87a terminara no meio da resposta de Rava à pergunta sobre para que serviu o "sexto dia" mencionado numa baraita — cortada logo após as palavras "Rava disse". 87b abre completando essa mesma resposta: o "sexto dia" refere-se ao dia em que o povo acampou junto ao Sinai (véspera da entrega da Torá); Rav Acha bar Yaakov, discordando, entende que se refere ao dia em que partiram de Refidim, pois no mesmo dia em que chegaram ao deserto do Sinai também partiram dali. Essa divergência revela uma disputa mais ampla entre os dois: se o preceito de Shabat, ordenado ao povo em Mara — antes mesmo da entrega da Torá no Sinai —, incluía apenas o Shabat em si, ou também os seus limites de deslocamento (techumin); disso depende se era permitido, ou proibido, partir de Refidim justamente num Shabat. A Guemará então retoma, numa longa sequência de "vem e ouve", a questão cronológica que perpassa toda esta seção: em que dia da semana caiu o primeiro dia do mês de Sivan, do qual depende toda a contagem dos dias entre a fixação do mês e a entrega da Torá. Traz-se uma baraita sobre a saída do Egito e a praga dos primogênitos, da qual se infere que o quinze de Nisan foi quinta-feira — o que, por cálculo, situaria o primeiro de Sivan num domingo, difícil para os sábios (que sustentam que foi segunda-feira); a resposta, de que o mês de Iyar foi intercalado naquele ano, é contestada por uma segunda baraita sobre o mesmo evento, que não pressupõe essa intercalação — mas essa segunda baraita, por sua vez, é atribuída apenas à opinião isolada de Rabi Yosei. Rav Pappa traz uma nova prova, da chegada do povo ao deserto de Sin e da primeira descida do maná num domingo, com a mesma resposta da intercalação. Rav Chavivi de Machoza, dirigindo-se a Rav Ashi, traz ainda outra prova, da ereção do Tabernáculo no segundo ano — acompanhada da baraita das dez coroas que aquele dia recebeu — da qual se infere que, no ano da entrega da Torá, o primeiro de Nisan caiu numa quarta-feira. A folha então introduz a baraita de Acherim, segundo a qual o intervalo entre uma festa de Atzeret e a seguinte, e entre um Rosh HaShaná e o seguinte, é sempre de quatro dias da semana (ou cinco, em ano embolismado) — um cálculo que, aplicado ao caso, gera dificuldade tanto para Rabi Yosei quanto para os sábios. A resposta começa — "segundo Rabi Yosei, fizeram sete meses deficientes" — mas a frase é cortada exatamente aí, e só se completa no início de 88a.
87a terminara cortada logo após as palavras "רָבָא אָמַר" ("Rava disse"), no meio de sua resposta à pergunta sobre para que serviu o "sexto dia" mencionado numa baraita anterior. 87b abre em continuação direta dessa mesma resposta, sem qualquer novo raciocínio independente: "לַחֲנִיָּיתָן" ("[refere-se] ao dia de seu acampamento"). Só depois de completar essa resposta a Guemará passa a tratar da disputa mais ampla entre Rava e Rav Acha bar Yaakov sobre o Shabat de Mara, e, em seguida, retoma a questão cronológica com uma nova sequência de "vem e ouve".
Continuando a resposta de Rava, interrompida ao final de 87a: o "sexto dia" refere-se ao dia de seu acampamento junto ao Sinai. Rav Acha bar Yaakov disse: refere-se ao dia de sua partida de Refidim. E divergem quanto ao preceito de Shabat ordenado ao povo em Mara, pois está escrito nos Dez Mandamentos, tal como repetidos em Deuteronômio: "guarda o dia de Shabat para santificá-lo, como te ordenou o Eterno teu Deus" (Deuteronômio 5:12), e disse Rav Yehuda que disse Rav: "como te ordenou" — refere-se a uma ordem já dada em Mara (Êxodo 15:25), antes da entrega da Torá no Sinai. Um Mestre entende: quanto ao Shabat em si foram ordenados em Mara, mas quanto aos limites de deslocamento em Shabat (techumin) não foram ordenados ali. E um Mestre entende: quanto aos limites também foram ordenados ali.
