A folha abre retomando, sem qualquer interrupção temática nova, o ponto exato em que 75b havia se interrompido: a Mishná sobre "o que é apto para ser guardado" tem uma segunda cláusula — "e tudo o que não é apto para ser guardado, e não se guarda o equivalente a isso, e alguém o transportou no Shabat, não é responsável senão aquele que o guardou" — que 75b apenas citara de volta, sem desenvolvê-la. Aqui, Rabi Elazar explica exatamente essa cláusula: ela não está de acordo com a posição de Rabi Shimon ben Elazar, que ensinou, numa baraita, um princípio ainda mais específico — quando um objeto não apto para ser guardado se torna, por alguma razão pessoal, valioso para uma pessoa, que o guarda, e depois vem uma segunda pessoa e o transporta, é esta segunda pessoa, e não a primeira, quem se torna responsável, pela intenção da primeira. A Mishná de 75b, ao dizer que "não é responsável senão aquele que o guardou", pressupõe que só quem guardou o objeto — e mais ninguém — pode vir a ser responsável por transportá-lo; Rabi Shimon ben Elazar discorda: o valor atribuído por quem guardou o objeto "contamina", por assim dizer, qualquer pessoa que depois o transporte, tornando-a responsável mesmo sem ela mesma ter guardado nada. Com esta elucidação encerrada, a Guemará introduz uma nova Mishná, ainda dentro do mesmo Perek Zayin: as medidas mínimas para responsabilizar por transportar diferentes tipos de forragem animal no Shabat — palha, o equivalente ao que enche a boca de uma vaca; palha de leguminosas, o equivalente ao que enche a boca de um camelo; restolho, o equivalente ao que enche a boca de um cordeiro; ervas, o equivalente ao que enche a boca de um cabrito; folhas de alho e de cebola, frescas, o equivalente a um figo seco, e secas, o equivalente ao que enche a boca de um cabrito — com a ressalva de que essas medidas não se combinam umas com as outras, por não serem iguais entre si. A Guemará elucida, primeiro, o que é "palha de leguminosas": palha de espécies de leguminosas, segundo Rav Yehuda. Segue-se um caso complexo, relatado em duas versões sucessivas e contraditórias: Rav Dimi relatou que, quanto a quem transporta palha comum (o equivalente ao que enche a boca de uma vaca) com a intenção de alimentar um camelo, Rabi Yochanan dizia responsável e Reish Lakish dizia isento — e que Rabi Yochanan chegou a se retratar de um dia para o outro, ao que Rav Yosef aprovou a retratação (pois aquela quantidade não é apta para o camelo) e Abaye discordou (pois é apta para a vaca, o que bastaria). Mas quando veio Ravin, ele corrigiu o relato inteiro: na verdade, todos concordam que transportar palha comum, na medida da vaca, para um camelo, responsabiliza; a disputa real é sobre palha de leguminosas, na medida da vaca, transportada para uma vaca — e, quanto a este caso, foi transmitida ainda uma versão invertida das posições: Rabi Yochanan isento (pois comer sob pressão não se considera comer, já que o gado não costuma comer palha de leguminosas) e Reish Lakish responsável (pois comer sob pressão ainda se considera comer). A Guemará resolve, em seguida, uma aparente contradição entre a medida do restolho na Mishná (o equivalente à boca do cordeiro) e uma baraita que a dá como um figo seco: são a mesma medida. Quanto às folhas de alho e cebola, Rabi Yosei bar Chanina ensina que as duas medidas (fresca e seca) não se combinam para completar a medida mais rigorosa, mas se combinam para completar a mais leve. A folha then levanta uma objeção geral a este princípio — coisas de medidas desiguais, afinal, se combinam? — trazendo o caso, de outro contexto (a impureza por assento), em que roupa, saco, couro e esteira, de medidas desiguais entre si, se combinam uns com os outros segundo Rabi Shimon, pois todos são aptos para se tornarem impuros por assento; o que sugeriria que medidas desiguais podem, sim, se combinar plenamente. A folha se interrompe exatamente ao citar a resposta de Rava a esta objeção — "disse Rava:" — sem que a resposta em si apareça nesta folha; ela só chega na primeira linha de 76b.
75b não terminara com uma frase gramaticalmente cortada, mas com uma citação em aberto: ao elucidar a nova Mishná sobre "o que é apto para ser guardado", a Guemará chegara à sua segunda cláusula e a citara de volta — "e tudo o que não é apto para ser guardado" — sem chegar a desenvolvê-la. A folha aqui retoma exatamente esse ponto: o ensinamento de Rabi Elazar que abre 76a não é uma continuação gramatical de uma frase truncada, mas o desenvolvimento imediato, temático, daquilo que a folha anterior havia deixado apenas citado e em suspenso. É este o sentido em que 76a "continua" 75b — não pela sintaxe, mas pelo conteúdo.
