Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Zayin (Klal Gadol)
אֵלּוּ אֲבוֹת מְלָאכוֹת

A explicação do próprio Rav sobre tingir o local do abate; a conclusão do catálogo das trinta e nove categorias principais de trabalho; e o novo princípio geral da Mishná sobre o que é apto para ser guardado

Shabbat 75b — a folha abre continuando diretamente a disputa que fechou 75a (Rav: "por causa de tingir"; Shmuel: "por causa de tirar a alma"), com a pergunta por que Rav não responsabilizaria também por "tirar a alma", respondida com "diga também por causa de tingir", e o próprio Rav explicando sua formulação para que "gerações posteriores não venham zombar dele"; a Guemará então conclui, categoria por categoria, o catálogo das trinta e nove melachot iniciado na Mishná de 73a: "o que sala e o que curte" (com a pergunta de por que salgar e curtir não seriam a mesma coisa, resolvida por Rabi Yochanan e Reish Lakish com "traçar linhas", e a ressalva de Rav Ashi sobre viagem e casa); "o que raspa e o que corta" (com os três ensinamentos de Rabi Chiya bar Abba em nome de Rav Ashi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, e os casos adicionais de Rabi Shimon ben Kisma e Rav Yehuda sobre "o que dá a marretada final"); "o que escreve duas letras" (com a baraita sobre escrever e apagar uma letra grande, e a nota de Rabi Menachem filho de Rabi Yosei); "o que constrói, o que demole, o que apaga, o que acende, e o que dá a marretada final" segundo Rabá e Rabi Zeira; e a elucidação final de "estas são as categorias principais de trabalho, faltando uma", que exclui as opiniões de Rabi Eliezer e de Rabi Yehuda. A folha então introduz a Mishná de "outro princípio geral" — o que é apto para ser guardado, e o que não é —, e a Guemará que começa a discuti-la (Rav Papa e Mar Ukva sobre o que fica excluído; Rabi Yosei bar Chanina sobre a incompatibilidade com Rabi Shimon), interrompendo-se em frase aberta logo ao citar a segunda cláusula da Mishná, "e tudo o que não é apto para ser guardado" — cuja continuação chega apenas em 76a.

A folha abre em continuidade direta com a disputa que fechara 75a: Rav dissera que quem abate o chilazon é responsável por "o que tinge", e Shmuel, por "o que tira a alma". A Guemará contesta a posição de Rav: "por causa de tingir, sim, mas por causa de tirar a alma, não?" — isto é, por que Rav não responsabilizaria por ambas as categorias simultaneamente? A resposta emenda a própria posição de Rav: "diga também por causa de tingir" — ou seja, também por tingir, além de tirar a alma, de modo que o abatedor seria responsável por duas oferendas. O próprio Rav então intervém para explicar sua formulação original, dizendo que precisava esclarecer o motivo pelo qual mencionou "tingir" a respeito do abate — algo que, à primeira vista, soaria estranho —, "para que as gerações posteriores não viessem e zombassem dele": o abate visa manter o local do abate manchado de sangue, para que as pessoas o vejam e venham comprar a carne dali, pois a mancha de sangue sinaliza que o animal foi abatido recentemente. Encerrada esta elucidação, a Guemará retoma o texto da Mishná (73a) para concluir, categoria por categoria, o catálogo das trinta e nove melachot: a categoria "o que sala e o que curte o couro" gera a pergunta óbvia — salgar não seria simplesmente uma etapa do próprio curtir? — respondida por Rabi Yochanan e Reish Lakish com a proposta de remover uma das duas e incluir, em seu lugar, "o que traça linhas" (sirtut, a marcação preparatória do couro antes do corte, como se fazia com as peles do Tabernáculo); Rabba bar Rav Huna acrescenta que quem sala carne (não couro) já é responsável por "o que curte", posição que Rava rejeita ("não há curtimento em alimentos"), e que Rav Ashi restringe: mesmo Rabba bar Rav Huna falava apenas de carne salgada para uma longa viagem (salgada intensamente), não para consumo doméstico, pois ninguém trata sua própria comida como se fosse couro. Segue-se "o que raspa e o que corta": Rabi Acha bar Chanina ensina que quem alisa a base entre colunas de um pórtico no Shabat é responsável por "o que raspa"; Rabi Chiya bar Abba transmite três ensinamentos de Rav Ashi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi — raspar as pontas de vigas é "o que corta", espalhar um emplasto sobre uma ferida é "o que raspa", e talhar uma pedra é "o que dá a marretada final" (pois é a conclusão do trabalho); Rabi Shimon ben Kisma, em nome de Reish Lakish, acrescenta que formar uma figura decorativa num utensílio e soprar um utensílio de vidro também são "a marretada final"; e Rav Yehuda ensina que remover os fios ou lascas soltos que restam presos a um tecido depois de tecido — mas apenas quando isso importa a quem o fez — também o é. A Guemará passa então a "o que escreve duas letras": uma baraita ensina que escrever uma única letra grande, no espaço onde caberiam duas, isenta; mas apagar uma letra grande no mesmo espaço responsabiliza, pois o apagar só é considerado trabalho quando visa a escrita subsequente, e aqui há espaço para escrever de novo duas letras — Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei, observa que isto é mais rigoroso com quem apaga do que com quem escreve. Segue-se a categoria final do catálogo, "o que constrói, e o que demole, o que apaga, e o que acende, e o que dá a marretada final": Rabá e Rabi Zeira ensinam, juntos, que qualquer ação que constitua a conclusão de um trabalho é responsável por "a marretada final" — o princípio geral por trás de todos os casos anteriores. A Guemará então elucida a fórmula final da Mishná, "estas são as categorias principais de trabalho, faltando uma": a palavra "estas" exclui a posição de Rabi Eliezer, que responsabiliza por uma categoria derivada mesmo quando esta é realizada junto com sua categoria principal (Rabi Eliezer exigiria duas oferendas nesse caso); e "faltando uma" exclui a posição de Rabi Yehuda, que, segundo uma baraita, acrescentava duas categorias ao catálogo — "o que alinha" (shovet, ajustar os fios da urdidura) e "o que ajusta" (medakdek, nivelar a tensão do fio da trama) — às quais os sábios respondem que já estão incluídas, respectivamente, em "o que urde" e em "o que tece", não sendo categorias independentes. Com isso, o catálogo das trinta e nove categorias — iniciado na Mishná de 73a e elucidado ao longo de toda esta longa sugia — chega ao seu fechamento formal. A folha então introduz, sem qualquer transição retórica além da fórmula "e disseram ainda outro princípio geral", uma nova Mishná: tudo o que é apto para ser guardado, e cuja quantidade as pessoas costumam guardar, e alguém o transportou no Shabat, gera responsabilidade por oferenda de pecado; mas tudo o que não é apto para ser guardado, e cuja quantidade as pessoas não costumam guardar, e alguém o transportou, só gera responsabilidade para quem pessoalmente o havia guardado antes (pois, para essa pessoa, e só para ela, aquele objeto se tornou significativo). A Guemará começa a elucidar a primeira cláusula, perguntando o que ela vem excluir: Rav Papa responde que exclui o sangue de mulher menstruada (que não é objeto que se guarde); Mar Ukva responde que exclui a madeira de uma árvore usada para idolatria (asherá, cujo uso é proibido e que, por ser repugnante, deve ser destruída, não guardada). A Guemará nota que quem exclui o sangue menstrual excluiria, com mais razão ainda, a madeira de asherá; mas quem pensa em excluir apenas a madeira de asherá poderia objetar que o sangue menstrual, de fato, se guarda — para alimentar um gato — ao que se responde que existe uma crença de que quem alimenta um gato com sangue humano se torna, ele mesmo, enfraquecido, e por isso ninguém o guarda para essa finalidade. Rabi Yosei bar Chanina observa, então, que esta Mishná não está de acordo com Rabi Shimon, pois, segundo Rabi Shimon, todas as medidas mínimas de responsabilidade (os shiurim) foram estabelecidas apenas em relação a quem efetivamente guarda aquele tipo de objeto — o que tornaria supérflua a distinção entre "apto para guardar" e "não apto", já que bastaria perguntar, em cada caso concreto, se aquela pessoa específica o guarda. A folha se interrompe, então, exatamente ao citar a segunda cláusula da própria Mishná — "e tudo o que não é apto para ser guardado" — sem que a Guemará chegue a desenvolvê-la: a continuação, com o ensinamento de Rabi Elazar sobre por que esta formulação não segue Rabi Shimon ben Elazar, chega apenas na primeira linha de 76a.

