Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Vav · Bameh Isha Yotzah
לְאִשָּׁתָא תִּילְתָּא

Completa-se o feitiço de Rav Huna contra a febre terçã; seguem-se o de Rabi Yochanan e vários encantamentos; e abre-se a nova mishná do ovo do gafanhoto, do dente da raposa e do prego do enforcado

Shabbat 67a — completa-se a frase de Rav Huna interrompida ao final de 66b: o feitiço contra a febre terçã, com sete elementos colhidos sete vezes de sete fontes diferentes; segue-se o de Rabi Yochanan contra a febre ardente, com a faca de ferro fincada na sarça e os versículos do episódio da sarça ardente recitados dia a dia; e uma sequência de encantamentos contra a chaga, as bolhas, o demônio e o demônio da latrina; a Guemará então retoma a cláusula da mishná anterior sobre os filhos dos reis com sinos, perguntando quem é o tanna por trás dela; e abre-se nova mishná — ainda no mesmo perek — permitindo sair em Shabat com o ovo do gafanhoto, o dente da raposa e o prego do enforcado por razões de cura, contra a proibição dos sábios, que veem nisso os caminhos do emorreu; a Guemará explica cada remédio, formula a regra de Abaye e Rava de que tudo o que tem eficácia curativa não é caminho do emorreu, questiona-a com a árvore que deixa cair seus frutos, e fecha com as duas exceções ensinadas por um tanna diante de Rabi Chiya bar Avin — o osso preso na garganta, e o osso de peixe.

O daf abre completando a frase de Rav Huna que ficara cortada ao final de Shabat 66b: para a febre terçã, traz-se sete pequenos frutos de sete tamareiras, sete lascas de sete vigas, sete estacas de sete pontes, sete cinzas de sete fornos, sete poeiras de sete soleiras de porta, sete piches de sete barcos, sete grãos de cominho e sete pelos da barba de um cão velho, amarrando tudo com um fio de cabelo no decote do pescoço. Segue-se o feitiço de Rabi Yochanan contra a febre ardente: uma faca toda de ferro é levada a uma sarça, nela se amarra um fio de cabelo, e em três dias sucessivos raspa-se a faca recitando os versículos do episódio da sarça ardente (Êxodo 3), numa ordem que Rav Acha bar Rava discute com Rav Ashi; ao final, corta-se a sarça junto ao chão com uma fórmula que invoca sua humildade e a fuga da febre diante de Chananya, Mishael e Azaryá. Seguem-se encantamentos populares contra a chaga (invocando anjos enviados da terra de Sodoma), contra as bolhas, contra o demônio, e contra o demônio da latrina. A Guemará então retoma a cláusula final da mishná anterior — "os filhos dos reis com sinos" —, perguntando de quem é essa opinião: Rabi Oshaya a atribui a Rabi Shimon, para quem todo Israel são filhos de reis; Rava a limita ao sino tecido na própria roupa, ponto em que todos concordam. Abre-se então nova mishná, ainda dentro do mesmo perek: sai-se em Shabat com o ovo do gafanhoto, o dente da raposa e o prego do enforcado por causa de cura — palavras de Rabi Meir; mas os sábios proíbem, mesmo em dia de semana, por serem caminhos do emorreu (superstições proibidas). A Guemará explica cada remédio — o ovo contra dor de ouvido, o dente da raposa viva ou morta conforme se queira dormir ou não, o prego contra inchaço — e formula, em nome de Abaye e Rava, a regra geral: tudo o que tem eficácia curativa reconhecível não é caminho do emorreu. Uma baraita sobre a árvore que deixa cair seus frutos, pintada de vermelho e carregada de pedras, testa essa regra: as pedras enfraquecem a árvore, mas por que pintá-la? Para que as pessoas a vejam e peçam misericórdia por ela, como o leproso que anuncia sua impureza para que o público reze por ele. Ravina liga a esse mesmo tanna o costume de pendurar cachos de tâmaras na tamareira estéril. Por fim, um tanna que ensinava o capítulo dos costumes do emorreu diante de Rabi Chiya bar Avin ouve que todas as práticas ali listadas têm em si os caminhos do emorreu, com apenas duas exceções: o encantamento para quem tem um osso preso na garganta, e o encantamento para quem tem um osso de peixe na garganta — este último fechando o daf.

Continuação: o feitiço de Rav Huna contra a febre terçã, e o de Rabi Yochanan contra a febre ardente · לְאִשָּׁתָא תִּילְתָּא

01Conclusão da frase de Rav Huna (continuação de Shabat 66b): sete de cada sete, para a febre terçã
Rav Huna (continuação de Shabat 66b)
לְאִשָּׁתָא תִּילְתָּא — לַיְיתֵי שִׁבְעָה סִילְוֵי מִשִּׁבְעָה דִּיקְלֵי, וְשִׁבְעָה צִיבֵי מִשִּׁבְעָה כְּשׁוּרֵי, וְשִׁבְעָה סִיכֵּי מִשִּׁבְעָה גְּשׁוּרֵי, וְשִׁבְעָה קִיטְמֵי מִשִּׁבְעָה תַּנּוּרֵי, וְשִׁבְעָה עַפְרֵי מִשִּׁבְעָה סֻנְרֵי, וְשִׁבְעָה כּוּפְרֵי מִשִּׁבְעָה אַרְבֵי, וְשִׁבְעָה בּוּנֵי כַּמּוֹנֵי, וְשִׁבְעָה בִּינֵי מִדִּיקְנָא דְכַלְבָּא סָבָא, וְלִצְיְירִינְהוּ בַּחֲלָלָא דְבֵי צַוְּארָא בְּנִירָא בַּרְקָא.

