A folha abre completando diretamente o caso de Rava interrompido ao final de 70b — quem colhe e mói, duas vezes, alternando entre erro quanto ao Shabat com dolo quanto aos trabalhos e dolo quanto ao Shabat com erro quanto aos trabalhos, tomando conhecimento de cada transgressão em momentos distintos. A resposta: a colheita arrasta a colheita, e a moagem arrasta a moagem — isto é, a expiação de uma sequência cobre a mesma ação (colheita ou moagem) feita na outra sequência, já que ambas contam, quanto ao "nome" da ação, como um só esquecimento, seguindo a regra de que comer duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento gera responsabilidade por apenas uma oferenda. Mas se primeiro se torna conhecida a colheita da sequência feita com dolo quanto ao Shabat, essa colheita arrasta consigo apenas a colheita da primeira sequência e a moagem que a acompanha — pois ambas dependiam de uma só oferenda —, deixando separada, "em seu lugar", a moagem correspondente da segunda sequência, que exigirá sua própria expiação quando se tornar conhecida. Abaye então propõe que a moagem, do mesmo modo, deveria arrastar a moagem, por serem "um só nome"; e a Guemará pergunta se Rava de fato aceita o princípio do arrasto, trazendo um caso paralelo — de quem come duas azeitonas de sebo proibido em um único esquecimento, torna-se conhecida a transgressão de uma delas, e come uma terceira azeitona dentro do esquecimento da segunda — no qual Rava distribui a expiação conforme o momento em que a oferenda é trazida (pelo primeiro bocado, pelo terceiro, ou pelo do meio, que expia todos). Abaye afirma que qualquer oferenda expiaria todos os três, por arrasto; ao ouvir isso, Rava reconsiderou sua posição anterior sobre a moagem que acompanha a colheita, mas recusou estender o arrasto a um segundo grau — a moagem já arrastada (pela colheita) não arrasta, por sua vez, a outra moagem. O que é evidente para Abaye e Rava — que colheita e moagem não são separadas quanto às oferendas — é, no entanto, matéria de dúvida explícita para Rabi Zeira (ou Rabi Yirmeya): colheu e moeu metade da medida mínima (kegrogueret) com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, e voltou a colher e moer a outra metade com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos — as duas metades se juntam para completar a medida de responsabilidade, ou não? Rabi Zeira responde que não se juntam, pois são "separadas quanto às oferendas de pecado". A Guemará então objeta com a mishná de Keritot: comer sebo proibido e sebo proibido em um só esquecimento gera responsabilidade por uma só oferenda, mas comer sebo, sangue, carne além do prazo (notar) e carne de intenção indevida (pigul) em um só esquecimento gera responsabilidade separada para cada espécie — e, quanto a metades da medida mínima, a mesma espécie se junta, mas espécies diferentes não se juntam, ainda que sejam "separadas quanto às oferendas". Reish Lakish, em nome de Bar Tutni, explica essa mishná através do caso de comer em "dois pratos" diferentes, seguindo Rabi Yehoshua (de Keritot), que os pratos diferentes separam — e mostra que essa separação vale tanto para o rigor quanto para o alívio. A folha termina em aberto no meio da distinção final sobre "uma só espécie e dois pratos", que só se completa em 71b.
A colheita arrasta a colheita, e a moagem arrasta a moagem. Mas se tornou-se-lhe conhecida a colheita daquela feita com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos — a colheita arrasta a colheita e a moagem que está com ela, e a moagem que está em frente dela permanece em seu lugar.
