O daf abre completando a Mishná do nazireu, citada ao fim de 50a no meio da palavra "דתנן": o nazireu pode esfregar o cabelo com natrão e areia e desembaraçá-lo com os dedos, mas não pode penteá-lo com um pente, pois o pente certamente arrancaria cabelos, enquanto o esfregar e o desembaraçar apenas correm o risco de arrancá-los, sem que isso seja pretendido — o que, segundo Rabi Shimon, é permitido. Isso resolve a dificuldade levantada contra atribuir a baraita permissiva sobre utensílios de prata a Rabi Shimon: mas então por que a mesma baraita proíbe lavar o cabelo com natrão e areia, se Rabi Shimon permite a coisa que não se pretende? A Guemará responde que, na verdade, tanto a baraita que proíbe quanto a que permite são de Rabi Yehudá, e há dois tannaítas que discordam entre si sobre a opinião do próprio Rabi Yehudá: um entende que natrão e areia de fato raspam e alisam o utensílio de prata (por isso proíbe), e o outro entende que não raspam (por isso permite). Uma nova dificuldade surge: se a baraita permissiva segue Rabi Yehudá, por que ela permite lavar com natrão e areia o rosto, as mãos e os pés, se isso também arrancaria pelos do rosto? A Guemará responde que se trata de uma criança, de uma mulher ou de um eunuco, que não têm barba. A partir daí, a Guemará lista uma série de substâncias que diversos sábios consideram permitidas para lavar o rosto sem risco de arrancar pelos — pó de tijolo triturado, segundo Rav Yehudá; resíduo de gergelim, segundo Rav Yosef; pó de pimenta, segundo Rava; e berada, segundo Rav Sheshet —, com a composição exata de berada discutida entre Rav Yosef e Rav Nechemya bar Yosef. Uma pergunta sobre partir azeitonas em Shabat para extrair-lhes o azeite de lavar-se é respondida por Rav Sheshet com a proibição, por estragar o alimento, mesmo em dia de semana; a Guemará observa uma aparente contradição com a regra de Shmuel, de que se pode fazer com pão todo o necessário, resolvida pela distinção entre o pão, que não se torna repugnante, e as azeitonas partidas, que se tornam. Segue-se a história de Amemar, Mar Zutra e Rav Ashi, sentados em Shabat, aos quais trouxeram berada: Amemar e Rav Ashi lavaram-se com ele, mas Mar Zutra não, e Rav Mordechai explica que Mar Zutra não aceita essa permissão nem mesmo em dia de semana, seguindo antes a baraita que só permite coçar crostas de ferida por causa da dor, e não para se embelezar; já Amemar e Rav Ashi seguem a baraita que recomenda lavar o rosto, as mãos e os pés todo dia em honra ao Criador. O daf passa então a uma Mishná já conhecida, de Rabi Elazar ben Azarya, sobre inclinar de lado a cesta cheia de tosquia de lã em que se escondeu a panela, para retirá-la sem deslocar a lã; Rav ensina que todos concordam que, se a covinha onde a panela estava já se desfez, é proibido devolvê-la à cesta. A Guemará examina a opinião dos sábios, que permitem tirar e devolver a panela livremente, perguntando em que circunstâncias isso se aplica, e conclui que a disputa entre Rabi Elazar ben Azarya e os sábios é, na verdade, sobre se há ou não que temer que a covinha se desfaça ao se retirar a panela sem inclinar a cesta. Seguem-se três regras paralelas sobre fincar e retirar objetos de dentro de outra coisa reservada: Rav Huna, sobre uma planta aromática fincada na terra de um vaso; Shmuel, sobre uma faca fincada entre tijolos; e Mar Zutra, ou segundo alguns Rav Ashi, sobre uma faca fincada numa cerca de canas — a primeira permitida apenas se, antes de Shabat, já se fincou, retirou e fincou de novo; a segunda, na mesma condição; e a terceira, sempre permitida, sem essa exigência. O daf se fecha com Rav Mordechai trazendo a Rava uma refutação de Rav Ketina contra essas duas primeiras regras, a partir de uma Mishná sobre quem esconde nabo e rabanete sob a videira para guardá-los na terra: se parte de suas folhas ficou à mostra, não há necessidade de nenhum ato prévio de fincar e retirar — a citação da Mishná, porém, fica interrompida no meio, prosseguindo em 51a.
