A folha abre concluindo a citação bíblica que ficara interrompida ao final de 68b: "e se errardes e não fizerdes todos estes mandamentos", e está escrito, logo em seguida, "e a pessoa que agir com mão altiva" — a justaposição compara todas as transgressões da Torá à idolatria, de modo que a oferenda pelo pecado só se aplica onde o dolo correspondente é punido com karet. A Guemará então pergunta, para Monbaz, o que conta como "erro": já que ele considera responsável até quem tinha conhecimento da proibição no momento do ato, o único erro que lhe resta é quanto à própria obrigação de trazer oferenda. Os sábios discordam: erro quanto à oferenda não é erro algum. Mas então, o que é erro para eles? Rabi Yochanan e Reish Lakish disputam: para Rabi Yochanan, basta errar quanto ao karet, ainda que se tenha agido dolosamente quanto à proibição simples; para Reish Lakish, é necessário errar quanto a ambos. Rava traz a fonte bíblica de Reish Lakish, e a Guemará explica o que Rabi Yochanan faz desse mesmo versículo. A discussão então recorre à mishná que enumera as trinta e nove categorias principais de trabalho, explicando por que o número é mencionado — para ensinar que quem as realiza todas em um único lapso de consciência é responsável por cada uma separadamente — e como esse caso se encontra, tanto segundo Rabi Yochanan quanto, com maior dificuldade, segundo Reish Lakish, que exige o recurso aos limites de percurso (techumin) segundo Rabi Akiva. Uma baraita anônima é então identificada como a posição de Monbaz. Por fim, Abaye levanta o caso do juramento de expressão, no qual todos concordam que se exige erro quanto à proibição mesma — afirmação que parece óbvia, e cuja justificativa completa (a resposta a essa obviedade) só se conclui já na folha seguinte, 69b.
"E se errardes e não fizerdes todos estes mandamentos" (Números 15:22), e está escrito: "e a pessoa que agir com mão altiva" (Números 15:30) — todas as transgressões foram comparadas à idolatria: assim como ali se trata de algo pelo qual são responsáveis, em seu dolo, por karet, e por seu erro, por uma oferenda pelo pecado, também qualquer coisa pela qual são responsáveis, em seu dolo, por karet, e por seu erro, por uma oferenda pelo pecado.
Este segmento retoma exatamente onde 68b foi interrompido, ao final da pergunta sobre o que os sábios (que discordam de Monbaz) fazem do versículo "torá achat". A resposta é esta: a passagem sobre a idolatria (Números 15) segue-se, no mesmo capítulo, à passagem sobre o erro em geral — e essa justaposição serve de hekesh (comparação), estendendo a toda a Torá a regra que rege especificamente a idolatria. Como a oferenda pela idolatria só se aplica a uma transgressão completa, cujo dolo correspondente é punido com karet, o mesmo vale, por essa comparação, para qualquer transgressão da Torá: a oferenda pelo pecado só é trazida onde o dolo equivalente acarreta karet — nunca por transgressões cujo dolo é punido apenas com uma proibição simples (lav) sem karet.
"E se errardes e não fizerdes todos estes mandamentos" — e deduzimos, em Massechet Horayot (8a), que este versículo trata da idolatria, que é equiparada a todos os mandamentos; e está escrito "uma só torá" — o que inclui toda a Torá. "Foram comparadas" — as oferendas pelos erros de todas as transgressões, à oferenda da idolatria: assim como a oferenda da idolatria não vem senão por uma transgressão completa, pela qual se é responsável, em seu dolo, por karet — pois o versículo lhe é contíguo, "e a pessoa que agir com mão altiva... será extirpada". "Também toda a Torá" — não se traz oferenda pelo pecado senão por algo cujo dolo é karet.
Mas então, segundo Monbaz, o erro é em quê? Por exemplo, quando ele errou quanto à oferenda. Já os sábios dizem: o erro quanto à oferenda não se chama erro.
Como Monbaz já sustenta (a partir do debate com Rabi Akiva em 68b) que mesmo quem tinha conhecimento da proibição no exato momento do ato ainda é considerado "inadvertido" e responsável, resta perguntar: em que consiste, então, o erro dele? A resposta é que, para Monbaz, o único erro relevante é quanto à obrigação de trazer a oferenda em si — ele sabe que a transgressão é proibida e sujeita a karet, mas não sabe que se deve trazer uma oferenda pelo pecado por ela. Os sábios rejeitam essa noção: para eles, um erro quanto à obrigação de trazer oferenda não constitui "erro" no sentido exigido pela lei — é necessário errar quanto à própria transgressão.
