuns voluntários; e de Rava, cujo próprio hidrokan é explicado pela retenção forçada durante suas aulas
Shmuel HaKatan; Abaye; Rava
שְׁמוּאֵל הַקָּטָן חָשׁ בֵּיהּ. אֲמַר: רִבּוֹנוֹ שֶׁל עוֹלָם, מִי מֵפִיס? אִיתַּסִּי. אַבָּיֵי חָשׁ בֵּיהּ. אֲמַר רָבָא: יָדַעְנָא בֵּיהּ בְּנַחֲמָנִי דְּמַכְפֵּין נַפְשֵׁיהּ. רָבָא חָשׁ בֵּיהּ. וְהָא רָבָא הוּא דְּאָמַר נְפִישִׁי קְטִילֵי קְדָר מִנְּפִיחֵי כָפָן? שָׁאנֵי רָבָא, דְּאׇנְסִי לֵיהּ רַבָּנַן בְּעִידָּנֵיהּ בְּעַל כּוּרְחֵיהּ.

Shmuel HaKatan adoeceu com (hidrokan). Disse: Senhor do universo, quem (pode) decidir (se este é por pecado ou não)? (E) curou-se. Abaye adoeceu com (hidrokan). Disse Rava: eu sei de (Abaye, chamado) Nachmani, que (costuma) privar-se de comida (por jejuns voluntários — logo, é o tipo que vem da fome). Rava adoeceu com (hidrokan). Mas não foi Rava quem disse: mais numerosos são os mortos pelo penico (por não se aliviarem a tempo) do que os inchados pela fome?! (Isto é, Rava mesmo sabia se cuidar — como então adoeceu de hidrokan por retenção?) Diferente é (o caso de) Rava, pois os Sábios (seus alunos) o forçavam a permanecer (sentado) em sua hora (de dar aula), contra sua vontade.

Nota

A Guemará ilustra a distinção dos três tipos de hidrokan com três episódios envolvendo sábios concretos. Shmuel HaKatan, conhecido por sua extrema humildade, adoeceu com essa doença; em vez de se defender ou afirmar sua inocência, ele simplesmente orou a D-us reconhecendo que ninguém pode determinar com certeza a causa exata de seu próprio sofrimento — e foi curado, precisamente por essa humildade. Abaye também adoeceu, e Rava (que o conhecia bem, inclusive por seu nome pessoal, Nachmani) testemunhou que a causa não era pecado, mas o próprio hábito de Abaye de se privar de comida através de jejuns voluntários frequentes — encaixando-se, portanto, no tipo "da fome". Quando o próprio Rava adoeceu com hidrokan, a Guemará levanta uma dificuldade: o próprio Rava havia ensinado, em outro contexto, que mais pessoas morrem por reter as necessidades fisiológicas do que por fome extrema — sugerindo que ele mesmo seria cuidadoso o suficiente para evitar esse problema. A resposta explica que o caso de Rava era excepcional: seus próprios alunos, durante suas aulas públicas, o mantinham sentado à força, contra sua vontade, impedindo-o de se levantar quando necessário — e essa retenção involuntária, imposta por terceiros, foi a causa de seu hidrokan, distinto tanto do tipo "do pecado" quanto do tipo comum "da fome".

Os quatro sinais: pecado, ódio gratuito, arrogância e maledicência · אַרְבָּעָה סִימָנִין הֵן

13Baraita: os quatro sinais — hidrokan para o pecado, icterícia para o ódio gratuito, pobreza para a arrogância, e askara para a maledicência
Baraita
תָּנוּ רַבָּנַן: אַרְבָּעָה סִימָנִין הֵן: סִימָן לַעֲבֵירָה — הִדְרוֹקָן, סִימָן לְשִׂנְאַת חִנָּם — יֵרָקוֹן, סִימָן לְגַסּוּת הָרוּחַ — עֲנִיּוּת, סִימָן לְלָשׁוֹן הָרָע — אַסְכָּרָה.

Ensinaram os Sábios: há quatro sinais: sinal do pecado — o hidrokan; sinal do ódio gratuito — a icterícia (yerakon); sinal da arrogância (gasut haruach) — a pobreza; sinal da maledicência (lashon hará) — a askara (garrotilho, ou uma doença fatal da garganta).

Nota

A Guemará generaliza o princípio estabelecido para o hidrokan, trazendo uma baraita que enumera quatro sinais físicos ou circunstanciais, cada um indicativo de um pecado espiritual específico cometido pela pessoa que o sofre: o hidrokan indica pecado em geral (como já estabelecido); a icterícia (yerakon, uma descoloração amarelada da pele) indica especificamente o ódio gratuito; a pobreza indica arrogância (gasut haruach, o orgulho excessivo, punido medida por medida com a humilhação da necessidade); e a askara — uma doença grave e frequentemente fatal da garganta, associada ao órgão da fala — indica especificamente a maledicência (lashon hará, a fala difamatória sobre terceiros), numa punição que atinge precisamente o órgão através do qual o pecado foi cometido.

14Ensinaram os Sábios: a askara vem ao mundo...
Baraita (abertura)
תָּנוּ רַבָּנַן: אַסְכָּרָה בָּאָה לְעוֹלָם

Ensinaram os Sábios: a askara vem ao mundo (por causa de...)

Nota

O daf 33a se encerra abrindo uma nova baraita sobre a origem e a causa da askara, a doença fatal da garganta mencionada no ensinamento anterior como sinal da maledicência. A frase é interrompida exatamente no limite do daf, genuinamente cortada em suas primeiras palavras — "ensinaram os Sábios: a askara vem ao mundo" —, com sua continuação, detalhando as causas específicas dessa doença, reservada para o início de 33b.