Esta é a continuação direta do caso interrompido ao final de 70b. Rava havia proposto: alguém colhe e mói, cada ato no valor mínimo de um figo seco, primeiro com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos (a primeira sequência), depois com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos (a segunda sequência) — e então toma conhecimento da transgressão da primeira sequência, e depois da segunda. A resposta, no caso geral: a colheita de uma sequência arrasta a colheita da outra, e a moagem arrasta a moagem — isto é, quando a oferenda de uma sequência é trazida, ela também expia a mesma ação (colheita ou moagem) da outra sequência, pois, quanto ao "nome" da ação realizada, ambas contam como um único esquecimento contínuo (a regra de que duas azeitonas de sebo proibido comidas em um único esquecimento geram responsabilidade por apenas uma oferenda). Mas a Guemará examina um caso mais específico: se o que primeiro se torna conhecido é a colheita da segunda sequência (dolo quanto ao Shabat, erro quanto aos trabalhos — que por si só exigiria oferenda separada para cada trabalho), então essa colheita, ao ser expiada, arrasta consigo apenas a colheita da primeira sequência e a moagem que a acompanha (pois a colheita e a moagem da primeira sequência estavam originalmente unidas sob uma única oferenda, e não há expiação para uma sem a outra) — mas a moagem correspondente da segunda sequência permanece "em seu lugar", separada, exigindo sua própria expiação quando, por sua vez, se tornar conhecida.
"'A colheita arrasta a colheita'" — a segunda, em sua expiação; e a moagem arrasta a segunda moagem, e todas são expiadas, pois estabelecemos que quem come duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento não é responsável senão por uma. E este que fez duas colheitas em um só esquecimento, sem que se lhe tornasse conhecido, entre uma colheita e outra, que havia pecado — ainda que o esquecimento da segunda seja um pouco distinto do da primeira, ao final é um único esquecimento, pois não se lhe tornou conhecido seu pecado nesse meio tempo, e são as tomadas de conhecimento do pecado que o dividem. Portanto, esta oferenda de pecado que veio pela primeira colheita e moagem permanece sobre ambas, e são expiadas — junto com a colheita, todas as colheitas que sobre ele recaem, feitas em um só esquecimento; e junto com a moagem, todas as moagens que sobre ele recaem, quando as fez em um só esquecimento. "'Mas tornou-se-lhe conhecida a colheita'" — a última, aquela feita com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos, e ele separou por ela uma oferenda, visto que, para esta oferenda, não se vincula a moagem que a acompanha — pois, se ambas se lhe tivessem tornado conhecidas, ele seria responsável apenas por uma só oferenda para as duas. "'A colheita arrasta a colheita'" — a primeira. "'A colheita arrasta a colheita'" — conforme a regra de que duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento são consideradas uma. E a moagem que está com a primeira colheita — isto é por causa do arrasto (gerirah), pois, ainda que a oferenda principal não tenha vindo por causa da colheita que a acompanha, visto que ela foi expiada junto com a colheita última, esta arrastou consigo a moagem que a acompanhava, pois ambas dependiam de uma só oferenda, e não há expiação para uma sem a outra. "'E a moagem que está com ela'" — a da primeira. "'E a moagem última'" — a que corresponde à da primeira. "'Permanece em seu lugar'" — e, quando se lhe tornar conhecida, ele é responsável por ela.
Disse Abaye: a moagem também arrasta a moagem, pois é um só nome de "moagem". Mas acaso Rava aceita o arrasto (gerirah)? Não se ensinou: comeu duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento, e tornou-se-lhe conhecida a transgressão de uma delas, e voltou a comer o equivalente a uma azeitona dentro do esquecimento da segunda. Disse Rava: se trouxe oferenda pelo primeiro bocado, o primeiro e o segundo são expiados, o terceiro não é expiado.
Abaye propõe estender o princípio do arrasto: assim como a colheita arrasta a colheita, também a moagem deveria arrastar a moagem, pois ambas compartilham um só "nome" de ação. A Guemará então questiona se Rava, de fato, aceita esse princípio de arrasto — e traz um caso paralelo, já discutido em outra tradição, envolvendo três "bocados" sucessivos de sebo proibido: os dois primeiros comidos em um único esquecimento contínuo, com conhecimento da transgressão surgindo apenas depois, e um terceiro bocado comido já dentro do (novo) esquecimento aberto pelo segundo. Rava distribuiu a expiação conforme o momento em que a oferenda for trazida: se trazida pelo primeiro bocado, ela expia o primeiro e o segundo (que estavam no mesmo esquecimento), mas não o terceiro (que pertence a um esquecimento diferente).
