O daf abre completando a frase de Rava interrompida no limite de 40a: quem transgride um decreto rabínico pode ser chamado de "transgressor", como este tana — a própria baraita de bar Kapara, cujos protagonistas foram chamados de "transgressores" ainda que sua falta fosse apenas contra um decreto dos sábios. Rava então distingue: a permissão de passear sem preocupação vale apenas nos banhos de grandes cidades, não nos das aldeias, pois estes, sendo menores, ficam mais saturados de vapor. Duas baraitot tratam de formas permitidas e proibidas de se aquecer: aquecer-se junto à fogueira e depois passar água fria é permitido, mas o inverso é proibido, porque aquece a água fria sobre o corpo; e aquecer uma toalha e colocá-la sobre o abdômen é permitido, mas trazer um jarro de água quente para o mesmo fim é proibido — e, de fato, perigoso mesmo em dia de semana. Uma nova baraita trata de trazer um jarro de água ou um frasco de óleo perto do fogo apenas para tirar o frio, sem cozinhar, com as opiniões complementares de Rabi Yehudá e Rabán Shimon ben Gamliel sobre óleo. Surge então a dúvida sobre o que o tana kama pensava do óleo, dividindo Rabá e Rav Yossef (que permitem) de Rav Nachman bar Yitzchak (que proíbe), cada lado explicando de modo oposto a progressão das três opiniões da baraita — com a ressalva final de que Rabán Shimon ben Gamliel e o tana kama diferem apenas quanto a fazê-lo "de modo indireto". Rav Yehudá, em nome de Shmuel, iguala óleo e água quanto à regra de yad soledet bo (o ponto em que a mão recua do calor), e Rachava a define como o calor que queimaria a barriga de um bebê. O episódio de Rabi Yitzchak bar Avdimi, que quis colocar um frasco de óleo na banheira de Rebbi e foi instruído a primeiro passá-lo por um segundo recipiente, permite deduzir três halachot de uma só vez. A Guemará então questiona como Rebbi pôde dar essa instrução dentro do próprio banho, já que é proibido meditar sobre Torá ali — respondendo que evitar uma transgressão é diferente, confirmado pelo episódio do discípulo de Rabi Meir que foi impedido de lavar e untar o chão do banho. Ravina deduz do episódio de Rebbi que cozinhar em água de Tiberíades em Shabat gera responsabilidade — o que é conciliado com a isenção de Rav Chisda ao entender essa responsabilidade como açoites rabínicos, não como violação da Torá. O daf fecha com Rabi Zeira relatando que viu Rabi Abahu nadando numa banheira sem saber se ele erguia os pés do chão, e a Guemará conclui que obviamente não erguia, pois uma baraita proíbe nadar numa piscina cheia de água — mas a resposta que reconcilia essas duas fontes, iniciada com "não há dificuldade, isto —", é interrompida no limite físico do daf, continuando em 41a.
(Completando a frase interrompida no fim de 40a:) Como este tana (que já em bar Kapara chamou de "transgressores" os que violaram meramente um decreto rabínico sobre a água quente, não uma proibição da própria Torá — Rava confirma que é assim que se deve entender o termo): nas grandes casas de banho das cidades, passeia-se sem preocupação (conforme já ensinado). Disse Rava: (isso vale) especificamente nas cidades, mas nas das aldeias — não. Qual é a razão? Como são pequenas, seu vapor é mais intenso (e por isso alguém que passeia ali poderia realmente estar suando, gerando a mesma suspeita que levou à proibição).
O daf abre completando a resposta de Rava, cortada exatamente no limite físico do daf anterior: ele identifica que a fonte para chamar de "transgressor" quem viola apenas um decreto rabínico — e não uma proibição bíblica — é a própria baraita de bar Kapara citada em 40a, cujos protagonistas foram rotulados dessa forma mesmo tendo violado apenas a proibição rabínica sobre a água quente. A Guemará então retoma o fio da última frase de 40a, a permissão de passear sem preocupação nas grandes casas de banho das cidades, e Rava introduz uma distinção importante: essa leniência vale apenas para os grandes banhos públicos urbanos, não para os pequenos banhos das aldeias. A razão é física e prática: por serem menores, os banhos das aldeias acumulam vapor de forma muito mais intensa, de modo que uma pessoa vista "passeando" ali poderia plausivelmente estar de fato se aquecendo e suando — gerando a mesma suspeita que levou à proibição original.
