Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Zayin (Klal Gadol)
אֵין יְדִיעָה לַחֲצִי שִׁיעוּר

Conclui-se a sugia dos "dois pratos" com a resposta de Rav Huna sobre a metade da medida; Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam se duas tomadas de conhecimento sucessivas dividem a responsabilidade; a dúvida de Ravina a Rav Ashi; e Ulla abre, de forma interrompida, o tema do asham vadai

Shabbat 71b — completa a dedução interrompida ao final de 71a: da última cláusula da mishná de Keritot, que fala de uma só espécie em dois pratos diferentes, deduz-se que a primeira cláusula fala de uma só espécie e um só prato. A Guemará estranha: isso não seria óbvio? Rav Huna responde que o caso é de tomada de conhecimento no meio tempo, entre as duas metades da medida mínima — e a mishná segue Rabban Gamliel, que ensina que não há tomada de conhecimento quanto à metade da medida. Em seguida, abre-se uma nova sugia: duas azeitonas de sebo proibido comidas em um só esquecimento, com tomada de conhecimento sucessiva sobre cada uma — Rabi Yochanan diz que há responsabilidade por duas oferendas, Reish Lakish diz que por uma só, cada um com seu versículo. A Guemará resolve as dificuldades mútuas restringindo os versículos a casos específicos (depois da expiação; uma azeitona e meia). Ravina pergunta a Rav Ashi se essa disputa é sobre a tomada de conhecimento antes da separação da oferenda, depois dela, ou em ambos os casos — e, depois de uma tentativa de prova em cada direção, conclui-se que a disputa realmente cobre ambos, e que Ravina apenas formulava a questão "se quiseres dizer". A folha termina em aberto com Ulla abrindo, a partir da opinião de que a oferenda pela relação com a serva designada é uma oferenda de culpa certa (asham vadai), o tema de saber se tal oferenda requer tomada de conhecimento no início — tema que só se completa em 72a.

A folha abre completando diretamente a dedução interrompida ao final de 71a: se a última cláusula da mishná de Keritot — que isenta quem come duas metades da medida mínima de espécies diferentes — na verdade fala de uma só espécie comida em dois pratos diferentes (seguindo Rabi Yehoshua, que os pratos diferentes separam), então, por dedução, a primeira cláusula — que responsabiliza quem come duas metades da mesma espécie — deve falar de uma só espécie comida em um só prato. A Guemará imediatamente estranha: isso não seria óbvio, dispensando qualquer necessidade de a mishná dizê-lo? Rav Huna responde que o caso da mishná, apesar de tratar de uma só espécie e um só prato, precisava mesmo ser dito, pois envolve uma tomada de conhecimento no meio tempo, entre a primeira metade da medida e a segunda — e poder-se-ia pensar que essa tomada de conhecimento dividiria as duas metades, impedindo-as de se somar, tal como uma tomada de conhecimento divide duas medidas completas em duas oferendas separadas. A mishná ensina que não: pois a mishná segue Rabban Gamliel, que sustenta, mais adiante no tratado, que não há tomada de conhecimento válida quanto à metade da medida mínima — de modo que aquilo que a pessoa toma como "conhecimento" de ter comido meia medida não é, halachicamente, uma tomada de conhecimento capaz de dividir, e as duas metades continuam a se somar. Encerrada essa sugia herdada de 71a, a Guemará abre um novo tema, ainda ligado ao princípio de que "tomadas de conhecimento dividem": ensinou-se que alguém comeu duas azeitonas inteiras de sebo proibido em um só esquecimento, e tornou-se-lhe conhecida a transgressão da primeira, e só depois se lhe tornou conhecida a transgressão da segunda. Rabi Yochanan sustenta que ele é responsável por duas oferendas — a tomada de conhecimento intermediária dividiu as duas azeitonas em dois atos distintos, cada um exigindo sua própria expiação, como está escrito "por seu pecado que pecou... e trará". Reish Lakish sustenta que ele não é responsável senão por uma, pois ambas as azeitonas foram comidas em um único esquecimento, e a tomada de conhecimento posterior não desfaz essa unidade original, como está escrito "de seu pecado, e lhe será perdoado" — mesmo trazendo a oferenda por parte do pecado, é perdoado por todo ele. A Guemará então testa cada posição contra o versículo do adversário: contra Reish Lakish, traz-se o versículo de Rabi Yochanan, "por seu pecado... e trará", e responde-se que ele se refere a um caso posterior à expiação (não à mera tomada de conhecimento); contra Rabi Yochanan, traz-se o versículo de Reish Lakish, "de seu pecado, e lhe será perdoado", e responde-se que ele se refere a um caso de uma azeitona e meia, em que a segunda metade se soma automaticamente à primeira azeitona por já pertencer ao mesmo processo de expiação. Ravina então pergunta a Rav Ashi: será que a disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish é sobre a tomada de conhecimento ocorrida antes da separação da oferenda pela primeira azeitona — caso em que, depois da separação, ambos concordariam que há responsabilidade por duas —, ou sobre a tomada de conhecimento ocorrida depois da separação — caso em que, antes dela, ambos concordariam que há responsabilidade por apenas uma —, ou será que discordam em ambos os casos? Rav Ashi responde que é mais razoável que discordem em ambos os casos, pois, se a disputa fosse restrita a apenas um deles, a Guemará teria restringido os versículos de modo mais direto, em vez de recorrer às interpretações mais elaboradas que de fato propôs. Ravina então esclarece que sua pergunta era formulada como "se quiseres dizer" — testando como cada opinião explicaria o versículo do outro em cada cenário possível. A folha termina com uma nova sugia, aberta por Ulla: segundo a opinião de que a oferenda pela relação com uma serva designada (shifchah charufah) é uma oferenda de culpa certa (asham vadai), não se requer tomada de conhecimento no início — frase interrompida no limite exato da folha, cujo desenvolvimento (o caso de quem tem cinco relações com a serva designada) só aparece já no início de 72a.

