A nova Mishná desta halachá trata de quatro casos de bênção sobre vinho e sobre a parperet — petiscos ou aperitivos — antes e depois da refeição: a bênção do vinho de antes cobre o de depois; a da parperet de antes cobre a de depois; a bênção sobre o pão cobre a parperet, mas a da parperet não cobre o pão; e a Casa de Shamai acrescenta que ela também não cobre o "feito de panela" (comida cozida). A halachá restringe a primeira cláusula ao vinho bebido antes da refeição por seu próprio valor, discute o pão que vem como kisnin (uma espécie de bolo ou pastel) depois da refeição e sua necessidade de bênção própria, narra o episódio das tâmaras enviadas pelo Patriarca a Rabi Chanina bar Sisai e o costume de Rav Huna de comer tâmaras com o próprio pão, e fecha com o ensinamento de Marinos sobre a garizmata (sobremesa) que, mesmo abençoada ao final, não desobriga o mingau de cereal comido junto — o que leva a uma nova definição do alcance da própria Mishná e à pergunta final de Rabi Abba sobre quem come cereal com a intenção de comer pão depois.
Se recitou a bênção sobre o vinho de antes da refeição, desobrigou o vinho de depois da refeição. Se recitou a bênção sobre a parperet (petisco servido à parte, antes ou depois da refeição principal) de antes da refeição, desobrigou a parperet de depois da refeição. Se recitou a bênção sobre o pão, desobrigou a parperet; se recitou a bênção sobre a parperet, não desobrigou o pão. A Casa de Shamai diz: também não desobrigou o "feito de panela" (alimento cozido servido à mesa).
Rav Chisdá disse: só ensinamos que, se recitou a bênção sobre o vinho de antes da refeição, desobrigou o vinho de depois da refeição, quando esse vinho de antes é bebido por seu próprio valor. Mas se recitou a bênção sobre o vinho bebido durante a refeição, servindo apenas para acompanhar a comida, não desobrigou o vinho de depois da refeição. Lá (na Babilônia) dizem: mesmo que tenha recitado a bênção sobre o vinho de antes da refeição, não desobrigou o vinho de depois da refeição. Mas não ensinamos que, se recitou a bênção sobre o vinho de antes da refeição, desobrigou o vinho de depois da refeição? Rav Huna e Rabi Yehoshua ben Levi resolveram a contradição: um disse que isso vale quando bebeu conditum (vinho especiado, que por sua natureza especial não se compara ao vinho comum e por isso ainda exige bênção própria); e o outro disse que vale quando bebeu vinho depois do banho (bebido logo ao sair do banho por razão medicinal, e por isso não coberto pela bênção do vinho tomado como alimento).
Rabi Chelbo, Rav Huna e Rav, em nome de Rabi Chiya Rubá (o Grande): o pão que vem como kisnin (uma espécie de bolo ou pastel assado, distinto do pão comum) depois da refeição precisa de bênção antes e depois dele — não é coberto pela bênção do pão recitada no início da refeição. Disse Rabi Ami: Rabi Yochanan discorda. Perguntou Rabi Maná a Rabi Chizquiá: em que ele discorda? Talvez apenas quando comeu daquele mesmo alimento durante a refeição principal, e por isso a bênção do pão já o cobriria. Disse-lhe: mesmo que não tenha comido daquela mesma espécie durante a refeição. Veio Rav Chagai, em nome de Rabi Zeirá: mesmo que não tenha comido daquela mesma espécie durante a refeição — ainda assim Rabi Yochanan sustenta que a bênção do pão já cobre o kisnin de depois.
Disse Rabi Chanina bar Sisai: aqueles da casa do Patriarca costumavam lhe enviar tâmaras nicolaus (uma variedade grande e nobre de tâmaras sírias), e ele as deixava para depois de sua refeição e recitava sobre elas a bênção do início e do fim. Rav Huna comia tâmaras junto com seu pedaço de pão. Disse-lhe Rav Chiya bar Ashi: discordas de teu mestre? Ele deixa-as para depois de sua refeição e recita sobre elas a bênção do início e do fim, e tu as comes junto com o pão? Disse-lhe: elas são o principal a que meus dentes chegam (pois seus dentes já não suportam o pão duro, e as tâmaras são o alimento efetivo que mastiga). Rabi Yoná e Rabi Yossei subiram para o banquete de núpcias de Rabi Chanina Entanaia; trouxeram diante deles pão que vem como kisnin depois da refeição. Disseram: deixemos nosso estudo e tragamos à baila uma baraita sobre o assunto. Pois ensinou Rabi Maná, dizendo em nome de Rabi Yudá, que disse em nome de Rabi Yossei HaGelili: o pão que vem como kisnin depois da refeição precisa de bênção antes e depois dele. Disseram: já que ele é opinião isolada e os sábios discordam dele, façamos conforme os sábios — e a bênção do pão já cobre o kisnin de depois.