Nota — a costura com 75a

Diferente das três interrupções consecutivas que atravessaram 73b→74a→74b→75a, a transição de 75a para 75b não é a retomada de uma frase cortada, mas a continuação natural de uma disputa já fechada gramaticalmente: 75a havia terminado com "Rav disse: por 'o que tinge'. E Shmuel disse: por 'o que tira a alma'" — um período completo. Aqui, a Guemará simplesmente prossegue elaborando sobre essa disputa, como faz rotineiramente após qualquer machloket: primeiro desafia a posição de Rav (por que não responsabilizá-lo também por "tirar a alma"?), depois emenda sua formulação, e então traz o próprio Rav explicando, em suas próprias palavras, por que formulou o ensinamento daquele modo. Este é um padrão comum de elaboração pós-disputa, não uma frase interrompida pela virada da folha.

A explicação de Rav: por que abater visa tingir o local · נִיחָא דְּלִיתַּוַּוס בֵּית הַשְּׁחִיטָה

01"Também por causa de tingir" — e Rav explica: para que o local do abate fique manchado de sangue, e as pessoas venham comprar
A Guemará; Rav
מִשּׁוּם צוֹבֵעַ אִין, מִשּׁוּם נְטִילַת נְשָׁמָה לָא? אֵימָא: אַף מִשּׁוּם צוֹבֵעַ. אָמַר רַב: מִילְּתָא דַּאֲמַרִי, אֵימָא בַּהּ מִילְּתָא, דְּלָא לֵיתוּ דָּרֵי בָּתְרָאֵי וְלִיחֲכוּ עֲלַי: צוֹבֵעַ בְּמַאי נִיחָא לֵיהּ — נִיחָא דְּלִיתַּוַּוס בֵּית הַשְּׁחִיטָה דְּמָא, כִּי הֵיכִי דְּלִיחְזוּהּ אִינָשֵׁי וְלֵיתוּ לִיזְבְּנוּ מִינֵּיהּ.

Por causa de "o que tinge", sim; por causa de "o que tira a alma", não? Diga: também por causa de "o que tinge". Disse Rav: uma coisa que eu disse, direi a seu respeito uma explicação, para que não venham as gerações posteriores e zombem de mim: "tingir" — em que lhe é bom? É bom que o local do abate fique manchado de sangue, para que as pessoas o vejam e venham comprar dele.

