A nova Mishná desta halachá regula quando cada comensal abençoa por si e quando um só abençoa por todos: sentados sem reclinar, cada um abençoa por si; reclinados (à maneira formal de um banquete), um abençoa por todos; se o vinho vier no meio da refeição, cada um abençoa por si, mas depois da refeição um só abençoa por todos, e é ele quem recita também a bênção sobre o mugmar (incenso ou especiarias queimadas ao final do banquete). A halachá abre com a disputa entre Rabi Yehoshua ben Levi, que restringe a Mishná à festa de circuncisão, e Rabi Chiya, que a estende a qualquer refeição em casa; traz a baraita completa sobre a ordem de uma refeição formal, com suas duas rodadas de vinho, lavagem das mãos e petiscos; desvia-se para uma sugia sobre a suká do último dia de Sucot e o Kidush; explica, por meio de Ben Zoma, por que o vinho do meio da refeição exige bênção individual — e de lá extrai a proibição de falar "saúde" a quem espirra durante a comida por perigo de vida; e fecha com uma longa sugia sobre a bênção do mugmar e dos óleos perfumados, suas fórmulas e exceções.
Se estavam sentados (sem reclinar, como numa sala de estar, ainda não em refeição formal), cada um abençoa por si. Se reclinaram (à mesa do banquete, à maneira formal), um abençoa por todos. Se lhes veio vinho no meio da refeição, cada um abençoa por si; depois da refeição, um abençoa por todos, e ele é quem recita a bênção sobre o mugmar (especiarias ou incenso postos sobre brasas ao final da refeição, para perfumar o ambiente e as vestes).
Rabi Yehoshua ben Levi disse: a Mishná fala de uma refeição festiva como a festa da circuncisão (e ocasiões semelhantes de banquete formal) — é sobre isso que ensina a Mishná. Portanto, o dono de casa comendo em sua própria casa (em refeição comum, não festiva), não se aplica a mesma regra de que um só abençoa por todos, ainda que estejam reclinados. Ensinou Rabi Chiya: mesmo o dono de casa em sua própria casa segue a regra da Mishná, e um abençoa por todos, bastando que estejam reclinados.
Ensinou-se: a ordem de uma refeição formal é esta: os convidados entram e se sentam nos bancos (assentos baixos) e nas cadeiras, até que todos se reúnam. Trouxeram-lhes vinho, cada um abençoa por si. Trouxeram-lhes água para as mãos, cada um lava uma de suas mãos apenas. Trouxeram-lhes parperet (petiscos), cada um abençoa por si. Então subiram à sala do banquete e reclinaram-se (à maneira formal, apoiados no braço esquerdo). Trouxeram-lhes vinho: ainda que tenha abençoado sobre o primeiro vinho, servido antes, precisa abençoar sobre o segundo, e um só abençoa por todos. Trouxeram-lhes água para as mãos: ainda que tenha lavado uma de suas mãos antes, precisa lavar as duas mãos agora. Trouxeram-lhes parperet: um abençoa por todos. E não é permitido a um convidado entrar depois de já servidas três rodadas de petiscos.
Lá (na Mishná de Sucá) ensinamos: sete dias de suká, como é isso praticado? Se terminou de comer, não deve desmontar sua suká (no sétimo dia), mas desce os utensílios a partir de Minchá em diante, por causa da honra do último dia de festa (Shemini Atseret, o oitavo dia). Rabi Aba bar Cahana e Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rav: a pessoa precisa invalidar sua suká enquanto ainda é dia (véspera do oitavo dia, caso pretenda comer nela). Rabi Yehoshua ben Levi disse: é preciso recitar o Kidush dentro de sua casa (nessa noite, e não na suká). Rabi Yaacov bar Achá, em nome de Shmuel: se recitou o Kidush nesta casa e depois mudou de ideia para comer em outra casa, precisa repetir e recitar o Kidush de novo, no novo lugar. Rabi Achá e Rabi Chinená, em nome de Rabi Hoshaiá: quem ama sua suká recita o Kidush da noite do último dia de festa dentro de sua casa e sobe e come dentro de sua suká. Disse Rabi Avin: as duas opiniões não discordam. O que disse Rav é para quando não tinha em mente comer em outra casa; e o que disse Shmuel é para quando tinha em mente comer em outra casa. Disse Rabi Maná: segue-se disso que a posição de Shmuel é como a de Rabi Chiya, e a de Rabi Hoshaiá é como a de Rabi Yehoshua ben Levi. Disse Rabi Imi: isso ensina que lugares diferentes se distinguem quanto à obrigação de nova bênção pelos frutos (assim como pelo vinho, mudar de local pode exigir bênção nova).
Perguntaram a Ben Zoma: por que, se lhes veio vinho no meio da refeição, cada um abençoa por si (e não um só por todos, como no vinho antes ou depois)? Disse-lhes: porque a garganta (o canal da deglutição) não está livre (estão ocupados mastigando e engolindo, e não podem responder "Amém" com atenção). Disse Rabi Maná: isso ensina que a quem espirra no meio da refeição é proibido dizer-lhe "saúde", por causa de perigo de vida (pois falar enquanto engole pode fazer o alimento entrar pela traqueia).
