Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Vav · Halachá 6
בְּרָכוֹת

Bênçãos individuais e coletivas à mesa, a ordem de uma refeição formal, e a bênção sobre o mugmar

Perek Vav, Halachá 6 — sexta halachá do capítulo "Ketzad Mevarchin"

A nova Mishná desta halachá regula quando cada comensal abençoa por si e quando um só abençoa por todos: sentados sem reclinar, cada um abençoa por si; reclinados (à maneira formal de um banquete), um abençoa por todos; se o vinho vier no meio da refeição, cada um abençoa por si, mas depois da refeição um só abençoa por todos, e é ele quem recita também a bênção sobre o mugmar (incenso ou especiarias queimadas ao final do banquete). A halachá abre com a disputa entre Rabi Yehoshua ben Levi, que restringe a Mishná à festa de circuncisão, e Rabi Chiya, que a estende a qualquer refeição em casa; traz a baraita completa sobre a ordem de uma refeição formal, com suas duas rodadas de vinho, lavagem das mãos e petiscos; desvia-se para uma sugia sobre a suká do último dia de Sucot e o Kidush; explica, por meio de Ben Zoma, por que o vinho do meio da refeição exige bênção individual — e de lá extrai a proibição de falar "saúde" a quem espirra durante a comida por perigo de vida; e fecha com uma longa sugia sobre a bênção do mugmar e dos óleos perfumados, suas fórmulas e exceções.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

הָיוּ יוֹשְׁבִין כָּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. הֵיסֵיבוּ אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּן. בָּא לָהֶן יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן כָּל אֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ לְאַחַר הַמָּזוֹן אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּן. וְאוֹמֵר עַל הַמּוּגְמָר.

Se estavam sentados (sem reclinar, como numa sala de estar, ainda não em refeição formal), cada um abençoa por si. Se reclinaram (à mesa do banquete, à maneira formal), um abençoa por todos. Se lhes veio vinho no meio da refeição, cada um abençoa por si; depois da refeição, um abençoa por todos, e ele é quem recita a bênção sobre o mugmar (especiarias ou incenso postos sobre brasas ao final da refeição, para perfumar o ambiente e as vestes).

A Halachá · הֲלָכָה ו

01Rabi Yehoshua ben Levi restringe a Mishná à festa de circuncisão; Rabi Chiya a estende a toda casa
Yerushalmi · Berachot 6:6
רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי אָמַר בִּשְׁבוּעַ הַבֵּן הִיא מַתְנִיתָא. הָא בַּעַל הַבַּיִת בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ לֹא. תַּנִּי רִבִּי חִיָיא אֲפִילוּ בַּעַל הַבַּיִת בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ.

Rabi Yehoshua ben Levi disse: a Mishná fala de uma refeição festiva como a festa da circuncisão (e ocasiões semelhantes de banquete formal) — é sobre isso que ensina a Mishná. Portanto, o dono de casa comendo em sua própria casa (em refeição comum, não festiva), não se aplica a mesma regra de que um só abençoa por todos, ainda que estejam reclinados. Ensinou Rabi Chiya: mesmo o dono de casa em sua própria casa segue a regra da Mishná, e um abençoa por todos, bastando que estejam reclinados.

02A baraita sobre a ordem de uma refeição formal
Yerushalmi · Berachot 6:6
תַּנִּי סֵדֶר סְעוּדָה אוֹרְחִין נִכְנָסִין וְיוֹשְׁבִין עַל הַסַּפְסָלִין וְעַל הַקַּתֶדְרָיוֹת עַד שֶׁכּוּלָּן מִתְכַּנְּסִין. הֵבִיאוּ לָהֶן יַיִן כָּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. הֵבִיאוּ לָהֶן לְיָדַיִם כָּל אֶחָד וְאֶחָד נוֹטֵל יָדוֹ אַחַת. הֵבִיאוּ לָהֶן פַּרְפֶּרֶת כָּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. עָלוּ וְהֵיסֵבוּ הֵבִיאוּ לָהֶן יַיִן אַף עַל פִּי שֶׁבֵּירַךְ עַל הָרִאשׁוֹן צָרִיךְ לְבָרֵךְ עַל הַשֵּׁנִי. וְאֶחָד מְבָרֵךְ עַל יְדֵי כּוּלָּם. הֵבִיאוּ לָהֶן לְיָדַיִם אַף עַל פִּי שֶׁנָּטַל יָדוֹ אַחַת צָרִיךְ לִיטוֹל שְׁתֵּי יָדָיו. הֵבִיאוּ לָהֶם פַּרְפֶּרֶת אֶחָד מְבָרֵךְ עַל יְדֵי כוּלָּן. וְאֵין רְשׁוּת לְאוֹרֵחַ לִיכָּנֵס אַחַר שָׁלֹשׁ פַּרְפְּרָאוֹת.

Ensinou-se: a ordem de uma refeição formal é esta: os convidados entram e se sentam nos bancos (assentos baixos) e nas cadeiras, até que todos se reúnam. Trouxeram-lhes vinho, cada um abençoa por si. Trouxeram-lhes água para as mãos, cada um lava uma de suas mãos apenas. Trouxeram-lhes parperet (petiscos), cada um abençoa por si. Então subiram à sala do banquete e reclinaram-se (à maneira formal, apoiados no braço esquerdo). Trouxeram-lhes vinho: ainda que tenha abençoado sobre o primeiro vinho, servido antes, precisa abençoar sobre o segundo, e um abençoa por todos. Trouxeram-lhes água para as mãos: ainda que tenha lavado uma de suas mãos antes, precisa lavar as duas mãos agora. Trouxeram-lhes parperet: um abençoa por todos. E não é permitido a um convidado entrar depois de já servidas três rodadas de petiscos.