Rava completa sua resposta interrompida: o "sexto dia" da baraita anterior refere-se ao sexto dia contado a partir do acampamento do povo junto ao monte Sinai, na véspera da entrega da Torá. Rav Acha bar Yaakov discorda e entende que se refere ao sexto dia contado a partir da partida do povo de Refidim, pois, segundo ele, no mesmo dia em que chegaram ao deserto do Sinai e acamparam ali, também partiram de Refidim — de modo que "acampamento" e "partida" caem no mesmo dia, mas contados a partir de pontos de referência diferentes. Essa diferença de foco revela uma disputa mais profunda entre os dois quanto ao preceito de Shabat ordenado ao povo em Mara, ainda antes da revelação no Sinai (conforme o verso "ali lhe pôs um estatuto e uma ordenança", interpretado por Rav Yehuda em nome de Rav como referência a essa ordem): um Mestre entende que ali foram ordenados apenas quanto à guarda do Shabat em si, mas não quanto aos seus limites de deslocamento (as duas mil covados que definem até onde se pode caminhar em Shabat); o outro Mestre entende que também os limites já haviam sido ordenados em Mara. Disso depende, precisamente, se era permitido ao povo partir de Refidim num Shabat (pois a proibição de exceder os limites ainda não estaria em vigor) ou se essa partida seria proibida (pois os limites já estariam em vigor) — o que, por sua vez, determina se o "sexto dia" da baraita deve ser contado a partir do acampamento ou da partida.
"'A seu acampamento'" — pois no primeiro dia do mês (Rosh Chodesh de Sivan) acamparam junto ao Sinai, e assim se diz: o sexto dia contado a partir do acampamento é o mesmo que o sexto do mês, é o mesmo que o sexto da semana. "'A sua partida'" — também o "sexto" pode ser contado a partir de sua partida, pois no mesmo dia em que chegaram ao deserto do Sinai partiram de Refidim. "'E divergem'" — Rav Acha e Rava, quanto ao preceito de Shabat que lhes foi dito em Mara, se naquele mesmo dia foram ordenados também quanto aos limites, ou não; pois está escrito nos últimos Dez Mandamentos (em Deuteronômio): "guarda o dia de Shabat para santificá-lo, como te ordenou", de onde se aprende que, antes dos primeiros Dez Mandamentos, já haviam sido ordenados a respeito dele. "'E disse Rav Yehuda: em Mara'" — pois está escrito ali: "ali lhe pôs um estatuto e uma ordenança" (Êxodo 15:25). "'Quanto aos limites não foram ordenados'" — por isso, quando partiram de Refidim, partiram em Shabat, pois ainda não haviam sido advertidos a não caminhar mais de dois mil côvados além do acampamento.
Vem e ouve mais uma prova sobre o dia da revelação no Sinai: no mês de Nisan em que Israel saiu do Egito, no décimo quarto dia abateram seus cordeiros de Pêssach, e no décimo quinto saíram do Egito, e à tarde foram feridos os primogênitos egípcios. Ocorre-te dizer "à tarde" daquele mesmo dia da saída?! Isso implicaria que a praga ocorreu depois da saída, o que é impossível. Antes, diga-se: na tarde anterior , ainda do dia catorze, foram feridos os primogênitos, e esse dia era a quinta-feira (quinto dia da semana). Do fato de que o décimo quinto de Nisan foi quinta-feira, segue-se que o primeiro dia do mês de Iyar foi Shabat (pois Nisan tem sempre trinta dias completos), e o primeiro dia do mês de Sivan foi o primeiro dia da semana (domingo, pois Iyar costuma ter vinte e nove dias) — isso é difícil para os sábios , que sustentam que o primeiro de Sivan daquele ano foi segunda-feira!
A Guemará retoma a questão cronológica com uma nova prova, trazida de uma baraita sobre a saída do Egito: no dia catorze de Nisan o povo abateu os cordeiros do sacrifício de Pêssach, no dia quinze saíram do Egito, e a praga dos primogênitos egípcios ocorreu — corrige a Guemará — não na tarde do próprio dia quinze (o que seria cronologicamente impossível, pois a saída já teria ocorrido), mas na tarde anterior, ainda dentro do dia catorze. Esse dia, conclui a baraita, era uma quinta-feira. A partir daí, como o mês de Nisan tem sempre trinta dias completos por lei fixa, o primeiro dia de Iyar cairia num Shabat; e como Iyar costuma ter vinte e nove dias, o primeiro dia de Sivan cairia num domingo. Essa conclusão contradiz a posição dos sábios, que sustentam que o primeiro de Sivan daquele ano caiu numa segunda-feira.
