83a fechara em aberto, no meio da Mishná do zav sentado num dos pratos de uma balança, com alimentos e bebidas no outro prato: "se o prato do zav se inclinou para baixo — são impuros,". 83b abre completando essa mesma frase: "se eles (o prato dos alimentos e bebidas) se inclinaram para baixo, são puros" — pois, nesse caso, foi o prato do zav que subiu, e não o zav que desceu sobre eles. A Guemará então pergunta segundo qual opinião se conforma uma baraita que ensina que todas as impurezas que deslocam outros objetos os deixam puros, exceto o deslocamento do zav, sem paralelo em toda a Torá — sugerindo que essa baraita não seguiria Rabi Akiva, para quem a idolatria também deslocaria outros; a resposta é que a baraita, mesmo segundo Rabi Akiva, disse "zav" apenas como exemplo de tudo o que se assemelha a ele. A folha então retoma a dúvida de Rav Chama bar Guria sobre se a idolatria transmite impureza quanto a membros separados, delimitando-a com precisão entre os casos em que um leigo pode ou não restaurar a peça partida — e a deixa sem solução (teiku). Seguem-se duas dúvidas relacionadas sobre o volume mínimo da idolatria (um kezáit, o volume de uma azeitona): a de Rav Achadvoi bar Ami, que Rav Yossef reduz à questão da impureza (já que, quanto à proibição, até um ídolo do tamanho de uma mosca conta, como o caso de Zevuv, o senhor de Ekron); e a resposta trazida por Rav Avya (ou Rabá bar Ulá) a partir de uma baraita que fixa o kezáit como medida, com base no versículo sobre o pó da asherá lançado na sepultura do povo. A Guemará então explica, contra uma objeção de rigor, por que todas as comparações da idolatria — ao sheretz, à menstruada, ao morto — servem sempre à leniência, e não ao rigor, já que sua impureza é de origem rabínica. Encerrado esse tópico, uma nova Mishná ensina, por alusão bíblica, que o barco é puro; a Guemará explica a alusão, compara-a com a derivação alternativa de Chananya a partir do saco, e examina as diferenças práticas entre as duas — o barco de barro e o barco do Jordão —, trazendo a explicação de Rabi Chanina ben Akavya sobre por que o barco do Jordão se torna impuro. A propósito dessa explicação, que só veio à luz depois de anos sem solução na casa de estudo, Rav Yehuda, em nome de Rav, ensina que ninguém deve se ausentar da casa de estudo nem por um instante — e a esse dito se somam os de Rabi Yonatan e Reish Lakish sobre nunca abandonar as palavras de Torá, mesmo na hora da morte. A folha se fecha, em aberto, no meio de um dito semelhante de Rava, cujo conteúdo esta edição digital não preserva.
83a terminara no meio da Mishná do zav sentado num dos pratos de uma balança, com alimentos e bebidas no outro: "se o prato do zav se inclinou para baixo — são impuros," — frase sem seu contraste final. 83b abre com exatamente esse contraste: "se eles (o prato dos alimentos e bebidas) se inclinaram para baixo, são puros" — pois, quando é o prato oposto que desce, é o próprio zav quem sobe, deslocado pelo peso dos alimentos e bebidas, e não o contrário; o caso ilustra, assim, como a própria fonte de impureza (o zav) pode "deslocar" outros objetos ao ser ela mesma deslocada para cima.
Se eles se inclinaram para baixo, são puros. Segundo quem se conforma isto que se ensinou: "todas as impurezas que deslocam outros objetos são puras (isto é, o objeto deslocado permanece puro), exceto o deslocamento do zav, para o qual não encontramos equivalente em toda a Torá" — diríamos que isso não é de acordo com Rabi Akiva, pois, se fosse de acordo com Rabi Akiva, há também o caso da idolatria (que, segundo ele, também deslocaria outros)! Ainda que digas que a baraita é de acordo com Rabi Akiva, ela ensinou "o zav", querendo dizer o zav e tudo o que se assemelha a ele.
