O daf abre completando a frase interrompida ao fim de 52a: a Mishná sobre os diferentes tipos de anéis ensina que o anel de pessoa é impuro, mas o anel de animal, o de utensílios e os demais anéis são puros. Essa conclusão parece contradizer a Mishná de abertura do perek, que mandara aspergir e imergir as coleiras dos animais quando impuras — o que pressupõe que elas são, sim, suscetíveis à impureza. A Guemará propõe duas soluções: Rabi Yitzchak Nafcha explica que a Mishná das coleiras trata de um caso em que o anel fora originalmente feito para adorno de pessoa, tornando-se impuro nesse uso, e só depois foi transferido para o animal — sendo a impureza anterior que precisa ser removida pela imersão; Rav Yossef propõe, em vez disso, que o simples fato de a pessoa puxar o animal por esses anéis já os torna, por si, utensílios de uso humano, comparando-os à vara de metal com que se conduz um camelo. A Guemará então enfrenta uma nova objeção: se o anel está firmemente preso à coleira, não haveria aí uma interposição (chatzitzah) que invalida a imersão? Rabi Ami responde que a Mishná trata do caso em que o anel foi soldado à coleira, eliminando qualquer intervalo. A Guemará pergunta se isso alinha Rabi Ami com Rav Yossef — pois, segundo Rabi Yitzchak Nafcha, a própria soldagem seria uma mudança de ação que já removeria a impureza anterior — mas conclui que Rabi Ami pode seguir também Rabi Yitzchak Nafcha, se entender, como Rabi Yehudá, que uma mudança de ação feita para consertar (e não para estragar) não remove a impureza. Uma baraita oferece ainda uma terceira via: os anéis em questão já eram ocos e largos desde o início, sem necessidade de soldagem alguma. A Guemará narra então o episódio de um aluno da Galileia Superior que ouvira dizer que se distingue entre um anel e outro, e entre uma agulha e outra, e perguntou a Rabi Eliezer sobre o alcance dessa distinção; a cada resposta de Rabi Eliezer, uma objeção a partir de outra Mishná ou baraita obriga a restringir ainda mais o âmbito da distinção — do anel de pessoa em geral ao anel de dedo, e deste ao anel inteiramente de metal; da agulha em geral à agulha inteira, desta à agulha polida sem ferrugem, e desta, por fim, segundo a explicação de Abaye em nome de Rava, às agulhas ainda em bruto, que ainda não foram perfuradas. O daf se fecha com uma nova Mishná, ainda dentro do mesmo perek: o jumento sai com sua manta em Shabat, desde que ela esteja atada a ele; os carneiros machos saem com o coração perfurado; as ovelhas saem "shechuzot", "kevulot" e "kvunot"; e as cabras saem com os úberes amarrados. Rabi Yossei proíbe todos esses casos, exceto as ovelhas "kvunot"; e Rabi Yehudá distingue, quanto às cabras, entre amarrar os úberes para secá-los — permitido, pois o amarrado é firme — e amarrá-los para conter o leite — proibido, pois o amarrado é mais frouxo e pode cair.
O anel de pessoa — é impuro; e o anel de animal, de utensílios, e os demais anéis — (agora se completa) são puros.
Completa-se aqui a Mishná citada e interrompida ao fim de 52a. Apenas a última palavra, "טְהוֹרוֹת" ("são puras"), pertence de fato a este daf; todo o resto da frase já fora citado em 52a. Com essa conclusão, fecha-se a objeção que a Guemará levantara contra a Mishná de abertura do perek: se o anel de animal (como o de uma coleira) é, por definição, puro — isto é, não suscetível a receber impureza ritual —, por que a Mishná sobre as coleiras mandara aspergir sobre elas as águas de purificação e imergi-las em seu próprio lugar, algo que só faz sentido se elas puderem, de fato, tornar-se impuras? Essa contradição aparente é o que a Guemará passa a resolver nos beats seguintes.
"São puras" — pois não se tornam impuras por serem adorno, já que não há adorno para utensílio, e elas mesmas não passam de adorno do próprio utensílio; mas, enquanto ligadas ao utensílio, tornam-se impuras junto com ele, pois são como uma alça do utensílio — tudo o que está ligado a ele é como ele mesmo.
