O daf dá continuidade à objeção de Rav Adda bar Matna a Rava (iniciada ao final de 8a), agora com uma baraita sobre quem pretende repousar no domínio público e deposita seu eiruv (de limites) num poço: se acima de dez tefachim de profundidade, o eiruv é válido; se abaixo de dez, não é válido. A Guemará examina os dois modos possíveis de entender essa regra: se o poço tem dez tefachim de profundidade (sendo, portanto, domínio privado pleno), a diferença entre depositar o eiruv "acima" ou "abaixo" pareceria irrelevante — pois a pessoa está num lugar e o eiruv noutro, de qualquer forma; a Guemará conclui, então, que a baraita fala de um poço com menos de dez tefachim (carmelit), e que "acima" versus "abaixo" prova que "uso por meio de esforço se chama uso", contrariando a distinção de Rava sobre a cova em 8a. A Guemará oferece ainda uma segunda leitura, na qual pessoa e eiruv estão ambos na carmelit, e a regra depende da opinião de Rabi sobre decretos rabínicos no crepúsculo. Para confirmar que "uso por meio de esforço" realmente se aplica, a Guemará cita a Mishná do rekek de água (poça rasa por onde passa o domínio público), mostrando que a repetição da palavra "rekek" ensina tanto sobre verão/inverno quanto sobre o caminhar por esforço. Segue-se o ensinamento de Rav Yehuda sobre o feixe de canas erguido e assentado repetidamente sem ser levantado do chão, que não gera responsabilidade por falta de verdadeira "retirada". A Guemará então examina a lei da soleira (askupá) entre o dono da casa e o pobre à porta — testando se é soleira de domínio público, de domínio privado, ou de carmelit, e rejeitando cada opção — até concluir que se trata de um lugar isento, por não ter quatro tefachim por quatro, citando o ensinamento paralelo de Rabi Yochanan sobre lugares que a multidão de ambos os domínios pode usar para descarregar cargas, contanto que não troquem objetos entre si. O daf fecha com a condição de que os três (dono da casa, pobre e intermediário na soleira) ficam isentos mesmo se trocarem indevidamente, e com o início de uma nova objeção à regra de Rava sobre quem transporta um objeto de início a fim de quatro amot no domínio público — cujo desfecho prossegue em Shabbat 9a.
(Se alguém) pretendeu repousar no domínio público, e depositou seu eiruv (de limites) num poço, acima de dez tefachim (de profundidade) — seu eiruv é válido. Abaixo de dez tefachim — seu eiruv não é válido.
Rav Adda bar Matna prossegue sua objeção a Rava (iniciada ao final de 8a) trazendo uma nova baraita, agora sobre o eiruv de limites (eiruv techumin). Quem deposita seu eiruv — comida suficiente para duas refeições — num certo lugar antes do Shabat, adquire ali sua "residência" para o Shabat, podendo caminhar dali dois mil amot em qualquer direção, como se ali tivesse literalmente repousado. A baraita trata de alguém que pretende ter sua residência sabática no domínio público, mas deposita seu eiruv dentro de um poço: se o eiruv for colocado a mais de dez tefachim de profundidade dentro do poço, é válido; se a menos de dez, não é válido. A Guemará buscará entender a razão dessa distinção.
"Pretendeu repousar no domínio público" — quem faz o eiruv de limites, seu eiruv lhe adquire ali sua residência, para que possa ir dali, em qualquer direção, dois mil (amot), como se ali tivesse repousado; e é necessário que ele pretenda adquirir sua residência num lugar onde possa comer ali seu eiruv, se quisesse comê-lo — pois é a partir disso que seu eiruv lhe é útil para adquirir residência, pois "o lugar do pão" é o que determina, já que ali a pessoa se vincula, ainda que esteja dentro da cidade quando o dia se santificou.
"Acima de dez tefachim, seu eiruv é válido" — pensa-se (a princípio) que ele pode retirá-lo no Shabat.
Como é o caso? Se dirias (que se trata) de um poço que tem (profundidade de) dez (tefachim), e "acima" (significa) que (alguém) ergueu (o eiruv) e o depositou (mais alto), e "abaixo" (significa) que (alguém) o baixou e o depositou (mais baixo) — que diferença há para mim entre "acima" e "abaixo"? (De qualquer forma,) ele está num lugar, e seu eiruv está em outro lugar.