"Como este tana" — que disse acima (em bar Kapara) que, desde que se multiplicaram os transgressores, começaram a proibir o suor; e eis que (esse suor) não foi proibido senão por causa dos que se lavavam com água quente desde a véspera e diziam "estamos suando" — e não há aqui senão a transgressão de suas palavras (dos sábios), que proibiram a água quente.
"Seu vapor é mais intenso" — e a pessoa sua.
Ensinaram os sábios: aquece-se a pessoa junto à fogueira e sai e passa água fria pelo corpo, contanto que não passe água fria e (depois) se aqueça junto à fogueira, porque isso amorna a água fria que está sobre ele (o que equivale a aquecer água em Shabat). Ensinaram os sábios: aquece a pessoa uma toalha e a coloca sobre os intestinos (o abdômen) em Shabat, contanto que não traga um jarro de água quente e o coloque sobre os intestinos em Shabat. E essa coisa (trazer um jarro de água quente diretamente sobre o corpo) é proibida até mesmo em dia de semana, por causa do perigo.
A Guemará traz duas baraitot sobre formas permitidas e proibidas de buscar calor em Shabat. A primeira estabelece que é permitido aquecer-se junto a uma fogueira e, em seguida, sair e passar água fria pelo corpo — mas não o inverso: passar água fria primeiro e depois se aquecer junto ao fogo, pois nesse caso o calor da fogueira esquentaria a própria água fria que ainda está sobre o corpo, o que equivaleria a cozinhar água em Shabat através do calor corporal como intermediário. A segunda baraita permite aquecer uma toalha (colocando-a perto do fogo) e aplicá-la sobre o abdômen para alívio de dores — mas proíbe trazer um jarro cheio de água quente e colocá-lo diretamente sobre o abdômen, um objeto que retém líquido e apresenta risco real de queimadura ou derramamento. A Guemará acrescenta que essa segunda prática é proibida mesmo fora do Shabat, por representar um perigo físico genuíno, independente de qualquer consideração sabática.
"Amorna" — aquece, no sentido de "morno".
"Aquece a pessoa" — esquenta.
"Toalha" (alontit) — toaille (em francês antigo); parece-me ser o pano com o qual se enxuga o corpo, pois em toda parte se chama assim de "alontit".
"Sobre os intestinos" — quando a pessoa sente dor nos intestinos, aquece-se para ela um utensílio ou pano e o coloca ali, e isso ajuda.
"Contanto que não traga um jarro etc." — para que não se derrame sobre ele, e resulte que se lava em Shabat com água quente.
"Por causa do perigo" — pois às vezes (essas águas) estão fervendo.
Ensinaram os sábios: traz a pessoa um jarro de água e o coloca junto à fogueira — não para que (as águas) se aqueçam, mas para que se lhes tire o frio. Rabi Yehudá diz: traz a mulher um frasco de óleo e o coloca junto à fogueira — não para que cozinhe, mas para que amorne. Rabán Shimon ben Gamliel diz: a mulher unta a mão com óleo e a aquece junto à fogueira, e unta seu filho pequeno, e não se preocupa.
A baraita apresenta três posições progressivas sobre trazer líquidos perto do fogo em Shabat com o propósito limitado de tirar o frio, sem a intenção de aquecê-los ao ponto de cozimento. O tana kama (primeiro tana, anônimo) permite apenas trazer um jarro de água para junto do fogo, sem tocar no caso do óleo. Rabi Yehudá acrescenta explicitamente que também é permitido trazer um frasco de óleo para o mesmo fim — amornar, não cozinhar. Rabán Shimon ben Gamliel vai além: permite que a mulher unte diretamente a própria mão com óleo e a aqueça junto ao fogo, e então unte seu filho pequeno com essa mão aquecida, sem qualquer preocupação. Essas três formulações, aparentemente cumulativas, geram na Guemará a seguir uma pergunta importante sobre o que exatamente o tana kama pensava sobre o status do óleo.
"Não para que se aqueçam" — não que os deixe ali até se aquecerem.
"Mas para que se lhes tire o frio" — em parte, que se dissipe, que se transforme, como em "e seu aroma não mudou" (Jeremias 48:11), que se traduz "e seu aroma não se dissipou".
"Não para que cozinhe" — que não o deixe ali pelo tempo de cozimento, ao ponto em que a mão recuaria dele (por causa do calor).