"'E a moagem que corresponde a ela permanece em seu lugar'" — pois não dizemos que há arrasto de um arrasto, para expiar a moagem última junto com a moagem primeira por causa da regra de duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento — visto que a própria moagem primeira já foi expiada por meio de arrasto. "'É um só nome de moagem'" — e, ainda que a própria moagem primeira venha por arrasto, dizemos que há arrasto de um arrasto. "'Mas acaso Rava aceita o arrasto?'" — sobre a moagem que está com ela, a colheita, ele pergunta, pois Rava a arrastou junto com a colheita, ainda que a oferenda não tenha sido separada por causa daquela colheita; pois, quanto às demais colheitas, não há ali arrasto algum, já que colheita e colheita em um só esquecimento não é arrasto — pois todo nome de transgressão repetido várias vezes em um só esquecimento não gera senão uma só oferenda de pecado. "'O primeiro e o segundo são expiados'" — pois o segundo estava dentro de seu mesmo esquecimento. "'O terceiro não é expiado'" — e não dizemos que, visto que o segundo é expiado com o primeiro, por estar em seu esquecimento, que arraste também o terceiro consigo em sua expiação, ainda que o terceiro não se vincule ao primeiro.
Se trouxe oferenda pelo terceiro, o terceiro e o segundo são expiados, o primeiro não é expiado. Se trouxe oferenda pelo bocado do meio, todos são expiados. Disse Abaye: mesmo que tenha trazido oferenda por um deles qualquer, todos são expiados. Depois de ouvir isto de Abaye, Rava pensou: se é assim, a moagem também deveria arrastar a moagem! Mas concluiu: ele aceita o arrasto, mas não aceita o arrasto de um arrasto.
A Guemará completa a distribuição de Rava sobre os três bocados de sebo proibido: se a oferenda for trazida pelo terceiro, ela expia o terceiro e o segundo (unidos pelo mesmo esquecimento), mas não o primeiro; se for trazida pelo bocado do meio — que pertence a ambos os esquecimentos —, ela expia todos os três. Abaye vai além: mesmo uma oferenda trazida por qualquer um dos três, segundo ele, expiaria todos, por força do arrasto — pois o do meio, unido a cada um dos extremos por seu próprio esquecimento, arrasta um extremo até o outro. Ao ouvir essa posição mais ampla de Abaye, Rava reconsiderou sua conclusão anterior sobre o caso da colheita e da moagem (segmento 01): se o arrasto é tão forte a ponto de unir os três bocados de sebo por meio do do meio, então, pelo mesmo raciocínio, a moagem que foi arrastada junto com a colheita (por depender da mesma oferenda) deveria, por sua vez, arrastar consigo a outra moagem — um "arrasto de um arrasto". Mas Rava concluiu que não: ele aceita o princípio do arrasto em primeiro grau (a moagem é arrastada pela colheita, com a qual partilha a mesma oferenda original), mas rejeita que esse arrasto, por si só, seja capaz de gerar um segundo arrasto — a moagem arrastada não tem o poder de arrastar, por sua vez, outra transgressão.
"'Se trouxe oferenda etc.'" — pois, quando a separou, mencionou nela o nome daquela azeitona. "'Se trouxe oferenda pelo do meio, todos são expiados'" — e isto não é arrasto, mas sim porque todos estavam dentro do esquecimento deste bocado do meio. "'Disse Abaye etc.'" — pois ele aceita o arrasto. "'Depois de ouvi-lo'" — Rava, de Abaye, que disse que, mesmo que tenha trazido oferenda por um deles qualquer, todos são expiados, pois ele aceita o arrasto — Rava voltou atrás de sua posição e disse, quanto àquilo mencionado acima, que a moagem que a acompanha é expiada por arrasto. "'Se é assim'" — isto é, que Rava entende o assunto como Abaye, que afirma a existência do arrasto. "'A moagem'" — a que está com ela, que foi expiada por arrasto, deveria também arrastar a moagem que lhe corresponde, por causa da regra de duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento. "'Arrasto de um arrasto'" — como este caso da primeira moagem, que não foi expiada senão por arrasto, pois a oferenda não veio nem por ela nem pela colheita que a acompanha, mas sim ela foi arrastada junto com a colheita; portanto, o arrasto não volta a arrastar a última moagem por causa do mesmo nome de "moagem".
