O daf abre com uma objeção formal contra o ensinamento de Rav Ami, que fechara 55a afirmando que não há morte sem pecado nem sofrimento sem iniquidade: os anjos ministradores, segundo uma baraita, já haviam perguntado a Deus por que decretara a morte sobre Adão por um único preceito leve transgredido, ao que Deus respondera com o versículo de Eclesiastes sobre o mesmo destino do justo e do ímpio — implicando que a morte não depende do próprio pecado, já que Moshé e Aharon, que cumpriram toda a Torá, também morreram. A Guemará resolve a contradição atribuindo a posição de Rav Ami à opinião de Rabi Shimon ben Elazar, segundo a qual até Moshé e Aharon morreram por seu próprio pecado, o de não terem crido o suficiente diante da rocha. Uma segunda objeção, porém, é mais difícil de resolver: uma baraita enumera quatro pessoas — Binyamin, Amram, Yishai e Kilav — que morreram apenas por causa do pecado original da serpente, sem pecado próprio algum, com prova textual de que Yishai é chamado "filho de Nachash". Identificada essa baraita como a mesma opinião de Rabi Shimon ben Elazar, conclui-se que ele próprio admite haver morte sem pecado e sofrimento sem iniquidade — uma refutação conclusiva da tese de Rav Ami. A sugya muda então de direção, dedicando-se a defender a inocência de figuras bíblicas cujos atos pareciam pecaminosos: Rabi Shmuel bar Nachmani, em nome de Rabi Yonatan, ensina que Reuven não pecou ao "deitar-se" com Bilhá, mas apenas revolveu o leito de seu pai em protesto pela honra de sua mãe Leá, com a versão adicional de que revolveu dois leitos, o de seu pai e o da própria Shechiná; segue-se uma disputa tanaítica sobre o acróstico "pachaz kamayim al totar", com leituras opostas — para Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, prova de pecado; para Rabban Gamliel, Rabi Elazar HaModai, Rava e Rabi Yirmeya bar Abba, prova de arrependimento sem consumação do pecado. A mesma defesa se estende aos filhos de Eli, Chofni e Pinchas: seguindo a opinião de Rav de que Pinchas não pecou — sustentada pela linhagem sacerdotal ininterrupta até seu bisneto Achiya e por um versículo de Malaquias sobre a descendência dos que transgridem —, a Guemará resolve quatro desafios textuais que pareciam implicar ambos os irmãos no plural (yishkevun, banai, ma'avirim, benei beliyaal), lendo cada um no singular como referente apenas a Chofni; quanto a Pinchas, sua única falha foi não ter repreendido o irmão, o que a Escritura lhe atribui como falta própria. O daf fecha com a abertura interrompida de um novo ensinamento de Rabi Shmuel bar Nachmani sobre os filhos de Shmuel, cuja frase segue cortada no meio, continuada logo no início de 56a.
Objetam: disseram os anjos ministradores diante do Santo, bendito seja: Senhor do universo! Por que decretaste a morte sobre Adão, o primeiro homem? Disse-lhes: um preceito leve lhe ordenei, e ele o transgrediu. Disseram-lhe: mas Moshé e Aharon, que cumpriram toda a Torá inteira, também morreram! Disse-lhes: "um mesmo acontecimento sucede ao justo e ao ímpio, ao bom" etc. (Eclesiastes 9:2)!
Contra o ensinamento de Rav Ami que fechara o daf anterior — não há morte sem pecado nem sofrimento sem iniquidade —, a Guemará traz uma objeção de uma baraita: os anjos ministradores já haviam questionado a Deus por que decretara a morte sobre Adão por uma única transgressão leve. Diante da réplica de que Moshé e Aharon, que cumpriram toda a Torá, ainda assim morreram, Deus responde citando Eclesiastes: o mesmo destino alcança o justo e o ímpio. A implicação é que a morte é o destino comum de todo homem, independentemente de seu mérito — o que contradiz diretamente a posição de Rav Ami.