Disse Rabi Yitzchak Nafcha: (a Mishná das coleiras trata do caso em que os anéis) vêm do adorno de pessoa para o adorno de animal.
Rabi Yitzchak Nafcha propõe a primeira solução para a aparente contradição: a Mishná que manda aspergir e imergir a coleira não fala de um anel que sempre serviu ao animal — esse, de fato, jamais se tornaria impuro, sendo puro adorno de utensílio. Ela fala, isto sim, de um anel que fora originalmente feito e usado como adorno de uma pessoa (por exemplo, num dedo ou preso a uma roupa), e que, enquanto pertencia à pessoa, contraiu impureza — sendo o anel de pessoa, por definição, suscetível a ela. Só depois desse anel foi retirado do uso pessoal e dado ao animal, como parte de sua coleira. Nesse caso, embora o anel já não receba nova impureza como adorno de animal, a impureza anterior, contraída enquanto era adorno de pessoa, permanece nele e precisa ser removida por imersão, para que não contamine objetos puros que viessem a tocá-lo.
"Quando vêm do adorno de pessoa para o adorno de animal" — a Mishná trata de um caso em que essa coleira foi feita para adorno de pessoa e, enquanto pertencia à pessoa, se tornou impura, e depois de sua impureza a deram ao animal; e é preciso imergi-la de sua impureza anterior, para que não toque em objetos puros.
E Rav Yossef disse: (a coleira é suscetível à impureza) porque a pessoa puxa por eles o animal. Não se ensinou acaso: a vara do animal, se de metal, recebe impureza? Qual o motivo? Porque a pessoa o conduz com ela. Aqui também: porque a pessoa puxa por eles.
Rav Yossef propõe uma solução diferente, sem precisar recorrer a uma origem no adorno de pessoa. Para ele, o próprio fato de a pessoa usar os anéis da coleira para puxar e conduzir o animal já é suficiente para torná-los, em si, um utensílio de uso humano — e todo utensílio de uso humano é suscetível à impureza, mesmo estando preso a um animal. Ele traz uma prova: foi ensinado numa baraita que a vara de metal usada para conduzir e disciplinar um animal (como o camelo) recebe impureza; e o motivo dado é justamente que a pessoa a utiliza para dirigir o animal. Da mesma forma, os anéis da coleira, sendo usados pela pessoa para puxar o animal, também recebem impureza — sem que seja necessário que tenham antes servido de adorno pessoal.
"Porque a pessoa puxa por eles o animal" — considera-se, com isso, um utensílio de uso da própria pessoa.
"A vara do animal" — com que se conduz o camelo ou a camela, ou ainda algo semelhante ao que se faz para guiar o urso.
"De metal" — pois, se fosse de madeira, sendo um utensílio simples de madeira, não receberia impureza.
"Qual o motivo" — afinal, é para necessidade do animal.
"Conduz" — golpeia-o e o disciplina.
"E imergem-nas em seu lugar": mas não há aí uma interposição (que invalidaria a imersão)?
A Guemará levanta uma nova dificuldade contra a própria cláusula da Mishná que permite imergir a coleira "em seu lugar" — isto é, sem removê-la do animal ou desmontá-la. Para que uma imersão seja válida, a água precisa envolver todo o objeto impuro, sem qualquer barreira (chatzitzah) entre eles. Mas, se o anel da coleira está fixado com força ao restante da peça metálica, a própria junção apertada entre o anel e a coleira poderia impedir que a água penetre completamente naquele ponto de contato — constituindo uma interposição que invalidaria a imersão, mesmo realizada "em seu lugar".
Disse Rabi Ami: (a Mishná trata do caso) em que os soldou.
Rabi Ami responde à objeção explicando que a Mishná trata especificamente do caso em que o anel foi soldado à coleira — isto é, o ourives martelou o metal no ponto de junção até que ele se expandisse e envolvesse completamente o anel, eliminando qualquer fresta ou intervalo entre as duas peças. Nesse caso, não há interposição alguma a temer, pois não existe mais um espaço vazio onde a água deixaria de penetrar: o anel e a coleira formam, na prática, uma única peça contínua de metal.
"Mas não há aí uma interposição?" — pois o anel fixado na coleira está preso a ela com força, e a água não penetra ali.
