O daf abre completando a frase interrompida no limite de 40b: a distinção entre a piscina proibida da baraita e a banheira de Rabi Abahu está em que a primeira não tem bordas elevadas (gidudim), enquanto a segunda as tem. Rabi Zeira relata então uma segunda observação sobre Rabi Abahu: vendo-o colocar as mãos diante do corpo ao se banhar, ficou em dúvida se ele tocava o próprio membro — o que a baraita de Rabi Eliezer compara a "trazer um dilúvio ao mundo". Abaye resolve o aparente problema comparando a situação a uma tropa invasora, cujo medo afasta pensamentos impróprios; aqui, o medo do rio cumpre o mesmo papel. Uma objeção de Rav, que chama de "negar o pacto de Avraham" quem cobre as mãos dessa forma, é resolvida distinguindo entre descer ao rio (de frente para a água, sem pudor) e subir dele (de frente para as pessoas, com pudor) — com os exemplos de Rava, Rabi Zeira e os sábios da academia de Rav Ashi. Segue o episódio de Rabi Zeira, que evitava Rav Yehudá por discordarem sobre subir da Babilônia à Terra de Israel, mas foi ouvi-lo uma última vez antes de partir — encontrando-o na casa de banho instruindo os assistentes sobre natrão, pente, abrir a boca para expelir o vapor e beber da própria água do banho, o que Rabi Zeira considerou valer sozinho a viagem. A Guemará explica o valor de cada instrução, culminando na baraita da saúde sobre comer sem beber, comer sem caminhar, banhar-se sem beber e sem passar água fria, e lavar-se sem untar-se. O daf then apresenta duas novas Mishnayot com suas guemarot: a primeira, sobre o mulyar esvaziado de brasas (do qual se pode beber em Shabat) e a antichi (da qual não se pode, mesmo esvaziada) — com a disputa entre Rabá e Rav Nachman bar Yitzchak sobre se a antichi é como um forninho embutido (bei chirei) ou como uma caldeira de fundo duplo (bei dudei); a segunda, sobre o bule esvaziado de água quente, ao qual não se pode acrescentar pouca água fria para que se aqueça, mas se pode acrescentar muita água fria para apenas tirar-lhe o frio — explicação de Rav Adda bar Matna que fecha o daf de forma completa, sem interrupção, e que a Guemará de 41b retomará com uma nova objeção.
(Completando a frase interrompida no fim de 40b: "não há dificuldade: esta —") (a piscina da baraita, que é proibida) é a que não tem bordas elevadas (gidudim); aquela (a banheira de Rabi Abahu, que é permitida) é a que tem bordas elevadas.
O daf abre completando a resposta cortada exatamente no limite físico de 40b. A Guemará distingue os dois casos que pareciam contraditórios: a baraita proíbe nadar numa piscina cheia de água, mesmo situada num pátio privado, porque essa piscina não possui bordas elevadas ao redor de sua borda — de modo que, ao se aproximar da margem, os pés do nadador tocam o fundo, cavando e misturando terra com a água, um ato que se assemelha à melachá de amassar. Já a banheira em que Rabi Abahu nadava tinha bordas elevadas, o que — segundo uma leitura — evita essa mesma preocupação, permitindo o nadar ali mesmo sem que se saiba se os pés se erguiam do chão.
"Que não tem bordas elevadas" — (explicação:) que sua margem não é alta o bastante para que as águas sejam profundas junto à margem como estão no meio; e, como ali não são profundas, quando (o nadador) chega perto da margem, finca os pés no chão e cava, e mistura a terra na água, o que se assemelha a amassar. Mas a mim parece que aquela que tem bordas elevadas é permitida, pois não se assemelha a um rio, mas a um utensílio; a que não tem bordas elevadas assemelha-se a um rio, e é proibida. (Rashi registra assim uma segunda explicação, sua própria, que concorda quanto ao resultado — a piscina sem bordas é a proibida — mas discorda quanto à razão: não o receio de cavar o chão, mas a semelhança com um rio aberto.)