"Unta a mão" — mas amorná-lo (ao óleo) num frasco, do modo como se faz em dia de semana, não (pode); e (Rabán Shimon ben Gamliel) discorda de Rabi Yehudá.
Perguntaram: o óleo, o que é (seu status) para o tana kama (será que ele o considera sujeito à proibição de cozinhar, como a água, ou não)? Rabá e Rav Yossef, ambos dizem: (o tana kama entende) permitido. Rav Nachman bar Yitzchak disse: (entende) proibido. Rabá e Rav Yossef, ambos dizem (que o tana kama entende) permitido: óleo, ainda que a mão recue dele (por causa do calor), é permitido (trazê-lo perto do fogo). Pois o tana kama entende que óleo não tem a categoria de cozimento. E veio Rabi Yehudá dizer: óleo tem a categoria de cozimento, mas amorná-lo não é o mesmo que cozinhá-lo. E veio Rabán Shimon ben Gamliel dizer: óleo tem a categoria de cozimento, e amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo.
A Guemará explora uma ambiguidade na baraita anterior: o tana kama mencionou apenas o caso da água, permitindo trazê-la perto do fogo para tirar o frio, sem tocar explicitamente no óleo. Surge então a dúvida sobre o que o tana kama pensaria do óleo, caso lhe fosse perguntado — dúvida que se resolve em duas leituras opostas da progressão da baraita. Rabá e Rav Yossef leem a baraita como uma sequência de leniências crescentes: o tana kama permitiria o óleo mesmo que a mão recuasse do calor, pois em sua visão o óleo simplesmente não está sujeito à categoria de "cozimento" (bishul) da forma como a água está; Rabi Yehudá viria discordar parcialmente, afirmando que o óleo sim está sujeito a essa categoria, mas insistindo que apenas amorná-lo (sem chegar ao ponto de a mão recuar) não constitui cozimento; e Rabán Shimon ben Gamliel discordaria de ambos, sustentando que mesmo o simples amornar do óleo já constitui, tecnicamente, uma forma de "cozimento" — mas permitindo-o mesmo assim por outras razões, como se verá.
Rav Nachman bar Yitzchak disse (que o tana kama entende) proibido: óleo, ainda que a mão não recue dele, é proibido. Ele entende que óleo tem a categoria de cozimento, e amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo. E veio Rabi Yehudá dizer: amorná-lo não é o mesmo que cozinhá-lo (discordando do tana kama). E veio Rabán Shimon ben Gamliel dizer: óleo tem a categoria de cozimento, e amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo (concordando com o tana kama). (Pergunta:) Mas então Rabán Shimon ben Gamliel é o mesmo que o tana kama? (Resposta:) Há (uma diferença) entre eles: fazê-lo "de modo indireto" (o tana kama proíbe até isso; Rabán Shimon ben Gamliel permite quando feito indiretamente, como untar a mão e depois a criança).
Rav Nachman bar Yitzchak lê a mesma progressão da baraita de modo exatamente inverso: para ele, o tana kama já proíbe o óleo mesmo sem chegar ao ponto de "yad soledet bo" (a mão recuar do calor), porque entende que amornar o óleo já equivale, por si só, a cozinhá-lo. Nessa leitura, Rabi Yehudá viria abrandar essa posição, permitindo o simples amornar; e Rabán Shimon ben Gamliel voltaria a concordar com o rigor do tana kama quanto ao princípio geral. Mas essa leitura levanta um problema óbvio: se Rabán Shimon ben Gamliel concorda inteiramente com o tana kama, por que a baraita o registra separadamente, como se discordasse? A Guemará resolve isso identificando uma diferença sutil: eles concordam quanto ao princípio de que amornar é cozinhar, mas diferem quanto ao caso de fazê-lo "de modo indireto" — como untar primeiro a própria mão com óleo frio e só depois aquecê-la junto ao fogo, sem que o óleo em si toque diretamente a fonte de calor. O tana kama proíbe até essa forma indireta; Rabán Shimon ben Gamliel a permite.
"Permitido" — o que Rabi Yehudá proíbe quanto ao óleo por causa de cozimento, o tana kama permite; e (a baraita) mencionou "água" especificamente e "não para que se aqueçam", pois nela há (a categoria de) cozimento; mas óleo, ainda que a mão recue — que é o cozimento segundo Rabi Yehudá — é permitido para o tana kama.