...para a febre terçã — que se tragam sete pequenos frutos de sete tamareiras, e sete lascas de sete vigas, e sete estacas de sete pontes, e sete cinzas de sete fornos, e sete poeiras de sete soleiras de porta, e sete piches de sete barcos, e sete grãos de cominho, e sete pelos da barba de um cão velho, e que se amarre tudo isso na abertura do decote do pescoço, com um fio feito de cabelo.

Nota

Completa-se aqui a fórmula de Rav Huna que ficara cortada no exato momento de seu início, ao final de 66b. Para a febre terçã (que recorre a cada três dias), reúnem-se sete elementos, cada um colhido sete vezes de sete fontes diferentes — frutos de palmeira, lascas de viga, estacas de ponte, cinzas de forno, poeira de soleira, piche de barco, grãos de cominho e pelos de um cão velho —, amarrados juntos ao pescoço com um fio de cabelo trançado, num padrão numérico (sete de sete) recorrente nos encantamentos populares desta sugya.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le'ishata tilta" e os sete elementos
לאשתא תילתא - שחפת שלישית שבאה מג' ימים לג' ימים: סילוי - ענבים קטנים: ושבעה ציבי - קסמים: כשורי - קורות: ושבעה סיכי - יתידות קייבל"ש בלע"ז: משבעה גשורי - גשרים: ז' סינרי - צנור הדלת חור האסקופה שציר הדלת סובב בו: כופרי - זפת שזופתין הספינות: ארבי - ספינות: ושבעה בוני כמוני - גרעיני כמון ל"א בוני כמון גרסי' מלא אגרוף: ושבעה ביני מדיקנא דכלבא סבא - שבעה נימי מזקן כלב זקן:

"Para a febre terçã" — a febre que vem a cada três dias. "Pequenos frutos" — pequenas bagas. "E sete lascas" — lascas de madeira. "Vigas" — vigas. "E sete estacas" — estacas, chamadas chevilles em francês antigo. "De sete pontes" — pontes. "Sete soleiras" — o buraco da soleira da porta, por onde gira o gonzo da porta. "Piches" — piche com que se calafetam os barcos. "Barcos" — barcos. "E sete grãos de cominho" — grãos de cominho; outra versão lê "sementes de cominho" no sentido de um punhado cheio. "E sete pelos da barba de um cão velho" — sete pelos da barba de um cão velho.

02Rabi Yochanan: para a febre ardente, faca de ferro e a sarça
Rabi Yochanan
אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: לְאִשָּׁתָא צְמִירְתָּא — לִישְׁקֹל סַכִּינָא דְּכוּלֵּהּ פַּרְזְלָא, וְלֵיזִיל לְהֵיכָא דְּאִיכָּא וַורְדִּינָא, וְלִיקְטַר בֵּיהּ נִירָא בַּרְקָא.

Disse Rabi Yochanan: para a febre ardente — que se tome uma faca toda de ferro, e se vá a onde há uma sarça, e se amarre nela um fio de cabelo.

Nota

Rabi Yochanan transmite um remédio próprio para a febre ardente — a doença que aquece e queima o corpo: leva-se uma faca inteiramente de ferro até uma sarça, e amarra-se nela um fio de cabelo, preparando o rito descrito a seguir.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ishata tzemirta" e "vardina"
אשתא צמירתא - חולי שמחממת וקודחת את הגוף: וורדיני - סנה:

"Febre ardente" — doença que aquece e queima o corpo. "Sarça" — a sarça (o mesmo arbusto do episódio bíblico).

03Três dias, três versículos do episódio da sarça ardente
Rabi Yochanan
יוֹמָא קַמָּא, לִיחְרוֹק בֵּיהּ פּוּרְתָּא וְלֵימָא: ״וַיֵּרָא מַלְאַךְ ה׳ אֵלָיו וְגוֹ׳״. לִמְחַר, לִיחְרוֹק בֵּיהּ פּוּרְתָּא וְלֵימָא: ״וַיֹּאמֶר מֹשֶׁה אָסֻרָה נָּא וְאֶרְאֶה״. לִמְחַר, לִיחְרוֹק בֵּיהּ פּוּרְתָּא וְלֵימָא: ״וַיַּרְא ה׳ כִּי סָר לִרְאוֹת וְגוֹ׳״.

No primeiro dia, que raspe nela a faca um pouco e diga: "e apareceu-lhe o anjo do Eterno, etc." (Êxodo 3:2). No dia seguinte, que raspe nela um pouco e diga: "e disse Moshé: desviar-me-ei agora e verei" (Êxodo 3:3). No dia seguinte, que raspe nela um pouco e diga: "e viu o Eterno que ele se desviara para ver, etc." (Êxodo 3:4).

