A folha abre com a linha que, na impressão de Vílna, encerra o pensamento iniciado ao final de 73a: "por que preciso da contagem das trinta e nove categorias?" — respondida por Rabi Yochanan: para que, se alguém as fez todas em um só esquecimento, seja responsável por cada uma separadamente. Esta pergunta e sua resposta, junto com a dificuldade de Rava e a solução apoiada em Reish Lakish e Rabi Akiva, já foram traduzidas e explicadas por completo ao final de 73a; aqui ela reaparece apenas como a linha inicial do amud impresso, e a Guemará passa imediatamente a fazer algo novo: examinar, categoria por categoria, a própria lista de trabalhos que acabara de ser citada. Começa perguntando por que a Mishná ensina "o que semeia, e o que ara" nesta ordem, quando a lógica exigiria o inverso — primeiro arar a terra, depois semeá-la; a resposta: a Mishná fala da perspectiva de Eretz Israel, onde a terra é dura e não se pode cobrir a semente sem lavrar depois de semeá-la, de modo que ali se semeava primeiro e se arava depois, e a Mishná ensina, de passagem, que este ato também é uma forma de lavrar. Uma baraita reúne poda, plantio, mergulhia (curvar um galho para que enraíze) e enxertia como uma só categoria de trabalho — pois todas servem para fazer crescer algo — explicando que isto vem ensinar que quem realiza várias destas ações de uma vez, dentro da mesma categoria, é responsável apenas uma vez; e Rabi Ami, em nome de Rabi Chiya bar Ashi, em nome de Rav Ami, ensina que a poda é responsável como derivada de plantio, e que o plantio, a mergulhia e a enxertia são responsáveis como derivados de semear — precisão que a Guemará ajusta, entendendo que plantio, mergulhia e enxertia derivam tanto de semear quanto de plantio propriamente dito. Seguem-se três casos concretos de dupla responsabilidade, todos com a mesma estrutura lógica: Rav Kahana ensina que quem poda e precisa da lenha (para queimar) é responsável duas vezes, por colher e por plantar, pois a lenha cortada é como uma colheita, e o efeito da poda sobre a árvore é como um plantio; Rav Yossef ensina o mesmo de quem corta alfafa (que volta a crescer); e Abaye, de quem apara acelga (que também volta a crescer). A Guemará passa então a "o que ara": uma baraita reúne arar, cavar e fazer sulcos como uma só categoria, pois todos afrouxam a terra; Rav Sheshet ensina que quem tinha um montículo de terra em sua propriedade e o removeu é responsável por construir, se em casa, ou por arar, se no campo; e Rava ensina o mesmo, de modo inverso, sobre quem tinha um buraco e o preencheu. Rabi Abba então traz uma exceção: quem cava um buraco no Shabat precisando apenas da terra removida (não do buraco em si) é isento quanto ao próprio buraco — mesmo segundo Rabi Yehudá, que responsabiliza por um trabalho que não é necessário em si mesmo (melachá she'einá tzericha legufáh), pois esta regra de Rabi Yehudá se aplica apenas a quem aperfeiçoa algo, e aqui, ao contrário, a pessoa deteriora sua propriedade. A Guemará passa a "o que colhe": uma baraita reúne colher, vindimar, colher tâmaras, colher azeitonas e colher figos como uma só categoria; Rav Papa ensina que quem atira um torrão de terra contra uma tamareira e faz cair as tâmaras é responsável duas vezes, por arrancar e por debulhar, mas Rav Ashi discorda, pois não é costume arrancar nem debulhar desta forma. Passa então a "o que ajunta em feixes": Rava ensina que quem ajunta sal de uma salina é responsável por "o que ajunta em feixes", mas Abaye discorda, pois esta categoria se aplica apenas ao que cresce da terra. Uma baraita reúne debulhar, sacudir o linho e cardar o algodão como uma só categoria. A folha então se volta a "o que peneira ao vento, o que escolhe, o que mói, e o que passa na peneira fina", perguntando: não são todas a mesma coisa, já que todas separam o alimento do refugo? — e a resposta começa a ser dada por Abaye e Rava, que dizem juntos: "tudo o que havia no Tabernáculo..." — mas a frase é interrompida pela virada do amud, e sua continuação (a distinção entre trabalhos que, embora semelhantes, foram feitos separadamente no Tabernáculo, e por isso contam como categorias distintas) só aparece no início de 74a.
