89b se fechara em aberto, no meio da resposta de Chizkiyah à contradição sobre a soma dos temperos proibidos: a Mishná ensinara que todos os tipos de tempero se somam entre si para completar a medida mínima de transporte em Shabat, e uma baraita, aparentemente em contradição, ensinara que também temperos proibidos por diferentes razões — dois ou três nomes de proibição, de uma mesma espécie ou de espécies diferentes — se somam entre si para constituir a medida proibida de uso; a folha fora cortada logo após "e disse Chizkiyah:", sem que sua palavra chegasse a ser dita. 90a abre completando exatamente essa resposta: "ensinaram isso quanto a tipos doces, já que são aptos para adoçar uma panela" — ou seja, a soma de temperos proibidos por diferentes razões só se aplica quando todos são do tipo doce, capazes de contribuir juntos para adoçar o mesmo prato; a Guemará então objeta que, se a soma depende de serem aptos a adoçar, a Mishná deveria ter feito a mesma distinção, e responde que também ali, na Mishná, os temperos que se somam são precisamente os aptos a adoçar. A Guemará prossegue então explicando as medidas já dadas na Mishná anterior para os materiais de tingir — cascas de nozes e de romãs, isatis e ruiva, na quantidade suficiente para tingir um pano pequeno — e levanta uma contradição a partir de uma fonte que fala de corantes já embebidos, cuja medida seria a de uma pequena amostra mostrada ao dono da casa antes de se tingir um pano inteiro; a resposta, de Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh, é que ninguém se dá ao trabalho de embeber corantes apenas para produzir essa amostra, de modo que a medida da Mishná — o pano inteiro — permanece a referência prática. Seguem-se as definições dos materiais de lavagem: a urina é apta até quarenta dias depois de produzida; o natrão é o de Alexandria, e não o de Anfantrin; e o sabão (borit), segundo Rav Yehuda, é areia — mas uma baraita distingue "o sabão e a areia" como duas coisas diferentes, levando a Guemará a propor que borit é enxofre. Essa identificação é então contestada por uma baraita sobre as leis do ano sabático, que inclui o borit entre os produtos sujeitos a essas leis; como o enxofre não tem raiz na terra e por isso não estaria sujeito a elas, a Guemará propõe uma segunda identificação — borit é áhal (aloés) —, resolvendo uma nova objeção (uma baraita que também distingue "borit e áhal") com a conclusão de que existem dois tipos diferentes de áhal. Seguem-se as definições de terra cimólia, chamada popularmente "shelof dotz", e de potassa (ashlag), que Shmuel diz ter identificado perguntando a todos os mergulhadores do mar: chama-se "shunaga", encontra-se num buraco de pérola, e se retira dali com uma brasa de ferro. A folha então muda de assunto com uma nova Mishná — ainda dentro do mesmo Perek Tet, sem qualquer fórmula de "hadran" — que lista uma série de itens cuja medida mínima de transporte é "qualquer quantidade": pimenta, piche, especiarias aromáticas, metais, pedras e pó do altar, e o apodrecimento de livros sagrados e de seus panos de embrulho, por se guardarem para sepultamento (genizá); Rabi Yehuda acrescenta que o mesmo vale para objetos de serviço de idolatria, com base no verso "e não se apegará à tua mão nada do que é consagrado à destruição". A Guemará então explica, item por item, por que essas quantidades mínimas já são significativas: a pimenta, para o hálito da boca; o piche, para a enxaqueca; as especiarias, para o bom cheiro — e acrescenta uma baraita paralela sobre mau cheiro, óleo bom, púrpura, todos em qualquer quantidade, e um único botão de rosa. Quanto aos metais, Rabi Shimon ben Elazar explica que mesmo uma quantidade mínima serve para fazer um pequeno aguilhão. Uma baraita separada trata do voto de doar ferro para a manutenção do Templo, com sua medida mínima de um côvado por um côvado — a quantidade necessária para as placas que afastam os corvos do telhado do Santuário —, e do voto de doar cobre, cuja medida mínima é o valor de uma moá de prata, ou, segundo Rabi Eliezer, um pequeno gancho de cobre usado para escavar pavios e limpar velas. Voltando ao apodrecimento de livros e panos, Rabi Yehuda lista os nomes específicos dos vermes que atacam livros, seda, uvas, figos e romãs, advertindo que todos são perigosos de ingerir; a Guemará ilustra o perigo com a história de um estudante que, comendo figos apressadamente diante de Rabi Yochanan, perguntou se havia espinhos nos figos — sem perceber que o que sentira era um verme alojado na garganta do fruto. A folha se fecha com uma última nova Mishná: quem transporta a caixa de um mascate de especiarias é responsável por uma única oferenda pelo pecado, ainda que a caixa contenha muitos tipos diferentes de mercadoria, pois todo o transporte é um único ato; e a medida de sementes de horta é menos que uma grogueret (figo seco), segundo Rabi Yehuda ben Beteira, cinco sementes. Essa última frase se fecha por completo — não há corte no meio de uma palavra —, mas a própria Mishná, confirmada via Sefaria, prossegue em lista na folha seguinte, 90b, com as medidas específicas de sementes de pepino, de abóbora e de fava egípcia, entre outros itens, de modo que o assunto, embora gramaticalmente concluído aqui, continua sem interrupção temática na folha seguinte, ainda sem edição própria nesta trilha.