Ele (Rav Ami) falou conforme este tanaíta, pois se ensinou: Rabi Shimon ben Elazar diz: também Moshé e Aharon morreram em seu próprio pecado, pois está dito: "porque não crestes em mim" (Números 20:12). Ora, se crêsseis em mim — ainda não teria chegado vosso tempo de partir do mundo.
A Guemará resolve a objeção anterior: Rav Ami não contradiz a baraita dos anjos ministradores, pois seguiu a opinião de Rabi Shimon ben Elazar, que interpreta o próprio caso de Moshé e Aharon como prova de que a morte é sempre consequência de algum pecado — mesmo o deles, ao golpear a rocha em vez de falar-lhe, revelando falta de fé plena. Se tivessem crido inteiramente, o versículo indica, seu tempo de morrer ainda não teria chegado.
Objetam: quatro morreram por causa do conselho da serpente, e são estes: Binyamin filho de Yaakov, Amram pai de Moshé, Yishai pai de David, e Kilav filho de David. E todos eles são conhecidos por tradição, exceto Yishai pai de David, sobre quem há um versículo explícito, pois está escrito: "e Absalão pôs Amasá no lugar de Joav à frente do exército; e Amasá era filho de um homem chamado Yitrá, o israelita, que se chegara a Avigail, filha de Nachash, irmã de Tzeruyá, mãe de Joav" (II Samuel 17:25). Mas seria ela filha de Nachash? Não era ela filha de Yishai, pois está escrito: "e suas irmãs eram Tzeruyá e Avigail" (I Crônicas 2:16)? Antes, é chamada filha daquele que morreu por causa do conselho da serpente.
Uma segunda objeção, mais difícil, é trazida contra Rav Ami: uma baraita enumera quatro figuras bíblicas — Binyamin, Amram, Yishai e Kilav — que morreram sem pecado próprio algum, apenas em consequência do pecado original da serpente que trouxe a morte ao mundo. A prova para o caso de Yishai vem de um versículo que chama sua filha Avigail de "filha de Nachash" (serpente), quando na verdade ela era filha do próprio Yishai — a Guemará explica que essa designação alternativa serve precisamente para identificar Yishai como alguém que morreu apenas por causa do pecado da serpente, sem culpa própria.
"Por causa do conselho (etyo) da serpente" — por causa do conselho da serpente que induziu Eva, e não por outro pecado, pois eles não pecaram; "etyo" é como "eitah" (conselho), conforme "eitah vetaam" (Daniel 2:14).
"E suas irmãs" — fala dos filhos de Yishai.
De quem é esta baraita? Se disseres que é do tanaíta dos anjos ministradores — mas não há ali também Moshé e Aharon (que morreram sem pecado próprio, e não são mencionados aqui)? Antes, não é ela de Rabi Shimon ben Elazar? E ouve disso que há morte sem pecado e há sofrimento sem iniquidade — e é uma refutação de Rav Ami, uma refutação.
A Guemará identifica o autor dessa baraita: não pode ser o tanaíta que relatou o diálogo dos anjos ministradores, pois essa baraita — que sustenta que a morte não depende do pecado — já incluiria naturalmente Moshé e Aharon entre os exemplos, e não apenas os quatro mencionados. Deve ser, portanto, a opinião de Rabi Shimon ben Elazar, o mesmo que atribuíra a Moshé e Aharon morte por pecado próprio — e que, ainda assim, admite que existem casos de morte sem pecado e sofrimento sem iniquidade, como os quatro aqui listados. Isso constitui, conclui a Guemará, uma refutação conclusiva e irrespondida da tese de Rav Ami.
"Antes, não é esta a opinião de Rabi Shimon ben Elazar?" — que disse que Moshé e Aharon morreram em seu próprio pecado, e que reconhece, quanto a estes quatro, que morreram sem pecado.