"'À tarde'" — "à tarde", sem qualificação adicional, significa a tarde seguinte , a que se seguiria ao dia da saída — e por isso a Guemará precisa corrigir para "na tarde anterior". "'O primeiro de Iyar foi Shabat'" — pois Nisan é sempre completo (trinta dias, por lei fixa); e por conseguinte o primeiro de Sivan caiu no primeiro dia da semana (domingo), já que Iyar costuma ter vinte e nove dias.
Diriam-te os sábios: Iyar, naquele ano, prolongaram-no por intercalação, tornando-o de trinta dias em vez dos habituais vinte e nove. Vem e ouve uma objeção do fato de que não o prolongaram , de outra baraita sobre o mesmo evento: no mês de Nisan em que Israel saiu do Egito: no décimo quarto abateram seus cordeiros de Pêssach, no décimo quinto saíram, e à tarde foram feridos os primogênitos. Ocorre-te dizer "à tarde" daquele mesmo dia?! Antes, diga-se: na tarde anterior foram feridos os primogênitos. E esse dia era a quinta-feira. Segundo esta baraita, Nisan se completou (trinta dias), e sucedeu que o primeiro dia de Iyar caiu no Shabat.
Os sábios respondem que, naquele ano específico, o mês de Iyar foi intercalado — tornado de trinta dias em vez dos habituais vinte e nove —, o que deslocaria o primeiro de Sivan de domingo para segunda-feira, em conformidade com sua posição. A Guemará traz então uma objeção contra essa resposta: uma segunda baraita, quase idêntica à primeira em seu relato da saída do Egito e da praga dos primogênitos (também situando esse evento numa quinta-feira), mas que explicitamente não pressupõe a intercalação de Iyar — ao contrário, afirma que Nisan se completou (com seus trinta dias regulares) e que o primeiro de Iyar caiu no Shabat, uma formulação que, se seguida até o fim, levaria a uma conclusão sobre Sivan incompatível com a intercalação que os sábios propuseram como resposta.
"'Nisan se completou'" — encheu-se com trinta dias, expressão relacionada a "completo" (shalem); e, correspondentemente, esta mesma baraita continua dizendo que Iyar foi deficiente, pois Iyar tem, em sua ordem regular, vinte e nove dias, e por isso sucede que Sivan caia no primeiro dia da semana (domingo).
Iyar foi deficiente (vinte e nove dias, na continuação desta mesma baraita), e sucedeu que Sivan caiu no primeiro dia da semana (domingo) — isso é difícil para os sábios , que sustentam que foi segunda-feira! Responde a Guemará: esta baraita, de quem é? É de Rabi Yosei , não dos sábios, e por isso não os contradiz de fato.
A segunda baraita, prosseguindo, afirma que o mês de Iyar foi deficiente (vinte e nove dias, sua duração regular), do que decorre que o primeiro de Sivan caiu num domingo — o que contradiz diretamente a resposta que os sábios haviam dado (de que Iyar fora intercalado naquele ano). A Guemará resolve a dificuldade do mesmo modo já usado antes nesta seção: essa segunda baraita, com sua contagem que aponta para domingo, reflete apenas a opinião de Rabi Yosei, não a dos sábios — de modo que não há contradição real contra a posição destes últimos, que continuam podendo recorrer à intercalação de Iyar naquele ano.
Disse Rav Pappa: vem e ouve outra prova: "e partiram de Elim, e veio toda a congregação dos filhos de Israel, etc., no décimo quinto dia do segundo mês" (Êxodo 16:1). E aquele dia era Shabat, pois está escrito: "e pela manhã vereis a glória do Eterno" (Êxodo 16:7), e está escrito logo depois: "seis dias o colhereis (o maná)" (Êxodo 16:26) — o que indica que o dia seguinte já era o primeiro dos seis dias úteis de coleta, e portanto o próprio dia da revelação da glória era Shabat. E do fato de que o décimo quinto de Iyar foi Shabat, segue-se que o primeiro dia do mês de Sivan foi o primeiro dia da semana (domingo) — isso é difícil para os sábios! Diriam-te os sábios: Iyar, naquele ano, prolongaram-no por intercalação.
