89a se fechara no meio de uma frase: a baraita de Rabi Yosei, filho de Rabi Chanina, sobre os cinco nomes do deserto onde Israel peregrinou quarenta anos, havia chegado ao quarto nome, "deserto de Paran", e fora cortada bem no início de sua explicação, logo após o travessão. 89b abre completando essa mesma explicação — "porque ali Israel se multiplicou (paru ve-ravu)" — e acrescenta o quinto e último nome, "deserto do Sinai", pela razão já indicada páginas antes: o ódio (sina) que ali desceu sobre as nações do mundo por não terem aceitado a Torá. A partir daí a Guemará pergunta qual é o verdadeiro nome do monte — "Chorev", segundo a opinião implícita na baraita — e opõe a isso a posição de Rabi Avahu, para quem o verdadeiro nome é "Monte Sinai", sendo "Chorev" apenas um epíteto, pela destruição (churva) que dali em diante recairia sobre as nações idólatras. Sem transição explícita, a Guemará retoma então uma baraita sobre a lã tingida de escarlate atada ao bode enviado ao deserto em Yom Kipur, questionando por que o verso de Isaías usa a forma plural "kashanim" em vez do singular "kashani"; Rabi Yitzchak responde que Deus promete a Israel que, ainda que seus pecados fossem tão numerosos quanto os anos decorridos desde a Criação, tornar-se-iam brancos como a neve. Rava então explora o mesmo capítulo de Isaías, notando duas irregularidades no verso "ide, pois, e arrazoemos, disse o Eterno" — por que "ide" em vez de "vinde", e por que "disse" no futuro em vez do passado —, e conclui que se trata de uma cena futura: Deus dirá a Israel que vá aos próprios patriarcas para ser repreendido, e Israel responderá que nenhum deles — nem Abraão, que não pediu misericórdia diante da profecia do exílio egípcio; nem Isaac, que abençoou Esaú sem pensar nos descendentes de Jacó; nem o próprio Jacó, informado da descida ao Egito sem reagir — jamais intercedeu por eles, de modo que só resta a Deus mesmo pronunciar o veredito, e Ele responde com a mesma promessa do escarlate que se torna branco como a neve. Rabi Shmuel bar Nachmani, em nome de Rabi Yonatan, conta uma cena paralela a partir de um verso de Isaías sobre Deus como único pai de Israel: no futuro, Deus dirá a Abraão que seus filhos pecaram, e Abraão responderá que sejam apagados para santificar o nome divino; Deus então recorre a Jacó, supondo que a dor de ter criado filhos o levaria a pedir misericórdia, mas Jacó responde exatamente como Abraão; Deus observa que não há bom senso nos idosos nem conselho nos jovens, e recorre por fim a Isaac, que reage de modo oposto — contestando que sejam "meus filhos e não Teus filhos", já que Deus mesmo os chamara "Meu filho, Meu primogênito" quando anteciparam "faremos" a "ouviremos" no Sinai. Isaac prossegue com um cálculo minucioso: dos setenta anos de vida humana, subtraídos os primeiros vinte (isentos de punição celestial), as noites, e o tempo gasto em orar, comer e cuidar das necessidades do corpo, restam apenas doze anos e meio de responsabilidade real — que Deus pode perdoar inteiramente, ou dividir ao meio com Isaac, ou atribuir por completo a Isaac, que já ofereceu sua própria vida na Akedá. Diante dessa defesa, o povo começa a louvar Isaac como pai, mas ele próprio os redireciona ao verdadeiro objeto do louvor, apontando para o Santo, bendito seja. A Guemará, tendo mencionado a descida de Jacó ao Egito, acrescenta o ensinamento de Rabi Chiyya bar Abba em nome de Rabi Yochanan: Jacó merecia descer acorrentado como qualquer exilado forçado, mas seu próprio mérito o poupou, conforme o verso de Oseias sobre os "laços de amor". A folha então muda de registro por completo: uma