Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Zayin (Klal Gadol) → Perek Chet (Hamotzi Yayin)
הָכָא נָמֵי, חַזְיָא לְדוּגְמָא

A resposta de Rava completa-se: "aqui também, é apto para servir de amostra"; a nova Mishná sobre alimentos e suas cascas; o hadran encerrando o Perek Klal Gadol; e a abertura do Perek Hamotzi Yayin com sua Mishná sobre vinho, leite, mel, azeite e água

Shabbat 76b — a folha abre completando a frase interrompida ao final de 76a: "disse Rava" ganha sua continuação, "aqui também, é apto para servir de amostra", resolvendo a objeção sobre roupa, saco, couro e esteira que se combinam apesar de medidas desiguais; segue-se uma nova Mishná sobre alimentos e suas medidas — o equivalente a um figo seco, que se combinam entre si, exceto cascas, caroços, talos, farelo grosso e farelo fino, com a exceção de Rabi Yehuda para cascas de lentilha que se cozinham junto com elas; e a Guemará que a elucida — a objeção de Aviye a partir da chalá, e a resposta de que o pobre come seu pão misturado com farelo; e a distinção entre cascas de lentilha novas (que se combinam) e velhas (que não se combinam), pela explicação de Rabi Avahu de que parecem moscas na tigela. Encerra-se então o Perek Zayin, Klal Gadol, com a fórmula do hadran, e abre-se o Perek Chet, cujo nome vem de sua primeira palavra, Hamotzi Yayin: as medidas mínimas para vinho (o suficiente para misturar um copo), leite (um gole), mel (para pôr sobre uma ferida), azeite (para ungir um pequeno membro), água (para dissolver o colírio), e todos os demais líquidos e despejos, num quarto de log — com a opinião de Rabi Shimon de que todos, num quarto de log, valem apenas para quem os guarda. A Guemará elucida "um copo bonito" como o copo de bênção, e Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh define sua medida — a folha se interrompe em "disse Rava: também nós...", cuja continuação chega apenas no início de 77a.