Rav Pappa traz uma nova prova independente, do relato da chegada do povo ao deserto de Sin no décimo quinto dia do segundo mês (Iyar). A Guemará estabelece que esse dia era Shabat, com base na sequência dos versos: no dia seguinte à murmuração do povo por falta de comida, Deus prometeu revelar Sua glória pela manhã e fazer descer o maná; e como o maná passou a cair por seis dias consecutivos antes de cada Shabat sem cair nele, segue-se que o próprio dia da revelação — o quinze de Iyar — era um Shabat, o último antes do início da coleta regular. Dessa premissa (quinze de Iyar sendo Shabat) decorre que o primeiro de Sivan caiu num domingo — a mesma dificuldade contra os sábios levantada antes, e resolvida do mesmo modo, pela intercalação de Iyar naquele ano.
"'E aquele dia era Shabat, pois está escrito: e pela manhã vereis, etc.'" — pois nesse mesmo dia o povo murmurou a respeito do maná, conforme está escrito: "e murmuraram contra Moshe, etc., para matar de fome toda esta congregação" (Êxodo 16:2-3), e Deus prometeu-lhes fazer descer maná no dia seguinte; e por isso, forçosamente, foi no primeiro dia da semana (domingo) que o maná desceu pela primeira vez, pois está dito "seis dias o colhereis", e no sétimo dia, contado a partir de sua descida, é Shabat, quando não haverá maná nele. "'O primeiro de Sivan foi domingo'" — quando se completa a contagem de Iyar até o décimo quinto dia (o dia da chegada ao deserto de Sin), e quinze dias depois é o primeiro de Sivan.
Disse-lhe Rav Chavivi de Machoza a Rav Ashi: vem e ouve ainda outra prova: "e sucedeu, no primeiro mês, no segundo ano, no primeiro dia do mês, que se ergueu o Tabernáculo" (Êxodo 40:17) — foi ensinado numa baraita: aquele dia recebeu dez coroas: primeiro para a obra da criação (pois era domingo); primeiro para a oferenda dos príncipes; primeiro para o sacerdócio; primeiro para o serviço público no Templo; primeiro para a descida do fogo sobre o altar; primeiro para a comida das coisas sagradas dentro de sua fronteira própria; primeiro para a Presença Divina habitar entre Israel; primeiro para abençoar Israel; primeiro para a proibição das bamot (altares particulares); primeiro dos meses. E do fato de que o primeiro do mês de Nisan, naquele ano (o segundo ano, quando o Tabernáculo foi erguido), foi o primeiro dia da semana (domingo) — segue-se que no ano anterior (o ano da entrega da Torá) foi quarta-feira.
Rav Chavivi de Machoza traz uma terceira prova independente a Rav Ashi, agora a partir do relato da ereção do Tabernáculo, ocorrida no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano após a saída do Egito. Uma baraita associada a esse verso enumera dez distinções ("coroas") que aquele dia único recebeu — sendo a primeira delas o fato de coincidir com o dia da semana correspondente ao início da criação do mundo, isto é, um domingo. A partir dessa premissa (primeiro de Nisan do segundo ano sendo domingo) e do princípio de que o calendário lunar produz uma diferença fixa de dias da semana entre anos sucessivos, a Guemará infere que, no ano anterior — o próprio ano em que a Torá foi entregue no Sinai —, o primeiro de Nisan caiu numa quarta-feira.
"'Dez coroas'" — isto é, primeiro para dez coisas. "'Primeiro para a obra da criação'" — pois era o primeiro dia da semana (domingo), como no início da criação do mundo. "'Primeiro para os príncipes'" — para a oferenda dos príncipes na inauguração do Templo (o Tabernáculo). "'Primeiro para o sacerdócio'" — aquele dia era o oitavo dia da consagração dos sacerdotes, e o serviço passou a ser feito por Aarão e seus filhos; e até então era feito pelos primogênitos. "'Primeiro para o serviço'" — para a ordem do serviço público, os sacrifícios contínuos e os demais sacrifícios custeados pela contribuição da câmara do Templo. "'Para a descida do fogo'" — como está escrito: "e saiu fogo de diante do Eterno e consumiu sobre o altar, etc." (Levítico 9:24). "'Para a comida das coisas sagradas'" — dentro de uma fronteira delimitada; e até então eram comidas em qualquer lugar. "'Para habitar'" — entre Israel a Presença Divina repousou ali, conforme está escrito: "e habitarei entre eles" (Êxodo 25:8), do que se conclui que até então não repousara. "'Para abençoar'" — a bênção sacerdotal, conforme está escrito: "e Aarão levantou as suas mãos, etc." (Levítico 9:22). "'Para a proibição das bamot'" — a partir de então foram proibidas, pois o sacrifício deve ser trazido à entrada da Tenda do Encontro, conforme está escrito: "e à entrada da Tenda do Encontro não o trouxe" (Levítico 17:4). "'Deste ano'" — isto é, no segundo ano depois de sua saída do Egito se ergueu o Tabernáculo.
