Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Vav · Bameh Isha Yotzah
שׁוֹטְחָן בַּחַמָּה

A controvérsia sobre roupas molhadas e o sino; os panos, a alça e o dente de prata; e a nova mishná da moeda na tzinit

Shabbat 65a — completa-se, com a baraita sobre quem estende ao sol as roupas molhadas pela chuva, a controvérsia tanaítica sobre o sino do animal no pátio; a Guemará detalha os panos do ouvido, da sandália e da menstruação, a pergunta de Rabi Yirmeya sobre a alça, o exemplo de Rabi Yochanan e Rabi Yanai, o dente postiço de prata segundo Rabi Zeira, e o princípio de Abaye sobre o que envergonha a mulher; segue-se nova mishná sobre a moeda na tzinit, as meninas com fios e lascas, as árabes veladas e as medas presas por fivela; a Guemará então explora o que é a tzinit, por que precisamente uma moeda, e o costume do pai de Shmuel quanto às suas filhas — o daf termina, mais uma vez, interrompido no meio de uma frase.

O daf abre completando a baraita que ficara cortada ao final de Shabat 64b, no meio da fórmula "pois se ensinou": trata-se do caso de quem teve as roupas molhadas na estrada pela chuva — ele as estende ao sol, mas não diante do povo, para que não digam que as lavou em Shabat; e Rabi Eliezer e Rabi Shimon proíbem mesmo isso, seguindo a posição rigorosa de Rav de que a proibição por mar'it ha-ayin vale até nos cômodos mais internos. Assim se resolve a controvérsia tanaítica sobre o sino do animal, tapado, no pátio. A Guemará então retoma, cláusula por cláusula, a mishná anterior sobre os panos: o do ouvido e o da sandália, segundo Rami bar Yechezkel, só valem atados; o da menstruação, segundo Rava, dispensa até o laço, pois sua repulsividade natural já impede que seja retirado. Rabi Yirmeya pergunta a Rabi Abá, e Rav Nachman bar Oshaya transmite em nome de Rabi Yochanan, que é permitido fazer uma alça para esse pano; e um caso prático — Rabi Yochanan na casa de estudo, Rabi Yanai no carmelit, cada um contestado por seus contemporâneos — é resolvido pela distinção entre o pano bem encaixado e o frouxo. Sobre a pimenta e o grão de sal, a Guemará explica os usos medicinais; sobre o dente postiço, Rabi Zeira restringe a controvérsia de Rabi e os Sábios ao dente de ouro, permitindo por unanimidade o de prata. Abaye então unifica três opiniões — a de Rabi sobre o dente, a de Rabi Eliezer sobre a bolsinha de perfume, e a de Rabi Shimon ben Elazar sobre o que está abaixo da rede de cabelo — no princípio de que tudo o que envergonharia a mulher, ela não virá a mostrar ou remover. Uma nova mishná é então ensinada: a mulher pode sair com uma moeda sobre a tzinit; as meninas pequenas, com fios e até lascas de madeira nos ouvidos; as árabes, veladas, e as medas, presas por fivela — e, na verdade, qualquer mulher poderia fazer o mesmo, mas os Sábios falaram do caso mais comum; e ela pode prender a roupa sobre pedra, noz ou moeda, contanto que não o faça pela primeira vez em Shabat. A Guemará pergunta o que é a tzinit — uma ferida no solado do pé —, e por que se usa justamente uma moeda e não um caco, uma placa ou um disco de madeira, concluindo, com Abaye, que todos os fatores — dureza, brilho e forma — contribuem para a cura. Por fim, discute-se o costume relatado do pai de Shmuel, que não deixava suas filhas saírem com fios nem dormirem juntas, e lhes fazia poços de imersão e esteiras conforme a estação — caso explicado por serem fios coloridos, e por sustentar o ensinamento de Rav Huna sobre mulheres que se friccionam uma contra a outra. O daf termina, mais uma vez, interrompido no meio dessa frase, continuando apenas em Shabat 65b.

Conclusão: a baraita das roupas molhadas e o sino no pátio · שׁוֹטְחָן בַּחַמָּה

01Estende-as ao sol, mas não diante do povo; Rabi Eliezer e Rabi Shimon proíbem
Baraita (continuação de Shabat 64b)
שׁוֹטְחָן בַּחַמָּה, אֲבָל לֹא כְּנֶגֶד הָעָם. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹסְרִין.

Quem teve as roupas molhadas na estrada pela chuva as estende ao sol, mas não diante do povo. Rabi Eliezer e Rabi Shimon proíbem.

