O daf abre respondendo à dificuldade deixada em aberto no fim de 36b: mesmo que a Mishná trate de "devolver", ela não é redundante, pois a primeira cláusula fala de devolver a panela por cima do fogareiro, enquanto a última cláusula (a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre "retirar mas não devolver") refere-se, segundo esta leitura, à própria disputa sobre se pode haver qualquer devolução. A Guemará traz então a prova decisiva de Rabi Chelbo em nome de Rav Chama bar Guria em nome de Rav: só se ensinou a permissão de devolver por cima do fogareiro, mas devolver a panela para dentro dele é proibido — distinção que só faz sentido se a Mishná tratar de devolver, não de deixar. Depois de examinar o caso de dois fogareiros geminados (um limpo e coberto de cinza, outro não) e a opinião de Rabi Meir e Rabi Yehuda sobre a matéria, o daf explora a dúvida dos estudantes sobre se é permitido ao menos encostar a panela junto ao fogareiro não preparado, trazendo como prova o ensinamento de Rav Safra em nome de Rav Chiya sobre um fogareiro cuja cinza foi colocada e depois reacendeu, e conclui com o ensinamento de Rabi Yitzchak bar Nachmani em nome de Rav Oshaya, que permite deixar sobre esse fogareiro reaceso tanto água quanto comida já totalmente prontas.
Guemará: Antes, eu te digo: "devolver" ensinamos (na Mishná), e (ela) está (textualmente) incompleta, e (deve-se completá-la e) assim se ensina: um fogareiro que se acendeu com palha e com restolho — devolve-se sobre ele comida cozida; (se se acendeu) com bagaço e com lenha — não se devolva até que se remova, ou até que se ponha a cinza. Mas para deixar (desde véspera) — deixa-se, ainda que (o fogareiro) não esteja removido nem coberto. E o que se deixa? Bet Shamai dizem: água quente, mas não comida cozida; e Bet Hilel dizem: água quente e comida cozida. E esta (cláusula de) devolver que eu te digo (agora, na parte final da Mishná), não é (consenso, ou seja,) palavras de todos (sem discordância), mas (sim) uma disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel, pois Bet Shamai dizem: retira-se, mas não se devolve; e Bet Hilel dizem: até se devolve.
O daf abre respondendo diretamente à dificuldade deixada em suspenso no fim de 36b: se a primeira cláusula da Mishná já tratasse de "devolver", a última cláusula pareceria repetir a mesma disputa sem necessidade. A Guemará resolve isso propondo que o texto da Mishná está incompleto e precisa ser mentalmente completado com uma cláusula adicional não escrita explicitamente: a Mishná, de fato, abre tratando de devolver (a exigência de remover as brasas ou cobri-las de cinza), mas o texto pressupõe um acréscimo tácito de que, para o ato mais brando de simplesmente deixar a comida desde véspera, não há essa exigência — pode-se deixar mesmo sem remover ou cobrir. É apenas depois desse acréscimo implícito que a Mishná introduz a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre o que se pode deixar (água quente apenas, ou também comida cozida). A cláusula final, então, não repete essa mesma disputa: ela introduz um tema totalmente novo — se, além de deixar, também é permitido devolver uma panela já retirada — e esclarece que essa permissão de devolver não é consensual, mas objeto de uma disputa própria e distinta entre as duas escolas.
"Antes, eu te digo: 'devolver' ensinamos" — enquanto que, para deixar, ainda que (o fogareiro) não esteja removido, é permitido.
"E esta 'devolver' que eu te digo" — (refere-se à cláusula inicial:) "não se devolva até que se remova", pois, quando (já está) removido, ao menos, é permitido (a todos).
"Não é palavras de todos" — e Bet Shamai não sustentam (essa permissão mesmo depois de removido).