O nazireu (a quem é proibido cortar o cabelo) pode esfregar (o cabelo com natrão e areia) e desembaraçá-lo (com os dedos), mas não pode penteá-lo (com um pente)!
Aqui se completa a citação da Mishná sobre o nazireu, interrompida ao fim de 50a no meio da palavra "דתנן" ("pois aprendemos"). Ela ensina que, embora o pente certamente arranque cabelos — o que seria proibido a um nazireu mesmo em dia de semana — esfregar e desembaraçar com os dedos são permitidos, pois embora ocasionalmente arranquem algum cabelo, isso não é o efeito pretendido, e é apenas um risco eventual, não uma consequência certa. Segundo Rabi Shimon, que permite a coisa que não se pretende quando ela não é inevitável, isso é permitido, confirmando que ele permitiria também lavar com natrão e areia. Mas isso reabre a dificuldade: por que, então, a mesma baraita citada ao fim de 50a proíbe lavar o cabelo com natrão e areia?
"O nazireu" — em dia de semana, como qualquer pessoa em Shabat (isto é, o que é proibido ao nazireu em qualquer dia por causa do corte de cabelo, é como o que é proibido a todos apenas em Shabat por causa do manuseio).
"Esfrega" — o cabelo com natrão e areia.
"E desembaraça" — sacode o cabelo com os dedos; e, uma vez que não se pretende (arrancar cabelo), é permitido; e forçosamente é Rabi Shimon quem diz isto — logo, natrão e areia às vezes não arrancam o cabelo, e isso não se compara a "cortar-lhe a cabeça, e não morrerá?" (o caso em que o efeito é certo e inevitável).
"Mas não penteia" — com um pente, pois este certamente arranca cabelo.
Mas (na verdade), tanto esta quanto aquela (baraita) são de Rabi Yehudá, e há dois tannaítas segundo a opinião de Rabi Yehudá: este tanna, segundo Rabi Yehudá, entende que (natrão e areia) raspam (o utensílio de prata, por isso proíbe); e aquele tanna, segundo Rabi Yehudá, entende que não raspam (por isso permite).
A Guemará abandona a tentativa de atribuir a baraita permissiva a Rabi Shimon, já que ela mesma proíbe lavar o cabelo — algo que Rabi Shimon deveria permitir. Em vez disso, propõe que ambas as baraitot, a que proíbe e a que permite esfregar utensílios de prata com natrão e areia, seguem Rabi Yehudá, que proíbe a coisa que não se pretende; a diferença entre elas está numa questão fática, não numa disputa sobre o princípio: um tanna entende que natrão e areia de fato raspam e alisam a prata — um efeito colateral certo, e por isso proibido mesmo segundo Rabi Yehudá — e o outro tanna entende que, de fato, não raspam, e por isso a proibição de Rabi Yehudá simplesmente não se aplica.
"Mas tanto esta quanto aquela" — aquelas duas baraitot de antes, que discordam sobre natrão e areia, são de Rabi Yehudá; e quem proíbe entende que às vezes raspam, e Rabi Yehudá disse que a coisa que não se pretende é proibida; e quem permite entende que não raspam de modo algum, e não há aqui nenhuma questão de "alisar".
Em que a estabeleceste? Como Rabi Yehudá; então diz a parte final (dessa mesma baraita): mas (lavar) seu rosto, suas mãos e seus pés (com natrão e areia) é permitido. Mas isso não remove pelo (do rosto, que teria barba, e Rabi Yehudá deveria proibir)!
A Guemará levanta uma nova dificuldade contra a própria solução que acabou de propor: se a baraita que permite lavar com natrão e areia é mesmo de Rabi Yehudá, que proíbe a coisa que não se pretende quando ela é certa, como pode essa mesma baraita permitir lavar o rosto, as mãos e os pés — já que lavar o rosto com natrão e areia certamente arrancaria os pelos da barba, do mesmo modo que arranca o cabelo da cabeça?