E disse Rabi Zeira: eu o vi a Rabi Abahu, que colocou as mãos diante da parte inferior do corpo (por pudor, enquanto se banhava), e não sei se ele tocava ou não tocava (o próprio membro). (Comenta a Guemará:) É óbvio que não tocava, pois se ensinou: Rabi Eliezer diz: todo aquele que segura o membro e urina é como quem traz um dilúvio ao mundo.
Rabi Zeira relata uma segunda observação sobre Rabi Abahu, paralela à do nadar: viu-o, ao banhar-se, colocar as mãos diante da parte inferior do corpo — um gesto de pudor comum — mas não pôde determinar se, ao fazê-lo, tocava diretamente o próprio membro, o que teria implicações quanto à emissão de sêmen em vão. A Guemará responde que obviamente ele não tocava, pois uma baraita de Rabi Eliezer equipara quem segura o próprio membro para urinar — aquecendo-se e chegando com isso a uma emissão seminal — a quem "traz um dilúvio ao mundo", numa alusão à geração do dilúvio, cuja corrupção incluía precisamente esse desperdício de sêmen (conforme Gênesis 6:12, "porque toda carne havia corrompido seu caminho").
"Que colocou as mãos" — enquanto se banhava, por pudor.
"Se tocava" — no membro.
"Como quem traz um dilúvio ao mundo" — pois se aquece e chega a uma emissão seminal, e essa foi a corrupção da geração do dilúvio: emitiam sêmen em vão, como está escrito: "porque toda carne havia corrompido seu caminho" (Gênesis 6:12).
Disse Abaye: trataram este caso (o de nadar no rio) como o de uma tropa invasora (boleshet). Pois ensinamos: uma tropa invasora que entrou na cidade — em tempo de paz, os barris abertos (de vinho, que os soldados possam ter tocado) são proibidos, os selados são permitidos; em tempo de guerra, tanto estes quanto aqueles são permitidos, pois não há tempo de vagar para realizar uma libação (idólatra, aos soldados de uma tropa em guerra). Eis que, uma vez que estão amedrontados, não realizam libação. Aqui também: uma vez que (a pessoa) está amedrontada (pelo rio), não chega a ter pensamentos impróprios. (Pergunta:) Que medo há aqui (numa banheira parada, que não é um rio)? (Resposta:) O medo do próprio rio (cuja água alimenta a banheira, e cuja corrente lembra o perigo de afogamento).
Abaye resolve a tensão entre a dúvida de Rabi Zeira e a gravidade da proibição de Rabi Eliezer com uma analogia da Mishná de Avodá Zará: quando uma tropa militar invasora entra numa cidade, em tempo de paz — quando os soldados têm tempo livre — teme-se que tenham tocado e feito libação idólatra nos barris de vinho abertos, mas não nos selados; em tempo de guerra, porém, mesmo os barris abertos são permitidos, pois o medo e a urgência do combate não deixam tempo ou disposição para rituais de libação. Abaye aplica o mesmo princípio aqui: o medo natural de estar na água — mesmo numa banheira, alimentada pelo rio e sujeita a seu perigo — basta para afastar pensamentos impróprios, tornando desnecessária a preocupação de que Rabi Abahu tivesse tocado o próprio corpo.
"Como uma tropa invasora" — trataram este caso de Rabi Abahu (como o de) uma "boleshet": tropas, um exército que chega a uma cidade; pelo fato de vasculharem e revistarem a cidade, chama-se "boleshet".
"Em tempo de paz" — como quando (a tropa) é do próprio reino (local, sem hostilidade).
(Objeção:) É mesmo assim (que colocar as mãos ali é apenas pudor inócuo)?! Mas não disse Rabi Abba, disse Rav Huna, disse Rav: todo aquele que coloca as mãos diante da parte inferior do corpo é como quem nega o pacto de Avraham, nosso pai! (Resposta:) Não há dificuldade: esta (proibição) é quando desce (ao rio, de frente para a água); aquela (permissão) é quando sobe (dele, de frente para as pessoas). Como aquele caso de Rava, que se curvava (ao descer). Rabi Zeira se mantinha ereto (ao descer). Os sábios da academia de Rav Ashi, quando desciam — mantinham-se eretos; quando subiam — se curvavam.