"Mas então, segundo Monbaz" — que disse acima que aquele que teve conhecimento no momento do ato é responsável por uma oferenda pelo pecado. "O erro é em quê" — pois, a respeito da oferenda pelo pecado, está escrito "erro". "Quando ele errou quanto à oferenda" — isto é, ele sabe que é responsável, em seu dolo, por karet, mas não sabe que é responsável, por seu erro, por uma oferenda pelo pecado. "Não se chama erro" — a menos que ele erre quanto à própria transgressão.
E os sábios, o erro é em quê? Rabi Yochanan disse: quando ele errou quanto ao karet, ainda que tenha agido dolosamente quanto à proibição (lav). Já Reish Lakish disse: até que erre quanto à proibição e ao karet. Disse Rava: qual é a razão de Rabi Shimon ben Lakish? Diz o versículo: "que não se fizerem, por erro, e for culpado" (Levítico 5:17) — isto significa: até que erre quanto à proibição e ao karet contidos nela.
Se os sábios exigem erro quanto à própria transgressão, resta saber: erro quanto a quê exatamente, dentro dela — quanto ao karet, quanto à proibição simples, ou quanto a ambos? Rabi Yochanan sustenta que basta errar quanto ao karet: mesmo que a pessoa soubesse perfeitamente que o ato era proibido (lav), se não sabia que ele acarretava karet, isso já conta como erro suficiente para gerar a obrigação de oferenda. Reish Lakish é mais exigente: só há erro qualificado quando a pessoa desconhecia tanto a proibição simples quanto o karet. Rava fundamenta a posição de Reish Lakish no próprio versículo que fala em "erro e culpa" a respeito da oferenda pelo pecado (Levítico 5:17) — a expressão dupla "que não se fizerem" (no plural, referindo-se aos mandamentos) sugerindo que o erro deve abranger a proibição inteira, não apenas o karet que a acompanha.
"E os sábios" — que exigem erro quanto à própria transgressão, o que dizem quando perguntam "o erro é em quê": erro quanto a todo o assunto, tanto na proibição quanto no karet, ou apenas no karet sozinho. "Quando ele errou quanto ao karet, ainda que tenha agido dolosamente quanto à proibição" — pois então a oferenda vem por causa do karet, como dissemos: "para quem age por erro", e o versículo lhe é contíguo, "e a pessoa que agir com mão altiva", etc. "Que não se fizerem" — isto é, a proibição (lav).
E Rabi Yochanan, este versículo usado por Rabi Shimon ben Lakish, o que faz dele? É-lhe necessário para o que se ensinou: "do povo da terra" (Levítico 4:27) — excluindo o apóstata. Rabi Shimon ben Elazar diz, em nome de Rabi Shimon: "que não se fizerem, por erro, e for culpado" — aquele que retorna do seu conhecimento traz oferenda por seu erro; aquele que não retorna do seu conhecimento não traz oferenda por seu erro.
Se Rabi Yochanan não usa o versículo "que não se fizerem, por erro, e for culpado" para exigir erro quanto à proibição e ao karet juntos (como faz Reish Lakish), para que ele o usa? Para uma baraita distinta, que trata do apóstata (meshumad) — alguém que rejeita a Torá por completo, e que a expressão "do povo da terra" (associada à oferenda comum) exclui expressamente, pois ele não se enquadra na categoria de quem eventualmente "retorna" ao conhecimento correto. Rabi Shimon ben Elazar, em nome de Rabi Shimon, lê o mesmo versículo como distinguindo entre dois tipos de pessoas: aquela cujo estado interior é de alguém que "retornaria" de seu erro, caso lhe fosse lembrada a proibição — essa traz oferenda por seu erro, mesmo que hoje viva sem consciência religiosa; e aquela que, mesmo lembrada, não se afastaria da transgressão (como o apóstata convicto) — essa não traz oferenda, pois seu erro não é um erro genuíno, mas antes uma rejeição deliberada revestida da aparência de esquecimento.
Aprendemos na mishná: as categorias principais de trabalho são quarenta menos uma. E perguntamos a respeito disso: por que preciso de mencionar o número? E disse Rabi Yochanan: para que se saiba que, se ele as realizou todas em um único lapso de consciência, é responsável por cada uma e cada uma separadamente. Como se encontra tal caso? Com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos.
A Guemará retoma uma pergunta já conhecida de outras passagens sobre a mishná que abre este perek (a lista das trinta e nove categorias principais de trabalho): por que a mishná se dá ao trabalho de mencionar o número exato ("quarenta menos uma"), já que bastaria enumerá-las e o leitor as contaria? Rabi Yochanan responde que o número serve para ensinar que, no caso de alguém que realiza todas as trinta e nove em um único lapso de consciência, ele é responsável por uma oferenda separada para cada uma — e não por uma única oferenda geral. Esse cenário só é possível quando há dolo (conhecimento consciente) quanto ao próprio Shabat — a pessoa sabe que é Shabat — mas erro quanto aos trabalhos individuais, isto é, ela não sabe que aqueles atos específicos são proibidos no Shabat.
