O daf abre completando a frase de Rava, iniciada ao final de 32b: as mulheres de Machoza "comem e não trabalham", o que as leva a fazer seus maridos roubarem para sustentá-las — e a Guemará encadeia os versículos de Amós, Joel e Isaías sobre o gazam (gafanhoto cortador) e as demais pragas sucessivas, culminando na leitura homilética "carne de seu braço" como "carne de sua semente" — isto é, dos próprios filhos. A partir daí, a Guemará expõe, item por item e com sua fonte bíblica precisa, uma longa lista de pecados coletivos e suas consequências nacionais: o atraso, a distorção e a corrupção da justiça, e a negligência do estudo da Torá, que trazem guerra, saque, peste e fome; o juramento em vão, o juramento falso, a profanação do Nome Divino e a profanação do Shabat, que trazem feras selvagens, perda de gado, declínio populacional e estradas desertas; o derramamento de sangue, que causa a destruição do Templo e o afastamento da Presença Divina; as relações proibidas, a idolatria e a negligência dos anos de shemitá e jovel, que trazem o exílio; e a obscenidade da boca, que traz calamidades, decretos severos e a morte prematura dos jovens, com o ensinamento de que mesmo quem apenas ouve em silêncio a obscenidade é responsabilizado. Segue-se o ensinamento de Rav Oshaya sobre quem se prepara deliberadamente para o pecado, a quem sobrevêm feridas e a doença de hidrokan (hidropisia); a baraita dos três tipos dessa doença — a do pecado, a da fome e a da feitiçaria —, todos distintos por sua aparência física; e os episódios de Shmuel HaKatan, que se curou após orar, de Abaye, cuja doença Rava atribuiu à fome por jejuns voluntários, e de Rava, cuja própria doença é explicada pela retenção forçada durante suas aulas. O daf prossegue com a baraita dos quatro sinais — hidrokan para o pecado, icterícia para o ódio gratuito, pobreza para a arrogância, e askara (garrotilho) para a maledicência — e conclui, em seu último segmento, abrindo o relato sobre a origem e a natureza da doença de askara, cuja exposição completa segue em 33b.
... pois (as mulheres de Machoza) comem e não trabalham (para seu próprio sustento, levando seus maridos ao roubo). E está escrito: "feri-vos com queimadura e com amarelecimento; a multidão de vossos jardins e vossas vinhas e vossas figueiras e vossas oliveiras devorou o gazam" (Amós 4:9). E está escrito: "o que sobrou do gazam comeu o gafanhoto (arbê), e o que sobrou do gafanhoto comeu a larva (yelek), e o que sobrou da larva comeu a lagarta (chassil)" (Joel 1:4). E está escrito: "e cortará à direita e terá fome, e comerá à esquerda e não se saciará; cada um comerá a carne de seu próprio braço" (Isaías 9:19). Não leias "a carne de seu braço" (besar zeroô), mas sim "a carne de sua semente" (besar zaro) — (isto é, de seus próprios filhos).
O daf 33a abre completando, em suas primeiras palavras, a frase de Rava interrompida ao final de 32b: as mulheres de Machoza, comparadas às "vacas de Basã" do profeta Amós, comem com fartura mas não trabalham para seu próprio sustento — levando seus maridos a recorrer ao roubo para satisfazer suas exigências de luxo. Rashi explica que isso as torna, em certo sentido, cúmplices do roubo cometido pelos maridos, e que, além disso, por estarem acostumadas ao comer e ao beber refinados, elas mesmas induzem seus maridos a roubar. A Guemará então encadeia uma sequência de versículos que ilustram a escalada da punição pelo pecado do roubo: primeiro Amós, que descreve o gazam (uma praga de gafanhoto cortador) devorando jardins, vinhas, figueiras e oliveiras; depois Joel, que mostra essa praga se sucedendo em quatro estágios crescentes — gazam, arbê, yelek e chassil —, cada um devorando o que sobrou do anterior, numa devastação total e progressiva; e por fim Isaías, que descreve a fome extrema resultante, ao ponto de cada um, desesperado, "comer a carne de seu próprio braço". A Guemará relê essa última expressão de forma homilética: não "a carne de seu braço" (zeroô), mas "a carne de sua semente" (zaro) — isto é, das crianças, dos próprios filhos —, elevando a imagem da fome ao seu grau mais terrível e ligando-a de volta ao ensinamento de 32b sobre pais que, pelo pecado do roubo, chegam a comer a carne de seus próprios filhos e filhas.