Nota

Durante três dias sucessivos, raspa-se levemente a faca fincada na sarça, recitando, um a cada dia, os versículos iniciais do relato bíblico da sarça ardente diante de Moshé — associando o fogo da febre ao fogo da sarça que ardia sem se consumir.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lichrok", "vayomer Moshe" e "ki sar"
ליחרוק - אישקרני"ר כמו דמיבלע חירקייהו דאלו טריפות (חולין דף נט:): ויאמר משה - משום סיפיה מדוע לא יבער הסנה: כי סר - שיסור החולי:

"Que raspe" — em francês antigo, escharnir, como em "que se ouve o ranger de seus dentes" (sobre os sinais de treifá, Chulin 59b). "E disse Moshé" — por causa do final do versículo: "por que a sarça não se consome". "Que ele se desviou" — para que a doença se afaste.

04Rav Acha bar Rava propõe um quarto versículo; reformula-se a ordem
Rav Acha bar Rava; Rav Ashi
אֲמַר לֵיהּ רַב אַחָא בְּרֵיהּ דְּרָבָא לְרַב אָשֵׁי, וְלֵימָא: ״וַיֹּאמֶר אַל תִּקְרַב הֲלֹם וְגוֹ׳״? אֶלָּא לְיוֹמָא קַמָּא, לֵימָא: ״וַיֵּרָא מַלְאַךְ ה׳ אֵלָיו וְגוֹ׳ וַיֹּאמֶר מֹשֶׁה וְגוֹ׳״, וְלִמְחַר, לֵימָא: ״וַיַּרְא ה׳ כִּי סָר לִרְאוֹת״, וְלִמְחַר: ״וַיֹּאמֶר ה׳ אַל תִּקְרַב הֲלֹם״.

Disse-lhe Rav Acha, filho de Rava, a Rav Ashi: e que não diga também "e disse: não te aproximes daqui, etc." (Êxodo 3:5)? Mas sim: no primeiro dia, que diga "e apareceu-lhe o anjo do Eterno, etc., e disse Moshé, etc."; e no dia seguinte, que diga "e viu o Eterno que ele se desviara para ver"; e no dia seguinte: "e disse o Eterno: não te aproximes daqui".

Nota

Rav Acha bar Rava observa a Rav Ashi que falta incluir o versículo seguinte, "não te aproximes daqui" — pedido de que a doença não se aproxime. A solução é reagrupar os quatro versículos em três dias: o primeiro dia reúne os dois primeiros versículos, e os dois últimos se distribuem, um por dia, nos dois dias seguintes.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "al tikrav halom"
אל תקרב הלום - שלא יקרב זה החולי אלי:

"Não te aproximes daqui" — que esta doença não se aproxime de mim.

05Ao terminar: abaixar e cortar a sarça, com a fórmula final
Rabi Yochanan
וְכִי פָּסֵק לֵיהּ, לִיתַתֵּיהּ וְלִיפְסְקֵיהּ וְלֵימָא הָכִי: ״הַסְּנֶה הַסְּנֶה! לָאו מִשּׁוּם דִּגְבִיהַתְּ מִכׇּל אִילָנֵי אַשְׁרִי קוּדְשָׁא בְּרִיךְ הוּא שְׁכִינְתֵּיהּ עֲלָךְ, אֶלָּא מִשּׁוּם דְּמָיְיכַתְּ מִכׇּל אִילָנֵי אַשְׁרִי קוּדְשָׁא בְּרִיךְ הוּא שְׁכִינְתֵּיהּ עֲלָךְ. וְכִי הֵיכִי דַּחֲמִיתֵיהּ אִשָּׁתָא לַחֲנַנְיָה מִישָׁאֵל וַעֲזַרְיָה וַעֲרַקַת מִן קֳדָמוֹהִי, כֵּן תִּחְמֵינֵיהּ אִשָּׁתָא לִפְלוֹנִי בַּר פְּלוֹנִית וְתִיעְרוֹק מִן קֳדָמוֹהִי״.

E quando terminar essas repetições, que a abaixe até perto do chão e a corte, e diga assim: "sarça, sarça! não é porque és mais alta que todas as árvores que o Santo, bendito seja, fez repousar sobre ti a Sua presença, mas porque és mais baixa que todas as árvores que o Santo, bendito seja, fez repousar sobre ti a Sua presença. E assim como a febre viu Chananya, Mishael e Azaryá, e fugiu diante deles, assim veja a febre a fulano, filho de fulana, e fuja diante dele."

Nota

Ao final das repetições, a sarça é abaixada e cortada, com uma fórmula que celebra sua humildade — não a altura, mas a baixeza entre as árvores, é o motivo pelo qual Deus fez repousar Sua presença sobre ela (referência ao próprio episódio bíblico) — e que invoca o precedente de Chananya, Mishael e Azaryá, os três jovens que a fornalha ardente não conseguiu queimar, pedindo que a febre fuja do doente como o fogo fugiu deles.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "litateih ulifsekeih", "demaichat" e "dechamiteha ishata"
ליתתיה ולפסקיה - סמוך לקרקע ליתתיה ישפיל: דמייכת - שאתה שפילה: דחמיתא אשתא - שראית האש:

"Que a abaixe e a corte" — perto do chão, que a abaixe. "Porque és baixa" — porque és humilde. "Que a febre viu" — que viu o fogo da fornalha, sem conseguir queimar Chananya, Mishael e Azaryá.