A coisa que é evidente para Abaye e Rava é matéria de dúvida para Rabi Zeira. Pois perguntou Rabi Zeira a Rabi Assi — e há quem diga que foi Rabi Yirmeya quem perguntou a Rabi Zeira: colheu e moeu a metade de um figo seco (kegrogueret) com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, e voltou a colher e moer a metade de um figo seco com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos — qual é a lei sobre se as duas metades se juntam? Disse-lhe: são separadas quanto às oferendas de pecado, e não se juntam.
A Guemará observa que aquilo que Abaye e Rava tratavam como evidente — que colheita e moagem, ainda que provenientes de sequências com categorias de erro e dolo invertidas, não são "separadas quanto às oferendas" a ponto de impedir toda relação entre elas (arrastando-se mutuamente) — é precisamente objeto de dúvida explícita para Rabi Zeira. O caso que ele propõe é sutil: em vez de duas colheitas e duas moagens completas (como no caso de Rava em 70b-71a), aqui cada ato — colheita e moagem — é feito apenas pela metade da medida mínima de responsabilidade (meio figo seco), numa primeira ocasião com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, e numa segunda ocasião, sem que se tenha tornado conhecida a transgressão entre uma e outra, com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos. A pergunta é se essas duas metades — de categorias invertidas — se somam para completar a medida mínima e gerar responsabilidade por oferenda, ou se, por pertencerem a categorias de erro/dolo diferentes, permanecem separadas e nenhuma chega a gerar responsabilidade por si só. Rabi Zeira responde que não se juntam, pois as duas metades são "separadas quanto às oferendas de pecado" — um princípio que a Guemará examinará a seguir, questionando se ele é absoluto.
"'A coisa que é evidente para eles'" — que o caso de dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos, e o de dolo quanto aos trabalhos e erro quanto ao Shabat, não são separados quanto às oferendas de pecado, como afirmam Abaye e Rava, pois este é expiado pela oferenda daquele, e não dizemos que são como dois esquecimentos, de modo a tornar um responsável pelo caso de dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos, e outro pelo caso de erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos — e ainda que, quanto a um só corpo de transgressão, isto lhe seja duvidoso etc. "'Colheu e moeu'" — colheu ou moeu. "'Voltou a colher etc.'" — e não se lhe tornou conhecido, nesse meio tempo, seu pecado. "'O que é a lei sobre se se juntam'" — a colheita e a colheita, até completar a medida mínima, e o autor tornar-se responsável — será que é um único esquecimento, e as duas metades se juntam? Ou talvez sejam como dois esquecimentos, e não se juntem? "'São separadas quanto às oferendas de pecado'" — se cada uma por si só tivesse a medida completa, nenhuma delas seria expiada pela oferenda trazida pela outra; portanto, não se juntam.
Mas será que, em todo caso em que duas transgressões são separadas quanto às oferendas de pecado, elas não se juntam? Não aprendemos na mishná: comeu sebo proibido e sebo proibido em um só esquecimento — não é responsável senão por uma só oferenda; comeu sebo proibido, sangue, carne de sacrifício deixada além do prazo (notar), e carne de sacrifício de intenção indevida (pigul), em um só esquecimento — é responsável por cada um e cada um; isto é um rigor aplicado a muitas espécies, mais do que a uma só espécie. E isto é um rigor aplicado a uma só espécie, mais do que a muitas espécies: que, se comeu metade de uma azeitona e voltou a comer metade de uma azeitona da mesma espécie, é responsável; mas se comeu de duas espécies, é isento.