Nota

Completa-se aqui a baraita que ficara cortada ao final de 64b, no meio da fórmula "pois se ensinou": o primeiro tana permite estender ao sol, mesmo em Shabat, as roupas de quem foi surpreendido pela chuva na estrada, contanto que não seja diante do povo, para que não pensem que foram lavadas em Shabat — sinal de que, para ele, a proibição por mar'it ha-ayin (aparência de transgressão) só vale onde há quem veja. Rabi Eliezer e Rabi Shimon discordam e proíbem mesmo assim, pois sustentam, como Rav, que tal proibição vale até nos lugares mais reservados. É essa controvérsia — resolvida agora como "tanaítes" — que explica a aparente contradição entre a mishná (que proíbe o sino tapado até no pátio) e a baraita anterior (que o permite ali): a mishná segue Rabi Eliezer e Rabi Shimon, a baraita segue o primeiro tana.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shotchan bachama", "aval lo keneged ha'am" e "osrin"
שוטחן בחמה - מי שנשרו כליו בדרך במי גשמים: אבל לא כנגד העם - שלא יאמרו כבסן בשבת האי תנא סבר דמידי דמשום מראית העין מותר בחדרים: אוסרין - כרב:

"Estende-as ao sol" — quem teve suas roupas molhadas na estrada pela água da chuva. "Mas não diante do povo" — para que não digam: lavou-as em Shabat; este tana sustenta que aquilo que se proíbe por causa da aparência é permitido nos cômodos privados. "Proíbem" — como Rav.

Os panos, a alça e o exemplo de Rabi Yochanan · וּבְמוֹךְ שֶׁבְּאׇזְנָהּ

02O pano do ouvido, contanto que esteja atado
Guemará; Rami bar Yechezkel
וּבְמוֹךְ שֶׁבְּאׇזְנָהּ. תָּנֵי רָמֵי בַּר יְחֶזְקֵאל: וְהוּא שֶׁקָּשׁוּר בְּאׇזְנָהּ.

Guemará: "E com o pano que está em seu ouvido." Ensinou Rami bar Yechezkel: e isso contanto que esteja atado em seu ouvido.

Nota

A Guemará retoma a mishná já estudada, examinando agora cada uma de suas cláusulas sobre panos. Rami bar Yechezkel esclarece que a permissão de sair com o pano no ouvido pressupõe que esteja atado ali — do contrário, poderia cair e ser recolhido pela mão, incorrendo em transporte proibido.

03O pano da sandália, contanto que esteja atado
Guemará; Rami bar Yechezkel
וּבְמוֹךְ שֶׁבְּסַנְדָּלָהּ. תָּנֵי רָמֵי בַּר יְחֶזְקֵאל: וְהוּא שֶׁקָּשׁוּר לָהּ בְּסַנְדָּלָהּ.

"E com o pano que está em sua sandália." Ensinou Rami bar Yechezkel: e isso contanto que esteja atado a ela em sua sandália.

Nota

A mesma condição se aplica ao pano usado por conforto na sandália: apenas atado ele mantém o estatuto de parte do calçado, e não de objeto solto passível de cair e ser carregado.

04O pano da menstruação: Rava dispensa até o laço
Rami bar Chama; Rava
וּבְמוֹךְ שֶׁהִתְקִינָה לָהּ לְנִדָּתָהּ. סָבַר רָמֵי בַּר חָמָא לְמֵימַר, וְהוּא שֶׁקָּשׁוּר לָהּ בֵּין יְרֵיכוֹתֶיהָ. אָמַר רָבָא: אַף עַל פִּי שֶׁאֵינוֹ קָשׁוּר לָהּ, כֵּיוָן דִּמְאִיס לָא אָתְיָא לְאֵיתוֹיֵי.

"E com o pano que preparou para sua menstruação." Pensou Rami bar Chama em dizer: e isso contanto que esteja atado a ela entre suas coxas. Disse Rava: ainda que não esteja atado a ela, visto que é repulsivo, ela não virá a trazê-lo.

Nota

Rami bar Chama quis estender a mesma condição de amarração ao pano da menstruação; mas Rava discorda: por ser esse pano, embebido de sangue, naturalmente repulsivo, não há temor de que a mulher o retire com a mão para recolocá-lo ou ajustá-lo — ao contrário do cabelo ou do pano do ouvido, que podem ser exibidos sem vergonha.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "asta lah beit yad" e "asta lah beit yad mutar"
עשתה לו בית יד - למוך שבאותו מקום מהו למיסריה דילמא שקלה וממטא לה בידים דלא מאיס לאוחזה בבית יד שלה: עשתה לה בית יד מותר - דלא אמרינן לא מאיס אלא אפילו בבית יד מאיס:

"Fez para ele uma alça" — para o pano daquele lugar, qual é a lei de amarrá-lo? Talvez ela o pegue e o carregue com as mãos, pois não é repulsivo segurá-lo por sua alça. "Se ela fez para ele uma alça — é permitido" — pois não dizemos que não é repulsivo ali; antes, mesmo com a alça, é repulsivo.