Conclusão: uma só espécie e um só prato · מִין אֶחָד וְתַמְחוּי אֶחָד

01Rav Huna: o caso é de tomada de conhecimento no meio tempo — e a mishná segue Rabban Gamliel
Guemará; Rav Huna (continuação da dedução aberta em 71a)
מִכְּלָל דְּרֵישָׁא מִין אֶחָד וְתַמְחוּי אֶחָד. מִין אֶחָד וְתַמְחוּי אֶחָד צְרִיכָא לְמֵימַר?! אָמַר רַב הוּנָא: הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — כְּגוֹן שֶׁהָיְתָה לוֹ יְדִיעָה בֵּינְתַיִים. וְרַבָּן גַּמְלִיאֵל הִיא דְּאָמַר: אֵין יְדִיעָה לַחֲצִי שִׁיעוּר.

...deduz-se, então, que a primeira cláusula fala de uma só espécie e um só prato. De uma só espécie e um só prato, precisava dizer?! Disse Rav Huna: aqui, com o que estamos tratando? Por exemplo, quando houve para ele tomada de conhecimento no meio tempo entre as duas metades. E a mishná segue Rabban Gamliel, que diz: não há tomada de conhecimento quanto à metade da medida mínima.

Nota

Este segmento completa diretamente a dedução iniciada ao final de 71a. Se a última cláusula da mishná de Keritot — que isenta quem come metades de espécies diferentes — na verdade descreve uma só espécie comida em dois pratos distintos (pois pratos diferentes separam, segundo Rabi Yehoshua), então, por contraste, a primeira cláusula — que responsabiliza quem soma duas metades da mesma espécie — deve falar do caso mais simples possível: uma só espécie, em um só prato. A Guemará imediatamente objeta: se é esse o caso mais simples, por que a mishná precisaria dizê-lo? Não seria evidente que duas metades da mesma espécie, comidas no mesmo prato, se somam? Rav Huna responde que não é tão evidente assim, pois o caso envolve uma tomada de conhecimento entre a primeira metade e a segunda — a pessoa comeu a primeira metade, tomou conhecimento de tê-lo feito, e só depois comeu a segunda metade. Poder-se-ia pensar que essa tomada de conhecimento intermediária dividiria as duas metades como se fossem dois esquecimentos distintos, impedindo-as de se somar — pois, quanto a medidas completas, sabe-se que uma tomada de conhecimento entre uma transgressão e outra as separa quanto às oferendas. A mishná ensina que, aqui, isso não ocorre, pois segue a opinião de Rabban Gamliel (que a Guemará trata mais adiante, no capítulo HaBoneh), segundo a qual não existe, halachicamente, tomada de conhecimento válida quanto à metade da medida mínima — de modo que aquilo que a pessoa julga ser "conhecimento" de sua transgressão, quando esta ainda não atingiu a medida completa, não tem o poder de dividir, e as duas metades continuam se somando normalmente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mikelal derisha", "min echad vetamchui echad", "sheyeta lo yedia" e "Rabban Gamliel"
מכלל דרישא - דאמר חייב: מין אחד ותמחוי אחד - בתמיה: שהיתה לו ידיעה - בין שני חצאי שיעור ואיצטריך לאשמעינן דליצטרפו דס"ד אמינא הואיל ובשיעורין שלמים חלוקין לחטאות הכא נמי לא ליצטרפו קמ"ל דהתם הוה ידיעה אבל ידיעת חצי שיעור לאו ידיעה היא: רבן גמליאל היא דאמר - לקמן בפרק הבונה אין ידיעה לחצי שיעור:

"'Da última cláusula'" — que diz que é responsável. "'Uma só espécie e um só prato'" — em tom de espanto. "'Houve para ele tomada de conhecimento'" — entre as duas metades da medida mínima, e foi necessário ensinar-nos que as duas metades se juntam, pois poderias pensar, visto que, quanto a medidas completas, são separadas quanto às oferendas de pecado, que também aqui não deveriam se juntar — a mishná nos ensina que, ali, quanto às medidas completas, havia tomada de conhecimento válida, mas a tomada de conhecimento de meia medida não é tomada de conhecimento. "'E segue Rabban Gamliel, que diz'" — mais adiante, no capítulo HaBoneh, que não há tomada de conhecimento quanto à metade da medida mínima.