Vem (e) ouve (uma prova): pois disse Rabi Chelbo, disse Rav Chama bar Guria, disse Rav: não se ensinou (a permissão de devolver) senão por cima dele (do fogareiro), mas para dentro dele — é proibido. Se disseres, com razão, que (a primeira cláusula da Mishná) "devolver" ensinamos — eis (a razão) pela qual (Rav) distingue entre (colocar) para dentro dele e por cima dele. Mas se disseres que (a Mishná) "deixar" ensinamos, que diferença (faria) para mim (entre colocar) para dentro dele (e colocar) por cima dele? (Objeção:) Pensas tu que Rabi Chelbo se refere à primeira cláusula? (Não;) ele se refere à última cláusula: "e Bet Hilel dizem: até se devolve" — e (sobre esta) disse Rabi Chelbo, disse Rav Chama bar Guria, disse Rav: não se ensinou (essa permissão) senão por cima dele, mas (colocar) para dentro dele — é proibido.
A Guemará tenta trazer uma prova textual mais forte para a leitura de que a primeira cláusula da Mishná trata de "devolver". O ensinamento de Rabi Chelbo, transmitido em nome de Rav, distingue precisamente entre colocar a panela por cima do fogareiro (permitido, uma vez removidas as brasas ou cobertas de cinza) e colocá-la para dentro do próprio fogareiro, entre as brasas (sempre proibido, por gerar calor mais intenso e reavivar o fogo com mais força). Essa distinção entre "dentro" e "por cima" só faz sentido pleno, argumenta a Guemará, se aplicada ao ato de devolver uma panela quente já retirada — pois é nesse contexto que haveria tentação de recolocá-la profundamente entre as brasas para reaquecê-la mais rápido. Se a Mishná tratasse apenas de "deixar" a panela desde véspera, a distinção entre dentro e por cima pareceria menos relevante. A Guemará então esclarece, por meio de uma objeção interna, que o ensinamento de Rav não se refere à primeira cláusula da Mishná, mas à última — a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre devolver —, precisando ali mesmo a permissão de Bet Hilel: mesmo eles, que permitem devolver, permitem apenas por cima do fogareiro, nunca para dentro dele.
Vem (e) ouve (outra prova): dois fogareiros geminados (construídos lado a lado, unidos), um removido e coberto (de cinza), e um que não está removido e não está coberto: deixa-se (a comida) sobre o removido e coberto, e não se deixa sobre o que não está removido e não está coberto. E o que se deixa? Bet Shamai dizem: nada (sequer água quente, pois temem que se confunda os dois fogareiros e se deixe também no não preparado). E Bet Hilel dizem: água quente, mas não comida cozida. (Se) (a panela) foi retirada (do fogareiro preparado por algum motivo) — palavras de todos (concordam que) não se devolva (a ele, por temor de erro entre os dois fogareiros geminados), (são estas as) palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz — Bet Shamai dizem: água quente, mas não comida cozida; e Bet Hilel dizem: água quente e comida cozida. Bet Shamai dizem: retira-se, mas não se devolve; e Bet Hilel dizem: até se devolve.
A Guemará traz uma baraita adicional que trata de um caso específico: dois fogareiros geminados, construídos lado a lado e unidos estruturalmente, sendo um deles devidamente removido das brasas e coberto de cinza, e o outro não. Aqui a preocupação adicional é a possível confusão entre os dois fogareiros: mesmo estando um deles corretamente preparado, a proximidade física com o outro, não preparado, gera receio de erro. Por isso, segundo esta baraita, Bet Shamai proíbem deixar até mesmo água quente nesse contexto (mais estrito do que sua posição na Mishná original), e Rabi Meir ensina que, uma vez retirada a panela do fogareiro preparado, ninguém — nem mesmo Bet Hilel — permite devolvê-la, precisamente por causa do risco de confusão entre os dois fogareiros geminados. Rabi Yehuda, por sua vez, transmite a mesma baraita sem essa estringência adicional, reproduzindo essencialmente a disputa já conhecida da Mishná original entre Bet Shamai e Bet Hilel, tanto sobre o que se deixa quanto sobre devolver.
Se disseres, com razão, que (a Mishná original) "deixar" ensinamos, (então) nossa Mishná é (a opinião) de quem? — É (a opinião) de Rabi Yehuda. Mas se disseres que (a Mishná) "devolver" ensinamos, nossa Mishná é (a opinião) de quem? Não é (a opinião) de Rabi Yehuda, nem de Rabi Meir. Se (fosse a opinião de) Rabi Meir — há dificuldade quanto a Bet Shamai numa (cláusula), e quanto a Bet Hilel em duas. Se (fosse a opinião de) Rabi Yehuda, há dificuldade (quanto ao caso dos fogareiros) removido e coberto (que não aparece explicitamente na Mishná original).