Disse Rabi Shmuel bar Nachmani, disse Rabi Yonatan: todo aquele que diz que Reuven pecou não é senão um equivocado, pois está dito: "e os filhos de Yaakov eram doze" (Gênesis 35:22) — ensina que todos eram iguais entre si em retidão. Mas como sustento então "e deitou-se com Bilhá, concubina de seu pai"? Ensina que revolveu o leito de seu pai, e a Escritura lhe atribui como se tivesse se deitado com ela.
Encerrado o tema da morte sem pecado, a Guemará passa a defender figuras bíblicas cujos atos pareciam constituir pecados graves. Primeiro caso: Reuven, de quem o versículo diz que "deitou-se com Bilhá, concubina de seu pai". Rabi Shmuel bar Nachmani prova que Reuven não cometeu adultério, a partir do próprio versículo, que logo em seguida enumera "os filhos de Yaakov eram doze" — sinal de que todos permaneciam iguais em retidão mesmo após o episódio. O ato de Reuven foi, na verdade, revolver o leito de seu pai — um gesto de protesto —, e a Escritura, por sua gravidade simbólica, atribui-lhe a mesma culpa retórica de quem cometesse o próprio ato.
"Todo aquele que diz que Reuven pecou" — no episódio de Bilhá.
"Pois está escrito" — nesse mesmo versículo.
"E os filhos de Yaakov eram" etc. — para tirar de teu coração que não o suspeites.
Ensinou-se: Rabi Shimon ben Elazar diz: aquele justo foi poupado daquela iniquidade, e este ato não chegou às suas mãos. Seria possível que sua descendência estivesse destinada a ficar de pé sobre o monte Eival e dizer: "maldito aquele que se deita com a mulher de seu pai" (Deuteronômio 27:20), e este pecado tivesse chegado às suas mãos? Mas como sustento então "e deitou-se com Bilhá, concubina de seu pai"? Reclamou a honra de sua mãe. Disse: se a irmã de minha mãe já era rival de minha mãe, será também a serva da irmã de minha mãe rival de minha mãe? Levantou-se e revolveu o leito dela.
Rabi Shimon ben Elazar reforça a defesa de Reuven com um argumento adicional: seria inconcebível que sua própria descendência, ao proclamar sobre o monte Eival a maldição contra quem se deita com a mulher de seu pai, estivesse amaldiçoando seu próprio ancestral. O motivo real do ato de Reuven é então esclarecido — ele protestava em nome de sua mãe Leá: já era doloroso que Rachel, irmã de Leá, fosse sua rival junto a Yaakov; era intolerável que Bilhá, serva da própria Rachel, ocupasse agora o lugar de honra que caberia a Leá após a morte de Rachel. Por isso Reuven revolveu o leito de Bilhá, impedindo que Yaakov ali se instalasse.
"E este pecado chegasse às suas mãos" — e o Santo, bendito seja, decretasse que seus descendentes estivessem entre os que amaldiçoam tal pecado sobre o monte Eival.
Outros dizem: dois leitos revolveu, um da Shechiná e um de seu pai. E é isso que está escrito: "então profanaste, subiu ao meu leito" (Gênesis 49:4) — não leias "meu leito" (yetzu'i), mas sim "meus leitos" (yetzu'ai).
Uma versão adicional amplia o ato de Reuven: segundo Yaakov erguia, em cada uma das tendas de suas quatro esposas, um leito destinado à Shechiná, repousando ele mesmo apenas na tenda em que a Shechiná se revelasse naquela noite. Ao revolver o leito da tenda de Bilhá, Reuven teria deslocado não apenas o leito de seu pai, mas também o leito reservado à própria Shechiná — o que se comprova pela leitura homilética do plural "yetzu'ai" (meus leitos) na bênção de Yaakov a Reuven em Gênesis 49:4, em vez do singular "yetzu'i".