89b terminara cortada logo após "וְאָמַר חִזְקִיָּה:" ("e disse Chizkiyah:"), no meio da resposta à contradição sobre a soma dos temperos proibidos por diferentes razões. 90a abre em continuação direta dessa mesma resposta, completando-a com "ensinaram isso quanto a tipos doces, já que são aptos para adoçar uma panela". Não se trata de um novo raciocínio, mas da conclusão direta da mesma fala de Chizkiyah, que a Guemará aproveita para levantar uma nova objeção sobre a própria Mishná de 89b.
Continuando a resposta interrompida ao final de 89b: ensinaram isso , a soma dos temperos proibidos por diferentes razões, quanto a tipos doces, já que são aptos para adoçar uma panela , todos juntos. Objeta a Guemará: a razão de se somarem é que são aptos para adoçar a panela; mas se não fosse assim , se não fossem tipos doces — não se somariam! Mas então, por que a Mishná ensina que todos os temperos, sem distinção, se somam entre si? Também aqui , na Mishná, são aptos para adoçar , de modo que não há contradição.
Chizkiyah resolve a contradição levantada ao final de 89b limitando o alcance da baraita: quando ela ensina que temperos proibidos por diferentes razões se somam entre si, refere-se apenas a tipos doces, capazes de contribuir juntos para adoçar o conteúdo de uma mesma panela. A Guemará então observa que essa mesma lógica deveria, a rigor, limitar também a regra da Mishná — segundo a qual todos os temperos, sem distinção, se somam para completar a medida de transporte —, e responde que não há contradição: também na Mishná, o pressuposto é que os temperos em questão são do tipo doce, aptos a se somar para adoçar a mesma panela.
"'Quanto a tipos doces'" — tratamos do caso em que todos são tipos aptos a adoçar uma panela; mas outro tipo de tempero, não doce, não se soma, e a nossa Mishná não distingue isso explicitamente.
Ensinamos na Mishná: cascas de nozes e cascas de romãs, isatis e ruiva — a medida é a suficiente para tingir com elas um pano pequeno. E levantaram uma contradição a partir de outra fonte: quem transporta corantes já embebidos — a medida é a suficiente para tingir com eles uma amostra para o fio da eira (o pente do tear)! Mas já foi dito sobre isso: disse Rav Nachman, disse Rabá bar Avuh: porque uma pessoa não se dá ao trabalho de embeber corantes apenas para tingir com eles uma amostra para a eira.
A Guemará explica a medida de tingir dada pela Mishná anterior e a confronta com outra fonte, que fala de corantes já embebidos e lhes atribui uma medida bem menor — a de uma pequena amostra de cor, mostrada ao dono da casa antes de se comprometer a tingir um pano inteiro, e usada no pente do tear. A resposta distingue os dois casos pelo esforço envolvido: ninguém embebe corantes só para produzir essa amostra mínima; quem se dá ao trabalho de embebê-los já o faz visando tingir, de fato, um pano inteiro — de modo que a medida prática, para corantes já embebidos, permanece a mesma da Mishná.
"'Amostra para a eira'" — um pouco de lã que serve como uma espécie de amostra, mostrando ao dono da casa a cor: "queres esta, ou esta outra?" — e é colocada na eira do pente do tecelão; e sua medida é mínima. "'Embeber'" — e a nossa Mishná trata do caso em que os corantes ainda não estão embebidos; e quem for embebê-los não embebe menos que o suficiente para um pano pequeno.
Ensinamos na Mishná: urina. Ensinou-se numa baraita: urina até a idade de quarenta dias desde que foi produzida. Natrão. Ensinou-se numa baraita: natrão de Alexandria, e não o natrão de Anfantrin. Sabão (borit). Disse Rav Yehuda: isso é areia. Mas não se ensinou numa baraita: "o sabão e a areia" , como duas coisas distintas?! Mas então, o que é borit? Enxofre (kavrita).