A Guemará examina a relação entre a Mishná original (do início do capítulo, em 36b) e a baraita dos dois fogareiros geminados recém-citada, buscando identificar com qual dos dois tannaim — Rabi Meir ou Rabi Yehuda — a Mishná concorda. Se a Mishná original tratasse de "deixar", ela corresponderia perfeitamente à versão de Rabi Yehuda na baraita, que reproduz a mesma disputa exata entre Bet Shamai (água quente, não comida cozida) e Bet Hilel (ambos). Mas se a Mishná tratasse de "devolver" — a leitura que a Guemará vem defendendo — surge um problema: ela não corresponde exatamente nem à opinião de Rabi Meir (cujo texto da baraita difere da Mishná tanto na posição atribuída a Bet Shamai quanto, em dois pontos, na de Bet Hilel) nem à de Rabi Yehuda (cujo texto não menciona explicitamente a condição de "removido e coberto" da forma como a Mishná apresenta). Essa dificuldade textual ameaça momentaneamente a resolução proposta.
Antes, eu te digo: "devolver" ensinamos (na Mishná original), e o tanna (autor d)a nossa (Mishná) sustenta (a posição) como Rabi Yehuda numa (matéria), e discorda dele em outra. Sustenta (a posição) como Rabi Yehuda numa (matéria) — quanto a água quente e comida cozida, e quanto a retirar e devolver. E discorda dele em outra — pois enquanto o tanna (autor d)a nossa (Mishná) sustenta que, para deixar, mesmo que (o fogareiro) não esteja removido e coberto (é permitido), Rabi Yehuda sustenta que, também para deixar, (exige-se) removido e coberto — se sim, sim; se não, não.
A Guemará resolve a dificuldade final propondo uma leitura mais matizada: o autor da Mishná original de fato concorda com Rabi Yehuda em quase tudo — na disputa sobre água quente versus comida cozida, e na disputa sobre retirar e devolver — mas diverge dele especificamente quanto à exigência de "removido e coberto" para o ato de simplesmente deixar a comida desde véspera. Enquanto o autor da Mishná permite deixar mesmo sem essa preparação (é apenas para devolver que a exige), Rabi Yehuda, segundo esta baraita, seria mais estrito e exigiria a mesma preparação ("removido e coberto") mesmo para o ato de deixar. Com essa distinção fina, a Guemará harmoniza plenamente a Mishná com a posição de Rabi Yehuda, confirmando definitivamente que a primeira cláusula da Mishná original trata do ato de devolver, resolvendo por completo a dúvida original dos estudantes levantada no início da sugya.
(Os) estudantes levantaram uma dúvida: qual é (a halachá quanto) a encostar (uma panela junto) a ele (o fogareiro não removido nem coberto, sem colocá-la nem dentro nem por cima)? (Seria que) dentro dele e por cima dele é proibido, mas encostar a ele é (algo que) se considera bem (permitido, por não haver contato direto com o fogo)? Ou talvez não haja diferença (e também encostar seja proibido)?
Tendo estabelecido a distinção entre colocar a panela dentro do fogareiro (sempre proibido) e por cima dele (permitido quando removido e coberto), a Guemará levanta uma nova dúvida sobre uma terceira possibilidade intermediária: o simples ato de encostar a panela lateralmente junto ao fogareiro, sem colocá-la nem no seu interior nem diretamente por cima das brasas. Como esse contato lateral gera um aquecimento mais brando e indireto, poderia ser que os estudantes considerassem essa prática permitida mesmo quando o fogareiro não estivesse removido nem coberto de cinza; ou talvez a proibição geral se aplicasse igualmente a qualquer forma de contato próximo com o fogareiro não preparado, sem essa distinção mais fina.