A Guemará traz uma segunda fonte, aparentemente contraditória: Rav ensinou que cobrir as mãos diante da parte inferior do corpo equivale a "negar o pacto de Avraham" — pois o gesto de esconder o sinal da circuncisão sugere vergonha dessa aliança. A resolução distingue dois momentos: ao descer ao rio, quando a pessoa está de frente para a água (e não para outras pessoas), não há motivo de pudor a justificar cobrir-se, e por isso é proibido fazê-lo ali — seria de fato uma negação do pacto; mas ao subir do rio, quando a pessoa está de frente para os demais banhistas, o pudor é legítimo, e cobrir-se ali é permitido e até recomendável. A Guemará ilustra essa regra com práticas opostas mas complementares: Rava se curvava (inclinando o corpo, o que naturalmente cobre a área, sem usar as mãos) ao descer; Rabi Zeira preferia manter-se ereto e sem se cobrir ao descer, confiando na ausência de pudor necessário nesse momento; e os sábios da academia de Rav Ashi seguiam a prática mais cautelosa e completa: eretos (descobertos) ao descer, e curvados (cobertos) ao subir — exatamente conforme a regra estabelecida.
"Como quem nega" — pois parece que se envergonha da coisa (do pacto da circuncisão).
"Quando desce" — ao rio, seu rosto está voltado para o rio, e não há aqui motivo de pudor; é proibido cobri-lo.
"Quando sobe" — e seu rosto está voltado para o povo, é permitido, por pudor.
"Rabi Zeira se mantinha ereto" — pois se preocupava com a palavra de Rav, para não parecer como quem nega (o pacto).
Rabi Zeira evitava (o encontro) com Rav Yehudá, porque (Rabi Zeira) queria subir à Terra de Israel (e Rav Yehudá se opunha). Pois disse Rav Yehudá: todo aquele que sobe da Babilônia à Terra de Israel transgride um mandamento positivo, como está dito: "à Babilônia serão trazidos, e ali estarão" (Jeremias 27:22). (Mas Rabi Zeira) disse: irei e ouvirei dele alguma coisa, e então virei e subirei. Foi, encontrou-o de pé na casa de banho, e ele dizia a seu assistente: "tragam-me natrão, tragam-me um pente, abram a boca e expelam o vapor, e bebam da água da casa de banho." Disse (Rabi Zeira): se eu não tivesse vindo senão para ouvir esta coisa, já me bastaria.
A Guemará relata um episódio pessoal envolvendo Rabi Zeira, que desejava subir da Babilônia à Terra de Israel, mas se via em conflito com seu mestre Rav Yehudá, que sustentava — a partir do versículo de Jeremias sobre os vasos do Templo levados à Babilônia — que subir da Babilônia à Terra de Israel antes do tempo messiânico transgride um mandamento positivo (um dos "três juramentos" da tradição rabínica). Por isso, Rabi Zeira evitava encontrar-se com Rav Yehudá, temendo talvez ser dissuadido ou repreendido. Ainda assim, antes de partir, decidiu procurá-lo uma última vez para ouvir algum ensinamento seu. Encontrou-o na casa de banho, instruindo o assistente sobre uma rotina de cuidados de saúde: trazer natrão (um sabão mineral) e um pente para a higiene, abrir a boca para que o vapor do banho circulasse e expelisse o suor do corpo, e beber da própria água do banho. Rabi Zeira considerou que só essa lição já justificava plenamente sua visita.
"Evitava" — (Rabi Zeira) tinha medo de se mostrar a ele, porque Rabi Zeira queria subir à Terra de Israel, e Rav Yehudá não concordava com isso, e (Rabi Zeira) temia que ele lhe decretasse contra ir.