"Por que preciso do número" — que ensine as categorias principais de trabalho, "quem semeia, quem lavra", etc.; para que preciso de ensinar "quarenta menos uma"? Que as ensine diretamente, e nós saberemos que há quarenta menos uma. "Se as realizou todas", etc. — apenas um simples sinal numérico nos ensinou a mishná, para sabermos quantas oferendas pelo pecado se é responsável por profanar um único Shabat. "Como se encontra tal caso" — pois, para que ele seja responsável por cada uma, não se encontra tal caso senão com dolo quanto ao Shabat, isto é, ele sabe que é Shabat, e erro quanto aos trabalhos, isto é, ele não sabe que esses trabalhos são proibidos; pois, se fosse dolo quanto aos trabalhos e erro quanto ao Shabat — isto é, ele sabe que são proibidos no Shabat, mas esqueceu que hoje é Shabat — já aprendemos que ele não é responsável senão por uma oferenda para cada Shabat; e não há dolo quanto ao Shabat, a menos que ele conheça uma das suas leis, pois, se não conhecesse nenhuma delas, o Shabat não se distinguiria para ele dos demais dias, e este, que errou quanto a todas as leis do Shabat, não tem aqui dolo quanto ao Shabat.
Isso está bem, segundo Rabi Yochanan, que disse: quando ele errou quanto ao karet, ainda que tenha agido dolosamente quanto à proibição — encontra-se tal caso, por exemplo, quando ele conhecia o Shabat quanto à proibição. Mas, segundo Rabi Shimon ben Lakish, que disse: até que erre quanto à proibição e ao karet — em que ele conhecia o Shabat? Quando o conhecia quanto aos limites de percurso (techumin) — e isso, apenas segundo a opinião de Rabi Akiva.
Para Rabi Yochanan, o cenário de Rabi Yochanan (dolo quanto ao Shabat, erro quanto aos trabalhos) se encontra facilmente: a pessoa conhecia a proibição simples de trabalhar no Shabat, mas não sabia do karet associado a cada trabalho específico — bastando esse conhecimento parcial da proibição para caracterizar "dolo quanto ao Shabat". Mas, para Reish Lakish, que exige erro quanto à proibição e ao karet juntos, surge uma dificuldade: se a pessoa "conhecia o Shabat" o bastante para ter dolo quanto a ele, mas ao mesmo tempo devia estar em erro quanto a toda e qualquer proibição de trabalho (para haver erro genuíno quanto aos trabalhos), em que consistiria esse conhecimento do Shabat? A resposta é que ela conhecia apenas a proibição dos limites de percurso (techumin) — sair além de determinada distância da cidade no Shabat — mas isso, segundo Rabi Akiva, já basta para caracterizá-la como alguém que "conhece o Shabat", pois Rabi Akiva sustenta (em Massechet Sotá) que a proibição dos techumin é de origem bíblica.
"Isso está bem, segundo Rabi Yochanan" — que disse que o erro quanto ao karet se chama erro. "Encontra-se tal caso" — dolo quanto ao Shabat nas proibições, e erro quanto aos trabalhos nos karet, isto é, ele conhece o Shabat, pois foi advertido quanto às proibições, seja de todas as categorias de trabalho, seja de uma delas. "Em que ele conhecia o Shabat" — acaso não errou quanto a todas, pensando que as trinta e nove categorias de trabalho eram todas permitidas? "Quanto aos limites de percurso" — pois estes não estão sujeitos a oferenda. "E isso, apenas segundo a opinião de Rabi Akiva" — que disse, em Massechet Sotá, que os limites de percurso são de origem bíblica (de'oraita), pois aprendemos lá: naquele mesmo dia, expôs Rabi Akiva: "e medireis para fora da cidade", etc.
Quem é o tanna que ensinou isto que ensinaram os sábios: errou quanto a isto e quanto àquilo — este é o inadvertido de que fala a Torá; agiu dolosamente quanto a isto e quanto àquilo — este é o doloso de que fala a Torá; errou quanto ao Shabat e agiu dolosamente quanto aos trabalhos, ou errou quanto aos trabalhos e agiu dolosamente quanto ao Shabat, ou disse: "sei que este trabalho é proibido, mas não sei se são responsáveis por ele com uma oferenda ou não" — é responsável. Segundo quem é isto? Segundo Monbaz.