Nota

A Guemará desafia a posição de Rav (que fechara 75a): se o motivo do abate do chilazon é "o que tinge", por que não seria também responsável por "o que tira a alma", já que o animal de fato morre no processo? A resposta emenda a formulação de Rav para incluir ambas as categorias — o abatedor é responsável por duas oferendas, uma por tingir e outra por matar. Rav então intervém em pessoa para explicar sua própria formulação original: reconhece que mencionar "tingir" a respeito de um abate soaria estranho — por que alguém abateria um animal com a intenção de tingir algo? — e por isso sente a necessidade de esclarecer, para que gerações futuras não zombem dele por uma formulação aparentemente absurda. A explicação: o interesse do abatedor em "tingir" não é sobre o sangue extraído do chilazon (que de fato é usado para tingir a lã), mas sobre o próprio local físico do abate — é vantajoso para o vendedor que o chão ali fique visivelmente manchado de sangue fresco, pois isso sinaliza aos passantes que ali se abate regularmente e que a carne é fresca, atraindo fregueses.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mishum tzovea", "mishum netilat neshama", "tzovea basar bemai nicha leih", "af mishum tzevia", "milta de'amari eima", "nicha leih delitavves beit hashechita bidma" e "ki heichi deniechzei inashei"
משום צובע - שצובע את הבשר של בית השחיטה ולקמן מפרש אמאי מיכוין לצובעו וצביעה הואי במשכן אב מלאכה: משום נטילת נשמה - דנטילת נשמה הואי במשכן באילים מאדמים ותחש וחלזון: צובע בשר במאי ניחא ליה - להאי שוחט בצביעת הבשר היינו חוכא ואני אומר בו טעם: אף משום צביעה - ונפקא מינה לחיוביה תרתי: מילתא דאמרי אימא כו' - דבר תימה אמרתי להזכיר צביעה בשחיטה צריך אני לומר בו דבר טעם דלא ליתו דרי בתראי השומעים וליחכו עלי: ניחא ליה דלתווס בית השחיטה בדמא - שיהא צבוע בדם: כי היכי דניחזייה אינשי - שנשחטה היום וניתו ונזבנו:

"'Por causa de tingir'" — pois tinge a carne do local do abate, e adiante se explica por que tem a intenção de tingi-la; e tingir ocorreu no Tabernáculo como categoria principal de trabalho. "'Por causa de tirar a alma'" — pois tirar a alma ocorreu no Tabernáculo, nos carneiros tingidos de vermelho, no tachash e no chilazon. "'Tingir a carne, em que lhe é bom?'" — para este abatedor, a pergunta é sobre tingir a carne, isto seria motivo de zombaria, e eu direi a seu respeito uma razão. "'Também por causa de tingir'" — e a consequência prática é que o abatedor se torna responsável por duas. "'Uma coisa que eu disse, direi...'" — uma coisa surpreendente eu disse, ao mencionar tingir a respeito do abate; preciso dizer a seu respeito uma explicação, para que as gerações posteriores que ouvirem não venham e zombem de mim. "'É bom que o local do abate fique manchado de sangue'" — que fique tingido de sangue. "'Para que as pessoas o vejam'" — que o animal foi abatido hoje, e venham e comprem dele.

A conclusão do catálogo das trinta e nove categorias · אֲבוֹת מְלָאכוֹת אַרְבָּעִים חָסֵר אַחַת

02"O que sala e o que curte": não seria a mesma coisa? "Traçar linhas"; a ressalva de Rav Ashi sobre viagem e casa
A Guemará; Rabi Yochanan e Reish Lakish; Rabba bar Rav Huna; Rava; Rav Ashi
וְהַמּוֹלְחוֹ וְהַמְעַבְּדוֹ. הַיְינוּ מוֹלֵחַ וְהַיְינוּ מְעַבֵּד! רַבִּי יוֹחָנָן וְרֵישׁ לָקִישׁ דְּאָמְרִי תַּרְוַיְיהוּ: אַפֵּיק חַד מִינַּיְיהוּ וְעַיֵּיל שִׂירְטוּט. אָמַר רַבָּה בַּר רַב הוּנָא: הַאי מַאן דְּמָלַח בִּישְׂרָא — חַיָּיב מִשּׁוּם מְעַבֵּד. רָבָא אָמַר: אֵין עִיבּוּד בָּאוֹכָלִין. אָמַר רַב אָשֵׁי: וַאֲפִילּוּ רַבָּה בַּר רַב הוּנָא לָא אָמַר אֶלָּא דְּקָא בָּעֵי לֵיהּ לְאוֹרְחָא, אֲבָל לְבֵיתָא — לָא מְשַׁוֵּי אִינִישׁ מֵיכְלֵיהּ עֵץ.

"E o que o sala e o que o curte." Mas isto é salgar e isto é curtir! Rabi Yochanan e Reish Lakish, que ambos disseram: retire um deles e inclua "o que traça linhas". Disse Rabba bar Rav Huna: quem sala carne é responsável por "o que curte". Rava disse: não há curtimento em alimentos. Disse Rav Ashi: e mesmo Rabba bar Rav Huna não disse isso senão quando a carne é destinada para uma viagem; mas para casa, ninguém transforma sua comida em madeira.