A folha abre sem qualquer novo raciocínio independente, mas completando exatamente a frase que 76a havia deixado cortada: "disse Rava:" ganha aqui sua continuação — "aqui também, é apto para servir de amostra" —, respondendo à objeção levantada a partir da baraita sobre roupa, saco, couro e esteira, que se combinam entre si apesar de terem medidas desiguais. Rava explica que essa combinação não depende da aptidão para a impureza por assento (como sugerira Rabi Shimon), mas de uma razão mais modesta e comum a todos os quatro materiais: cada um deles, mesmo em pedaço pequeno, é apto para servir de amostra a um comerciante que queira exibir sua mercadoria — e é essa aptidão para servir de amostra que permite a combinação entre medidas desiguais, sem contradizer a distinção de Rabi Yosei bar Chanina quanto às folhas de alho e cebola (que não têm essa aptidão comum em jogo). Com a resposta de Rava concluída, a Guemará introduz uma nova Mishná: quem transporta alimentos, o equivalente a um figo seco, é responsável, e todos os alimentos se combinam entre si, por terem a mesma medida — exceto suas cascas, seus caroços, seus talos, o farelo grosso e o farelo fino, que não se combinam com o alimento em si; Rabi Yehuda faz uma exceção às cascas de lentilha, que se cozinham junto com o próprio alimento e por isso se combinam com ele. A Guemará elucida essa Mishná em duas etapas. Primeiro, levanta uma objeção: como pode ser que o farelo grosso e o fino não se combinem com o alimento, se uma outra Mishná ensina que cinco quartos de farinha e mais um pouco ficam obrigados à chalá, incluindo nessa medida a própria farinha e seu farelo grosso e fino? Aviye responde que ali se trata de uma consideração diferente — o pobre come seu pão misturado com o farelo, de modo que, para a chalá, o farelo conta como parte do alimento, mas, para o Shabat, exige-se algo de valor reconhecido, e o farelo, em geral, não é considerado alimento por si. Em segundo lugar, a Guemará examina a exceção de Rabi Yehuda: "exceto cascas de lentilha que se cozinham com elas" — implicando que lentilhas sim, mas favas não? Mas uma baraita ensina, em nome do próprio Rabi Yehuda, "exceto cascas de favas e de lentilhas", sem distinção! A resolução: não há contradição — a Mishná fala de cascas velhas (que não se combinam, pois já caíram da vagem na eira e por isso não se cozinham mais junto com o grão), e a baraita fala de cascas novas (que ainda se cozinham junto com o grão, e por isso se combinam com ele, sejam de lentilha ou de fava). E por que as cascas velhas, mesmo de fava, não se combinam mais? Rabi Avahu explica: porque, quando fervidas junto com o alimento numa panela, parecem moscas na tigela — repulsivas, e por isso não contam como parte do alimento. Com isso, encerra-se toda a sugya das medidas mínimas de transporte no Shabat, e com ela todo o Perek Zayin, Klal Gadol, que se abrira em 67b; a folha marca esse encerramento com a fórmula tradicional do hadran, "voltaremos a ti". Abre-se então, sem qualquer interrupção no texto original, o Perek Chet, cujo nome vem de sua primeira expressão, Hamotzi Yayin ("quem transporta vinho"): a nova Mishná estabelece as medidas mínimas para transportar vinho — o suficiente para misturar o copo; leite — um gole; mel — o suficiente para pôr sobre uma ferida (nas costas de animais de carga); azeite — o suficiente para ungir um pequeno membro; água — o suficiente para dissolver o colírio; e todos os demais líquidos, e todos os despejos, num quarto de log; com a opinião de Rabi Shimon de que todos os líquidos valem num quarto de log, e que essas medidas menores só se aplicam a quem os guarda especificamente (não a qualquer pessoa que os transporte). A Guemará elucida a primeira cláusula: foi ensinado, numa baraita, que a medida é "o suficiente para misturar um copo bonito" — e "copo bonito" é o copo de bênção (usado na bênção após as refeições, que os sábios exigiram que fosse embelezado). Disse Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh: o copo de bênção precisa conter um quarto de um quarto de log de vinho puro, para que, ao ser misturado com água, chegue a um quarto de log completo. A folha se interrompe, então, exatamente ao citar "disse Rava: também nós..." — sem que a continuação da frase apareça nesta folha; ela só chega na primeira linha de 77a, onde se revela que Rava cita uma Mishná de apoio para sua própria posição sobre a proporção de água e vinho.

Nota — a costura com a frase interrompida de 76a

76a se interrompera no meio de uma frase gramaticalmente cortada: "אָמַר רָבָא:" — "disse Rava:" — sem que a resposta em si aparecesse. A folha aqui abre completando exatamente essa frase: "הָכָא נָמֵי, חַזְיָא לְדוּגְמָא" — "aqui também, é apto para servir de amostra". A frase completa, portanto, lida através da fronteira entre as duas folhas, é: "disse Rava: aqui também, é apto para servir de amostra." Rava responde à objeção final de 76a — que roupa, saco, couro e esteira, de medidas desiguais entre si, se combinam segundo Rabi Shimon por serem aptos para a impureza por assento, o que sugeriria que folhas de alho e cebola (frescas e secas) também deveriam se combinar plenamente, contradizendo a distinção de Rabi Yosei bar Chanina. Rava explica que a combinação daqueles quatro materiais não depende, na verdade, apenas da aptidão comum para a impureza por assento (a explicação de Rabi Shimon trata de uma consequência lateral, não da causa exclusiva da combinação): mesmo sem essa aptidão específica, cada um dos materiais, em pedaço pequeno, é apto para servir de amostra a um comerciante que queira anunciar sua mercadoria — e é esta aptidão, mais modesta e mais amplamente compartilhada, que de fato permite a combinação entre medidas desiguais. Sendo uma razão distinta e mais restrita (nem toda "amostra" seria também apta à impureza por assento, nem vice-versa em todos os casos), ela não se estende às folhas de alho e cebola, que não têm essa aptidão de "amostra" em jogo — preservando, assim, a distinção original de Rabi Yosei bar Chanina.

