82b fechara com a versão de Rabi Elazar da disputa entre Rabi Akiva e os sábios sobre a idolatria: ao contrário de Rabá, para quem todos concordam quanto ao transporte e discordam quanto à pedra que bloqueia, Rabi Elazar sustenta que todos concordam que a idolatria não transmite impureza pela pedra que bloqueia, e discordam apenas quanto ao transporte. 83a abre perguntando, ainda dentro dessa mesma linha, para qual lei a idolatria foi comparada à menstruada segundo Rabi Akiva — para o transporte — e sugerindo que se a comparasse à carcaça (nevelá), o que dispensaria a necessidade de uma segunda comparação; a resposta, como já no daf anterior, é que a comparação com a menstruada ensina também que a idolatria, como a menstruada, não transmite impureza quanto a membros separados. Isso resolveria, tanto para os sábios quanto para Rabi Akiva, a dúvida de Rav Chama bar Guria sobre esse ponto — mas a Guemará esclarece que Rav Chama bar Guria formulava sua dúvida segundo a versão de Rabá, não a de Rabi Elazar, e por isso ela permanece em aberto. A Guemará traz então duas objeções (meitivot) de baraitot que parecem apoiar a versão de Rabi Elazar contra a de Rabá: uma, sobre a idolatria e seus utensílios de serviço, ambos comparados ao sheretz segundo os sábios, e a idolatria comparada à menstruada segundo Rabi Akiva; outra, sobre o gentio, a gentia, a idolatria e seus utensílios quanto ao deslocamento (heisét) — se transmitem impureza também por deslocarem outros objetos, ou apenas por serem deslocados. Rabá responde a ambas as objeções, preservando sua própria versão da disputa. Rabá e Rabi Elazar então resolvem, cada um segundo seu próprio raciocínio, os detalhes exatos da baraita sobre o gentio, a gentia, a idolatria, seus utensílios e a pedra que bloqueia. Rav Ashi contesta o sentido da palavra "hen" ("eles") nessa baraita e a reformula por completo. A folha se fecha, sem terminar a frase, com a pergunta de como se pode conceber um caso em que a própria idolatria desloca outros objetos — e não apenas é deslocada por eles —, e a resposta de Rami, filho de Rav Yeivá, que remete à Mishná do zav sentado num dos pratos de uma balança, com alimentos e bebidas no outro prato.
82b terminara com a versão de Rabi Elazar da disputa entre Rabi Akiva e os sábios: todos concordam que a idolatria não transmite impureza pela pedra que bloqueia; discordam apenas quanto ao transporte — Rabi Akiva como a menstruada, os sábios como o sheretz —, fechando com a regra de que, também nessa versão, a idolatria não transmite impureza quanto a membros separados. 83a abre retomando exatamente esse ponto, para explicar por que ele não resolve, sozinho, a dúvida de Rav Chama bar Guria.
E, para Rabi Akiva, para qual lei a idolatria foi comparada à menstruada? — Para o transporte. Que a comparasse à carcaça (nevelá)! Sim, de fato assim poderia ser; mas a razão é: assim como a menstruada não transmite impureza quanto a membros separados, também a idolatria não transmite impureza quanto a membros separados. Mas eis que Rav Chama bar Guria perguntou: a idolatria transmite impureza quanto a membros, ou não transmite impureza quanto a membros? Que se resolva isso a partir daqui, tanto segundo os sábios quanto segundo Rabi Akiva, que não transmite impureza quanto a membros! Rav Chama bar Guria ensinava a disputa como Rabá a transmite, e a perguntou de acordo com Rabi Akiva.