Rabi Yochanan e Reish Lakish: duas azeitonas, duas tomadas de conhecimento · יְדִיעוֹת מְחַלְּקוֹת

02Duas oferendas ou uma só? Cada opinião com seu versículo
Rabi Yochanan; Reish Lakish
אִיתְּמַר: אָכַל שְׁנֵי זֵיתֵי חֵלֶב בְּהֶעְלֵם אֶחָד, וְנוֹדַע לוֹ עַל הָרִאשׁוֹן, וְחָזַר וְנוֹדַע לוֹ עַל הַשֵּׁנִי. רַבִּי יוֹחָנָן אָמַר: חַיָּיב שְׁתַּיִם. וְרֵישׁ לָקִישׁ אָמַר: אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת. רַבִּי יוֹחָנָן אָמַר חַיָּיב: ״עַל חַטָּאתוֹ ... וְהֵבִיא״. וְרֵישׁ לָקִישׁ אָמַר פָּטוּר: ״מֵחַטָּאתוֹ וְנִסְלַח לוֹ״.

Ensinou-se: comeu duas azeitonas de sebo proibido em um só esquecimento, e tornou-se-lhe conhecida a transgressão da primeira, e voltou a tornar-se-lhe conhecida a transgressão da segunda. Rabi Yochanan disse: é responsável por duas. E Reish Lakish disse: não é responsável senão por uma. Rabi Yochanan disse que é responsável: "por seu pecado que pecou... e trará". E Reish Lakish disse que é isento: "de seu pecado, e lhe será perdoado".

Nota

Abre-se aqui uma nova sugia, ainda que ligada ao princípio recém-estabelecido de que tomadas de conhecimento podem dividir. O caso: alguém come duas azeitonas inteiras de sebo proibido, ambas dentro de um único esquecimento contínuo (isto é, sem que se lhe tornasse conhecida a transgressão entre uma e outra) — mas, depois de comer as duas, torna-se-lhe conhecida a transgressão da primeira, e só posteriormente, a da segunda. Rabi Yochanan sustenta que essa tomada de conhecimento intermediária divide as duas azeitonas em duas transgressões distintas, cada uma exigindo sua própria oferenda — ainda que ambas tenham sido comidas no mesmo esquecimento original —, apoiando-se no versículo que fala de trazer uma oferenda "por seu pecado que pecou", entendido como exigindo uma oferenda para cada pecado tomado individualmente como conhecido. Reish Lakish sustenta o oposto: como as duas azeitonas foram comidas dentro de um único esquecimento, a tomada de conhecimento posterior sobre cada uma separadamente não tem o poder de desfazer essa unidade original, e uma só oferenda basta para expiar ambas — apoiando-se no versículo que fala de que, trazendo a oferenda "de seu pecado", a pessoa é perdoada por completo, mesmo que a oferenda tenha sido trazida por apenas parte do pecado.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "vechazar venoda lo", "al chatato vehevi" e "mechatato venislach lo"
וחזר ונודע לו - לקמן בעי ליה אי קודם שהפריש קרבן על ידיעה ראשונה וקסבר ידיעות מחלקות לחטאות ואע"פ שלא היתה ידיעה בין אכילה לאכילה או לאחר הפרשה וקסבר הפרשות מחלקות והא דאביי ורבא דאמרי לעיל ונודע לו על אחת מהן וחזר ואכל כו' אלמא דחדא הוא דמיחייב אי סבירא להו פלוגתא דר' יוחנן וריש לקיש בקודם הפרשה אינהו דאמור כריש לקיש אי נמי סבירא להו דלאחר הפרשה פליגי ואינהו דאמור קודם הפרשה נודע על השני ודברי הכל אין חלוקין לחטאות: על חטאתו והביא - והביא קרבנו שעירת עזים תמימה נקבה על חטאתו אשר חטא (ויקרא ד׳:כ״ח) משמע על כל חטאת וחטאת יביא: מחטאתו ונסלח לו - אפי' לא הביא אלא על מקצת חטאתו ונסלח לו כולו:

"'E voltou a tornar-se-lhe conhecida'" — mais adiante a Guemará pergunta se isto foi antes de separar a oferenda pela primeira tomada de conhecimento, e Rabi Yochanan entende que as tomadas de conhecimento dividem a responsabilidade em oferendas de pecado, ainda que não tenha havido tomada de conhecimento entre uma comida e outra; ou se foi depois de separar a oferenda, e Rabi Yochanan entende que as separações dividem. E aquilo que Abaye e Rava disseram acima — "e tornou-se-lhe conhecida a transgressão de uma delas, e voltou a comer etc." —, de onde se conclui que ele é responsável apenas por uma oferenda: se eles entendem a disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish como referida a antes da separação, eles próprios falam como Reish Lakish; ou, se entendem que a disputa é referida a depois da separação, eles próprios tratavam de um caso anterior à separação, em que se tornou conhecida a transgressão da segunda azeitona, e, segundo todos, não são separadas quanto às oferendas. "'Por seu pecado... e trará'" — "e trará sua oferenda, uma cabra sem mácula, fêmea, por seu pecado que pecou" (Levítico 4:28) — isto dá a entender que, por cada pecado e pecado, ele deve trazer uma oferenda. "'De seu pecado, e lhe será perdoado'" — mesmo que não tenha trazido a oferenda senão por parte de seu pecado, é-lhe perdoado o pecado por inteiro.

