Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Vav · Halachá 3
בְּרָכוֹת

"Baruch Dayan HaEmet" ao ver o mau presságio, "shehakol" ao consumi-lo: vinho azedado, gafanhoto e fruto caído

Perek Vav, Halachá 3 — terceira halachá do capítulo "Ketzad Mevarchin"

A Mishná lista alimentos que não crescem diretamente da terra — o vinagre proveniente de vinho azedado, o gafanhoto e o fruto caído da árvore antes de amadurecer — sobre os quais se recita a fórmula genérica "shehakol" ("que tudo veio a ser por Sua palavra"), acrescentando que Rabi Yehudá isenta de bênção tudo o que é espécie de maldição. Esta halachá, breve e objetiva, não discute o fundamento dessas regras, mas acrescenta uma camada prática: cada um desses três casos carrega também um mau presságio, de modo que, ao avistá-lo, a pessoa recita primeiro "bendito o Juiz da verdade" — a bênção reservada às más notícias —, e só depois, ao efetivamente consumi-lo, recita "shehakol".

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

עַל דָּבָר שֶׁאֵין גִּידוּלָיו מִן הָאָרֶץ אוֹמֵר שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ. עַל הַחוֹמֶץ וְעַל הַגּוֹבָיי וְעַל הַנּוֹבְלוֹת הוּא אוֹמֵר שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִדְבָרוֹ. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר כָּל שֶׁהוּא מִין קְלָלָה אֵין מְבָרְכִין עָלָיו.

Sobre um alimento cujo crescimento não é diretamente da terra, recita-se "que tudo veio a ser por Sua palavra (shehakol)". Sobre o vinagre, sobre o gafanhoto e sobre os frutos caídos antes de amadurecer, recita-se "que tudo veio a ser por Sua palavra". Rabi Yehudá diz: tudo o que é espécie proveniente de uma maldição, não se abençoa sobre ele.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01A dupla bênção sobre o mau presságio: "Baruch Dayan HaEmet" ao vê-lo, "shehakol" ao consumi-lo
Yerushalmi · Berachot 6:3
הֶחְמִיץ יֵינוֹ אוֹמֵר בָּרוּךְ דַּיָין הָאֱמֶת. בָּא לְאוֹכְלוֹ אוֹמֵר שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ. רָאָה גּוֹבַיי אוֹמֵר בָּרוּךְ דַּיָין הָאֱמֶת. בָּא לְאוֹכְלָן אוֹמֵר שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ. רָאָה נוֹבְלוֹת שֶׁנָּשְׁרוּ אוֹמֵר בָּרוּךְ דַּיָין הָאֱמֶת. בָּא לְאוֹכְלָן אוֹמֵר בָּרוּךְ שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ.

Se azedou seu vinho, recita "bendito és Tu, Eterno, o Juiz da verdade" (a fórmula recitada diante de más notícias). Quando vier a comê-lo, recita "que tudo veio a ser por Sua palavra". Se viu um gafanhoto (cuja aparição anuncia a praga que devasta as lavouras), recita "bendito o Juiz da verdade". Quando vier a comê-los, recita "que tudo veio a ser por Sua palavra". Se viu frutos caídos que se desprenderam da árvore antes de amadurecer, recita "bendito o Juiz da verdade". Quando vier a comê-los, recita "bendito, que tudo veio a ser por Sua palavra".

Nota

Esta terceira halachá do Perek Vav é a mais breve até aqui: não discute o fundamento das regras da Mishná, mas acrescenta uma camada prática a três dos itens que ali recebem a fórmula genérica "shehakol" — o vinho azedado, o gafanhoto e os frutos caídos antes de amadurecer. Os três, além de não crescerem "diretamente" da terra em sua forma final, carregam um sinal de mau agouro: o vinho que se estraga é uma perda, o gafanhoto anuncia a praga que devora as colheitas, e o fruto que cai verde da árvore é sinal de que algo interrompeu seu desenvolvimento natural. Por isso, ao simplesmente avistar qualquer um desses três, a pessoa recita primeiro "bendito o Juiz da verdade" — a mesma fórmula reservada a notícias tristes, como a morte de um parente —, reconhecendo o julgamento divino por trás do infortúnio. Só depois, no momento em que efetivamente consome o alimento, é que recita a bênção alimentar própria, "shehakol", conforme ensina a Mishná. A halachá não chega a discutir a opinião de Rabi Yehudá sobre isentar de bênção tudo o que é "espécie de maldição" — esse tema é retomado adiante.