E ele recita a bênção sobre o mugmar. Que diferença há entre o mugmar e o vinho (por que apenas um recita a bênção sobre o mugmar, mas isso não impede o comensal de já ter abençoado individualmente sobre o vinho, quando servido no meio da refeição)? O mugmar, todos igualmente o cheiram (sua fruição é comum a todos ao mesmo tempo, e por isso um só pode abençoar por todos); o vinho, cada um o experimenta individualmente pelo paladar, não igualmente partilhado, o que em certos casos exige bênção própria.
Rabi Zeirá, em nome de Rav Yirmiyá: assim que o mugmar solta fumaça, é preciso abençoar. Rabi Yirmiyá quis examinar Rabi Zeirá: disse-lhe: como se diz sobre óleo perfumado? Disse-lhe: "Que deu bom aroma no óleo perfumado." Disse-lhe: a fórmula correta é "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." Yitschac bar Aba bar Mechassiá e Rav Chananel estavam sentados; um disse: "Bendito Aquele que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." E o outro disse: "Bendito Aquele que deu bom aroma na erva da terra." Objetou o que disse "na erva da terra" ao que disse "nas madeiras de especiaria": acaso são madeiras? Disse-lhe: não está escrito (Josué 2:6) "e as escondeu nos pishtê (talos) de linho da madeira"? Acaso o linho e o cânhamo são madeiras (e, no entanto, a Escritura os chama assim; do mesmo modo, as especiarias vegetais podem ser chamadas "madeiras")? Subiram à casa de Rav e ouviram Rav Huna, em nome de Rav: "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." Ganivá disse: óleo usado para limpar sujeira não precisa de bênção. Disse Rabi Yudan: e mesmo que o tenha recolhido na própria mão (ainda que sinta o aroma ao fazê-lo, não abençoa, pois sua intenção é apenas limpar-se). Rabi Chelbo e Rav Huna, em nome de Rav: quem espalha olentia (essência aromática usada para perfumar o ambiente) em sua casa não precisa abençoar (pois sua intenção principal é eliminar mau odor ou sujeira, não desfrutar do perfume). Disse Rav Chisdá: sobre todos esses aromas se diz "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria", exceto sobre o almíscar (de origem animal, não vegetal), sobre o qual se diz "Que deu bom aroma em toda espécie de especiarias."
Esta sexta halachá do Perek Vav parte de uma nova Mishná que regula a alternância entre bênção individual e bênção coletiva à mesa: sentados informalmente, cada um abençoa por si; reclinados como num banquete formal, um só abençoa por todos; mas o vinho servido no meio da própria refeição quebra essa regra e volta a exigir bênção individual de cada comensal, voltando à bênção coletiva apenas depois da refeição, quando o mesmo indivíduo que abençoa por todos também recita a bênção sobre o mugmar — as especiarias postas sobre brasas para perfumar o ambiente ao final do banquete. A halachá abre com uma disputa sobre o alcance dessa Mishná: Rabi Yehoshua ben Levi a restringe a banquetes festivos como a circuncisão, excluindo a refeição comum do dono de casa em sua própria mesa, enquanto Rabi Chiya a estende a qualquer refeição doméstica, bastando que todos estejam reclinados. Segue-se uma baraita detalhada com a sequência completa de uma refeição formal na antiguidade — a chegada dos convidados, sentados em bancos e cadeiras à espera dos retardatários, uma primeira rodada de vinho, lavagem de uma só mão, e petiscos, todos abençoados individualmente nessa fase preliminar; e só depois, quando sobem à sala do banquete e se reclinam, uma segunda rodada de vinho, lavagem completa das duas mãos e nova rodada de petiscos, desta vez abençoados coletivamente por um só, com o limite de três rodadas de petiscos depois do qual nenhum convidado atrasado pode mais ser admitido. Uma digressão temática, ligada pelo tema da mudança de local, traz a sugia paralela sobre a suká do encerramento de Sucot — quando é permitido desmontá-la, a necessidade de invalidá-la de propósito caso não se pretenda mais usá-la, e a disputa entre Rav e Shmuel, harmonizada por Rabi Avin, sobre se o Kidush do último dia deve ser dito em casa ou pode ser dito visando depois comer na própria suká, sugia que Rabi Imi conecta ao princípio de que a troca de local de consumo pode exigir nova bênção. A halachá retorna então à Mishná com a explicação de Ben Zoma para a exceção do vinho do meio da refeição: a garganta ocupada em engolir não permite a devida atenção à resposta "Amém", o que leva Rabi Maná a derivar daí a proibição, por perigo de vida, de dizer "saúde" a quem espirra durante a refeição. A distinção final entre o mugmar (cujo aroma é sentido igualmente por todos ao mesmo tempo) e o vinho (que cada um experimenta individualmente) explica por que só o primeiro permite bênção coletiva mesmo em pleno banquete. A halachá fecha com uma extensa sugia sobre as fórmulas corretas de bênção para incensos e óleos perfumados — a fórmula "que deu bom aroma nas madeiras de especiaria" e sua justificativa bíblica mesmo para plantas não lenhosas, a fórmula alternativa "na erva da terra", os casos em que o óleo ou o perfume usado para limpeza ou para eliminar mau odor dispensam bênção porque a fruição do aroma não é a intenção principal, e a exceção do almíscar, de origem animal, que exige fórmula própria segundo Rav Chisdá.