A Guemará traz uma objeção contra a generalização implícita na resposta de Rabi Zeira: será que é sempre verdade que duas transgressões "separadas quanto às oferendas de pecado" nunca se juntam para completar uma medida mínima? A objeção vem de uma mishná do tratado de Keritot, que estabelece duas regras aparentemente opostas sobre alimentos proibidos comidos em um único esquecimento: de um lado, comer sebo proibido duas vezes gera responsabilidade por uma só oferenda (mesma espécie, soma-se); mas comer quatro espécies diferentes de alimento proibido — sebo, sangue, carne de sacrifício deixada além do prazo permitido para come-la (notar), e carne de sacrifício cuja intenção foi indevida no momento do abate (pigul) — gera responsabilidade separada para cada espécie, ainda que tudo tenha sido comido no mesmo esquecimento: um rigor aplicado a "muitas espécies", maior do que a uma só. Mas, inversamente, há também um rigor aplicado a "uma só espécie", maior do que a muitas: se a pessoa come apenas metade da medida mínima de uma espécie, e depois volta a comer outra metade da mesma espécie, as duas metades se somam e ela é responsável; mas se cada metade for de uma espécie diferente, ela é isenta — pois duas metades de espécies diferentes nunca se somam. A objeção implícita: no caso de duas espécies diferentes que não se somam, elas certamente são "separadas quanto às oferendas" (pois espécies diferentes exigem, em regra, oferendas separadas) — e, no entanto, aqui a mishná não apenas as trata como não somáveis, mas até como isentas por completo, mostrando que a categoria "separadas quanto às oferendas" de fato implica ausência de soma. Isso pareceria confirmar Rabi Zeira. Mas a Guemará, no próximo passo, mostrará que a própria formulação da mishná de Keritot é redundante se lida literalmente, obrigando a uma reinterpretação que na verdade desafia a leitura simples de "separadas quanto às oferendas, logo não se somam".
Assim lemos o texto: "e em todo caso em que são separadas quanto às oferendas de pecado, não se juntam — mas não aprendemos etc." "'Sebo proibido e sebo proibido'" — duas azeitonas, com um intervalo entre elas maior do que o tempo de comer meio pão (kedei achilat peras), de modo que constituem duas comidas. "'Que, se comeu metade de uma azeitona e voltou a comer metade de uma azeitona'" — dentro do mesmo esquecimento, e desde que não tenha demorado, do início do primeiro bocado até o fim da conclusão do último bocado, mais do que o tempo de comer meio pão — da mesma espécie, as duas metades se juntam.
E discutimos sobre isso: que de uma só espécie é responsável — precisava a mishná dizer isso? E disse Reish Lakish, em nome de Bar Tutni: aqui, com o que estamos tratando? Por exemplo, quando o comeu em dois pratos (tamchuin) diferentes, e a mishná segue Rabi Yehoshua, que diz que os pratos diferentes separam as transgressões. Poderias pensar que Rabi Yehoshua disse isso tanto para o lado do alívio quanto para o lado do rigor — por isso a mishná nos ensina que, para o alívio, ele não disse isso; para o rigor, ele disse.
A Guemará questiona a própria formulação da mishná de Keritot: dizer que duas metades da mesma espécie se somam e geram responsabilidade parece óbvio — por que precisaria ser dito explicitamente? Reish Lakish, em nome do sábio Bar Tutni, responde que o caso da mishná não é tão simples: trata-se de alguém que come as duas metades da mesma espécie de alimento proibido, mas servidas em "dois pratos" diferentes (por exemplo, uma porção assada e outra cozida) — e a mishná segue a opinião de Rabi Yehoshua (mencionada no tratado de Keritot), segundo a qual pratos diferentes separam as transgressões, de modo que comer duas azeitonas inteiras da mesma espécie em dois pratos diferentes gera duas oferendas, e não uma. Se assim é, seria de esperar que essa mesma separação valesse também para o alívio — isto é, que duas metades da medida mínima, se comidas em pratos diferentes, não se somassem e gerassem isenção, tal como duas espécies diferentes. A mishná, portanto, precisou ensinar explicitamente que, quanto a metades de medida mínima, a separação por "pratos diferentes" de Rabi Yehoshua vale apenas para o rigor (impondo duas oferendas quando cada metade, sozinha, já teria a medida completa), mas não para o alívio (as duas metades da mesma espécie, mesmo em pratos diferentes, ainda se somam para gerar responsabilidade, em vez de se anularem mutuamente em isenção).