Nota

A Guemará retoma a Mishná (73a) — "o que o sala, e o que curte o seu couro" — e pergunta o óbvio: salgar não é simplesmente a primeira etapa do próprio processo de curtir, e não duas categorias distintas? Rabi Yochanan e Reish Lakish resolvem substituindo uma das duas por "o que traça linhas" (sirtut): antes de cortar o couro, o curtidor traça linhas de referência para guiar o corte — como se fazia com as peles do Tabernáculo — e é este traçado, não o salgar, que constitui a categoria separada de "curtir" ao lado de "salgar". Rabba bar Rav Huna traz um caso aparentemente análogo — quem sala carne (não couro) já seria responsável por "curtir", pois o sal também endurece e preserva a carne — mas Rava rejeita a analogia: a categoria "curtir" não se aplica a alimentos, apenas a couro. Rav Ashi restringe ainda mais: mesmo a posição de Rabba bar Rav Huna só se aplicaria a carne salgada intensamente, para uma longa viagem, quando o sal de fato a endurece como couro; para consumo doméstico normal, ninguém sala a carne a esse ponto, pois ninguém trataria sua própria comida como madeira ou couro.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "heinu molei'ach heinu me'abed", "ve'ayeil sirtut" e "dekavei leih le'orcha"
היינו מולח היינו מעבד - אטו מליחה לאו צורך עיבוד הוא: ועייל שירטוט - לפי שדרך הרצענין כשהוא בא לחתכו משרטטו תחלה כפי מה שהוא רוצה להאריך ולהרחיב ולקצר החיתוך ואחר כך מעביר הסכין דרך השירטוט וכן בעורות המשכן כשחתכום: דקבעי ליה לאורחא - שמולחה הרבה:

"'Isto é salgar, isto é curtir'" — acaso salgar não é uma etapa necessária para curtir? "'E inclua traçar linhas'" — pois é costume dos curtidores, quando vêm cortar o couro, traçar primeiro linhas conforme queiram alongar, alargar ou encurtar o corte, e depois passar a faca pelo traçado; e assim se fazia com as peles do Tabernáculo, quando as cortavam. "'Quando é destinada para uma viagem'" — pois a sala muito.

03"O que raspa e o que corta": os três ensinamentos de Rabi Yehoshua ben Levi, e os casos de "a marretada final"
Rabi Acha bar Chanina; Rabi Chiya bar Abba em nome de Rav Ashi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi; Rabi Shimon ben Kisma em nome de Reish Lakish; Rav Yehuda
וְהַמְמַחֲקוֹ וְהַמְחַתְּכוֹ. אָמַר רַבִּי אַחָא בַּר חֲנִינָא: הַשָּׁף בֵּין הָעַמּוּדִים בְּשַׁבָּת — חַיָּיב מִשּׁוּם מְמַחֵק. אָמַר רַבִּי חִיָּיא בַּר אַבָּא: שְׁלֹשָׁה דְּבָרִים סָח לִי רַב אָשֵׁי מִשְּׁמֵיהּ דְּרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: הַמְגָרֵר רָאשֵׁי כְּלוֹנְסוֹת בְּשַׁבָּת — חַיָּיב מִשּׁוּם מְחַתֵּךְ, הַמְמָרֵחַ רְטִיָּה בְּשַׁבָּת — חַיָּיב מִשּׁוּם מְמַחֵק, וְהַמְסַתֵּת אֶת הָאֶבֶן בְּשַׁבָּת — חַיָּיב מִשּׁוּם מַכֶּה בְּפַטִּישׁ. אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן קִיסְמָא אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ: הַצָּר צוּרָה בִּכְלִי וְהַמְנַפֵּחַ בִּכְלִי זְכוּכִית — חַיָּיב מִשּׁוּם מַכֶּה בְּפַטִּישׁ. אָמַר רַב יְהוּדָה: הַאי מַאן דְּשָׁקֵיל אַקּוּפֵי מִגְּלִימֵי — חַיָּיב מִשּׁוּם מַכֶּה בְּפַטִּישׁ. וְהָנֵי מִילֵּי דְּקָפֵיד עֲלַיְיהוּ.

"E o que o raspa e o que o corta." Disse Rabi Acha bar Chanina: quem alisa entre as colunas no Shabat é responsável por "o que raspa". Disse Rabi Chiya bar Abba: três coisas me contou Rav Ashi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: quem raspa as pontas de vigas no Shabat é responsável por "o que corta"; quem espalha um emplasto no Shabat é responsável por "o que raspa"; e quem lavra a pedra no Shabat é responsável por "o que dá a marretada final". Disse Rabi Shimon ben Kisma, disse Reish Lakish: quem forma uma figura num utensílio, e quem sopra num utensílio de vidro, é responsável por "o que dá a marretada final". Disse Rav Yehuda: quem retira os fios soltos dos mantos é responsável por "o que dá a marretada final". E isto se aplica apenas quando se importa com eles.

