Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Alef
שְׁדִי נוֹפוֹ בָּתַר עִיקָּרוֹ

Abaie explica a disputa de Rabi e os Sábios pela árvore de galho pendente, a cesta de abelhas e sua largura, a cesta virada de boca para baixo, a coluna de nove tefachim de Ulla, a cova de Abaie e Rav Yossef, e a objeção de Rav Adda bar Matna

Shabbat 8a — a explicação de Abaie de que todos concordam com Rav Chisda quanto ao domínio privado propriamente dito, e que a disputa de Rabi e os Sábios (citada ao final de 7b) trata, na verdade, de uma árvore que está no domínio privado mas cujo galho se inclina para o domínio público, e se "jogamos o galho atrás do tronco"; o ensinamento de Abaie sobre quem lança uma cesta de abelhas ao domínio público, alta dez tefachim, e a disputa quanto à largura de seis tefachim entre Abaie e Rava; o caso da cesta virada de boca para baixo, com sete tefachim e um pouco, ou sete e meio, e a disputa de Rav Ashi; o ensinamento de Ulla sobre a coluna de nove tefachim no domínio público sobre a qual a multidão descarrega cargas nos ombros; a pergunta de Abaie a Rav Yossef sobre a cova, respondida que é como a coluna, e a discordância de Rava quanto à cova; e o fechamento com a objeção de Rav Adda bar Matna a Rava a partir da baraita da cesta pousada no domínio público, alta dez e larga quatro, e a resposta de que a baraita se refere ao caso inicial, não ao final — terminando com uma nova objeção cujo conteúdo prossegue em Shabbat 8b.

O daf abre com Abaie explicando a disputa de Rabi e os Sábios (citada ao final de 7b, sobre lançar um objeto que pousa sobre um saliente qualquer que seja seu tamanho): quanto ao domínio privado propriamente dito, ninguém discorda de Rav Chisda — todos concordam que ele se eleva até o céu, e não se exige um lugar de quatro tefachim para haver deposição. A disputa real é sobre uma árvore que está fincada no domínio privado, mas cujo galho se inclina e se estende sobre o domínio público: se alguém lança um objeto do domínio público e este pousa sobre o galho, Rabi sustenta que "jogamos o galho atrás do tronco" — isto é, tratamos o galho como pertencente ao domínio privado de onde a árvore nasce, mesmo pairando sobre o domínio público —, e os Sábios discordam. Seguem-se então os ensinamentos de Abaie sobre a cesta de abelhas lançada ao domínio público: se é alta dez tefachim mas não larga seis, quem lança e o objeto pousa em cima dela é responsável (pois não é considerada domínio à parte); se é larga seis, é isento. Rava discorda, isentando mesmo sem seis tefachim de largura, pois as fissuras da trama da cana sempre se elevam acima de dez. Segue-se o caso da cesta virada de boca para baixo, com a disputa sobre sete tefachim e um pouco (responsável) versus sete e meio (isento, segundo a Guemará; mas Rav Ashi discorda e responsabiliza mesmo com sete e meio, por causa das paredes voltadas para dentro). Ulla ensina sobre uma coluna de nove tefachim no domínio público, sobre a qual a multidão costuma descarregar cargas dos ombros — sendo, por isso, equiparada ao domínio público quanto à deposição. Abaie pergunta a Rav Yossef sobre uma cova de profundidade semelhante, e recebe a mesma resposta; mas Rava discorda quanto à cova, distinguindo-a pela dificuldade de seu uso. O daf fecha com a objeção de Rav Adda bar Matna a Rava, a partir de uma baraita sobre uma cesta pousada no domínio público, alta dez e larga quatro tefachim — respondida que a baraita fala do caso inicial (a cesta alta e larga), não do caso final (a cova) —, e com o início de uma nova objeção, cujo texto prossegue em Shabbat 8b.