A Guemará questiona a primeira leitura possível da baraita: se o poço tem exatamente dez tefachim de profundidade (sendo, portanto, domínio privado pleno do fundo até a borda), por que a validade do eiruv dependeria de estar acima ou abaixo dessa marca? Em qualquer dos dois casos, a pessoa (que pretende residir no domínio público, junto à borda do poço) está num domínio, e o eiruv, depositado dentro do poço — domínio privado —, está noutro domínio. A diferença de altura dentro do próprio poço não deveria alterar essa relação entre os dois domínios.
"Se dirias (que se trata) de um poço que tem dez" — (de) profundidade.
"E o que é 'acima', que ergueu e depositou" — que (alguém) o levantou e o depositou acima de dez tefachim a partir do fundo do poço.
"E o que é 'abaixo', que baixou e depositou" — que (alguém) o abaixou e o depositou nos dez (tefachim) inferiores. Por que (neste caso) seu eiruv não seria válido (sendo o poço de dez tefachim)? Eis que o poço é domínio privado, de sua borda para baixo, e tudo o que está depositado nele está depositado no domínio privado; e, uma vez que (a pessoa) pretendeu que sua residência fosse no domínio público, e não depositou seu eiruv na borda do poço, constata-se que ele está num lugar, e seu eiruv está em outro lugar, e ele não pode retirá-lo do domínio privado para o domínio público, para comê-lo.
Mas não é, acaso, (que se trata) de um poço que não tem (profundidade de) dez (tefachim, sendo portanto carmelit), e (a baraita) ensina (mesmo assim que, quando depositado acima,) seu eiruv é válido? Isso demonstra que uso por meio de esforço (ou aperto) se chama uso.
A Guemará conclui que a baraita deve tratar de um poço com menos de dez tefachim de profundidade — sendo, portanto, carmelit (domínio intermediário) inteiro, tanto acima quanto abaixo da marca interna que a baraita menciona. Ainda assim, a baraita distingue: se o eiruv foi depositado na parte de cima do espaço do poço (mais próxima da borda, onde o uso é fácil), é válido; se na parte de baixo (onde alcançá-lo exige descer e se esforçar), não é válido — pois ali não se considera que a pessoa realmente possa "usar" aquele lugar para comer seu eiruv, sendo um uso por meio de esforço. Isso contradiz diretamente a posição de Rava em 8a, que sustentava que "uso por meio de esforço não se chama uso" (a respeito da cova) — sendo esta, portanto, uma prova contra Rava.
"Mas não é, acaso" — este (termo) "acima de dez" que se ensina (refere-se) a um poço que não tem dez (tefachim de profundidade); e assim se ensina: se o fundo do poço está a menos de dez (tefachim da superfície, medindo-se do ponto de deposição), de modo que o espaço vazio do poço (daquele ponto para baixo) tem dez (tefachim, sendo domínio privado), seu eiruv não é válido, seja qual for o lugar onde ali foi depositado; e se o fundo do poço está acima de dez (tefachim da superfície, isto é, o eiruv foi posto no alto, deixando menos de dez tefachim de espaço abaixo dele), de modo que seu espaço vazio é menor que dez, seu eiruv é válido, e não se considera (esse lugar) como depositado em carmelit (inacessível) — o que demonstra que (esse) uso é considerado uso (válido) para a multidão.
Às vezes (a Guemará) muda (sua explicação, dizendo que) ele e seu eiruv (estão ambos) em carmelit; e por que a (baraita) a chama de "domínio público"? Porque ela não é domínio privado.
A Guemará apresenta uma segunda forma de entender a mesma baraita: talvez tanto a pessoa (que pretende repousar) quanto o eiruv (dentro do poço) estejam ambos em carmelit — a pessoa na borda do poço (que, num campo aberto, sem dez tefachim de profundidade, seria carmelit), e o eiruv dentro do próprio poço, também carmelit. Nesse caso, o termo "domínio público" usado pela baraita para descrever onde a pessoa pretende repousar não é tecnicamente preciso, mas é usado porque aquele lugar não é domínio privado — um uso impreciso, porém comum.
"Ele e seu eiruv em carmelit" — por exemplo, quando este poço estava num campo aberto, e (a pessoa) pretendeu repousar em sua borda; e o poço também, uma vez que não é fundo dez (tefachim), é carmelit.
"E por que (a baraita) a chama" — (de domínio público, quando ensina) "pretendeu repousar no domínio público".
"Porque não é domínio privado" — pois, se este poço estivesse num pátio, mesmo fundo dez (tefachim), seu eiruv seria válido (em qualquer parte dele, já que o pátio inteiro seria de uso fácil e contínuo).
E às vezes (a Guemará) muda (dizendo que) ele está no domínio público, e seu eiruv está em carmelit. E é (a opinião) de Rabi, que disse: toda coisa que é por causa de shevut (proibição rabínica, e não bíblica), não decretaram a seu respeito no crepúsculo.
Numa terceira variante de leitura, a pessoa está no domínio público propriamente dito, e o eiruv está em carmelit (o poço com menos de dez tefachim). Como retirar o eiruv da carmelit para o domínio público seria, normalmente, apenas uma proibição rabínica (shevut), e não bíblica, a Guemará explica que essa baraita segue a opinião de Rabi: os Sábios não estenderam seus decretos de shevut ao período do crepúsculo (bein hashmashot), que é um tempo de dúvida entre o dia e a noite — o momento exato em que se adquire a residência do eiruv. Por isso, naquele momento específico, seria permitido retirar o eiruv da carmelit, tornando-o válido.
"E às vezes muda" — "domínio público" foi ensinado com precisão, e o poço, sendo menos de dez (tefachim, é) carmelit, conforme dissemos que não se chama uso; e quanto ao que te é difícil, como ele poderia retirá-lo (dali) — necessariamente, a aquisição do eiruv se dá no crepúsculo, quando o dia se santifica, e este é (momento de) dúvida entre dia e noite.
"E é (a opinião) de Rabi" — que (ensina) em Eruvin (34b), que o shevut que os Sábios decretaram quanto às proibições do Shabat, não o decretaram senão no Shabat certo, e não no crepúsculo; portanto, (retirar) de carmelit para domínio público é apenas shevut, e no crepúsculo (a pessoa) é apta a retirá-lo dali e comê-lo; por isso adquire o eiruv.
E não digas que (a Guemará, com essas explicações alternativas,) está apenas rejeitando (a prova) por ti; antes, digo-te (que a prova é) precisa. Pois ensinamos (na Mishná): se havia uma poça rasa de água, e o domínio público caminha por ela, quem lança para dentro dela (um objeto que percorre) quatro amot — é responsável. E quanto (mede) uma poça rasa de água? Menos de dez tefachim. E uma poça rasa de água por onde o domínio público caminha, quem lança para dentro dela (um objeto que percorre) quatro amot — é responsável.
A Guemará esclarece que, apesar de ter oferecido explicações alternativas para a baraita do poço, isso não significa que a primeira explicação (prova de que "uso por meio de esforço se chama uso") tenha sido descartada por mera dificuldade — trata-se de uma prova válida e precisa, confirmada por uma Mishná independente sobre a poça rasa de água (rekek). Essa Mishná ensina que uma poça de água com menos de dez tefachim de profundidade, por onde o domínio público efetivamente caminha (apesar da água), é tratada como domínio público pleno: quem lança um objeto que nela pousa, percorrendo quatro amot, é responsável — exatamente como se tivesse lançado no domínio público seco.
"Não estou te rejeitando, mas digo-te (algo) preciso" — que (esse uso) não se chama uso (de fato) para a multidão (no segundo caso; a prova permanece firme quanto ao primeiro).
"Poça rasa" — (em francês antigo,) gravela, e águas boiam sobre ela.
"E o domínio público caminha por ela" — que passam por aquela poça rasa com seus pés.
Está bem (explicar) por que (a Mishná repete) "poça rasa", "poça rasa" duas vezes — uma (referindo-se) aos dias de calor, e outra aos dias de chuva. E (ambas) são necessárias: pois se nos tivesse ensinado (apenas) nos dias de calor, (diríamos que é) porque as pessoas costumam refrescar-se (entrando na água), mas nos dias de chuva, diria eu que não (caminham por ali voluntariamente). E se nos tivesse ensinado (apenas) nos dias de chuva, (diríamos que é) porque, estando (o caminho já) sujo, (a pessoa) se dispõe e desce (à poça sem se importar), mas nos dias de calor, diria eu que não. (Por isso) ambas são necessárias.
A Guemará explica a razão pela qual a Mishná parece repetir a mesma lei duas vezes com quase as mesmas palavras: a primeira menção trata do verão, quando as pessoas atravessam a poça de bom grado, para se refrescarem do calor — daí não se poderia necessariamente aprender o caso do inverno, quando talvez evitassem a água fria. A segunda menção trata do inverno, quando as pessoas atravessam porque o caminho já está enlameado e sujo de qualquer forma — daí não se poderia aprender o caso do verão, quando talvez preferissem desviar para não se molharem. Por isso, ambas as situações precisavam ser ensinadas separadamente.
Mas por que (a Mishná repete) "caminha" duas vezes? Antes, não se aprende daí que caminhar por meio de esforço se chama caminhar, (mas) uso por meio de esforço não se chama uso? Aprende-se daí.
Depois de justificar a repetição de "poça rasa" (uma vez para o verão, outra para o inverno), a Guemará ainda nota que a expressão "por onde o domínio público caminha" também aparece duas vezes — e essa repetição não seria necessária apenas para distinguir verão de inverno. Conclui-se, então, que essa segunda repetição vem ensinar uma lei própria: que "caminhar por meio de esforço" (atravessar uma poça de água com dificuldade, molhando os pés) ainda se chama "caminhar" válido, suficiente para tornar aquele lugar equiparado ao domínio público. Isso confirma, por comparação, o princípio inverso levantado antes: que "uso por meio de esforço" (como descer a uma cova para descarregar uma carga) não se chama "uso" — pois, se fosse o mesmo, a Mishná não precisaria enfatizar separadamente que o caminhar, mesmo com esforço, ainda conta como uso pleno.
"Mas por que 'caminha' duas vezes" — que ensinasse na cláusula final apenas "e uma poça rasa de água que está no domínio público, quem lança para dentro dela é responsável" (sem repetir "o domínio público caminha por ela"). "O domínio público caminha por ela", para nos ensinar que se exige que haja necessidade para a multidão, por que (repetir)? Eis que da cláusula inicial já aprendemos isso! Mas, por isso, (a Mishná) a repetiu, precisamente para (ensinar) que há caminhar para a multidão — pois, ainda que seja por meio de esforço, chama-se caminhar; mas se fosse necessidade da multidão apenas para (outro tipo de) uso, não se consideraria domínio para a multidão.
Disse Rav Yehuda: este feixe de canas, (se alguém o) lança e o levanta, (e de novo o) lança e o levanta — não é responsável até que o retire (verdadeiramente do chão).
Rav Yehuda ensina sobre um feixe pesado de canas compridas, transportado no domínio público por alguém que não consegue arrastá-lo inteiramente pelo chão: em vez disso, a pessoa inclina uma ponta para frente, apoia-a no chão, e então levanta e desloca a outra ponta, repetindo o movimento — como um compasso, sem nunca erguer o feixe inteiro do chão de uma só vez. Rav Yehuda esclarece que esse método de transporte, por mais amot que percorra, não constitui "retirada" (akirá) válida para os efeitos da proibição de transportar no Shabat, pois o feixe nunca é verdadeiramente levantado do chão como um todo — permanecendo sempre parcialmente apoiado.
"Feixe de canas" — um pacote de canas compridas.
"Lança e levanta, lança e levanta" — (alguém) o conduziu muitas amot no domínio público desta maneira, sem levantá-lo inteiramente do chão, mas (apenas) o ergueu (de uma ponta) e o lançou (adiante), e voltou a erguê-lo e a lançá-lo — isto não é (considerado) retirada.
Disse o Mestre: uma pessoa fica em pé na soleira, recebe do dono da casa e (lhe) dá (ao pobre), recebe do pobre e (lhe) dá (ao dono da casa). Esta soleira, o que é (ela)?
A Guemará retoma um ensinamento anterior (citado desde a Mishná de 2a, sobre o pobre à porta e o dono da casa) sobre uma terceira pessoa que fica de pé sobre a soleira (askupá) da porta, servindo de intermediário: recebe um objeto das mãos do dono da casa (dentro de casa, domínio privado) e o entrega ao pobre (na rua, domínio público), e vice-versa — sem que isso gere responsabilidade para nenhum dos três, pois cada um apenas transfere para dentro do mesmo domínio onde se encontra a soleira. A Guemará agora investiga: a que tipo de soleira essa lei se refere — de domínio público, de domínio privado, ou de carmelit?
Se dirias (que se trata de) soleira de domínio público — (como poderia) receber do dono da casa? Eis que (isso seria) retirar do domínio privado para o domínio público!
A Guemará testa a primeira possibilidade: se a soleira fosse considerada parte do domínio público, então, quando o intermediário recebe um objeto das mãos do dono da casa (que está dentro de casa, no domínio privado) e o segura sobre a soleira, isso constituiria transportar um objeto do domínio privado para o domínio público — uma violação plena da lei do Shabat, contradizendo a afirmação de que os três ficam isentos.
"Soleira de domínio público" — por exemplo, a soleira de um beco que não tem teto sobre ela, e não é alta três (tefachim) do chão, e o poste lateral do beco está para dentro dela (isto é, a soleira fica do lado de fora do poste, já no domínio público).
Mas então (dirias que se trata de) soleira de domínio privado — (como poderia) receber do pobre? Eis que (isso seria) trazer do domínio público para o domínio privado!
