O daf abre completando a citação que ficara interrompida no fim de 45b: Shmuel, em nome de Rabi Chiya, ensinara que é permitido estender a barraca do noivo e é permitido desmontá-la em Shabat — o que pareceria contradizer a razão dada para proibir mover o candelabro, já que a pessoa também fixa um lugar determinado para a barraca. A Guemará responde retificando a própria objeção de Abaye: tratava-se ali de um candelabro feito de peças articuladas, que se teme desmontar e depois remontar, o que equivaleria a fabricar um utensílio — motivo diferente do "lugar fixo". Isso levanta nova pergunta sobre a razão de Reish Lakish permitir mover um candelabro pequeno com uma mão só; a resposta esclarece que "peças articuladas" significa peças com encaixes visíveis, e que tanto o candelabro grande quanto o pequeno feitos dessa forma são proibidos — o grande, mesmo que apenas pareça articulado, por decreto rabínico, para não confundir com o verdadeiro; a disputa entre os sábios limita-se ao pequeno com encaixes aparentes, onde um decreta proibição e o outro não. A Guemará então objeta à própria transmissão de que Rabi Yochanan segue Rabi Yehudá: mas não disse Rabi Yochanan que a halachá segue a Mishná anônima? E não ensinamos, sobre o carrinho de uma cama, que quando é destacável não se considera ligado a ela, não se mede com ela, não a socorre sob uma tenda de morto, e não se pode arrastá-lo em Shabat quando há moedas sobre ele — implicando que, sem moedas, seria permitido, mesmo tendo lugar fixo, à semelhança da posição permissiva de Rabi Shimon? Rabi Zeira responde ajustando o caso da Mishná: que não havia moedas sobre o carrinho durante todo o crepúsculo, para não contradizer as palavras de Rabi Yochanan. Rabi Yehoshua ben Levi transmite então que certa vez Rabi foi a Diospera e ali ensinou sobre o candelabro como Rabi Shimon ensinara sobre a lâmpada — ficando em dúvida se a permissão valia igualmente para o candelabro, ou se, pelo contrário, Rabi proibira o candelabro e apenas repetira, à parte, a permissão de Rabi Shimon quanto à lâmpada; a dúvida permanece sem solução. Seguem-se três relatos: Rav Malkia moveu uma lâmpada apagada na casa de Rabi Simlai, que se indignou; Rabi Yosei HaGelili fez o mesmo na terra de Rabi Yosei filho de Rabi Chanina, que também se indignou; e Rabi Abahu movia a lâmpada quando visitava o território de Rabi Yehoshua ben Levi, mas não a movia quando visitava o de Rabi Yochanan — o que leva a perguntar: seja qual for sua opinião, deveria agir sempre da mesma forma! A resposta é que Rabi Abahu sempre sustentava como Rabi Shimon, e só deixava de mover a lâmpada na presença de Rabi Yochanan por respeito a ele, não por convicção haláchica. Rav Yehudá então distingue entre a lâmpada de óleo, permitida, e a de nafta, proibida por seu mau cheiro; mas Rabá e Rav Yosef, ambos, permitem mover também a de nafta, pois serve para cobrir um utensílio. O daf termina com o relato de Rav Avya, que chegou à casa de Rava com os pés sujos de lama e sentou-se na cama diante dele; Rava, incomodado, quis atormentá-lo com perguntas, e indagou a razão pela qual Rabá e Rav Yosef permitiam mover a lâmpada de nafta; Rav Avya respondeu que era por servir para cobrir um utensílio, ao que Rava replicou: então todas as pedrinhas do pátio também deveriam poder ser movidas, pois também servem para cobrir um utensílio! Rav Avya respondeu que a lâmpada tem sobre si a categoria de utensílio, o que as pedras não têm — e o daf termina de forma interrompida, no meio de uma pergunta retórica introduzindo uma baraita ("não se ensinou...?"), cuja continuação aparece apenas no início de 46b.
"...é permitido estendê-la e é permitido desmontá-la em Shabat." Mas então disse Abaye: tratava-se ali de um (candelabro) feito de peças articuladas. Se assim é, qual é a razão de Rabi Shimon ben Lakish, que permite (mover um candelabro pequeno com uma mão só)?
