A folha abre sem qualquer novo raciocínio independente, mas completando exatamente a frase que 76b havia deixado cortada: "disse Rava: também nós..." ganha aqui sua continuação — "aprendemos o mesmo, numa Mishná" —, citando a própria Mishná de abertura do Perek Chet, "quem transporta vinho — o suficiente para misturar o copo", e a baraita que a precisa, "o suficiente para misturar um copo bonito"; e ensina-se ainda, na cláusula final dessa mesma Mishná, "e todos os demais líquidos, num quarto de log" — donde se conclui que o vinho, ao contrário dos demais líquidos, não se mede por um quarto de log inteiro, mas apenas pela quantidade de vinho puro necessária para, diluída, chegar a essa medida; e Rava segue seu próprio critério, pois Rava dizia: todo vinho que não suporta uma proporção de três partes de água para uma de vinho não merece, de fato, o nome de "vinho" — de modo que a Mishná, ao falar em "vinho", já pressupõe essa proporção de diluição. Contra essa posição, Aviye levanta dois argumentos. Primeiro: não foi ensinado que o vinho misturado tem duas partes de água para uma de vinho, tratando-se do vinho de Sharon (mais forte que o comum)? Isso mostra que a proporção de mistura varia, e não é fixa em "três para um". Segundo: se a medida de vinho na Mishná depende de, uma vez diluído, chegar a um quarto de log próprio para beber, então a água ainda dentro do jarro — que ainda não foi misturada com o vinho — não deveria se combinar para completar a medida de responsabilidade no Shabat; e, no entanto, ela se combina! Rava responde a ambos os argumentos. Quanto ao vinho de Sharon: sendo um vinho fraco (menos concentrado), sua proporção de mistura é, de fato, diferente — mas isso não invalida a regra geral para o vinho comum; ou, alternativamentre, ali a proporção de duas partes de água foi mencionada apenas por causa da aparência da cor (para que o vinho misturado tivesse a cor correta), mas, quanto ao sabor, ainda se exige mais água. Quanto à água no jarro: para efeito do Shabat, o critério não é que o líquido já esteja no estado final de uso, mas que seja algo de valor reconhecido — e a água no jarro, mesmo ainda não misturada, já é considerada valiosa o bastante para se combinar. A Guemará então cita uma baraita relacionada: foi ensinado que o vinho seco (coagulado) tem sua medida mínima numa azeitona — palavras de Rabi Natan. Disse Rav Yossef: Rabi Natan e Rabi Yossei bar Rabi Yehuda disseram a mesma coisa — Rabi Yossei bar Rabi Yehuda, numa baraita sobre seis leis mais brandas segundo Beit Shamai e mais rígidas segundo Beit Hilel, ensinou que, quanto ao sangue de carcaça (que Beit Shamai considera puro e Beit Hilel impuro), mesmo quando Beit Hilel o consideram impuro, isso só vale para sangue que contenha um quarto de log, já que esse volume, ao coagular, chega à medida de uma azeitona — a mesma equivalência que Rabi Natan estabelece para o vinho seco. Aviye rejeita essa comparação: talvez não seja bem assim, pois cada caso tem sua própria razão específica de conversão entre o volume líquido e o sólido, e a equivalência entre um quarto de log líquido e uma azeitona sólida vale para o vinho (fraco, que reduz muito ao secar) mas não necessariamente para o sangue (denso, que reduz pouco ao secar) — e vice-versa. Encerrada essa digressão sobre o vinho, a Guemará retoma o texto da Mishná em sua próxima cláusula: "leite — o suficiente para um gole" — e levanta uma dúvida puramente linguística sobre a vocalização exata da palavra hebraica para "gole" na Mishná; Rav Nachman bar Yitzchak resolve a dúvida citando um versículo bíblico com a mesma raiz. A folha então se interrompe numa nova dúvida, desta vez sobre a vocalização de outra palavra da Mishná anterior (referente aos "caroços" dos alimentos, mencionados já em 76b) — "levantou-se a dúvida:" —, sem que a pergunta em si seja formulada nesta folha; sua continuação chega apenas na primeira linha de 77b.
76b se interrompera no meio de uma frase gramaticalmente cortada: "אָמַר רָבָא: אַף אֲנַן נָמֵי..." — "disse Rava: também nós..." — sem que a continuação aparecesse. A folha aqui abre completando exatamente essa frase: "תְּנֵינָא" — "aprendemos o mesmo, numa outra Mishná". A frase completa, portanto, lida através da fronteira entre as duas folhas, é: "disse Rava: também nós aprendemos o mesmo, numa Mishná" — e a folha prossegue imediatamente citando qual Mishná é essa (a própria Mishná de abertura deste Perek Chet, sobre o copo de vinho) e a baraita que a precisa, em apoio à posição de Rava de que todo vinho que não suporta a proporção de três partes de água para uma de vinho não merece o nome de "vinho".
Aprendemos o mesmo, numa Mishná: quem transporta vinho — o suficiente para misturar o copo; e foi ensinado sobre ela: o suficiente para misturar um copo bonito. E ensina-se, na cláusula final: "e todos os demais líquidos, num quarto de log". E Rava segue seu próprio critério, pois Rava dizia: todo vinho que não suporta uma proporção de três partes de água não é vinho.
Ver a nota de costura acima: esta é a segunda metade da frase que 76b deixara cortada em "disse Rava: também nós...". Rava demonstra que sua posição sobre a proporção de diluição do vinho já está implícita na própria Mishná: se o vinho tem uma medida especial (o suficiente para misturar o copo), diferente da medida uniforme de "um quarto de log" que vale para todos os demais líquidos, é porque a Mishná pressupõe que "vinho", propriamente dito, só existe quando pode suportar a diluição de três partes de água — a proporção correta para se tornar bebida pronta. Só assim a medida "o suficiente para misturar o copo" corresponde exatamente a "um quarto de um quarto de log" de vinho puro (como precisado por Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh, ao final de 76b), que, multiplicado por quatro (uma parte de vinho, três de água), completa o quarto de log inteiro.
"'Aprendemos'" — também da própria Mishná ouvimos que essa é sua medida, pois, ao ensinar quanto aos demais líquidos "um quarto de log", ouvimos daí que não há responsabilidade por transportar no Shabat, quanto a um líquido próprio para beber, em menos de um quarto de log; portanto, forçosamente, quando os sábios mediram o vinho como "o suficiente para misturar o copo de bênção", tomaram a medida própria para beber, um quarto de log — e essa é "um quarto de um quarto de log", pois, ao acrescentar-lhe três partes de água, como no costume das misturas próprias para beber, chega a um quarto de log. Há os que erram nessa tradição, dizendo "um quarto de um quarto" significa um quarto do log, e chegaria a um quarto significando um log inteiro, que é um quarto do cav — e é erro em suas mãos, pois nossos mestres não disseram assim; e há prova disso no tratado Nazir (38a): "dez quartos há", isto é, cinco vermelhos — os que se disseram quanto a vinho e sangue — e cinco brancos — os que se disseram quanto aos demais líquidos; e conta-se, entre estes últimos, a saída do Shabat quanto aos demais líquidos, entre os "brancos"; e, forçosamente, todos esses são medidos em um quarto de log, pois conta-se entre eles o quarto de log de azeite para o nazireu, que é a metade da medida do azeite da oferenda de agradecimento em Menachot, e meio log de azeite para a oferenda de agradecimento aprendemos em Menachot (88a).
Disse Aviye: duas respostas há quanto a isso — uma, pois não foi ensinado: e o misturado corretamente tem duas partes de água e uma de vinho, tratando-se do vinho de Sharon? E, além disso: a água na jarra também se combina?!
Aviye contesta a posição de Rava com dois argumentos independentes. Primeiro: uma outra fonte ensina que a mistura correta e própria para beber, quando se trata do vinho de Sharon (uma região vinícola específica), é de apenas duas partes de água para uma de vinho — não três — mostrando que a proporção de diluição não é fixa e universal, como pressupõe Rava, mas varia conforme o tipo de vinho. Segundo: se a razão de a Mishná medir o vinho por sua forma diluída (pronta para beber) é que essa é a única forma "de valor reconhecido" para o Shabat, então a água ainda dentro do jarro, que ainda não foi misturada com nenhum vinho, não deveria ter valor equivalente para se combinar à medida de responsabilidade — mas, de fato, ela se combina (como ensinado alhures), o que sugere que o critério da Mishná não é, afinal, "pronto para beber".
"'Duas respostas há quanto a isso'" — pois não se pode de fato aprender a proporção correta da Mishná. "'Uma'" — pois o vinho não suporta água senão na proporção de um para dois, como se ensina no tratado Nidá (19a): cinco aparências de sangue impuras há, e uma delas é "como o misturado", e explica-se, na Mishná: "'como o misturado' que eu disse a você" — em duas partes de água e uma de vinho. "'Tratando-se do vinho de Sharon'" — que cresce em Sharon, nome de uma região. "'E, além disso, a água na jarra também se combina'" — se a razão da Mishná, quanto ao vinho, é que, quando o misturarem e ele aparecer próprio para beber, terá nele um quarto de log, então, neste momento, quando o transporta, ainda não foi misturado, e não há aqui a medida da água que ainda está na jarra — como se combinam para responsabilizá-lo? Antes, forçosamente, a razão não é que o vinho pareça próprio para beber num quarto de log como os demais líquidos, mas que essa é sua medida própria, ainda que, quando o misturar, não chegue a um quarto de log.
Disse-lhe Rava: quanto a isso que você disse, "duas partes de água e uma de vinho, tratando-se do vinho de Sharon" — o vinho de Sharon é à parte, pois é fraco. Ou, alternativamente, ali é por causa da aparência, mas, quanto ao sabor, precisa-se de mais. E quanto a isso que você disse, "a água na jarra também se combina" — para efeito do Shabat, precisamos de algo que seja considerado de valor, e isto também — isto já é considerado.
Rava responde a cada um dos dois argumentos de Aviye separadamente. Quanto ao vinho de Sharon: ou ele é um caso à parte, por ser um vinho mais fraco (menos concentrado) do que o vinho comum, e por isso precisa de menos água para atingir a diluição correta — sem que isso afete a regra geral de "três partes" para o vinho comum; ou, alternativamente, a proporção de "duas partes" mencionada ali refere-se apenas à aparência da cor correta da mistura (para fins de outra lei, como a identificação de sangue), mas, quanto ao sabor — o critério relevante aqui, para saber quando o vinho está pronto para beber —, ainda se exige mais água, chegando às três partes de Rava. Quanto à água no jarro: Rava esclarece que o critério da Mishná não é, de fato, que o líquido já esteja em sua forma final e pronta para uso, mas apenas que seja "algo de valor reconhecido" — e a água, mesmo ainda no jarro, sem ter sido misturada com vinho algum, já é, por si só, considerada de valor suficiente para se combinar à medida de responsabilidade no Shabat.
"'É fraco'" — brando. "'Ou, alternativamente, ali é por causa da aparência'" — é isso que a fonte menciona; e ainda que ele de fato suporte a proporção de um para três em sabor, para a aparência da cor correspondente ao sangue, não é senão em duas partes de água e uma de vinho; e se colocar nele mais água, um sangue semelhante a ele é como sangue verde, e puro. "'Isto já é considerado'" — pois é apto para se combinar com ele a água.
Foi ensinado: o vinho seco, numa medida de azeitona — palavras de Rabi Natan. Disse Rav Yossef: Rabi Natan e Rabi Yossei bar Rabi Yehuda disseram uma mesma coisa. Rabi Natan — isto que dissemos; e Rabi Yossei bar Rabi Yehuda — pois foi ensinado: Rabi Yehuda diz: seis coisas há entre as leis mais brandas de Beit Shamai e mais rígidas de Beit Hilel. Sangue de carcaça — Beit Shamai purifica, e Beit Hilel impurifica. Disse Rabi Yossei bar Rabi Yehuda: mesmo quando Beit Hilel impurificam, não impurificaram senão sangue que tenha nele um quarto de log, pois é capaz de coagular e chegar à medida de uma azeitona.
Encerrada a réplica de Rava, a Guemará cita uma baraita relacionada, ainda sobre o tema do vinho: quando o vinho seca e coagula, sua medida mínima para responsabilizar no Shabat é a de uma azeitona — segundo Rabi Natan (essa medida corresponde, precisamente, ao volume de um quarto de log de vinho líquido, que, ao secar e coagular, reduz-se até chegar ao tamanho de uma azeitona). Rav Yossef observa que essa mesma equivalência — um quarto de log líquido correspondendo a uma azeitona quando sólido — já aparece, de forma implícita, numa opinião de Rabi Yossei bar Rabi Yehuda sobre outro tema inteiramente distinto: as leis de impureza do sangue de um animal encontrado morto (carcaça). Beit Shamai e Beit Hilel discordam se esse sangue impurifica como carne (por contato) ou não; Rabi Yossei bar Rabi Yehuda precisa a opinião de Beit Hilel, que o impurifica: isso só vale quando o sangue, em seu estado líquido original, continha um quarto de log — pois esse é o volume que, ao coagular (secar), chega exatamente à medida de uma azeitona (o volume mínimo de "carne" que impurifica por contato). Rav Yossef nota que essa é a mesma proporção de conversão entre volume líquido e sólido que Rabi Natan aplica ao vinho.
"'Seco'" — vinho coagulado. "'Numa medida de azeitona'" — pois, no início, havia nele um quarto de log, e, coagulado, precisamos de um quarto de log inteiro, pois não é mais apto para mistura. "'Rabi Yehuda diz: seis coisas há entre as mais brandas'" etc. — não que só existam estas e mais nenhuma, pois ainda há muitas outras, mas refere-se a quando entraram no vinhedo em Yavne e cada um testemunhou sobre aquilo que sabia — no tratado Eduyot, Rabi Yehuda testemunhou sobre estas. "'Beit Shamai purifica'" — pois o sangue não é como a carne para impurificar por carcaça na medida de azeitona, nem tem a condição de líquido para impureza leve. A mim parece que isto — que Beit Shamai purifica — refere-se apenas à impureza de carcaças, para que não impurifique por contato de pessoa, mas impureza leve há nele. "'Chegar à medida de azeitona'" — que é a medida da carcaça para impurificar pessoa; e isso é o que dissemos, "disseram uma mesma coisa" — que a azeitona seca, quando dissolvida, equivale a um quarto de log.
Disse Aviye: talvez não seja assim. Até aqui, Rabi Natan não disse que uma azeitona precisa de um quarto de log senão quanto ao vinho, que é fraco; mas quanto ao sangue, que é denso — uma azeitona não precisa de um quarto de log. Ou, alternativamente, até aqui Rabi Yossei bar Rabi Yehuda não disse ali que uma azeitona basta com um quarto de log senão quanto ao sangue, que é denso; mas o vinho, que é fraco — uma azeitona seria mais do que um quarto de log, e quando transportar menos de uma azeitona, ficaria responsável.
Aviye rejeita a equiparação de Rav Yossef entre as duas fontes. É possível que a proporção de conversão entre volume líquido e volume sólido (ao secar/coagular) não seja universal, mas dependa da densidade específica do líquido em questão: o vinho, sendo relativamente fraco (menos denso), reduz-se muito ao secar, de modo que só um quarto de log inteiro de vinho líquido chega à medida de uma azeitona quando seco — mas o sangue, sendo denso, reduz-se pouco ao coagular, de modo que uma quantidade líquida menor que um quarto de log já poderia chegar à medida de uma azeitona coagulada; nesse caso, Rabi Natan e Rabi Yossei bar Rabi Yehuda não estariam de acordo, e a equivalência de Rav Yossef desmorona. Alternativamente, o erro poderia estar na direção oposta: talvez o sangue, sendo denso, precise de um quarto de log inteiro para chegar à medida de azeitona ao coagular, mas o vinho, sendo fraco, precisaria de mais que um quarto de log líquido para chegar à mesma medida seca — de modo que, transportando-se menos de uma azeitona de vinho seco (mas ainda derivado de um quarto de log líquido), já haveria responsabilidade, contrariando a suposta equivalência exata entre as duas fontes.
"'Até aqui Rabi Natan não disse aqui'" — que uma azeitona seca precisa de um quarto de log líquido, e menos que um quarto líquido não haveria azeitona seca, como diz que uma azeitona coagulada tem nela um quarto de log. "'Mas quanto ao vinho, que é fraco'" — e, quando líquido, seu volume é grande, e, quando seca, reduz-se a uma medida pequena. "'Mas o sangue'" — quando líquido, é denso, espesso, e próximo de coagular; e, quando seca, não se reduz a uma medida pequena senão pouco, e uma azeitona seca não precisa de um quarto de log líquido; e o sangue de carcaças impurifica em menos de um quarto de log.
"Leite — o suficiente para um gole." Levantou-se a dúvida: "o suficiente para gemiá (com alef)", ou "o suficiente para gemiá (com ayin)"? Disse Rav Nachman bar Yitzchak: "'faça-me beber, por favor, um pouco de água do seu cântaro'" — com alef.
A Guemará retoma o texto da Mishná em sua próxima cláusula — leite, cuja medida mínima é "o suficiente para um gole" —, e levanta uma dúvida puramente linguística: a palavra hebraica traduzida por "gole" pode ser escrita com a letra alef ou com a letra ayin no meio, duas raízes semelhantes na pronúncia mas de grafia diferente, e a Guemará quer saber qual delas a Mishná de fato emprega. Rav Nachman bar Yitzchak resolve a dúvida citando um versículo bíblico (Gênese 24:17, o pedido de Eliezer a Rivká no poço) que usa a mesma raiz com a letra alef — "faça-me beber [hagmi'ini] um pouco de água do seu cântaro" —, confirmando que essa é também a grafia correta na Mishná.
Levantou-se a dúvida: ...