A Guemará esclarece cada um dos materiais de lavagem enumerados na Mishná anterior: a urina só serve, para esse fim, até quarenta dias após produzida; o natrão é especificamente o de Alexandria, e não o de outro lugar chamado Anfantrin. Quanto ao sabão (borit), Rav Yehuda o identifica com areia comum, mas uma baraita distingue explicitamente "o sabão e a areia" como dois itens diferentes — contradição que leva a Guemará a propor uma primeira identificação alternativa: borit é enxofre.
"'Anfantrin'" — é um lugar.
Levantaram uma objeção: acrescentaram a eles , aos produtos sujeitos às leis do ano sabático (shviit), os chalvitzin, os le'inin, o borit e o áhal (aloés). E se te ocorre que borit seja enxofre — porventura o enxofre está sujeito às leis do ano sabático?! Não ensinamos numa Mishná: esta é a regra — tudo o que tem raiz fincada na terra está sujeito às leis do ano sabático, e o que não tem raiz não está sujeito às leis do ano sabático , e o enxofre não tem raiz?! Mas então, o que é borit? Áhal. Mas não se ensinou numa baraita: "o sabão e o áhal" , como duas coisas distintas?! Mas há dois tipos de áhal , um dos quais é o próprio borit.
A identificação de borit com enxofre é rejeitada por uma baraita sobre as leis do ano sabático, que inclui o borit entre os produtos sujeitos a essas leis; como o enxofre, mineral sem raiz na terra, não estaria sujeito a elas segundo o princípio já estabelecido em outra Mishná, a Guemará propõe uma segunda identificação: borit é áhal (aloés). Uma nova baraita, porém, parece distinguir "borit" de "áhal" como dois itens separados — objeção que a Guemará resolve postulando a existência de dois tipos diferentes de áhal, um dos quais corresponde exatamente ao borit.
"'Acrescentaram a eles'" — quanto às leis do ano sabático. "'Os chalvitzin'" — "latron" (nome popular de uma planta). "'E os le'inin'" — losna (planta amarga). "'Kavrita'" — enxofre. "'O que tem raiz'" — o que se enraíza na terra; e, a meu ver, a "tornisa" que ensinamos no tratado Avodá Zará como algo sem raiz é semelhante a este caso do enxofre, e não como a explicam outros, "piona".
Ensinamos na Mishná: terra cimólia. Disse Rav Yehuda: "shelof dotz" (nome popular). Potassa (ashlag). Disse Shmuel: perguntei a todos os que descem ao mar (os mergulhadores), e me disseram que seu nome é "shunaga", e se encontra num buraco de pérola, e a tiram de lá com uma brasa ou ferramenta de ferro.
Encerrando a explicação dos materiais de lavagem, a Guemará identifica a terra cimólia pelo seu nome popular, e traz o relato de Shmuel sobre a potassa: tendo consultado diretamente os mergulhadores do mar — os únicos com acesso prático a essa substância —, ele apurou seu nome, "shunaga", seu local de origem (um buraco de pérola no fundo do mar) e o método usado para extraí-la, com uma ferramenta de ferro em brasa.
"'Shelof dotz'" — não se explicou o significado da expressão, mas assim é o seu nome. "'Com uma brasa de ferro'" — um instrumento perfurador de ferro.
MISHNÁ. Pimenta — a medida de responsabilidade é qualquer quantidade; e piche (itran) — qualquer quantidade. Tipos de especiarias aromáticas e tipos de metais — qualquer quantidade. Das pedras do altar e do pó do altar, do apodrecimento dos livros sagrados e do apodrecimento de seus panos de embrulho — qualquer quantidade, pois se guardam para serem sepultados (genizá). Rabi Yehuda diz: também quem transporta objetos de serviço da idolatria — qualquer quantidade, como está dito: "e não se apegará à tua mão nada do que é consagrado à destruição" (Deuteronômio 13:18).
Concluída a Guemará sobre as medidas de lenha, tempero, tintura e lavagem da Mishná anterior, a folha passa a uma nova Mishná, que lista uma série de itens cuja medida mínima de responsabilidade por transporte em Shabat é "qualquer quantidade" — não porque sejam usados em grande quantidade, mas justamente porque mesmo uma quantidade mínima já tem uso ou significado: pimenta, piche, especiarias, metais, e depois pedras e pó do altar do Templo, e o apodrecimento (mekak) de livros sagrados e de seus panos de embrulho, guardados para sepultamento ritual. Rabi Yehuda estende a mesma regra a objetos usados no serviço da idolatria, apoiando-se num verso de Deuteronômio sobre o que é consagrado à destruição. Não há aqui nenhuma fórmula de "hadran" nem qualquer outro sinal de transição de perek — trata-se de mais uma Mishná dentro do próprio Perek Tet, cujo alcance se estende até 90b.