"Pois comem e não trabalham" — e assim se constata que roubam (o sustento) de seus maridos; e ainda mais: por estarem acostumadas ao comer e ao beber (refinados), fazem com que os maridos (sejam levados a) roubar.
"E está escrito" — nessa mesma passagem, na profecia de Amós: "feri-vos com queimadura", e o fim do versículo: "vossas vinhas e vossas oliveiras devorou o gazam"; e está escrito em Joel "o que sobrou do gazam", o que indica que o gazam não é senão o início de uma praga, e depois dele vêm o gafanhoto e a lagarta — donde se conclui que a praga do gafanhoto aumenta pelo pecado do roubo; e, uma vez que os tipos de gafanhoto aumentam, sobrevém a fome; e, uma vez que a fome sobrevém, está escrito em Isaías "e cortará à direita e terá fome etc.", e o fim do versículo: "cada um comerá a carne de seu próprio braço".
Pelo pecado do atraso da justiça (inuy hadin), e da distorção da justiça (ivut hadin), e da corrupção da justiça (kilkul hadin), e da negligência da Torá — vêm a espada e o grande saque, e vêm a peste e a fome, e os filhos do homem comem e não se saciam, e comem seu pão a peso. Pois está escrito: "e trarei sobre vós a espada vingadora, vingança da aliança (etc.)" (Levítico 26:25). E "aliança" não é senão a Torá, como está dito: "se não for minha aliança de dia e de noite (etc.)" (Jeremias 33:25). E está escrito: "ao quebrar-vos o bordão do pão, dez mulheres cozerão (vosso pão num só forno, etc.)" (Levítico 26:26). E está escrito: "porque, e por causa de que, rejeitaram meus juízos" (Levítico 26:43).
A Guemará inicia aqui uma extensa exposição, organizada por categorias de pecados coletivos e suas respectivas consequências nacionais, cada uma apoiada em fontes bíblicas precisas. O primeiro grupo reúne três formas de corrupção judicial — o atraso deliberado na emissão de sentenças por considerações pessoais dos juízes, a distorção intencional do veredicto, e a corrupção resultante de mera negligência — junto com a negligência geral do estudo da Torá. A consequência conjunta dessas quatro falhas é descrita numa escala de calamidade: guerra e saque generalizado, peste e fome, e a situação humilhante de as pessoas comerem sem nunca se saciar, tendo seu pão racionado a peso. A base bíblica vem do versículo da Tochechá em Levítico, que fala da "espada vingadora, vingança da aliança" — e a Guemará estabelece que "aliança" (brit), sem outra especificação, refere-se à Torá, apoiando-se num versículo de Jeremias que descreve a Torá como "minha aliança de dia e de noite", numa alusão ao estudo constante, tanto diurno quanto noturno. Os versículos seguintes de Levítico completam a descrição da punição: o "bordão do pão" quebrado, de modo que dez mulheres precisam compartilhar um único forno para cozer o pouco pão disponível, e a causa última — a rejeição dos juízos divinos, isto é, da justiça e da Torá.
Pelo pecado do juramento em vão e do juramento falso, e da profanação do Nome, e da profanação do Shabat — as feras selvagens se multiplicam, e o gado desaparece, e os filhos do homem diminuem, e os caminhos ficam desolados. Como está dito: "e se, apesar destas coisas (be'ele), não vos corrigirdes para mim (etc.)" (Levítico 26:23) — não leias "be'ele" (estas coisas), mas sim "be'alá" (por causa de um juramento). E está escrito: "e enviarei contra vós a fera do campo (etc.)" (Levítico 26:22). E está escrito quanto ao juramento falso: "e não jurareis por meu nome falsamente, e profanarás o nome de teu D-us" (Levítico 19:12). E quanto à profanação do Nome, está escrito: "e não profanareis o nome de minha santidade" (Levítico 22:32). E quanto à profanação do Shabat, está escrito: "os que a profanarem (mechaleleha) certamente morrerão" (Êxodo 31:14), e deduz-se (a lei) por meio de guezerá shavá — "profanação" (chilul) de "profanação" (chilul) — a partir do juramento falso.
