O daf abre completando a pergunta que ficara interrompida no fim de 45a: perguntou Rabi Shimon bar Rabi a Rabi sobre datas verdes rachadas, colhidas ainda imaturas e postas em cestos para amadurecer — qual é a lei quanto a elas segundo Rabi Shimon? Rabi responde com a mesma fórmula restritiva já conhecida: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão figos secos e passas apenas. A Guemará objeta: mas o próprio Rabi não reconhece muktzeh? Não se ensinou numa Mishná que não se dá de beber nem se abate, em Yom Tov, animais selvagens, mas se dá de beber e se abate os domesticados — e uma baraita define selvagens como os que saem no Pêssach e só voltam com as chuvas, enquanto Rabi considera domesticados até esses, chamando de selvagens apenas os que nunca entram no povoado? Isso mostra que Rabi reconhece muktzeh mesmo em animais. Três soluções são propostas: talvez esses animais selvagens também se assemelhem a figos secos e passas; ou talvez Rabi tenha respondido ao filho segundo a opinião de Rabi Shimon, sem ele mesmo concordar; ou talvez, na baraita, Rabi tenha falado segundo os sábios, afirmando que ele mesmo não reconhece muktzeh algum, mas que ao menos os sábios deveriam concordar que tais animais são domesticados — ao que os sábios responderam que não, que são selvagens. Quanto à disputa essencial, Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, transmite que se disse que a halachá segue Rabi Shimon; mas a Guemará objeta com um caso em que um ancião perguntou a Rabi Yochanan sobre mover um poleiro de galinha em Shabat, e ele respondeu que não, pois o poleiro só serve para as galinhas — resposta que soa como a posição restritiva de Rabi Yehudá. A Guemará responde que se tratava de um poleiro com um pintinho morto dentro. Uma nova dificuldade surge conforme se entenda se Rabi Shimon concorda que animais mortos são muktzeh; a resposta final ajusta o caso para um ovo posto no próprio Shabat, e uma terceira dificuldade, a partir da regra de Rav Nachman que equipara muktzeh e nolad, é resolvida ajustando o caso para um ovo com pintinho dentro, impróprio tanto para pessoas quanto para cães. Por fim, quando Rav Yitzchak bar Rabi Yosef veio da Terra de Israel, transmitiu que Rabi Yochanan fixou a halachá como Rabi Yehudá, enquanto Rabi Yehoshua ben Levi a fixara como Rabi Shimon; Rav Yosef concilia as duas tradições dizendo que "disseram" implica que Rabi Yochanan não concordava pessoalmente. Abaye desafia essa leitura com o caso em que um candelabro caiu sobre a capa de Rabi Assi, discípulo de Rabi Yochanan, e ele não o moveu — prova de que Rabi Yochanan já seguia Rabi Yehudá antes mesmo da tradição de Rav Yitzchak. Rav Yosef responde que o candelabro é caso à parte: Reish Lakish havia ensinado, em Sidon, que um candelabro que se move com uma mão é permitido, mas o que exige as duas mãos é proibido; e Rabi Yochanan explica que, segundo Rabi Shimon, só há permissão para mover a lâmpada apagada — nunca o candelabro, seja ele leve ou pesado — porque a pessoa costuma fixar-lhe um lugar determinado, tornando-o como parte fixa da casa. Abaye então desafia esse próprio raciocínio a partir da barraca do noivo, outro objeto para o qual a pessoa fixa um lugar determinado, citando um ensinamento de Shmuel em nome de Rabi Chiya sobre a barraca do noivo — e o daf termina de forma interrompida, no meio da citação; a continuação aparece apenas no início de 46a.
"Datas verdes rachadas, qual é a opinião de Rabi Shimon?" Respondeu-lhe: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão figos secos e passas apenas.
Completa-se aqui a pergunta que ficara interrompida no fim de 45a. Datas verdes rachadas são datas colhidas ainda antes de amadurecer e recolhidas em cestos feitos de folhas de palmeira, onde amadurecem por si mesmas; a dúvida é se, antes de amadurecerem, comê-las seria permitido segundo Rabi Shimon, ou se ele também reconheceria aqui um caso de muktzeh, à semelhança de figos secos e passas. Rabi responde com a mesma fórmula restritiva já conhecida da regra de Shmuel: para Rabi Shimon, o único muktzeh, fora do óleo da lâmpada, são figos secos e passas — e as datas verdes rachadas não se incluem nessa categoria.