Disse Marinos, da casa de Rabi Yehoshua: quem come garizmata (sobremesa formal de final de refeição) e mingau de cereal — ainda que recite a bênção sobre a garizmata ao final, não desobrigou o mingau de cereal (pois este exige a "bênção que imita as três" do Birkat Hamazon, mais longa do que a bênção curta da sobremesa). Perguntam: é ele como a Casa de Shamai, que diz que também não desobriga o "feito de panela"? Disse Rabi Yossei: é opinião de todos. Explica-se a própria Mishná: se recitou a bênção sobre o pão, desobrigou a parperet e o "feito de panela" — conforme as palavras da Casa de Hilel; a Casa de Shamai diz: não desobrigou o "feito de panela". Mas se recitou a bênção sobre a parperet primeiro, todos concordam que não desobrigou nem o pão nem o "feito de panela". Rabi Abba, filho de Rabi Papai, perguntou: quem come mingau de cereal com a intenção de comer pão depois, o que é a lei? Deve recitar a bênção sobre o cereal ao final? Os sábios de Cesareia decidiram claramente: é preciso recitar a bênção ao final.
Esta quinta halachá do Perek Vav parte de uma nova Mishná sobre a relação entre bênçãos consecutivas na mesma refeição: a do vinho e a da parperet — petiscos servidos antes e depois do prato principal — obedecem à regra de que a bênção de antes cobre a de depois, mas apenas a bênção sobre o pão em si tem o poder de cobrir tanto a parperet quanto o "feito de panela" (comida cozida), sendo que o inverso nunca ocorre, e a Casa de Shamai restringe ainda mais esse poder de cobertura. A halachá abre qualificando a primeira cláusula: Rav Chisdá explica que ela vale apenas para o vinho bebido por seu próprio valor social antes da refeição, não para o vinho tomado apenas para acompanhar a comida durante ela; e uma tradição atribuída à Babilônia nega a regra por completo, sendo depois harmonizada por Rav Huna e Rabi Yehoshua ben Levi como referindo-se a casos especiais — vinho especiado ou vinho bebido por razão medicinal após o banho — que sempre exigem bênção própria. Discute-se então o pão que vem como kisnin (um bolo ou pastel assado, distinto do pão de refeição) ao final da refeição: seria ele coberto pela bênção do pão recitada no início, ou exigiria bênção própria por não ser parte da refeição comum? A disputa entre Rabi Chiya Rubá e Rabi Yochanan é ilustrada por dois episódios — as tâmaras nobres que a família do Patriarca enviava a Rabi Chanina bar Sisai, guardadas para depois da refeição e abençoadas à parte, em contraste com o costume de Rav Huna de comê-las junto com o próprio pão, por serem o alimento que seus dentes ainda mastigavam — e resolvida por uma baraita que rejeita a opinião isolada de Rabi Yossei HaGelili, decidindo que a bênção do pão cobre normalmente o kisnin de depois. A halachá fecha com o ensinamento de Marinos, da casa de Rabi Yehoshua, sobre a garizmata (a mesma sobremesa mencionada na halachá anterior): mesmo abençoada ao final, ela não desobriga o mingau de cereal comido junto, porque este exige a bênção mais longa do Birkat Hamazon abreviado, e não a bênção curta cabível à sobremesa — o que aproxima essa posição, segundo Rabi Yossei, da própria opinião da Casa de Shamai na Mishná, e leva à releitura completa das suas cláusulas. A halachá termina com a pergunta de Rabi Abba, filho de Rabi Papai — se quem come cereal já pretendendo comer pão depois ainda precisa abençoar o cereal ao final —, resolvida pelos sábios de Cesareia em sentido afirmativo, ecoando o mesmo princípio da halachá anterior, de que a intenção de comer pão depois não dispensa a bênção própria sobre o que já foi consumido antes.