A Guemará justifica, dentro da versão de Rabi Elazar, por que a idolatria não foi simplesmente comparada à carcaça — que também transmite impureza por transporte, sem transmiti-la pela pedra que bloqueia, dispensando assim a necessidade de uma segunda comparação. A resposta repete a de 82b: a comparação com a menstruada traz consigo a regra de que a idolatria não transmite impureza quando reduzida a membros separados, algo que a carcaça não ensinaria. Como, na versão de Rabi Elazar, essa regra vale tanto para os sábios quanto para Rabi Akiva, poder-se-ia pensar que ela já resolve a dúvida de Rav Chama bar Guria para ambos os lados. Mas a Guemará esclarece que Rav Chama bar Guria formulava sua dúvida segundo a versão de Rabá — na qual a regra de "não quanto a membros" foi estabelecida apenas para os sábios (que comparam a idolatria à menstruada quanto ao transporte) — e a perguntou especificamente sobre a opinião de Rabi Akiva, para quem, na versão de Rabá, o ponto permanece em aberto.
"'E, para Rabi Akiva, para qual lei foi comparada à menstruada, para o transporte'" — se fosse apenas para isso, que a comparasse à carcaça. "'Ensinava-a como Rabá'" — pois Rabá disse acima que, segundo Rabi Akiva, a idolatria foi comparada à menstruada também quanto à pedra que bloqueia, e não se pode compará-la nesse ponto à carcaça. "'E a perguntou de acordo com Rabi Akiva'" — a dúvida é: comparamos a idolatria à menstruada também quanto ao ponto de não transmitir impureza por membros separados, ou não?
Objetaram: a idolatria é comparada ao sheretz, e seus utensílios de serviço são comparados ao sheretz. Rabi Akiva diz: a idolatria é comparada à menstruada, e seus utensílios de serviço são comparados ao sheretz. Está bem segundo Rabi Elazar; mas segundo Rabá, é difícil! Rabá poderia dizer-te: acaso esta baraita é mais forte do que a nossa Mishná, que ensina: "sua madeira, suas pedras e sua terra transmitem impureza como um sheretz", e nós estabelecemos: o que significa "como um sheretz"? — que não transmite impureza através da pedra que bloqueia; também aqui na baraita, o sentido é que não transmite impureza através da pedra que bloqueia.
A objeção traz uma baraita que, à primeira vista, apoia a versão de Rabi Elazar: se a idolatria e seus utensílios de serviço são ambos comparados ao sheretz segundo os sábios, e apenas a idolatria (não seus utensílios) é comparada à menstruada segundo Rabi Akiva, isso sugere que a comparação com a menstruada trata do transporte — pois os utensílios de serviço, que não transmitem impureza por transporte, permaneceriam como o sheretz —, exatamente como sustenta Rabi Elazar. Para Rabá, que entende que a comparação com a menstruada trata da pedra que bloqueia, essa baraita pareceria difícil. Rabá responde que essa mesma ambiguidade já existia na própria Mishná, cuja expressão "como um sheretz" foi interpretada por ele como referindo-se especificamente à exclusão da pedra que bloqueia — e não do transporte, que todos concedem. Assim, a baraita pode ser lida da mesma forma, sem contradizer sua versão.
"'Está bem'" — pois a baraita ensina, segundo os sábios, "como um sheretz", o que dá a entender que a idolatria não transmite impureza por transporte segundo eles. "'Da nossa Mishná'" — a do tratado de Avodá Zará, que diz: "suas pedras e sua madeira, etc."
Objetaram: o gentio e a gentia, a idolatria e seus utensílios de serviço — eles transmitem impureza, mas não seu deslocamento (heisét). Rabi Akiva diz: eles, e seu deslocamento. Está bem segundo Rabi Elazar; mas segundo Rabá, é difícil. Rabá poderia dizer-te: e, segundo teu raciocínio, também o gentio e a gentia seriam "eles, mas não seu deslocamento"?! Mas não se ensinou: "Fala aos filhos de Israel, etc." (Levítico 15:2) — os filhos de Israel transmitem impureza por fluxo (ziva), e os gentios não transmitem impureza por fluxo; mas decretaram sobre eles que fossem como os que sofrem fluxo (zavin) para todos os seus efeitos.