05Rabi Yirmeya pergunta sobre a alça; Rabi Yochanan permite
Rabi Yirmeya; Rabi Abá; Rav Nachman bar Oshaya em nome de Rabi Yochanan
בְּעָא מִינֵּיהּ רַבִּי יִרְמְיָה מֵרַבִּי אַבָּא: עָשְׂתָה לָהּ בֵּית יָד, מַהוּ? אֲמַר לֵיהּ: מוּתָּר. אִיתְּמַר [נָמֵי], אָמַר רַב נַחְמָן בַּר אוֹשַׁעְיָא אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: עָשְׂתָה לָהּ בֵּית יָד — מוּתָּר.

Perguntou Rabi Yirmeya a Rabi Abá: se ela fez para ele uma alça, qual é a lei? Disse-lhe: é permitido. Foi dito também: disse Rav Nachman bar Oshaya, disse Rabi Yochanan: se ela fez para ele uma alça — é permitido.

Nota

A dúvida de Rabi Yirmeya era se acrescentar uma alça ao pano da menstruação, para facilitar seu manuseio, faria com que ele deixasse de ser repulsivo e passasse a ser temido como objeto que a mulher retiraria com a mão. Tanto Rabi Abá quanto, independentemente, Rabi Yochanan (transmitido por Rav Nachman bar Oshaya) respondem que continua permitido: a repulsividade do próprio pano, e não a dificuldade de segurá-lo, é o que impede sua remoção.

06Rabi Yochanan e Rabi Yanai, contestados; resolvido por "bem encaixado" ou não
Guemará
רַבִּי יוֹחָנָן נָפֵיק בְּהוּ לְבֵי מִדְרְשָׁא, וַחֲלוּקִין עָלָיו חֲבֵרָיו. רַבִּי יַנַּאי נָפֵיק בְּהוּ לְכַרְמְלִית, וַחֲלוּקִין עָלָיו כׇּל דּוֹרוֹ. וְהָתָנֵי רָמֵי בַּר יְחֶזְקֵאל: וְהוּא שֶׁקָּשׁוּר לָהּ בְּאׇזְנָהּ! לָא קַשְׁיָא: הָא דְּמִיהַדַּק, הָא דְּלָא מִיהַדַּק.

Rabi Yochanan saía com panos no ouvido à casa de estudo, e seus colegas discordavam dele. Rabi Yanai saía com eles a um carmelit, e toda a sua geração discordava dele. Mas não ensinou Rami bar Yechezkel: e isso contanto que esteja atado em seu ouvido? Não é difícil: este caso é quando está bem encaixado, aquele caso é quando não está bem encaixado.

Nota

A Guemará relata dois casos práticos de sábios que saíam com pano no ouvido sem que estivesse formalmente atado, sendo contestados por seus contemporâneos com base no ensinamento de Rami bar Yechezkel. A resolução distingue entre o pano bem encaixado no ouvido — que, mesmo sem laço, dificilmente cairia, dispensando a amarração — e o pano frouxo, que de fato precisa estar atado.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "Rabi Yochanan nafik bei le-vei midrasha", "ve-chalukin alav chaverav", "ve-ha tani Rami" e "ha de-mihadak"
רבי יוחנן נפיק ביה לבי מדרשא - במוך שבאזנו שהיה זקן והיתה לו צואת האוזן מרובה: וחלוקין עליו חבריו - מפני שלא היה קשור באזנו והוא יוצא בו לרה"ר: והא תני רמי והוא שקשור כו' - וכי קשור מיהא אפילו לרה"ר מותר ואמאי קאמר לבי מדרשו ולא קאמר לרשות הרבים ומשני דר' יוחנן קשור ולא מיהדק הקשר ולשון ראשון מיושב מזה: הא דמיהדק - דר' יוחנן היה תוחב באזנו יפה ומהדק ולא בעי קשירה ודרמי בר יחזקאל בדלא מיהדק ל"א מתלמידי רבינו הלוי דרבי יוחנן קשור הוה ובית מדרשו סמוך לביתו הוה ולא היתה רה"ר מפסקת:

"Rabi Yochanan saía com ele à casa de estudo" — com o pano em seu ouvido, pois era idoso e tinha muita secreção no ouvido. "E seus colegas discordavam dele" — porque não estava atado em seu ouvido, e ele saía com ele ao domínio público. "Mas não ensinou Rami: e isso contanto que esteja atado etc." — e, se estivesse atado, seria permitido até ao domínio público; por que então disse "à casa de estudo" e não disse "ao domínio público"? E responde-se que Rabi Yochanan o tinha atado, mas o nó não estava bem apertado — e a primeira explicação se ajusta a isso. "Este caso é quando está bem encaixado" — pois Rabi Yochanan o encaixava bem em seu ouvido e o apertava, sem precisar de amarração; e o de Rami bar Yechezkel trata de quando não está bem encaixado. Outra explicação, dos discípulos de Rabeinu HaLevi: Rabi Yochanan o tinha atado, e sua casa de estudo era próxima à sua casa, sem que o domínio público as separasse.