Disse Rabi Elazar: isto não está de acordo com Rabi Shimon ben Elazar. Pois foi ensinado numa baraita: um princípio geral disse Rabi Shimon ben Elazar: tudo o que não é apto para ser guardado, e não se guarda o equivalente a isso, mas se tornou apto para este, e ele o guardou, e veio outro e o transportou — este se torna responsável pela intenção daquele.
Rabi Elazar elucida a segunda cláusula da Mishná citada de volta ao final de 75b, apontando que ela não está de acordo com a posição de Rabi Shimon ben Elazar. A baraita expõe a posição deste último com precisão: quando um objeto, por natureza não apto para ser guardado, se torna — por alguma razão pessoal e subjetiva — valioso para uma pessoa específica, que então o guarda, e depois uma segunda pessoa vem e o transporta no Shabat, é esta segunda pessoa, e não a primeira, quem se torna responsável por transportá-lo, e sua responsabilidade deriva precisamente da intenção da primeira pessoa (que havia atribuído valor ao objeto ao guardá-lo). A Mishná de 75b, ao formular "não é responsável senão aquele que o guardou", parece limitar a responsabilidade exclusivamente a quem guardou o objeto; Rabi Shimon ben Elazar, ao contrário, sustenta que essa responsabilidade pode recair sobre um terceiro que nunca guardou nada, desde que ele transporte um objeto que alguém antes valorizara e guardara.
"'Disse Rabi Elazar: isto'" — que se ensinou na Mishná: para o que não é apto para ser guardado, se um outro o guardou, é esse mesmo que o guardou quem se torna responsável por transportá-lo, e todas as outras pessoas são isentas — isto não está de acordo com Rabi Shimon ben Elazar.
MISHNÁ. Quem transporta palha — o equivalente ao que enche a boca de uma vaca. Palha de leguminosas — o equivalente ao que enche a boca de um camelo. Restolho — o equivalente ao que enche a boca de um cordeiro. Ervas — o equivalente ao que enche a boca de um cabrito. Folhas de alho e folhas de cebola: frescas — o equivalente a um figo seco; secas — o equivalente ao que enche a boca de um cabrito. E não se combinam umas com as outras, porque não são iguais em suas medidas.
Sem qualquer fórmula de transição, a Guemará introduz uma nova Mishná, ainda dentro do mesmo Perek Zayin, que estabelece as medidas mínimas para responsabilizar por transportar diferentes tipos de forragem animal no Shabat. O princípio subjacente é que a medida mínima de um objeto depende do animal ao qual normalmente se destina: palha comum, que serve de alimento para vacas, tem sua medida fixada pelo que enche a boca de uma vaca; palha de leguminosas, mais apreciada e destinada a camelos, tem medida maior (o que enche a boca de um camelo, animal de boca maior); restolho, destinado a cordeiros, tem sua medida fixada pela boca do cordeiro; ervas, que servem tanto para cordeiros quanto para cabritos (animais de boca menor), têm a medida mais generosa ao guardião — o que enche a boca do cabrito, a menor das medidas. Folhas de alho e cebola, por servirem de alimento humano quando frescas, têm medida de um figo seco (a medida-padrão de alimento humano no Shabat); quando secas e destinadas a animais, a medida volta a ser a boca do cabrito. A Mishná fecha com uma ressalva importante: por serem medidas desiguais entre si, essas diferentes forragens não se combinam para completar, juntas, a medida responsabilizadora — um princípio que a Guemará examinará e matizará nos parágrafos seguintes.
MISHNÁ. "'Palha de leguminosas'" — explica-se na Guemará. "'O equivalente ao que enche a boca do camelo'" — a medida é maior do que a boca da vaca; mas o equivalente ao que enche a boca da vaca não responsabiliza para o camelo, pois isto não é apto para o camelo. "'Restolho'" — os caules das espigas. "'A boca do cordeiro'" — é maior do que a boca do cabrito; por isso, o restolho, que não é apto para o cabrito, não responsabiliza pelo equivalente ao que enche a boca do cabrito, até que haja o equivalente ao que enche a boca do cordeiro; mas as ervas, já que são aptas tanto para o cordeiro quanto para o cabrito, responsabilizam mesmo pelo equivalente ao que enche a boca do cabrito. "'Frescas'" — as que são aptas para o homem, a medida é um figo seco, pois esta é a medida para qualquer alimento humano no Shabat; mas o equivalente ao que enche a boca do cabrito não se aplica às frescas, pois as folhas frescas não são aptas para o cabrito.