Completa-se aqui a citação que ficara interrompida no fim de 45b: Shmuel, em nome de Rabi Chiya, ensinara que a barraca armada para o noivo pode ser estendida e desmontada livremente em Shabat — o que pareceria refutar a razão dada por Rabá e Rav Yosef para proibir mover o candelabro, pois a pessoa também fixa um lugar determinado para a barraca, e ainda assim ela é permitida. Mas Abaye retifica sua própria objeção: o motivo pelo qual aquele candelabro fora proibido não era, afinal, o "lugar fixo" — motivo que de fato se aplicaria igualmente à barraca —, mas sim que se tratava de um candelabro feito de peças destacáveis, que se teme desmontar e depois remontar, o que equivaleria a fabricar um utensílio novo, uma melachá muito mais grave. Isso, porém, levanta nova dificuldade: se a proibição é por causa do receio de desmontagem e remontagem, por que Reish Lakish permite mover um candelabro pequeno com uma mão só, se ele também poderia ser de peças articuladas?
"É permitido estendê-la" — pois a barraca comum do noivo não tem um teto de um palmo de largura, já que as varas saem para as duas cabeceiras da cama, ao centro, uma para cada lado, e se coloca uma trave de uma à outra, lançando-se a cobertura sobre ela, que se inclina para os dois lados; e, como não tem um palmo de largura, não é considerada uma "tenda", e não há nela nem construção nem demolição.
"Feita de peças articuladas" — trata-se de um candelabro de partes destacáveis; teme-se que caia, se desmonte, e a pessoa a remonte, e assim acabe fazendo um utensílio.
O que são "peças articuladas"? Algo semelhante a peças articuladas, que têm encaixes visíveis. Portanto: (um candelabro) de peças articuladas, seja grande, seja pequeno, é proibido movê-lo. Mesmo o grande que apenas tenha encaixes (sem ser de fato desmontável) — (é proibido) por decreto, para não confundir com o grande verdadeiramente de peças articuladas. Quando discordam, é a respeito do pequeno que tem encaixes (aparentes): um sábio entende que decretamos (a proibição), e o outro entende que não decretamos.
A Guemará esclarece o termo "peças articuladas": trata-se de um candelabro com encaixes ou ranhuras visíveis nas juntas, sinal de que pode ser desmontado e remontado. A regra resultante: qualquer candelabro assim construído, grande ou pequeno, é proibido de mover, pelo receio de que se desmonte e seja refeito. Até um candelabro grande que apenas tenha a aparência de encaixes, sem realmente se desmontar, é proibido por decreto rabínico, para que não se confunda com o verdadeiro candelabro grande de peças articuladas. A disputa entre os sábios — refletida na permissão de Reish Lakish para o pequeno movido com uma mão — restringe-se apenas ao candelabro pequeno com encaixes aparentes: um sábio teme que se confunda com o grande e decreta a proibição também para ele, enquanto o outro não vê necessidade desse decreto e permite.
Mas será que Rabi Yochanan disse mesmo isso (que a halachá segue Rabi Yehudá quanto ao muktzeh)? Ora, não disse Rabi Yochanan: a halachá segue a Mishná anônima? E não ensinamos: o carrinho (de rodas sob a cama), quando é destacável, não se considera ligado a ela, não se mede junto com ela, não a socorre (da impureza) sob uma tenda de morto, e não se pode arrastá-lo em Shabat quando há moedas sobre ele?
Surge nova objeção contra a transmissão de que Rabi Yochanan fixara a halachá como Rabi Yehudá: Rabi Yochanan também ensinara, como princípio geral, que a halachá segue sempre a opinião anônima de uma Mishná, sem atribuição a um sábio específico. Ora, há uma Mishná anônima sobre o carrinho de rodas que sustenta uma cama: quando é destacável da cama, não se considera parte dela para diversos efeitos — não se mede em conjunto com ela, não a protege da impureza sob uma tenda de morto — e, quanto a Shabat, só se proíbe arrastá-lo quando há moedas sobre ele. Isso parece implicar que, sem moedas, seria permitido arrastá-lo livremente, mesmo tendo a pessoa fixado nele um lugar determinado sob a cama — posição que soa como a de Rabi Shimon, o mais permissivo, e não como a de Rabi Yehudá.
"Mas será que Rabi Yochanan disse mesmo isso" — que a halachá segue Rabi Yehudá.
Ora, sem moedas sobre ele, é permitido (arrastá-lo) — mesmo que houvesse moedas sobre ele durante o crepúsculo (no início do Shabat)? Disse Rabi Zeira: que a nossa Mishná se refira a um caso em que não havia moedas sobre ele durante todo o crepúsculo, para não contradizer as palavras de Rabi Yochanan.