GUEMARÁ. Por que preciso da contagem? Disse Rabi Yochanan: para que, se as fez todas em um só esquecimento, seja responsável por cada uma delas.
Esta linha, no impresso de Vílna, abre formalmente o amud bet, mas repete — quase palavra por palavra — a pergunta e a resposta que já haviam sido citadas e explicadas por completo ao final de 73a (onde a Guemará também trouxera a dificuldade de Rava e a solução apoiada em Rabi Yochanan, Reish Lakish e Rabi Akiva). Trata-se de uma sobreposição do próprio texto talmúdico: o pensamento de Rabi Yochanan atravessa a virada da página, e por isso esta linha aparece, de forma completa em si mesma, tanto no fim de um amud quanto no início do outro. Não se repete aqui a discussão já resolvida em 73a; a Guemará, a partir daqui, passa a examinar a Mishná categoria por categoria.
"'GUEMARÁ. Por que preciso da contagem?'" — que ensinasse "as categorias principais de trabalho: o que semeia, e o que ara" etc., e eu mesmo veria se são trinta e nove. "'Para que, se as fez, etc.'" — e veio ensinar-te que, se todas as leis do Shabat lhe foram esquecidas, é responsável por quantas oferendas de pecado sobre ele.
"O que semeia, e o que ara." Ora, primeiro se ara — que ensine primeiro "o que ara", e depois ensine "o que semeia"! O tanna se encontra na perspectiva de Eretz Israel, onde se semeava primeiro, e depois se arava.
A Guemará observa que a ordem lógica das operações agrícolas exigiria arar antes de semear — pois normalmente se prepara a terra antes de lançar a semente. No entanto, a Mishná lista "o que semeia" antes de "o que ara". A resposta: o tanna fala da perspectiva da terra de Israel, onde o solo era duro e seco, de modo que se semeava primeiro e depois se arava, para que a lavra posterior cobrisse a semente com terra — e é por isso que a Mishná lista "o que semeia" em primeiro lugar, refletindo a prática agrícola local, e ensinando também, de passagem, que este ato de cobrir a semente pela lavra é, em si, uma forma da categoria de arar.
"'Primeiro se ara'" — aram. "'Em Eretz Israel'" — a terra é dura, e não se pode cobrir a semente sem lavrar depois; e veio ensinar-nos que isto também é lavrar.
Foi ensinado: o que semeia, e o que poda, e o que planta, e o que faz mergulhia, e o que enxerta — todos estes são uma só categoria de trabalho. Que novidade vem ensinar-nos? Vem ensinar-nos isto: quem realiza vários trabalhos de uma mesma espécie de categoria não é responsável senão uma vez. Disse Rabi Acha, disse Rabi Chiya bar Ashi, disse Rabi Ami: o que poda é responsável como derivado de "o que planta"; e o que planta, e o que faz mergulhia, e o que enxerta são responsáveis como derivados de "o que semeia". Como derivados de "o que semeia", sim; como derivados de "o que planta", não? Diga: também como derivados de "o que semeia".
Uma baraita reúne cinco operações agrícolas — semear, podar, plantar, fazer mergulhia (curvar um galho e enterrar sua ponta para que enraíze e se torne uma nova planta) e enxertar — como uma só categoria de trabalho, pois todas visam fazer algo crescer. A novidade que a baraita ensina: quem realiza várias destas ações de uma só vez, dentro da mesma categoria fundamental, não é responsável mais que uma única vez. Rabi Ami, citando uma tradição de dois nomes, precisa a hierarquia: a poda é uma categoria derivada (tolada) de "o que planta" (pois também estimula o crescimento), enquanto plantar, fazer mergulhia e enxertar são derivados de "o que semeia" (a categoria principal, ou av, da agricultura). A Guemará então corrige esta formulação: se plantar, mergulhia e enxertia são derivados apenas de semear, e não também de plantar, restaria a pergunta de por que a poda seria derivada de plantar e não de semear — a resposta final: também a poda (e as demais operações) devem ser entendidas como derivadas tanto de semear (a categoria principal em relação às sementes) quanto de plantar (a categoria principal em relação às árvores), pois plantar é, em si, uma forma de semear aplicada às árvores.