Vem (e) ouve (uma tentativa de prova): dois fogareiros geminados, um removido e coberto e um que não está removido e coberto, deixa-se (a comida) sobre o removido e coberto. E (isso, apesar de) subir a ele o calor do outro (fogareiro geminado, não preparado — o que mostra que um calor indireto não invalida a permissão, e o mesmo se aplicaria a encostar)! (Rejeição:) Talvez seja diferente ali, pois, como (a panela) está elevada (sobre o fogareiro, longe do nível do fogo), domina nela o ar (que dispersa o calor antes que ele a afete significativamente — o que não se aplicaria a uma panela encostada diretamente na lateral).
A Guemará tenta resolver a dúvida trazendo o próprio caso dos dois fogareiros geminados como prova indireta: mesmo quando se deixa a comida sobre o fogareiro devidamente removido e coberto, esse fogareiro está fisicamente unido a outro, não preparado, cujo calor inevitavelmente sobe e afeta também a panela do lado preparado. Se essa transferência indireta de calor não invalida a permissão, argumenta-se, então também encostar uma panela lateralmente junto a um fogareiro não preparado deveria ser permitido, por analogia. A Guemará rejeita essa prova, no entanto, distinguindo os dois casos: no caso dos fogareiros geminados, a panela está elevada sobre a boca do fogareiro, a uma certa distância das brasas, de modo que o ar circulante dissipa a maior parte do calor antes que ele a atinja com força; mas uma panela encostada lateralmente, diretamente junto à parede do fogareiro não preparado, estaria exposta a um calor muito mais direto e intenso, sem essa proteção do ar circulante — de modo que a comparação não se sustenta.
Vem (e) ouve (outra tentativa de prova): pois disse Rav Safra, disse Rav Chiya: (um fogareiro cuja brasa) se cobriu de cinza e (depois) se reacendeu (a labareda voltou a aparecer) — encosta-se a ele, e mantém-se (a comida) sobre ele, e retira-se dele e devolve-se a ele. (A Guemará propõe:) Ouve-se disso que (também é permitido) encostar (mesmo num fogareiro não preparado, pois aqui, embora reacendido), se (foi originalmente) coberto de cinza — sim (permite-se encostar); se não foi coberto de cinza — não! (Objeção:) E, segundo teu raciocínio, (quanto a) "retira-se dele" que se ensinou (no mesmo ensinamento): (seria que apenas) se (foi) coberto de cinza — sim (permite-se retirar); se não foi coberto de cinza — não (se permite retirar; mas isso é óbvio e não precisaria ser dito)?! Antes, (deve-se entender:) ensinou-se "retira-se" por causa de (ensinar em seguida) "devolve-se" (mencionando-se o par completo, sem que isso implique nova informação sobre retirar); aqui também, ensinou-se "encosta-se" por causa de (ensinar em seguida) "mantém-se" (sem que isso resolva a dúvida original sobre encostar num fogareiro nunca coberto).
A Guemará traz uma segunda tentativa de prova, desta vez a partir de um ensinamento específico de Rav Safra em nome de Rav Chiya sobre um fogareiro que já havia sido corretamente coberto de cinza, mas cuja brasa, por algum motivo, voltou a se reacender e produzir labareda visível. Para esse caso, Rav Chiya permite tanto encostar quanto manter a comida sobre ele, e tanto retirar quanto devolver a panela. A Guemará tenta usar essa permissão de "encostar" como prova de que também no fogareiro nunca coberto essa permissão poderia se aplicar, mas rejeita a comparação: a menção de "encosta-se" nesse ensinamento aparece apenas como parte de uma formulação emparelhada com "mantém-se" (assim como "retira-se" aparece emparelhada com "devolve-se"), sem que a intenção fosse ensinar uma halachá nova especificamente sobre encostar. Ou seja, o ensinamento de Rav Chiya trata apenas do caso do fogareiro que já foi coberto de cinza e depois reacendeu — não resolve a dúvida original sobre um fogareiro que nunca foi coberto de cinza.
(Réplica:) Como (podes comparar) agora (os dois casos)?! Ali (no caso de "retira-se" e "devolve-se"), retirar e devolver (referem-se) a um único lugar (a mesma posição, por cima do fogareiro; por isso) ensinou-se "retira-se" por causa de (mencionar) "devolve-se" (pois são o mesmo ato, em direções opostas). Mas aqui — encostar é (uma posição n)um lugar, e manter é (uma posição n)um lugar (diferente — a lateral do fogareiro, e o topo dele — de modo que a menção de "encosta-se" não pode ser dispensada como mera companhia de "mantém-se", e deve, sim, ensinar uma halachá própria e nova sobre encostar).