A Guemará aguça a objeção: segundo Rabi Yehudá, a condição de um objeto no crepúsculo que introduz o Shabat determina seu estatuto para todo o dia — se havia moedas sobre o carrinho nesse momento, ele deveria permanecer muktzeh mesmo depois removidas as moedas. A Mishná, porém, parece implicar que basta não haver moedas agora para permitir arrastá-lo, independentemente do que havia no crepúsculo — o que soaria como a posição de Rabi Shimon, que não fixa o estatuto pelo momento de entrada do Shabat. Rabi Zeira resolve reinterpretando o caso da própria Mishná: ela trata apenas da situação em que não havia moedas sobre o carrinho durante todo o período do crepúsculo, de modo que não há, de fato, contradição alguma com a posição de Rabi Yehudá transmitida por Rabi Yochanan.
"Que a nossa Mishná se refira" — a do carrinho, que ensina que sem moedas sobre ele é permitido, refere-se a um caso em que não havia moedas sobre ele durante o crepúsculo; e assim se deduz dela precisamente: a razão é que havia moedas quando entrou o dia (do Shabat, e por isso proibido); mas, sem moedas quando entrou o dia, é permitido.
Disse Rabi Yehoshua ben Levi: certa vez foi Rabi a Diospera, e ali ensinou sobre o candelabro como (ensinara) Rabi Shimon sobre a lâmpada. Ficou em dúvida para eles: "ensinou sobre o candelabro como Rabi Shimon ensinou sobre a lâmpada" — para permitir (igualmente o candelabro)? Ou talvez: ensinou sobre o candelabro para proibir, e, à parte, como Rabi Shimon, sobre a lâmpada, para permitir? Fica sem solução (teiku).
Rabi Yehoshua ben Levi transmite um relato sobre uma visita de Rabi a Diospera, onde teria ensinado sobre o candelabro "como Rabi Shimon (ensinara) sobre a lâmpada" — frase ambígua o bastante para gerar dúvida entre os próprios sábios da academia. Poderia significar que Rabi estendeu ao candelabro a mesma permissão que Rabi Shimon dava à lâmpada apagada, permitindo movê-lo livremente; ou poderia significar que Rabi, quanto ao candelabro, ensinou a proibição (como já seria de se esperar, dado o "lugar fixo"), e que a menção a Rabi Shimon se refere apenas, à parte, à permissão da lâmpada — duas leituras gramaticalmente possíveis da mesma frase transmitida. A Guemará não resolve a dúvida, e ela permanece como teiku, questão sem solução.
"A Diospera" — nome de um lugar.
"Ficou em dúvida para eles" — (será que) houve um único ensinamento, e o sentido é: ensinou sobre o candelabro para permitir, do mesmo modo que Rabi Shimon permitia quanto à lâmpada apagada? Ou talvez houve dois ensinamentos: ensinou sobre o candelabro para proibir, como dissemos a respeito das que têm encaixes e decretamos por causa das de peças articuladas, e, como Rabi Shimon, ensinou sobre a lâmpada para permitir.
Rav Malkia chegou de visita à casa de Rabi Simlai e moveu uma lâmpada (apagada), e Rabi Simlai se indignou. Rabi Yosei HaGelili chegou de visita ao território de Rabi Yosei filho de Rabi Chanina, moveu uma lâmpada, e Rabi Yosei filho de Rabi Chanina se indignou. Rabi Abahu, quando chegava de visita ao território de Rabi Yehoshua ben Levi, movia a lâmpada; quando chegava de visita ao território de Rabi Yochanan, não movia a lâmpada. Seja qual for o caso: se ele sustentava como Rabi Yehudá, que aja sempre como Rabi Yehudá; se sustentava como Rabi Shimon, que aja sempre como Rabi Shimon! Na verdade, ele sempre sustentava como Rabi Shimon, e era por respeito a Rabi Yochanan que não o fazia (em seu território).
Três relatos ilustram a prática corrente quanto a mover a lâmpada apagada em Shabat. Rav Malkia e Rabi Yosei HaGelili moveram a lâmpada em territórios alheios e provocaram a indignação de seus anfitriões — sinal de que, nesses lugares, prevalecia a posição restritiva de Rabi Yehudá. Já Rabi Abahu tinha um comportamento variável: movia a lâmpada no território de Rabi Yehoshua ben Levi, mas se abstinha no território de Rabi Yochanan. A Guemará questiona essa inconsistência aparente — se ele tem uma opinião haláchica definida, deveria mantê-la em toda parte. A resposta esclarece que não havia inconsistência de convicção: Rabi Abahu sempre sustentava, pessoalmente, como Rabi Shimon, a posição permissiva; apenas se abstinha de movê-la na presença ou no território de Rabi Yochanan por deferência e respeito ao seu mestre, sabendo que este sustentava diferente, e não porque duvidasse da própria posição.