A pimenta, o sal e o dente postiço de prata · בַּפִּלְפֵּל וּבְגַלְגַּל מֶלַח

07Pimenta para o mau hálito, sal para a dor de dentes
Guemará
בַּפִּלְפֵּל וּבְגַלְגַּל מֶלַח. פִּלְפֵּל לְרֵיחַ הַפֶּה, גַּלְגַּל מֶלַח לְדוּרְשִׁינֵּי. וְכׇל דָּבָר שֶׁנּוֹתֶנֶת לְתוֹךְ פִּיהָ. זַנְגְּבִילָא, אִי נָמֵי דָּרְצוּנָא.

"Com pimenta e com grão de sal": a pimenta é para o mau hálito, o grão de sal é para doença dos dentes. "E com qualquer coisa que ela coloca em sua boca": gengibre, ou então canela.

Nota

A Guemará esclarece o propósito medicinal de cada item da mishná: a pimenta combate o mau hálito, o grão de sal trata a dor de dentes, e a categoria geral de "qualquer coisa posta na boca" inclui outros remédios comuns, como gengibre ou canela, todos permitidos desde que colocados antes do início do Shabat.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le-dorshinei", "zangevila" e "dartzuna"
לדורשיני - לחולי השינים: זנגבילא - גינזירו: דרצונא - קנמון:

"Para dorshini" — para doença dos dentes. "Gengibre" — em francês antigo, "gingevre". "Dartzuna" — canela.

08Rabi Zeira: a controvérsia é só sobre o de ouro; o de prata é permitido por todos
Rabi Zeira; Baraita
שֵׁן תּוֹתֶבֶת שֵׁן שֶׁל זָהָב, רַבִּי מַתִּיר וַחֲכָמִים אוֹסְרִין. אָמַר רַבִּי זֵירָא לֹא שָׁנוּ אֶלָּא שֶׁל זָהָב, אֲבָל בְּשֶׁל כֶּסֶף דִּבְרֵי הַכֹּל מוּתָּר. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: בְּשֶׁל כֶּסֶף דִּבְרֵי הַכֹּל מוּתָּר. שֶׁל זָהָב, רַבִּי מַתִּיר וַחֲכָמִים אוֹסְרִין.

"Dente postiço, dente de ouro — Rabi permite e os Sábios proíbem." Disse Rabi Zeira: não se ensinou isso senão sobre o de ouro; mas o de prata, para todos é permitido. Ensinou-se também assim: o de prata, para todos é permitido; o de ouro, Rabi permite e os Sábios proíbem.

Nota

Rabi Zeira restringe o alcance da controvérsia da mishná: apenas o dente de ouro, por seu brilho chamativo e diferença visível dos demais dentes, gera o temor de que a mulher o retire por vergonha diante de zombaria — daí a proibição dos Sábios. O dente de prata, mais discreto e semelhante à cor natural dos dentes, é permitido por unanimidade, mesmo por aqueles que proíbem o de ouro. Uma baraita confirma essa distinção de modo independente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lo shanu" e "aval be-shel kesef"
לא שנו - דחכמים אוסרין אלא של זהב שמשונה במראה משאר שינים ודילמא מבזו לה ושקלה לה בידה וממטיא: אבל של כסף - שדומה לשאר השינים דברי הכל מותר לשון רבותי ולי נראה טעמא דשל זהב משום דחשיבא ואתי' לאחויי לכך אסור אבל של כסף לא חשיבא ולא אתי' לאחוויי וללשון רבותי קשיא לי הא דאמר אביי רבי ור"ש בן אלעזר כו' ואי טעמא דרבנן משום דחייכי עלה הוא מאי שנא רבי דקחשיב ליה רבנן נמי לאו לאחוויי חיישי ויש לתרץ דרבנן מיסר קאסרי מכל מקום ורבי מתיר דקסבר לא חייכו עלה ולא שלפא להו ומיהו ה"ל למיחש דלמא שלפא לה משום אחוויי אלא לא שלפא משום דאי מחוי לה גנותא היא:

"Não se ensinou" que os Sábios proíbem senão sobre o de ouro, que é diferente na aparência dos demais dentes, e talvez zombem dela por causa dele, e ela o retire com a mão e o carregue. "Mas o de prata" — que se assemelha aos demais dentes, para todos é permitido: esta é a explicação de meus mestres. Mas a mim parece que o motivo do de ouro é por ser valioso, e ela viria a mostrá-lo, por isso é proibido; já o de prata não é valioso, e ela não viria a mostrá-lo. E, segundo a explicação de meus mestres, causa-me dificuldade o que disse Abaye — "Rabi e Rabi Shimon ben Elazar etc." — pois, se o motivo dos Sábios é por zombarem dela, por que Rabi seria diferente, já que também ele os considera seres que zombam? E os Sábios também não temeriam que ela viesse a mostrá-lo? E pode-se responder que os Sábios proíbem de qualquer modo, enquanto Rabi permite por sustentar que não zombam dela, e ela não os retira; ainda assim, deveria haver o temor de que ela os retirasse para mostrá-los — mas não os retira, porque, se os mostrasse, seria uma desonra para ela.