"Datas verdes rachadas" — datas colhidas antes de amadurecerem, que se recolhem em cestos feitos de ramos de palmeira, e amadurecem por si mesmas; a dúvida é: qual é a lei quanto a comê-las antes de amadurecerem? Reconhece-se nelas muktzeh, à semelhança de figos secos e passas, ou não?
"Senão figos secos e passas" — pois nestes há dois fatores: a pessoa os rejeitou com as próprias mãos, e eles não estão aptos para consumo.
Mas Rabi não reconhece muktzeh? Ora, não ensinamos numa Mishná: não se dá de beber nem se abate os animais selvagens (em Yom Tov), mas se dá de beber e se abate os domesticados? E ensinou-se numa baraita: quais são os selvagens? Todos os que saem no Pêssach e só voltam a entrar com a chegada das chuvas. Domesticados: todos os que saem e pastam fora do limite (da cidade), e voltam e pernoitam dentro do limite. Rabi diz: estes e aqueles são domesticados. E quais são os selvagens? Todos os que pastam no descampado, e não entram no povoado nem no verão nem no inverno.
A Guemará objeta à resposta de Rabi: se ele diz que o único muktzeh de Rabi Shimon é figos secos e passas, isso implica que ele mesmo, Rabi, não reconhece muktzeh algum fora dessa regra? Mas há uma Mishná que distingue, em Yom Tov, entre animais selvagens — que não se pode dar de beber nem abater, por serem muktzeh, já que ninguém cuida deles regularmente — e animais domesticados, que se pode dar de beber e abater normalmente. Uma baraita detalha essa distinção, e Rabi a estreita ainda mais: para ele, mesmo os animais que saem no Pêssach e só retornam com as chuvas contam como domesticados, permitidos; só são selvagens, proibidos por muktzeh, os que nunca entram no povoado, nem no verão nem no inverno. Isso mostra que Rabi reconhece, sim, muktzeh — inclusive em animais — contradizendo a impressão de que só admitiria a regra restrita de figos secos e passas.
"Mas Rabi não reconhece muktzeh?" — pois se poderia pensar, já que (o filho) lhe perguntou segundo a opinião de Rabi Shimon, que ele ouvira de seu pai que este sustentava como Rabi Shimon.
"Dá-se de beber" — é costume dar de beber ao animal antes do abate, para que fique mais fácil de esfolar.
"Os selvagens" — os animais bravios.
"Com as chuvas" — no mês de Marcheshvan.
"'E estes são os selvagens: todos os que pastam no descampado'" — e estes, ao menos, são proibidos; o que mostra que ele (Rabi) reconhece muktzeh.
Se quiseres, dize: estes (animais selvagens) também se assemelham a figos secos e passas. E, se quiseres, dize (em vez disso): (quando Rabi respondeu ao filho) falou-lhe segundo as palavras de Rabi Shimon, mas ele mesmo não sustenta assim.
E, se quiseres, dize ainda: (na baraita) falou-lhes segundo as palavras dos sábios: "quanto a mim, não tenho muktzeh algum; mas, segundo vós, ao menos concordai comigo que, onde saem no Pêssach e entram com as chuvas, são domesticados." E os sábios? Disseram-lhe: não, são selvagens.
Três respostas resolvem a contradição. A primeira: mesmo Rabi Shimon reconheceria muktzeh nesses animais selvagens, pois a dificuldade de ir buscá-los no descampado os assemelha a figos e passas, que exigem esforço para trazer de volta ao uso. A segunda: quando Rabi respondeu ao filho sobre as datas verdes, falava segundo a opinião de Rabi Shimon, sem necessariamente concordar ele mesmo. A terceira, mais radical: na baraita sobre os animais, Rabi não estava de fato reconhecendo muktzeh — ele mesmo não reconhece muktzeh algum —, mas apenas argumentando com os sábios em seus próprios termos, pedindo que ao menos admitissem que animais que saem e voltam regularmente são domesticados; os sábios, porém, discordaram até desse ponto, insistindo que continuam sendo selvagens.