"'MISHNÁ: pimenta, qualquer quantidade'" — e não é a pimenta que conhecemos hoje; e na Guemará se explica para que serve essa quantidade mínima. "'Tipos de especiarias aromáticas, qualquer quantidade'" — para o bom cheiro. "'Tipos de metais, qualquer quantidade'" — apto para um pequeno aguilhão; "pois se guarda para remédio" — essa frase não consta em algumas versões. "'Apodrecimento dos livros'" — a mordida da traça que come os livros e os apodrece; seu nome é "mekak". "'Pois se guardam para serem sepultados'" — pois toda coisa sagrada requer sepultamento (genizá). "'Nada'" — logo, o verso considera até uma quantidade mínima como algo significativo para a proibição; e aquilo que ensinamos anteriormente (Shabat 75a), "tudo o que não é apto para ser guardado não gera responsabilidade em qualquer quantidade, etc.", explicamos que serve para excluir a madeira da árvore de idolatria (ashera) , que é sempre proibida mesmo em qualquer quantidade, e não segundo a opinião de Rabi Yehuda.
GUEMARÁ. Pimenta, qualquer quantidade — para que serve essa quantidade mínima? Para o hálito da boca. Piche, qualquer quantidade — para que serve? Para a dor de meia cabeça (enxaqueca). Tipos de especiarias aromáticas — qualquer quantidade , sem necessidade de mais explicação, pois servem para o bom cheiro. Ensinaram os Sábios numa baraita: quem transporta substância de mau cheiro — qualquer quantidade. Óleo bom , perfumado, — qualquer quantidade. Púrpura (argaman) — qualquer quantidade. E botão de rosa , ainda fechado, — um único.
A Guemará explica, item por item, por que uma quantidade mínima já é significativa para gerar responsabilidade: pimenta, mesmo em pouquíssima quantidade, serve para perfumar o hálito; piche, para aliviar a enxaqueca. Uma baraita paralela acrescenta itens semelhantes: substância de mau cheiro (usada para defumar contra espíritos nocivos, segundo Rashi), óleo perfumado e púrpura, todos em qualquer quantidade, e um único botão de rosa ainda fechado — cada um com um uso mínimo evidente que justifica a medida reduzida.
"'GUEMARÁ: para tzilchata'" — dor de meia cabeça (enxaqueca). "'Mau cheiro'" — pois se defuma com ele os doentes e as crianças, como o gálbano (chelbena), para afastar dele os espíritos nocivos. "'Púrpura'" — o corante com que se tinge de púrpura; e a razão dessa medida mínima não se explicou; e a mim parece que também ele é apto para se cheirar. "'Botão de rosa'" — uma única pétala de rosa ainda jovem.
Ensinamos na Mishná: tipos de metais — qualquer quantidade. Para que servem numa quantidade tão mínima? Ensinou-se numa baraita, Rabi Shimon ben Elazar diz: porque mesmo de uma quantidade mínima é possível fazer um pequeno aguilhão.
A Guemará justifica a medida mínima dada para metais com a mesma lógica das anteriores: mesmo um fragmento pequeno de metal já tem uso prático, servindo para fabricar um pequeno aguilhão — instrumento usado para incitar animais de carga.
"'Tipos de metais, qualquer quantidade'" — isso é repetição da nossa Mishná.
Ensinaram os Sábios numa baraita: quem diz "sobre mim o voto de doar ferro para a manutenção do Templo" — outros dizem: não menos que um côvado por um côvado. Para que serve essa quantidade? Disse Rav Yosef: para as placas de afastar os corvos (kalya orev, no telhado do Templo). E há quem diga a versão: outros dizem: não menos que a quantidade de afastar os corvos. E quanto é isso? Disse Rav Yosef: um côvado por um côvado. Cobre: não menos que o valor de uma moá de prata. Ensinou-se numa baraita, Rabi Eliezer diz: não menos que um pequeno gancho de cobre. Para que serve? Disse Abaie: porque com ele se escavam os pavios e se limpam as velas.