O segundo grupo reúne quatro pecados relacionados à santidade da palavra e do tempo sagrado: o juramento em vão (uma declaração jurada sem propósito ou sobre algo evidente), o juramento falso, a profanação do Nome Divino, e a profanação do Shabat. Sua consequência conjunta é descrita como uma inversão da ordem natural: as feras selvagens, normalmente contidas, se multiplicam e invadem o território humano; o gado doméstico desaparece; a população humana diminui; e os caminhos, antes movimentados, ficam desertos, por medo dos perigos. A base para o juramento em vão vem de um jogo de palavras homofônico: o versículo da Tochechá que fala de "estas coisas" (be'ele) é relido como "por causa de um juramento" (be'alá), ligando a punição descrita — o envio da "fera do campo" — a esse pecado específico. Para o juramento falso e a profanação do Nome, a Guemará cita diretamente os versículos que os proíbem, ambos usando a raiz "chilul" (profanação). Para a profanação do Shabat, a Guemará nota que o versículo de Êxodo que prescreve a pena de morte para "os que a profanam" (mechaleleha) usa a mesma raiz, permitindo derivar, por guezerá shavá (analogia verbal entre termos idênticos em contextos distintos), que a mesma punição — feras selvagens e desolação — aplica-se também à profanação do Shabat, assim como se aplica ao juramento falso e à profanação do Nome.
Pelo pecado do derramamento de sangue, o Templo Sagrado é destruído, e a Presença Divina (Shechiná) se afasta de Israel, como está dito: "e não contamineis (etc., a terra; pois o sangue contamina a terra, e à terra não se expia pelo sangue que nela se derramou senão pelo sangue de quem o derramou). E não contaminarás a terra em que habitais, no meio da qual eu habito" (Números 35:33–34). Eis que, se a contaminardes — não habitareis nela, e eu não habitarei no meio dela.
O terceiro item da lista é o derramamento de sangue (shefichut damim), o assassinato, cuja consequência é apresentada de forma direta e severa: a destruição do próprio Templo Sagrado, e o afastamento da Presença Divina do meio de Israel. A base bíblica vem de um versículo de Números que trata especificamente das leis das cidades de refúgio e da contaminação causada pelo derramamento de sangue: a terra, afirma o versículo, é contaminada pelo sangue derramado nela, e não há expiação para essa contaminação senão através do sangue de quem o derramou; e o mesmo versículo declara que D-us habita "no meio dos filhos de Israel". A Guemará extrai a consequência por leitura inversa: se a terra é contaminada pelo derramamento de sangue, e D-us habita nela apenas enquanto ela permanece pura, segue-se que a contaminação pelo sangue provoca tanto o exílio do povo de sua terra quanto a retirada da própria Presença Divina.
Pelo pecado das relações proibidas (guilui arayot), e da idolatria, e da negligência dos anos de shemitá e jovel — o exílio vem ao mundo, e exilam-nos (o povo de Israel de sua terra), e vêm outros e se assentam em seu lugar. Como está dito: "pois todas essas abominações fizeram os homens da terra (que estavam antes de vós, etc.)" (Levítico 18:27), e está escrito: "e se contaminou a terra, e cobrei sua iniquidade sobre ela (etc.)" (Levítico 18:25), e está escrito: "e que a terra não vos vomite, quando a contaminardes, como vomitou a nação que estava antes de vós" (Levítico 18:28).