Se quiseres, dize que se trata de uma criança (que ainda não tem barba); e se quiseres, dize que se trata de uma mulher; e se quiseres, dize que se trata de um eunuco.
A Guemará resolve a dificuldade com três respostas alternativas e equivalentes: a permissão de lavar rosto, mãos e pés refere-se a pessoas sem barba — uma criança, uma mulher ou um eunuco —, para as quais não existe o risco de arrancar pelo facial, e por isso a proibição de Rabi Yehudá simplesmente não se aplica a elas.
"Numa criança, numa mulher, num eunuco" — pois não têm barba.
Disse Rav Yehudá: pó de tijolo triturado é permitido (para lavar o rosto em Shabat). Disse Rav Yosef: resíduo de gergelim é permitido. Disse Rava: pó de pimenta triturada é permitido. Disse Rav Sheshet: berada é permitido.
Encerrada a discussão sobre o nazireu, a Guemará lista uma série de substâncias que diversos sábios recomendam para lavar o rosto em Shabat sem risco de arrancar pelos da barba, ao contrário do natrão e da areia, que a apenas alguns são permitidos. Rav Yehudá recomenda pó de tijolo triturado; Rav Yosef, o resíduo que sobra depois de espremido o óleo de gergelim; Rava, pó de pimenta triturada; e Rav Sheshet, uma mistura chamada berada.
"Pó de tijolo" — tijolo triturado.
"É permitido" — para lavar o rosto, mesmo a quem tem barba.
"Resíduo de gergelim" — o resíduo do gergelim (depois de espremido seu óleo).
"Pó de pimenta" — pimenta triturada.
"Berada é permitido" — para lavar o rosto.
O que é berada? Disse Rav Yosef: um terço de aloés, um terço de murta e um terço de violetas. Disse Rav Nechemya bar Yosef: onde quer que não haja maioria de aloés, está bem (mesmo que a proporção não seja exatamente de um terço).
A Guemará esclarece a composição de berada: uma mistura de três ervas em partes iguais, aloés, murta e violetas. Rav Nechemya bar Yosef discorda de Rav Yosef quanto à exatidão da proporção: não é necessário que o aloés seja exatamente um terço, basta que não constitua a maior parte da mistura, pois o aloés puro é usado para branquear e polir como o sabão, e arranca cabelo, mas diluído numa mistura sem maioria de aloés, perde esse efeito.
"Aloés" (ahala) — a raiz de uma erva chamada "ahal".
"Murta" (asa) — hadassa.
"Violetas" (sigli) — uma erva chamada, no vernáculo, "viola", que tem três folhas.
"Onde quer que não haja maioria de aloés, está bem" — mesmo que haja mais de um terço de aloés; e discorda de Rav Yosef, pois Rav Yosef disse especificamente um terço de aloés, já que o aloés serve para branquear e polir como o sabão, e arranca cabelo.
Perguntaram-lhe a Rav Sheshet: qual é a lei sobre partir azeitonas em Shabat (sobre uma pedra, para lavar-se com o azeite que escorre delas)? Disse-lhes: e acaso em dia de semana permitiram (fazer isso)? Ele entende que é proibido por causa do estrago do alimento (mesmo em dia de semana, e portanto não se pode fazê-lo nem em Shabat).
Uma nova pergunta é trazida a Rav Sheshet: seria permitido partir azeitonas em Shabat sobre uma pedra, apenas para extrair um pouco do azeite que escorre e usá-lo para lavar o rosto, sem cozinhá-las nem prepará-las para comer? Rav Sheshet responde com outra pergunta: e isso seria permitido mesmo em dia de semana? Pois, ao partir as azeitonas dessa maneira, elas se estragam e deixam de servir para consumo, o que é proibido em qualquer dia, por constituir desperdício de alimento — e, sendo proibido em dia de semana, permanece proibido também em Shabat.
"Partir azeitonas" — esmagá-las, no vernáculo, sobre uma pedra, para adoçar seu amargor (e extrair o azeite que escorre).
Digamos que (Rav Sheshet) discorda de Shmuel, que disse: uma pessoa pode fazer com o pão todo o seu necessário (mesmo que isso o estrague)! Disseram (em resposta): o pão não se torna repugnante (com o uso), mas estas (azeitonas partidas) tornam-se repugnantes.