"Se quiseres, dize: estes" — os selvagens também se assemelham a figos secos, pois a pessoa os rejeitou com as próprias mãos (ao soltá-los no descampado), e há esforço em ir buscá-los.
"E se quiseres, dize" — aquele caso das datas verdes rachadas, (Rabi) falou segundo as palavras de Rabi Shimon, mas ele mesmo não sustenta assim.
Disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: disseram que a halachá é como Rabi Shimon. Mas será que Rabi Yochanan disse mesmo isso? Ora, não perguntou a Rabi Yochanan aquele ancião de Keruya — e, segundo outros, de Seruya —: um poleiro de galinha, qual é a lei quanto a movê-lo em Shabat? E ele lhe respondeu: acaso não foi feito senão para as galinhas? (Resposta:) aqui, do que tratamos? De um caso em que havia dentro dele um pintinho morto.
Sobre a disputa essencial entre Rabi Yehudá e Rabi Shimon acerca do muktzeh, Rabá bar bar Chana transmite, em nome de Rabi Yochanan, que se disse que a halachá segue Rabi Shimon, o mais permissivo. A Guemará objeta: um ancião perguntou ao próprio Rabi Yochanan sobre mover um poleiro de galinha em Shabat, e ele respondeu que não seria permitido, pois o poleiro só serve para as galinhas — resposta típica da posição restritiva de Rabi Yehudá, e não da permissiva de Rabi Shimon. A resposta ajusta o caso: tratava-se de um poleiro com um pintinho morto dentro, que é muktzeh por si mesmo, independentemente da disputa sobre o poleiro em geral.
Esta é a versão correta: disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: disseram que a halachá é como Rabi Shimon.
"Disseram" — os alunos da academia.
"Seruya, Keruya" — segundo o nome de seu lugar de origem.
"Acaso foi feito" — para algum uso (além das galinhas)?
"Senão para as galinhas" — portanto sua função é para o que é proibido, e é proibido movê-lo; o que mostra que ele reconhece muktzeh.
"Que havia nele um pintinho morto" — que não está apto para comer, nem apto para os cães; e, ainda que Rabi Shimon diga que se corta a carniça diante dos cães, isso só vale para (um animal) em risco de morte, cuja intenção, desde a véspera, já era destiná-lo aos cães; mas para um animal são, não; e este pintinho, que morreu no próprio Shabat, também não havia sido destinado, desde a véspera, aos cães.
Isso funciona bem segundo (a versão de) Mar bar Ameimar, em nome de Rava, que disse: Rabi Shimon concordava que animais que morreram (em Shabat) são proibidos. Mas, segundo (a versão de) Mar, filho de Rav Yosef, em nome de Rava, que disse que Rabi Shimon discordava mesmo quanto a animais que morreram, considerando-os permitidos, o que se pode dizer? Aqui, do que tratamos? De um caso em que havia dentro (do poleiro) um ovo (posto naquele mesmo dia).
A resposta anterior — pintinho morto — funciona bem para quem transmite que Rabi Shimon concorda que animais mortos em Shabat são muktzeh. Mas há outra versão da mesma tradição de Rava, segundo a qual Rabi Shimon discordava até nesse ponto, considerando até animais mortos permitidos para mover. Segundo essa versão, a resposta anterior não resolveria a objeção. A Guemará ajusta então o caso: tratava-se de um ovo posto pela galinha no próprio Shabat, que é nolad — algo que veio à existência apenas naquele dia — e por isso muktzeh mesmo para Rabi Shimon, pois ninguém pensara em usá-lo antes do Shabat.
"Isso funciona bem segundo Mar... que diz que Rabi Shimon concordava" — pois, ainda que ele diga que se corta a carniça diante dos cães, isso só vale para (um animal) em risco de morte, cuja intenção, desde a véspera, já era destiná-lo aos cães; mas ele concorda que animais, isto é, animais sãos que morreram, são proibidos — assim tua resposta funciona bem, pois, para o próprio Rabi Shimon, (o pintinho morto) não estava apto para os cães.