"Em que os soldou" — golpeou com o martelo até que se alargasse e o buraco se afastasse ao redor.
Diríamos (então) que Rabi Ami entende como Rav Yossef? Pois, se (entendesse) como Rabi Yitzchak Nafcha, que disse: (a coleira impura é a que) vem do adorno de pessoa para o adorno de animal — já que a soldou, fez nela um ato, e a impureza voou para longe dela.
A Guemará observa uma tensão entre a resposta de Rabi Ami e a primeira das duas explicações anteriores. Se Rabi Ami entendesse a Mishná das coleiras como Rabi Yitzchak Nafcha — segundo o qual a impureza vem de um uso anterior como adorno de pessoa —, então o próprio ato de soldar o anel à coleira já deveria ter removido essa impureza antiga, pois soldar é um "ato" físico real sobre o objeto, uma mudança de forma que costuma bastar para purificar um utensílio que já não serve mais ao seu uso original. Se assim fosse, não haveria mais necessidade de imersão alguma depois da soldagem — o que contradiz a Mishná, que ainda exige a imersão "em seu lugar". Por isso, a Guemará propõe que Rabi Ami deve entender a Mishná como Rav Yossef, para quem a impureza vem do próprio uso atual (a pessoa puxando o animal por ali), e não de um passado como adorno pessoal — de modo que a soldagem, por si só, não teria por que remover uma impureza que nem sequer depende de uma origem anterior.
"Entende como Rav Yossef" — que disse: mesmo sendo do animal, elas também recebem impureza, porque a pessoa puxa por elas; portanto, quando as soldou depois da impureza, ainda permanecem em seu estado, e a impureza não voou para longe delas, pois ainda servem ao animal.
"Pois, se entendesse como Rabi Yitzchak" — que disse que só recebem impureza enquanto pertencem à pessoa: essa impureza que receberam enquanto pertenciam à pessoa, uma vez soldadas e já não sendo mais próprias para a pessoa, deixam de ser consideradas adorno e se purificam de sua impureza.
Pois aprendemos: todos os utensílios descem à sua impureza pelo pensamento, e não ascendem de sua impureza senão por mudança de ação!
A Guemará traz uma dificuldade adicional contra a própria conclusão do beat anterior. Uma Mishná (de Keilim) ensina um princípio geral: um utensílio se torna sujeito à impureza assim que seu dono, mesmo sem qualquer ato físico, apenas pensa em deixá-lo pronto para uso em sua forma atual — basta a intenção para "descer" à condição de impureza; mas, uma vez impuro, ele só "ascende" de volta à pureza (ou muda de categoria de utensílio) através de uma mudança de ação real, um ato físico que o transforme. Se a soldagem é, sem dúvida, um ato físico desse tipo, por que não bastaria, então, para remover a impureza anterior segundo Rabi Yitzchak Nafcha — reabrindo a dificuldade do beat anterior?
Ele (Rabi Ami) entende como Rabi Yehudá, que disse: ação para consertar não é considerada ação (que remove a impureza). Pois foi ensinado: Rabi Yehudá diz: não se disse "mudança de ação" a respeito de consertar, senão a respeito de estragar.
A Guemará resolve a dificuldade explicando que nem toda mudança física conta como "mudança de ação" para fins de remover a impureza — Rabi Yehudá distingue entre uma mudança feita para consertar e melhorar o utensílio (letaken) e uma mudança feita para estragá-lo ou desmontá-lo (lekalkel): apenas esta última é considerada uma verdadeira mudança de ação que retira o objeto de sua condição de impureza anterior. Ora, soldar o anel à coleira é precisamente um conserto — um aperfeiçoamento do objeto para seu novo uso, prendendo-o com segurança ao animal —, e não um ato de estragar ou desfazer sua forma. Por isso, mesmo se Rabi Ami entendesse a Mishná das coleiras segundo Rabi Yitzchak Nafcha (impureza vinda de um uso anterior como adorno de pessoa), a soldagem, sendo mero conserto, não bastaria para remover essa impureza antiga — de modo que a imersão continuaria necessária, e a conclusão do beat 06 (de que Rabi Ami precisaria seguir Rav Yossef) deixa de ser a única possibilidade.