A Guemará observa uma possível contradição entre a posição de Rav Sheshet e a regra conhecida de Shmuel, segundo a qual se pode usar pão livremente para qualquer necessidade — inclusive para limpar um utensílio ou apagar o fogo de uma panela quente — sem se preocupar com o desperdício de alimento. A resposta distingue os dois casos: o pão, mesmo usado dessa maneira, permanece limpo e não se torna repugnante, continuando apto para consumo; já as azeitonas partidas sobre uma pedra tornam-se sujas e repugnantes, perdendo por completo sua aptidão para o consumo, e por isso o desperdício se aplica a elas, mas não ao pão.
Amemar, Mar Zutra e Rav Ashi estavam sentados (em Shabat), e trouxeram diante deles berada. Amemar e Rav Ashi lavaram-se (com ele), mas Mar Zutra não se lavou. Disseram-lhe: acaso o mestre não entende como disse Rav Sheshet, que berada é permitido?! Disse-lhes Rav Mordechai: exceto quanto ao mestre (Mar Zutra), pois ele não entende assim nem mesmo em dia de semana.
A Guemará traz um episódio concreto: sentados juntos em Shabat, os três sábios receberam berada para se lavar. Amemar e Rav Ashi lavaram-se com ele, seguindo a permissão de Rav Sheshet, mas Mar Zutra absteve-se. Questionado sobre sua aparente discordância de Rav Sheshet, Rav Mordechai — presente na ocasião — explica que a abstenção de Mar Zutra não tem relação com a lei de Shabat: ele simplesmente não considera apropriado lavar-se com berada em nenhum dia, nem mesmo em dia de semana, por uma razão distinta, que será explicada a seguir.
Ele (Mar Zutra) entende como se ensinou nesta baraita: uma pessoa pode raspar crostas de excremento e crostas de ferida que estão sobre sua carne, por causa de sua dor; mas, se for para se embelezar, é proibido.
A Guemará identifica a fonte da posição de Mar Zutra: uma baraita que permite raspar crostas secas de sobre a pele apenas quando isso alivia uma dor real, mas proíbe fazê-lo com o propósito de embelezar-se. Segundo essa baraita, lavar-se com berada — que não serve para nenhuma dor, mas apenas para deixar o rosto mais agradável — constituiria um ato proibido de embelezamento, e por isso Mar Zutra evita fazê-lo em qualquer dia.
"Por causa de se embelezar é proibido" — por causa de "não vestirá o homem traje de mulher" (Deuteronômio 22:5) (pois embelezar-se é hábito considerado próprio de mulheres).
E eles (Amemar e Rav Ashi), como entendem (a questão)? Como se ensinou nesta baraita: uma pessoa pode lavar seu rosto, suas mãos e seus pés todo dia em honra ao seu Criador, pois foi dito: "Tudo o que o Eterno fez, fez para Seu próprio propósito" (Provérbios 16:4).
A Guemará explica a base da posição de Amemar e Rav Ashi: uma baraita distinta ensina que é permitido, e mesmo recomendável, lavar rosto, mãos e pés todo dia, não por vaidade, mas em honra ao Criador — pois toda coisa bela que existe no mundo proclama a glória de Quem a criou, e por isso é apropriado que a própria pessoa se apresente de modo agradável, em louvor a Deus. Sob essa ótica, lavar-se com berada não é embelezamento proibido, mas expressão dessa honra devida ao Criador.
"Em honra ao seu Criador" — em honra ao seu Criador, pois está escrito "porque à imagem de Deus fez o homem" (Gênesis 9:6); e ainda, quem vê criaturas belas diz: "Bendito Aquele que assim tem em Seu mundo".
"Tudo o que o Eterno fez, fez para Seu próprio propósito" — tudo Ele criou para Sua própria glória.
Rabi Elazar ben Azarya diz: a cesta (cheia de tosquia de lã, em que se escondeu uma panela), inclina-se de lado, e tira-se (a panela), para que não (tire-a diretamente e desloque a lã), etc. Disse Rabi Aba, disse Rabi Chiya bar Ashi, disse Rav: todos concordam que, se a covinha (onde a panela estava) já se desfez, é proibido devolvê-la.