09Abaye: todos concordam que o que envergonha não se mostra
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: רַבִּי וְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר כּוּלְּהוּ סְבִירָא לְהוּ דְּכֹל מִידֵּי דְּמִיגַּנְּיָא בֵּיהּ לָא אָתְיָא לְאַחְוֹיֵי.

Disse Abaye: Rabi, Rabi Eliezer e Rabi Shimon ben Elazar — todos eles sustentam que tudo aquilo com que ela se envergonharia, ela não virá a mostrar.

Nota

Abaye reúne três opiniões tanaíticas aparentemente distintas sob um único princípio comum: sempre que exibir um objeto causaria vergonha à mulher, ela não o retirará para mostrá-lo, e por isso pode-se permitir que saia com ele — mesmo quando, em outros contextos, um objeto "chamativo" seria motivo de proibição.

10Rabi Eliezer: a bolsinha de perfume e o frasco de óleo
Baraita
רַבִּי — הָא דַּאֲמַרַן. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר — דְּתַנְיָא: רַבִּי אֱלִיעֶזֶר פּוֹטֵר בְּכוֹבֶלֶת וּבִצְלוֹחִית שֶׁל פִּלְיָיטוֹן.

Rabi — isso que dissemos sobre o dente de ouro. Rabi Eliezer — pois se ensinou: Rabi Eliezer isenta de responsabilidade quanto à bolsinha de perfume e ao frasco de óleo perfumado.

Nota

A baraita citada mostra Rabi Eliezer permitindo que a mulher saia com uma bolsinha de perfume ou um frasco de óleo perfumado, cujo odor forte identifica quem os usa como alguém de mau hálito — o mesmo princípio de Abaye: por vergonha, ela não os retirará para mostrar, ainda que sejam objetos chamativos.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "Rabi ha de'amran" e "poter be-chovelet"
רבי הא דאמרן - דלא חייש דילמא שלפא: פוטר בכובלת - ואוקימנא דהאי פוטר מותר לכתחילה הוא ואמר טעמא מאן דרכה למיפק בכובלת אשה שריחה רע ולא שלפא ומחויא גנותה:

"Rabi — isso que dissemos" — que não teme que ela venha a retirá-lo. "Isenta quanto à bolsinha de perfume" — e estabelecemos que este "isenta" significa permitido de início; e o motivo é: quem costuma sair com a bolsinha de perfume é a mulher de mau hálito, e ela não a retira, pois isso exibiria sua desonra.

11Rabi Shimon ben Elazar: tudo abaixo da rede de cabelo
Baraita
רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר — דְּתַנְיָא, כְּלָל אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר: כׇּל שֶׁהוּא לְמַטָּה מִן הַסְּבָכָה יוֹצְאָה בּוֹ, לְמַעְלָה מִן הַסְּבָכָה — אֵינָהּ יוֹצְאָה בּוֹ.

Rabi Shimon ben Elazar — pois se ensinou: um princípio geral disse Rabi Shimon ben Elazar: tudo o que está abaixo da rede de cabelo, ela pode sair com ele; acima da rede, ela não pode sair com ele.

Nota

Rabi Shimon ben Elazar formula seu próprio princípio geral, também compatível com a regra de Abaye: adornos escondidos sob a touca de lã (a rede), como a peruca, não seriam retirados por vergonha de expor o cabelo, e por isso são permitidos; já os que ficam visíveis, acima da rede, permanecem sujeitos à proibição comum.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le-matah min ha-sevacha" e "yotzah bah"
למטה מן הסבכה - כגון כיפה של צמר: יוצאה בה - דלא חיישינן דילמא שלפא ומחוויא דמיגלי שערה ומגניא בה שהשבכה נוי הוא לשער:

"Abaixo da rede" — como, por exemplo, a touca de lã. "Ela pode sair com ele" — pois não tememos que ela venha a retirá-lo e mostrá-lo, já que com isso se revelaria seu cabelo, o que a envergonharia, sendo a rede um enfeite para o cabelo.