03Cada versículo restringido a seu caso: depois da expiação; ou uma azeitona e meia
Guemará
וְרֵישׁ לָקִישׁ, הָכְתִיב: ״עַל חַטָּאתוֹ ... וְהֵבִיא״! הַהוּא לְאַחַר כַּפָּרָה. וּלְרַבִּי יוֹחָנָן נָמֵי, הָכְתִיב: ״מֵחַטָּאתוֹ וְנִסְלַח לוֹ״! הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — כְּגוֹן שֶׁאָכַל כְּזַיִת וּמֶחֱצָה, וְנוֹדַע לוֹ עַל כְּזַיִת, וְחָזַר וְאָכַל כַּחֲצִי זַיִת אַחַר בְּהֶעְלֵמוֹ שֶׁל שֵׁנִי. מַהוּ דְּתֵימָא לִיצְטָרְפוּ — קָא מַשְׁמַע לַן.

Mas, quanto a Reish Lakish, não está escrito "por seu pecado... e trará"? Aquilo se refere a depois da expiação. E, quanto a Rabi Yochanan também, não está escrito "de seu pecado, e lhe será perdoado"? Aqui, com o que estamos tratando? Por exemplo, quando comeu o equivalente a uma azeitona e meia, e tornou-se-lhe conhecida a transgressão de uma azeitona, e voltou a comer o equivalente à outra meia azeitona dentro do esquecimento da segunda. Poderias pensar que as duas metades se juntam — isto nos ensina que não.

Nota

A Guemará testa cada opinião contra o versículo do lado oposto. Contra Reish Lakish, que isenta o transgressor de uma segunda oferenda, traz-se o versículo de Rabi Yochanan, que parece exigir uma oferenda "por seu pecado" tomado individualmente — e a Guemará responde que esse versículo se refere a um caso diferente: quando a tomada de conhecimento sobre a segunda azeitona ocorreu depois que a expiação (não apenas a separação) da primeira já se completara, caso em que, segundo Reish Lakish também, haveria de fato responsabilidade por duas oferendas separadas, pois a primeira transgressão já fora encerrada por completo antes de a segunda ser sequer descoberta. Contra Rabi Yochanan, que exige duas oferendas, traz-se o versículo de Reish Lakish, que fala de perdão completo por uma só oferenda — e a Guemará responde que esse versículo trata de um caso diferente, sutilmente distinto do caso original: alguém comeu o equivalente a uma azeitona e meia (não duas azeitonas inteiras), tornou-se-lhe conhecida a transgressão do equivalente a uma azeitona, e só depois comeu — dentro do esquecimento aberto pela tomada de conhecimento anterior — o equivalente à meia azeitona restante. Nesse caso, mesmo Rabi Yochanan concorda que a meia azeitona final se soma à primeira azeitona (e não constitui, por si só, uma nova transgressão de medida completa), pois pertence ao mesmo processo, e uma só oferenda basta.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "kama lan"
קמ"ל - כיון דהאי חצי זית עם זית קמא שייך בתר ידיעה קמייתא הוה כאילו נודע לו על הכל דהא אי הוה מייתי קרבן הוה מיכפר בהדיה [דזית] בלא שום ידיעה דפחות מכשיעור לא חשיב אבל כזית לא מיכפר בלא ידיעה הלכך כי לא איתידע ליה בהדיה אלא זה אחר זה הוו ידיעות מחלקות:

"'Isto nos ensina'" — visto que esta meia azeitona, junto com a primeira azeitona inteira, pertence, depois da primeira tomada de conhecimento, como se se lhe tivesse tornado conhecida a transgressão de tudo — pois, se tivesse trazido a oferenda, ela teria sido expiada juntamente com o restante da azeitona, sem tomada de conhecimento alguma sobre essa parte, já que o que é menor do que a medida mínima não é considerado; mas uma azeitona inteira não é expiada sem tomada de conhecimento. Portanto, quando as duas partes não se lhe tornaram conhecidas juntas, mas uma depois da outra, são tomadas de conhecimento que dividem.

04Ravina a Rav Ashi: a disputa é sobre antes da separação, depois dela, ou ambos?
Ravina; Rav Ashi
אֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְרַב אָשֵׁי: דְּאִיתְיְדַע לֵיהּ קוֹדֶם הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי, וּבְהָא פְּלִיגִי: דְּמָר סָבַר יְדִיעוֹת מְחַלְּקוֹת, וּמָר סָבַר הַפְרָשׁוֹת מְחַלְּקוֹת, אֲבָל לְאַחַר הַפְרָשָׁה מוֹדֵי לֵיהּ רֵישׁ לָקִישׁ לְרַבִּי יוֹחָנָן דְּחַיָּיב שְׁתַּיִם. אוֹ דִילְמָא דְּאִיתְיְדַע לֵיהּ לְאַחַר הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי, וּבְהָא פְּלִיגִי: דְּמָר סָבַר הַפְרָשׁוֹת מְחַלְּקוֹת, וּמָר סָבַר כַּפָּרוֹת מְחַלְּקוֹת. אֲבָל קוֹדֶם הַפְרָשָׁה מוֹדֵי לֵיהּ רַבִּי יוֹחָנָן לְרֵישׁ לָקִישׁ דְּאֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת. אוֹ דִילְמָא בֵּין בָּזוֹ וּבֵין בָּזוֹ מַחֲלוֹקֶת?