Pois foi ensinado numa baraita: Acherim ("outros", designação que oculta o nome de Rabi Meir) dizem: não há entre uma festa de Atzeret (Shavuot) e a Atzeret do ano seguinte, nem entre um Rosh HaShaná e o Rosh HaShaná seguinte, senão quatro dias de diferença na semana; e se o ano anterior foi embolismado (bissexto, com um mês intercalado), cinco. Aplicando-se isso ao caso — se o primeiro de Nisan do ano da entrega da Torá foi quarta-feira, como se concluiu da prova anterior — resultaria que o primeiro do mês de Iyar seria véspera de Shabat (sexta-feira), e o primeiro do mês de Sivan seria Shabat (sábado) — isso é difícil tanto para Rabi Yosei , que sustenta que foi domingo, quanto para os sábios , que sustentam que foi segunda-feira! Responde a Guemará: segundo Rabi Yosei, fizeram sete meses deficientes — e a explicação fica aqui interrompida; completa-se apenas no início de 88a.
A Guemará traz uma última prova nesta sequência, agora a partir de uma baraita atribuída a Acherim (designação que, segundo a tradição talmúdica, costuma ocultar o nome de Rabi Meir): entre uma festa de Atzeret (Shavuot) e a do ano seguinte, e entre um Rosh HaShaná e o do ano seguinte, há sempre uma diferença fixa de quatro dias da semana — ou cinco, se o ano em questão foi embolismado (bissexto). Aplicando esse princípio ao primeiro de Nisan do ano da entrega da Torá, estabelecido como quarta-feira pela prova anterior (da ereção do Tabernáculo), resultaria que o primeiro de Iyar caísse numa sexta-feira e o primeiro de Sivan num sábado — uma conclusão que contradiz tanto a posição de Rabi Yosei (que sustenta domingo) quanto a dos sábios (que sustentam segunda-feira), sendo portanto difícil para ambos ao mesmo tempo. A Guemará começa a responder — "segundo Rabi Yosei, fizeram sete meses deficientes naquele ano" —, uma explicação que dependeria de mostrar como uma sequência atípica de meses deficientes deslocaria o cálculo para compatibilizá-lo com a posição de Rabi Yosei. Mas a frase é cortada exatamente aí, sem que se saiba ainda como a Guemará explica essa sequência, nem como resolve a mesma dificuldade quanto à posição dos sábios. A continuação — o restante da resposta sobre os sete meses deficientes segundo Rabi Yosei, e a resposta correspondente para os sábios — abre a folha 88a.
"'Quatro dias'" — quando se fixam todos os meses em sua ordem regular, um completo e um deficiente (alternando trinta e vinte e nove dias), há quatro dias de diferença entre o início de um ano e o início do ano seguinte; pois a contagem dos meses lunares, em sua ordem regular, soma trezentos e cinquenta e quatro dias, todos divisíveis em semanas completas, exceto quatro dias. "'E se o ano foi embolismado, cinco'" — pois entende esta opinião que os dois meses de Adar , no ano bissexto, se fazem deficientes (vinte e nove dias cada), e o Pêssach desse ano é adiado um dia, como se explica mais adiante (em 88a). "'Fizeram sete deficientes'" — e não havia senão três meses completos entre um Pêssach e o Pêssach seguinte; por isso, se no ano anterior o primeiro de Nisan foi quinta-feira , a contagem resultante diverge da de Acherim, e Rabi Yosei não segue a opinião de Acherim, que dizem que não se intercala nem se torna deficiente mês algum por necessidade de ajuste do calendário, mas sempre se alternam um completo e um deficiente.