"Descem à sua impureza pelo pensamento" — pois, depois que pensou sobre ele que o deixaria como está agora, e não acrescentaria outro reparo, isso é a conclusão de seu trabalho, e recebe impureza.
"E não ascendem de sua impureza" — pois, depois que pensou sobre o couro fazer dele um tapete, ele desceu à impureza; e se voltou a pensar sobre ele fazer correias e sandálias, não deixa por isso de ser considerado utensílio, nem se purifica assim, até que aplique nele o buril, o que é mudança de ação; mas por mudança de ação, sim, ele ascende de sua impureza.
"Para consertar" — e este é o seu conserto, para necessidade do animal.
"Não é considerada ação" — para anular a condição de utensílio.
Numa baraita foi ensinado: (a Mishná das coleiras trata do caso) de anéis ocos (desde o início).
A Guemará traz uma terceira via de resolução, independente da soldagem: uma baraita ensina que a Mishná das coleiras trata de anéis que já foram fabricados ocos e largos desde a origem, com um espaço propositalmente aberto na junção entre o anel e a coleira — de modo que a água sempre teve acesso livre a todo o objeto, sem necessidade de qualquer ato posterior de soldagem para eliminar uma interposição. Essa explicação evita por completo a discussão sobre se a soldagem conta como mudança de ação, resolvendo a dificuldade da chatzitzah de outra maneira.
"Refere-se a anéis ocos" — desde o início foram feitos ocos e largos, de modo que há um espaço em sua junção, pois colocou um anel dentro do outro, tal como é largo.
Um aluno da Galileia Superior perguntou a Rabi Eliezer: ouvi dizer que se distingue entre um anel e outro. Disse-lhe: talvez tenhas ouvido isso apenas quanto a Shabat; pois quanto a impureza, este e aquele são a mesma coisa.
A Guemará passa a narrar um episódio didático: um aluno vindo da região da Galileia Superior ouvira, em algum lugar, que a halachá distingue entre um tipo de anel e outro, mas não sabia especificar em que sentido essa distinção se aplicava, e trouxe a dúvida a Rabi Eliezer. Este responde, num primeiro momento, de forma ampla: talvez a distinção que o aluno ouvira se referisse apenas às leis de Shabat — pois, quanto a carregar objetos em Shabat, de fato há diferenças relevantes entre tipos de anéis (como se verá adiante, no capítulo "Bameh Ishah") —, mas, quanto à impureza ritual, todos os anéis seriam, segundo essa primeira resposta, equivalentes entre si, sem distinção alguma.
E quanto a impureza, são realmente este e aquele a mesma coisa? Mas não aprendemos: o anel de pessoa é impuro, e o anel de animal, de utensílios e os demais anéis são puros! (Resposta:) quando ele (Rabi Eliezer) lhe disse isso, também se referia ao anel de pessoa (isto é, à distinção dentro da própria categoria do anel de pessoa).
A própria Guemará objeta contra a resposta ampla de Rabi Eliezer: como pode ele dizer que, quanto à impureza, todos os anéis são a mesma coisa, se acabamos de aprender, na Mishná que fecha o daf anterior, que o anel de pessoa é impuro, mas o anel de animal e o de utensílios são puros — uma distinção clara quanto à impureza? A Guemará responde que a afirmação de Rabi Eliezer deve ser entendida de modo mais restrito: quando disse ao aluno que "este e aquele são a mesma coisa" quanto à impureza, ele não se referia a todos os anéis em geral, mas apenas à distinção dentro da categoria do anel de pessoa — ou seja, entre os diferentes tipos de anéis que uma pessoa usa como adorno, esses sim, seriam todos equivalentes entre si quanto à impureza (embora distintos quanto a Shabat).
"Que se distingue" — há distinção em suas leis, e não sei qual é essa distinção.
"Senão quanto a Shabat" — quanto a carregar em Shabat, há distinção entre o anel que tem selo e o que não tem selo, como se dirá adiante, no capítulo "Bameh Ishah" (Shabat 59a).
"Este e aquele são a mesma coisa" — todos os anéis têm a mesma lei.
"Quando ele lhe disse isso, também" — este e aquele são a mesma coisa.