Disse-lhe Ravina a Rav Ashi: será que Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam no caso de tornar-se-lhe conhecida a transgressão da segunda azeitona antes da separação da oferenda pela primeira, e é sobre isto que discordam — que um mestre entende que as tomadas de conhecimento dividem, e o outro mestre entende que as separações dividem —, mas, depois da separação, Reish Lakish concorda com Rabi Yochanan que é responsável por duas? Ou talvez discordem no caso de tornar-se-lhe conhecida depois da separação, e é sobre isto que discordam — que um mestre entende que as separações dividem, e o outro mestre entende que as expiações dividem —, mas, antes da separação, Rabi Yochanan concorda com Reish Lakish que não é responsável senão por uma? Ou talvez, tanto neste caso quanto naquele, haja discordância?

Nota

Ravina propõe a Rav Ashi três leituras possíveis para o alcance exato da disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish. Na primeira, a disputa se restringiria ao caso em que a tomada de conhecimento sobre a segunda azeitona ocorre antes de a oferenda pela primeira ter sido sequer separada — e o desacordo giraria em torno de saber se a mera tomada de conhecimento já divide (Rabi Yochanan) ou se apenas a separação da oferenda é capaz de dividir (Reish Lakish); mas, uma vez separada a oferenda, ambos concordariam que uma tomada de conhecimento posterior divide, gerando responsabilidade por duas. Na segunda leitura, inversamente, a disputa se restringiria ao caso em que a tomada de conhecimento ocorre depois da separação — girando em torno de saber se a separação já basta para dividir (Reish Lakish, que exigiria a expiação completa) ou se apenas a expiação efetiva divide (Rabi Yochanan, que já consideraria a separação suficiente); mas, antes da separação, ambos concordariam que a mera tomada de conhecimento não divide. Na terceira leitura, a disputa cobriria os dois cenários simultaneamente, sem que houvesse concordância em nenhum deles.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "de'ityada leih"
דאיתידע ליה - על השני קודם שהפריש קרבן על ידיעה הראשונה פליגי:

"'Tornou-se-lhe conhecida'" — a transgressão da segunda azeitona, antes de separar a oferenda pela primeira tomada de conhecimento, é o caso sobre o qual discordam.

05Rav Ashi: é mais razoável que discordem em ambos os casos
Rav Ashi
אֲמַר לֵיהּ: מִסְתַּבְּרָא בֵּין בָּזוֹ וּבֵין בָּזוֹ מַחֲלוֹקֶת. דְּאִי סָלְקָא דַּעְתָּךְ קוֹדֶם הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי, אֲבָל לְאַחַר הַפְרָשָׁה מוֹדֶה לֵיהּ רֵישׁ לָקִישׁ לְרַבִּי יוֹחָנָן דְּחַיָּיב שְׁתַּיִם — אַדְּמוֹקֵים לֵיהּ קְרָא לְאַחַר כַּפָּרָה, לוֹקְמֵיהּ לְאַחַר הַפְרָשָׁה! וְאִי אַחַר הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי, אֲבָל קוֹדֶם הַפְרָשָׁה מוֹדֶה לֵיהּ רַבִּי יוֹחָנָן לְרֵישׁ לָקִישׁ דְּאֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת, אַדְּמוֹקֵי לֵיהּ קְרָא בִּכְזַיִת וּמֶחֱצָה, לוֹקְמֵיהּ קוֹדֶם הַפְרָשָׁה!

Disse-lhe: é razoável que, tanto neste caso quanto naquele, haja discordância. Pois, se te ocorresse pensar que discordam no caso de tornar-se-lhe conhecida antes da separação, mas, depois da separação, Reish Lakish concorda com Rabi Yochanan que é responsável por duas — em vez de estabelecer o versículo como referido a depois da expiação, que o estabeleça como referido a depois da separação! E se discordam no caso de tornar-se-lhe conhecida depois da separação, mas, antes da separação, Rabi Yochanan concorda com Reish Lakish que não é responsável senão por uma — em vez de estabelecer o versículo no caso de uma azeitona e meia, que o estabeleça como referido a antes da separação!

Nota

Rav Ashi responde que a terceira leitura é a mais razoável, e prova isso a partir da própria forma como a Guemará, no segmento 03, escolheu restringir os versículos. Se a disputa fosse restrita apenas ao caso anterior à separação (a primeira leitura de Ravina), então, quando a Guemará precisou explicar o versículo de Rabi Yochanan contra Reish Lakish, bastaria dizer simplesmente que ele se refere a um caso posterior à separação da oferenda — pois, nessa leitura, já se sabe que, depois da separação, Reish Lakish concorda com Rabi Yochanan. Em vez disso, a Guemará preferiu a explicação mais forte e específica de "depois da expiação". Da mesma forma, se a disputa fosse restrita apenas ao caso posterior à separação (a segunda leitura), bastaria explicar o versículo de Reish Lakish como referido a um caso anterior à separação — mas a Guemará preferiu a explicação mais específica do caso de uma azeitona e meia. O fato de a Guemará ter escolhido, em ambos os casos, a explicação mais restrita e elaborada, em vez da mais simples que estaria disponível sob as duas primeiras leituras, mostra que a disputa realmente cobre ambos os cenários — pois só assim essas explicações mais elaboradas eram necessárias.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "admokim leachar kapparah"
אדמוקים לאחר כפרה - כי פרכינן לעיל לריש לקיש הא כתיב על חטאתו והביא ואוקימנא שיטתיה דתלמודא בלאחר כפרה לוקמא בלאחר הפרשה אבל השתא דאוקימנא בלאחר כפרה ש"מ דפשיטא לבני הישיבה שסדרו הגמ' דלאחר הפרשה נמי פטר ריש לקיש:

"'Em vez de estabelecer o versículo como referido a depois da expiação'" — pois, quando questionamos acima, contra Reish Lakish, que está escrito "por seu pecado... e trará", e estabelecemos, segundo o raciocínio da Guemará, o versículo como referido a depois da expiação — em vez disso, que o estabelecesse como referido a depois da separação! Mas, agora que o estabelecemos como referido a depois da expiação, ouve-se disso que era evidente para os membros da academia que redigiram a Guemará que, também depois da separação, Reish Lakish isenta de uma segunda oferenda, exigindo apenas a expiação completa.