"O que se pode dizer?" — ora, ele estava apto para os cães (segundo essa versão).
"Que havia nele um ovo" — posto naquele mesmo dia; e Rabi Shimon concorda quanto ao nolad.
Mas não disse Rav Nachman: quem reconhece muktzeh reconhece nolad; quem não reconhece muktzeh não reconhece nolad? (Resposta:) tratava-se de um caso em que havia um ovo com um pintinho dentro.
Surge uma nova dificuldade: se Rabi Shimon, segundo essa versão, não reconhece muktzeh nem em animais mortos, ele também não deveria reconhecer nolad — pois, segundo a regra de Rav Nachman, as duas categorias andam sempre juntas, de acordo com o mesmo raciocínio subjacente. Como, então, explicar que um simples ovo posto no Shabat seria proibido para ele? A resposta final ajusta o caso ainda mais: não se tratava de um ovo comum, mas de um ovo já fecundado com um pintinho formado dentro, impróprio tanto para consumo humano quanto para os cães, por causa da casca — um caso em que até Rabi Shimon reconheceria a proibição, independentemente da disputa sobre muktzeh e nolad.
"Mas não disse Rav Nachman..." — (esta regra encontra-se) no primeiro capítulo do tratado Beitzá.
"Que havia nele um ovo com pintinho" — e o cão não o come, por causa da casca.
Quando veio Rav Yitzchak bar Rabi Yosef (da Terra de Israel), disse: Rabi Yochanan (ensinava que) a halachá é como Rabi Yehudá. E Rabi Yehoshua ben Levi dizia: a halachá é como Rabi Shimon. Disse Rav Yosef: é isso o que disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: disseram que a halachá é como Rabi Shimon — "disseram", mas ele mesmo não sustentava assim.
Chega uma nova tradição sobre o assunto: quando Rav Yitzchak bar Rabi Yosef veio da Terra de Israel para a Babilônia, transmitiu que Rabi Yochanan fixara a halachá como Rabi Yehudá, o mais restritivo; enquanto Rabi Yehoshua ben Levi, de forma independente, transmitia que a halachá segue Rabi Shimon. Rav Yosef reconcilia essa aparente contradição com a transmissão anterior de Rabá bar bar Chana: quando aquele dissera que "disseram que a halachá é como Rabi Shimon", o próprio verbo no plural, impessoal, já indicava que se tratava apenas do que os alunos da academia diziam, sem que Rabi Yochanan mesmo concordasse — confirmando, assim, que a opinião pessoal de Rabi Yochanan sempre fora a de Rabi Yehudá.
"Mas ele mesmo não sustentava assim" — para Rabi Yochanan, ele não sustentava que a halachá fosse como Rabi Shimon; e é isso o que (transmitiu) Rav Yitzchak.
Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: mas tu já não sustentavas que Rabi Yochanan seguia Rabi Yehudá (antes mesmo de ouvir isso de Rav Yitzchak)? Ora, Rabi Aba e Rabi Assi aconteceram de visitar a casa de Rabi Aba de Cheifa, e um candelabro caiu sobre a capa de Rabi Assi, e ele não o moveu. Qual é a razão? Não é porque Rabi Assi era discípulo de Rabi Yochanan, e Rabi Yochanan sustentava como Rabi Yehudá, que reconhece muktzeh?
Abaye desafia a conciliação de Rav Yosef: já havia, antes da chegada de Rav Yitzchak, um caso concreto que provava que Rabi Yochanan sustentava como Rabi Yehudá. Quando Rabi Aba e Rabi Assi visitaram a casa de Rabi Aba de Cheifa, um candelabro caiu sobre a capa de Rabi Assi, e este preferiu deixar a capa presa ali a mover o candelabro em Shabat. Como Rabi Assi era discípulo de Rabi Yochanan, esse comportamento revela que a posição de seu mestre já era conhecida como a de Rabi Yehudá, tornando desnecessária — e questionável — a reinterpretação de Rav Yosef sobre "disseram... mas ele não sustentava assim".