Nota

A Guemará retoma a próxima cláusula da Mishná — "o que o raspa, e o que o corta" — e traz uma série de aplicações práticas dessas categorias, e da categoria final do catálogo, "o que dá a marretada final" (makeh bepatish, que designa qualquer ato que complete um trabalho). Rabi Acha bar Chanina: alisar o chão de apoio entre as colunas de um pórtico é "raspar". Rabi Chiya bar Abba transmite três ensinamentos de Rav Ashi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: raspar as pontas de vigas de madeira para igualá-las é "cortar"; espalhar um emplasto (uma pasta medicinal) sobre uma ferida é "raspar"; e talhar uma pedra recém-extraída da pedreira é "a marretada final", pois conclui o trabalho de prepará-la. Rabi Shimon ben Kisma, em nome de Reish Lakish, acrescenta dois casos: gravar uma figura decorativa num utensílio, e soprar vidro derretido para formar um recipiente — ambos, por completarem a peça, são "a marretada final". Rav Yehuda acrescenta um último caso: remover os fios ou lascas soltos que ficam presos a um tecido depois de terminada a tecelagem também é "a marretada final" — mas apenas quando isso realmente importa a quem fez o tecido (isto é, quando a pessoa se incomoda com a presença desses fios e os considera um acabamento necessário).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hashaf bein ha'amudim", "hamegarer rashei chelonsot", "hamemare'ach retiya", "hamesatet et ha'even", "mishum makeh befatish", "hatzar tzura bichli", "hamenape'ach bichli zechuchit" e "deshakil akufei migelimei"
השף בין העמודים - כגון עמודי אכסדראות שעשוים חלונות חלונות ונסמכין בחלונות בין עמוד לעמוד והשף שם בקרקעית הבנין שנשענין עליו כדי שיהא חלק חייב משום ממחק: המגרר ראשי כלונסות - שיהיו ראשיהן שוין וחדין: ממרח רטיה - מחליק תחבושת על המכה: מסתת את האבן - לאחר שנעקרה מן ההר ונחצבה מחליקה: משום מכה בפטיש - שהוא גמר מלאכה: הצר בכלי צורה - בכלי שעומד לכך לנאותו: מנפח בכלי זכוכית - כשהותך נעשה על ידי נפוח: דשקיל אקופי - ראשי חוטין התלויין ביריעה במקום קשורין כשניתק בה חוט וקשרוהו וכן קשין וקסמים דקין שנארגו בה בלא מתכוין ונוטלין אותם ממנה לאחר אריגה גמר מלאכה הוא וחייב משום מכה בפטיש:

"'Quem alisa entre as colunas'" — como as colunas de pórticos, feitas em nichos, apoiando-se nos nichos entre uma coluna e outra; e quem alisa ali, no chão da construção sobre o qual se apoiam, para que fique liso, é responsável por "o que raspa". "'Quem raspa as pontas de vigas'" — para que suas pontas fiquem iguais e afiadas. "'Quem espalha um emplasto'" — alisa um curativo sobre a ferida. "'Quem lavra a pedra'" — depois que foi arrancada do monte e talhada, alisa-a. "'Por causa de a marretada final'" — pois é a conclusão do trabalho. "'Quem forma uma figura num utensílio'" — num utensílio destinado a isso, para embelezá-lo. "'E quem sopra num utensílio de vidro'" — quando o vidro se derrete, o utensílio se faz por meio do sopro. "'Quem retira os fios soltos'" — as pontas de fios pendentes num tecido, no lugar de nós, quando um fio se rompeu nele e o amarraram; e também gravetos e lascas finas que foram tecidos nele sem intenção, e os retiram dele depois de tecido — é conclusão do trabalho, e é responsável por "o que dá a marretada final".

04"O que escreve duas letras": escrever uma letra grande isenta; apagá-la responsabiliza — mais grave apagar que escrever
Baraita; Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei
וְהַכּוֹתֵב שְׁתֵּי אוֹתִיּוֹת. תָּנוּ רַבָּנַן: כָּתַב אוֹת אַחַת גְּדוֹלָה וְיֵשׁ בִּמְקוֹמָהּ לִכְתּוֹב שְׁתַּיִם — פָּטוּר. מָחַק אוֹת גְּדוֹלָה, וְיֵשׁ בִּמְקוֹמָהּ לִכְתּוֹב שְׁתַּיִם — חַיָּיב. אָמַר רַבִּי מְנַחֵם בְּרַבִּי יוֹסֵי: זֶה חוֹמֶר בַּמּוֹחֵק מִבַּכּוֹתֵב.

"E o que escreve duas letras." Ensinaram os rabinos: escreveu uma letra grande, e há em seu lugar espaço para escrever duas — isento. Apagou uma letra grande, e há em seu lugar espaço para escrever duas — responsável. Disse Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei: isto é um caso em que é mais rigoroso com quem apaga do que com quem escreve.

Nota

A Guemará traz uma baraita sobre a categoria "o que escreve duas letras", que aponta uma assimetria: quem escreve uma única letra grande, num espaço onde caberiam duas letras normais, é isento — pois a Mishná exige que se escrevam duas letras completas, e uma letra grande, ainda que ocupe o espaço de duas, não é duas letras. Mas quem apaga uma letra grande, no mesmo espaço, é responsável — pois o ato de apagar só é considerado trabalho quando feito com a intenção de escrever de novo no espaço liberado, e este espaço, sendo suficiente para duas letras, torna o apagar plenamente significativo como preparação para nova escrita. Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei, nota o resultado surpreendente: apagar é tratado com mais rigor do que escrever, ao contrário do que se poderia esperar.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "katav ot achat gedola... patur", "machak ot gedola... chayav" e "amar Rabi Menachem beRabi Yosei"
כתב אות אחת גדולה כו' פטור - שבקרשי המשכן שתים היו כותבים אחת בזו ואחת בזו כדי לזווגן כשסותרים אותן: מחק אות אחת כו' חייב - שאין מלאכת מחיקה חשובה אלא ע"מ לכתוב והרי יש מקום לשתי אותיות: אמר רבי מנחם ברבי יוסי - הא קמ"ל מאן תנא קמא ר' מנחם ברבי יוסי:

"'Escreveu uma letra grande, etc., isento'" — pois nas tábuas do Tabernáculo escreviam duas letras, uma numa tábua e outra noutra, para uni-las quando as desmontavam. "'Apagou uma letra, etc., responsável'" — pois o trabalho de apagar só é considerado trabalho quando é com o propósito de escrever de novo, e eis que há espaço para duas letras. "'Disse Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei'" — isto nos ensina quem é o primeiro tanna da baraita: é Rabi Menachem, filho de Rabi Yosei.