06Ravina esclarece: era apenas um "se quiseres dizer"
Guemará; Ravina
וְדִילְמָא סַפּוֹקֵי מְסַפְּקָא לֵיהּ, וְ״אִם תִּימְצֵי לוֹמַר״ קָאָמַר: אִם תִּימְצֵי לוֹמַר קוֹדֶם הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי בַּהּ, רַבִּי יוֹחָנָן הֵיכִי מוֹקֵי לֵיהּ לִקְרָא — בִּכְזַיִת וּמֶחֱצָה. וְאִם תִּימְצֵי לוֹמַר לְאַחַר הַפְרָשָׁה פְּלִיגִי, רֵישׁ לָקִישׁ הֵיכִי מוֹקֵי לֵיהּ לִקְרָא — בִּלְאַחַר כַּפָּרָה.

Mas talvez Ravina esteja em dúvida quanto ao alcance da disputa, e diga sua pergunta apenas como um "se quiseres dizer": se quiseres dizer que discordam sobre isto antes da separação, como Rabi Yochanan estabelece o versículo de Reish Lakish? No caso de uma azeitona e meia. E se quiseres dizer que discordam sobre isto depois da separação, como Reish Lakish estabelece o versículo de Rabi Yochanan? Como referido a depois da expiação.

Nota

A Guemará propõe uma leitura alternativa da própria pergunta de Ravina: talvez ele não estivesse certo de qual das leituras é a correta, mas apenas testando, para cada uma das duas primeiras leituras possíveis (tomadas separadamente, como hipóteses de "se quiseres dizer"), como cada opinião explicaria o versículo do adversário dentro daquele cenário restrito. Se se quiser dizer que a disputa é restrita ao caso anterior à separação, então Rabi Yochanan — que, nesse cenário, concordaria com Reish Lakish depois da separação — precisaria explicar o versículo de Reish Lakish ("de seu pecado, e lhe será perdoado") através do caso da azeitona e meia. E se se quiser dizer que a disputa é restrita ao caso posterior à separação, então Reish Lakish — que, nesse cenário, concordaria com Rabi Yochanan antes da separação — precisaria explicar o versículo de Rabi Yochanan ("por seu pecado... e trará") através do caso de depois da expiação. Esta leitura mostra que as duas explicações trazidas no segmento 03 não determinam, por si sós, que a disputa cobre os dois cenários — elas seriam necessárias de todo modo, sob qualquer das leituras possíveis da pergunta de Ravina.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre a leitura correta desta sugia ("hachi garsinan")
הכי גרסינן בספרים ישנים ודילמא ספוקי מספקא להו ואת"ל קאמר אם תמצא לומר קודם הפרשה פליגי רבי יוחנן היכי מוקי ליה לקרא בכזית ומחצה את"ל אחר הפרשה פליגי ר"ל היכי מוקי ליה לקרא בלאחר כפרה והכי פירושא ודילמא לבני תלמודא נמי מספקא להו פלוגתא דר"י ור"ל במאי כי היכי דמספקא ליה לדידי אי בקודם אי בלאחר אי בתרווייהו וכי פריך בעל התלמוד לרבי יוחנן נמי והא כתיב מחטאתו ונסלח לו ומשני ליה בכזית ומחצה בלשון את"ל פריך ליה ומשני ליה והכי קאמר אי הוה פשיטא לן דלאחר הפרשה הוא דמחייב [ר"י תרתי] אבל בקודם הפרשה מודה [לר"ל] לא הוה קשיא לן מידי דאוקימנא מחטאתו ונסלח לו בקודם הפרשה אבל השתא קשיא לן את"ל בהך בעיא דרבינא דבקודם הפרשה נמי פליגי וא"ר יוחנן חייב שתים ר' יוחנן היכי מוקי ליה לקרא דמחטאתו ונסלח לו ושני ליה בכזית ומחצה והכי קמשני אפי' את"ל דקודם הפרשה לחודא פליגי אי נמי בתרווייהו פליגי איכא לאוקמא בכזית ומחצה ולר"ל נמי כי פריך ליה תלמודא הכתיב על חטאתו והביא ושני ליה בעל התלמוד בלאחר כפרה לעולם ספוקי מספקא ליה במאי פליגי כלדידי ובאת"ל פריך ומשני והכי קאמר את"ל בלאחר הפרשה נמי פליגי דבלאחר הפרשה פטר ליה בחד קרבן דהשתא ליכא לאוקמא לקרא דמחייב בלאחר הפרשה ר"ל היאך מוקי ליה להאי קרא כלומר במאי מוקי ליה ושני ליה אפילו אם תמצא לומר בלאחר הפרשה פליגי איכא לאוקמי בלאחר כפרה. ורוב התלמידים שגו בשיטה זו ודימו דהאי דהיכי מוקי לה לקרא בכזית ומחצה וחברו היכי מוקי ליה לקרא בלאחר כפרה לשון קושיא הוא ולפרושי כמו מ"ט והוצרכו לשבש את הספרים ולמחוק הוי"ו ואת"ל קמא ולהגיה קאמרינן ולהגיה על קודם לאחר ועל לאחר קודם ואין שיטת התלמוד כפי סוגייתם:

Assim lemos o texto nos livros antigos: "mas talvez Ravina esteja em dúvida, e diga sua pergunta como um 'se quiseres dizer': se quiseres dizer que discordam antes da separação, como Rabi Yochanan estabelece o versículo? No caso de uma azeitona e meia. Se quiseres dizer que discordam depois da separação, como Reish Lakish estabelece o versículo? Como referido a depois da expiação". E assim é a explicação: talvez também para os mestres da Guemará que redigiram esta sugia fosse duvidoso sobre o quê exatamente discordam Rabi Yochanan e Reish Lakish — tal como me é duvidoso a mim, diz Ravina, se é sobre antes, se é sobre depois, ou se é sobre ambos —; e, quando o mestre da Guemará questiona também contra Rabi Yochanan que está escrito "de seu pecado, e lhe será perdoado", e lhe responde que se refere ao caso de uma azeitona e meia, ele o questiona e lhe responde na forma de um "se quiseres dizer". E assim se diz: se nos fosse evidente que é depois da separação que Rabi Yochanan responsabiliza por duas, mas antes da separação concorda com Reish Lakish, nada nos seria difícil, pois já estabelecemos "de seu pecado, e lhe será perdoado" como referido a antes da separação; mas agora nos é difícil: se quiseres dizer, segundo esta dúvida de Ravina, que também antes da separação discordam, e Rabi Yochanan diz que é responsável por duas — como Rabi Yochanan estabelece o versículo "de seu pecado, e lhe será perdoado"? E lhe responde que se refere ao caso de uma azeitona e meia; e assim ele responde: mesmo se quiseres dizer que discordam apenas antes da separação, ou ainda que discordem em ambos os casos, é possível estabelecer o versículo no caso de uma azeitona e meia. E também quanto a Reish Lakish, quando a Guemará lhe questiona: não está escrito "por seu pecado... e trará"?, e o mestre da Guemará lhe responde que se refere ao caso de depois da expiação — na verdade, era duvidoso para ele sobre o quê discordam, tal como para mim (diz Ravina), e questiona e responde na forma de "se quiseres dizer"; e assim se diz: se quiseres dizer que discordam também depois da separação, pois depois da separação Reish Lakish isenta com uma só oferenda, de modo que agora não há como estabelecer o versículo que responsabiliza por duas como referido a depois da separação — como Reish Lakish estabelece este versículo? Isto é, sobre o quê o estabelece? E lhe responde: mesmo se quiseres dizer que discordam depois da separação, é possível estabelecê-lo como referido a depois da expiação. E a maioria dos alunos erraram nesta explicação, e pensaram que este "como estabelece o versículo no caso de uma azeitona e meia" e seu companheiro "como estabelece o versículo como referido a depois da expiação" são uma forma de questionamento, a explicar como um "por que razão" — e por isso precisaram corromper os livros, e apagar o "e" inicial e o primeiro "se quiseres dizer", e emendar para "dizemos", e trocar "antes" por "depois" e "depois" por "antes" — mas não é essa a lógica da Guemará, segundo sua própria sugia.

Ulla: o asham vadai da serva designada · אָשָׁם וַדַּאי

07Segundo quem diz que é oferenda de culpa certa, não se requer tomada de conhecimento no início — segmento interrompido
Ulla
אָמַר עוּלָּא: לְמַאן דְּאָמַר אָשָׁם וַדַּאי, לָא בָּעֵי יְדִיעָה בַּתְּחִילָּה,

Disse Ulla: segundo aquele que diz que a oferenda pela relação com a serva designada é uma oferenda de culpa certa (asham vadai), não se requer tomada de conhecimento no início,...