"Mas tu já não sustentavas" — e, antes de ouvires (a tradição) de Rav Yitzchak, já não sabias que Rabi Yochanan (seguia) Rabi Yehudá?
Respondeu-lhe: falas do candelabro? O candelabro é caso à parte. Pois disse Rabi Acha bar Chanina, disse Rabi Assi: Reish Lakish ensinou em Sidon: uma menorá que se carrega com uma mão só — é permitido movê-la; (a que se carrega) com as duas mãos — é proibido movê-la. E Rabi Yochanan disse: nós só temos (permissão) quanto à lâmpada, como Rabi Shimon; mas a menorá, seja a que se carrega com uma mão, seja a que se carrega com as duas mãos — é proibido movê-la.
Rav Yosef responde ao desafio de Abaye distinguindo entre a lâmpada de óleo comum, sobre a qual Rabi Yochanan permitia mover-se seguindo Rabi Shimon, e o candelabro (menorá), que é caso à parte, mesmo para quem segue a posição permissiva. Reish Lakish havia ensinado em Sidon uma distinção baseada no tamanho: uma menorá pequena, leve o bastante para se carregar com uma mão só, pode ser movida; mas uma grande, que exige as duas mãos, é proibida. Rabi Yochanan, porém, é ainda mais restritivo quanto à menorá: para ele, a única permissão que existe, segundo Rabi Shimon, é a da lâmpada simples de óleo — nunca a menorá, seja ela pequena ou grande, leve ou pesada. O caso do candelabro que caiu sobre a capa de Rabi Assi, portanto, não prova nada sobre a posição geral de Rabi Yochanan quanto ao muktzeh de Rabi Yehudá; prova apenas a regra especial e mais severa que ele aplicava à menorá.
"Com as duas mãos, é proibido movê-la" — como se explicará adiante o motivo: não é feita para ser movida, pois a pessoa fixa-lhe um lugar determinado.
"E Rabi Yochanan disse: nós só temos" — alguma permissão nas leis de mover lâmpadas.
"Senão na lâmpada" — apagada, como Rabi Shimon, que permite; mas quanto à menorá etc. Portanto, se não fosse pela tradição de Rav Yitzchak, não saberíamos (a posição real de Rabi Yochanan); mas agora sabemos que ele sustentava como Rabi Yehudá em tudo, exceto no muktzeh por repugnância, no caso da lâmpada apagada.
E qual é a razão (da proibição do candelabro)? Rabá e Rav Yosef, ambos disseram: porque a pessoa lhe fixa um lugar determinado. Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: mas eis a barraca do noivo, para a qual a pessoa também fixa um lugar determinado, e disse Shmuel, em nome de Rabi Chiya: a barraca do noivo… (o texto continua em 46a)
Rabá e Rav Yosef explicam a razão pela qual a menorá, ao contrário da lâmpada simples, é sempre proibida de mover: por seu porte e uso, a pessoa costuma fixar-lhe um lugar determinado dentro de casa, tornando-a como uma parte fixa da construção — de modo que movê-la equivale, em certo sentido, a desmontar parte da casa. Abaye então desafia esse próprio raciocínio: a barraca armada para o noivo é outro objeto ao qual a pessoa também fixa um lugar determinado, e, no entanto, cita um ensinamento de Shmuel, em nome de Rabi Chiya, sobre a barraca do noivo — que parece apontar para uma conclusão diferente. É exatamente neste ponto que o daf termina de forma interrompida.
O daf 45b termina em plena citação, de forma interrompida: "e disse Shmuel, em nome de Rabi Chiya: a barraca do noivo…" — sem que se registre o conteúdo do ensinamento antes da virada de folha. A continuação, no início de 46a, revela que Shmuel havia dito que é permitido armar e desarmar a barraca do noivo em Shabat — o que levaria Abaye a perguntar por que, então, o mesmo não valeria para a menorá; a Guemará responderá ali que a comparação só se sustenta para uma barraca feita de peças articuladas (chulyot), retomando a discussão sobre os limites exatos da proibição.