GUEMARÁ. O que é "palha de leguminosas"? Disse Rav Yehuda: palha de espécies de leguminosas. Quando veio Rav Dimi, disse: quem transporta palha, o equivalente ao que enche a boca de uma vaca, para um camelo — Rabi Yochanan disse: responsável; Rabi Shimon ben Lakish disse: isento. À noite, Rabi Yochanan disse assim; pela manhã, retratou-se. Disse Rav Yosef: fez bem em retratar-se, pois isto não é apto para o camelo! Disse-lhe Abaye: pelo contrário, é mais razoável como era ensinado no início, pois isto é apto para a vaca. Mas quando veio Ravin, disse: quem transporta palha, o equivalente ao que enche a boca de uma vaca, para um camelo — todos concordam que é responsável. Quando discordam, é a respeito de quem transporta palha de leguminosas, o equivalente ao que enche a boca de uma vaca, para uma vaca. E foi transmitida a versão oposta: Rabi Yochanan disse: isento; Reish Lakish disse: responsável. Rabi Yochanan disse isento — comer sob pressão não se chama comer. Reish Lakish disse responsável — comer sob pressão se chama comer.
Este é um caso complexo de dois relatos sucessivos e mutuamente corretivos, comum na literatura talmúdica, quando sábios que viajavam da Terra de Israel para a Babilônia (aqui, primeiro Rav Dimi, depois Ravin) traziam versões de um mesmo debate. Primeiro, Rav Dimi relatara: quem transporta palha comum, na medida da boca de uma vaca, mas com a intenção de alimentar um camelo (cuja boca é maior), Rabi Yochanan responsabiliza e Reish Lakish isenta — e Rabi Yochanan chegou a mudar de posição de um dia para o outro (de responsável, à noite, para isento, pela manhã); Rav Yosef aprova essa retratação, pois aquela quantidade de palha comum não é, de fato, apta para satisfazer um camelo; Abaye discorda, defendendo a posição original de Rabi Yochanan, pois, ainda que insuficiente para o camelo, a quantidade transportada é apta para uma vaca, o que bastaria para considerá-la uma medida significativa (já que ela não "deixa de ser" a medida da vaca só porque foi levada para outro animal). Mas todo esse relato de Rav Dimi é corrigido pelo relato posterior de Ravin: na verdade, ninguém discorda de que transportar palha comum, na medida da vaca, para um camelo, responsabiliza — a disputa genuína está em outro caso, o de quem transporta palha de leguminosas (mais nobre, apreciada por camelos, mas não pela vaca senão sob pressão), na medida da boca de uma vaca, mas para alimentar a própria vaca. E, quanto a esse caso corrigido, ainda foi transmitida uma versão invertida das posições: Rabi Yochanan (agora) isenta, com base no princípio de que "comer sob pressão não se considera comer" — já que a vaca comeria palha de leguminosas apenas forçada pela fome, não é um alimento verdadeiramente "seu"; Reish Lakish responsabiliza, sustentando o princípio oposto, de que mesmo o comer sob pressão ainda conta como alimentação genuína.
GUEMARÁ. "'Quem transporta palha, o equivalente ao que enche a boca da vaca'" — e a transportou para alimentar um camelo, pois a boca do camelo é maior do que a boca da vaca. "'Pois isto é apto para a boca da vaca'" — por isso é uma medida significativa, e para qualquer um que a transporte, sua medida não deixa de valer por causa disso. "'Que é responsável'" — pois há nisto a medida que é apta para a vaca, por isso é apto para ser guardado, e se guarda o equivalente a isso. "'Palha de leguminosas'" — não é apta para a vaca senão sob pressão, mas para o camelo é que é apta, e este a transportou para a vaca. "'Rabi Yochanan disse isento'" — pois, quanto ao camelo, para o qual ela é apta, não há a medida necessária; e se o motivo é que a transportou por causa da vaca, e para ela há a medida, comer sob pressão não é considerado comer, por isso não se mede pela vaca.
"Restolho, o equivalente ao que enche a boca de um cordeiro." Mas não foi ensinado numa baraita: o equivalente a um figo seco? Isto e isto são uma única medida.