A Guemará retoma uma Mishná já conhecida do próprio perek, sobre a cesta cheia de tosquia de lã na qual se escondeu uma panela: Rabi Elazar ben Azarya ensina que, para retirar a panela sem perturbar a lã ao redor, deve-se inclinar a cesta de lado, deixando que a lã caia para o lado, em vez de tirar a panela diretamente para cima. Rav esclarece que, mesmo segundo os sábios que discordam de Rabi Elazar ben Azarya e permitem tirar e devolver a panela livremente, todos concordam que, se as paredes da covinha onde a panela estava assentada já desabaram, não se pode devolver a panela à cesta, pois isso exigiria deslocar a lã para reabrir espaço.
"Se a covinha se desfez" — que as fibras de lã caíram no lugar onde a panela estava assentada.
"É proibido devolver" — porque isso desloca as fibras de lá para cá.
Aprendemos (na própria Mishná): e os sábios dizem: tira-se e devolve-se (a panela livremente, sem inclinar a cesta). Como se entende isso? Se a covinha não se desfez, com razão dizem os sábios (que se pode devolver, mas isso seria óbvio). Mas não seria, antes, mesmo que a covinha se tenha desfeito (e é sobre isso que discordam de Rabi Elazar ben Azarya)?
A Guemará questiona a regra recém-estabelecida por Rav: se, segundo ele, todos concordam que é proibido devolver a panela quando a covinha já se desfez, então a permissão dos sábios na própria Mishná — "tira-se e devolve-se" — não teria sentido, pois seria óbvio demais para merecer menção, aplicando-se apenas ao caso trivial em que a covinha não se desfez. Não seria mais razoável entender que a permissão dos sábios se aplica justamente ao caso em que a covinha se desfez, contradizendo a afirmação de Rav de que "todos concordam"?
"Com razão dizem os sábios" — mas então qual seria o fundamento de Rabi Elazar (que exige inclinar mesmo nesse caso)?
Não; na verdade, trata-se de quando a covinha não se desfez, e aqui discordam sobre se há que temer (que ela venha a se desfazer). Um sábio entende que há que temer que a covinha se desfaça, e o outro sábio entende que não há que temer.
A Guemará rejeita a objeção: na verdade, tanto Rabi Elazar ben Azarya quanto os sábios concordam que, se a covinha já se desfez de fato, é proibido devolver a panela — como Rav afirmou. A disputa entre eles é sobre uma preocupação preventiva: se, ao permitir tirar a panela diretamente sem inclinar a cesta, há o risco de que a própria retirada acabe desfazendo a covinha, levando a pessoa a devolvê-la mesmo assim, sem perceber a mudança. Rabi Elazar ben Azarya teme essa possibilidade, e por isso exige inclinar a cesta como precaução; os sábios não temem, e por isso permitem tirar e devolver diretamente.
"Há que temer" — se lhe permitires tirar de início a panela com a cesta em pé, às vezes a covinha se desfaz, e ele virá também a devolvê-la sem perceber; por isso os sábios instituíram inclinar a cesta de lado.
Disse Rav Huna: esta planta aromática (fincada num vaso de terra úmida) — se, antes de Shabat, a fincou, a retirou, e voltou a fincá-la — é permitido (retirá-la de novo em Shabat). E, se não (fez isso), é proibido.
A Guemará traz uma série de regras sobre objetos fincados dentro de outra coisa reservada, como terra ou tijolos. Rav Huna ensina sobre uma planta aromática, mantida fincada num vaso de terra úmida diante de nobres para que a cheirassem: se, ainda antes de Shabat, a pessoa já a fincou, retirou e voltou a fincar, esse gesto já alargou o espaço ao redor da planta, e por isso é permitido retirá-la de novo em Shabat sem se preocupar em deslocar a terra. Mas, se não fez esse gesto preparatório, retirá-la em Shabat deslocaria a terra ao redor, o que é proibido.