"Recua" — se retrai para trás por medo de se queimar; e essa é a expressão de "e eu me exultaria em minha dor" (Jó 6:10) — me preocuparia com tremor e me retrairia de minha queixa, por preocupação com o dia do julgamento, se eu soubesse que minha morte estava próxima e (Deus) não teria piedade.
"Óleo tem a categoria de cozimento" — portanto, não (pode deixá-lo) pelo tempo de cozinhar, mas (apenas) pelo tempo de amornar é permitido, pois amorná-lo não é o mesmo que cozinhá-lo.
"E veio Rabi Shimon (ben Gamliel) dizer que amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo" — portanto, não deve fazê-lo como se faz em dia de semana, mas apenas de modo indireto, por meio de uma alteração (no procedimento habitual).
"Proibido" — o tana kama disse (que apenas) a água é que é permitido amornar, mas quanto ao óleo, amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo.
"Há (uma diferença) entre eles: de modo indireto" — pois para o tana kama, mesmo por meio de uma alteração, é proibido.
Disse Rabi Yehudá, disse Shmuel: tanto óleo quanto água — se a mão recua dele, é proibido; se a mão não recua dele, é permitido. E como se define "a mão recua dele"? Disse Rachava: tudo o que queimaria a barriga de um bebê.
Shmuel, através de Rabi Yehudá, resolve a dúvida anterior de forma prática: tanto o óleo quanto a água seguem exatamente a mesma regra — o critério decisivo é "yad soledet bo" (o ponto em que a mão humana recuaria instintivamente do calor). Se o líquido atingiu esse grau de calor, é proibido trazê-lo perto do fogo, pois isso equivale a completar seu cozimento; se está abaixo desse grau, é permitido. A Guemará então busca uma definição objetiva e mensurável para esse critério subjetivo, e Rachava a fornece: o padrão de "yad soledet bo" é o calor suficiente para queimar a pele delicada da barriga de um bebê — um teste que se tornou padrão na literatura halachica posterior para determinar o limiar exato de temperatura relevante às leis de cozimento em Shabat.
"E como se define" — (a sensação de) recuar: há quem recue de uma fervura pequena, e há quem não recue.
Disse Rabi Yitzchak bar Avdimi: certa vez entrei atrás de Rebbi na casa de banho, e quis colocar-lhe um frasco de óleo na banheira (diretamente, para aquecê-lo), e ele me disse: pegue-o num segundo recipiente e então dê. Aprenda disso três coisas: aprenda disso que óleo tem a categoria de cozimento; e aprenda disso que um segundo recipiente não cozinha; e aprenda disso que amorná-lo é o mesmo que cozinhá-lo.
Rabi Yitzchak bar Avdimi relata um episódio pessoal com Rebbi (Rabi Yehudá HaNassi) numa casa de banho pública, que se tornou aquecida com água de Tiberíades, permitida após o decreto. Ao ver que Rebbi desejava óleo, Rabi Yitzchak bar Avdimi quis simplesmente colocar o frasco diretamente na água quente da banheira (o "primeiro recipiente", que continua transmitindo calor suficiente para cozinhar). Rebbi o instruiu a primeiro retirar um pouco daquela água num segundo recipiente — que, por já ter sido removido da fonte de calor direta, não tem o poder de "cozinhar" — e só então despejar o óleo ali para amorná-lo. A Guemará extrai desse único gesto instrutivo três halachot simultâneas: que o óleo de fato está sujeito à categoria de cozimento (caso contrário Rebbi não se importaria com o método); que um "segundo recipiente" (kli sheni) não tem o poder de cozinhar mesmo que ainda esteja quente; e que o simples amornar do óleo já constitui, tecnicamente, uma forma de cozimento — alinhando a prática de Rebbi com a posição mais rigorosa de Rabán Shimon ben Gamliel.
"Entrei" — em Shabat, e era com água de Tiberíades, que não fora proibida, como se disse acima que lhes permitiram a água de Tiberíades.
"Na banheira" — como um tanque feito no chão, no qual as águas entram e se acumulam.
"E quis colocar ali um frasco de óleo" — para amorná-lo, a fim de untar-se com ele antes do banho.
"Pegue" — das águas.
"Num segundo recipiente" — para que (as águas) esfriem um pouco, pois um segundo recipiente não cozinha; e depois disso, coloque o frasco dentro desse mesmo segundo recipiente. Pois essa banheira, cujas águas quentes fluem para ela diretamente da fonte, é considerada como um "primeiro recipiente" no qual as águas ferveram — que, mesmo removido do fogo, ainda cozinha, como ensinamos adiante (Shabat 42a): a panela e a caçarola que se removeram fervendo (do fogo) não se deve colocar nelas temperos.