O quarto grupo agrupa três transgressões graves — relações sexuais proibidas, idolatria, e a negligência da observância dos anos sabáticos (shemitá) e do jubileu (jovel), quando a terra deveria ficar em repouso — cuja consequência comum é o exílio: o povo de Israel é retirado de sua terra, e outros povos vêm ocupar seu lugar. A base bíblica vem da passagem de Levítico que descreve como os cananeus, antigos habitantes da terra, foram expulsos por causa das mesmas abominações — relações proibidas e idolatria —, contaminando a terra a tal ponto que ela "vomitou" seus habitantes. A Guemará aplica o mesmo princípio a Israel: assim como a terra expulsou seus habitantes anteriores por essas transgressões, ela expulsará também o povo de Israel, caso este a contamine da mesma forma.
E quanto à idolatria, está escrito: "e porei vossos cadáveres (sobre os cadáveres de vossos ídolos, etc.)" (Levítico 26:30), e está escrito: "e assolarei vossos santuários (etc.)" (Levítico 26:31), "e a vós espalharei entre as nações" (Levítico 26:33).
A Guemará acrescenta uma fonte específica adicional para a idolatria, distinta e mais severa do que a fonte geral já citada para as relações proibidas: uma sequência de versículos da Tochechá que descrevem cadáveres lançados sobre os próprios ídolos que os idólatras adoravam — uma imagem de degradação total, em que o corpo do adorador é tratado com o mesmo desprezo que o objeto de sua idolatria —, os santuários (bamot, altares idólatras, ou, por extensão, os próprios lugares sagrados de Israel) assolados, e o povo espalhado entre as nações, uma referência direta à dispersão do exílio.
Quanto (à negligência) dos anos de shemitá e jovel, está escrito: "então a terra apreciará (o descanso de) seus sábados, todos os dias de sua desolação, enquanto vós estiverdes na terra de vossos inimigos (etc.)" (Levítico 26:34), e está escrito: "todos os dias de sua desolação, ela descansará" (Levítico 26:35).
De modo semelhante, a Guemará traz uma fonte específica para a negligência dos anos de shemitá e jovel: os versículos finais da Tochechá que descrevem a própria terra "apreciando" finalmente o descanso de seus sábados sabáticos, exatamente durante o período em que o povo de Israel estará exilado na terra de seus inimigos — pois a duração do exílio corresponde precisamente ao número de anos sabáticos que não foram observados enquanto o povo habitava a terra, de modo que a terra recebe, retroativamente e à força, o descanso que lhe fora negado.
Pelo pecado da obscenidade da boca (navlut pe), muitas aflições (sobrevêm), e decretos severos se renovam, e os jovens dos "inimigos de Israel" (um eufemismo para o próprio Israel) morrem, órfãos e viúvas clamam e não são atendidos, como está dito: "por isso, com seus jovens não se alegrará o Eterno, e de seus órfãos e de suas viúvas não se compadecerá, pois todos são ímpios e malfeitores, e toda boca fala obscenidade (nevalá); com tudo isso, não se desviou sua ira, e ainda sua mão está estendida" (Isaías 9:16).
O último item plenamente desenvolvido do mnemônico introduzido em 32b é a obscenidade da boca (navlut pe) — a fala vulgar, indecente. Sua consequência é descrita como uma sucessão de calamidades: numerosas aflições, decretos governamentais severos que se renovam constantemente, a morte prematura dos jovens (referidos eufemisticamente como "os jovens dos inimigos de Israel", uma fórmula comum no Talmud para suavizar a menção direta a uma desgraça recaindo sobre o próprio povo de Israel), e o clamor não atendido de órfãos e viúvas, que ficaram sem seus provedores. A base bíblica vem de um versículo de Isaías que enumera exatamente esses elementos — jovens sem alegria divina, órfãos e viúvas sem compaixão — atribuindo a causa geral à impiedade e à malfeitoria, mas especificando, no meio do versículo, "toda boca fala obscenidade" como a transgressão central.