Nota

A folha termina com a abertura de uma nova sugia, distinta da disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish, e a frase é interrompida exatamente neste ponto, no limite da folha. Ulla introduz um princípio ligado à natureza da oferenda trazida por quem tem relações com uma shifchah charufah (serva hebreia meio liberta, designada a um servo hebreu, com quem outro homem teve relações proibidas): há uma opinião de que essa oferenda é um asham vadai — uma oferenda de culpa "certa", trazida por uma transgressão já confirmada, como a oferenda de quem rouba ou usa indevidamente bens consagrados —, em contraste com o asham talui, a oferenda de culpa "condicional", trazida por uma transgressão apenas duvidosa. Segundo essa opinião, sustenta Ulla, o asham vadai não requer, ao contrário da oferenda de pecado (chatat) comum, uma tomada de conhecimento da transgressão antes de trazer a oferenda — mas a frase é cortada exatamente aqui, antes de a Guemará explicar o raciocínio e trazer o caso ilustrativo.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lemaan de'amar asham vadai lo ba'ei yedia" e "asham vadai"
למ"ד אשם ודאי לא בעי ידיעה - פלוגתא דר"ט ור"ע היא בכריתות בפ' דם שחיטה (כריתות דף כב.) ר"ע מחייב על ספק מעילות אשם תלוי ופי' היו לפניו שתי חתיכות א' של קדש וא' של חולין ואכל אחת מהן ואינו יודע איזו אכל מביא אשם תלוי ומודה ר"ע שאינו מביא את מעילתו כלומר אינו משלם קרן וחומש עד שיודע לו ויביא עמה אשם מעילות ודאי כי היכי דאשם תלוי דשאר עבירות דספק כרת אינו מכפר כפרה גמורה וכשיודע לו דודאי חטא מביא חטאת אף זה כשיודע לו יחזור ויביא אשם ודאי ר"ט אומר מה לזה מביא שתי אשמות ולא דמי לאשם תלוי דספק חטאת דהתם ספיקו איל וודאי נקבה הלכך כי מתידע ליה בעי לאתויי נקבה אבל זה ששניהם מין אחד כדאמר התם שממין שמביא על הודע מביא על לא הודע שזה איל וזה איל יביא קרן וחומש ויביא איל ויאמר אם ודאי מעלתי זו מעילתי וזו אשמי ואם ספק שלא עתיד ספיקי להודע לי אשם זה יהיה אשם תלוי והקדש זה לנדבה ולכי מתיידע ליה לא בעי לאתויי אשם אחרינא אלמא לא בעי ידיעה בתחילה באשם ודאי קודם הבאת כפרתו דהא לא איתידע ליה כי אתיי' ומכפר עליה: אשם ודאי - כל אשמות קרוין אשם ודאי חוץ מאשם תלוי שהוא בא על לא הודע והן שלשה הבאין על חטא אשם מעילות אשם גזילות אשם שפחה חרופה:

"'Segundo aquele que diz que é oferenda de culpa certa, não se requer tomada de conhecimento'" — esta é a disputa entre Rabi Tarfon e Rabi Akiva, no tratado de Keritot, no capítulo Dam Shechitah (Keritot 22a): Rabi Akiva responsabiliza, no caso de dúvida sobre uso indevido de bens consagrados, por uma oferenda de culpa condicional (asham talui). E a explicação: havia diante da pessoa dois pedaços — um consagrado e um comum — e ela comeu um deles, sem saber qual comeu; ela traz uma oferenda de culpa condicional. E Rabi Akiva reconhece que ela não traz *a oferenda* por seu uso indevido — isto é, não paga o principal e o quinto adicional — até que se lhe torne conhecido *qual comeu*, e então traga, junto com isso, uma oferenda de culpa certa pelo uso indevido; assim como a oferenda de culpa condicional das demais transgressões, cuja dúvida é de responsabilidade por extirpação (karet), não expia por completo, e, quando se lhe torna conhecido que de fato pecou, ela traz uma oferenda de pecado — assim também aqui, quando se lhe torna conhecido, ela volta e traz uma oferenda de culpa certa. Rabi Tarfon diz: por que haveria esta *pessoa* de trazer duas oferendas de culpa? E não se compara à oferenda de culpa condicional da dúvida de responsabilidade por oferenda de pecado, pois, ali, a oferenda da dúvida é um carneiro, e a *oferenda* certa é uma fêmea; portanto, quando se lhe torna conhecido, ela precisa trazer *uma fêmea, diferente do que já trouxe*. Mas aqui, onde ambas são da mesma espécie — como se diz ali, que da espécie que se traz pelo *pecado* conhecido se traz também pelo não conhecido, pois esta é um carneiro e aquela é um carneiro —, ela paga o principal e o quinto adicional, e traz um carneiro, e diz: se foi certo que usei indevidamente, este é *pela* minha *transgressão de* uso indevido, e isto é minha oferenda de culpa; e se foi dúvida — já que não se espera que minha dúvida venha a se tornar conhecida — este carneiro será uma oferenda de culpa condicional, e a consagração *anterior* será para uma oferenda voluntária. E, quando se lhe torna conhecido, ela não precisa trazer outra oferenda de culpa. Conclui-se disto que não se requer tomada de conhecimento no início quanto à oferenda de culpa certa, antes de trazer sua expiação — pois não se lhe tornou conhecido quando *a trouxe*, e ainda assim *a oferenda* a expia. "'Oferenda de culpa certa'" — todas as oferendas de culpa são chamadas de "certas", exceto a oferenda de culpa condicional, que vem por uma transgressão não conhecida; e são três as que vêm por um pecado certo: a oferenda de culpa por uso indevido de bens consagrados, a oferenda de culpa por roubo, e a oferenda de culpa pela serva designada.

Este último segmento termina em aberto, no meio da afirmação de Ulla sobre o asham vadai. O início de Shabat 72a completa exatamente este raciocínio com o caso ilustrativo: "בָּעַל חָמֵשׁ בְּעִילוֹת בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה — אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת" ("teve cinco relações com a serva designada — não é responsável senão por uma"), seguido da objeção de Rav Hamnuna. Esta quebra de frase no limite exato da folha é uma ocorrência normal da paginação do Talmud impresso — o mesmo padrão observado ao final de 70a, de 70b e de 71a —, e não um erro de tradução ou de transcrição. Como 72a ainda não foi publicado neste site, o link "próxima" desta página aponta para o índice de Shabbat.