A folha abre sem qualquer novo raciocínio independente, mas completando exatamente a frase que 77b havia deixado cortada no meio: "não, pois para todos os tanaítas, o membro pequeno de um recém-nascido de um dia, não..." ganha aqui sua continuação — "há fundamento para a versão da escola de Rabi Yanai". Isto é, a tentativa de identificar a disputa da escola de Rabi Yanai com a controvérsia entre Rabi Shimon ben Elazar e Rabi Natan falha como fora proposta; a Guemará reformula então a disputa real entre os dois tanaítas: Rabi Shimon ben Elazar entende que o membro pequeno de um adulto grande e o membro grande de um recém-nascido de um dia são equivalentes entre si (a mesma medida, por dois caminhos); Rabi Natan entende que apenas o membro pequeno de um adulto conta, mas não o membro grande de um recém-nascido. Pergunta-se então qual é, afinal, a lei quanto à medida mais rigorosa — o membro pequeno de um recém-nascido de um dia — e uma baraita traz a resposta: o próprio Rabi Shimon ben Elazar ensinou essa medida explicitamente. Encerrada essa sugia, a Guemará retoma uma baraita sobre a água usada para dissolver o colírio, e enuncia, pela boca de Abaye, um princípio metodológico geral sobre como os sábios fixaram as medidas do Shabat: quando um mesmo item serve a dois usos, um comum e outro raro, a medida segue o uso comum, ainda que isso resulte em uma medida maior (mais lenta) do que a exigida pelo uso raro; mas quando ambos os usos são igualmente comuns, a medida segue o mais exigente (menor), para o rigor. O princípio é ilustrado com o vinho (bebido com frequência, usado como remédio raramente — a medida segue o beber), o leite (idem) e o mel (comido e usado como remédio, ambos com frequência — a medida segue o uso medicinal, mais rigoroso). Uma objeção então recai sobre a própria água, cujo beber é comum e cujo uso medicinal (dissolver colírio) não é: por que sua medida segue o uso medicinal, mais rigoroso? Abaye responde que essa baraita foi ensinada a respeito da Galileia, onde a pobreza tornava também comum o uso medicinal da água; Rava oferece uma resposta alternativa, válida em qualquer lugar, citando o ensinamento de Shmuel de que todos os líquidos curam o olho mas também o turvam com uma película, exceto a água, que cura sem turvar — tornando seu uso medicinal singularmente comum. Segue-se a medida do sangue e das demais bebidas — um quarto de log —, com uma baraita que registra a disputa entre Rabi Shimon ben Elazar (que mede o sangue pelo suficiente para pintar um olho afetado pelo barkit, usando sangue de galinha selvagem) e Rabban Shimon ben Gamliel (que mede pelo suficiente contra o yarud, usando sangue de morcego), acompanhada de um mnemônico sobre qual sangue serve para a mancha mais interna e qual para a mais externa. A Guemará então introduz uma distinção estrutural: a medida-padrão vale para quem transporta um item sem tê-lo separado de propósito antes; mas quem separa deliberadamente qualquer quantidade, por menor que seja, e depois a transporta, é responsável por essa quantidade, por menor que seja — posição que Rabi Shimon inverte, exigindo a medida-padrão justamente para quem separa, e reduzindo a de quem apenas transporta ao quarto de log das águas residuais. Uma pergunta lógica se impõe — quem separa não é, também, quem transporta? — respondida por Abaye com o caso do discípulo a quem o mestre ordena limpar um lugar para a refeição: se o item é importante para qualquer pessoa, o próprio ato de transportá-lo já basta para responsabilizar; se não é importante para qualquer pessoa, a responsabilidade depende de o mestre tê-lo considerado importante o bastante para mandar separá-lo. Por fim, a Guemará pergunta para que servem as águas residuais medidas em um quarto de log, e Rabi Yirmeya responde: para amassar barro — o que parece contradizer uma baraita que mede o barro pelo suficiente para fazer a boca de um forno (medida maior); a contradição se resolve distinguindo entre barro já amassado (medida da boca do forno) e barro ainda não amassado (medida do quarto de log de água, pois ninguém se dá ao trabalho de amassar tão pouco barro só para isso). A folha se encerra com o texto de uma nova Mishná, que trata de quem transporta corda (o suficiente para uma alça de cesto), junco (para um laço de peneira ou crivo, ou, segundo Rabi Yehuda, para a medida de um sapato de criança) e papel (o suficiente para escrever um recibo de imposto) — concluindo que quem transporta o próprio recibo de imposto já escrito é sempre responsável, qualquer que seja seu tamanho.
77b se interrompera no meio da resposta a uma tentativa de identificar a disputa da escola de Rabi Yanai com uma controvérsia tanaítica: "לָא, דְּכוּלֵּי עָלְמָא אֵבֶר קָטָן דְּקָטָן בֶּן יוֹמוֹ לָא, ..." — "não, pois para todos os tanaítas, o membro pequeno de um recém-nascido de um dia, não..." — sem que a frase se completasse. A folha aqui abre exatamente com sua continuação: "וְלֵיתָא דְּרַבִּי יַנַּאי" — "e não há fundamento para a versão da escola de Rabi Yanai" —, esclarecendo que a medida ali proposta não se sustenta como fora tentado identificá-la, e reformulando a verdadeira disputa entre Rabi Shimon ben Elazar e Rabi Natan.
E não há fundamento para a versão da escola de Rabi Yanai. E aqui, nisto discordam: Rabi Shimon ben Elazar entende que o membro pequeno de um adulto grande e o membro grande de um recém-nascido de um dia são iguais entre si; e Rabi Natan entende: o membro pequeno de um adulto grande, sim vale como medida; o membro grande de um recém-nascido de um dia — não. Qual é, afinal, a lei a esse respeito? Venha e ouça: pois foi ensinado: Rabi Shimon ben Elazar diz: azeite, o suficiente para untar o membro pequeno de um recém-nascido de um dia.
Ver a nota de costura acima. A tentativa (em 77b) de identificar a disputa da escola de Rabi Yanai com a controvérsia tanaítica falha tal como fora proposta; em vez disso, a Guemará esclarece que a disputa real entre Rabi Shimon ben Elazar e Rabi Natan é outra: se o membro pequeno de um adulto e o membro grande de um recém-nascido de um dia constituem, ou não, a mesma medida. Pergunta-se então diretamente se a medida mais rigorosa — o membro pequeno de um recém-nascido de um dia, que fora a posição atribuída à escola de Rabi Yanai — tem, afinal, algum fundamento; e uma baraita traz a prova: o próprio Rabi Shimon ben Elazar ensinou essa medida em termos explícitos, confirmando-a como uma posição tanaítica legítima.
"'E não há para a versão da escola de Rabi Yanai'" — pois Rabi Shimon ben Elazar ensina "ou, ou": ou o membro pequeno de um adulto grande, ou o oposto (o membro grande de um recém-nascido) — e tudo isso é uma única medida. "'Venha e ouça, etc.'" — e a medida da escola de Rabi Yanai é matéria de disputa tanaítica.
Água — o suficiente para dissolver nela o colírio. Disse Abaye: ora, toda coisa que serve a um uso comum e a um uso não comum, os sábios seguiram a medida do uso comum, para a leniência. Quando serve a dois usos comuns e comuns, os sábios seguiram a medida do uso comum mais exigente, para o rigor.
Encerrada a sugia sobre o membro pequeno, a Guemará retoma uma baraita paralela à já discutida em 77b, agora sobre a água usada para dissolver o pó de colírio. A partir dela, Abaye enuncia um princípio metodológico geral que rege como os sábios fixaram as medidas de responsabilidade no Shabat: quando um item serve a dois usos possíveis — um comum, outro raro —, a medida acompanha o uso comum, mesmo que isso resulte numa medida maior e mais lenta; mas quando ambos os usos são igualmente comuns, a medida acompanha o mais exigente dos dois, para o rigor.
"'Ora, toda coisa que serve a um uso comum e a um uso não comum'" — tudo aquilo que os sábios estabeleceram como medida quanto ao Shabat, e que serve para duas finalidades — uma comum e outra não comum —, os sábios, em sua medida, seguiram a finalidade comum; e mesmo que isso seja para leniência, pois sua medida nesse uso é grande, dizemos que, por padrão, é para isso que a pessoa a usa, e não dizemos: "já que também serve para outra finalidade, cuja medida é pequena, sigamos essa, para o rigor" — ainda que essa outra finalidade não seja comum. "'Serve a dois usos comuns e comuns'" — e onde ambas as finalidades são comuns, seguimos o rigor, e medimos pela medida menor.
Vinho: seu beber é comum, seu uso medicinal não é comum — os sábios seguiram seu beber, que é comum, para a leniência. Leite: seu comer é comum, seu uso medicinal não é comum — os sábios seguiram seu comer, para a leniência. Mel: seu comer é comum, e seu uso medicinal também é comum — os sábios seguiram seu uso medicinal, para o rigor.
O princípio de Abaye se aplica aos três líquidos cujas medidas já haviam sido discutidas: o vinho e o leite, bebidos ou comidos com frequência mas raramente usados como remédio, seguem a medida (maior, mais lenta) de seu uso comum; o mel, comido com frequência mas também usado como remédio com frequência (não havendo outra substância que sirva tão bem para a ferida), segue a medida (menor, mais rigorosa) de seu uso medicinal.
"'Seu uso medicinal não é comum'" — como dissolver nele o colírio; e ainda que sirva para isso, há quem o faça com leite de mulher, e há quem o faça com água, e as pessoas poupam o vinho, pois seu preço é caro; por isso os sábios seguiram seu beber, e mediram-no pelo suficiente para misturar um copo — ainda que isso seja para a leniência, pois aqui há uma medida grande. E, do mesmo modo, o leite também serve para comer e para dissolver colírio, mas esse uso não é comum, pois também a água serve para isso, e há quem o faça com água; por isso os sábios seguiram seu comer, e sua medida é o suficiente para um gole — ainda que isso seja leniência. "'O uso medicinal do mel também é comum'" — pois nenhuma outra bebida serve para a ferida infeccionada. "'Para o rigor'" — visto que ambos os usos são comuns, precisamos medi-lo para o rigor.
Mas quanto à água: já que seu beber é comum e seu uso medicinal não é comum, por que razão os sábios seguiram seu uso medicinal, para o rigor? Disse Abaye: ensinaram isso a respeito da Galileia. Rava disse: pode-se dizer, mesmo quanto às demais localidades, conforme a opinião de Shmuel; pois disse Shmuel: todos os líquidos curam e também turvam a visão com uma película, exceto a água, que cura, mas não turva.
O princípio de Abaye parece contradito pela própria água, cujo uso comum é beber, e o uso raro, medicinal. Abaye limita a baraita anterior à Galileia, onde a pobreza tornava o uso medicinal da água tão comum quanto o de beber (pois ali se poupava o vinho e o leite). Rava propõe uma resposta válida em qualquer lugar, apoiada num ensinamento de Shmuel: todos os demais líquidos, ao curarem o olho, também deixam uma película turva sobre ele — exceto a água, que cura sem turvar a visão, tornando seu uso medicinal singularmente comum e justificando, por si só, a medida mais rigorosa.
"'Seu uso medicinal não é comum'" — pois também as demais bebidas servem para isso, e há quem dissolva o colírio com outras bebidas; e seu beber é comum, pois a maior parte do que se bebe é água, já que ninguém bebe vinho para toda sua sede, mas apenas em sua refeição. "'Ensinaram isso na Galileia'" — pois seus habitantes são pobres, e se preocupam mesmo com pouca coisa, e poupam o vinho e o leite para dissolver o colírio, e não o dissolvem senão com água; por isso seu uso medicinal também é comum ali, e precisamos seguir o rigor. "'Todos os líquidos'" — todas as bebidas com que se dissolve o colírio. "'Curam'" — a doença. "'E turvam'" — formam uma película sobre o olho e impedem sua visão até que sua visão desapareça por completo, porque são espessos e formam crosta como uma espécie de cola chamada, em francês antigo, gloisiere. "'Exceto a água'" — que é melhor do que todos os outros líquidos, pois cura mas não turva, já que a água é absorvida de imediato, ou seca depressa, e não forma crosta sobre o olho.
E todas as demais bebidas — na medida de um quarto de log. Ensinaram os sábios: sangue e todos os tipos de bebidas — na medida de um quarto de log. Rabi Shimon ben Elazar diz: sangue, o suficiente para pintar um olho, pois assim se pinta o olho afetado por barkit. E qual sangue é esse? Sangue de galinha selvagem. Rabban Shimon ben Gamliel diz: sangue, o suficiente para pintar com ele um olho, pois assim se pinta o olho afetado por yarud. E qual sangue é esse? Sangue de morcego. E teu sinal para lembrar: o que está por dentro corresponde ao que está por dentro; o que está por fora corresponde ao que está por fora.
Encerrada a discussão sobre vinho, leite, mel e água, a Guemará fixa a medida geral de todas as demais bebidas em um quarto de log, e cita uma baraita que trata especificamente do sangue, cuja medida é o suficiente para pintar um olho — usado contra duas manchas oculares distintas: o barkit, uma mancha que sobressai para fora do olho (tratada, segundo Rabi Shimon ben Elazar, com sangue de galinha selvagem), e o yarud, uma mancha mais profunda dentro do olho (tratada, segundo Rabban Shimon ben Gamliel, com sangue de morcego). O mnemônico final ajuda a memorizar a correspondência: o morcego, animal que habita dentro das construções humanas, corresponde à mancha mais interna; a galinha selvagem, animal que vive ao ar livre, corresponde à mancha mais externa.
"'Pois assim se pinta o olho afetado por barkit'" — em francês antigo, maille, uma mancha que sobressai no olho. "'E qual sangue é esse?'" — de que sangue se pinta esse olho. "'Yarud'" — mancha branca no olho (tevalul); e na Tosefta vi a grafia "lechorror" — e são pequenas gotas brancas que nascem no olho, conforme se ensina em Bechorot, a respeito dos defeitos que desqualificam os animais para o sacrifício (38b). "'Sangue de morcego'" — em francês antigo, chalve-soriz. "'Por dentro'" — o morcego encontra-se dentro da habitação humana, o que corresponde ao yarud, que está mais profundo dentro do olho. "'Por fora'" — o sangue da galinha selvagem corresponde ao barkit, que sobressai para fora.
Em que caso se disse isso? No caso de quem transporta; mas quem separa de propósito, mesmo qualquer quantidade — é responsável. Rabi Shimon diz: em que caso se disse isso? No caso de quem separa; mas quem transporta sem ter separado antes — não é responsável senão por um quarto de log. E os sábios concordam com Rabi Shimon que, quanto a quem transporta águas residuais para o domínio público, sua medida é um quarto de log.
Encerrada a série de medidas de líquidos, a Guemará introduz uma distinção estrutural que se aplica a todas as medidas do Shabat: elas valem para quem transporta um item sem tê-lo separado de propósito de antemão; mas quem separa deliberadamente uma quantidade, por menor que seja, com a intenção de transportá-la, é responsável por essa quantidade, ainda que muito abaixo da medida-padrão. Rabi Shimon inverte a lógica: para ele, a medida-padrão rigorosa vale precisamente para quem separa de propósito, ao passo que quem apenas transporta, sem separação prévia, é responsável apenas pela medida mínima geral — um quarto de log, a mesma das águas residuais, sobre a qual os sábios concordam com ele.
"'Em que caso se disse isso'" — que precisamos de medida — é no caso de quem transporta para o domínio público. "'Mas quem separa'" — e depois o transporta, é responsável por qualquer quantidade; mais adiante a Guemará pergunta: acaso quem separa não é também quem transporta? "'Rabi Shimon diz: em que caso se disse isso'" — que se é responsável por uma medida tão pequena quanto essa. "'No caso de quem separa'" — nessa medida, e depois o transporta. "'Mas quem transporta'" — uma pessoa que não o separou, mas apenas o transportou, não é responsável senão por um quarto de log. "'Quem transporta águas residuais'" — uma pessoa que não as separou não é responsável senão por um quarto de log, pois uma quantidade menor que essa não serve, como se explica adiante, para amassar barro.
Disse o Mestre: em que caso se disse isso? No caso de quem transporta; mas quem separa — é responsável por qualquer quantidade. Mas acaso quem separa não é também quem transporta? Disse Abaye: aqui, com o que estamos lidando? Com um discípulo a quem seu mestre disse: vai e limpa para mim o lugar para a refeição. O discípulo foi e o limpou para ele. Se for algo importante para todos — o discípulo é responsável por isso; se for algo que não é importante para todos, então, se seu mestre o considerou digno de ser separado — o discípulo é responsável por isso; e, se não, não é responsável.
A Guemará questiona a própria distinção recém-estabelecida: se toda separação deliberada culmina em transporte, por que tratá-las como categorias diferentes? Abaye resolve a dificuldade situando o caso na figura de um discípulo enviado por seu mestre para limpar o local da refeição, retirando dali objetos variados: quando o objeto é reconhecidamente importante para qualquer pessoa, o próprio discípulo que o transporta já se torna responsável por seu valor, independentemente de quem o tenha separado como importante; mas quando o objeto não é importante para a generalidade das pessoas, sua responsabilidade depende de o mestre — e não o discípulo que apenas executa a ordem — tê-lo considerado digno de separação.
"'Acaso quem separa não é também quem transporta'" — acaso não se torna responsável senão por meio do transporte? "'Disse Abaye: aqui, lidamos com um discípulo'" — como um aprendiz de carpinteiro, a quem seu mestre diz: vai e limpa para mim o lugar. "'Algo importante para todos — é responsável por isso'" — mesmo que seu mestre não o tenha separado para sua própria necessidade. "'Algo que não é importante para todos, etc.'" — e assim a Guemará quer dizer: em que caso se disse isso, que precisamos de uma medida que seja importante quanto a quem transporta? Isto é, quanto a algo que não se pode julgar senão pelo transporte deste discípulo, cujo pensamento depende daquele que transportou; mas quanto a quem separa, quanto a algo em que se pode julgar pelo pensamento de quem separa — como quem separa qualquer quantidade, é responsável quem o transporta. E Rabi Shimon ben Elazar disse isso, e segue seu próprio raciocínio, pois disse no capítulo anterior a este que, quanto a algo que não se costuma separar como ele é, e então se tornou apto para este homem, e ele o separou, este que o transportou torna-se responsável pelo pensamento daquele que separou; e do mesmo modo se poderia estabelecer a distinção no próprio caso de quem separa, e dizer assim: em que caso se disse isso, quanto a quem transporta algo que não foi separado, e não se pode julgá-lo senão pelo transporte deste discípulo? Mas se este tivesse separado essa coisa desde o início, e depois a transportasse, seria responsável. Mas, visto que ouvimos de Rabi Shimon ben Elazar que disse que este que transportou se torna responsável pelo pensamento daquele que separou, Abaye estabeleceu a distinção mesmo quanto a outra pessoa que o transportou — e tanto mais se ele mesmo o transportou.
Disse o Mestre: os sábios concordam com Rabi Shimon que, quanto a quem transporta águas residuais para o domínio público, sua medida é um quarto de log. Para que servem águas residuais? Disse Rabi Yirmeya: para amassar barro com elas. Mas não foi ensinado: barro, o suficiente para fazer com ele a boca de um forno (medida maior que um quarto de log)! Não é uma dificuldade: esta baraita fala de barro já amassado, aquela fala de barro ainda não amassado — pois ninguém se dá ao trabalho de amassar barro apenas para fazer a boca de um forno.
A Guemará explica por que a medida das águas residuais é fixada em um quarto de log: servem para amassar barro. Levanta-se uma objeção a partir de outra baraita, que mede o próprio barro pelo suficiente para fazer a boca de um forno — uma medida maior. A contradição se resolve distinguindo dois estágios: a baraita da "boca do forno" mede o barro já amassado, pronto para o uso; a medida do quarto de log de água refere-se ao barro ainda não amassado, pois ninguém se daria ao trabalho de amassar uma quantidade tão pequena de barro apenas para fazer a boca de um forno — quem amassa, amassa mais, e aproveita para outros fins.
"'A boca de um forno'" — o orifício em que se coloca o fole, e é uma medida pequena; e de um quarto de log de água pode-se amassar bastante barro; e, já que o transporte de barro é considerado relevante na medida da boca de um forno, precisamos também medir, quanto a essas águas que servem para o barro, pela medida necessária para amassar o barro para a boca de um forno. "'Já amassado'" — já é considerado relevante na medida da boca de um forno; mas este, que ainda não foi amassado, não se mede por isso, pois ninguém se dá ao trabalho de amassar uma medida tão pequena quanto essa; e, se vier a amassar, amassa mais, e faz com ele outras coisas.
Quem transporta uma corda — o suficiente para fazer uma alça para o cesto. Junco — o suficiente para fazer um laço para a peneira e para o crivo. Rabi Yehuda diz: o suficiente para tirar dele a medida de um sapato para uma criança. Papel — o suficiente para escrever nele um recibo de imposto. E quem transporta um recibo de imposto já escrito — é responsável.
Encerrada a discussão sobre as águas residuais, a Guemará chega ao texto de uma nova Mishná (a segunda deste perek), que continua a listar as medidas mínimas de responsabilidade para o transporte de diversos materiais no Shabat: a corda, medida pelo suficiente para fazer uma alça de cesto (para segurá-lo); o junco, medida pelo suficiente para pendurar a peneira ou o crivo — ou, segundo Rabi Yehuda, pelo suficiente para servir de medida a ser mostrada a um sapateiro, ao encomendar um sapato para uma criança; e o papel, medido pelo suficiente para nele se escrever um recibo de imposto, isto é, o comprovante de que o imposto sobre certa mercadoria já foi pago ou perdoado a seu portador. A Mishná encerra notando que quem transporta um recibo de imposto já escrito é sempre responsável, qualquer que seja seu tamanho, pois todo o documento é considerado importante, independentemente da quantidade de papel usada nele.
MISHNÁ. "'Alça para o cesto'" — para segurá-lo por ela. "'Laço'" — para pendurá-lo por ele. "'Medida de um sapato'" — para mostrá-la ao artesão, dizendo: "preciso de um sapato desta medida." "'Papel'" — fazem-no de ervas. "'Recibo de cobradores de imposto'" — há quem pague o imposto ao cobrador chefe junto ao rio, num só lugar, ou a quem este perdoe o imposto como um favor; e ele lhe entrega um selo para mostrar ao cobrador que lhe foi perdoado o imposto; e o costume é escrever nele duas letras, maiores que nossas duas letras.