"E moveu uma lâmpada" — uma lâmpada que se apagara.
"Na verdade, ele sempre sustentava como Rabi Shimon" — pois, se sustentasse que é proibido, não o moveria em respeito a Rabi Yehoshua ben Levi, a ponto de cometer uma transgressão.
Disse Rav Yehudá: a lâmpada de óleo é permitido movê-la (depois de apagada); a de nafta, é proibido movê-la. Rabá e Rav Yosef, ambos disseram: a de nafta também é permitido movê-la, pois, uma vez que serve para cobrir com ela um utensílio, (mantém seu estatuto de utensílio).
Rav Yehudá distingue, dentro da permissão geral para mover a lâmpada apagada, entre o tipo de combustível: uma lâmpada de óleo comum, uma vez apagada, não tem mau cheiro nem repugnância, e é permitido movê-la; já uma lâmpada que queimou nafta — cujo cheiro residual é desagradável, tornando-a repugnante para qualquer outro uso — seria proibida, por se assemelhar a um objeto rejeitado, como figos secos e passas. Rabá e Rav Yosef discordam dessa distinção: mesmo a lâmpada de nafta permanece permitida de mover, pois, apesar do mau cheiro, ela ainda serve a um propósito prático — cobrir outro utensílio, protegendo-o —, o que basta para mantê-la na categoria de utensílio útil, e não de objeto totalmente descartado.
"A lâmpada de óleo" — que queimou um azeite de óleo.
"É permitido movê-la" — depois de apagada, como (a posição de) Rabi Shimon, pois não é repugnante.
"Mas na de nafta" — que exala mau cheiro, até Rabi Shimon concorda que só serve para sua própria função (anterior, não para outra).
Rav Avya chegou de visita à casa de Rava. Estavam seus pés sujos de lama. Sentou-se na cama diante de Rava. Rava se indignou, e quis atormentá-lo (com perguntas). Disse-lhe: qual é a razão pela qual Rabá e Rav Yosef, ambos, dizem que a lâmpada de nafta também é permitido movê-la? Respondeu-lhe: porque serve para cobrir com ela um utensílio. (Perguntou Rava:) mas então, todas as pedrinhas do pátio deveriam ser movíveis, pois também servem para cobrir com elas um utensílio! Respondeu-lhe: esta (a lâmpada) tem sobre si a categoria de utensílio; estas (as pedrinhas) não têm sobre si a categoria de utensílio. Não se ensinou…
O relato final ilustra, de forma quase cômica, o método do estudo talmúdico: Rava, incomodado por Rav Avya ter se sentado à sua frente com os pés enlameados, decide "atormentá-lo" com uma pergunta difícil sobre a disputa recém-mencionada. Rav Avya responde corretamente citando a razão de Rabá e Rav Yosef — a lâmpada de nafta serve para cobrir um utensílio. Rava então desafia essa própria razão: se bastasse "servir para cobrir um utensílio" para manter o estatuto de utensílio útil, até as pedrinhas soltas de um pátio, que também poderiam servir de peso ou proteção para cobrir algo, deveriam ser permitidas de mover — o que evidentemente não é o caso, pois pedras soltas no chão são muktzeh clássico. Rav Avya distingue: a lâmpada já possui, por sua fabricação original, a categoria formal de utensílio (torat keli), e o uso de cobrir apenas prolonga essa condição já existente; já as pedrinhas nunca tiveram, desde o início, a categoria de utensílio, de modo que um uso ocasional não basta para lhes conceder esse estatuto.
"Rava se indignou" — por causa da sujeira na cama.
"E quis atormentá-lo" — com perguntas.
O daf 46a termina em plena pergunta retórica, de forma interrompida: "Não se ensinou…" — introduzindo uma baraita cujo conteúdo só aparece no início de 46b. A continuação revela que a baraita trata de braceletes, argolas de nariz e anéis, que têm o mesmo estatuto de todos os utensílios que se pode carregar num pátio em Shabat — e Ula explica que a razão é a mesma: porque também têm sobre si a categoria de utensílio, confirmando a distinção de Rava. A sequência prossegue com uma nova pergunta de Abaye a Rabá sobre o óleo restante numa lâmpada ou tigela, e a discussão sobre o muktzeh de Rabi Shimon continua a se aprofundar.