"Planta aromática" — uma erva agradável de ver e de cheirar; enche-se um vaso de terra úmida e finca-se ali, colocando-o diante de nobres, e quando alguém quer, tira-a, cheira-a e a devolve a seu lugar; e se, ainda de dia, a fincou na terra, a retirou e voltou a fincá-la, está bem tirá-la no dia seguinte e devolvê-la, pois o lugar de seu assento já foi alargado e alisado ainda de dia, e não desloca terra.
Disse Shmuel: esta faca (guardada) entre fileiras de tijolos — se a fincou, a retirou, e voltou a fincá-la (antes de Shabat) — é permitido (retirá-la em Shabat). E, se não, é proibido.
Shmuel aplica a mesma regra de Rav Huna a um caso paralelo: uma faca guardada entre as fileiras de tijolos de uma construção, para protegê-la. Se, ainda antes de Shabat, a pessoa já a fincou, retirou e voltou a fincar, alargando assim o espaço ao seu redor, é permitido retirá-la em Shabat; caso contrário, retirá-la deslocaria os tijolos ou a argamassa ao redor, o que é proibido.
"A faca entre fileiras de tijolos" — pois se finca a faca entre as fileiras de tijolos de uma construção, para que se conserve.
Mar Zutra, e segundo alguns Rav Ashi, disse: numa cerca de canas (fincar e retirar uma faca) está bem (sempre permitido, sem exigir o gesto preparatório de antes de Shabat).
Diferentemente dos dois casos anteriores, Mar Zutra — ou, segundo outra versão, Rav Ashi — ensina que fincar e retirar uma faca entre as canas apertadas de uma cerca viva de bambus é sempre permitido em Shabat, sem exigir nenhum gesto preparatório antes de Shabat. Como as canas crescem próximas e entrelaçadas umas às outras, não há risco de que retirar a faca desloque ou danifique a casca das canas, que poderia constituir uma transgressão de "alisar".
"Numa cerca de canas" — canas de tamareiras que brotam em grande número de um único tronco, apertadas umas às outras; está bem fincar entre elas uma faca para guardá-la, e não há que temer que se raspe a casca, tornando-se culpado por "alisar".
Disse-lhe Rav Mordechai a Rava: Rav Ketina levantou uma refutação conclusiva (contra as regras de Rav Huna e de Shmuel), a partir do que aprendemos numa Mishná: quem esconde nabo e rabanetes sob a videira (guardando-os na terra), se parte de suas folhas ficou à mostra, não precisa se preocupar…
O daf se fecha com Rav Mordechai trazendo a Rava a refutação de Rav Ketina contra as regras de Rav Huna e de Shmuel, que exigiam ter fincado, retirado e fincado novamente o objeto antes de Shabat para permitir sua retirada. Rav Ketina cita, em apoio, uma Mishná sobre quem esconde nabo e rabanete sob uma videira para guardá-los na terra: se parte de suas folhas permanece à mostra acima da terra, não há necessidade de nenhum gesto preparatório — pode-se puxá-los pelas folhas visíveis sem se preocupar em deslocar a terra ao redor, contradizendo, à primeira vista, a exigência de Rav Huna e de Shmuel. A citação da Mishná, porém, é interrompida exatamente neste ponto, no meio da frase, com o texto de 50b terminando em "אֵינוֹ חוֹשֵׁשׁ" ("não precisa se preocupar"). A continuação da própria Mishná — explicando que isso vale "não por causa de diversidade de espécies (kilayim), nem por causa do ano sabático, nem por causa do dízimo, e pode-se movê-los em Shabat" — e a palavra final "תְּיוּבְתָּא" ("é uma refutação conclusiva"), que fecha o argumento de Rav Ketina, aparecem apenas no início de 51a.
"Rav Ketina levantou uma refutação conclusiva" — contra aqueles sábios que dizem que, se não fincou e retirou antes, é proibido.
"Quem esconde nabo" — para conservá-lo na terra, pois este é seu costume; e o fato de mencionar "parte de suas folhas à mostra" é dito por causa de poder movê-los em Shabat, e não por nenhum outro motivo — pois, se nenhuma parte de suas folhas está à mostra, não há por onde segurá-los, a não ser deslocando a terra com as mãos.