Esta baraita descreve várias combinações de erro e dolo quanto ao Shabat e quanto aos trabalhos individuais, e conclui que, em todas elas — inclusive no último caso, em que a pessoa sabia perfeitamente que o trabalho era proibido, mas não sabia se a transgressão exigia oferenda — ela é responsável. Esse último caso é precisamente a posição de Monbaz: alguém com pleno conhecimento da proibição, cujo único "erro" é quanto à obrigação de trazer oferenda, ainda assim é considerado responsável. A Guemará por isso identifica esta baraita anônima como refletindo, especificamente nesse ponto, a opinião de Monbaz, e não a dos sábios que discordam dele.
"Este é o inadvertido de que fala a Torá" — isto é, onde ele errou quanto ao Shabat e quanto aos trabalhos, não há aqui nem lugar nem motivo para contestar — e não há inadvertido maior do que este. "Agiu dolosamente quanto a isto e quanto àquilo" — não há doloso maior do que este. "Errou quanto a um deles" — também este é inadvertido, e são responsáveis por ele com uma oferenda.
Disse Abaye: todos concordam, a respeito do juramento de expressão (shevuat bitui), que não são responsáveis por ele com uma oferenda a menos que se erre quanto à proibição contida nele. "Todos concordam" — quem? Rabi Yochanan. Isso é óbvio! Quando Rabi Yochanan falou assim, foi onde há karet; mas aqui, onde não há karet — não se aplicaria! Poderias pensar que eu diria: já que ele é responsável com uma oferenda — isto é uma novidade, pois em toda a Torá não encontramos nenhuma proibição pela qual se traz oferenda por ela, e aqui se traz — então, ainda que tenha errado quanto à própria oferenda, também nesse caso deveria ser responsável,
O juramento de expressão (shevuat bitui — jurar "comerei" ou "não comerei" algo, e depois fazer o contrário) é uma transgressão sujeita a oferenda pelo pecado, mas sem karet associado a seu dolo — uma exceção dentro do sistema. Abaye afirma que, mesmo aqui, todos concordam (isto é, mesmo Rabi Yochanan, que em geral dispensa o erro quanto à proibição quando há erro quanto ao karet) que é necessário errar quanto à proibição em si, já que não há karet a considerar. A Guemará contesta: isso não parece óbvio? Rabi Yochanan só dispensou o erro quanto à proibição nos casos em que há karet em jogo — aqui, sem karet, naturalmente ele também exigiria erro quanto à proibição! A Guemará então começa a explicar por que se poderia pensar o contrário: como a própria existência de uma oferenda pelo pecado para uma proibição sem karet já é uma novidade sem paralelo em toda a Torá, poder-se-ia supor que, dada essa novidade, bastaria também aqui o erro quanto à própria obrigação da oferenda (como no caso geral de Monbaz) para gerar responsabilidade — sem exigir erro quanto à proibição em si.
"Juramento de expressão" — como jurar "comerei" e "não comerei", "comi" e "não comi" — é responsável por ele com uma oferenda, e está escrito a seu respeito "e for oculto", isto é, erro. "Todos concordam" quanto ao seu erro: que, se ele jurou que não comeria e comeu, não é responsável a menos que tenha esquecido seu juramento ao comer — pois, então, ele errou quanto à proibição contida nele. "Todos concordam — quem? Rabi Yochanan" — isto é, forçosamente Abaye não se refere à controvérsia entre Monbaz e os sábios, para nos ensinar que Monbaz concorda nisto, que o erro quanto à oferenda não é erro — pois de onde viria a dúvida? Há um argumento a fortiori: agora, em toda a Torá, onde não há novidade na exigência de oferenda, disse Monbaz que alguém é responsável mesmo com erro quanto à oferenda — aqui, onde há uma verdadeira novidade, que não há karet e, ainda assim, traz-se oferenda por ela, não seria assim com muito mais razão? Mas Abaye fala a respeito dos sábios, referindo-se à controvérsia entre Rabi Yochanan e Reish Lakish; e quem é "todos concordam"? Rabi Yochanan — pois, ainda que em geral ele diga "ainda que tenha agido dolosamente quanto à proibição", aqui exige-se que ele erre quanto à proibição. "É óbvio" — já que, segundo os sábios, discutiu-se que o erro quanto à oferenda não é erro; se o erro fosse apenas quanto à proibição contida no juramento, quanto a que ele erraria? Pois, decerto, Rabi Yochanan não falou em geral senão onde há karet, exigindo que se erre quanto ao karet. "Poderias pensar" — que também a respeito do juramento de expressão, Rabi Yochanan mantém sua posição de que é responsável ainda que tenha agido dolosamente quanto à proibição; e quanto à tua dificuldade, "quanto a que ele erraria" — ele erraria quanto à própria oferenda, pois, sendo isto uma novidade, os sábios concordariam com ele nisso.