"E aprenda disso que amorná-lo" — num lugar apto ao cozimento.
"É o mesmo que cozinhá-lo" — pois eis que (Rabi Yitzchak bar Avdimi) pretendia apenas amorná-lo, e ainda assim (Rebbi) lhe proibiu (fazê-lo diretamente).
(Pergunta:) Como pôde (Rebbi) fazer assim (instruir uma halachá dentro do banho)? Mas não disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: em todo lugar é permitido meditar (sobre Torá), exceto na casa de banho e no banheiro! E se disseres que (Rebbi) lhe falou em língua vernácula (e não em hebraico sagrado, e por isso não seria considerado "palavras de Torá") — mas não disse Abaye: coisas mundanas é permitido dizê-las em língua sagrada, mas coisas sagradas é proibido dizê-las em língua vernácula! (Resposta:) Impedir uma transgressão é diferente (e por isso é permitido falar mesmo no banho, para evitar que alguém transgrida). Saiba (que isso é assim), pois disse Rav Yehudá, disse Shmuel: houve um episódio com um discípulo de Rabi Meir que entrou atrás dele na casa de banho e quis lavar o chão (com água, para Rabi Meir). E (Rabi Meir) lhe disse: não se lava (o chão em Shabat). (Quis) untar o chão para ele (com óleo, para que não escorregasse). Disse-lhe: não se unta (em Shabat). Eis que impedir uma transgressão é diferente, e também aqui, para impedir uma transgressão, é diferente.
A Guemará levanta uma dificuldade sobre o próprio episódio de Rebbi relatado acima: como ele pôde instruir uma regra halachica ("pegue num segundo recipiente") estando dentro da casa de banho, se Rabi Yochanan estabeleceu que é proibido meditar sobre assuntos de Torá justamente nesses dois lugares — a casa de banho e o banheiro — por respeito à santidade das palavras de Torá? A Guemará considera e rejeita a possibilidade de que Rebbi tivesse falado em língua vernácula (aramaico coloquial, não hebraico "sagrado"), pois Abaye já estabeleceu que essa distinção linguística não resolve o problema: mesmo dizer conteúdo mundano é permitido em qualquer língua, mas conteúdo sagrado — como uma instrução halachica — permanece proibido de ser dito em língua vernácula dentro desses lugares. A resposta final é que "impedir uma transgressão" (afroshei me'issura) constitui uma categoria à parte: quando a fala serve para evitar que alguém pratique um ato proibido, essa consideração suplanta a proibição geral de falar de Torá no banho. Essa regra é confirmada por um episódio paralelo envolvendo um discípulo de Rabi Meir, que foi impedido verbalmente, dentro do próprio banho, de lavar ou untar o chão em Shabat — provando que a fala protetora contra transgressão é permitida mesmo nesse ambiente.
"E como pôde fazer assim" — dar uma instrução, que é matéria de Torá, dentro da casa de banho.
"Meditar" — em palavras de Torá.
"Coisas sagradas" — palavras de Torá.
"É proibido dizê-las" — em lugar de sujeira (impureza física, como o banho ou o banheiro), mesmo em língua vernácula.
"Não se lava" — para que não venha a nivelar buracos (no chão, ao lavar, o que constituiria uma forma proibida de trabalho em Shabat).
Disse Ravina: aprenda disso que quem cozinha em água de Tiberíades em Shabat é responsável. Pois eis que o episódio de Rebbi foi depois do decreto (que restabeleceu a permissão da água de Tiberíades, e ainda assim Rebbi exigiu o cuidado do segundo recipiente), e ele lhe disse: pegue num segundo recipiente e dê (o que mostra que há responsabilidade real em cozinhar diretamente nessa água). (Objeção:) É mesmo assim?! Mas não disse Rav Chisda: quem cozinha em água de Tiberíades em Shabat é isento! (Resposta:) O que (Ravina) quer dizer também com "responsável" — (refere-se apenas a) açoites de rebeldia (makat mardut, uma penalidade rabínica, não a responsabilidade plena da Torá).