A Guemará rejeita a tentativa anterior de descartar a menção de "encosta-se" como mera formulação emparelhada. A distinção decisiva está em que "retirar" e "devolver" tratam exatamente do mesmo local físico — o topo do fogareiro — apenas em movimentos opostos (tirar a panela dali, ou recolocá-la ali); por isso, mencionar "retira-se" ao lado de "devolve-se" não acrescenta halachá nova, sendo apenas parte necessária da formulação. Mas "encostar" (colocar a panela lateralmente, junto à parede externa do fogareiro) e "manter" (deixá-la sobre o topo do fogareiro) são posições fisicamente distintas, em locais diferentes da estrutura do fogareiro. Por isso, a menção específica de "encosta-se" não pode ser descartada como companhia automática de "mantém-se" — ela deve, de fato, ensinar uma halachá substantiva e própria, confirmando que é permitido encostar a panela ao fogareiro, pelo menos no caso em que este já foi coberto de cinza e depois reacendeu.
O que ficou (decidido) a respeito disso (da dúvida sobre encostar)? Vem (e) ouve (a resolução): um fogareiro que se acendeu com bagaço e com lenha — encosta-se a ele (mesmo sem removido nem coberto), mas não se mantém (a comida) sobre ele, a menos que esteja removido e coberto (de cinza). Brasas que (já) escureceram (perderam o brilho vivo), ou (sobre as quais alguém) colocou fiapos finos de linho (sobre elas) — eis que (o fogareiro) é como (se estivesse) coberto de cinza (para todos os efeitos práticos).
A Guemará traz finalmente uma baraita que resolve de modo explícito e definitivo a dúvida levantada sobre encostar a panela. Ao contrário do caso de "manter" a comida sobre o próprio topo do fogareiro — que exige a remoção das brasas ou sua cobertura com cinza, mesmo quando o fogareiro foi aceso com materiais de combustão mais lenta como bagaço de azeitona e lenha — o simples ato de encostar a panela lateralmente junto ao fogareiro é permitido mesmo sem essa preparação, pois o calor lateral, indireto, não é suficiente para reavivar significativamente o cozimento em violação ao Shabat. A baraita acrescenta ainda uma equivalência prática útil: quando as brasas já perderam seu brilho intenso e começaram a escurecer naturalmente, ou quando alguém cobriu propositalmente as brasas com fiapos finos de linho (um material que abafa o calor sem ser propriamente cinza), essas situações têm o mesmo efeito halárico de um fogareiro coberto de cinza, dispensando a exigência formal de cinza real.
Disse Rabi Yitzchak bar Nachmani, disse Rav Oshaya: (um fogareiro cuja brasa) foi coberta de cinza e (depois) se reacendeu (a labareda voltou a se levantar) — deixa-se sobre ele água quente que já se aqueceu por completo (no ponto necessário), e comida cozida que já cozinhou por completo (no ponto necessário, mas não alimentos ainda crus ou parcialmente cozidos).
O daf se encerra com um ensinamento complementar de Rabi Yitzchak bar Nachmani em nome de Rav Oshaya, especificando com mais precisão o que exatamente se pode deixar sobre um fogareiro que já foi corretamente coberto de cinza mas cuja brasa voltou a se reacender. Diferentemente de um fogareiro nunca preparado, onde a preocupação central é impedir qualquer avanço no processo de cozimento, aqui a permissão se estende a água e alimentos que já atingiram seu ponto final de preparo — já totalmente quentes ou totalmente cozidos — pois, mesmo que o fogo reacenda, não há mais risco real de que a pessoa seja tentada a mexer nas brasas para acelerar um cozimento que already está completo. Essa distinção prática entre alimentos já prontos e alimentos ainda em preparo é o fio condutor que perpassa toda a sugya deste capítulo, e o ensinamento de Rav Oshaya oferece uma aplicação concreta e conclusiva dessa lógica ao caso específico do fogareiro reacendido.