Mais encantamentos populares: a chaga, as bolhas e os demônios · לְסִימְטָא

06Para a chaga: os anjos enviados da terra de Sodoma
Abaye
לְסִימְטָא, לֵימָא הָכִי: ״בַּז, בַּזְיָיה, מַס, מַסְיָיא, כַּס, כַּסְיָיה, שִׁרְלַאי, וַאֲמַרְלַאי, אִלֵּין מַלְאֲכֵי דְּאִישְׁתְּלַחוּ מֵאַרְעָא דִסְדוֹם וּלְאַסָּאָה שְׁחִינָא כְּאִיבִין, בְּזָךְ, בַּזַיִךְ, בַּזְבְּזִיךְ, מַסְמְסִיךְ, כַּמּוֹן, כָּמִיךְ, עֵינִיךְ בִּיךְ, עֵינִיךְ בִּיךְ, אַתְרִיךְ בִּיךְ, זַרְעִיךְ כְּקָלוּט וּכְפִרְדָּה דְּלָא פָּרָה וְלָא רָבְיָא, כָּךְ לָא תִּפְרֵה וְלָא תִּרְבֵּה בְּגוּפֵיהּ דִּפְלוֹנִי בַּר פְּלוֹנִית״.

Para a chaga, que se diga assim: "baz, bazyá, mas, masyá, cas, casyá, shirlai e amarlai — estes são os anjos que foram enviados da terra de Sodoma para curar chagas dolorosas: bazach, bazaich, bazbezich, masmesich, camon, camich; teu aspecto fique em ti, teu aspecto fique em ti, teu lugar fique em ti; que tua semente seja como a de um animal castrado e como a de uma mula, que não gera e não se multiplica — assim não te gerarás nem te multiplicarás no corpo de fulano, filho de fulana."

Nota

Este é apenas mais um encantamento popular, transmitido em continuidade com os anteriores. Boa parte de suas palavras são fórmulas mágicas sem significado próprio, invocando nomes de anjos que "rasgam, esfarelam e despedaçam" a chaga; o pedido central é que ela não cresça, não se avermelhe, não se espalhe e não se multiplique no corpo do doente, comparando-a a um animal castrado ou a uma mula estéril.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lesimta", os nomes dos anjos, "me'ara desdom", "bazach bazaich" e "kekalut"
לסימטא - שחין קרו"ג בלע"ז: בזבזיה מסמסייה כסכסייה - שמות המלאכים על שם שקורעים וממסמסים ומכסכסים אותו בז לשון בזעא: מארעא דסדום - כך הוא הלחש ולא מסדום באו: בזך בזיך - אין לו משמעות אלא כך הוא הלחש: עיניך ביך - מראיך ביך שלא תאדים יותר: אתריך ביך - שלא תרחיב: כקלוט - שנקלט זרעו בשרירי בטנו שלא יוליד:

"Para a chaga" — uma ferida chamada, em francês antigo, croue. "Bazbezyá, masmesyá, cassecyá" — nomes dos anjos, assim chamados porque rasgam, esfarelam e despedaçam a chaga — a palavra "baz" no sentido de rasgar. "Da terra de Sodoma" — assim é o encantamento, mas os anjos não vieram de Sodoma de fato. "Bazach, bazaich" — não têm significado, é apenas a fórmula do encantamento. "Teu aspecto em ti" — que não fiques mais vermelha. "Teu lugar em ti" — que não te alargues. "Como um animal castrado" — cuja semente fica retida nos músculos do ventre, que não pode gerar.

07Para as bolhas
Abaye
לְכִיפָּה, לֵימָא הָכִי: ״חֶרֶב שְׁלוּפָה וְקֶלַע נְטוּשָׁה לָא שְׁמֵיהּ יוֹכַב חוֹלִין מַכְאוֹבִין״.

Para as bolhas, que se diga assim: "espada desembainhada, e funda estendida — que este mal não repouse com doenças e dores."

Nota

Um novo encantamento, desta vez contra bolhas ou pústulas na pele — que Rashi, citando duas tradições diferentes, identifica ora como bolhas propriamente ditas, ora como o mal de quem é dominado por um demônio. A fórmula, como as demais desta série, é um simples encantamento verbal.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lechifá" e "leima hachi"
לכיפה - אונפול"ש אבעבועות כך לשון רבי יצחק ברבי מנחם נ"ע ולשון רבותי לכיפה למי שכופהו שד: לימא הכי - לחש בעלמא הוא:

"Para as bolhas" — doença chamada, em francês antigo, onfles, segundo a explicação de Rabi Yitzchak bar Rabi Menachem, de abençoada memória; e, segundo a explicação de meus mestres, "para as bolhas" é para quem é dominado por um demônio. "Que diga assim" — é apenas um encantamento.