A segunda objeção traz uma baraita sobre o gentio, a gentia, a idolatria e seus utensílios de serviço: todos "eles" transmitem impureza, mas seu deslocamento (heisét — quando um objeto impuro move outro sem tocá-lo diretamente) não transmite, exceto segundo Rabi Akiva. Isso pareceria apoiar Rabi Elazar, para quem os sábios negam que a idolatria transmita impureza por transporte. Rabá responde com uma redução ao absurdo: se essa leitura fosse correta, a mesma baraita levaria à conclusão de que nem mesmo o gentio e a gentia transmitem impureza por deslocamento — o que contradiz um ensinamento explícito, segundo o qual os gentios foram decretados pelos sábios como equivalentes aos que sofrem fluxo (zavin) para todos os efeitos, incluindo o deslocamento. Portanto, a baraita deve ser entendida de outra forma, compatível com a versão de Rabá.
"'Eles, mas não seu deslocamento'" — a suposição inicial é que "seu deslocamento" significa que foram deslocados, isto é, que os carregaram, e não como as demais ocorrências de "heisét" no Talmud, cujo sentido é que o próprio ser impuro deslocou outros. "'Está bem segundo Rabi Elazar'" — pois a baraita ensina "mas não seu deslocamento", o que dá a entender que não transmite impureza por transporte; e mais adiante a Guemará pergunta o que significa "eles" — pois, se quer dizer que eles próprios são impuros, isso é óbvio: se já o texto ensina que seu deslocamento é impuro, "eles" seria necessário? Deveria ter ensinado apenas "seu toque, mas não seu deslocamento". "'Para todos os seus efeitos'" — o que mostra que os gentios transmitem impureza por transporte, pois, se transmitissem impureza apenas por toque, por que dizer "como os que sofrem fluxo"? Que se dissesse "como os impuros por contato com um morto".
Mas Rabá resolve de acordo com seu próprio raciocínio: o gentio e a gentia — eles, e seu deslocamento, e a pedra que os bloqueia. A idolatria — ela, e seu deslocamento, mas não a pedra que a bloqueia. Rabi Akiva diz: a idolatria — ela, e seu deslocamento, e a pedra que a bloqueia. E Rabi Elazar resolve de acordo com seu próprio raciocínio: o gentio e a gentia — eles, e seu deslocamento, e a pedra que os bloqueia. A idolatria — ela, mas não seu deslocamento. E Rabi Akiva diz: a idolatria — ela, e seu deslocamento.
Tendo respondido às duas objeções, a Guemará reformula a baraita completa segundo cada versão. Segundo Rabá: quanto ao gentio e à gentia, todos concordam que transmitem impureza por si, por deslocamento e pela pedra que bloqueia; quanto à idolatria (segundo os sábios), transmite por si e por deslocamento (transporte, que todos concedem), mas não pela pedra que bloqueia; Rabi Akiva acrescenta que também pela pedra que bloqueia. Segundo Rabi Elazar: quanto ao gentio e à gentia, o mesmo consenso; mas quanto à idolatria (segundo os sábios), transmite apenas por si, e não por deslocamento; Rabi Akiva acrescenta que também por deslocamento. Cada mestre, assim, encaixa a baraita à sua própria leitura da disputa fundamental entre Rabi Akiva e os sábios.
"'Mas'" — este texto da baraita está corrompido, e é preciso resolvê-lo; e Rabá o resolve de acordo com seu próprio raciocínio, e Rabi Elazar de acordo com o seu. "'E lê-se "e a pedra que os bloqueia"'" — a respeito do gentio e da gentia, tanto na resolução de Rabá quanto na de Rabi Elazar; e assim dizemos no último capítulo do tratado de Nidá (69b): o gentio e a gentia transmitem impureza pela pedra que bloqueia. "'Rabi Elazar resolve de acordo com seu próprio raciocínio... a idolatria, ela, mas não seu deslocamento'" — isto é, não por seu transporte, pois segundo os sábios não transmite impureza por transporte.