E quanto ao anel de pessoa, são este e aquele a mesma coisa? Mas não se ensinou: o anel que se preparou para cingir com ele os quadris, ou para atar com ele entre os ombros — é puro, e só disseram impuro quanto ao (anel) de dedo somente! (Resposta:) quando ele lhe disse isso, também se referia ao anel de dedo.
A objeção se restringe ainda mais: mesmo dentro da categoria do anel de pessoa, não é verdade que todos sejam iguais quanto à impureza, pois uma baraita ensina que o anel preparado para servir de fivela — prendendo um cinto na cintura, ou uma correia entre os ombros como uma espécie de alça ou suspensório — é puro, e que só o anel usado no dedo é considerado impuro. A resposta reduz ainda mais o alcance da afirmação original de Rabi Eliezer: ele se referia especificamente à distinção dentro da categoria do anel de dedo — entre os diferentes tipos de anel de dedo, esses sim seriam equivalentes quanto à impureza.
"Que se preparou para cingir com ele os quadris" — que a fixou na ponta de uma correia e a fez como uma espécie de fivela, como se faz para as selas dos cavalos.
"Ou para atar com ele entre os ombros" — as casas de seus braços, um suspensório.
"É pura" — pois volta a ser como o anel de utensílios, e não se compara à pessoa que puxa por eles, já que aqui nada se usa dele; ele apenas está posto e destinado à correia; mas junto com a correia recebe impureza; se, porém, alguém o removesse e o recolocasse, não receberia impureza por si mesmo.
"Referia-se ao anel de dedo" — e quanto a Shabat há distinção.
E quanto ao anel de dedo, são este e aquele a mesma coisa? Mas não aprendemos: o anel de metal cujo selo é de coral — é impuro; se ele é de coral e seu selo é de metal — é puro! (Resposta:) quando ele lhe disse isso, também se referia ao anel inteiramente de metal.
Uma terceira objeção restringe ainda mais a afirmação: mesmo entre os anéis de dedo, há distinção conforme o material — se o aro do anel é de metal e apenas o selo (a parte gravada) é de coral, o anel inteiro é impuro, pois se segue o material do aro; mas se o aro é de coral e apenas o selo é de metal, o anel é puro, pois se trata, no fundo, de um utensílio simples de madeira (coral), que não é suscetível à impureza. A resposta final restringe a afirmação de Rabi Eliezer ao caso do anel inteiramente feito de metal: apenas entre variações desse tipo específico de anel — todo de metal — é que valeria dizer que, quanto à impureza, todos são a mesma coisa.
"Coral" — madeira de corais, que é bela.
"É impuro" — pois seguimos o aro do anel, e utensílios simples de metal são impuros.
"Se ele é de coral, é puro" — pois é um utensílio simples de madeira.
E perguntou ainda: ouvi dizer que se distingue entre uma agulha e outra. Disse-lhe: talvez tenhas ouvido isso apenas quanto a Shabat, pois quanto a impureza, este e aquele são a mesma coisa.
O mesmo aluno traz a Rabi Eliezer uma segunda dúvida, análoga à primeira, mas agora sobre agulhas: ouvira dizer que a halachá distingue entre um tipo de agulha e outro, sem saber precisar o âmbito dessa distinção. Rabi Eliezer responde, mais uma vez, de forma inicialmente ampla: talvez essa distinção se refira apenas às leis de Shabat (quanto a carregar a agulha, adiante se verá que há diferença entre a agulha perfurada e a não perfurada), mas, quanto à impureza, todas as agulhas seriam equivalentes. Como no caso dos anéis, essa resposta ampla será sucessivamente restringida por objeções.
E quanto a impureza, são realmente este e aquele a mesma coisa? Mas não aprendemos: a agulha cujo furo ou cuja ponta foram retirados — é pura! (Resposta:) quando ele lhe disse isso, referia-se à agulha inteira.
A Guemará objeta contra a resposta ampla de Rabi Eliezer com o mesmo padrão usado para os anéis: uma Mishná ensina que a agulha da qual se retirou o furo (o orifício por onde passa a linha) ou a ponta (o aguilhão) deixa de ser considerada um utensílio completo e se torna pura — mostrando que nem todas as agulhas são equivalentes quanto à impureza. A resposta restringe a afirmação: Rabi Eliezer se referia apenas à agulha inteira e intacta, sem partes retiradas; apenas entre variações desse tipo de agulha — completa — é que todas seriam a mesma coisa quanto à impureza.