O que significa "e ainda sua mão está estendida"? Disse Rabi Chanan bar Rava: todos sabem por que a noiva entra sob o pálio nupcial (chupá — isto é, é óbvio; não há necessidade de mencioná-lo explicitamente). Mas todo aquele que profere obscenidade com sua boca — ainda que lhe tenha sido selado um decreto de setenta anos de bem, transformam-no (esse decreto) em mal. Disse Rabá bar Sheila, disse Rav Chisda: todo aquele que profere obscenidade com sua boca — aprofunda-se para ele o Geinom, como está dito: "cova profunda é a boca das estranhas (mulheres proibidas — isto é, a boca que fala obscenidade)" (Provérbios 22:14). Rav Nachman bar Yitzchak disse: também quem ouve (a obscenidade) e se cala (é punido), como está dito: "ali cairá aquele contra quem o Eterno está indignado" (Provérbios 22:14).
A Guemará explica a expressão final do versículo de Isaías, "e ainda sua mão está estendida" — que parece redundante, já que a ira e o castigo já foram plenamente descritos. Rabi Chanan bar Rava esclarece com um exemplo: assim como todos sabem por que a noiva entra sob o pálio nupcial, sem que seja necessário dizê-lo explicitamente, da mesma forma esse ensinamento se refere a quem, mesmo diante de algo evidente por si mesmo (que não exige menção explícita, apenas alusão respeitosa), insiste em falar de forma obscena e explícita. A punição por essa obscenidade é severa e específica: ainda que a pessoa já tivesse um decreto celestial selado, prometendo-lhe setenta anos de vida boa, esse próprio pecado pode reverter o decreto para o mal — a "mão ainda estendida" simbolizando essa reversão adicional. Rav Chisda (citado por Rabá bar Sheila) acrescenta que quem fala obscenamente tem, especificamente, o Geinom aprofundado para si, numa leitura do versículo de Provérbios sobre a "cova profunda" da boca das mulheres proibidas — aplicada por extensão à boca que fala obscenidades. Rav Nachman bar Yitzchak estende essa mesma punição a quem meramente ouve a obscenidade e permanece calado, sem protestar — interpretando a segunda metade do mesmo versículo de Provérbios, "ali cairá aquele contra quem o Eterno está indignado", como referindo-se também ao ouvinte passivo, e não apenas a quem fala.
Disse Rav Oshaya: todo aquele que se prepara (mitmarek — literalmente, se poli, se refina) a si mesmo para o pecado — machucados e feridas (lhe) saem (no corpo), como está dito: "machucados de ferida (vêm de) a preparação para o mal" (Provérbios 20:30). E não só isso, mas é julgado com hidrokan (hidropisia), como está dito: "e golpes (que penetram) os aposentos do ventre" (Provérbios 20:30). Disse Rav Nachman bar Yitzchak: sinal do pecado é o hidrokan.
A Guemará passa a um novo tema, ainda relacionado à punição pelo pecado, mas agora voltado ao indivíduo em vez de à coletividade: Rav Oshaya ensina que todo aquele que se prepara deliberadamente para cometer uma transgressão — arrumando-se, embelezando-se, tomando providências específicas em antecipação ao pecado — sofre, como consequência, machucados e feridas visíveis no corpo, apoiando-se num versículo de Provérbios que liga "machucados de ferida" à "preparação para o mal". E mais: essa mesma pessoa é julgada com a doença de hidrokan (uma forma de hidropisia, com inchaço do abdômen), derivada da continuação do mesmo versículo, que fala de "golpes que penetram os aposentos do ventre" — lido como referência a essa doença abdominal específica. Rav Nachman bar Yitzchak resume o ensinamento com uma fórmula concisa: a própria doença de hidrokan é, em si, um sinal indicativo de que a pessoa cometeu algum pecado.
Ensinaram os Sábios: há três tipos de hidrokan: o (que vem) do pecado é espesso, e o (que vem) da fome é inchado, e o (que vem) da feitiçaria é fino.
Uma vez estabelecido que o hidrokan pode ser sinal de pecado, a Guemará traz uma baraita que qualifica essa afirmação: nem todo caso de hidrokan tem a mesma causa, e os três tipos possíveis podem ser distinguidos por sua aparência física específica. O hidrokan que resulta do pecado tem uma qualidade "espessa"; o que resulta da fome extrema é "inchado", mas de modo distinto; e o que resulta de feitiçaria é "fino", afetando o corpo de maneira diferente dos outros dois. Essa distinção prepara o terreno para os episódios seguintes, em que a Guemará relata casos concretos de sábios que contraíram essa doença, e como se determinou, em cada caso, qual dos três tipos se tratava.