01"Aqui também, é apto para servir de amostra" — a resposta de Rava
Rava
הָכָא נָמֵי, חַזְיָא לְדוּגְמָא.

Aqui também, é apto para servir de amostra.

Nota

Ver a nota de costura acima: esta é a segunda metade da frase que 76a deixara cortada em "disse Rava". Um comerciante de tecidos, que deseja anunciar sua mercadoria, costuma reunir pequenas amostras de cada tipo de material que vende e expô-las juntas à janela de sua loja, para mostrar, de uma só vez, tudo o que tem à venda; e lhe convém que fiquem unidas, pois, sendo pequenas, cada uma se dispersaria ao vento se estivesse solta. É essa aptidão para servir de amostra reunida — comum à roupa, ao saco, ao couro e à esteira — que permite a combinação entre eles, independentemente de suas medidas desiguais e independentemente também da impureza por assento.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hacha nami chazei" e "ledugma"
הכא נמי חזי - ביחד: לדוגמא - מי שיש לו למכור צובר מכולן ונותן לפני חלונו להראות שיש לו למכור מכולן וניחא ליה שיהו מחוברין יחד דאיידי דזוטרי כל חד וחד הרוח מפזרתו:

"'Aqui também, é apto'" — juntos. "'Para servir de amostra'" — aquele que tem mercadoria para vender reúne pedaços de todos os materiais e os coloca diante de sua janela, para mostrar que tem de tudo para vender; e lhe convém que fiquem unidos juntos, pois, sendo pequenos, cada um deles, separado, o vento o dispersaria.

Nova Mishná: alimentos e suas cascas, caroços, talos e farelo · הַמּוֹצִיא אוֹכָלִים כִּגְרוֹגֶרֶת

02Mishná: alimentos, o equivalente a um figo seco, combinam-se entre si — exceto cascas, caroços, talos e farelo; Rabi Yehuda excetua as cascas de lentilha que se cozinham junto com elas
Mishná
הַמּוֹצִיא אוֹכָלִים כִּגְרוֹגֶרֶת — חַיָּיב, וּמִצְטָרְפִין זֶה עִם זֶה מִפְּנֵי שֶׁשָּׁווּ בְּשִׁיעוּרֵיהֶן. חוּץ מִקְּלִיפָּתָן, וְגַרְעִינֵיהֶן, וְעוּקְצֵיהֶן, וְסוּבָּן, וּמוּרְסָנָן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: חוּץ מִקְּלִיפֵּי עֲדָשִׁין שֶׁמִּתְבַּשְּׁלוֹת עִמָּהֶן.

MISHNÁ. Quem transporta alimentos, o equivalente a um figo seco — é responsável, e se combinam uns com os outros, porque são iguais em suas medidas. Exceto suas cascas, seus caroços, seus talos, seu farelo grosso e seu farelo fino. Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de lentilha, que se cozinham junto com elas.

Nota

Nova Mishná, agora já dentro do Perek Zayin ainda em curso: alimentos humanos, ao contrário das forragens da Mishná anterior (que tinham medidas diferentes conforme o tipo e o animal de destino), têm todos a mesma medida mínima para responsabilizar — o equivalente a um figo seco —, e por isso se combinam livremente entre si para completar essa medida, sejam quais forem os tipos de alimento misturados. A exceção fica por conta das partes não comestíveis que costumam acompanhar o alimento: cascas, caroços, talos, e os dois tipos de farelo (o grosso, que se solta na debulha, e o fino, que fica na peneira) — nenhum deles conta como alimento, e por isso não se combina com o alimento propriamente dito para completar sua medida. Rabi Yehuda introduz uma exceção à exceção: as cascas de lentilha, por se cozinharem junto com o próprio grão (ao contrário de outras cascas, que se descartam antes do cozimento), acabam sendo consumidas junto com ele, e por isso se combinam, sim, com o alimento.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "matnitin: ochalim", "umitztarfin", "chutz mikelipeihen", "veuktzeihen", "vesuvan umursanan" e "shemitbashlot imahen"
מתני' אוכלים כו' - למאכל אדם: ומצטרפין - כל אוכלי אדם זה עם זה: חוץ מקליפיהן - שאינן אוכל ואין משלימין השיעור: ועוקציהן - זנב הפרי דהוא עץ בעלמא: וסובן - קליפת חטין הנושרת מחמת כתישה: ומורסנן - הנשאר בנפה: ר' יהודה אומר - כל הקליפין אין מצטרפין כדאמרן חוץ מקליפי עדשים שמצרפות אותן: שמתבשלות עמהן - לאפוקי קליפה חיצונה שהן גדלות בתוכה הנושרות בגורן:

MISHNÁ. "'Alimentos', etc." — para alimento humano. "'E se combinam'" — todos os alimentos humanos, uns com os outros. "'Exceto suas cascas'" — pois não são alimento, e não completam a medida. "'E seus talos'" — o rabinho do fruto, que é mera madeira. "'E seu farelo grosso'" — a casca do trigo que se solta por causa da moagem. "'E seu farelo fino'" — o que resta na peneira. "'Rabi Yehuda diz'" — todas as cascas não se combinam, como dissemos, exceto as cascas de lentilha, que ele considera que se combinam. "'Que se cozinham junto com elas'" — para excluir a casca externa, que crescem dentro dela e que se soltam na eira.

03"O farelo não se combina?" — mas a chalá inclui o farelo! Aviye: o pobre come seu pão misturado com farelo
A Guemará; Aviye
וְסוּבָּן וּמוּרְסָנָן לֹא מִצְטָרְפִין? וְהָתְנַן: חֲמֵשֶׁת רְבָעִים קֶמַח וְעוֹד, חַיָּיבִין בַּחַלָּה הֵן וְסוּבָּן וּמוּרְסָנָן! אָמַר אַבָּיֵי: שֶׁכֵּן עָנִי אוֹכֵל פִּתּוֹ בְּעִיסָּה בְּלוּסָה.

GUEMARÁ. E o farelo grosso e o farelo fino não se combinam? Mas não foi ensinado: cinco quartos de farinha e mais um pouco ficam obrigados à chalá, eles e seu farelo grosso e seu farelo fino! Disse Aviye: porque o pobre come seu pão numa massa misturada.

Nota

A Guemará levanta uma objeção contra a própria Mishná, a partir de uma lei distinta: as leis da chalá (a porção separada da massa para o sacerdote) medem a obrigação por cinco quartos de cabo de farinha, e uma outra Mishná ensina explicitamente que, nessa medida, entram também o farelo grosso e o fino que a farinha contém — sugerindo que o farelo, afinal, conta como parte do alimento. Aviye resolve a contradição distinguindo os contextos: para a chalá, a consideração é que o pobre, por necessidade, não peneira sua farinha com cuidado e acaba comendo seu pão com o farelo misturado à massa — de modo que, ali, o farelo é, de fato, parte do "pão" que se come; mas, para a responsabilidade no Shabat, o critério é diferente — exige-se um alimento de valor reconhecido como tal por si só, e o farelo, tomado isoladamente (sem estar já incorporado numa massa que alguém de fato coma), não é considerado alimento.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "gemara: belusa"
גמ' בלוסה - מעורבת בסובנה ובמורסנה הלכך לחם הארץ קרינן ביה ומיהו לענין שבת מידי דחשיב בעינן וסתמייהו דהני לאו אוכל נינהו:

GUEMARÁ. "'Misturada'" — a massa misturada com seu farelo grosso e seu farelo fino; por isso a chamamos de "pão da terra" para efeito da chalá; mas, quanto ao Shabat, exige-se algo de valor reconhecido, e estes, em geral, não são alimento.

04"Lentilhas sim, favas não?" — mas uma baraita inclui as favas! Cascas novas se combinam, cascas velhas não; Rabi Avahu: parecem moscas na tigela
A Guemará; baraita; Rabi Avahu
רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: חוּץ מִקְּלִיפֵּי עֲדָשִׁים הַמִּתְבַּשְּׁלוֹת עִמָּהֶן. עֲדָשִׁים אִין, פּוֹלִין לָא? וְהָתַנְיָא, רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: חוּץ מִקְּלִיפֵּי פּוֹלִין וַעֲדָשִׁים! לָא קַשְׁיָא: הָא בְּחַדְתֵי, הָא בְּעַתִּיקֵי. עַתִּיקֵי מַאי טַעְמָא לָא? אָמַר רַבִּי אֲבָהוּ: מִפְּנֵי שֶׁנִּרְאִין כִּזְבוּבִין בַּקְּעָרָה.

"Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de lentilha que se cozinham junto com elas." Lentilhas sim, favas não? Mas não foi ensinado numa baraita, Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de favas e de lentilhas! Não é difícil: esta trata de cascas novas, aquela trata de cascas velhas. Velhas, qual é a razão de não? Disse Rabi Avahu: porque parecem moscas na tigela.

Nota

A Guemará examina uma possível limitação na formulação da Mishná: ao mencionar apenas "cascas de lentilha" como exceção que se combina, ela pareceria excluir as cascas de fava do mesmo tratamento. Mas uma baraita, transmitindo a mesma opinião de Rabi Yehuda, inclui explicitamente também as cascas de fava, sem distinção entre os dois legumes! A Guemará resolve: não há contradição real, pois as duas fontes falam de estágios diferentes da casca. A Mishná, ao restringir a exceção às lentilhas, refere-se a cascas velhas — as que já caíram do grão na eira, antes do cozimento, e que, mesmo fervidas junto com o alimento, não se combinam mais com ele; a baraita, ao incluir tanto favas quanto lentilhas, refere-se a cascas novas — as que ainda estão aderidas ao grão no momento do cozimento, e que por isso se combinam com ele, seja qual for o legume. Rabi Avahu explica por que as cascas velhas, mesmo fervidas junto com o alimento, deixam de contar como parte dele: soltas e escurecidas pelo tempo, elas parecem, na panela, moscas boiando na tigela — repulsivas à vista, e por isso não se consideram mais alimento.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "polin chadtei" e "kizvuvin"
פולין חדתי - קליפתן מצטרפין: כזבובין - לפי שהן שחורות:

"'Favas novas'" — sua casca se combina. "'Como moscas'" — porque as cascas velhas são escuras.

Fim do Perek Zayin · Klal Gadolהַדְרָן עֲלָךְ ״כְּלָל גָּדוֹל״
Nota sobre a transição

Com a distinção entre cascas de lentilha (e fava) novas e velhas, encerra-se toda a sugya das medidas mínimas de transporte no Shabat — forragens, alimentos, e as respectivas exceções — e, com ela, todo o Perek Zayin, Klal Gadol ("uma grande regra"), que se abrira em Shabat 67b com a Mishná sobre os graus de esquecimento do princípio do Shabat. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach Klal Gadol" ("Retornaremos a você, Klal Gadol"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.

Início do Perek Chet · Hamotzi Yayinתְּחִלַּת פֶּרֶק חֵית · הַמּוֹצִיא יַיִן

Nova Mishná: as medidas mínimas para vinho, leite, mel, azeite e água · הַמּוֹצִיא יַיִן

05Mishná: vinho, leite, mel, azeite, água e demais líquidos — cada qual com sua medida; Rabi Shimon: todos num quarto de log, só para quem os guarda
Mishná (Shabat 8:1)
הַמּוֹצִיא יַיִן — כְּדֵי מְזִיגַת הַכּוֹס. חָלָב — כְּדֵי גְמִיעָה. דְּבַשׁ — כְּדֵי לִיתֵּן עַל הַכָּתִית. שֶׁמֶן — כְּדֵי לָסוּךְ אֵבֶר קָטָן. מַיִם — כְּדֵי לָשׁוּף בָּהֶם אֶת הַקִּילוֹר. וּשְׁאָר כׇּל הַמַּשְׁקִין בִּרְבִיעִית, וְכׇל הַשּׁוֹפְכִין בִּרְבִיעִית. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר: כּוּלָּן בִּרְבִיעִית, וְלֹא נֶאֶמְרוּ כׇּל הַשִּׁיעוּרִין הַלָּלוּ אֶלָּא לְמַצְנִיעֵיהֶן.

MISHNÁ. Quem transporta vinho — o suficiente para misturar o copo. Leite — o suficiente para um gole. Mel — o suficiente para pôr sobre uma ferida. Azeite — o suficiente para ungir um pequeno membro. Água — o suficiente para dissolver o colírio. E todos os demais líquidos, num quarto de log; e todos os despejos, num quarto de log. Rabi Shimon diz: todos, num quarto de log, e não se disseram todas essas medidas senão para quem os guarda especificamente.

Nota

Sem qualquer interrupção no texto original, abre-se aqui o Perek Chet, cujo nome tradicional, Hamotzi Yayin ("quem transporta vinho"), vem de sua primeira palavra. A nova Mishná estabelece as medidas mínimas para responsabilizar por transportar líquidos no Shabat, cada qual segundo seu uso mais comum: vinho, o suficiente para misturar um copo (a quantidade de vinho puro necessária para, com água, completar um copo pronto para beber); leite, o suficiente para um único gole; mel, o suficiente para untar sobre uma ferida (especialmente nas costas de animais de carga, machucadas pelo peso); azeite, o suficiente para ungir um pequeno membro (como um dedo de criança); água, o suficiente para dissolver o colírio medicinal aplicado ao olho. Todos os demais líquidos — e também "todos os despejos" (águas usadas, sujas, sem utilidade direta) — têm a medida uniforme de um quarto de log (uma medida de volume). Rabi Shimon discorda da estrutura toda: para ele, todos os líquidos, sem exceção, têm a medida de um quarto de log; as medidas menores listadas na primeira parte da Mishná (um gole, uma untada, etc.) aplicam-se apenas a quem guarda especificamente aquele líquido para aquele uso — não a qualquer pessoa que o transporte sem essa intenção específica.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "matnitin: hamotzi yayin chai", "kedei mezigat hakos", "ketit", "lashuf", "kilor", "birviit", "shofchim", "kulan birviit" e "velo neemru"
מתני' המוציא יין - חי: כדי מזיגת הכוס - כשיעור שנותנין יין חי לתוך כוס להוסיף עליו מים כהלכתו ולמזוג אותו בהן ובגמרא מפרש באיזה כוס משערו: כתית - שבגבי הסוסים והגמלים מחמת המשאות רדוי"ש בלע"ז: לשוף - לשפשף ולהמחות בהן: קילור - שנותנין על העין לודיי"א בלע"ז: ברביעית - ביצה ומחצה רביעית הלוג: שופכים - מים סרוחים ובגמרא מפרש למאי חזו: כולן ברביעית - אף היין והחלב והדבש: ולא נאמרו - שיעורין שבמשנה אלא למצניעיהן לבד וחזר המצניע והוציאו חייב אבל שאר כל אדם שהוציאו אינו חייב:

MISHNÁ. "'Quem transporta vinho'" — puro. "'O suficiente para misturar o copo'" — a medida que se coloca de vinho puro num copo, para acrescentar-lhe água conforme o costume e misturá-lo com ela; e a Guemará explica, mais adiante, com qual copo se mede isso. "'Ferida'" — a que há nas costas de cavalos e camelos por causa das cargas. "'Para dissolver'" — para esfregar e diluir o colírio com a água. "'Colírio'" — que se coloca sobre o olho. "'Num quarto'" — o volume de um ovo e meio é um quarto de log. "'Despejos'" — águas fétidas, e a Guemará explica, mais adiante, para que servem. "'Todos, num quarto'" — inclusive o vinho, o leite e o mel. "'E não se disseram'" — as medidas da Mishná, senão para quem os guarda especificamente; e se este mesmo guardião voltar e os transportar, é responsável; mas qualquer outra pessoa que os transporte não é responsável por essas medidas menores.

06"O suficiente para misturar um copo bonito" — o copo de bênção; Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh: sua medida exata
Baraita; Rav Nachman; Rabá bar Avuh
תָּנָא: כְּדֵי מְזִיגַת כּוֹס יָפֶה. וּמַאי כּוֹס יָפֶה — כּוֹס שֶׁל בְּרָכָה. אָמַר רַב נַחְמָן אָמַר רַבָּה בַּר אֲבוּהּ: כּוֹס שֶׁל בְּרָכָה צָרִיךְ שֶׁיְּהֵא בּוֹ רוֹבַע רְבִיעִית, כְּדֵי שֶׁיִּמְזְגֶנּוּ וְיַעֲמוֹד עַל רְבִיעִית.

GUEMARÁ. Foi ensinado: o suficiente para misturar um copo bonito. E o que é "copo bonito"? O copo de bênção. Disse Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh: o copo de bênção precisa ter nele um quarto de um quarto de log, para que, ao ser misturado, chegue a um quarto de log.

Nota

A Guemará elucida a primeira cláusula da Mishná através de uma baraita que precisa a expressão: a medida não é para misturar um copo qualquer, mas um "copo bonito" — identificado como o copo de bênção, usado na bênção após as refeições (Birkat HaMazon), que os sábios exigiram que fosse embelezado (enfeitado, limpo, cheio, e passado de mão em mão com cuidado). Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh, precisa a medida exata de vinho puro exigida: um quarto de um quarto de log — ou seja, um dezesseis avos de log — de vinho puro, que, ao ser diluído com três partes de água (a proporção costumeira), completa um quarto de log inteiro, a medida padrão do copo de bênção pronto para beber.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "tana", "kos shel beracha", "amar Rav Nachman" e "kedei sheyimzegenu"
גמ' תנא - בתוספתא המוציא יין כדי מזיגת כוס יפה פירוש לכוס דמתני': כוס של ברכה - ברכת המזון שהצריכו חכמים ליפותו כדאמרי' בברכות (דף נא.) עיטור ועיטוף הדחה ושטיפה חי ומלא: אמר רב נחמן גרסי' ולא גרסי' דאמר: שיעור כוס של ברכה צריך שיהא בו - יין חי רובע של רביעית הלוג: כדי שימזגנו - במים שלשה חלקים מים ואחד יין: ויעמוד על רביעי' - הלוג:

GUEMARÁ. "'Foi ensinado'" — na Tosefta: quem transporta vinho, o suficiente para misturar um copo bonito — explicação para o "copo" da Mishná. "'O copo de bênção'" — a bênção da refeição, que os sábios exigiram que fosse embelezada, como dizemos em Berachot (51a): ornamento, envolvimento, enxágue e lavagem, copo puro e cheio. "'Disse Rav Nachman'" — lemos assim, e não lemos "que disse". "'A medida do copo de bênção precisa ter nele'" — vinho puro, um quarto de um quarto de log. "'Para que o misture'" — com água, três partes de água e uma de vinho. "'E chegue a um quarto'" — de log.

07"Disse Rava: também nós..." — a folha se interrompe
Rava
אָמַר רָבָא: אַף אֲנַן נָמֵי...

Disse Rava: também nós...

A folha se interrompe exatamente aqui, no meio de uma frase de Rava iniciada por "também nós...". A continuação chega na primeira linha de 77a: "תְּנֵינָא" — "aprendemos numa outra Mishná" — completando a frase de Rava ("também nós aprendemos o mesmo, numa Mishná") e citando, em apoio à sua própria posição sobre a proporção de água e vinho ("todo vinho que não suporta três partes de água é chamado vinho fraco demais"), a Mishná que ensina que "quem transporta vinho — o suficiente para misturar o copo" e a baraita que a precisa como "copo bonito", junto com a cláusula final da Mishná, "e todos os demais líquidos, num quarto de log" — pois Rava segue sua própria opinião sobre o que conta como "vinho" de fato.