08Para o demônio
Abaye
לְשֵׁידָא, לֵימָא הָכִי: ״הֲוֵית דִּפְקִיק, דִּפְקִיק הֲוֵית, לִיט תְּבִיר וּמְשׁוּמָּת בַּר טִיט בַּר טָמֵא בַּר טִינָא, כְּשַׁמְגַּז מְרִיגַז וְאִיסְטְמַאי״.

Para o demônio, que se diga assim: "eras aprisionado, aprisionado eras; maldito, quebrado e excomungado seja o demônio de nome bar Tit, bar Tamé, bar Tiná, como Shamgaz, Merigaz e Istemai."

Nota

Um encantamento contra um demônio, dirigido diretamente a ele com uma fórmula de maldição e excomunhão, invocando seus supostos nomes — bar Tit, bar Tamé, bar Tiná ("filho do barro, filho do impuro, filho do lodo") — e comparando-o a outros demônios nomeados.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "havet difkik" e "lit tevir umeshumat"
הוית דפקיק דפקיק הוית - לחש הוא: ליט תבר ומשומת - מקולל ונשבר ומשומת יהא שד זה ששמו בר טיט בר טינא:

"Eras aprisionado, aprisionado eras" — é um encantamento. "Maldito, quebrado e excomungado" — maldito, quebrado e excomungado seja este demônio, cujo nome é bar Tit, bar Tiná.

09Para o demônio da latrina
Abaye
לְשֵׁידָא דְּבֵית הַכִּסֵּא, לֵימָא הָכִי: ״אַקַּרְקָפֵי דַאֲרִי וְאַאוֹסֵי דְגוּרַיְיתָא אַשְׁכַּחְתּוּן לְשֵׁידַאי בַּר שְׁרִיקָא פַּנְדָּא, בְּמֵישָׁרָא דְכַרָּתֵי חֲבַטְתֵּיהּ, בְּלוֹעָא דַחֲמָרָא חֲטַרְתֵּיהּ״.

Para o demônio da latrina, que se diga assim: "sobre o crânio do leão e sobre o focinho da leoa, encontrei o demônio de nome bar Shrika Panda; num campo de alho-porró eu o derrubei, e na queixada de um asno eu o espanquei."

Nota

Fecha-se a série de encantamentos com uma fórmula específica para o demônio associado à latrina, a ser dita por quem foi por ele prejudicado ali — uma narrativa mágica em que o próprio orante relata ter dominado esse demônio em campo aberto e o ter espancado, invocando essa vitória passada contra o mal presente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "leshida devei hakisei", "akarkafei de'ari" e "bemeshara decharatei"
לשידא דבית הכסא - אם הזיק לימא לחש זה: אקרקפי דארי - בראש הארי זכר: ואאוסי דגורייתא - ובחוטם לביאה נקבה: אשכחתא לשידאי בר שריקאי פנדאי - כך שמו: במישרא דכרתי חבטיה - בערוגת כרשין הפלתיו: בלועא דחמרא חטרתיה - בלחי החמור הלקיתיו:

"Para o demônio da latrina" — se ele o prejudicou, que diga este encantamento. "Sobre o crânio do leão" — sobre a cabeça do leão macho. "E sobre o focinho da leoa" — e sobre o focinho da leoa fêmea. "Encontrei o demônio de nome bar Shrika Panda" — assim era seu nome. "Num campo de alho-porró eu o derrubei" — num canteiro de alho-porró eu o fiz cair. "E na queixada de um asno eu o espanquei" — na queixada do asno eu o golpeei.

Retorno à mishná anterior: os filhos dos reis com sinos · וּבְנֵי מְלָכִים בְּזֹגִין

10Quem é o tanna por trás dessa permissão?
Guemará; Rabi Oshaya; Rava
וּבְנֵי מְלָכִים בְּזֹגִין. מַאן תַּנָּא? אָמַר רַבִּי אוֹשַׁעְיָא: רַבִּי שִׁמְעוֹן הִיא, דְּאָמַר: כׇּל יִשְׂרָאֵל בְּנֵי מְלָכִים הֵם. רָבָא אָמַר: בְּאָרִיג בִּכְסוּתוֹ, וְדִבְרֵי הַכֹּל.

Ensinou-se na mishná anterior (66b): "e os filhos dos reis, com sinos." Quem é o tanna desta opinião? Disse Rabi Oshaya: é Rabi Shimon, que diz: todo Israel são filhos de reis (logo, qualquer criança pode usar sinos de ouro). Rava disse: a permissão vale quando o sino está tecido na própria vestimenta, e isso é opinião de todos.

Nota

A Guemará volta à cláusula final da mishná já tratada em 66b, sobre os filhos dos reis que saem com sinos de ouro, perguntando de que opinião ela depende — já que, à primeira vista, apenas realeza teria tal privilégio. Rabi Oshaya a atribui a Rabi Shimon, para quem todo israelita é, em certo sentido, filho de rei, e por isso qualquer criança pode usar tais sinos sem que pareça ostentação. Rava propõe uma leitura diferente, que dispensa essa dependência: quando o sino está tecido na própria roupa — e não pendurado solto, passível de ser tirado e exibido —, todos concordam que é permitido, mesmo a um pobre.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "man tanna", "Rabi Shimon", "benei melachim" e "be'arig bichsuto"
מאן תנא - דקתני וכל אדם ואפילו עני שבישראל: רבי שמעון - בפרק שמונה שרצים: בני מלכים - הלכך לעני נמי חזיא ולא גנותא דידיה דליתחזיא כיוהרא ושליף אי נמי דמגו דחידוש הוא שליף ומחוי: באריג בכסותו - דלא שליף ליה ומחוי:

"Quem é o tanna" — que ensina "e qualquer pessoa", incluindo até o pobre de Israel. "Rabi Shimon" — no capítulo "Oito Répteis". "Filhos dos reis" — por isso o sino serve também ao pobre, e não é vergonha para ele, pois de outro modo pareceria arrogância, e ele o tiraria para mostrar; ou então, por ser coisa nova, ele o tira e mostra. "Tecido na vestimenta" — pois assim não o tira para mostrar.

Nova mishná: o ovo do gafanhoto, o dente da raposa e o prego do enforcado · יוֹצְאִין בְּבֵיצַת הַחַרְגּוֹל

Mishná (Shabat 6:10) · מִשְׁנָה
יוֹצְאִין בְּבֵיצַת הַחַרְגּוֹל וּבְשֵׁן שׁוּעָל וּבְמַסְמֵר מִן הַצָּלוּב, מִשּׁוּם רְפוּאָה — דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹסְרִין אַף בַּחוֹל, מִשּׁוּם דַּרְכֵי הָאֱמוֹרִי.

Sai-se em Shabat com o ovo do gafanhoto, e com o dente da raposa, e com o prego do enforcado, por causa de cura — palavras de Rabi Meir. Mas os sábios proíbem, mesmo em dia de semana, por serem os caminhos do emorreu (superstições proibidas).

Nota

Ainda dentro do mesmo perek, uma nova mishná trata de três amuletos medicinais: o ovo do gafanhoto, o dente da raposa e o prego retirado de um corpo enforcado. Rabi Meir permite sair com eles em Shabat, como qualquer outro objeto de valor curativo reconhecido; os sábios, porém, os proíbem inteiramente, mesmo em dia de semana, por considerá-los superstições — os "caminhos do emorreu" — e não remédios de fato.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "darchei ha'emori"
מתני' דרכי האמורי - ניחוש הוא וכתיב ובחוקותיהם לא תלכו (ויקרא י״ח:ג׳):

Mishná: "caminhos do emorreu" — é superstição, e está escrito: "e não andareis em seus costumes" (Levítico 18:3).

11A Guemará explica cada remédio da mishná
Guemará
גְּמָ׳ יוֹצְאִין בְּבֵיצַת הַחַרְגּוֹל — דְּעָבְדִי לְשִׁיחְלָא. וּבְשֵׁן שֶׁל שׁוּעָל — דְּעָבְדִי לְשִׁינְתָּא. דְּחַיָּיא — לְמַאן דְּנָיֵים. דְּמִיתָא — לְמַאן דְּלָא נָיֵים. וּבְמַסְמֵר מִן הַצָּלוּב — דְּעָבְדִי לְזִירְפָּא.

Guemará. "Sai-se com o ovo do gafanhoto" — porque serve para a dor de ouvido. "E com o dente da raposa" — porque serve para o sono: o dente de raposa viva, para quem dorme demais e quer despertar; o de raposa morta, para quem não consegue dormir. "E com o prego do enforcado" — porque serve contra o inchaço de uma ferida.

Nota

A Guemará explica a lógica médica popular por trás de cada um dos três remédios da mishná: o ovo do gafanhoto trata dor de ouvido; o dente da raposa afeta o sono — vivo, para acordar quem dorme demais, morto, para adormecer quem sofre de insônia; e o prego do enforcado trata o inchaço de feridas, já que todo ferro tende a inchar a carne, mas este, especificamente, cura esse mesmo inchaço.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "leshichla", "leshinta" e "lezirfa"
גמ' לשיחלא - לכאב האוזן ותולין באזנו: לשינתא - יש שעשאו כדי שיישן ויש כדי שלא יישן: דחייא - של שן שועל חי: לזירפא - נפח מכה דכל פרזלא זריף והאי מסי לזירפא:

Guemará. "Para a dor de ouvido" — e pendura-se no ouvido. "Para o sono" — há quem o use para que a criança durma, e há quem o use para que não durma. "De raposa viva" — o dente da raposa viva. "Para o inchaço" — o inchaço de uma ferida, pois todo ferro faz inchar, mas este cura o inchaço.

12"Por causa de cura — palavras de Rabi Meir"
Guemará
מִשּׁוּם רְפוּאָה — דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר.

Repete-se a mishná: "por causa de cura" — palavras de Rabi Meir.

Nota

A Guemará retoma literalmente esta cláusula da mishná como ponte para a discussão seguinte sobre a regra geral que distingue cura legítima de superstição proibida.