Nova mishná: a moeda na tzinit, as meninas, as árabes e as medas · יוֹצְאָה בְּסֶלַע שֶׁעַל הַצִּינִּית

Mishná (Shabat 6:3) · מִשְׁנָה
מַתְנִי׳ יוֹצְאָה בְּסֶלַע שֶׁעַל הַצִּינִּית. הַבָּנוֹת קְטַנּוֹת יוֹצְאוֹת בְּחוּטִין, וַאֲפִילּוּ בְּקֵיסָמִין שֶׁבְּאׇזְנֵיהֶם. עַרְבִיּוֹת יוֹצְאוֹת רְעוּלוֹת וּמָדִיּוֹת פְּרוּפוֹת, וְכׇל אָדָם — אֶלָּא שֶׁדִּבְּרוּ חֲכָמִים בַּהֹוֶה. פּוֹרֶפֶת עַל הָאֶבֶן וְעַל הָאֱגוֹז וְעַל הַמַּטְבֵּעַ, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא תִּפְרוֹף לְכַתְּחִלָּה בְּשַׁבָּת.

Mishná: A mulher pode sair com uma moeda que está sobre a tzinit. As meninas pequenas podem sair com fios, e até mesmo com lascas de madeira que estão em seus ouvidos. As árabes podem sair veladas, e as medas, presas por fivela; e qualquer pessoa poderia fazer o mesmo — mas os Sábios falaram do caso mais comum. Ela pode prender a roupa sobre a pedra, sobre a noz e sobre a moeda, contanto que não a prenda pela primeira vez em Shabat.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "sela", "tzinit", "ha-banot ketanot", "va'afilu", "arviot", "yotzot re'ulot", "mediot", "perufot", "porefet" e "u-vilvad shelo tifrof"
מתני' סלע - מטבע הוא: צינית - מפרש בגמ': הבנות קטנות - שמנקבות אזניהם ואין עושין נזמים עד שיגדלו ונותנין חוטין או קסמים באזניהם שלא יסתמו אזניהם לוי"ה: ואפילו - רבותא קאמר דאע"ג דלאו תכשיט נוי הוא אורחא בהכי ולא משאוי הוא ויש מפרשין חוטין שקולעת בהן שערה דאסרינן לגדולה בריש פרקין התם משום דשכיחא בהו טבילה אבל קטנות דלא שכיחא בהו טבילה שרי ולשון ראשון הגון מזה חדא דקטנות נמי צריכות טבילה לטומאת מגע משום טהרות ואף נדות נמי שכיחות בהו כדתניא (נדה דף לב.) מעשה שהיה והטבילוה קודם לאמה ועוד מדקתני אפי' בקיסמין איכא למישמע דחוטין נמי אאזנים קיימי דאי חוטי הראש לא שייך למיתני אפי' בקסמין: ערביות - נשים ישראליות שבערב: יוצאות רעולות - דרך ערביות להיות מעוטפות ראשן ופניהם חוץ מן העינים וקרי לה בלשון ערבי רעולות היינו הרעלות דכתיב גבי תכשיטי נשים בספר ישעיה: מדיות - נשים ישראליות שבמדי: פרופות - שמעטפות בטלית ותולה הרצועה בשפתה האחת כנגד צוארה ובשפתה השנית כורכת אבן או אגוז וקושרת הרצועה בכרך ואין הטלית נופל מעליה: פורפת - כמו קרסים דמתרגמינן פורפין כל המחבר בגד לחבירו קרי פריפה: ובלבד שלא תפרוף לכתחלה בשבת - ובגמ' פריך והאמרת רישא פורפת:

Mishná: "Uma moeda" — é uma moeda cunhada. "Tzinit" — explica-se na Guemará. "As meninas pequenas" — que furam suas orelhas, mas não fazem brincos até crescerem, e colocam fios ou lascas em suas orelhas para que não fechem. "E até mesmo" — diz uma novidade: ainda que não seja um adorno, é seu costume, e não é um fardo. Há quem explique "fios" como aqueles com que trança seu cabelo, e que proibimos à adulta no início do capítulo por causa da imersão ritual frequente, mas às pequenas, que não têm imersão frequente, é permitido; mas a primeira explicação é mais apropriada por diversos motivos, entre eles que as pequenas também precisam de imersão por impureza de contato, por causa das oferendas puras, e mesmo a menstruação é comum entre elas, como se ensinou (Nidá 32a): houve um caso em que a imergiram antes mesmo de sua mãe; e ainda, por ensinar "até mesmo com lascas", conclui-se que os fios também se referem às orelhas, pois, se fossem fios de cabelo, não haveria sentido em ensinar "até mesmo com lascas". "Árabes" — mulheres israelitas que vivem na Arábia. "Saem veladas" — é costume das árabes cobrirem a cabeça e o rosto, exceto os olhos, e chamam isso, em língua árabe, de "reulot" — o mesmo que "ha-realot", termo escrito a respeito dos adornos das mulheres no livro de Isaías. "Medas" — mulheres israelitas que vivem na Média. "Presas por fivela" — que se envolvem no manto e penduram a tira de um lado, junto ao pescoço, e do outro lado enrolam uma pedra ou noz, atando a tira ao redor, para que o manto não caia. "Prende" — como fivelas, que se traduz "porfin"; tudo que une uma peça de roupa a outra se chama "prender". "Contanto que não a prenda pela primeira vez em Shabat" — e na Guemará se questiona: mas não ensinamos no início que ela pode prender?