nova Mishná — a primeira, nesta trilha, desde a de Rabi Akiva que abriu o Perek Tet em 82a, mas sem que isso implique qualquer transição de perek, já que nenhuma fórmula de "hadran" aparece no texto — retoma as leis de medidas mínimas de transporte em Shabat interrompidas desde o Perek Chet: lenha, o suficiente para cozinhar um ovo fácil de cozinhar; tempero, o suficiente para temperá-lo, com todos os tipos se somando entre si; cascas de nozes e de romãs, isatis e ruiva, o suficiente para tingir um pano do tamanho da abertura de uma touca; e urina, natrão, sabão, terra cimólia e potassa, o suficiente para lavar esse mesmo pano — ou, segundo Rabi Yehuda, o suficiente para remover uma mancha. A Guemará pergunta por que a medida da lenha precisou ser repetida, já que uma Mishná anterior já dera a medida do caniço fragmentado; a resposta é que, ali, o caniço não serve para mais nada senão queimar, mas a lenha, que poderia servir como dente de chave, exigiria em princípio uma medida menor — e por isso esta Mishná ensina que a medida-padrão do ovo se aplica também à lenha. Por fim, a Guemará levanta uma contradição sobre a regra de que todos os temperos se somam para completar a medida: uma baraita ensina que temperos proibidos por dois ou três nomes de proibição, de uma mesma espécie ou de três espécies diferentes, também se somam entre si — e a folha se fecha exatamente no meio da explicação de Chizkiyah sobre essa regra, cortada logo após seu nome, sem que sua palavra chegue a ser dita; a continuação, confirmada via Sefaria, abre a folha 90a explicando que a regra vale para tipos doces, aptos a adoçar juntos a mesma panela.
89a terminara cortada logo após "מִדְבַּר פָּארָן —" ("deserto de Paran —"), no meio da baraita de Rabi Yosei, filho de Rabi Chanina, sobre os cinco nomes do deserto, exatamente no ponto em que começaria a explicação desse quarto nome. 89b abre em continuação direta dessa mesma explicação, completando-a com "porque ali Israel se multiplicou" e acrescentando, na sequência, o quinto e último nome da lista, "deserto do Sinai". Não se trata de um novo raciocínio, mas da conclusão direta da mesma baraita, que a Guemará aproveita para abrir uma nova pergunta sobre o verdadeiro nome do monte.
Continuando a explicação interrompida ao final de 89a: "porque ali Israel se multiplicou (paru ve-ravu)"; deserto do Sinai — porque ali desceu ódio (sina) sobre as nações do mundo. E qual é o verdadeiro nome do monte? "Chorev" é seu nome. E isso discorda da opinião de Rabi Avahu, que disse Rabi Avahu: "Monte Sinai" é seu verdadeiro nome. E por que se chama "Monte Chorev"? Porque desceu destruição (churva) sobre as nações do mundo nele.
A folha completa a baraita interrompida em 89a: o quarto nome do deserto, "Paran", é explicado pela multiplicação de Israel ali ocorrida, e a lista se fecha com o quinto nome, "deserto do Sinai", justificado pelo ódio que desceu sobre as nações do mundo — retomando a mesma etimologia de "sina" já dada, páginas antes, para o próprio nome do monte. Isso leva a Guemará a perguntar qual é o verdadeiro nome do monte: a posição implícita na baraita é que seu nome próprio é "Chorev", sendo "Sinai" apenas derivado; Rabi Avahu discorda, sustentando que "Monte Sinai" é o nome verdadeiro, e que "Chorev" é antes um epíteto pela destruição que, a partir dali, recairia sobre as nações que rejeitaram a Torá.
"'Foram fecundos e se multiplicaram'" — pois a esposa de cada um dos israelitas engravidou de um filho homem por meio do mandamento "voltai às vossas tendas" (Deuteronômio 5:27); e não sei onde isso está aludido no próprio nome do deserto.