A folha abre completando a Mishná de Zavim citada ao final de 83a: se, na balança, é o prato dos alimentos e bebidas que desce — e não o do zav —, permanecem puros, pois nesse caso é o próprio zav quem sobe, deslocado por eles, e não eles deslocados por ele. A Guemará então examina uma baraita sobre a regra geral do deslocamento (heisét): normalmente, um objeto impuro que desloca outro (sem tocá-lo) não transmite impureza ao objeto deslocado — a única exceção, ensinada sem paralelo em toda a Torá, é o deslocamento pelo zav, que é impuro por decreto bíblico especial. A objeção é que essa baraita pareceria excluir a idolatria, que, segundo Rabi Akiva (na versão de Rabá, examinada em 82b-83a), também transmite impureza por deslocamento — o que tornaria a baraita incompatível com a opinião de Rabi Akiva. A resposta é que a palavra "zav" na baraita não se restringe ao zav literal, mas inclui, por extensão, tudo o que se assemelha a ele quanto a essa regra — entre eles, a idolatria segundo Rabi Akiva.
"'Se eles se inclinaram'" — e eles (o prato dos alimentos) ergueram o zav. "'São puros'" — pois aprendemos: tudo sobre o que o zav é carregado é puro, exceto o que é próprio para servir de leito ou assento de pessoa; mas todos os demais utensílios e alimentos não se tornam impuros por causa de leito e assento, como se ensinou (acima, Shabat 59a): exclui-se o que é destinado apenas ao tipo de assento de que se diz "levanta-te e façamos nosso trabalho"; e mesmo para ser primeiro grau de impureza pelo transporte do zav também não se tornam impuros, pois, quando está escrito o transporte do zav, está escrito a respeito de pessoa: "e o que os carregar, etc." (Levítico 15:10); e isto que se disse acima — que o gentio, a gentia e a idolatria que outros deslocaram são impuros — fala-se de quando quem os desloca é pessoa. "'Todas as impurezas que deslocam'" — isto é, que deslocam outros, como no prato de uma balança, ou uma pessoa impura por contato com um morto que deslocou seu companheiro — o outro é puro. "'Para o qual não encontramos equivalente'" — entre as demais impurezas da Torá, exceto o zav. "'E tudo o que se assemelha a ele'" — isto é, o que vem por inclusão do versículo do zav; e a idolatria se aprende da menstruada, que por sua vez se equipara ao zav.
Rav Chama bar Guria perguntou: a idolatria transmite impureza quanto a membros separados, ou não transmite impureza quanto a membros separados? Onde um leigo pode restaurá-la ao seu estado original — não a questiones, pois é como se estivesse unida. Quando deves questionar é onde um leigo não pode restaurá-la — o que é a lei nesse caso? Visto que um leigo não pode restaurá-la, é como se estivesse quebrada; ou talvez isto — o membro separado — não a diminua (não a torne incompleta). E há quem a questione no sentido oposto: onde um leigo não pode restaurá-la — não a questiones, pois é como se estivesse quebrada; quando deves questionar é onde um leigo pode restaurá-la — o que é a lei? Visto que um leigo pode restaurá-la, é como se estivesse unida; ou talvez, agora, de qualquer modo, isto — o membro — está arrancado e lançado fora. Que fique sem solução (teiku).
Retomada agora em detalhe, a dúvida de Rav Chama bar Guria — já mencionada em 83a — pergunta se a idolatria, reduzida a membros ou peças separadas de seu corpo original, ainda transmite impureza como idolatria completa. A Guemará delimita a dúvida com precisão: quando um leigo (sem habilidade especial) pode simplesmente reencaixar a peça solta, não há dúvida — considera-se ainda unida e completa. A dúvida real surge apenas quando um leigo não pode restaurá-la: nesse caso, seria como uma peça quebrada, que talvez não transmita impureza como o todo original, ou talvez o membro solto não represente falta alguma no ídolo, que permanece completo para esse efeito. Uma segunda versão da dúvida inverte os termos: talvez o critério correto seja o oposto, e o caso claro de "quebrada" seja justamente onde um leigo não pode restaurá-la, deixando como dúvida real o caso em que ele pode. Nenhuma das duas versões encontra solução, e a Guemará a deixa como teiku — questão insolúvel.
"'Transmite impureza quanto a membros'" — por exemplo, uma idolatria feita de peças articuladas: transmite sua impureza membro por membro, ou não? "'Que um leigo pode restaurá-la'" — isto é, que não é necessário um artesão para isso.