"'Todos estes são uma só categoria de trabalho'" — pois a poda também serve para fazer crescer a árvore; e disto resulta que, se as fez todas junto com semear, não é responsável senão uma vez, pois quem realiza vários trabalhos de uma mesma espécie, etc. Semear é categoria principal, e plantar também é categoria principal — pois este é o mesmo semear, só que um se aplica às sementes e outro às árvores; e assim também mergulhia e enxertia; mas a poda é categoria derivada. "'O que poda é responsável'" — como derivado de "o que planta", pois a poda se faz para fazer crescer. "'E o que planta'" — ele mesmo, e assim também mergulhia e enxertia. "'É responsável como derivado de semear'" — isto é, também estes são semear: um é categoria principal quanto às sementes, e o outro é categoria principal quanto às árvores. "'Como derivados de semear, sim; como derivados de plantar, não'" — refere-se à mergulhia e à enxertia. "'Diga: também como derivados de semear'" — pois este semear se aplica às árvores, e se as fez junto com semear, não é responsável senão uma vez, e nada mais.
Disse Rav Kahana: quem poda e precisa da lenha é responsável duas vezes: uma como derivado de "o que colhe", e outra como derivado de "o que planta". Disse Rav Yossef: este que corta alfafa é responsável duas vezes: uma como derivado de "o que colhe", e outra como derivado de "o que planta". Disse Abaye: este que apara acelga é responsável duas vezes: uma como derivado de "o que colhe", e outra como derivado de "o que semeia".
Três amoraim trazem, em sequência, casos análogos de dupla responsabilidade. Rav Kahana: quem poda uma árvore precisando da lenha cortada (para queimar, e não apenas para beneficiar a árvore) é responsável duas vezes — uma vez pela categoria de colher (pois retirou algo útil da árvore, como quem colhe um fruto) e outra pela categoria de plantar (pois o efeito da poda sobre a árvore que permanece é estimular seu crescimento, tal como plantar). Rav Yossef ensina o mesmo sobre quem corta alfafa (erva que, cortada, volta a crescer três vezes ao mês): responsável por colher e por plantar. Abaye ensina o mesmo sobre quem apara acelga (que também rebrota depois de cortada), mas com uma variação: aqui o segundo fundamento é semear, não plantar — pois a acelga é uma planta anual de horta, mais próxima da categoria das sementes do que das árvores.
"'O que poda'" — para fazer crescer a videira. "'E precisa da lenha'" — para queimar; porque precisa dela, é também categoria derivada de "o que colhe", pois quem colhe também precisa de colher. "'Que corta alfafa'" — erva verde, que se colhe três vezes no mês, e volta a crescer. "'Que apara acelga'" — corta acelgas do pé preso à terra, e voltam a crescer.
"E o que ara." Foi ensinado: o que ara, e o que cava, e o que faz sulcos, todos estes são uma só categoria de trabalho. Disse Rav Sheshet: tinha um montículo de terra, e o removeu — em casa, é responsável como derivado de "o que constrói"; no campo, é responsável como derivado de "o que ara". Disse Rava: tinha um buraco, e o preencheu — em casa, é responsável como derivado de "o que constrói"; no campo, como derivado de "o que ara".
A Guemará passa a examinar "o que ara". Uma baraita reúne arar, cavar e fazer sulcos como uma só categoria de trabalho, pois todos afrouxam ou nivelam a terra. Rav Sheshet traz um caso: quem tinha um pequeno montículo de terra em sua propriedade e o removeu, nivelando o solo, é responsável — se isto ocorreu dentro de casa, pela categoria de construir (pois nivelar o chão de uma casa é uma forma de construção); se ocorreu no campo, pela categoria de arar (pois nivelar o solo do campo é uma forma de preparação da terra para o cultivo). Rava traz o caso inverso, com a mesma distinção: quem tinha um buraco em sua propriedade e o preencheu com terra — em casa, é como construir; no campo, é como arar, pois o preenchimento deixa a terra solta e propícia para a semeadura, igualando-a ao resto do campo.
