O daf abre concluindo a lista de cinco pares de termos que trocaram de nome desde a destruição do Templo: a Guemará explica que a consequência prática de Bavel e Bursif terem trocado de nome está nos documentos de divórcio das mulheres, onde é essencial identificar corretamente o local em que o get foi escrito. Com isso se encerra toda a sugya do shofar e da lista de Rav Chisda, e o daf marca, com a fórmula tradicional "Hadran Alach", o fim do Perek Bet, Bameh Madlikin ("Com que se acende a vela de Shabat"). Imediatamente a seguir, sem qualquer intervalo em branco no texto original, abre-se o Perek Guimel, Kirah ("O fogareiro"), com uma nova Mishná: um fogareiro aceso com palha ou restolho antes de Shabat permite que se coloque um prato de comida cozida sobre ele, mas se foi aceso com bagaço de azeitona ou lenha, não se pode colocar comida até que se remova as brasas ou se cubra com cinza — e Bet Shamai e Bet Hilel discordam sobre se, depois de removidas as brasas, pode-se colocar apenas água quente ou também comida cozida, e se é permitido devolver a panela ao fogareiro depois de retirada. A Guemará então abre a sugya dessa Mishná com uma dúvida dos estudantes sobre o sentido exato da expressão "não se coloca" — se refere-se a devolver ou a deixar a panela desde véspera —, sugerindo primeiro que a opinião correspondente é a de Chananiá, e buscando resolver a dúvida a partir da estrutura de duas cláusulas da própria Mishná.
(Continuação direta do fim de 36a, onde Rav Ashi acrescentara que Bavel e Bursif trocaram de nome:) Qual é a diferença prática (disso)? Para documentos de divórcio das mulheres (onde é preciso registrar com exatidão o nome do lugar onde o get foi escrito e entregue).
O daf abre em continuidade direta com a última linha de 36a, completando o ensinamento de Rav Ashi, o quinto e último par da lista de termos que trocaram de nome desde a destruição do Templo. A relevância prática desse par geográfico — Bavel e Bursif — está nas leis dos documentos de divórcio: a validade de um get depende, entre outras exigências formais, do registro correto do local onde foi escrito e assinado, pois um erro de identificação da localidade pode invalidar o documento inteiro. Como a linguagem popular passou a chamar Bavel de Bursif e Bursif de Bavel, o escriba precisa saber qual nome efetivamente corresponde a qual cidade, para não registrar um nome equivocado. Rashi observa ainda, segundo a tradição, que essa distinção se conecta à condição halárica dos moradores de cada localidade quanto à necessidade de declarar publicamente "perante mim foi escrito e perante mim foi assinado" ao entregar o get.
"Para documentos de divórcio das mulheres" — pois estabelecemos que os moradores de Bavel são versados (na lei, sabendo) que se deve escrever o get com a intenção específica (para aquela mulher), e quem traz um get de lá não precisa dizer "perante mim foi escrito e perante mim foi assinado"; e os moradores das demais terras não são versados, e precisam (dizer essa declaração). E agora, os moradores de Bursif são (o que hoje se identifica como) Bavel, e a Bavel de hoje é Bursif, e eles (os de Bursif, hoje chamados equivocadamente pelo nome antigo) são gente simples, como dizemos em outro lugar (Sanhedrin 109a): "poço cujas águas foram tiradas" (uma expressão pejorativa para a Bavel decaída). E eu digo (acrescenta Rashi) que a diferença prática é para os documentos de divórcio das mulheres, quanto à regra de que, se trocou o nome dele (do marido) e o nome dela (da mulher), e o nome de sua cidade e da cidade dela, (o get) é inválido, e é preciso escrever o nome (atual), de agora.
Com a conclusão da lista de Rav Chisda — ampliada por Abaye e por Rav Ashi — encerra-se toda a sugya do shofar e das trombetas que atravessou o final de 35b e todo o daf 36a, e com ela se encerra o Perek Bet inteiro, Bameh Madlikin ("Com que se acende a vela de Shabat"), que abriu o tratado Shabat discutindo os óleos e pavios próprios para a vela de Shabat. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach" ("Retornaremos a você"), dita ao concluir o estudo de um capítulo, expressando o compromisso de retornar a estudá-lo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.
Mishná: Um (fogareiro chamado) kirah que se acendeu com palha e com restolho (recolhido do campo) — coloca-se sobre ele um prato de comida cozida (pois o fogo dessas fontes se apaga rápido, ainda de dia). (Mas se se acendeu) com bagaço (de azeitona, prensado) e com lenha — não se coloca (um prato) até que se remova (as brasas), ou até que se ponha a cinza (sobre elas, para que o fogo não se reavive em Shabat). Bet Shamai dizem: (mesmo depois de removidas as brasas, coloca-se apenas) água quente, mas não comida cozida. E Bet Hilel dizem: (coloca-se tanto) água quente como comida cozida. Bet Shamai dizem: (pode-se) retirar (a panela do fogareiro em Shabat), mas não devolvê-la. E Bet Hilel dizem: pode-se até devolvê-la.