Rav Achadvoi bar Ami perguntou: a idolatria menor que um kezáit (o volume de uma azeitona), qual é sua lei? Rav Yossef objetou a isso: para que efeito se pergunta isso? Se dirias que é quanto à proibição, que não seja de menos peso do que Zevuv, o senhor de Ekron. Pois se ensinou: "e puseram para si Baal-Berit por deus" (Juízes 8:33) — este é Zevuv, o senhor de Ekron. Isso ensina que cada um fazia uma imagem de seu objeto de temor e a colocava dentro de seu bolso; quando se lembrava dela, tirava-a de seu bolso, abraçava-a e beijava-a. Mas, quanto à impureza, qual é a lei? Visto que a idolatria foi comparada ao sheretz: assim como o sheretz transmite impureza no volume de uma lentilha, também a idolatria transmite impureza no volume de uma lentilha. Ou talvez, eis que foi comparada ao morto: assim como o morto transmite impureza apenas no volume de um kezáit, também a idolatria apenas no volume de um kezáit.
Rav Achadvoi bar Ami levanta uma nova dúvida: qual o volume mínimo de idolatria necessário para que ela transmita impureza? Rav Yossef objeta que a pergunta, se referida à proibição de proveito, seria supérflua — pois já se sabe, do episódio de Zevuv, o senhor de Ekron (um ídolo do tamanho e forma de uma mosca, carregado no bolso e beijado por seus devotos), que mesmo idolatria minúscula está sob a proibição plena. A dúvida real, esclarece Rav Yossef, deve referir-se apenas à impureza: a idolatria foi comparada tanto ao sheretz (que transmite impureza a partir do volume de uma lentilha, uma medida pequena) quanto ao morto (que transmite impureza apenas a partir de um kezáit, uma medida maior) — e não está claro qual dessas duas comparações determina o volume mínimo para a impureza da própria idolatria.
"'Menor que um kezáit'" — e, ainda assim, uma peça inteira. "'Quanto à proibição'" — isto é: proibida quanto ao proveito. "'Abraçava-a e beijava-a'" — e esta é a linguagem de berit (aliança), de amor e afeto; vê-se, assim, que estavam apegados a ela, e por isso ela é considerada idolatria. "'Eis que foi comparada ao morto'" — como adiante, no versículo: "à sepultura dos filhos do povo".
Disse Rav Avya — e há quem diga que foi Rabá bar Ulá: vem e ouve, pois se ensinou: a idolatria menor que um kezáit não tem impureza alguma, pois se disse: "e lançou seu pó sobre a sepultura dos filhos do povo" (II Reis 23:6) — assim como o morto transmite impureza apenas no volume de um kezáit, também a idolatria apenas no volume de um kezáit.
Rav Avya (em nome alternativo, Rabá bar Ulá) resolve a dúvida trazendo uma baraita explícita: a idolatria menor que um kezáit não transmite impureza alguma, e não apenas por analogia — o próprio versículo que descreve a destruição da asherá pelo rei Josias, cujo pó foi lançado sobre a sepultura do povo comum (associando-a, assim, à impureza do morto), estabelece que a medida da idolatria segue a do morto: um kezáit, e não a lentilha do sheretz.
E, segundo os sábios, para qual lei a idolatria foi comparada ao sheretz? Que não transmite impureza por transporte. Comparada à menstruada? Que não transmite impureza quanto a membros separados. Comparada ao morto? Que não transmite impureza no volume de uma lentilha. Diríamos que essas comparações servem para o rigor: para qual lei o Misericordioso a comparou ao sheretz? Para transmitir impureza no volume de uma lentilha. Comparou-a à menstruada? Para transmitir impureza através da pedra que bloqueia. O Misericordioso a comparou ao morto? Para transmitir impureza através de uma tenda! A resposta é: a impureza da idolatria é de origem rabínica, e, havendo leniência e rigor como possibilidades, comparamos para o lado da leniência; para o lado do rigor não comparamos.