"'O que faz sulcos'" — faz sulcos na terra. "'São uma só categoria de trabalho'" — não é responsável senão uma vez, pois todos servem para afrouxar a terra. "'Montículo'" — pequena elevação. "'Em casa'" — aplica-se a categoria de construir, pois quem o remove pretende nivelar seu piso. "'Como derivado de arar'" — pois afrouxa a terra. "'Buraco, e o preencheu'" — com terra; é como arar, pois a terra com que o preencheu fica solta e boa para semear, e nivela o campo para que seja semeado junto com o resto do campo.
Disse Rabi Abba: quem cava um buraco no Shabat, e não precisa do buraco senão pela sua terra removida, é isento por causa dele. E até mesmo segundo Rabi Yehudá, que diz que por um trabalho que não é necessário em si mesmo é responsável — isto se aplica a quem aperfeiçoa; este que cava está deteriorando.
Rabi Abba traz uma exceção importante à regra anterior. Quem cava um buraco no Shabat apenas por interesse na terra removida (por exemplo, para cobrir excremento, sem qualquer interesse no próprio buraco resultante) é isento quanto à categoria de cavar/arar — porque, embora tenha realizado a ação física de cavar, não tinha qualquer interesse construtivo no resultado (o buraco em si permanece um dano, não um benefício, à sua propriedade). Rabi Abba ressalta que isto é verdade mesmo segundo a opinião mais rigorosa de Rabi Yehudá, que geralmente responsabiliza por "um trabalho que não é necessário em si mesmo" (melachá she'einá tzericha legufáh) — como transportar um cadáver para fora apenas para desocupar a casa, sem precisar do próprio ato de transporte. Mas aquela regra de Rabi Yehudá se aplica quando o resultado do trabalho é, de algum modo, um aperfeiçoamento (mesmo que não seja o motivo da pessoa); aqui, ao contrário, o buraco resultante é puro dano à propriedade (um mekalkel), e por isso mesmo Rabi Yehudá concorda que há isenção.
"'Senão pela sua terra'" — para cobrir excremento. "'É isento por causa dele'" — e não há aqui a categoria de construir, pois em casa é uma deterioração, e também não serve para semear; mas se precisasse dele por si mesmo, seria responsável como derivado de construir. "'Segundo Rabi Yehudá'" — no capítulo "O que esconde" (mais adiante, Shabat 93b), a respeito de quem transporta o morto na maca. "'Aperfeiçoa'" — como quem transporta o morto para sepultá-lo, que não precisa do próprio ato em si — nem do transporte, nem do morto — mas apenas para desocupar sua casa; e o transporte necessário em si mesmo é, por exemplo, quando precisa deste objeto em outro lugar. "'Este está deteriorando'" — sua casa.
"E o que colhe." Foi ensinado: o que colhe, o que vindima, e o que colhe tâmaras, e o que colhe azeitonas, e o que colhe figos — todos estes são uma só categoria de trabalho. Disse Rav Papa: este que atira um torrão contra a tamareira e faz cair tâmaras é responsável duas vezes: uma como derivado de "o que arranca", e outra como derivado de "o que debulha". Rav Ashi disse: não há costume de arrancar assim, nem costume de debulhar assim.
A Guemará passa a "o que colhe". Uma baraita reúne cinco termos para a colheita de diferentes produtos — colher (cereais), vindimar (uvas), colher tâmaras, colher azeitonas e colher figos — como uma só categoria de trabalho. Rav Papa traz um caso: quem atira um torrão de terra contra uma tamareira, fazendo cair as tâmaras maduras, é responsável duas vezes — uma pela categoria de arrancar (pois destacou o fruto da árvore) e outra pela categoria de debulhar (pois separou as tâmaras do seu cacho, como quem debulha o grão da palha). Rav Ashi discorda: não há responsabilidade dupla aqui, pois este não é o modo costumeiro nem de arrancar nem de debulhar — e um trabalho realizado de modo incomum (kil'achar yad) não gera responsabilidade plena.
"'O que colhe'" — o termo gader se aplica a tâmaras. "'E o que colhe azeitonas'" — masik. "'Orah'" — se aplica a figos. "'Que atira um torrão contra a tamareira'" — atirou um pedaço de terreno contra a tamareira. "'E faz cair tâmaras'" — derrubou as tâmaras. "'O que arranca'" — categoria derivada de "o que colhe". "'O que debulha'" — categoria derivada de "o que debulha", que separa o cereal de suas espigas, expressão de descarregar do jumento, dischargier em francês antigo, segundo Rabino Levi, e também encontrei assim numa responsa de Rabino Meshulam, o Gaon; e este também separa as tâmaras dos cachos. "'Não há costume de arrancar nem de debulhar assim'" — por meio de arremesso, mas apenas com a mão ou com um instrumento; e este que arranca por arremesso é considerado fazendo-o de modo incomum, e é isento.