"À Babilônia serão trazidos, e ali estarão, até o dia em que Eu os visitar, etc." — mas Rabi Zeira dir-te-ia que esse versículo foi escrito a respeito dos utensílios do serviço (do Templo), como dizemos em "dois juízes de decretos" (Ketubot 111a).
"Tragam-me natrão" — para lavar minha cabeça; e disse-lhes isso em língua sagrada.
"Abram a boca" — para que entre o vapor da casa de banho no corpo e expulse o vapor do suor.
"E bebam" — da água quente, mesmo que tenha sido aquecida apenas para o banho.
Está bem quanto a "tragam natrão, tragam um pente" — (isso) nos ensina que coisas mundanas é permitido dizê-las em língua sagrada. "Abram a boca e expelam o vapor" — também (nos ensina) conforme Shmuel, pois disse Shmuel: vapor expele vapor. Mas "bebam da água da casa de banho", que benefício (especial) há nisso? Pois se ensinou: comeu e não bebeu — sua comida é (como) sangue, e esse é o começo da doença dos intestinos. Comeu e não caminhou quatro cúbitos — sua comida apodrece, e esse é o começo do mau odor. Aquele que precisa fazer suas necessidades e (mesmo assim) come — assemelha-se a um forno que se acendeu sobre suas próprias cinzas, e esse é o começo do odor de imundície. Banhou-se em água quente e não bebeu dela — assemelha-se a um forno que se acendeu por fora e não se acendeu por dentro. Banhou-se em água quente e não passou água fria pelo corpo — assemelha-se a um ferro que se colocou no fogo e não se colocou em água fria. Banhou-se e não se untou (com óleo) — assemelha-se a água sobre um barril (que escorre sem penetrar).
A Guemará explica o valor de cada uma das quatro instruções de Rav Yehudá. As duas primeiras — trazer natrão e um pente — são triviais quanto ao conteúdo (mera higiene), mas ensinam algo sobre linguagem: mesmo dentro da casa de banho, onde é proibido falar palavras de Torá, é permitido falar de assuntos mundanos em hebraico, a língua sagrada. A terceira, abrir a boca para expelir o vapor, ensina a máxima de Shmuel de que "vapor expele vapor" — o calor absorvido pela boca ajuda a expulsar o suor do corpo. A quarta instrução, porém — beber da própria água do banho — exige explicação mais substancial, e a Guemará a fornece por meio de uma baraita completa sobre hábitos de saúde: uma sequência de comparações que ensina o valor de equilibrar cada ato do corpo com seu complemento natural — comer com beber, comer com caminhar, evitar comer quando o corpo precisa se aliviar, banhar-se em água quente com beber dessa mesma água, banhar-se com passar água fria em seguida, e banhar-se com untar-se com óleo — cada desequilíbrio comparado a um dano físico concreto (sangue nos intestinos, mau odor, cheiro de imundície, um forno mal aceso, ferro fragilizado, água que escorre sem penetrar).
"É permitido dizê-las" — na casa de banho, mesmo em língua sagrada.
"Vapor" — da casa de banho, que entra pela boca.
"Expele vapor" — do suor.
"E não caminhou quatro cúbitos" — antes de dormir.
"Apodrece" — não se digere para se tornar excremento (normalmente).
"Mau odor" — odor da boca.
"Odor de imundície" — todo o seu corpo fica sempre imundo pelo suor.
"E não se acendeu por dentro" — pois não beneficia em nada.
"E não se colocou em água fria" — pois (as águas frias) fortalecem o ferro.
"Água sobre um barril" — sobre seu fundo e suas laterais, que não penetram para dentro.
Do mulyar esvaziado (de brasas), bebe-se dele em Shabat. Da antichi, ainda que esvaziada, não se bebe dela.