A Guemará encerra o tópico do volume mínimo com uma pergunta mais ampla sobre o princípio geral por trás das três comparações da idolatria (ao sheretz, à menstruada e ao morto), todas trazidas para estabelecer leniências: não transmite impureza por transporte (como o sheretz), nem quanto a membros separados (como a menstruada — mas veja acima a dúvida de Rav Chama bar Guria), nem no volume de uma lentilha (como o morto). A objeção é que essas mesmas comparações poderiam, em princípio, ser lidas na direção oposta, estabelecendo rigores: transmitir impureza já no volume de uma lentilha (como o sheretz), pela pedra que bloqueia (como a menstruada), e por uma tenda (como o morto). A resposta final é que, como a impureza da idolatria é apenas de instituição rabínica (não bíblica), e as comparações bíblicas aplicadas a ela são meramente um apoio textual (asmachtá) e não sua fonte real, os sábios só as usam para estabelecer leniências, nunca para impor rigores adicionais além do que já decretaram.
"'E, segundo os sábios, para qual lei, etc.'" — é uma objeção contra os sábios, que dizem que a idolatria não transmite impureza por transporte: para qual lei disseram, segundo eles, que foi comparada à menstruada, ensinando que não transmite impureza quanto a membros separados, e ao sheretz, ensinando que não a fazemos transmitir impureza por transporte, e ao morto, ensinando que não transmite impureza no volume de uma lentilha — todas essas comparações apontam para a leniência. "'Diríamos'" — que todas apontassem para o rigor. "'De origem rabínica'" — pois todas essas comparações são palavras de tradição e mera sustentação (asmachtá); e "detestá-la detestarás" (Deuteronômio 7:26) não é, literalmente, linguagem de sheretz, mas o essencial do versículo veio apenas para lhe dar um nome de desprezo.
De onde se deriva que o barco é puro (não pode se tornar impuro)? Pois se disse: "o caminho do navio no meio do mar" (Provérbios 30:19).
Encerrado o tópico da idolatria, uma nova Mishná — outro digressão baseada em alusão bíblica, no estilo já visto em Massechet Shabat — ensina que o barco não pode se tornar ritualmente impuro. A fonte é um versículo de Provérbios que descreve, entre as coisas "demasiado maravilhosas" para o autor compreender, "o caminho do navio no meio do mar" — um versículo que, à primeira vista, apenas descreve um fato náutico óbvio, mas que a Guemará em seguida vai ler como fonte de uma alusão legal.
Mishná: "'É pura'" — isto é, que não recebe impureza. "'No meio do mar'" — eis que o barco é como o mar.
Isso é óbvio — o navio está no meio do mar! Isto o versículo vem nos ensinar: que o barco é como o mar: assim como o mar é puro, também o barco é puro. Ensinou-se: Chananya diz: aprendamo-la (esta lei) do saco: assim como o saco é carregado cheio e vazio, também tudo o que é carregado cheio e vazio (pode tornar-se impuro). Para excluir o barco, que não é carregado cheio (por sua terra, quando cheio).
A Guemará objeta que o versículo, tomado literalmente, apenas afirma o óbvio — claro que o navio está no meio do mar. A resposta é que o versículo ensina, por analogia, que o status legal do barco é como o do próprio mar: assim como o mar não pode se tornar impuro, também o barco não pode. Uma baraita traz uma derivação alternativa, de Chananya: a impureza dos utensílios de madeira é comparada à do saco (mencionado junto com eles no mesmo versículo), e assim como o saco só se torna impuro por ser um objeto que se carrega tanto cheio quanto vazio, também qualquer objeto de madeira precisa dessa mesma característica para se tornar impuro — o que exclui o barco, que, por seu peso, não pode ser carregado em terra quando cheio.
Guemará: "'Isso é óbvio, o navio está no meio do mar'" — não é uma objeção, mas sim uma explicação da Mishná. "'Aprendamo-la do saco'" — pois o barco é um utensílio de madeira, e os utensílios de madeira foram comparados ao saco quanto à impureza. "'Também tudo, etc.'" — e este barco não é carregado cheio, pois é grande.
Qual é a diferença prática entre elas? Há entre elas a diferença quanto ao barco de barro. Segundo quem diz "o navio no meio do mar", este também está no meio do mar (e permanece puro). Segundo quem diz que se aprende como o saco — apenas aqueles materiais que estão escritos junto ao saco no versículo é que seguem essa regra: se são carregados cheios e vazios, sim (tornam-se impuros); se não, não. Mas o barco de barro, ainda que não seja carregado cheio (por seu peso, como o de madeira), torna-se impuro, pois não é feito do material comparado ao saco.