"E o que ajunta em feixes." Disse Rava: este que ajunta sal de uma salina é responsável como derivado de "o que ajunta em feixes". Abaye disse: não há ajuntamento em feixes senão no que cresce da terra.
A Guemará passa a "o que ajunta em feixes" (me'amer). Rava ensina que quem ajunta sal proveniente de uma salina (um canal onde a água do mar evapora, deixando o sal) é responsável como derivado desta categoria, pois o ato de reunir o sal espalhado em um monte é análogo a reunir os feixes de cereal espalhados no campo. Abaye discorda: a categoria de ajuntar em feixes se aplica apenas àquilo que efetivamente cresce da terra (gidulei karka) — e o sal, ainda que se forme dentro de um canal ligado à terra, não é, em si, um produto do crescimento vegetal, e por isso ajuntá-lo não se enquadra nesta categoria de trabalho.
"'Que ajunta sal de uma salina'" — que amontoou sal de canais de água, que se traduz "fendas do mar" (Josué 11:8): que se conduz para dentro deles água do mar, e o sol as queima, e elas se tornam sal; e aquele canal se chama milchatá, salina. "'Como derivado de o que ajunta em feixes'" — pois este também é como quem reúne o cereal em feixes.
"E o que debulha." Foi ensinado: o que debulha, e o que sacode o linho, e o que carda o algodão — todos estes são uma só categoria de trabalho.
A Guemará passa a "o que debulha". Uma baraita reúne três operações como uma só categoria: debulhar propriamente (separar o grão de cereal da espiga), sacudir o linho (separar as fibras de linho colhidas dos caules, batendo-as) e cardar o algodão (separar as fibras de algodão das suas sementes, com um arco, à maneira dos artesãos). Embora aplicadas a materiais diferentes — cereal, linho e algodão — as três operações compartilham a mesma estrutura fundamental: separar o material útil do invólucro que o envolve, e por isso contam como uma única categoria de trabalho proibido.
"'O que sacode'" — o linho, em seus caules. "'E o que carda'" — o algodão, com um arco, à maneira dos artesãos; e o algodão é um produto que cresce da terra; por isso, o seu cardar se chama categoria derivada de "o que debulha", que separa dele as sementes, e não se chama categoria derivada de "o que sacode" a lã.
"O que peneira ao vento, o que escolhe, e o que mói, e o que passa na peneira fina." Mas isto é o mesmo que peneirar ao vento; isto é o mesmo que escolher; isto é o mesmo que passar na peneira fina! Abaye e Rava — ambos dizem: tudo o que havia no Tabernáculo...
A Guemará chega à última pergunta do daf: a Mishná listou "o que peneira ao vento" (zoreh), "o que escolhe" (borer), "o que mói" (tochen) e "o que passa na peneira fina" (merakeid) como quatro categorias separadas — mas, à primeira vista, peneirar ao vento, escolher e passar na peneira fina parecem ser essencialmente o mesmo trabalho: em todos os três casos, separa-se o alimento útil do refugo que o acompanha, apenas por métodos diferentes (o vento, a mão, ou a peneira). A resposta começa a ser dada em conjunto por Abaye e Rava — "tudo o que havia no Tabernáculo..." — mas, exatamente neste ponto, o texto impresso vira a página: esta frase, gramaticalmente incompleta, é a última linha de 73b. A folha, portanto, termina em aberto, no meio do raciocínio de Abaye e Rava; sua continuação — explicando que, embora as três operações produzam o mesmo resultado, cada uma delas foi de fato realizada separadamente no Tabernáculo (por artesãos diferentes, ou em etapas distintas da preparação dos corantes), e por isso contam como categorias distintas — só é dada no início de 74a. O segmento final de Shabbat 73b é idêntico, palavra por palavra, ao início do primeiro segmento de Shabbat 74a, que completa a frase com "אף על גב דאיכא דדמיא לה — חשיב לה" ("ainda que haja uma que se assemelhe a outra, ela se conta").