Guemará: a tzinit, a moeda e as filhas do pai de Shmuel · מַאי צִינִּית

13O que é a tzinit
Guemará
גְּמָ׳ מַאי צִינִּית? בַּת אַרְעָא.

Guemará: O que é tzinit? Uma ferida no solado do pé (literalmente: "filha da terra").

Nota

A Guemará esclarece o termo da mishná: a tzinit é uma ferida no solado do pé, causada pelo contato constante com o solo — daí seu nome, "filha da terra" — sobre a qual se amarra a moeda com fins terapêuticos.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "bat ar'a"
גמ' בת ארעא - מכה שהיא תחת פרסת הרגל וקושר בה סלע לרפואה:

"Filha da terra" — uma ferida que está sob a sola do pé, e amarra-se nela uma moeda para cura.

14Por que uma moeda, e não um caco, uma placa ou um disco? Abaye: todos os fatores ajudam
Guemará; Abaye
וּמַאי שְׁנָא סֶלַע? אִילֵּימָא כֹּל מִידֵּי דַּאֲקוֹשָׁא מְעַלֵּי לַהּ, לֶיעְבַּד לַהּ חַסְפָּא! אֶלָּא מִשּׁוּם שׁוּכְתָּא — לֶיעְבַּד לָהּ טַסָּא! אֶלָּא מִשּׁוּם צוּרְתָּא, לֶיעְבַּד לָהּ פּוּלְסָא! אָמַר אַבָּיֵי: שְׁמַע מִינַּהּ כּוּלְּהוּ מְעַלּוּ לָהּ.

E por que especificamente uma moeda? Se dirás que é porque tudo que é duro a beneficia — que se lhe faça um caco de barro! Mas, se é por causa do brilho, que se lhe faça uma placa de metal sem cunhagem! Mas, se é por causa da forma cunhada, que se lhe faça um disco de madeira gravado! Disse Abaye: aprende-se disso que todos esses fatores a beneficiam.

Nota

A Guemará questiona por que a mishná especifica justamente uma moeda para tratar a tzinit, testando três explicações possíveis — dureza, brilho do metal, forma cunhada — e refutando cada uma isoladamente, pois cada propriedade poderia ser obtida por outro objeto mais simples. Abaye conclui que a eficácia da moeda vem precisamente da combinação de todos esses fatores reunidos num único objeto.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "de-akosha", "shukhta", "le'evad tasa", "le'evad pulsa" e "amar Abaye shema mina"
דאקושא - שהיא קשה ומגינה על המכה מקוצים ויתדות דרכים: שוכתא - ליחלוחית היוצא מן הכסף ובלע"ז רוי"ל ויפה למכה שוכתא כמו דשתך טפי דאלו מציאות (ב"מ דף כו.) ומשתכין כנחשת דתענית (דף ח.): ליעבד טסא - דכספא טיבעא למה לי אלא משום צורתא דטיבעא מעליא למכה ולאו שוכתא: ליעבד פולסא - עגול של עץ ויצור עליו: אמר אביי ש"מ - ממתני' דנקט סלע: כולהו בהדדי מעלו לה - ולהכי נקט סלע דאיתנהו לכולהו אקושא ושוכתא וצורתא:

"Porque é dura" — a moeda, e protege a ferida dos espinhos e das estacas dos caminhos. "Brilho" — a umidade que sai da prata, em francês antigo "roille", e é benéfica para a ferida; "shukhta", como em "dashtach tefei" (Bava Metzia 26a) e "mishtachin ka-nechoshet" (Ta'anit 8a). "Que se lhe faça uma placa" — pois, se é de prata, para que precisa da cunhagem? Antes, é por causa da forma cunhada que é benéfica para a ferida, e não do brilho. "Que se lhe faça um disco" — de madeira, e grave-se sobre ele uma forma. "Disse Abaye: aprende-se" — da mishná, que menciona a moeda. "Todos juntos a beneficiam" — e por isso mencionou-se a moeda, pois nela estão reunidos dureza, brilho e forma.