A Guemará busca a diferença prática entre as duas derivações — já que ambas concordam que o barco comum de madeira é puro. A diferença aparece no barco de barro: segundo a derivação do versículo "o navio no meio do mar" (que trata do barco genericamente, por sua localização), ele também permanece puro. Mas segundo a derivação de Chananya, a exigência de "ser carregado cheio e vazio" aplica-se apenas aos materiais explicitamente listados junto ao saco naquele versículo (madeira, pano, couro), do qual o barro não faz parte — de modo que um barco de barro, por não estar sujeito a essa regra específica, pode tornar-se impuro por sua própria natureza de utensílio de barro, mesmo sem ser carregado cheio.
"'Barco de barro'" — pois o barro não foi comparado ao saco.
Ou, alternativamente, a diferença é quanto ao barco do Jordão. Segundo quem diz "o navio está no meio do mar" — este também está no meio do mar (um rio se equipara ao mar, e permanece puro). Segundo quem diz que a exigência é ser carregado cheio e vazio — este também é carregado cheio e vazio. Pois disse Rabi Chanina ben Akavya: por que razão disseram que o barco do Jordão é impuro? Porque o carregam em terra seca, e o descem para a água. Disse Rav Yehuda, disse Rav: nunca se ausente uma pessoa da casa de estudo, nem mesmo por uma hora, pois eis que, durante vários anos, esta Mishná (sobre o barco do Jordão) foi ensinada na casa de estudo e não se revelou seu motivo, até que veio Rabi Chanina ben Akavya e o explicou.
Uma segunda proposta para a diferença prática entre as duas derivações: o barco do Jordão, um barco pequeno usado no rio. Segundo o versículo "o navio no meio do mar", ele também é considerado equivalente ao mar (o rio, como o mar, é puro) — e permanece puro. Segundo a derivação de Chananya, ele também é carregado cheio e vazio — e portanto está sujeito à impureza. Rabi Chanina ben Akavya explica a razão real por trás dessa regra da Mishná (de Kelim): o barco do Jordão, por ser pequeno, é carregado em terra firme já cheio de mercadorias, e só então é descido à água — ao contrário do barco grande do mar, que só pode ser carregado depois de já estar na água. A propósito dessa explicação — que permaneceu obscura por anos até que Rabi Chanina ben Akavya a revelasse —, Rav Yehuda, em nome de Rav, extrai um ensinamento sobre o valor supremo de nunca se ausentar da casa de estudo, nem por um só instante, pois nunca se sabe quando surgirá a explicação que faltava para uma lei antiga.
"'Ou, alternativamente, o barco do Jordão'" — há diferença entre elas nesse caso, pois este barco é pequeno e é carregado cheio e vazio, visto que o rio ali é pequeno. "'Este também está no meio do mar'" — pois "mar" no versículo não é exato, e todos os rios também são puros. "'Foi ensinada esta Mishná'" — a Mishná do tratado de Kelim, que ensina ali que o barco do Jordão é impuro, sem que se revelasse o motivo.
Disse Rabi Yonatan: nunca se ausente uma pessoa da casa de estudo nem das palavras de Torá, nem mesmo na hora da morte, pois se disse: "esta é a Torá: quando um homem morrer numa tenda" (Números 19:14) — mesmo na hora da morte, esteja ocupado com a Torá. Disse Reish Lakish: as palavras de Torá só se sustentam em quem se mata por elas, pois se disse: "esta é a Torá: quando um homem morrer numa tenda". Disse Rava
Ao dito de Rav Yehuda em nome de Rav (beat anterior) somam-se dois outros, na mesma corrente aggádica sobre o valor supremo do estudo da Torá: Rabi Yonatan ensina que ninguém deve se ausentar da casa de estudo ou das palavras de Torá nem mesmo à hora da morte, lendo o versículo "esta é a Torá: quando um homem morrer numa tenda" como uma alusão a que se deve permanecer ocupado com a Torá até o último instante. Reish Lakish, no mesmo versículo, encontra uma leitura ainda mais exigente: as palavras de Torá só se conservam em quem se entrega a elas por completo, "matando-se" por elas — isto é, dedicando-lhes todo o esforço, sem reservas. O terceiro dito dessa corrente pertence a Rava, mas seu conteúdo não é preservado por esta edição digital: a folha 83b termina exatamente na palavra "אָמַר רָבָא" ("disse Rava"), sem predicado.