A Guemará testa a segunda possibilidade: se a soleira fosse parte do domínio privado (da casa), então, quando o intermediário recebe um objeto das mãos do pobre (que está na rua, domínio público) e o segura sobre a soleira, isso constituiria trazer um objeto do domínio público para o domínio privado — novamente uma violação plena.
"Domínio privado" — por exemplo, (a soleira) que está sob o teto, ou para dentro do poste lateral, ou (que) é alta dez (tefachim) e larga quatro.
Mas então (dirias que se trata de) soleira de carmelit — (mas mesmo que se pudesse dizer que) recebe e dá de início (licitamente), ao final das contas, há ainda proibição (pelo menos rabínica)!
A Guemará testa a terceira possibilidade: se a soleira fosse carmelit (nem quatro tefachim de largura, nem dez de altura completos, um domínio intermediário instituído por decreto rabínico). Ainda que, tecnicamente, transportar de domínio privado ou público para a carmelit seja apenas proibição rabínica (e não bíblica), a Guemará objeta que mesmo essa proibição rabínica deveria, a rigor, impedir que se fizesse isso "de início" (lechatchilá) — contradizendo a afirmação de que essa prática é normal e sem problema algum.
"Soleira de carmelit" — não é alta dez (tefachim), mas (apenas) larga quatro. Como (a Guemará) poderia ensinar que (o intermediário) recebe de início (licitamente)? Ao final das contas, há proibição rabínica!
Antes, a soleira é apenas um lugar isento — por exemplo, quando não tem (a medida de) quatro por quatro (tefachim). E é como aquilo que, quando veio Rav Dimi, disse (em nome de) Rabi Yochanan: um lugar que não tem quatro por quatro tefachim — é permitido aos que estão no domínio privado e aos que estão no domínio público descarregarem (cargas dos) ombros sobre ele, contanto que não troquem.
A Guemará chega à conclusão correta: a soleira em questão é um lugar isento (mekom petur) — um espaço pequeno demais (menos de quatro tefachim por quatro) para ser considerado domínio próprio de qualquer tipo, mesmo que tenha dez tefachim de altura. Por não ser nem domínio privado, nem domínio público, nem carmelit, transportar de ou para ele não gera responsabilidade bíblica nem proibição rabínica. Isso é confirmado pelo ensinamento paralelo de Rabi Yochanan (transmitido por Rav Dimi): qualquer lugar sem essa medida mínima de área é permitido tanto aos moradores do domínio privado quanto aos do domínio público para descarregarem objetos carregados nos ombros — desde que não troquem diretamente entre si (isto é, que cada lado apenas deposite e retire de seu próprio lado, sem fazer do lugar isento uma ponte de transferência intencional entre os dois domínios).
"E lugar isento" — um lugar que não tem quatro por quatro (tefachim) é um lugar delimitado, que tem um topo um pouco largo, e é alto três (tefachim), e está situado junto ao domínio privado e ao domínio público; e assim (a Guemará) o estabelece em Eruvin, (referindo-se a um lugar) alto três (tefachim, no mínimo, para ser considerado um domínio distinto do chão por lavud).
"Contanto que não troquem" — e assim também se ensina acima: contanto que (o intermediário) não receba do pobre e dê ao dono da casa (diretamente, sem que cada objeto passe pelo lugar isento como depósito distinto).
Disse o Mestre: contanto que (o intermediário) não receba do dono da casa e dê ao pobre, (ou) do pobre e dê ao dono da casa. E se recebeu e deu (diretamente, ainda assim) os três são isentos. Diríamos que (isso) seria uma refutação de Rava? Pois Rava disse: quem transporta um objeto do início de quatro (amot) até o final de quatro (amot) no domínio público — ainda que o tenha transportado (— o texto prossegue em Shabbat 9a).
A Guemará conclui a citação do ensinamento sobre a soleira: mesmo que o intermediário viole a condição e transfira diretamente do dono da casa para o pobre (ou vice-versa) — sem tratar o lugar isento como um depósito e uma retirada distintos —, ainda assim os três (dono da casa, intermediário e pobre) permanecem isentos, pois o objeto, em algum momento, passou por um lugar isento, que não pertence a nenhum dos dois domínios principais. A Guemará então levanta a possibilidade de que essa regra refute a posição de Rava sobre quem transporta um objeto inteiramente dentro do domínio público, de um ponto a outro dentro de quatro amot — mas o texto se interrompe exatamente no meio dessa nova objeção, prosseguindo sem interrupção temática logo no início de Shabbat 9a.