Abaie esclarece a disputa: a árvore com o galho pendente · אִילָן הָעוֹמֵד בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד

01Abaie: no domínio privado propriamente dito, ninguém discorda de Rav Chisda; a disputa é sobre a árvore
Abaie; Rabi; os Sábios
אָמַר אַבָּיֵי: בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד דְּכוּלֵּי עָלְמָא לָא פְּלִיגִי כִּדְרַב חִסְדָּא, אֶלָּא הָכָא — בְּאִילָן הָעוֹמֵד בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד וְנוֹפוֹ נוֹטֶה לִרְשׁוּת הָרַבִּים, וְזָרַק וְנָח אַנּוֹפוֹ, דְּרַבִּי סָבַר אָמְרִינַן ״שְׁדִי נוֹפוֹ בָּתַר עִיקָּרוֹ״. וְרַבָּנַן סָבְרִי לָא אָמְרִינַן ״שְׁדִי נוֹפוֹ בָּתַר עִיקָּרוֹ״.

Disse Abaie: quanto ao domínio privado (propriamente dito), todos não discordam (e concordam) com Rav Chisda; mas aqui (a disputa de Rabi e os Sábios trata) de uma árvore que está no domínio privado, e seu galho se inclina para o domínio público, e (alguém) lançou (um objeto do domínio público) e (este) pousou sobre seu galho — que Rabi sustenta: dizemos "joga-se seu galho atrás de seu tronco". E os Sábios sustentam: não dizemos "joga-se seu galho atrás de seu tronco".

Nota

Abaie esclarece que a disputa entre Rabi e os Sábios, citada ao final de 7b a respeito de um objeto que pousa sobre um saliente de qualquer tamanho, não é sobre o domínio privado propriamente dito — pois quanto a este, ninguém discorda da regra de Rav Chisda de que ele se eleva até o céu, e mesmo um lugar mínimo, sem quatro tefachim de largura, conta como deposição válida. A disputa real trata de uma árvore fincada no domínio privado, mas cujo galho se inclina e se estende para fora, pairando sobre o domínio público. Quando um objeto lançado do domínio público pousa sobre esse galho, pergunta-se se ele deve ser tratado segundo o domínio de onde a árvore nasce (o domínio privado, "atrás de seu tronco") ou segundo o espaço aéreo onde de fato se encontra (o domínio público). Rabi sustenta o princípio de "jogar o galho atrás do tronco" — atribuindo ao galho o mesmo domínio da raiz, mesmo que ele paire sobre outro domínio —, e por isso responsabiliza quem lançou; os Sábios rejeitam esse princípio e isentam.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "e seu galho se inclina para o domínio público, e lançou" e "joga-se seu galho, etc."
ונופו נוטה לרה"ר וזרק - מתחילת ד' לסוף ד' ונח אנופו:

"E seu galho se inclina para o domínio público, e lançou" — (um objeto que percorre) do início de quatro (amot) até o final de quatro (amot), e (este) pousou sobre seu galho.

שדי נופו כו' - דחשיב אגב עיקרו דאית ביה ד' ודרב חסדא דלא כרבי ודלא כרבנן לישנא אחרינא אמר אביי בדרב חסדא דהוי ברה"י אפי' רבנן מודו וכי פליגי רבנן בשדי נופו בתר עיקרו הוא דפליגי:

"Joga-se seu galho" etc. — pois (o galho) é considerado (pertencente ao domínio privado) em virtude de seu tronco, que tem nele quatro (tefachim de largura); e (a regra) de Rav Chisda não é como Rabi nem como os Sábios. (Segundo) outra versão: disse Abaie, quanto (à regra) de Rav Chisda, que (trata) do que está no domínio privado, até os Sábios concordam; e quando os Sábios discordam, é sobre "joga-se seu galho atrás de seu tronco" que discordam.

A cesta de abelhas lançada ao domínio público · כַּוֶּורֶת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים

02Abaie: cesta alta dez, não larga seis — responsável; larga seis — isento
Abaie
אָמַר אַבָּיֵי: זָרַק כַּוֶּורֶת לִרְשׁוּת הָרַבִּים, גְּבוֹהָה עֲשָׂרָה וְאֵינָהּ רְחָבָה שִׁשָּׁה — חַיָּיב. רְחָבָה שִׁשָּׁה — פָּטוּר.