Ravina extrai uma implicação adicional do episódio de Rebbi: já que o próprio Rebbi, mesmo depois que os sábios haviam restabelecido a permissão de usar água de Tiberíades (as fontes termais naturais), ainda insistiu em passá-la por um segundo recipiente antes de acrescentar óleo, isso demonstra que cozinhar diretamente nessa água em Shabat acarreta responsabilidade real — não é um ato inócuo. A Guemará levanta imediatamente uma objeção forte: Rav Chisda já havia estabelecido, em contexto anterior, que quem cozinha em água de Tiberíades em Shabat é isento (patur), presumivelmente porque a água é aquecida por uma fonte natural (subterrânea), não por um ato humano direto de acender fogo, o que remove a responsabilidade plena da Torá por essa melachá. A Guemará reconcilia as duas fontes explicando que a palavra "responsável" (chayav), tal como usada por Ravina, não se refere à responsabilidade plena da Torá (que exigiria uma oferenda de pecado, caso o ato fosse inadvertido), mas apenas a uma penalidade disciplinar rabínica — makat mardut, os "açoites de rebeldia" impostos por transgredir um decreto dos sábios.
"Pois eis que o episódio de Rebbi foi depois do decreto" — que decretaram contra o suor; e necessariamente era com água de Tiberíades, pois (o caso relatado) era nos dias de Rebbi, e assim, nos dias de Rebbi, o decreto já havia sido feito.
"E lhe disse: pegue num segundo recipiente" — mas não no primeiro; eis que há neles (nas águas de Tiberíades) a categoria de cozimento.
"De rebeldia" — (açoites) de repreensão.
Disse Rabi Zeira: eu o vi a Rabi Abahu nadando numa banheira, e não sei se ele erguia (os pés do chão) ou não erguia. (Comenta a Guemará:) É óbvio que não erguia, pois se ensinou: não nade a pessoa numa piscina cheia de água, mesmo que esteja situada num pátio (particular, onde não há preocupação de que a água transborde para fora dos limites permitidos)! (Resposta:) não há dificuldade: esta (baraita refere-se a um caso, e aquele outro caso é diferente — mas a distinção exata é interrompida aqui, no limite físico do daf)…
No fecho do daf, Rabi Zeira relata que observou Rabi Abahu nadando numa banheira em Shabat, mas ficou na dúvida sobre um detalhe técnico crucial: se, ao nadar, Rabi Abahu erguia os pés completamente do chão da banheira (o que se assemelharia mais a nadar de fato, um ato que pode gerar preocupação de que a pessoa fabrique um "barril de nadadores" — um instrumento flutuante — e por isso foi proibido) ou se mantinha algum contato com o fundo, apenas se movendo na água. A Guemará responde inicialmente que é óbvio que Rabi Abahu não erguia os pés, pois uma baraita proíbe explicitamente nadar numa piscina cheia de água, mesmo situada num pátio privado onde não haveria preocupação de que a água transbordasse para fora dos limites do domínio — e um sábio da estatura de Rabi Abahu certamente não violaria essa proibição. Mas a Guemará então busca reconciliar essa proibição com o comportamento observado de Rabi Abahu, iniciando a resposta com "não há dificuldade: esta —", indicando que os dois casos (a banheira de Rabi Abahu e a piscina da baraita) devem ser distinguidos de alguma forma. A frase é cortada exatamente na fronteira física do daf; a distinção completa e sua continuação seguem no início de 41a.
"Nadava" — flutuava.
"Que nadava na banheira" — em Shabat.
"E não sei se ele erguia" — os pés do chão; pois (Rabi Zeira) pensava: quando ensinamos "não se nada sobre a superfície da água", foi ensinado a respeito de fazer flutuar frutas num grande rio, onde há motivo para decretar, para que não se faça um barril de nadadores, como dissemos ali; mas numa banheira, não (haveria essa preocupação).
"Se não erguia" — os pés.
"Não se nade" — pois, ainda que não haja motivo para decretar (nesse caso), é proibido.
"Mesmo que esteja situada num pátio" — onde não há motivo para decretar que talvez espirre água com os pés para fora dos quatro cúbitos (do domínio privado).
"Esta (baraita)" — que é proibida (a continuação da explicação segue em 41a).
O último segmento do texto hebraico de Shabat 40b, conforme a edição de Sefaria, termina interrompido em "לָא קַשְׁיָא, הָא" ("não há dificuldade: esta —"), no momento em que a Guemará estava prestes a distinguir o caso da banheira de Rabi Abahu do caso da piscina proibida pela baraita. Essa é uma fronteira natural do daf físico; a continuação integral segue no início de 41a.