"Seu furo" — o orifício dela.
"Sua ponta" — o aguilhão.
E quanto à agulha inteira, são este e aquele a mesma coisa? Mas não aprendemos: a agulha que criou ferrugem, se esta atrapalha a costura — é pura, e se não — é impura; e disseram na escola de Rabi Yanai: e isso quando seu vestígio é perceptível! (Resposta:) quando ele lhe disse isso, referia-se à agulha polida.
A objeção se restringe ainda mais: mesmo entre agulhas inteiras, há distinção conforme o estado da ferrugem — se a ferrugem já é suficiente para atrapalhar a costura, a agulha deixa de ser um utensílio útil e se torna pura; se não atrapalha, permanece impura; e a escola de Rabi Yanai precisa ainda que isso depende de o vestígio (da agulha, ou da ferrugem, conforme a leitura) ser perceptível. A resposta restringe a afirmação de Rabi Eliezer à agulha polida, sem ferrugem alguma: apenas entre variações desse tipo de agulha — lisa e sem sinal de ferrugem — é que todas seriam a mesma coisa quanto à impureza.
"Ferrugem" — em francês antigo, "rouille".
"E isso quando seu vestígio é perceptível" — o vestígio da agulha é perceptível, o que a torna um utensílio, e impura; outra versão: o vestígio da ferrugem é perceptível no tecido, isto sendo o que atrapalha a costura, e ela é pura.
"Polida" — limada com a lima que chamam "lima", uma ferramenta de polir, sem ferrugem alguma.
E quanto à agulha polida, são este e aquele a mesma coisa? Mas não se ensinou: a agulha, seja perfurada, seja não perfurada, é permitido movê-la em Shabat, e não dissemos "perfurada" senão quanto a impureza somente!
A Guemará levanta uma última objeção, aparentemente ainda mais forte: uma baraita ensina que, quanto a Shabat, tanto faz se a agulha tem furo ou não — ambas podem ser movidas livremente no pátio, pois ambas servem, por exemplo, para tirar um espinho da pele; a distinção entre "perfurada" e "não perfurada" só é relevante quanto à impureza (a perfurada, sendo utensílio completo para costurar, recebe impureza; a não perfurada, não). Isso parece contradizer diretamente a resposta anterior, que já havia restringido a afirmação de Rabi Eliezer à agulha polida (sem ferrugem) — pois agora se descobre que, mesmo entre agulhas polidas, há uma distinção adicional (perfurada versus não perfurada) quanto à impureza, exigindo uma restrição ainda maior.
"É permitido movê-la em Shabat" — no pátio, pois serve para tirar um espinho, e tem sobre si a condição de utensílio.
"E não dissemos 'perfurada'" — distinguindo-a em suas leis — senão quanto a impureza somente: pois a perfurada recebe impureza, e a não perfurada, não.
Isto, Abaye já o explicou segundo Rava: refere-se às agulhas ainda em bruto (gulmei).
A Guemará resolve a última objeção observando que ela já fora explicada alhures, por Abaye em nome de Rava (no capítulo "Kol HaKelim"): a baraita que permite mover em Shabat tanto a agulha perfurada quanto a não perfurada refere-se especificamente a agulhas em bruto (gulmei) — peças recém-cortadas do fio de metal, ainda destinadas a ser perfuradas, cujo trabalho de fabricação não terminou. Enquanto não perfurada, uma peça bruta desse tipo ainda não é considerada um utensílio completo, e por isso não recebe impureza; mas, quanto a Shabat, ela já pode ser movida, pois o dono às vezes muda de ideia e decide deixá-la como está, usando-a para tirar espinhos. Já uma agulha cujo trabalho de fabricação já terminou — como um alfinete de adorno, que nunca se destinou a ser perfurado — não tem essa distinção: quanto à impureza, perfurada ou não, é a mesma coisa, exatamente como afirmara Rabi Eliezer, restringindo agora corretamente sua resposta original às agulhas acabadas, e não às ainda em bruto.
"Isto, Abaye já o explicou" — no capítulo "Kol HaKelim".