Disse Abaie: (quem) lançou uma cesta (de abelhas) ao domínio público, (e ela é) alta dez (tefachim) e não larga seis (tefachim, e o objeto lançado pousou em cima dela) — é responsável. (Se é) larga seis — é isento.

Nota

Abaie discute o caso de uma cesta cilíndrica usada para abelhas, lançada e depositada no domínio público, com dez tefachim de altura. Se sua largura (diâmetro) não chega a seis tefachim — o suficiente para que, ao quadrar o círculo internamente, se encontrem quatro tefachim por quatro tefachim de área útil —, ela não é considerada um domínio à parte, e por isso um objeto que pousa sobre seu topo é tratado como tendo pousado no próprio domínio público: quem o lançou é responsável. Mas se a cesta é larga seis tefachim (medida que, por causa da geometria do círculo, corresponde a quatro tefachim de área quadrada útil), ela se torna domínio privado pleno por si mesma, e o objeto que pousa em seu topo é isento, pois foi lançado do domínio público para o domínio privado sem intenção de ali depositá-lo dentro dos limites da lei.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "cesta", "alta dez" e "larga seis — isento"
כוורת - עגולה היא:

"Cesta" — ela é redonda.

גבוהה י' - כלומר אפי' גבוהה י' אם אינה רחבה ו' באמצעיתה חייב דאכתי חפץ בעלמא הוא ואינה רשות לעצמה דלא הוי רשות דאוריי' אלא גבוהה י' ורחבה ד' על ד' כדאמרי' בעירובין (דף נא.) דכל שיעורין דשבת צריך הן ואלכסונן ודבר עגול כי מרבעת לה מתוכו ומפקע עיגול שסביב הריבוע לא משכחת ביה ד' מרובעים אי לא הוי עיגולו קרוב לששה כדאמרינן גבי סוכה העשויה ככבשן (סוכה פ"א דף ז:) דעל כרחיך צריך שתמצא בתוכו אלכסון של ד' על ד' וכל טפח בריבועו טפח ותרי חומשי באלכסונו הרי ה' טפחים וג' חומשין ואביי לא דק ולחומרא הוא דלא דק ולהפרישו מאיסור שבת אף ע"ג דיש כאן אלכסון באינה רחבה ששה מחייב ליה מדרבנן עד דאיכא ששה אבל ודאי לענין קרבן לא מייתי אי הויא ה' טפחים וג' חומשין דהוי כזורק רשות:

"Alta dez" — isto é, mesmo alta dez, se não é larga seis em seu meio, é responsável, pois ainda é apenas um objeto qualquer, e não é domínio à parte, pois o domínio (privado, para efeitos) da Torá não existe senão (quando é) alto dez e largo quatro por quatro, conforme dizemos em Eruvin (51a), que todas as medidas do Shabat precisam (ser contadas) com sua diagonal; e uma coisa redonda, quando se a quadra por dentro e se retira o círculo que sobra ao redor do quadrado, não se encontram nela quatro (tefachim) quadrados, a menos que seu círculo seja próximo de seis, conforme dizemos a respeito da suca feita como um forno (Suca, cap. 1, 7b): que necessariamente se precisa encontrar nela uma diagonal de quatro por quatro, e cada tefach em seu quadrado (equivale a) um tefach e dois quintos em sua diagonal, o que dá cinco tefachim e três quintos; e Abaie não foi preciso, e (foi) para a estringência que não foi preciso, para afastá-lo da proibição do Shabat, ainda que haja aqui diagonal quando não é larga seis, responsabiliza-o (apenas) por decreto rabínico até que haja seis; mas certamente, quanto ao sacrifício (expiatório), não o traz se (a medida) for de cinco tefachim e três quintos, pois seria (considerado) como quem lança (dentro de um) domínio.