Shmuel HaKatan adoeceu com (hidrokan). Disse: Senhor do universo, quem (pode) decidir (se este é por pecado ou não)? (E) curou-se. Abaye adoeceu com (hidrokan). Disse Rava: eu sei de (Abaye, chamado) Nachmani, que (costuma) privar-se de comida (por jejuns voluntários — logo, é o tipo que vem da fome). Rava adoeceu com (hidrokan). Mas não foi Rava quem disse: mais numerosos são os mortos pelo penico (por não se aliviarem a tempo) do que os inchados pela fome?! (Isto é, Rava mesmo sabia se cuidar — como então adoeceu de hidrokan por retenção?) Diferente é (o caso de) Rava, pois os Sábios (seus alunos) o forçavam a permanecer (sentado) em sua hora (de dar aula), contra sua vontade.
A Guemará ilustra a distinção dos três tipos de hidrokan com três episódios envolvendo sábios concretos. Shmuel HaKatan, conhecido por sua extrema humildade, adoeceu com essa doença; em vez de se defender ou afirmar sua inocência, ele simplesmente orou a D-us reconhecendo que ninguém pode determinar com certeza a causa exata de seu próprio sofrimento — e foi curado, precisamente por essa humildade. Abaye também adoeceu, e Rava (que o conhecia bem, inclusive por seu nome pessoal, Nachmani) testemunhou que a causa não era pecado, mas o próprio hábito de Abaye de se privar de comida através de jejuns voluntários frequentes — encaixando-se, portanto, no tipo "da fome". Quando o próprio Rava adoeceu com hidrokan, a Guemará levanta uma dificuldade: o próprio Rava havia ensinado, em outro contexto, que mais pessoas morrem por reter as necessidades fisiológicas do que por fome extrema — sugerindo que ele mesmo seria cuidadoso o suficiente para evitar esse problema. A resposta explica que o caso de Rava era excepcional: seus próprios alunos, durante suas aulas públicas, o mantinham sentado à força, contra sua vontade, impedindo-o de se levantar quando necessário — e essa retenção involuntária, imposta por terceiros, foi a causa de seu hidrokan, distinto tanto do tipo "do pecado" quanto do tipo comum "da fome".
Ensinaram os Sábios: há quatro sinais: sinal do pecado — o hidrokan; sinal do ódio gratuito — a icterícia (yerakon); sinal da arrogância (gasut haruach) — a pobreza; sinal da maledicência (lashon hará) — a askara (garrotilho, ou uma doença fatal da garganta).
A Guemará generaliza o princípio estabelecido para o hidrokan, trazendo uma baraita que enumera quatro sinais físicos ou circunstanciais, cada um indicativo de um pecado espiritual específico cometido pela pessoa que o sofre: o hidrokan indica pecado em geral (como já estabelecido); a icterícia (yerakon, uma descoloração amarelada da pele) indica especificamente o ódio gratuito; a pobreza indica arrogância (gasut haruach, o orgulho excessivo, punido medida por medida com a humilhação da necessidade); e a askara — uma doença grave e frequentemente fatal da garganta, associada ao órgão da fala — indica especificamente a maledicência (lashon hará, a fala difamatória sobre terceiros), numa punição que atinge precisamente o órgão através do qual o pecado foi cometido.
Ensinaram os Sábios: a askara vem ao mundo (por causa de...)
O daf 33a se encerra abrindo uma nova baraita sobre a origem e a causa da askara, a doença fatal da garganta mencionada no ensinamento anterior como sinal da maledicência. A frase é interrompida exatamente no limite do daf, genuinamente cortada em suas primeiras palavras — "ensinaram os Sábios: a askara vem ao mundo" —, com sua continuação, detalhando as causas específicas dessa doença, reservada para o início de 33b.