"Um leito da Shechiná" — assim fazia Yaakov: nas quatro tendas de suas esposas erguia um leito para a Shechiná, e naquela tenda em que via a Shechiná ele vinha e passava a noite.
"Profanaste" — aquele mesmo que subiu ao meu leito, isto é, a Shechiná, pois não está escrito "meu leito subiste" no singular direto. Outra explicação: antes de ser construída a Tenda da Reunião, a Shechiná se encontrava nas tendas dos justos.
Isto é como uma disputa tanaítica. "Instável como as águas, não terás preeminência" (Gênesis 49:4). Rabi Eliezer diz que o acróstico "pachaz" significa: "foste apressado" (pazota), "foste responsável" (chavta), "foste desprezível" (zalta). Rabi Yehoshua diz: "transgrediste a lei" (pasata al dat), "pecaste" (chatata), "foste promíscuo" (zanita). Rabban Gamliel diz: "oraste" (pilalta), "tremeste" (chalta), "tua oração brilhou" (zarcha tefilatecha).
A Guemará situa essa mesma disputa sobre a inocência de Reuven dentro de um debate tanaítico já conhecido, a respeito do acróstico formado pela palavra "pachaz" na bênção de Yaakov. Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua leem as três letras como confissão de pecado efetivo — impulsividade, responsabilidade e desprezo, ou transgressão, pecado e promiscuidade. Rabban Gamliel, em contraste, lê as mesmas letras como sinal de arrependimento e oração, sustentando que Reuven jamais consumou o pecado.
"Pachaz" — é um acróstico.
"Pazota" — expressão de "povo apressado" (adiante, Shabat 88a); "pazota", apressaste-te em ti mesmo e pecaste.
"Zalta" — desprezaste.
"Pilalta" — oraste para te salvares do pecado.
"Chalta" — como "vayechal Moshé" (Êxodo 32:11).
Disse Rabban Gamliel: ainda precisamos do ensinamento do Modaíta. Rabi Elazar HaModai diz: inverte a palavra e a interpreta: "estremeceste" (ziz'ata), "recuaste" (hirta'ta), "o pecado fugiu de ti" (paracha chet mimcha). Rava disse, e há quem diga que foi Rabi Yirmeya bar Abba: "lembraste do castigo da coisa" (zacharta onsho shel davar), "adoeceste a ti mesmo de grande enfermidade" (chilita atzmecha choli gadol), "afastaste-te de pecar" (peirashta michatzo).
Rabban Gamliel reconhece que sua própria leitura ainda não bastava, e busca a explicação de Rabi Elazar HaModai, que inverte a ordem das letras do acróstico para lê-lo como sinal de que Reuven estremeceu, recuou, e o pecado "fugiu" dele antes de se consumar — reforçando a posição de que ele não chegou a pecar. Rava, ou, segundo outra versão, Rabi Yirmeya bar Abba, propõe ainda uma terceira leitura invertida, também apontando para o afastamento voluntário do pecado, por temor ao castigo.
"Ziz'ata" — temeste pecar; segundo Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, ele pecou; segundo Rabban Gamliel e o Modaíta, quis pecar e não pecou.
"Chalita" — de grande enfermidade, para te conteres e vencer teu impulso.
Reuven. Os filhos de Eli. Os filhos de Shmuel. David e Shlomo. E Yoash. Sinal mnemônico.
A Guemará insere um sinal mnemônico para a sequência de ensinamentos de Rabi Shmuel bar Nachmani em nome de Rabi Yonatan sobre figuras bíblicas cuja inocência é defendida: depois de Reuven, seguem-se os filhos de Eli, os filhos de Shmuel, David e Shlomo, e por fim Yoash — uma lista que se estenderá além deste daf.
Disse Rabi Shmuel bar Nachmani, disse Rabi Yonatan: todo aquele que diz que os filhos de Eli pecaram não é senão um equivocado, pois está dito: "e ali estavam os dois filhos de Eli com a arca da aliança de Deus, Chofni e Pinchas, sacerdotes do Senhor" (I Samuel 4:4).