רחבה ו' פטור - דהוי רשות לעצמה ואנן ממשכן גמרינן שהיו זורקין מחטיהן במלאכתן זה לזה ולא היו זורקין רשויות וא"ת בדלא גבוהה עשרה נמי רשות לעצמה היא דהא שמה כרמלית ההיא לאו מדאורייתא הוה רשות אלא מדרבנן ולא להקל על דברי תורה בא כגון זו שיפטר מחטאת:

"Larga seis — isento" — pois é domínio à parte, e nós aprendemos do Tabernáculo que lançavam suas agulhas em sua obra uma para a outra, e não lançavam (entre) domínios (diferentes, e por isso é isento quando o objeto pousa dentro de um domínio à parte). E se dirias (que) também quando não é alta dez é domínio à parte, pois seu nome é carmelit — aquele (domínio, a carmelit,) não é domínio (instituído) pela Torá, senão por decreto rabínico, e não veio para aliviar as palavras da Torá, como este caso, que (alguém) seja isento do sacrifício expiatório.

03Rava discorda: mesmo sem seis de largura, isento — por causa das fissuras da cana
Rava
רָבָא אָמַר: אֲפִילּוּ אֵינָהּ רְחָבָה שִׁשָּׁה — פָּטוּר. מַאי טַעְמָא? — אִי אֶפְשָׁר לִקְרוּמִיּוֹת שֶׁל קָנֶה שֶׁלֹּא יַעֲלוּ לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה.

Rava disse: mesmo (que) não seja larga seis — é isento. Qual é a razão? É impossível que as fissuras (salientes) da cana (trançada) não se elevem acima de dez.

Nota

Rava discorda de Abaie e isenta mesmo quando a cesta não tem seis tefachim de largura. Sua razão: uma cesta trançada de canas (vime) nunca tem uma superfície perfeitamente lisa em seu topo — é inevitável que algumas das pontas ou fissuras da trama se projetem para cima, ultrapassando a marca de dez tefachim de altura. Como o objeto lançado pousa, na prática, sobre essas saliências que já estão acima de dez tefachim (onde não há domínio público, como estabelecido em 7b), quem o lançou é isento, independentemente da largura da cesta.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "é impossível", etc.
אי איפשר - הואיל וגבוהה י' שלא יהא בה קרומיות מן השתי שגבוהים מחבריהם של ערב ועולין למעלה מי' שהוא אויר מקום פטור וכיון דלא ניחא כולה ברה"ר לא הויא הנחה לאיחיובי:

"É impossível" — visto que (a cesta) é alta dez, que não haja nela fissuras da urdidura, que são mais altas que suas companheiras da trama, e se elevam acima de dez, que é ar de lugar isento; e, uma vez que (o objeto) não pousa inteiramente no domínio público, não é (considerada) deposição para responsabilizar.

04A cesta virada de boca para baixo: sete e pouco — responsável; sete e meio — isento
A Guemará
כְּפָאָהּ עַל פִּיהָ, שִׁבְעָה וּמַשֶּׁהוּ — חַיָּיב. שִׁבְעָה וּמֶחֱצָה — פָּטוּר.

(Se alguém) virou-a (a cesta) de boca para baixo (e ela mede) sete (tefachim) e um pouco (de altura, o objeto que pousa em cima dela responsabiliza quem o lançou; se mede) sete (tefachim) e meio — é isento.

Nota

A Guemará trata do caso em que a cesta, ao invés de ficar em pé com a boca para cima, é virada de boca para baixo, apoiando-se sobre a borda de sua abertura. Como o material da cesta tem espessura, e a lei de "lavud" (dois objetos a menos de três tefachim de distância são considerados unidos) se aplica dentro dos três tefachim próximos ao chão, uma cesta de sete tefachim e um pouco de altura (medida da borda ao fundo) ainda é tratada como se tivesse pousado inteiramente dentro do domínio público — por isso quem lançou o objeto sobre ela é responsável. Mas se ela tem sete tefachim e meio, a diferença já é suficiente para que, mesmo aplicando "lavud" nos três tefachim inferiores, o restante do corpo da cesta (e o objeto que pousa em seu topo) fique acima de dez tefachim — sendo então isento.

05Rav Ashi discorda: mesmo sete e meio — responsável, pois as paredes são feitas para dentro
Rav Ashi
רַב אָשֵׁי אָמַר: אֲפִילּוּ שִׁבְעָה וּמֶחֱצָה — חַיָּיב. מַאי טַעְמָא? — מְחִיצּוֹת לְתוֹכָן עֲשׂוּיוֹת.

Rav Ashi disse: mesmo (que meça) sete (tefachim) e meio — é responsável. Qual é a razão? As paredes são feitas para dentro delas (mesmas, e não se aplica a elas o princípio de "lavud" nesse sentido).

Nota

Rav Ashi discorda e responsabiliza mesmo quando a cesta virada mede sete tefachim e meio. Sua razão: o princípio de "lavud" (que uniria os três tefachim inferiores da cesta virada ao chão, reduzindo a altura efetiva) aplica-se apenas às paredes de um recipiente que foram feitas para conter algo em seu interior — como as paredes da cesta em sua posição normal, de boca para cima, destinadas a guardar as abelhas dentro. Mas quando a cesta é virada de boca para baixo, as paredes já não estão "feitas para dentro" no sentido relevante, e por isso não se lhes aplica o princípio de lavud da mesma forma — o objeto que pousa em cima permanece, para efeitos práticos, associado ao domínio público, responsabilizando quem o lançou.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "virou-a de boca para baixo", "sete e um pouco — responsável" e "mas sete e meio, etc."
כפאה על פיה - וזרקה אאינה רחבה ו' קאי:

"Virou-a de boca para baixo" — e (o caso de) "lançou-a" refere-se a (quando) não é larga seis.

ז' ומשהו חייב - אם גבוהה ז' ומשהו עדיין חייב וכ"ש פחותה מכן אלא אפילו גבוהה ז' ומשהו דאיכא למימר הואיל ומחיצותיה למטה וקיי"ל הלכה למשה מסיני דאמרינן לבוד אכתי כולה ניחא ברה"ר דכי מטיא פחות מג' סמוך לקרקע ואמר בהן לבוד והויא הנחה אכתי כולה באויר רה"ר היא וחייב:

"Sete e um pouco — responsável" — se (a cesta virada) é alta sete (tefachim) e um pouco, ainda é responsável, e tanto mais (se for) menor que isso; mas mesmo (sendo) alta sete e um pouco, há lugar para dizer que, uma vez que suas paredes (chegam) até embaixo, e estabelecemos (a regra, que é) lei transmitida a Moisés no Sinai, que dizemos "lavud", ainda toda ela pousa no domínio público, pois quando (a parte inferior) chega a menos de três (tefachim) próximo ao chão, e dizemos delas "lavud", (o objeto que pousa em cima) ainda está, inteiramente, no ar do domínio público, e é responsável.

אבל גבוה ז' ומחצה - וה"ה לשני משהויין פטור דמכי מטא לפחות משלשה סמוך לקרקע אמרינן לבוד במחיצותיה והרי היא כמונחת נמצאו שוליה למעלה מעשרה ואינה נוחה כולה ברה"ר ובשלא כפאה ליכא למימר לבוד דלא אמרינן לבוד אלא במחיצות והא מילתא בין לאביי בין לרבא דאביי נמי מודה דבעינן הנחה כולה ברשות הרבים אלא דאביי לא חשיב קרומיות אבל בהא מודה דבלא קרומיות איתא למעלה מי':

"Mas (se é) alta sete e meio" — e o mesmo vale para dois "um pouco" (a mais) — é isento, pois, assim que (a parte inferior) chega a menos de três próximo ao chão, dizemos "lavud" quanto às suas paredes, e ela é como se estivesse pousada (no chão); encontram-se então seu fundo (e o topo) acima de dez, e (o objeto) não pousa inteiramente no domínio público. E quando não a viraram, não há lugar para dizer "lavud", pois não dizemos "lavud" senão quanto a paredes; e esta questão (vale) tanto para Abaie quanto para Rava, pois Abaie também concorda que exigimos deposição inteiramente no domínio público — mas Abaie não considera as fissuras (salientes, ao contrário de Rava); porém nisto (Abaie) concorda, que sem as fissuras (a cesta) estaria acima de dez.

לתוכן עשויות - להניח בהן דבש ולא לכופן כלפי מטה הלכך אין כאן תורת לבוד:

"São feitas para dentro delas" — para colocar nelas mel, e não para virá-las para baixo; portanto, não há aqui a lei de "lavud".

A coluna de Ulla e a cova de Abaie e Rav Yossef · עַמּוּד תִּשְׁעָה בִּרְשׁוּת הָרַבִּים

06Ulla: a coluna de nove tefachim sobre a qual a multidão descarrega cargas dos ombros
Ulla
אָמַר עוּלָּא: עַמּוּד תִּשְׁעָה בִּרְשׁוּת הָרַבִּים וְרַבִּים מְכַתְּפִין עָלָיו, וְזָרַק וְנָח עַל גַּבָּיו — חַיָּיב. מַאי טַעְמָא? — פָּחוֹת מִשְּׁלֹשָׁה מִדְרָס דָּרְסִי לֵיהּ רַבִּים. מִשְּׁלֹשָׁה וְעַד תִּשְׁעָה — לָא מִדְרָס דָּרְסִי לֵיהּ וְלָא כַּתּוֹפֵי מְכַתְּפִי. תִּשְׁעָה וַדַּאי מְכַתְּפִין עִילָּוֵיהּ.

Disse Ulla: (havendo) uma coluna de nove (tefachim de altura) no domínio público, e a multidão (costuma) descarregar (cargas dos) ombros sobre ela, e (alguém) lançou (um objeto do domínio público) e (este) pousou sobre seu topo — é responsável. Qual é a razão? (Uma coluna) menos de três (tefachim de altura), a multidão a pisa (como parte do chão). De três até nove, não a pisam (por pisada comum), nem (costumam) descarregar (cargas) dos ombros (sobre ela). (De) nove, certamente descarregam (cargas) dos ombros sobre ela.

Nota

Ulla ensina sobre uma coluna de nove tefachim de altura situada no domínio público, alta o bastante para que a multidão costume usá-la como apoio conveniente para descarregar cargas carregadas nos ombros — um uso comum e habitual do domínio público. Por causa desse uso frequente, a coluna é equiparada ao próprio domínio público (e não tratada como domínio à parte), de modo que um objeto lançado que pousa sobre seu topo é considerado como tendo pousado no domínio público, responsabilizando quem o lançou. Ulla explica a gradação: uma coluna com menos de três tefachim de altura é simplesmente pisada pela multidão como parte do chão (por causa da lei de "lavud", que a une ao solo); uma entre três e nove tefachim não serve nem para ser pisada, nem é alta o suficiente para apoio de descarga de ombros — sendo, portanto, apenas um objeto isolado, sem uso definido; mas a partir de nove tefachim, é exatamente a altura conveniente para se apoiar uma carga ao descarregá-la do ombro, e por isso a multidão a utiliza dessa forma regularmente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "nove", "e lançou" e "descarregam sobre ela"
תשעה - דוקא נקט דחזי לכתופי דאינו לא גבוה ולא נמוך:

"Nove" — (a medida de) precisamente (nove tefachim) foi mencionada, pois é apropriada para descarregar (cargas) dos ombros, já que não é nem alta (demais) nem baixa (demais).

וזרק - מתחלת ד' לסוף ד':

"E lançou" — (um objeto que percorre) do início de quatro (amot) até o final de quatro (amot).

מכתפי עילויה - וכיון דצריך לרבים רה"ר הוא בין רחב בין קצר:

"Descarregam sobre ela" — e, uma vez que é necessária à multidão, é domínio público, seja larga, seja estreita.

07Abaie pergunta a Rav Yossef sobre a cova; Rava discorda quanto à cova
Abaie; Rav Yossef; Rava
אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי לְרַב יוֹסֵף: גּוּמָּא מַאי? אֲמַר לֵיהּ: וְכֵן בְּגוּמָּא. רָבָא אָמַר: בְּגוּמָּא לָא. מַאי טַעְמָא? — תַּשְׁמִישׁ עַל יְדֵי הַדְּחָק לָא שְׁמֵיהּ תַּשְׁמִישׁ.

Disse-lhe Abaie a Rav Yossef: (e quanto a uma) cova, o que (se diz)? Disse-lhe: e o mesmo (vale) quanto à cova. Rava disse: quanto à cova, não. Qual é a razão? Uso por meio de esforço (ou aperto) não se chama uso.

Nota

Abaie pergunta a Rav Yossef se a mesma regra da coluna de Ulla (nove tefachim, equiparada ao domínio público por seu uso conveniente) se aplica também a uma cova de profundidade equivalente no domínio público — isto é, se a multidão também costuma usar suas bordas ou seu fundo de modo comparável. Rav Yossef responde que sim, a mesma regra vale para a cova. Mas Rava discorda especificamente quanto à cova, distinguindo-a da coluna: descer a uma cova (ou usá-la de algum modo) para descarregar uma carga é um uso feito "por meio de esforço" ou aperto — incômodo e forçado —, e um uso desse tipo não é considerado "uso" verdadeiro e habitual. Por isso, ao contrário da coluna, a cova não é equiparada ao domínio público, permanecendo antes como domínio à parte (carmelit ou lugar isento, conforme sua largura).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "cova", "o que (se diz)" e a versão do ensinamento de Rava
גומא - עמוקה ט':

"Cova" — profunda nove (tefachim).

מאי - גבי רה"י דעשרה תניא לעיל (שבת דף ו.) עומקה כגובהה דקתני חריץ עמוק י' ורחב ד' רשות היחיד הכא מאי אי אמרי' מנחי ביה בני רה"ר חפצים שבידם עד דהדרי ואתו דרך שם ושקלי ליה ונמצא שצריכים לו רבים הלכך רשות הרבים הוא:

"O que (se diz)" — a respeito do domínio privado de dez (tefachim), foi ensinado acima (Shabbat 6a) que sua profundidade é como sua altura, pois se ensina: uma vala profunda dez (tefachim) e larga quatro é domínio privado. Aqui, o que (se diz, quanto a nove tefachim de profundidade)? Se dizemos que os que estão no domínio público depositam nela os objetos que têm em mãos, até que voltem e venham por aquele caminho e os retirem, e assim se constata que a multidão precisa dela, portanto é domínio público.

ה"ג רבא אמר גומא לא מ"ט תשמיש ע"י הדחק לא שמיה תשמיש - הלכך לאו צורך רבים הוא אלא כרמלית הוא:

Assim lemos (o texto): "Rava disse: quanto à cova, não. Qual é a razão? Uso por meio de esforço não se chama uso" — portanto não é necessidade da multidão, mas é carmelit.

08A objeção de Rav Adda bar Matna a Rava, a partir da baraita da cesta pousada
Rav Adda bar Matna; a baraita; Rava
אֵיתִיבֵיהּ רַב אַדָּא בַּר מַתְנָא לְרָבָא: הָיְתָה קוּפָּתוֹ מוּנַּחַת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים גְּבוֹהָה עֲשָׂרָה וּרְחָבָה אַרְבָּעָה — אֵין מְטַלְטְלִין לֹא מִתּוֹכָהּ לִרְשׁוּת הָרַבִּים וְלֹא מֵרְשׁוּת הָרַבִּים לְתוֹכָהּ. פָּחוֹת מִכֵּן — מְטַלְטְלִין. וְכֵן בְּגוּמָּא. מַאי לָאו אַסֵּיפָא: לָא, אַרֵישָׁא.

Objetou-lhe Rav Adda bar Matna a Rava (a partir de uma baraita): (se) sua cesta estava pousada no domínio público, alta dez (tefachim) e larga quatro (tefachim) — não se carrega nem de dentro dela para o domínio público, nem do domínio público para dentro dela. (Se é) menor que isso — carrega-se. E o mesmo (vale) quanto à cova. (Rav Adda pergunta:) não é, acaso, (essa última cláusula referente) ao final (do ensinamento, isto é, à cesta "menor que isso", provando que a cova segue a mesma regra da coluna, contra Rava)? (Rava responde:) não, (refere-se) ao início.

Nota

Rav Adda bar Matna traz uma baraita para desafiar a posição de Rava, que distinguira a cova da coluna. A baraita ensina: se a cesta de alguém estava pousada no domínio público, com dez tefachim de altura e quatro de largura (medida que a torna domínio privado pleno), não se pode carregar objetos entre ela e o domínio público; mas se é menor que essa medida (não chegando a dez de altura ou quatro de largura), é permitido carregar livremente, pois ela não é domínio à parte. E a baraita acrescenta: "e o mesmo vale quanto à cova". Rav Adda pergunta a Rava: essa última cláusula não estaria se referindo ao caso final mencionado (a cesta menor, onde se permite carregar), o que sugeriria que a cova, tal como a coluna, é tratada de modo semelhante ao domínio público comum — contradizendo a posição de Rava, que a distinguira? Rava responde que a cláusula "o mesmo quanto à cova" refere-se, na verdade, ao caso inicial da baraita (a cesta grande, de dez por quatro, que é domínio privado pleno), preservando assim sua distinção entre a cova e a coluna de Ulla.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "não se carrega", "menor que isso", "não é, acaso" e "não, ao início"
אין מטלטלין - דהוי רה"י לעצמה:

"Não se carrega" — pois é domínio privado à parte.

פחות מכן - או בגובה או ברוחב מטלטלין וא"ת פחות מי' ורחבה ד' כרמלית היא לא גזור רבנן לבטולי מתורת כלים הואיל וכלי הוא:

"Menor que isso" — seja em altura, seja em largura, carrega-se. E se dirias (que, sendo) menor que dez (de altura) e larga quatro, é carmelit — os Sábios não decretaram (essa restrição), para não anular (o objeto) da categoria de utensílio, uma vez que é um utensílio.

מאי לאו - האי וכן אסיפא נמי קאי דפחות מכן מטלטל לכתחלה אלמא רה"ר חשיב ליה ואוקמא בעמוק ט' דמשתמשין בו קצת:

"Não é, acaso" — este (caso), "e o mesmo", refere-se também ao final, que (quando é) menor que isso, carrega-se de início — (o que) demonstra que (a cova) é considerada domínio público, e (a baraita) a estabelece (no caso) profunda nove (tefachim), onde se usa (dela) um pouco.

לא ארישא - אגבוהה י' ורחבה ד' דהוי רה"י קתני וכן בגומא:

"Não, ao início" — (a cláusula) "e o mesmo quanto à cova" foi ensinada a respeito (do caso) alta dez e larga quatro, que é domínio privado.

09Nova objeção — o texto prossegue em Shabbat 8b
A Guemará
אֵיתִיבֵיהּ:

Objetou-lhe (Rav Adda bar Matna a Rava, a partir de outra fonte — cujo conteúdo prossegue em Shabbat 8b).

Nota

O daf termina aqui, no meio de uma nova objeção de Rav Adda bar Matna a Rava. O texto da própria objeção — sobre alguém que pretende repousar no domínio público e deposita seu eiruv num poço, acima ou abaixo de dez tefachim — encontra-se logo no início de Shabbat 8b, continuando a discussão sobre a cova sem interrupção temática.