"Refere-se às agulhas em bruto" — que é uma peça bruta recém-cortada do fio, ainda destinada a ser perfurada; é nesse caso que, enquanto não foi perfurada, não recebe impureza, pois seu trabalho ainda não terminou, e quanto à impureza está escrito "utensílio de trabalho" (Números 31:51), isto é, que terminou todo o seu trabalho; mas quanto a Shabat é permitido movê-la, pois às vezes muda de ideia a seu respeito e a deixa assim, tornando-a um utensílio para tirar espinho. Mas a agulha cujo trabalho já terminou, como um alfinete que não se destina a ser perfurado, este e aquele são a mesma coisa quanto à impureza.
O jumento sai com a manta (mardaat), quando ela está atada a ele. Os carneiros machos saem com o coração perfurado (levuvim). As ovelhas saem "shechuzot", "kevulot" e "kvunot". As cabras saem com os úberes amarrados. Rabi Yossei proíbe em todos estes casos, exceto nas ovelhas "kvunot".
Uma nova Mishná, ainda dentro deste mesmo perek (Bameh Behemah), trata de mais casos de animais e seus acessórios em Shabat. O jumento pode sair com sua manta (mardaat — uma espécie de coberta deixada sobre ele o dia todo para aquecê-lo, já que, dizem, o jumento sente frio mesmo no calor do verão), desde que ela esteja atada a seu corpo, para que não caia e seja carregada; a Guemará explicará essa condição em 53a. Os carneiros machos podem sair com uma perfuração no peito (levuvim), cuja razão a Guemará também explicará adiante. As ovelhas podem sair em três condições descritas pelos termos técnicos "shechuzot", "kevulot" e "kvunot" — também a serem explicados na continuação da Guemará. As cabras podem sair com os úberes amarrados, prática usada tanto para secar o leite (impedindo que continuem a produzi-lo) quanto para retê-lo (evitando que pingue no chão, amarrando-se uma pequena bolsa nos úberes). Rabi Yossei, porém, proíbe todos esses casos, considerando-os carga, exceto o das ovelhas "kvunot", cujo propósito — preservar a lã limpa — equivale, para ele, a um adorno, e não a uma carga.
"Manta" (mardaat) — uma espécie de coberta, que se deixa o dia todo sobre o jumento para aquecê-lo, pois dizem as pessoas: o jumento sente frio até mesmo no solstício de verão (tekufat Tamuz).
"Quando ela está atada a ele" — a Guemará explicará.
"Machos" — carneiros.
"'Levuvim', 'shechuzot', 'kevulot' e 'kvunot'" — a Guemará explicará.
"Amarrados" — seus úberes são amarrados: às vezes para secá-los, apertando-os para que não continuem a produzir leite e engravidem, ou para que engordem para o consumo; e às vezes para reter o leite, para que não pingue no chão, amarrando-lhes uma bolsa nos úberes.
"Exceto nas ovelhas 'kvunot'" — pois isso é para preservar sua lã, que não se suje, e para elas é considerado adorno.
Rabi Yehudá diz: as cabras saem com os úberes amarrados para secar, mas não para conter o leite.
Rabi Yehudá propõe uma distinção dentro do próprio caso das cabras de úbere amarrado, concordando com o primeiro tanna (que não considera essa prática, em geral, uma carga proibida) apenas em parte: quando o amarrado é feito para secar o leite, o nó é apertado com firmeza, e não há receio de que se solte e caia, levando o dono a carregá-lo pela rua; mas quando o amarrado é feito apenas para reter o leite (evitando que pingue), o nó costuma ser mais frouxo, para não incomodar o animal, e por isso há receio real de que caia — nesse caso, Rabi Yehudá proíbe. Com esta distinção final de Rabi Yehudá, encerra-se o daf, cujo último segmento no texto original é justamente esta frase — um ensinamento fechado e completo, sem qualquer interrupção: a continuação do tratado, em 53a, abre com a Guemará sobre esta mesma Mishná, começando pela condição de a manta do jumento estar atada "desde a véspera de Shabat".
"Saem com os úberes amarrados para secar" — Rabi Yehudá entende como o primeiro tanna, que isso não é carga; mas, para secar, como se aperta bem, não há receio de que caia e venha a trazê-lo; já para conter o leite, como não se aperta tão bem, há receio disso.