Continuando a lista mnemônica, a Guemará defende agora Chofni e Pinchas, filhos de Eli, do pecado que lhes é atribuído no livro de Shmuel — relacionar-se indevidamente com as mulheres que serviam à entrada da Tenda da Reunião. A prova de sua inocência vem do próprio título "sacerdotes do Senhor" que a Escritura lhes concede junto à arca da aliança, título que não seria dado a pecadores.
"Todo aquele que diz que os filhos de Eli pecaram" — com mulher casada, é apenas um equívoco; porém, quanto ao desprezo das coisas sagradas, de fato pecaram.
Ele (Rabi Yonatan) segue a opinião de Rav, pois disse Rav: Pinchas não pecou. O versículo justapõe Chofni a Pinchas: assim como Pinchas não pecou, também Chofni não pecou. Mas como sustento então "que se deitavam com as mulheres"? Por terem atrasado seus ninhos de oferendas, de modo que elas não iam a seus maridos, a Escritura lhes atribui como se tivessem se deitado com elas.
A Guemará identifica a base da opinião de Rabi Yonatan: ela segue Rav, para quem Pinchas certamente não pecou, e o próprio versículo justapõe os dois irmãos, implicando que nenhum dos dois cometeu adultério. A expressão "que se deitavam com as mulheres" é então explicada de modo mais brando: os filhos de Eli atrasavam a oferenda das aves trazidas pelas mulheres após o parto ou o fluxo menstrual, impedindo-as de retornar em tempo a seus maridos — e a Escritura, por essa negligência, lhes atribui retoricamente a mesma culpa de quem tivesse cometido o próprio ato.
"Pois disse Rav" — adiante, nesta mesma sugya, que Pinchas não pecou, e o deriva de um versículo; e Rabi Yonatan o deriva para Chofni deste mesmo versículo, que justapõe Chofni a Pinchas.
"Que atrasaram seus ninhos de oferendas" — pois se recusavam a oferecer qualquer sacrifício senão a contragosto, como está escrito "ainda antes de queimarem a gordura" etc. (I Samuel 2:15); e quando as que tinham fluxo ou as que haviam dado à luz vinham de outros lugares a Shiló para oferecer seus ninhos de aves, eles atrasavam a oferenda, e as mulheres não podiam confiar que a ofereceriam; ficavam ali e não voltavam a seus maridos até verem seus ninhos oferecidos e se tornarem puras para as coisas sagradas e para entrar no átrio; por isso a Escritura lhes atribui como se tivessem se deitado com elas, pois as impediam de procriar.
Quanto ao próprio assunto: disse Rav: Pinchas não pecou, pois está dito: "e Achiya, filho de Achituv, irmão de I-Chavod, filho de Pinchas, filho de Eli, sacerdote do Senhor" etc. (I Samuel 14:3) — seria possível que o pecado tivesse chegado às suas mãos e a Escritura o vinculasse por linhagem? Pois não está já dito: "o Senhor cortará, do homem que assim fizer, o vigilante e quem responde, das tendas de Yaakov, e quem oferece oferenda ao Senhor dos Exércitos" (Malaquias 2:12)? Se é israelita — não terá vigilante entre os sábios, nem quem responda entre os discípulos. E se é sacerdote — não terá filho que ofereça oferenda. Antes, ouve disso: Pinchas não pecou.
A Guemará examina a fonte original da opinião de Rav. A prova vem da genealogia sacerdotal preservada em I Samuel 14:3: Achiya, bisneto de Eli através de Pinchas, ainda serve como sacerdote do Senhor — algo que a Escritura não faria se Pinchas tivesse pecado gravemente, pois, segundo o versículo de Malaquias sobre a punição de quem transgride com relações proibidas, o pecador não deixaria descendência sábia entre os discípulos, nem, sendo sacerdote, um filho apto a oferecer oferendas. A continuidade da linhagem sacerdotal de Pinchas até Achiya prova, portanto, que ele não pecou.