Ensinamos numa Mishná: de onde se aprende que se ata uma tira de lã tingida de escarlate (zehorit, ao bode enviado ao deserto), etc.? Questiona a Guemará a partir do verso de Isaías: "como o escarlate (kashanim)"? Deveria dizer "como o escarlate" (kashani), no singular! Disse Rabi Yitzchak: disse-lhes o Santo, bendito seja, a Israel: se vossos pecados forem tão numerosos como esses anos que se sucedem, ordenados, desde os seis dias da Criação até agora, ainda assim se tornarão brancos como a neve. Ensinou Rava: o que significa aquilo que está escrito: "ide, pois, e arrazoemos, disse o Eterno" (Isaías 1:18)? "Ide, pois" (lechu na)? Deveria dizer "vinde, pois" (bo'u na)! "Disse o Eterno" (yomar, no futuro)? Deveria dizer "disse o Eterno" (amar, no passado)! No futuro que há de vir, dirá o Santo, bendito seja, a Israel: ide, pois, a vossos pais, e que eles vos repreendam.
Sem transição explícita, a Guemará retoma uma baraita já conhecida de outro contexto, sobre a lã tingida de escarlate atada ao bode enviado ao deserto em Yom Kipur, e questiona a forma plural "kashanim" no verso de Isaías sobre pecados que se tornam brancos como a neve. Rabi Yitzchak explica o plural como referência à imensa quantidade de pecados possíveis — tantos quanto os anos decorridos desde a Criação —, todos igualmente perdoáveis. Rava, em seguida, explora o mesmo capítulo de Isaías, notando duas irregularidades verbais no versículo seguinte, e as resolve lendo o verso como uma profecia de um julgamento futuro: Deus remeterá Israel aos próprios patriarcas para ouvir sua repreensão — cena que a Guemará desenvolve nas seções seguintes.
"'Deveria dizer "como o escarlate" (kashani), no singular'" — por semelhança com "como a neve" (kasheleg), que não está escrito no plural (kashlagim).
E Israel dirá diante Dele: Senhor do universo, a quem iremos? A Abraão, a quem disseste "sabendo saberás que tua semente será estrangeira em terra que não é sua, e a escravizarão, e a afligirão quatrocentos anos" (Gênesis 15:13), e não pediu misericórdia por nós?! A Isaac, que abençoou Esaú dizendo: "e será que, quando te tornares poderoso (tarid), sacudirás seu jugo de teu pescoço" (Gênesis 27:40), e não pediu misericórdia por nós?! A Jacó, a quem disseste: "eu descerei contigo ao Egito" (Gênesis 46:4), e não pediu misericórdia por nós?! A quem iremos? Agora é Deus mesmo quem "dirá" o veredito. Disse-lhes o Santo, bendito seja: já que dependestes de Mim mesmo, "se vossos pecados forem como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve".
Israel responde à convocação divina com uma objeção de peso: cada um dos três patriarcas, ao ser informado de algo grave que atingiria seus descendentes — o exílio egípcio revelado a Abraão, a subjugação futura de Jacó pela linhagem de Esaú prevista por Isaac, a própria descida ao Egito anunciada a Jacó —, permaneceu em silêncio, sem pedir misericórdia. Não havendo, portanto, a quem recorrer, a palavra final cabe ao próprio Deus, que responde não com um veredito de culpa, mas repetindo a promessa já dada por meio de Rabi Yitzchak: por terem dependido só Dele, os pecados de Israel se tornarão brancos como a neve, qualquer que seja seu número.
Disse Rabi Shmuel bar Nachmani, disse Rabi Yonatan: o que significa aquilo que está escrito: "pois Tu és nosso pai, pois Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; Tu, Eterno, és nosso pai, nosso redentor, eterno é Teu nome" (Isaías 63:16)? No futuro que há de vir, dirá o Santo, bendito seja, a Abraão: teus filhos pecaram contra Mim. Abraão dirá diante Dele: Senhor do universo, que sejam apagados esses pecadores pela santidade do Teu nome. Deus disse: direi a mesma coisa a Jacó, que teve o sofrimento de criar filhos; talvez ele peça misericórdia por eles. Disse-lhe a Jacó: teus filhos pecaram. Jacó disse diante Dele: Senhor do universo, que sejam apagados pela santidade do Teu nome. Disse então o Santo, bendito seja: não há bom senso nos idosos, nem conselho nos jovens (nem Abraão, o mais velho, nem Jacó souberam responder adequadamente). Disse a Isaac: teus filhos pecaram contra Mim. Isaac disse diante Dele: Senhor do universo, são meus filhos e não Teus filhos?! No momento em que anteciparam diante de Ti "faremos" a "ouviremos" no Sinai, chamaste-os "Meu filho, Meu primogênito" (Êxodo 4:22) — agora são meus filhos e não Teus filhos?!
Rabi Shmuel bar Nachmani, em nome de Rabi Yonatan, desenvolve com outro verso a mesma cena de julgamento futuro: Deus recorre primeiro a Abraão, depois a Jacó — supondo que a experiência da paternidade o tornaria mais compassivo —, e ambos respondem exatamente da mesma forma, entregando os pecadores à justiça divina sem interceder. Deus então observa secamente que nem a idade de Abraão nem a juventude relativa de Jacó geraram o conselho esperado. Só Isaac reage de modo oposto: em vez de aceitar a formulação "teus filhos", ele a contesta, lembrando que Deus mesmo chamara Israel de "Meu filho, Meu primogênito" no momento da entrega da Torá — tornando-os, portanto, filhos de ambos, e não apenas de Isaac.
"'Que sejam apagados'" — já que pecaram, que Teu nome se santifique no mundo quando fizeres justiça contra os que transgridem Tua palavra. "'Chamaste-os Meu filho, Meu primogênito, Israel'" — pois Te era revelado que no futuro diriam diante de Ti, no Sinai, "faremos e ouviremos", aceitando Teu jugo por amor, como filhos.
E ainda mais: quanto pecaram, de fato? Quantos são os anos de vida do homem? Setenta anos. Retira vinte, pelos quais não punes o homem, já que apenas a partir dos vinte anos há punição celestial — restam-lhe cinquenta. Retira vinte e cinco anos de noites — restam-lhe vinte e cinco. Retira doze e meio anos gastos em orar, comer e cuidar das necessidades do corpo — restam-lhe doze e meio; se Tu suportas todos eles e perdoas os pecados cometidos nesses anos, ótimo; e se não — metade sobre mim e metade sobre Ti. E se disseres que todos esses pecados ficam sobre mim — eis que já ofereci minha alma diante de Ti (na Akedá, e por esse mérito deverias perdoá-los). Começam então, os israelitas a dizer: "pois Tu és nosso pai". Diz-lhes Isaac: antes que me louveis a mim, louvai o Santo, bendito seja — e Isaac aponta-lhes o Santo, bendito seja, com seu próprio olhar. Imediatamente erguem os olhos às alturas e dizem: "Tu, Eterno, és nosso pai, nosso redentor, eterno é Teu nome".
Isaac completa sua defesa com um cálculo que reduz drasticamente a extensão real da culpa: dos setenta anos da vida humana, os primeiros vinte não geram punição celestial, as noites não contam para o pecado praticado à luz do dia, e o tempo dedicado à oração, à alimentação e às necessidades do corpo também se subtrai — restando apenas doze anos e meio de responsabilidade efetiva, que Isaac propõe dividir ao meio com Deus, ou assumir por inteiro, invocando o mérito de ter oferecido a própria vida na Akedá. Comovido, o povo começa a chamar Isaac de pai, mas ele recusa o título para si e aponta, com o próprio olhar, para o verdadeiro destinatário do louvor — encerrando a cena com Israel erguendo os olhos ao céu e proclamando Deus, e não os patriarcas, como seu único pai e redentor eterno, completando assim o verso de Isaías citado no início da sugya.
"'Retira vinte, pelos quais não punes'" — pois assim encontramos quanto à geração do deserto, que o Santo, bendito seja, não puniu senão a partir dos vinte anos, como está dito: "neste deserto cairão vossos cadáveres, etc., de vinte anos para cima, os que murmurastes contra Mim" (Números 14:29). "'Pois Tu és nosso pai'" — disseram isso voltados para Isaac, e ele lhes disse: olhai para o Santo, bendito seja, que é vosso pai.
Disse Rabi Chiyya bar Abba, disse Rabi Yochanan: Jacó, nosso pai, merecia descer ao Egito em correntes de ferro , como qualquer exilado forçado, por decreto do exílio revelado a Abraão, mas seu mérito o poupou disso, como está dito: "com cordas humanas os atraí, com laços de amor, e fui para eles como os que levantam o jugo sobre suas queixadas, e lhes servi o alimento com brandura" (Oseias 11:4).
Tendo mencionado, na sugya anterior, a descida de Jacó ao Egito anunciada sem pedido de misericórdia, a Guemará acrescenta este ensinamento associado: por decreto, Jacó deveria ter descido como qualquer exilado forçado, em correntes de ferro; mas seu próprio mérito transformou essa descida em algo suave, guiado por "cordas humanas" e "laços de amor" — imagem, no verso de Oseias, de quem alivia o peso do jugo sobre o animal de carga, em vez de arrastá-lo à força.
"'Em correntes de ferro'" — como é o costume de todos os exilados, pois foi por decreto de exílio que Jacó desceu para lá. "'Com cordas humanas'" — por causa do afeto humano, atraí-os ao Egito com cordas, e não com correntes. "'Como os que levantam o jugo sobre suas queixadas'" — como o homem que carrega e ajuda seu animal a levantar o jugo de seu pescoço com varas e bastões. "'E lhes servi o alimento com brandura'" — inclinei em vosso favor a força para suportar o trabalho pesado.
MISHNÁ. Quem transporta lenha em Shabat é responsável por uma medida equivalente à necessária para cozinhar um ovo de fácil cozimento. Tempero: a medida é a suficiente para temperar um ovo de fácil cozimento. E todos os tipos de tempero se somam uns aos outros. Cascas de nozes, cascas de romãs, isatis e ruiva (plantas usadas para tingir): a medida é a suficiente para tingir com elas um pano pequeno do tamanho da abertura de uma touca. Urina, natrão e sabão (borit), terra cimólia e potassa: a medida é a suficiente para lavar um pano pequeno do tamanho da abertura de uma touca; Rabi Yehuda diz: a suficiente para remover uma mancha.
Encerrada a longa digressão agádica sobre a cronologia e o drama da entrega da Torá, iniciada ainda em folhas anteriores, a Guemará retoma abruptamente o tema central do Perek Chet — as medidas mínimas de transporte em Shabat —, agora aplicado a materiais domésticos: lenha e tempero, medidos pela quantidade necessária a cozinhar ou temperar um ovo fácil de cozinhar, com os temperos se somando entre si para completar essa medida; e materiais usados para tingir (cascas de nozes e romãs, isatis, ruiva) ou lavar (urina, natrão, sabão, terra cimólia, potassa) um pano do tamanho da abertura de uma touca de cabelo, com Rabi Yehuda propondo, para os materiais de lavagem, a medida alternativa de remover uma mancha. Não há aqui nenhuma fórmula de "hadran" nem qualquer outro sinal de transição de perek — trata-se apenas de uma nova Mishná dentro do próprio Perek Tet, que já havia se aberto, em 82a, com a Mishná de Rabi Akiva sobre a impureza da idolatria, e agora retoma, num tema distinto, as medidas mínimas de transporte.
"'MISHNÁ: ovo de fácil cozimento'" — já se explicou que se trata do ovo de galinha, que é fácil de cozinhar; e a medida não foi fixada pelo tamanho de um ovo inteiro, mas pela quantidade equivalente a uma grogueret (figo seco) retirada de um ovo de fácil cozimento. "'E se somam'" — todos os tipos de tempero, uns com os outros. "'Cascas de nozes'" — a casca externa que cresce sobre a casca principal, enquanto ainda úmida. "'Abertura de uma touca'" — na ponta da touca de cabelo, feita por tramas, coloca-se um pequeno pedaço de pano. "'Natrão'" — um tipo de terra chamada "nitra". "'Remover a mancha'" — de sangue menstrual, pois esses ingredientes removem a mancha de sangue de menstruada num tecido, purificando-o.
GUEMARÁ. Já aprendemos isso uma vez! Pois ensinamos, numa Mishná anterior: um caniço — a medida é a suficiente para fazer uma pena de escrever; se fosse grosso ou fragmentado — a medida é a suficiente para cozinhar o ovo mais fácil de cozinhar entre os ovos, batido e colocado na panela. Se assim, por que repetir aqui a medida da lenha? Poderias dizer: ali , no caso do caniço fragmentado, é porque não serve para mais nada senão para queimar; mas a lenha, que serve também como dente de chave, a medida deveria ser mesmo qualquer quantidade — por isso esta Mishná nos ensina que também a lenha se mede pela mesma medida do ovo.
A Guemará questiona a necessidade da nova Mishná: uma Mishná anterior já havia dado a medida do caniço fragmentado — igual à do ovo de fácil cozimento —, e a lenha poderia parecer coberta pela mesma regra. A resposta distingue os dois casos pelo uso alternativo possível: o caniço fragmentado não serve para mais nada senão para acender fogo, de modo que sua medida naturalmente seguiria a do combustível; mas a lenha comum poderia servir a outros fins, como dente de uma chave, hipótese em que se poderia pensar que qualquer quantidade, por menor que fosse, geraria responsabilidade por transporte. A nova Mishná vem, então, esclarecer que mesmo a lenha comum é medida pela quantidade necessária para cozinhar um ovo, e não por qualquer quantidade.
"'GUEMARÁ: ali'" — refere-se ao caso em que o caniço fragmentado não serve para mais nada senão para acender fogo. "'Dente de chave'" — o dente de uma chave.
Ensinamos na Mishná: tempero, a medida é a suficiente para temperar um ovo de fácil cozimento. E levantaram uma contradição a partir de outra fonte: temperos proibidos por dois ou três nomes de proibição, de uma mesma espécie, ou de três espécies e um só nome de proibição — são proibidos, e se somam uns aos outros para completar a medida de proibição. E disse Chizkiyah: [a folha termina aqui, no meio da resposta de Chizkiyah]
A Guemará retoma a regra da Mishná de que todos os tipos de tempero se somam entre si para completar a medida de responsabilidade por transporte, e levanta uma contradição a partir de uma baraita sobre outro contexto — o de temperos proibidos por diferentes razões (por exemplo, orlá e produtos não dizimados), ensinando que também eles se somam entre si para constituir a medida proibida de uso, ainda que provenientes de espécies diferentes ou sujeitos a diferentes proibições. A folha se fecha exatamente no meio da resposta de Chizkiyah a essa contradição, cortada logo após seu nome, sem que sua explicação chegue a ser dada. A continuação, confirmada via Sefaria, abre a folha 90a explicando que a regra da soma vale para tipos doces de tempero, aptos a adoçar juntos a mesma panela — resposta que, portanto, ainda não tem edição própria nesta trilha.