Uma nova Mishná trata de dois utensílios usados para manter água quente — o mulyar e a antichi — e de sua permissibilidade quanto a beber deles em Shabat depois de removidas as brasas que os aqueciam. O mulyar, cuja estrutura será definida pela Guemará, é permitido: uma vez esvaziado de brasas, sua água pode ser bebida diretamente em Shabat, pois não há mais fonte ativa de calor capaz de "cozinhar" a água residual. Já a antichi é tratada com mais rigor: mesmo depois de esvaziada das brasas, não se pode beber diretamente dela, presumivelmente porque sua estrutura retém e continua a transmitir calor por mais tempo, mesmo sem contato direto com o fogo — uma diferença que a Guemará a seguir esclarece com precisão.
Mishná: "Do mulyar esvaziado" — das brasas, desde a véspera (de Shabat).
"Bebe-se" — de suas águas em Shabat, ainda que se tenham aquecido um pouco por causa do próprio utensílio, pois este não acrescenta calor, apenas preserva e mantém o calor que já têm, para que não esfriem. A Guemará explicará que o mulyar tem água por dentro e brasas por fora: um utensílio que possui um pequeno compartimento junto à sua parede externa, ligado a ele, onde se colocam brasas, e a água fica em seu compartimento maior. Nossos mestres explicam que o mulyar tem dois fundos, e a antichi (bei dudei) tem uma divisória entre eles; mas a mim parece o oposto, pois, se assim fosse, deveria ter ensinado "água em cima e brasas embaixo"; e além disso, "seu cobre", que se ensina a respeito da antichi, sugere (um material de) cobre, e eles (os mestres) falam em termos de "fundos" — e cobre é diferente de barro.
Como se define o mulyar esvaziado? Ensinaram: água por dentro e brasas por fora. Antichi: Rabá disse — bei chirei (como um pequeno forninho embutido). Rav Nachman bar Yitzchak disse — bei dudei (uma caldeira de fundo duplo). Quem diz bei dudei, tanto mais bei chirei (também é proibido); e quem diz bei chirei, mas bei dudei — não (é proibido, sendo permitido como o mulyar). Ensinou-se conforme Rav Nachman: da antichi, ainda que esvaziada e coberta de cinzas, não se bebe dela, porque seu cobre a aquece.
A Guemará define primeiro o mulyar: um utensílio com um pequeno compartimento externo para as brasas, separado da água, que fica em seu compartimento principal — por isso, uma vez removidas as brasas, não há mais fonte de calor ativo, e a água pode ser bebida. Sobre a antichi, surge uma disputa: Rabá a identifica como um "bei chirei", um forninho de paredes grossas onde o fogo arde continuamente durante a semana toda, de modo que suas paredes retêm calor intenso mesmo depois de removidas as brasas — daí a proibição. Rav Nachman bar Yitzchak, porém, a identifica como um "bei dudei", uma grande caldeira com dois fundos, entre os quais se colocam as brasas, com a água por cima — estrutura semelhante ao mulyar, mas ainda assim proibida. A Guemará observa que essas duas leituras têm implicações práticas diferentes: para quem entende antichi como bei dudei, um bei chirei seria proibido com ainda mais razão (por reter mais calor); mas para quem a entende apenas como bei chirei, um verdadeiro bei dudei poderia ser permitido, equiparando-se ao mulyar. Uma baraita é então citada como apoio à posição de Rav Nachman bar Yitzchak: a antichi, mesmo esvaziada e coberta de cinzas frias, continua proibida, porque o próprio metal de cobre de suas paredes retém e continua a irradiar calor.
Guemará: "Bei chirei" — há um vão no fogareiro junto a seu vão principal, onde ficam as brasas, e a água é colocada em seu segundo vão; e, ainda que se assemelhe ao mulyar, o fogareiro tem parede grossa, e o fogo nele é contínuo durante toda a semana, e sua parede fica muito quente, e acrescenta calor à água mesmo depois de esvaziado das brasas.
"Bei dudei" — fazem para uma grande caldeira dois fundos, e colocam as brasas entre os dois, e a água fica sobre o fundo superior.
"E tanto mais" — que o bei chirei é proibido, como expliquei, pois, sendo o fogo contínuo nele e sua parede grossa, ele ferve (a água).
"Mas bei dudei, não" — pois ele é como o mulyar.