15O pai de Shmuel não deixava suas filhas saírem com fios nem dormirem juntas
Guemará
הַבָּנוֹת יוֹצְאוֹת בְּחוּטִין. אֲבוּהּ דִּשְׁמוּאֵל לָא שָׁבֵיק לְהוּ לִבְנָתֵיהּ דְּנָפְקָן בְּחוּטִין, וְלָא שָׁבֵיק לְהוּ גָּנְיָאן גַּבֵּי הֲדָדֵי, וְעָבֵיד לְהוּ מִקְוָאוֹת בְּיוֹמֵי נִיסָן וּמַפָּצֵי בְּיוֹמֵי תִשְׁרֵי.

"As meninas podem sair com fios." O pai de Shmuel não permitia que suas filhas saíssem com fios, nem permitia que dormissem juntas umas com as outras, e fazia para elas poços de imersão nos dias de Nissan e esteiras nos dias de Tishrei.

Nota

A Guemará relata o costume do pai de Shmuel para com suas filhas, aparentemente mais restritivo do que a mishná permite quanto aos fios, e cauteloso quanto a dormirem no mesmo leito; e providenciava, conforme a estação — poços de água coletada na primavera, esteiras de junco no outono, para evitar interposição na imersão — meios adequados para sua purificação ritual.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lo shavik lehu livnatei", "ganyan gabei hadadi", "mikvaot be-yomei Nisan" e "mafatzei be-yomei Tishrei"
לא שביק להו לבנתיה כו' - מפרש לקמן טעמא דכולהו: גניאן גבי הדדי - לישן זו אצל זו בעודן בתולות: מקואות ביומי ניסן - של מים מכונסין או סמוך לנהר וממשיך לתוכן מי הנהר וטובלות שם: ומפצי ביומי תשרי - שטובלות בפרת ומפני הטיט שלא יהא חציצה נותנות המפץ תחת רגליהן:

"Não permitia a suas filhas etc." — explica-se adiante o motivo de tudo isso. "Dormirem juntas umas com as outras" — dormir uma ao lado da outra, enquanto ainda solteiras. "Poços de imersão nos dias de Nissan" — de águas reunidas, ou próximos ao rio, com água do rio direcionada para dentro, e ali imergiam. "E esteiras nos dias de Tishrei" — pois imergiam no Eufrates, e, por causa do lodo, para que não houvesse interposição, colocavam a esteira sob os pés.

16Objeção da mishná; resposta: eram fios coloridos
Guemará
לָא שָׁבֵיק לְהוּ יוֹצְאוֹת בְּחוּטִין, וְהָאֲנַן תְּנַן: הַבָּנוֹת יוֹצְאוֹת בְּחוּטִין! בְּנָתֵיהּ דַּאֲבוּהּ דִּשְׁמוּאֵל דְּצִבְעוֹנִין הֲווֹ.

"Não permitia que saíssem com fios" — mas nós aprendemos: "as meninas podem sair com fios"! As filhas do pai de Shmuel tinham fios coloridos.

Nota

A Guemará objeta que a própria mishná permite às meninas sair com fios nos ouvidos; a resposta é que o caso das filhas do pai de Shmuel envolvia fios coloridos, mais chamativos e vistosos que os fios simples da mishná, temendo-se por isso que fossem retirados para exibição.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "di-tzivonin"
דצבעונין - וחייש למישלף ואחוויי:

"Fios coloridos" — e temia-se que a menina os retirasse para mostrá-los.

17E dormirem juntas: apoio a Rav Huna sobre mulheres que se friccionam...
Guemará; Rav Huna
לָא שָׁבֵיק לְהוּ גָּנְיָאן גַּבֵּי הֲדָדֵי, לֵימָא מְסַיַּיע לֵיהּ לְרַב הוּנָא. דְּאָמַר רַב הוּנָא: נָשִׁים הַמְסוֹלְלוֹת זוֹ בָּזוֹ

"Não permitia que dormissem juntas umas com as outras" — diremos que isso apoia Rav Huna? Pois disse Rav Huna: mulheres que se friccionam uma contra a outra...

Nota

A Guemará propõe que a cautela do pai de Shmuel, ao impedir que suas filhas solteiras dormissem no mesmo leito, confirmaria o ensinamento de Rav Huna sobre as consequências de mulheres que se friccionam sexualmente uma com a outra. A citação de Rav Huna, porém, é interrompida aqui mesmo, no meio da frase, retomando apenas na abertura de Shabat 65b, onde se explica a consequência haláchica — a desqualificação para o casamento com um sacerdote.

O daf 65a termina aqui, interrompido no meio de uma frase — caso excepcional nesta tradução, como já ocorrera ao final de 62b, de 63a, de 63b, de 64a e de 64b. O ensinamento de Rav Huna sobre "mulheres que se friccionam uma contra a outra" (nashim ha-mesolelot zo vazo) se corta antes de sua conclusão, retomando apenas na abertura de Shabat 65b, com a consequência haláchica dessa conduta.