05"O que constrói, o que demole, o que apaga, o que acende e o que dá a marretada final": Rabá e Rabi Zeira — o princípio geral por trás de todos os casos
Rabá e Rabi Zeira
הַבּוֹנֶה, וְהַסּוֹתֵר, הַמְכַבֶּה, וְהַמַּבְעִיר, וְהַמַּכֶּה בְּפַטִּישׁ. רַבָּה וְרַבִּי זֵירָא דְּאָמְרִי תַּרְוַיְיהוּ: כֹּל מִידֵּי דְּאִית בֵּיהּ גְּמַר מְלָאכָה חַיָּיב מִשּׁוּם מַכֶּה בְּפַטִּישׁ.

"O que constrói, e o que demole, o que apaga, e o que acende, e o que dá a marretada final." Rabá e Rabi Zeira, que ambos disseram: tudo o que tem nele conclusão de trabalho é responsável por "o que dá a marretada final".

Nota

A Guemará retoma as últimas categorias da Mishná antes do próprio "o que dá a marretada final", e Rabá e Rabi Zeira formulam, juntos, o princípio geral que fundamenta todos os casos apresentados nos passos anteriores (talhar a pedra, formar uma figura, soprar vidro, remover fios soltos): "a marretada final" não é um ato físico específico, mas uma categoria funcional — qualquer ação, seja qual for sua forma concreta, que constitua a conclusão definitiva de um processo de fabricação, enquadra-se nela. É este princípio que permite à Guemará estender a categoria a tantos casos aparentemente distintos entre si.

06"Estas são as categorias principais, faltando uma": exclui Rabi Eliezer (derivada com principal) e Rabi Yehuda (shovet e medakdek)
A Guemará; Rabi Eliezer; Rabi Yehuda; os sábios
אֵלּוּ אֲבוֹת מְלָאכוֹת״. ״אֵלּוּ״ — לְאַפּוֹקֵי מִדְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר, דִּמְחַיֵּיב עַל תּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב. ״חָסֵר אַחַת״ — לְאַפּוֹקֵי מִדְּרַבִּי יְהוּדָה, דְּתַנְיָא: רַבִּי יְהוּדָה מוֹסִיף אֶת הַשּׁוֹבֵט וְהַמְדַקְדֵּק. אָמְרוּ לוֹ: שׁוֹבֵט הֲרֵי הוּא בִּכְלַל מֵיסֵךְ, מְדַקְדֵּק הֲרֵי הוּא בִּכְלַל אוֹרֵג.

"Estas são as categorias principais de trabalho." "Estas" — para excluir a opinião de Rabi Eliezer, que responsabiliza por uma categoria derivada no lugar de sua principal. "Faltando uma" — para excluir a opinião de Rabi Yehuda, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Yehuda acrescenta "o que alinha" e "o que ajusta". Disseram-lhe: "o que alinha" já está incluído em "o que urde"; "o que ajusta" já está incluído em "o que tece".

Nota

A Guemará elucida, palavra por palavra, a fórmula final da Mishná (73a) que fecha o catálogo das trinta e nove categorias: "estas são as categorias principais de trabalho, faltando uma" — isto é, exatamente trinta e nove, nem mais nem menos. A palavra "estas" exclui a posição de Rabi Eliezer, que sustenta que, quando alguém realiza uma categoria derivada (toladá) junto com sua própria categoria principal (av) no mesmo esquecimento, é responsável por duas oferendas separadas — uma pela principal, outra pela derivada; a Mishná, ao dizer "estas", ensina que o número de oferendas devidas por um único esquecimento corresponde apenas ao número de categorias principais (trinta e nove), e realizar uma derivada junto com sua principal não soma uma oferenda adicional. E "faltando uma" exclui a posição de Rabi Yehuda, que, segundo uma baraita, propunha acrescentar duas categorias ao catálogo, ligadas à tecelagem: "o que alinha" (shovet, o ato de igualar os fios da urdidura com a lançadeira) e "o que ajusta" (medakdek, o ato de golpear repetidamente o fio da trama com a lançadeira para regular sua tensão, garantindo que se una bem ao tecido). Os sábios respondem que nenhuma das duas é uma categoria independente: "o que alinha" já está incluído, literalmente, em "o que urde" (pois ambos organizam os fios da urdidura); e "o que ajusta" já está incluído, literalmente, em "o que tece" (e não se compara às categorias de peneirar, escolher e cirandar, que, embora semelhantes entre si, tratam de materiais diferentes — palhas, pedrinhas e farinha — e por isso permanecem categorias distintas).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le'apukei miderabi Eliezer", "shovet", "medakdek", "shovet harei hu bichlal meisech" e "harei hu oreg"
לאפוקי מדרבי אליעזר - דהא אמרן דלא נמנו כאן אלא להודיענו מנין חטאות של העלם אחד ותנא הרי אלו למעוטי שאם עשה תולדותיהם עמהן דאינו מביא עליהן חטאת ודלא כרבי אליעזר דמחייב אתולדה עם האב בכריתות: שובט - משוה השתי בכרכר שקורין ריו"ל: מדקדק - כשמותח חוט הערב מכה בכרכר עליו במקומות מקומות ליישבו שלא יהא מתוח יותר מדאי שהמתיחה מעכבתו מהתחבר יפה עם הארג: שובט הרי הוא בכלל מיסך - דהיינו מיסך ממש שמסדר חוטי השתי: הרי הוא אורג - דהיינו אורג ממש ולא דמי לזורה ובורר ומרקד דזה בקשין וזה בצרורות וזה בקמח:

"'Para excluir a opinião de Rabi Eliezer'" — pois já dissemos que estas categorias só foram enumeradas aqui para nos informar o número de oferendas de pecado devidas por um único esquecimento; e o tanna ensina "estas" para excluir o caso em que se fizeram suas derivadas junto com elas, pois então não se traz por elas separadamente uma oferenda — o que é diferente de Rabi Eliezer, que responsabiliza por uma derivada junto com sua principal quanto à pena de excisão. "'O que alinha'" — iguala os fios da urdidura com a lançadeira, que se chama rivel. "'O que ajusta'" — quando estica o fio da trama, bate com a lançadeira sobre ele em vários pontos para ajustá-lo, para que não fique esticado demais, pois o excesso de tensão o impede de se unir bem com o tecido. "'O que alinha já está incluído em o que urde'" — pois isto é literalmente urdir, já que organiza os fios da urdidura. "'Já está incluído em o que tece'" — pois isto é literalmente tecer, e não se compara a peneirar, escolher e cirandar, pois um é com palhas, outro com pedrinhas e outro com farinha.

Nota — o fechamento do catálogo

Com este último ensinamento, a longa sugia que percorreu as folhas de 73a a 75b — elucidando, categoria por categoria, cada uma das trinta e nove melachot enumeradas na Mishná — chega ao seu término formal. A folha não marca este fechamento com nenhuma fórmula solene (não há aqui um hadran, pois este não é o fim de um perek, apenas o fim de uma unidade temática dentro do Perek Zayin); a Guemará simplesmente passa, na sequência imediata, a uma nova Mishná.

Novo princípio geral: o que é apto para ser guardado · כׇּל הַכָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ

07Mishná: o que é apto para ser guardado responsabiliza qualquer um; o que não é, só responsabiliza quem o guardou
Mishná
וְעוֹד כְּלָל אַחֵר אָמְרוּ: כׇּל הַכָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ וּמַצְנִיעִין כָּמוֹהוּ וְהוֹצִיאוֹ בְּשַׁבָּת — חַיָּיב חַטָּאת עָלָיו. וְכֹל שֶׁאֵינוֹ כָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ וְאֵין מַצְנִיעִין כָּמוֹהוּ וְהוֹצִיאוֹ בְּשַׁבָּת — אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא הַמַּצְנִיעוֹ.

MISHNÁ. E disseram ainda outro princípio geral: tudo o que é apto para ser guardado, e se guarda o equivalente a isso, e alguém o transportou no Shabat, é responsável por oferenda de pecado por isso. E tudo o que não é apto para ser guardado, e não se guarda o equivalente a isso, e alguém o transportou no Shabat, não é responsável senão aquele que o guardou.

Nota

Sem transição retórica além de "e disseram ainda outro princípio geral", a Mishná introduz uma nova regra dentro do mesmo Perek Zayin (Klal Gadol) — não uma mudança de perek, mas uma nova unidade temática que passa do catálogo das trinta e nove categorias de trabalho para o critério de responsabilidade em "o que transporta" objetos entre domínios. A regra distingue dois tipos de objetos: os que são, por sua própria natureza, "aptos para serem guardados" — isto é, do tipo que as pessoas em geral costumam guardar, na quantidade transportada — geram responsabilidade para qualquer pessoa que os transporte no Shabat, pois têm valor objetivo e universal; já os objetos que não são desse tipo, que a maioria das pessoas descartaria ou não se incomodaria em guardar, só geram responsabilidade para a pessoa específica que, por alguma razão pessoal, decidiu guardá-los — pois só para ela, e não objetivamente, esse objeto ganhou significado de "coisa a preservar".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "matnitin: kol hakasher lehatznia", "umatznin kamohu" e "ein chiyuv ela lematznio"
מתני' כל הכשר להצניע - שהוא מין העשוי לצורך האדם: ומצניעין כמוהו - כמות זה כלומר שיש בו שיעור הראוי להצניעו: אין חיוב אלא למצניעו - אם נעשה חביב לאדם א' והצניעו חייב על הוצאתו אם חזר והוציאו אבל אדם אחר אינו חייב עליו דלגביה לאו מלאכה הוא:

MISHNÁ. "'Tudo o que é apto para ser guardado'" — que é um tipo de objeto feito para a necessidade do homem. "'E se guarda o equivalente a isso'" — nesta quantidade, isto é, que há nele a medida apropriada para guardá-lo. "'Não há responsabilidade senão para aquele que o guardou'" — se se tornou precioso para uma pessoa, e ela o guardou, é responsável por transportá-lo, se voltou e o transportou; mas outra pessoa não é responsável por ele, pois, quanto a ela, não é considerado trabalho.

08Guemará: "para excluir o quê?" — Rav Papa: sangue de menstruada; Mar Ukva: madeira de asherá
Rav Papa; Mar Ukva
גְּמָ׳ ״כׇּל הַכָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ״ לְאַפּוֹקֵי מַאי? רַב פָּפָּא אָמַר: לְאַפּוֹקֵי דַּם נִדָּה. מָר עֻוקְבָא אָמַר: לְאַפּוֹקֵי עֲצֵי אֲשֵׁרָה. מַאן דְּאָמַר דַּם נִדָּה, כׇּל שֶׁכֵּן עֲצֵי אֲשֵׁרָה. מַאן דְּאָמַר עֲצֵי אֲשֵׁרָה, אֲבָל דַּם נִדָּה מַצְנַע לֵיהּ לְשׁוּנָּרָא. וְאִידַּךְ? — כֵּיוָן דְּחָלְשָׁא לָא מַצְנַע לֵיהּ.