"Pinchas não pecou" — com mulher casada, pois "que se deitavam com as mulheres" refere-se apenas a Chofni sozinho.
"E Achiya, filho de Achituv... sacerdote do Senhor" — em Shiló, portando o éfode; eis que o vincula para elogio, e menciona sobre ele o nome de Pinchas, pai de seu pai.
"Seria possível que o pecado tivesse chegado às suas mãos e a Escritura o vinculasse" — para elogio, e vinculasse também o filho de seu filho depois dele? E não está escrito, a respeito da transgressão dos que cometem adultério, "o Senhor cortará o homem" etc.?
Mas não está escrito "que se deitavam" (yishkevun, no plural)? — está escrito "yishkaven" (sem o vav, podendo ler-se no singular). Mas não está escrito: "não, meus filhos, pois não é boa a notícia" (I Samuel 2:24)? Disse Rav Nachman bar Yitzchak: está escrito "meu filho" (beni, no singular). Mas não está escrito "fazeis transgredir" (ma'avirim, no plural)? Disse Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: está escrito "ma'aviram" (no singular). Mas não está escrito "filhos de Belial" (no plural)? Porque cabia a Pinchas repreender a Chofni e não o repreendeu, a Escritura lhe atribui como se ele também tivesse pecado.
A Guemará enfrenta, uma por uma, quatro expressões do texto de I Samuel que pareciam implicar ambos os irmãos no plural. Em cada caso, responde-se que a forma escrita — sem a letra que marcaria o plural — permite lê-la no singular, referindo-se apenas a Chofni: "yishkevun" lê-se "yishkaven"; e "ma'avirim" lê-se "ma'aviram". Quanto a Eli chamar ambos de "meus filhos", a resposta é que a forma escrita permite ler "meu filho", no singular. Resta apenas a expressão "filhos de Belial", que de fato inclui os dois — mas a Guemará explica que Pinchas é incluído nela não por ter cometido o mesmo pecado de Chofni, mas por não ter cumprido seu dever de repreendê-lo, sendo por essa omissão responsabilizado como se também tivesse pecado — o mesmo princípio de responsabilidade por omissão já explorado ao longo destes dafim.
"Mas não está escrito 'ma'avirim' (no plural)? Disse Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: está escrito 'ma'aviram'" — este ponto me parece difícil, pois nos livros corrigidos está escrito "ma'avirim", e também na Masorá Gedolá, no lugar onde se enumeram todas as palavras que não têm o iud e se leem como se o tivessem, esta não está contada. E não há dificuldade: pois este "ma'avirim" não é expressão de transgressão, mas expressão de "e fizeram passar um pregão pelo acampamento" (Êxodo 36:6); e o sentido é: "não é boa a notícia que ouço, de que fazeis o povo do Senhor espalhar e proclamar e queixar-se de vós" — e este "ma'avirim" está no plural e se refere ao "povo do Senhor", e não aos filhos de Eli, pois eles é que transgrediam, e não faziam outros transgredirem.
Disse Rabi Shmuel bar Nachmani, disse Rabi Yonatan: todo aquele que diz —
Seguindo o sinal mnemônico já dado — Reuven, os filhos de Eli, os filhos de Shmuel, David e Shlomo, e Yoash —, a Guemará inicia o terceiro ensinamento da série, desta vez sobre os filhos de Shmuel, com a mesma fórmula "todo aquele que diz que pecaram não é senão um equivocado". A frase, porém, é interrompida exatamente neste ponto, ao final do daf, e sua continuação — a identificação do pecado real dos filhos de Shmuel como negligência em julgar pessoalmente cada localidade de Israel, e não a corrupção que lhes é atribuída no texto — abre imediatamente o daf seguinte, 56a, no mesmo padrão em que 55a abrira completando uma pergunta interrompida ao final de 54b.