13Regra de Abaye e Rava: o que tem eficácia curativa não é caminho do emorreu
Abaye; Rava
אַבָּיֵי וְרָבָא דְּאָמְרִי תַּרְוַיְיהוּ: כׇּל דָּבָר שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מִשּׁוּם רְפוּאָה אֵין בּוֹ מִשּׁוּם דַּרְכֵי הָאֱמוֹרִי.

Abaye e Rava, que ambos disseram: toda coisa que tem em si eficácia reconhecida de cura não tem em si os caminhos do emorreu.

Nota

Abaye e Rava formulam a regra geral que distingue remédio legítimo de superstição proibida: sempre que um objeto ou prática tem eficácia curativa reconhecível, ele deixa de ser considerado "caminho do emorreu", mesmo que envolva elementos estranhos como o ovo do gafanhoto ou o prego do enforcado.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "sheyesh bo mishum refuah"
שיש בו משום רפואה - שנראית רפואתו כגון שתיית כוס ותחבושת מכה ופרכינן הא אין בו כו' כגון לחש שאין ניכר שיהא מרפא יש בו משום דרכי האמורי בתמיה:

"Que tem em si eficácia de cura" — cuja cura é visivelmente reconhecível, como beber de um copo medicinal ou colocar uma bandagem numa ferida; e a seguir perguntamos: "logo, o que não tem eficácia de cura..." — como um encantamento, cuja cura não é visivelmente reconhecível — "teria os caminhos do emorreu"? — em tom de espanto.

14Objeção: a árvore que deixa cair seus frutos
Guemará; Baraita
הָא אֵין בּוֹ מִשּׁוּם רְפוּאָה יֵשׁ בּוֹ מִשּׁוּם דַּרְכֵי הָאֱמוֹרִי? וְהָתַנְיָא: אִילָן שֶׁמַּשִּׁיר פֵּירוֹתָיו סוֹקְרוֹ וְצוֹבֵעַ אוֹתוֹ בְּסִיקְרָא וְטוֹעֲנוֹ בַּאֲבָנִים. בִּשְׁלָמָא טוֹעֲנוֹ בַּאֲבָנִים, כִּי הֵיכִי דְּלִיכְחוֹשׁ חֵילֵיהּ. אֶלָּא סוֹקְרוֹ בְּסִיקְרָא מַאי רְפוּאָה קָעָבֵיד?

Logo, o que não tem em si eficácia de cura, tem em si os caminhos do emorreu? Mas não se ensinou numa baraita: a árvore que deixa cair seus frutos antes de amadurecer — pinta-se e tinge-se com tinta vermelha, e carrega-se com pedras. Está bem carregá-la com pedras, para que sua força enfraqueça e ela pare de crescer tão depressa; mas pintá-la com tinta vermelha, que cura opera isso?

Nota

A Guemará testa a regra de Abaye e Rava com uma baraita conhecida: a árvore que deixa cair seus frutos antes de amadurecer recebe dois tratamentos — carregar-se com pedras, cuja lógica médica é clara (enfraquecer o excesso de vigor da árvore), e pintar-se de vermelho, cuja eficácia curativa não é nada óbvia — o que pareceria contradizer a regra, sugerindo que até uma prática sem cura visível pode ser permitida.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "delichchosh cheileih"
דליכחוש חיליה - שעל ידי שהוא שמן וכחו רב פירותיו נושרין:

"Para que sua força enfraqueça" — porque, por estar a árvore viçosa e sua força ser grande, seus frutos caem antes de amadurecer.

15Resposta: para que as pessoas peçam misericórdia por ela
Guemará; Baraita; Ravina
כִּי הֵיכִי דְּלִיחְזְיוּהּ אִינָשֵׁי וְלִיבְעוֹ עֲלֵיהּ רַחֲמֵי. כִּדְתַנְיָא: ״וְטָמֵא טָמֵא יִקְרָא״. צָרִיךְ לְהוֹדִיעַ צַעֲרוֹ לְרַבִּים, וְרַבִּים יְבַקְּשׁוּ עָלָיו רַחֲמִים. אָמַר רָבִינָא: כְּמַאן תָּלֵינַן כּוּבְסֵי בְּדִיקְלָא — כִּי הַאי תַּנָּא.

Pinta-se a árvore de vermelho para que as pessoas a vejam e peçam misericórdia por ela. Como se ensinou numa baraita: "e impuro, impuro clamará" (Levítico 13:45, sobre o leproso) — é preciso dar a conhecer sua dor ao público, e o público pedirá misericórdia por ele. Disse Ravina: segundo quem penduramos cachos de tâmaras numa tamareira estéril, como sinal? Segundo este mesmo tanna.