Rav Ashi objetou: o que significa "eles"? Mas disse Rav Ashi, assim deve ser entendido: o gentio e a gentia, tanto se eles deslocaram outros quanto se outros os deslocaram — são impuros. A idolatria que deslocou outros — esses outros são puros; outros que a deslocaram — são impuros. Seus utensílios de serviço, tanto se eles deslocaram outros quanto se outros os deslocaram — são puros. Rabi Akiva diz: o gentio, a gentia e a idolatria, tanto se eles deslocaram outros quanto se outros os deslocaram — são impuros. Seus utensílios de serviço, tanto se eles deslocaram outros quanto se outros os deslocaram — são puros.
Rav Ashi objeta que a palavra "hen" ("eles") na baraita, tomada isoladamente, seria óbvia demais — se já se ensina que o deslocamento por eles é impuro, dizer que "eles próprios" são impuros nada acrescentaria. Rav Ashi reformula então a baraita distinguindo claramente duas direções do deslocamento: quando o próprio gentio, gentia, idolatria ou utensílio desloca um objeto externo, tornando-o impuro; e quando um objeto externo desloca o gentio, a gentia, a idolatria ou o utensílio. Segundo os sábios (na reformulação de Rav Ashi): o gentio e a gentia transmitem impureza em ambas as direções; a idolatria transmite impureza apenas quando é ela quem é deslocada por outros, não quando ela desloca outros; e seus utensílios de serviço não transmitem impureza em nenhuma das duas direções. Segundo Rabi Akiva, a idolatria se equipara ao gentio e à gentia, transmitindo impureza em ambas as direções, enquanto seus utensílios permanecem puros nas duas.
"'Rav Ashi objetou: o que significa "eles"'" — se, tanto para Rabá quanto para Rabi Elazar, "heisét" na baraita significa transporte no sentido de que eles deslocaram outros, então o que acrescenta "eles, e seu deslocamento" ou "eles, mas não seu deslocamento", ensinado tanto segundo Rabi Akiva quanto segundo os sábios? Se a intenção é dizer que eles próprios são impuros, isso é óbvio — pois, se fossem puros, de onde se saberia que seu deslocamento é impuro? Deveria ter distinguido apenas: a idolatria, seu deslocamento não é impuro; Rabi Akiva diz: seu deslocamento é impuro. "'Mas disse Rav Ashi, assim deve ser entendido: o gentio e a gentia, tanto se eles deslocaram outros'" — e este é o sentido de "seu deslocamento" ensinado na baraita, como em todo deslocamento mencionado na Mishná.
Quanto à idolatria: está bem, "outros que a deslocaram" — esse caso se encontra facilmente. Mas "ela que deslocou outros", como se encontra esse caso? Disse Rami, filho de Rav Yeivá: como aprendemos na Mishná: o zav sentado num prato da balança, e alimentos e bebidas no outro prato; se o prato do zav se inclinou para baixo — os alimentos e bebidas são impuros,
A Guemará pergunta como se concebe um caso em que a própria idolatria desloca outros objetos (tornando-os impuros), e não apenas é deslocada por eles — já que a idolatria, sendo geralmente um objeto fixo ou pesado, dificilmente se imagina "movendo-se" para deslocar algo. Rami, filho de Rav Yeivá, responde citando a Mishná de Zavim sobre o zav sentado num dos pratos de uma balança, com alimentos e bebidas no outro prato: se o prato do zav desce (pelo peso do zav), os alimentos e bebidas do outro prato, que sobem, tornam-se impuros — pois o zav, ao descer, efetivamente "desloca" o prato oposto para cima. A frase está gramaticalmente incompleta neste ponto; a folha 83b abre exatamente com sua continuação: "se eles (o prato dos alimentos) desceram, são puros" — completando o paralelo com a idolatria, cujo caso análogo de deslocamento ativo a Guemará buscava.