A Guemará traz uma baraita sobre votos de doação para a manutenção do Templo (bedek habayit): quem se compromete a doar ferro deve doar, no mínimo, a quantidade de um côvado por um côvado — medida explicada por Rav Yosef como a necessária para fazer as placas afiadas colocadas no telhado do Santuário para impedir que corvos pousassem ali. Quanto ao cobre, a medida mínima é o valor de uma moá de prata, ou, segundo Rabi Eliezer, um pequeno gancho de cobre, usado para escavar e limpar os pavios das velas.
"'Sobre mim, ferro'" — para a manutenção do Templo (bedek habayit). "'Para afastar os corvos'" — faziam-se placas de um côvado, afiadas como faca ao redor, e com pregos afiados fincados em todas elas, e cobriam com elas o telhado do Santuário, para impedir que os corvos pousassem ali. "'Do valor de uma moá de prata'" — cobre no valor de uma moá de prata. "'Gancho'" — um pequeno garfo, semelhante ao usado para revestir com ouro; e para a manutenção do Templo, para que serve? "'Pois com ele se escavam os pavios'" — e se perfuram suas pontas para afastar sua escuridão e fazê-los arder melhor.
Ensinamos na Mishná: apodrecimento de livros sagrados e apodrecimento de panos de embrulho. Disse Rabi Yehuda: o apodrecimento dos livros, o "techach" da seda, o "ayla" da uva, o "pah" dos figos, e o "heh" das romãs — todos são um perigo para quem os ingere junto com o alimento. Certo estudante que estava sentado diante de Rabi Yochanan comia figos apressadamente. Disse-lhe: Rabi, há espinhos nos figos? Rabi Yochanan disse: que o "pah" mate a este , que come tão depressa a ponto de não perceber o verme que tinha na garganta.
Voltando ao tema da Mishná — o apodrecimento de livros e panos sagrados, guardado para sepultamento —, Rabi Yehuda lista os nomes específicos, em aramaico, dos vermes que atacam cada tipo de material: os livros, a seda, as uvas, os figos e as romãs, advertindo que todos representam perigo para quem os ingere sem perceber, junto com o alimento. A Guemará ilustra esse perigo com a história de um estudante que, comendo figos apressadamente diante de Rabi Yochanan, sentiu algo e perguntou ingenuamente se havia espinhos na fruta — sem se dar conta de que se tratava, precisamente, do verme que o próprio Rabi Yehuda acabara de descrever, alojado na garganta do figo. A resposta seca de Rabi Yochanan repreende a pressa gulosa do estudante.
"'O apodrecimento dos livros, o techach da seda'" — todos esses são vermes, cada um em sua própria espécie, distintos por seus nomes: "techach", "ayla", "pah", "heh". "'Todos são perigo'" — para quem os come. "'Há espinhos nos figos?'" — havia um verme alojado, perfurando-lhe a garganta, e ele pensou que fosse um espinho. "'Que o pah mate a este'" — que o mate o "pah".
MISHNÁ. Quem transporta a caixa do mascate (o vendedor ambulante de especiarias), ainda que haja nela muitos tipos diferentes de mercadoria — não é responsável senão por uma única oferenda pelo pecado. Sementes de horta (vegetais): a medida é menos que uma grogueret (figo seco). Rabi Yehuda ben Beteira diz: cinco sementes.
A folha se fecha com mais uma nova Mishná, ainda dentro do Perek Tet e sem qualquer fórmula de "hadran": quem transporta em Shabat a caixa de um mascate de especiarias, mesmo contendo muitos tipos diferentes de mercadoria, responde por um único ato de transporte, e portanto por uma só oferenda pelo pecado, caso tenha agido por erro; e a medida mínima de sementes de horta é menos que uma grogueret (um figo seco), ou, segundo Rabi Yehuda ben Beteira, cinco sementes. Essa última frase se fecha por completo, sem corte no meio de uma palavra — ao contrário do que ocorrera na transição entre 89a e 89b, e entre 89b e a presente folha. Ainda assim, confirmado via Sefaria, a própria Mishná prossegue em lista na folha seguinte, 90b, detalhando as medidas específicas de sementes de pepino, de abóbora e de fava egípcia, entre outros itens — de modo que o tema, embora gramaticalmente concluído aqui, continua sem interrupção real na folha seguinte, ainda sem edição própria nesta trilha.
"'MISHNÁ: mascates'" — vendedores de especiarias para o adorno das mulheres, que têm pequenas caixas para embrulhos de especiarias. "'Não é responsável senão por uma única oferenda pelo pecado'" — pois todo o conteúdo da caixa é um único ato de transporte. "'Menos que uma grogueret'" — pois, embora a medida de todos os alimentos seja uma grogueret, estas sementes, já que se destinam à plantação, geram responsabilidade mesmo com menos que uma grogueret.