"'Precisava dizer?'" — pois isto é uma só comida, já que, em duas comidas separadas, não há quem diga que é responsável. "'Tutni'" — nome de um sábio. "'Dois pratos'" — duas espécies de preparo, um assado e outro cozido. "'E segue Rabi Yehoshua'" — em o tratado de Keritot, que diz que os pratos diferentes separam, para quem come duas azeitonas em um só esquecimento em dois pratos, tornando-o responsável por duas oferendas de pecado. E foi necessário ensinar-nos isto aqui quanto à questão de as metades da medida se juntarem, para que não penses que Rabi Yehoshua disse isso tanto para o alívio, como aqui, quanto para o rigor, como no caso de medida completa — ou seja, que Rabi Yehoshua disse que são separadas tanto quanto a duas metades da medida, resultando em isenção — e isto seria alívio —, quanto a duas azeitonas inteiras, resultando em responsabilidade por duas — e isto seria rigor.
Mas eis que aqui também são separadas quanto às oferendas de pecado, e ainda assim se juntam! Disse-lhe: o mestre interpreta esta objeção referida à primeira cláusula da mishná, e por isso lhe é difícil; nós a interpretamos como referida à última cláusula, e não nos é difícil: que de duas espécies é isento — precisava a mishná dizer isso? E disse Reish Lakish, em nome de Bar Tutni: trata-se, na verdade, de uma só espécie. E por que a mishná a chama de "duas espécies"? Porque a comeu em dois pratos diferentes, e segue Rabi Yehoshua, que diz que os pratos diferentes separam. E isto nos ensina: que Rabi Yehoshua disse isso tanto para o alívio quanto para o rigor.
A Guemará levanta uma dificuldade contra a própria explicação que acabou de propor: se, como se disse, duas metades da mesma espécie em pratos diferentes ainda se somam (pois Rabi Yehoshua não se aplica ao alívio), então elas continuam sendo, ao mesmo tempo, "separadas quanto às oferendas" (pela regra dos pratos) e, no entanto, somáveis — o que já contradiz a suposição de Rabi Zeira de que toda separação quanto às oferendas implica ausência de soma. A resposta: há duas maneiras de ler a objeção original ("precisava dizer que a mesma espécie é responsável?"), e a Guemará agora prefere a segunda leitura, aplicada não à primeira cláusula da mishná (metades da mesma espécie, que soma), mas à última cláusula (duas espécies diferentes, que resulta em isenção). Nessa segunda leitura, a pergunta original não era sobre a primeira cláusula, mas sim: por que a mishná precisaria dizer que "duas espécies" resultam em isenção — isso não seria óbvio? Reish Lakish responde que, na verdade, o caso da última cláusula também envolve, no fundo, uma só espécie servida em dois pratos diferentes (e não duas espécies distintas) — e a mishná a chama de "duas espécies" apenas porque, seguindo Rabi Yehoshua, pratos diferentes separam as transgressões como se fossem espécies diferentes. E o ensinamento da mishná, nessa leitura, é justamente que essa separação de Rabi Yehoshua vale tanto para o alívio (as duas metades em pratos diferentes não se somam, resultando em isenção) quanto para o rigor (duas azeitonas inteiras em pratos diferentes geram duas oferendas separadas) — invertendo a atribuição da restrição "só para o rigor" da resposta anterior, e resolvendo a dificuldade ao aplicá-la à cláusula certa.
"'À primeira cláusula ele a ensina'" — refere-se a este ensinamento de Reish Lakish. "'Nós a ensinamos referida à última cláusula'" — e não se disse assim como o mestre entendeu.
Da última cláusula, se deduz que se trata de uma só espécie e dois pratos diferentes,...
A Guemará começa a extrair, por dedução lógica, a implicação necessária para a primeira cláusula da mishná a partir da nova leitura que acaba de propor para a última cláusula — mas a frase é interrompida exatamente neste ponto, no limite da folha. A conclusão desse raciocínio — de que, se a última cláusula fala de uma só espécie em dois pratos diferentes, então a primeira cláusula (sobre a soma das metades) deve necessariamente falar de uma só espécie e um só prato — só aparece já no início de 71b.