Guemará: (Os) estudantes levantaram uma dúvida: este (termo da Mishná) "não se coloca" — (significa que) não se devolve (uma panela retirada), mas para deixar (desde véspera, sobre o fogareiro não removido nem coberto de cinza), deixa-se, ainda que (o fogareiro) não esteja removido (das brasas) nem coberto (de cinza)? E como quem (seria essa opinião)? É (a opinião de) Chananiá. Pois se ensinou (numa baraita), Chananiá diz: tudo o que já (está cozido) como a comida (preparada apressadamente por) Ben Drussai (cozido no mínimo necessário) é permitido deixá-lo sobre o fogareiro, ainda que (este) não esteja removido nem coberto. Ou talvez: (a Mishná trata) de deixar (desde véspera), e (ensinou que), se (o fogareiro está) removido e coberto, sim (pode-se deixar); se não, não (pode-se) — e tanto mais (se aplicaria essa restrição) para devolver.
A Guemará abre a sugya da nova Mishná com uma dúvida fundamental sobre seu sentido exato. A expressão "não se coloca", usada para o fogareiro aceso com bagaço ou lenha, poderia significar duas coisas distintas: (1) que se refere apenas à proibição de devolver, em Shabat, uma panela que já havia sido retirada — mas que deixar uma panela sobre o fogareiro desde véspera de Shabat seria sempre permitido, mesmo sem remover as brasas ou cobri-las de cinza, desde que a comida já estivesse no ponto mínimo de cozimento (a posição atribuída a Chananiá numa baraita paralela); ou (2) que a própria Mishná trata do ato de deixar a panela desde véspera, exigindo a remoção das brasas ou sua cobertura com cinza como condição, e que, se essa exigência já se aplica ao caso mais brando de deixar, tanto mais se aplicaria ao caso mais estrito de devolver uma panela já retirada.
(Proposta de resolução:) Vem (e) ouve (uma prova), do fato de que se ensinaram duas cláusulas na Mishná: Bet Shamai dizem: água quente, mas não comida cozida; e Bet Hilel dizem: água quente e comida cozida. Bet Shamai dizem: retira-se, mas não se devolve; e Bet Hilel dizem: até se devolve. Se disseres, com razão, que (a Mishná) ensinamos (a respeito) de deixar (desde véspera), assim (deve-se entender que) se ensina: um fogareiro que se acendeu com palha e com restolho — deixa-se sobre ele comida cozida; (se se acendeu) com bagaço e com lenha — não se deixe (a comida) até que se remova, ou até que se ponha cinza. E o que se deixa? Bet Shamai dizem: água quente, mas não comida cozida; e Bet Hilel dizem: água quente e comida cozida. E, assim como discordam quanto a deixar, discordam também quanto a devolver, pois Bet Shamai dizem: retira-se, mas não se devolve, e Bet Hilel dizem: até se devolve.
A Guemará tenta resolver a dúvida observando a estrutura da própria Mishná, que contém duas cláusulas paralelas de disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel — uma sobre o que se pode colocar sobre o fogareiro (água quente apenas, segundo Bet Shamai, ou também comida cozida, segundo Bet Hilel) e outra sobre devolver a panela. Se a primeira parte da Mishná (sobre acender com palha versus bagaço, exigindo remoção ou cobertura de cinza) tratar do ato de "deixar" a comida desde véspera, então toda a estrutura da Mishná se encaixa de modo natural e contínuo: primeiro se estabelece a condição geral para deixar comida sobre o fogareiro, depois se especifica, através da disputa de Bet Shamai e Bet Hilel, o que exatamente se pode deixar, e, por fim, paralelamente, o que se pode devolver. Essa leitura unificada sugeriria que a Mishná trata consistentemente do tema de "deixar", e que a questão de devolver é tratada à parte, como um tópico relacionado mas distinto.
Mas se disseres que (a Mishná) ensinamos (a respeito) de devolver, assim (deve-se entender que) se ensina: um fogareiro que se acendeu com palha e com restolho — devolve-se sobre ele comida cozida. (Se se acendeu) com bagaço e com lenha — não se devolva até que se remova, ou até que se ponha cinza. E o que se devolve? Bet Shamai dizem: água quente, mas não comida cozida; e Bet Hilel dizem: água quente e comida cozida. Bet Shamai dizem: retira-se, mas não se devolve; e Bet Hilel dizem: até se devolve. (Mas, se assim for,) esta (última cláusula, sobre retirar e devolver, já dita antes,) por que mais (preciso dela, sendo repetitiva)?
A Guemará expõe agora a dificuldade da leitura alternativa: se, ao contrário, a primeira cláusula da Mishná (sobre palha versus bagaço) já tratasse do próprio ato de "devolver" a panela, então a estrutura da Mishná se tornaria redundante e desnecessariamente repetitiva — pois a última cláusula, que disputa explicitamente entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre se se pode "retirar mas não devolver" ou "até devolver", já teria coberto exatamente o mesmo conteúdo. Não haveria razão para a Mishná repetir, com outras palavras, a mesma disputa sobre devolver duas vezes seguidas. Essa dificuldade é apresentada no limite exato deste daf, sem resposta explícita, e a discussão prossegue diretamente no início do daf 37a, onde a Guemará oferecerá a resolução completa.