A Guemará resolve uma aparente contradição entre a medida da Mishná para o restolho (o equivalente ao que enche a boca de um cordeiro) e uma baraita que dá, para o mesmo tipo de forragem, a medida de um figo seco. A resposta é simples: não são duas medidas diferentes, mas duas descrições equivalentes de uma única quantidade — o que enche a boca de um cordeiro corresponde, na prática, ao volume de um figo seco.
"Folhas de alho e folhas de cebola: frescas, o equivalente a um figo seco; e secas, o equivalente ao que enche a boca do cabrito; e não se combinam umas com as outras, porque não são iguais em suas medidas." Disse Rabi Yosei bar Chanina: não se combinam para completar a medida mais rigorosa entre elas; mas se combinam para completar a medida mais leve entre elas.
Rabi Yosei bar Chanina matiza a ressalva final da Mishná sobre folhas de alho e cebola. À primeira vista, "não se combinam umas com as outras" soaria absoluto: uma porção fresca e uma porção seca, juntas, jamais somariam uma medida responsabilizadora. Mas Rabi Yosei bar Chanina distingue: elas não se combinam para completar a medida mais rigorosa (a maior das duas, digamos a medida seca, se esta for maior) — pois a porção do tipo mais leve não é, aos olhos da medida mais exigente, tão significativa quanto uma porção adicional do próprio tipo rigoroso; mas se combinam, sim, para completar a medida mais leve — pois qualquer porção do tipo mais significativo (ainda que de categoria diferente) já basta, por si, para completar a medida menos exigente.
Mas tudo o que não é igual em suas medidas, acaso se combina? Mas não foi ensinado: a roupa — três dedos por três; e o saco — quatro por quatro; e o couro — cinco por cinco; a esteira — seis por seis. E foi ensinado a respeito disto: a roupa e o saco, o saco e o couro, o couro e a esteira — combinam-se uns com os outros. E disse Rabi Shimon: qual é a razão? Porque são aptos para se tornarem impuros por assento. Mas se a razão é que são aptos para se tornarem impuros por assento, então aquilo que não é apto para se tornar impuro por assento — não se combinaria!
A Guemará levanta uma objeção geral ao princípio de Rabi Yosei bar Chanina (medidas desiguais não se combinam para a mais rigorosa): existe um precedente, de outro contexto — as leis de impureza por assento (moshav, a impureza transmitida pelo peso de um zav sentado sobre um objeto) —, em que uma baraita ensina que roupa (medida mínima: três por três dedos), saco (quatro por quatro), couro (cinco por cinco) e esteira (seis por seis) — todos de medidas diferentes entre si — se combinam uns com os outros para completar a medida de impureza. Rabi Shimon explica a razão: todos são aptos para se tornarem impuros por assento, e é essa aptidão comum, não a igualdade das medidas, que permite a combinação. A objeção então destaca a implicação inversa dessa mesma razão: se a combinação depende apenas da aptidão comum para a impureza por assento, então, no caso das folhas de alho e cebola (frescas e secas), que não têm essa aptidão comum específica em jogo, talvez devessem se combinar plenamente até a medida mais rigorosa também — contradizendo a distinção de Rabi Yosei bar Chanina entre "mais leve" e "mais rigorosa". A resposta a esta objeção, iniciada pela palavra "disse Rava", fica cortada exatamente aqui.
"'Não se combinam para completar a mais rigorosa entre elas'" — aquilo cuja medida necessária é maior é considerado leve, e não se combina para completar a medida do tipo mais rigoroso, pois não é tão significativo quanto aquele; mas o tipo mais significativo completa o tipo mais leve até sua medida: a palha se combina com a palha de leguminosas para completar o equivalente à boca do camelo; e a palha de leguminosas não se combina com a palha para completar o equivalente à boca da vaca. "'Acaso se combinam'" — mesmo para completar o mais rigoroso com o mais leve. "'Três por três'" — para a impureza de assento do fluxo do zav, a fim de se tornar fonte de impureza. "'A roupa e o saco se combinam'" — pois a roupa completa a medida do saco; o saco é feito de pelo de cabra. "'E disse Rabi Shimon: qual é a razão'" — de que se combinam? "'Porque são aptos para se tornarem impuros por assento'" — se alguém uniu dois deles para fazer um remendo na sela de um jumento, na sua medida, quanto ao assento do zav; se cortou dois deles e preparou um palmo por palmo para se sentar sobre ele, ele se torna impuro como fonte de impureza pelo assento do zav — pois foi ensinado: quem corta, de qualquer um deles, um palmo por palmo, torna-se impuro como assento; e explicamos a razão no primeiro capítulo de Sucá: porque é apto para remendar sobre um jumento, que não se importa se o remendo é de duas espécies diferentes.
Disse Rava: