Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Chet (Hamotzi Yayin)
קְלָף כְּדֵי לִכְתּוֹב פָּרָשָׁה קְטַנָּה

A medida do pergaminho (klaf) e do duchsustos, para os tefilin e para a mezuzá — a contradição resolvida, a posição de Rav testada e, por fim, invertida

Shabbat 79b — a folha abre um assunto inteiramente novo: a medida do pergaminho, o suficiente para escrever a pequena seção dos tefilin. Uma contradição a partir da medida do duchsustos para a mezuzá é resolvida distinguindo os dois materiais; Rav afirma que duchsustos serve também para tefilin, posição testada por uma Mishná e por uma halachá do Sinai (ambas resolvidas como preferência de mitzvá) e por duas baraitot sobre trocar o lado de escrita; ao final, uma baraita e o costume de Rabi Meir levam a Guemará a inverter a posição de Rav: não é o duchsustos que se equipara ao pergaminho, mas o pergaminho que se equipara ao duchsustos, sendo válido também para a mezuzá. A folha se encerra em aberto, na abertura da medida da tinta.

78b havia se encerrado fechado ao final de 79a: a última objeção, sobre as medidas de impureza de roupa, saco, couro e esteira, fora resolvida referindo-se a um couro especial, endurecido pelo cozimento (kurtuvla). Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 79b não retoma nenhuma frase pendente: abre com um assunto inteiramente novo, extraído da mesma Mishná de 78b sobre as medidas de materiais domésticos — agora elaborando a cláusula do pergaminho (klaf), cuja medida ali dada era "o suficiente para escrever nele uma pequena seção". A Guemará levanta uma contradição a partir de outra baraita, que mede pergaminho e duchsustos juntos pelo suficiente para escrever uma mezuzá — e pergunta o que significa "mezuzá" nesse contexto, respondendo que se trata da seção correspondente dentro dos próprios tefilin, comprovado por uma baraita sobre a impureza das correias dos tefilin (com as duas opiniões de Rabi Shimon ben Yehuda e Rabi Zakai, em nome de Rabi Shimon, sobre até onde se estende essa impureza). A baraita citada é então reinterpretada como ensinando duas medidas distintas: duchsustos, o suficiente para uma mezuzá; pergaminho, o suficiente para a pequena seção dos tefilin, que é "Shemá Yisrael". Rav conclui daí que duchsustos é equivalente ao pergaminho, servindo também para escrever tefilin — posição desafiada por uma Mishná (que menciona pergaminho, mas não duchsustos, para os tefilin) e por uma halachá dada a Moshé no Sinai (que distingue tefilin sobre pergaminho, no lado da carne, de mezuzá sobre duchsustos, no lado do pelo); ambas as dificuldades são resolvidas como preferência de mitzvá ideal, não como invalidade estrita. Duas baraitot adicionais, sobre trocar o lado de escrita entre pergaminho e duchsustos, levantam a possibilidade de uma disputa tanaítica (Rabi Acha versus os sábios), até que Rav Pappa atribui a posição de Rav ao tanaíta da escola de Menashe, que ensinou que se escreve (a mezuzá) validamente sobre pergaminho, gevil ou duchsustos, mas não sobre papel ou retalho. A Guemará então questiona essa mesma baraita: se ela falasse de mezuzá, não faria sentido mencionar o pergaminho, pois mezuzá não se escreve nele — deve, portanto, falar de tefilin; mas, pela mesma lógica, tefilin não se escrevem sobre gevil, de modo que a baraita, na verdade, trata do sefer Torá (rolo da Torá), e uma baraita paralela sobre tefilin e sefer Torá gastos, que não podem virar mezuzá por não se rebaixar de uma santidade maior para uma menor, é trazida em apoio. Segue-se, porém, a dedução inversa: se não se rebaixa de uma santidade maior para uma menor, então rebaixar de uma santidade menor para uma maior seria permitido — e a Guemará pergunta sobre que material estariam escritos aqueles tefilin, concluindo que era sobre pergaminho, o que implica que a mezuzá pode, sim, ser escrita sobre pergaminho, confirmado por uma baraita e pelo costume de Rabi Meir de escrevê-la assim, por se conservar melhor. Com isso, a Guemará inverte por completo a formulação original da posição de Rav: não se diz mais que "duchsustos é como pergaminho", mas sim que "pergaminho é como duchsustos" — assim como no duchsustos se escreve a mezuzá, também no pergaminho se escreve a mezuzá. A folha se encerra em aberto, na palavra inicial da próxima cláusula da Mishná: "tinta, o suficiente para escrever..." — frase que só se completa em 80a, com a baraita das duas letras em tinta, em pena e em tinteiro.

Nota — início de folha, não continuação

79a se encerrara com a Mishná dos couros completamente fechada: a última objeção, sobre as medidas de impureza, fora resolvida referindo-se ao couro kurtuvla, sem frase pendente. Verificado o texto de Sefaria, confirma-se que 79b não retoma nada de 79a: abre um assunto novo, elaborando a próxima cláusula da mesma Mishná de 78b sobre materiais domésticos — agora o pergaminho (klaf) e sua medida para escrita sagrada.

Klaf e duchsustos: a contradição e sua resolução · קְלָף, דּוּכְסוּסְטוֹס, תְּפִילִּין, מְזוּזָה

01"Pergaminho, o suficiente para a pequena seção"; a contradição do duchsustos para mezuzá; a prova de que tefilin já se chamavam "mezuzá"
A Guemará; Rabi Shimon ben Yehuda; Rabi Shimon; Rabi Zakai
קְלָף כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו פָּרָשָׁה קְטַנָּה. וּרְמִינְהוּ, קְלָף וְדוּכְסוּסְטוֹס כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו מְזוּזָה! מַאי ״מְזוּזָה״ — מְזוּזָה שֶׁבַּתְּפִילִּין. וְקָרֵי לְהוּ לִתְפִילִּין ״מְזוּזָה״? אִין, וְהָתַנְיָא: רְצוּעוֹת תְּפִילִּין עִם הַתְּפִילִּין מְטַמְּאוֹת אֶת הַיָּדַיִם, בִּפְנֵי עַצְמָן — אֵין מְטַמְּאוֹת אֶת הַיָּדַיִם. רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן יְהוּדָה אוֹמֵר מִשּׁוּם רַבִּי שִׁמְעוֹן: הַנּוֹגֵעַ בָּרְצוּעָה — טָהוֹר, עַד שֶׁיִּגַּע בַּקְּצִיצָה. רַבִּי זַכַּאי מִשְּׁמוֹ אוֹמֵר: טָהוֹר עַד שֶׁיִּגַּע בַּמְּזוּזָה עַצְמָהּ.

Pergaminho, o suficiente para escrever nele uma pequena seção. E levantaram uma contradição: pergaminho e duchsustos, o suficiente para escrever nele uma mezuzá! O que significa "mezuzá"? A mezuzá que está nos tefilin. E chamam os tefilin de "mezuzá"? Sim; e foi ensinado: as correias dos tefilin, junto com os tefilin, transmitem impureza às mãos; sozinhas, não transmitem impureza às mãos. Rabi Shimon ben Yehuda diz, em nome de Rabi Shimon: quem toca na correia é puro, até que toque no compartimento (kotzitzá). Rabi Zakai, em nome dele, diz: puro, até que toque na própria mezuzá.

Nota

A Mishná de 78b já dera a medida do pergaminho: o suficiente para escrever nele uma pequena seção — segundo Rashi, referindo-se aos tefilin, cuja seção mais curta é "Shemá Yisrael". A Guemará levanta uma contradição a partir de outra baraita, que mede pergaminho e duchsustos juntos pelo suficiente para uma mezuzá, e pergunta o que significa "mezuzá" aqui: não a mezuzá da porta, mas a seção correspondente dentro dos próprios tefilin — pois, segundo Rashi, ali há quatro compartimentos para as quatro seções, e a medida foi dada com base na menor delas, que é a mesma "Shemá" pequena. A Guemará prova, com uma baraita sobre a impureza ritual das correias dos tefilin (relevante para quem toca em teruma), que os próprios tefilin já eram chamados de "mezuzá": Rabi Shimon ben Yehuda limita a impureza a quem toca no compartimento de couro; Rabi Zakai a limita ainda mais, a quem toca nas próprias folhas escritas dentro dele.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "duchsustos", "mezuzá", "shebatefilin", "metamot et hayadayim" e "kotzitza"
דוכסוסטוס - קלף שניטלה קליפתו העליונה: מזוזה - שמע והיה אם שמוע: שבתפילין - דהתם ד' אגרות לד' פרשיות ושיער בחד מינייהו דהיינו שמע קטנה שבהם: מטמאות את הידים - לענין תרומה כדאמרן בי"ח דבר בפ"ק (דף יד.): קציצה - הוא הדפוס של עור שחתוך לד' בתים כמין בית יד של עור והאיגרות בתוכן: במזוזה - הן האיגרות שהן בתוך הבתים:

"'Duchsustos'" — pergaminho do qual foi removida sua camada externa (superior). "'Mezuzá'" — refere-se às seções de "Shemá" e "Vehayá im shamoa". "'Que está nos tefilin'" — pois ali há quatro folhas para as quatro seções, e a medida foi dada com base numa delas, que é a pequena "Shemá" entre elas. "'Transmitem impureza às mãos'" — para efeito de teruma, como dissemos, entre as dezoito coisas enumeradas no primeiro capítulo (14a). "'Compartimento (kotzitzá)'" — é o molde de couro cortado em quatro compartimentos, como uma espécie de caixa de mão de couro, com as folhas dentro. "'Na própria mezuzá'" — são as folhas que estão dentro dos compartimentos.

02A baraita se reinterpreta: duchsustos para mezuzá, pergaminho para a pequena seção dos tefilin
A Guemará
וְהָא מִדְּקָתָנֵי סֵיפָא קְלָף כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו פָּרָשָׁה קְטַנָּה שֶׁבַּתְּפִילִּין, שֶׁהִיא ״שְׁמַע יִשְׂרָאֵל״, מִכְּלָל דְּרֵישָׁא בִּמְזוּזָה עַצְמָהּ עָסְקִינַן! הָכִי קָתָנֵי: קְלָף וְדוּכְסוּסְטוֹס שִׁיעוּרָן בְּכַמָּה? דּוּכְסוּסְטוֹס — כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו מְזוּזָה. קְלָף — כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו פָּרָשָׁה קְטַנָּה שֶׁבַּתְּפִילִּין שֶׁהִיא ״שְׁמַע יִשְׂרָאֵל״.

Mas, já que a última cláusula ensina: "pergaminho, o suficiente para escrever nele a pequena seção dos tefilin, que é 'Shemá Yisrael'" — segue-se que a primeira cláusula trata da própria mezuzá! Isto é o que ensina: pergaminho e duchsustos, quanto é sua medida? Duchsustos — o suficiente para escrever nele uma mezuzá. Pergaminho — o suficiente para escrever nele a pequena seção dos tefilin, que é "Shemá Yisrael".

Nota

A Guemará nota uma dificuldade na própria explicação anterior: se a primeira cláusula da baraita ("pergaminho e duchsustos, o suficiente para uma mezuzá") já falasse da seção dentro dos tefilin, a última cláusula, que volta a mencionar "pergaminho, o suficiente para a pequena seção dos tefilin", seria redundante — o que sugere, ao contrário, que a primeira cláusula trata da mezuzá de verdade. A solução é reler a baraita como ensinando duas medidas distintas para dois materiais distintos: o duchsustos mede-se pelo suficiente para uma mezuzá real; o pergaminho, por sua vez, mede-se pelo suficiente para a pequena seção dos tefilin.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "veha midekatani seifa", "shiuran" e "kedei lichtov alav mezuzá"
והא מדקתני סיפא - דההיא דלעיל קלף כדי לכתוב כו' מכלל דרישא כו' וקשיא רישא אסיפא: שיעורן - של כל אחד בכמה: כדי לכתוב עליו מזוזה - אדוכסוסטוס דלא חזי לתפילין וסיפא פריש קלף כדי לכתוב פרשה קטנה שבתפילין:

"'Mas, já que a última cláusula ensina...'" — pois, sobre aquela baraita mencionada acima, "pergaminho, o suficiente para escrever..." etc., segue-se que a primeira cláusula fala doutra coisa, e há dificuldade entre a primeira e a última cláusulas. "'Quanto é sua medida'" — de cada um dos dois materiais. "'O suficiente para escrever nele uma mezuzá'" — refere-se ao duchsustos, que não serve para tefilin; e a última cláusula esclarece: pergaminho, o suficiente para escrever a pequena seção dos tefilin.

03Rav: duchsustos serve também para tefilin; a objeção da Mishná e da halachá do Sinai, ambas resolvidas como preferência de mitzvá
Rav
אָמַר רַב: דּוּכְסוּסְטוֹס הֲרֵי הוּא כִּקְלָף. מַה קְלָף כּוֹתְבִין עָלָיו תְּפִילִּין — אַף דּוּכְסוּסְטוֹס כּוֹתְבִין עָלָיו תְּפִילִּין. תְּנַן: קְלָף כְּדֵי לִכְתּוֹב פָּרָשָׁה קְטַנָּה שֶׁבַּתְּפִילִּין שֶׁהִיא ״שְׁמַע יִשְׂרָאֵל״, קְלָף — אִין, דּוּכְסוּסְטוֹס לָא?! לְמִצְוָה. תָּא שְׁמַע: הֲלָכָה לְמֹשֶׁה מִסִּינַי, תְּפִילִּין עַל הַקְּלָף וּמְזוּזָה עַל דּוּכְסוּסְטוֹס. קְלָף — בִּמְקוֹם בָּשָׂר, דּוּכְסוּסְטוֹס — בִּמְקוֹם שֵׂיעָר. לְמִצְוָה.

Disse Rav: duchsustos é como pergaminho. Assim como no pergaminho se escrevem os tefilin, também no duchsustos se escrevem os tefilin. Nós aprendemos: pergaminho, o suficiente para escrever a pequena seção dos tefilin, que é "Shemá Yisrael" — pergaminho, sim; duchsustos, não?! Isso é para a mitzvá ideal. Venha e ouça: é uma halachá dada a Moshé no Sinai — os tefilin sobre o pergaminho, e a mezuzá sobre o duchsustos; pergaminho, no lugar da carne; duchsustos, no lugar do pelo! Isso também é para a mitzvá ideal.

Nota

Rav conclui, a partir da reinterpretação anterior, que duchsustos equivale ao pergaminho e serve também para escrever tefilin. A Guemará desafia essa posição com a própria Mishná, que menciona apenas pergaminho (não duchsustos) para a pequena seção dos tefilin — o que sugeriria que só o pergaminho é válido; e com uma halachá recebida no Sinai, que distingue explicitamente tefilin escritos sobre pergaminho, no lado da carne, de mezuzá escrita sobre duchsustos, no lado do pelo — o que sugeriria o mesmo. A Guemará resolve ambas as dificuldades da mesma forma: essas fontes descrevem a mitzvá ideal, da forma mais recomendável, mas não excluem a validade do duchsustos para tefilin em caso de necessidade.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "klaf ein duchsustos lo" e "lemitzvá"
קלף אין דוכסוסטוס לא - הוי בשיעורא זוטא כי האי אלא בכדי לכתוב ב' פרשיות דמזוזה ואי דוכסוסטוס חזי לתפילין הוה ליה לשעוריה כשיעור זוטא דתפילין: למצוה - מצוה מן המובחר קלף בעינן וסתמא דכל איניש מצוה מעלייתא עביד הלכך לא מצנע דוכסוסטוס לתפילין וה"ל אין מצניעין כמוהו: למזוזה - אם כתבה על הקלף:

"'Pergaminho, sim; duchsustos, não'" — pois, se fosse válido, a Mishná teria dado essa medida pequena apenas para o suficiente de escrever as duas seções da mezuzá; e, se o duchsustos servisse para tefilin, deveria ter dado sua medida como a medida pequena dos tefilin. "'Para a mitzvá ideal'" — para a mitzvá da forma mais recomendável, precisamos de pergaminho; e, por padrão, toda pessoa realiza a mitzvá da melhor forma, e por isso ninguém guarda duchsustos para tefilin, e a Mishná não considera medida de "não se guarda" algo como isso. "'Para a mezuzá'" — a expressão "para a mitzvá ideal" refere-se a se escrevê-la no pergaminho.

04Duas objeções sobre trocar o lado de escrita; a baraita da escola de Menashe
A Guemará; Rabi Acha; Rav Pappa; a escola de Menashe
וְהָתַנְיָא: שִׁינָּה פָּסוּל! אַמְּזוּזָה. וְהָתַנְיָא: שִׁינָּה בָּזֶה וּבָזֶה פָּסוּל! אִידֵּי וְאִידֵּי אַמְּזוּזָה, וְהָא דְּכַתְבִינְהוּ אַקְּלָף בִּמְקוֹם שֵׂיעָר, אִי נָמֵי אַדּוּכְסוּסְטוֹס בִּמְקוֹם בָּשָׂר. וְאִיבָּעֵית אֵימָא: שִׁינָּה בָּזֶה וּבָזֶה תַּנָּאֵי הִיא. דְּתַנְיָא שִׁינָּה בָּזֶה וּבָזֶה — פָּסוּל. רַבִּי אַחָא מַכְשִׁיר מִשּׁוּם רַבִּי אַחַי בַּר חֲנִינָא, וְאָמְרִי לַהּ מִשּׁוּם רַבִּי יַעֲקֹב בְּרַבִּי חֲנִינָא. רַב פָּפָּא אָמַר: רַב דְּאָמַר כְּתַנָּא דְבֵי מְנַשֶּׁה. דְּתָנָא דְּבֵי מְנַשֶּׁה: כְּתָבָהּ עַל הַנְּיָיר וְעַל הַמַּטְלֵית — פְּסוּלָה. עַל הַקְּלָף וְעַל הַגְּוִיל וְעַל דּוּכְסוּסְטוֹס — כְּשֵׁרָה.

Mas não foi ensinado: se alterou o lado, é inválido! Isso se refere à mezuzá. Mas não foi ensinado: se alterou neste e naquele, é inválido! Ambos os casos se referem à mezuzá, e é quando a escreveram no pergaminho no lugar do pelo, ou então no duchsustos no lugar da carne. E, se quiseres, diz de outro modo: "se alterou neste e naquele" é uma disputa entre tanaítas — pois foi ensinado: se alterou neste e naquele, é inválido; Rabi Acha valida, em nome de Rabi Achai bar Chanina, e há quem diga, em nome de Rabi Yaakov ben Rabi Chanina. Rav Pappa disse: Rav, que assim falou (que duchsustos serve para tefilin), segue o tanaíta da escola de Menashe — pois o tanaíta da escola de Menashe ensinou: se a escreveu (a mezuzá) no papel ou num retalho, é inválida; no pergaminho, no gevil (couro inteiro) ou no duchsustos, é válida.

Nota

Uma primeira objeção traz uma baraita segundo a qual, se o escriba trocou o lado de escrita (usando o lado errado do pergaminho ou do duchsustos), o texto é inválido — o que pareceria contradizer a leniência de Rav; a Guemará responde que essa baraita fala apenas da mezuzá, que exige um lado específico de duchsustos, e não dos tefilin. Uma segunda baraita, porém, invalida a troca "neste e naquele" (isto é, em ambos os materiais) — o que pareceria valer também para os tefilin; a Guemará responde, primeiro, que ambas as cláusulas falam de mezuzá (escrita, por engano, no pergaminho no lado do pelo, ou no duchsustos no lado da carne); e, alternativamente, que essa segunda baraita reflete uma disputa entre tanaítas, com Rabi Acha validando essa troca. Rav Pappa, por fim, atribui a posição de Rav a uma baraita da escola de Menashe, que valida a mezuzá escrita sobre pergaminho, gevil ou duchsustos, invalidando-a apenas sobre papel ou retalho.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ha dechatvinhu aklaf bimkom se'ar", "Rabi Achi machshir", "nayar" e "gevil"
הא דכתב אקלף אפי' במקום שיער - וכ"ש במקום בשר דהילכתא מזוזה במקום שיער והא דכתבה אדוכסוסטוס במקום בשר: רבי אחי מכשיר - ורב מוקי לדר' אחי אתפילין דכתבן על דוכסוסטוס ואמר כוותיה: נייר - של עשבים: גויל - מעובד בעפצים:

"'É quando a escreveram no pergaminho...'" — mesmo que a tenham escrito no lado do pelo, e com mais razão no lado da carne, pois a halachá é que a mezuzá se escreve no lado do pelo; e é quando a escreveram no duchsustos no lado da carne. "'Rabi Acha valida'" — e Rav estabelece que a posição de Rabi Acha se refere aos tefilin, escritos sobre duchsustos, e falou de acordo com ela. "'Papel'" — feito de ervas. "'Gevil'" — processado com nozes-de-galha.

05"A escreveu" — reidentificado como tefilin, e a baraita reatribuída ao sefer Torá; o apoio de tefilin e sefer Torá gastos
A Guemará
כְּתָבָהּ מַאי? אִילֵּימָא מְזוּזָה — מְזוּזָה אַקְּלָף מִי כָּתְבִינַן? אֶלָּא לָאו — תְּפִילִּין. וְלִיטַעְמָיךְ, תְּפִילִּין אַגְּוִיל מִי כָּתְבִינַן?! [אֶלָּא], כִּי תַּנְיָא הַהִיא בְּסֵפֶר תּוֹרָה. לֵימָא מְסַיַּיע לֵיהּ: כַּיּוֹצֵא בּוֹ, תְּפִילִּין שֶׁבָּלוּ וְסֵפֶר תּוֹרָה שֶׁבָּלָה אֵין עוֹשִׂין מֵהֶן מְזוּזָה, לְפִי שֶׁאֵין מוֹרִידִין מִקְּדוּשָּׁה חֲמוּרָה לִקְדוּשָּׁה קַלָּה.

"A escreveu" na baraita da escola de Menashe — o quê? Se dizes que é a mezuzá — escrevemos a mezuzá no pergaminho? Antes, deve ser: os tefilin. Mas, pela tua lógica, escrevemos os tefilin no gevil?! Antes, aquela baraita foi ensinada a respeito do sefer Torá (rolo da Torá). Digamos que isto a apoia: de modo semelhante, de tefilin gastos e de um sefer Torá gasto não se faz uma mezuzá, porque não se rebaixa de uma santidade maior para uma santidade menor.

Nota

A Guemará examina a própria baraita da escola de Menashe, e pergunta o que exatamente ela dizia estar sendo escrito. Se fosse a mezuzá, a menção do pergaminho não faria sentido, pois já se estabeleceu (no raciocínio de Rav) que a mezuzá não se escreve nele; deve, portanto, falar dos tefilin. Mas, pelo mesmo raciocínio, os tefilin não se escrevem sobre gevil (couro inteiro, não dividido) — de modo que a baraita, na verdade, trata do sefer Torá, que pode ser escrito tanto em pergaminho quanto em gevil. Uma baraita paralela parece apoiar essa reidentificação: tefilin gastos e um sefer Torá gasto não podem ser reaproveitados para fazer deles uma mezuzá, porque a santidade dos tefilin e do sefer Torá é maior que a da mezuzá, e não se rebaixa de uma santidade maior para uma menor.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mesaya lei", "kayotze bo" e "sefer Torá shebalá"
מסייע ליה - לרב: כיוצא בו - רישא דברייתא תפילין של יד עושין אותן של ראש ואותן של ראש אין עושין אותן של יד לפי שאין מורידין כו': ס"ת שבלה - אין מחתכין ממנה יריעה שפרשיות שמע והיה אם שמוע בתוכה לקובען במזוזה:

"'Isto o apoia'" — a Rav. "'De modo semelhante'" — a primeira cláusula da baraita ensina: dos tefilin de mão se fazem tefilin de cabeça, mas dos tefilin de cabeça não se fazem tefilin de mão, porque não se rebaixa etc. "'Um sefer Torá gasto'" — não se corta dele uma folha em que estejam as seções de "Shemá" e "Vehayá im shamoa", para fixá-las como mezuzá.

06A dedução inversa: a mezuzá pode ser escrita no pergaminho; a posição de Rav se inverte por completo
A Guemará; Rabi Shimon ben Elazar; Rabi Meir
טַעְמָא דְּאֵין מוֹרִידִין, הָא מוֹרִידִין עוֹשִׂין. דִּכְתִיבָא אַמַּאי? לָאו דִּכְתִיבָא אַדּוּכְסוּסְטוֹס! לָא, דִּכְתִיבָא עַל הַקְּלָף. וּמְזוּזָה אַקְּלָף מִי כָּתְבִינַן? אִין, וְהָתַנְיָא: כְּתָבָהּ עַל הַקְּלָף עַל הַנְּיָיר וְעַל הַמַּטְלִית — פְּסוּלָה. אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר: רַבִּי מֵאִיר הָיָה כּוֹתְבָהּ עַל הַקְּלָף, מִפְּנֵי שֶׁמִּשְׁתַּמֶּרֶת. הַשְׁתָּא דְּאָתֵית לְהָכִי, לְרַב נָמֵי לָא תֵּימָא דּוּכְסוּסְטוֹס הֲרֵי הוּא כִּקְלָף, אֶלָּא אֵימָא: קְלָף הֲרֵי הוּא כְּדוּכְסוּסְטוֹס, מָה דּוּכְסוּסְטוֹס כּוֹתְבִין עָלָיו מְזוּזָה — אַף קְלָף כּוֹתְבִין עָלָיו מְזוּזָה.

A razão dada é que não se rebaixa; mas, se rebaixássemos, faríamos mezuzá deles. Aqueles tefilin estavam escritos sobre o quê? Não é que estavam escritos sobre duchsustos? Não; estavam escritos sobre o pergaminho. E escrevemos a mezuzá no pergaminho? Sim; e foi ensinado: se a escreveu no pergaminho, no papel ou num retalho, é inválida! Disse Rabi Shimon ben Elazar: Rabi Meir a escrevia no pergaminho, porque se conserva melhor. Agora que chegaste a isto, também para Rav não digas "duchsustos é como pergaminho", mas diz, antes: "pergaminho é como duchsustos" — assim como no duchsustos se escreve a mezuzá, também no pergaminho se escreve a mezuzá.

Nota

A Guemará extrai da regra anterior sua implicação inversa: se se proíbe apenas rebaixar de uma santidade maior para uma menor, então rebaixar de uma santidade menor para uma maior deveria ser permitido — e pergunta, então, sobre que material estariam escritos aqueles tefilin gastos, cuja santidade os impede de virar mezuzá. Se estivessem escritos sobre duchsustos (o material próprio da mezuzá), não haveria "rebaixamento" algum ao usá-los como mezuzá; a resposta é que estavam escritos sobre pergaminho — o que implica que a mezuzá pode, sim, ser escrita validamente sobre pergaminho, confirmada por uma baraita e pelo costume de Rabi Meir, que preferia escrevê-la no pergaminho por se conservar melhor que o duchsustos. Com essa conclusão, a Guemará inverte por completo a formulação original da posição de Rav: não se diz mais "duchsustos é como pergaminho" (implicando que o duchsustos, material mais simples, se eleva ao nível do pergaminho para servir também aos tefilin), mas sim "pergaminho é como duchsustos" — o pergaminho, material mais nobre, serve também para a mezuzá, tal como o duchsustos já servia.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "dichtiva amai", "lav dichtiva aduchsustos", "hashta de'atet lehachi" e "lo teima"
דכתיבא - הנך תפילין אמאי: לאו דכתיבי אדוכסוסטוס - שהוא כשר למזוזה הלכך הא מורידין עושין: השתא דאתית להכי - דמזוזה אקלף כשרה: לא תימא - במילתיה דרב דוכסוסטוס הרי הוא כו':

"'Estavam escritos'" — pergunta-se sobre aqueles tefilin, sobre o quê estavam eles. "'Não é que estavam escritos sobre duchsustos'" — material que é válido para mezuzá, e por isso usá-lo para mezuzá seria rebaixar. "'Agora que chegaste a isto'" — que a mezuzá é válida sobre pergaminho. "'Não digas'" — na afirmação de Rav, "duchsustos é como pergaminho" etc.

07Abre-se a medida da tinta
A Guemará
דְּיוֹ כְּדֵי לִכְתּוֹב.

Tinta, o suficiente para escrever...

Nota — a folha se encerra em aberto

Encerrada a longa sugya sobre pergaminho e duchsustos, a Guemará passa à próxima cláusula da mesma Mishná de 78b, que também menciona a tinta entre os materiais medidos. A folha termina em pleno meio da frase — "tinta, o suficiente para escrever..." —, sem completar o objeto da medida. Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 80a completa exatamente essa frase logo em sua primeira linha, com uma baraita: "duas letras em tinta, duas letras com a pena, duas letras no tinteiro" — mostrando que o raciocínio desta folha continua diretamente na próxima, sem qualquer novo assunto entre elas.