GUEMARÁ. "Tudo o que é apto para ser guardado" — para excluir o quê? Rav Papa disse: para excluir o sangue de menstruada. Mar Ukva disse: para excluir a madeira de asherá. Quem diz sangue de menstruada, com muito mais razão excluiria a madeira de asherá. Quem diz madeira de asherá — mas o sangue de menstruada se guarda para o gato! E o outro (Rav Papa)? Já que o homem enfraquece, não o guarda para ele.

Nota

A Guemará começa a elucidar a primeira cláusula da nova Mishná, perguntando o que exatamente a expressão "apto para ser guardado" vem excluir, na prática. Rav Papa: exclui o sangue de mulher menstruada, que ninguém guarda. Mar Ukva: exclui a madeira de uma árvore usada para idolatria (asherá) — proibida para qualquer proveito e, por ser repugnante, destinada à destruição, não à preservação. A Guemará observa que quem exclui o sangue menstrual excluiria, a fortiori, a madeira de asherá (mais repugnante ainda); mas quem se contenta em excluir apenas a madeira de asherá enfrenta uma objeção quanto ao sangue menstrual: de fato, existe quem o guarde — para alimentar um gato, a quem esse sangue seria benéfico. A resposta: há uma crença de que alimentar um gato com sangue humano enfraquece a própria pessoa que o fez, e por isso, na prática, ninguém o guarda para essa finalidade — mantendo, assim, o sangue menstrual fora da categoria de "apto para ser guardado".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mad dam nidá" e "keivan dechalsha"
גמ' מ"ד דם נדה - אינו כשר להצניע כ"ש עצי אשרה דאיסורי הנאה נינהו ומאיסי וצריך לאבדן: כיון דחלשא - המאכיל דם האדם לחתול נעשה חלש אותו אדם:

GUEMARÁ. "'Quem diz sangue de menstruada'" — não é apto para ser guardado; com muito mais razão a madeira de asherá, que é proibida para todo proveito, é repugnante, e é preciso destruí-la. "'Já que enfraquece'" — aquele que alimenta o gato com sangue humano, esse mesmo homem se torna fraco.

09Rabi Yosei bar Chanina: esta Mishná não segue Rabi Shimon, para quem os shiurim só valem para quem guarda
Rabi Yosei bar Chanina
אָמַר רַבִּי יוֹסֵי בַּר חֲנִינָא הַאי דְּלָא כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן, דְּאִי כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן, הָאָמַר: לֹא אָמְרוּ כׇּל הַשִּׁיעוּרִין הַלָּלוּ אֶלָּא לְמַצְנִיעֵיהֶן.

Disse Rabi Yosei bar Chanina: isto não está de acordo com Rabi Shimon, pois, se fosse de acordo com Rabi Shimon, não disse ele: só disseram todas estas medidas para aqueles que as guardam?

Nota

Rabi Yosei bar Chanina observa que a distinção da Mishná entre "apto para ser guardado" e "não apto para ser guardado" pressupõe uma posição diferente da de Rabi Shimon, que sustenta, em outro lugar, que todas as medidas mínimas de responsabilidade (shiurim) por transportar um objeto no Shabat só se aplicam a quem efetivamente guarda esse tipo de objeto — de modo que, para Rabi Shimon, a pergunta relevante nunca é "este tipo de objeto costuma ser guardado?", mas sim "esta pessoa específica o guarda?". Se a Mishná seguisse Rabi Shimon, toda a distinção entre categorias objetivas de objetos ("aptos" e "não aptos") seria supérflua, pois bastaria sempre perguntar pela intenção pessoal de quem os guardou.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ha" e "dela cheRabi Shimon"
הא - דתנא כל הכשר להצניע ויש בו שיעור שרוב ב"א עשויין להצניע כשיעור הזה חייב כל אדם על הוצאתו ואפילו אדם עשיר שאין שיעור זה חשוב לו: דלא כר' שמעון - לקמן בהמוציא:

"'Isto'" — o fato de que se ensinou: tudo o que é apto para ser guardado, e há nele a medida que a maioria das pessoas costuma guardar nesta medida, todo homem é responsável por transportá-lo, mesmo um homem rico, para quem esta medida não é importante. "'Não está de acordo com Rabi Shimon'" — como se ensina adiante, no capítulo "O que transporta" (Hamotzi).

10"E tudo o que não é apto para ser guardado" — a folha se interrompe ao citar a segunda cláusula
A Guemará
וְכֹל שֶׁאֵינוֹ כָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ.

E tudo o que não é apto para ser guardado.

A folha se interrompe exatamente aqui, ao citar de volta a segunda cláusula da Mishná — "e tudo o que não é apto para ser guardado" — sem que a Guemará chegue a desenvolvê-la nesta folha. A continuação chega apenas na primeira linha de 76a: "disse Rabi Elazar: isto não está de acordo com Rabi Shimon ben Elazar, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar estabeleceu um princípio geral: tudo o que não é apto para ser guardado, e não se guarda o equivalente a isso, mas se tornou apto para esta pessoa específica, e ela o guardou, e outra pessoa veio e o transportou — este outro se torna responsável pela intenção daquele primeiro" — elucidando, com um caso adicional (o de um objeto tornado valioso para alguém e guardado por essa pessoa, mas transportado por um terceiro), o alcance exato da segunda cláusula que 75b apenas citara.