Nota

A resposta reconcilia a baraita com a regra de Abaye e Rava: pintar a árvore de vermelho não é remédio no sentido físico, mas um sinal visível que alerta as pessoas para que rezem por ela — assim como o leproso deve anunciar publicamente sua impureza, para que a comunidade peça misericórdia por ele (Levítico 13:45). Ravina conecta esse mesmo princípio ao costume de pendurar cachos de tâmaras numa tamareira que não produz frutos, como sinal para que se reze por ela também.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "delichzeyuh inashei", "tamei tamei" e "kuvsei"
דליחזיוה אינשי - ולסימנא עבדי ליה לאודעי דמשיר פירותיו: טמא טמא - הוא עצמו אומר טמא רחקו מעלי: כובסי - אשכול תמרים וסימן הוא שמשיר פירותיו:

"Para que as pessoas a vejam" — fazem isso como sinal, para dar a conhecer que ela deixa cair seus frutos antes de amadurecer. "Impuro, impuro" — ele mesmo diz: "impuro, afastai-vos de mim". "Cachos de tâmaras" — penduram-se como sinal de que ela deixa cair seus frutos.

16Um tanna ensina os costumes do emorreu diante de Rabi Chiya bar Avin: duas exceções
Tanna; Rabi Chiya bar Avin
תָּנֵי תַּנָּא בְּפֶרֶק אֱמוֹרָאֵי קַמֵּיהּ דְּרַבִּי חִיָּיא בַּר אָבִין. אֲמַר לֵיהּ: כּוּלְּהוּ אִית בְּהוּ מִשּׁוּם דַּרְכֵי הָאֱמוֹרִי, לְבַר מֵהָנֵי: מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ עֶצֶם בִּגְרוֹנוֹ מֵבִיא מֵאוֹתוֹ הַמִּין וּמַנִּיחַ לֵיהּ עַל קׇדְקֳדוֹ, וְלֵימָא הָכִי: ״חַד חַד נָחֵית בָּלַע, בָּלַע נָחֵית חַד חַד״, אֵין בּוֹ מִשּׁוּם דַּרְכֵי הָאֱמוֹרִי.

Um tanna ensinou o capítulo dos costumes do emorreu diante de Rabi Chiya bar Avin. Disse-lhe Rabi Chiya: todos os costumes ali ensinados têm em si os caminhos do emorreu, exceto estes: quem tem um osso na garganta traz outro osso do mesmo tipo de animal e o coloca sobre o alto da cabeça, e diz assim: "um por um desceu, engoliu; engoliu, desceu um por um" — este não tem em si os caminhos do emorreu.

Nota

Um discípulo recitava, diante de Rabi Chiya bar Avin, o capítulo da Tosefta que enumera os costumes do emorreu. Rabi Chiya o corrige: todas as práticas ali listadas são de fato caminhos do emorreu proibidos, com apenas duas exceções — a primeira sendo o remédio para quem tem um osso preso na garganta, que consiste em trazer outro osso do mesmo animal, colocá-lo sobre a cabeça e recitar uma fórmula rítmica, permitido por ter eficácia curativa reconhecível.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "beferek emora'ei", "amar leih", "kulhu it behu" e "chad chad nachit"
בפרק אמוראי - בפרק אחד ששנוי בתוספתא דמסכת שבת בהלכות דרכי האמורי: א"ל - רבי חייא לתנא: כולהו אית בהו - כל השנויות שם אל תטעה לומר באחד מהן אין בו משום דרכי האמורי אלא בכולן אתה שונה יש בו לבר מהני ב' אלו שאפרש לך: מי שיש לו עצם וכו' - ולחש דנעצתה כמחט אלו ב' לבדם אין בהם: חד חד נחית - לחש הוא:

"No capítulo dos costumes do emorreu" — num capítulo ensinado na Tosefta do tratado de Shabat, nas leis dos caminhos do emorreu. "Disse-lhe" — Rabi Chiya ao tanna. "Todos eles têm em si" — todas as práticas ali ensinadas: não penses que em alguma delas não há caminhos do emorreu; antes, ensinas que em todas elas há, exceto estas duas que te explicarei. "Quem tem um osso etc." — e o encantamento "cravaste-te como agulha" (a seguir): apenas estas duas não têm caminhos do emorreu. "Um por um desceu" — é um encantamento.

17A segunda exceção: para o osso de peixe na garganta
Rabi Chiya bar Avin
לְאִדְּרָא לֵימָא הָכִי: ״נִנְּעַצְתָּא כְּמַחַט, נִנְעַלְּתָא כִּתְרִיס, שַׁיָּיא שַׁיָּיא״.

Para quem tem um osso de peixe preso na garganta, que se diga assim: "cravaste-te como agulha, trancaste-te como escudo — desce, desce."

Nota

A segunda exceção mencionada por Rabi Chiya bar Avin: o encantamento dirigido diretamente ao osso de peixe preso na garganta, comparando-o a uma agulha cravada ou a um escudo trancado, e ordenando-lhe que desça — este também é permitido, e não considerado caminho do emorreu. Com este encantamento, encerra-se o daf, sem transição de perek: a Guemará continua, em Shabat 67b, discutindo outras práticas relacionadas aos costumes do emorreu, como quem invoca o deus da sorte ("Gad").

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le'idra" e "shaya shaya"
לאדרא - עצם של דג שישב לאדם בושט: שייא שייא - לחש הוא רד רד:

"Para o osso de peixe" — osso de peixe que ficou preso na garganta de alguém. "Desce, desce" — é um encantamento, no sentido de "desce, desce".