"Porque seu cobre" — seu cobre; eis que se trata de uma caldeira de cobre, e o cobre preserva sua fervura. Mas eu digo que "seu cobre" é uma expressão que designa "fundos", como está escrito: "porque derramaste teu cobre" (Ezequiel 16:36), e a expressão da Mishná "o cobre do forno" (em Kelim 8:3); e a antichi difere do mulyar porque, sendo seus fundos cobertos, seu calor se preserva, ainda que se tenham removido suas brasas.
Ao bule que se esvaziou (de sua água quente), não se acrescenta água fria nele para que se aqueça. Mas pode-se acrescentar nele, ou dentro de um copo, para tirar-lhe o frio.
Uma nova Mishná trata do bule (meicham) que foi esvaziado — um caso ambíguo que a própria Guemará precisará esclarecer, já que a formulação admite mais de uma leitura sobre o que exatamente foi esvaziado e de que utensílio se fala. Em termos gerais, a Mishná estabelece um princípio já conhecido de outras baraitot deste capítulo: não se pode colocar água fria num recipiente que reteve calor residual com a intenção explícita de que ela se aqueça — isso equivaleria a cozinhar em Shabat usando o calor residual como intermediário. Mas é permitido colocar água fria nesse mesmo recipiente, ou transferir água quente dele para um copo com água fria, com o propósito limitado de apenas tirar o frio da água, sem intenção de aquecê-la ao ponto de fervura.
Mishná: "O bule" — o kumkemos (a caldeira) de água quente.
"Que se esvaziou" — toda a Mishná será explicada na Guemará.
(Pergunta:) O que (a Mishná) quer dizer? Disse Rav Adda bar Matna, assim ela quer dizer: ao bule do qual se esvaziou água quente, não se acrescenta nele pouca água fria, para que (essa pouca água) se aqueça (por completo, com o calor residual); mas acrescenta-se nele muita água fria, para tirar-lhe apenas o frio.
A Guemará pergunta o sentido exato da Mishná, cuja formulação ("o bule que se esvaziou... não se acrescenta água fria nele para que se aqueça... mas pode-se acrescentar para tirar-lhe o frio") parece, à primeira vista, incoerente: como pode ser proibido acrescentar água fria "para que se aqueça" e permitido "para tirar-lhe o frio", se ambos os casos envolvem colocar água fria no mesmo recipiente esvaziado? Rav Adda bar Matna esclarece que a diferença está na quantidade de água fria acrescentada, não no recipiente: um bule do qual se esvaziou a água quente, mas que reteve calor residual em suas paredes, não deve receber uma pequena quantidade de água fria, pois esse pouco de água seria completamente aquecido pelo calor residual das paredes — equivalente a cozinhá-la; mas pode-se acrescentar uma grande quantidade de água fria, pois o calor residual das paredes não é suficiente para aquecer todo esse volume além do ponto de apenas tirar-lhe o frio. Essa explicação de Rav Adda bar Matna fecha o daf de forma gramaticalmente completa — sem interrupção de frase —, mas a Guemará de 41b retomará o tema com uma nova objeção: "e não é que isso tempera o metal?" (ve-halo metzaref), questionando se mesmo essa explicação resiste à regra sobre "endurecer" metal quente com água fria.
O último segmento do texto hebraico de Shabat 41a, conforme a edição de Sefaria, é a explicação completa de Rav Adda bar Matna sobre a Mishná do bule esvaziado, terminando de forma gramatical e conceitualmente fechada em "אֲבָל נוֹתֵן לְתוֹכוֹ מַיִם מְרוּבִּים כְּדֵי לְהַפְשִׁירָן" ("mas acrescenta-se nele muita água fria, para tirar-lhe apenas o frio"). Diferentemente da fronteira entre 40b e 41a, aqui não há frase cortada no meio — é uma pausa natural da sugya. A Guemará de 41b, no entanto, dá continuidade imediata ao mesmo tema, com uma nova objeção de que essa explicação poderia "temperar" o metal do bule.