03Digressão: a suká do oitavo dia, o Kidush, e a disputa sobre onde recitá-lo
Yerushalmi · Berachot 6:6
תַּמָּן תַּנִינָן סוּכָּה שִׁבְעָה כֵּיצַד. גָּמַר מִלֶּאֱכוֹל לֹא יַתִּיר אֶת סוּכָּתוֹ אֲבָל מוֹרִיד הוּא אֶת הַכֵּלִים מִן הַמִּנְחָה וּלְמַעֲלָה בִּשְׁבִיל כְּבוֹד יוֹם טוֹב הָאַחֲרוֹן. רִבִּי אַבָּא בַּר כַּהֲנָא רַב חִיָיא בַּר אַשִּׁי בְּשֵׁם רַב צָרִיךְ אָדָם לִפְסוֹל סוּכָּתוֹ מִבְּעוֹד יוֹם. רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי אָמַר צָרִיךְ לְקַדֵּשׁ בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ. רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְּשֵׁם שְׁמוּאֵל קִידֵּשׁ בְּבַיִת זֶה וְנִמְלַךְ לֶאֱכוֹל בְּבַיִת אַחֵר צָרִיךְ לְקַדֵּשׁ. רִבִּי אָחָא רִבִּי חִינְנָא בְּשֵׁם רִבִּי הוֹשַׁעְיָא מִי שֶׁסּוּכָּתוֹ עָרֵיבָה עָלָיו מְקַדֵּשׁ לֵילֵי יוֹם טוֹב הָאַחֲרוֹן בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ וְעוֹלֶה וְאוֹכֵל בְּתוֹךְ סוּכָּתוֹ. אָמַר רִבִּי אָבִין וְלֹא פְּלִיגִין. מַה דָּמַר רַב בְּשֶׁלֹּא הָיָה בְדַעְתּוֹ לֶאֱכוֹל בְּבַיִת אַחֵר. וּמַה דָּמַר שְׁמוּאֵל בְּשֶׁהָיָה בְדַעְתּוֹ לֶאֱכוֹל בְּבַיִת אַחֵר. אָמַר רִבִּי מָנָא אַתְיָא דִשְׁמוּאֵל כְּרִבִּי חִיָיא וּדְרִבִּי הוֹשַׁעְיָא כְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי. אָמַר רִבִּי אִמִּי זֹאת אוֹמֶרֶת שֶׁנֶּחְלָקִין בַּפֵּירוֹת.

(na Mishná de Sucá) ensinamos: sete dias de suká, como é isso praticado? Se terminou de comer, não deve desmontar sua suká (no sétimo dia), mas desce os utensílios a partir de Minchá em diante, por causa da honra do último dia de festa (Shemini Atseret, o oitavo dia). Rabi Aba bar Cahana e Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rav: a pessoa precisa invalidar sua suká enquanto ainda é dia (véspera do oitavo dia, caso pretenda comer nela). Rabi Yehoshua ben Levi disse: é preciso recitar o Kidush dentro de sua casa (nessa noite, e não na suká). Rabi Yaacov bar Achá, em nome de Shmuel: se recitou o Kidush nesta casa e depois mudou de ideia para comer em outra casa, precisa repetir e recitar o Kidush de novo, no novo lugar. Rabi Achá e Rabi Chinená, em nome de Rabi Hoshaiá: quem ama sua suká recita o Kidush da noite do último dia de festa dentro de sua casa e sobe e come dentro de sua suká. Disse Rabi Avin: as duas opiniões não discordam. O que disse Rav é para quando não tinha em mente comer em outra casa; e o que disse Shmuel é para quando tinha em mente comer em outra casa. Disse Rabi Maná: segue-se disso que a posição de Shmuel é como a de Rabi Chiya, e a de Rabi Hoshaiá é como a de Rabi Yehoshua ben Levi. Disse Rabi Imi: isso ensina que lugares diferentes se distinguem quanto à obrigação de nova bênção pelos frutos (assim como pelo vinho, mudar de local pode exigir bênção nova).

04Ben Zoma explica por que o vinho do meio da refeição exige bênção individual
Yerushalmi · Berachot 6:6
שָׁאֲלוּ אֶת בֶּן זוֹמָא מִפְּנֵי מַה בָּא לָהֶן יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן כָּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. אָמַר לָהֶן מִפְּנֵי שֶׁאֵין בֵּית הַבְּלִיעָה פָּנוּי. אָמַר רִבִּי מָנָא הֲדָא אָמְרָה אֲהֵן דְּעָטִישׁ גַו מֵיכְלָא אֲסִיר לְמֵימַר לֵיהּ יַיס בְּגִין סַכַּנְתָּא דְּנַפְשָׁא.

Perguntaram a Ben Zoma: por que, se lhes veio vinho no meio da refeição, cada um abençoa por si (e não um só por todos, como no vinho antes ou depois)? Disse-lhes: porque a garganta (o canal da deglutição) não está livre (estão ocupados mastigando e engolindo, e não podem responder "Amém" com atenção). Disse Rabi Maná: isso ensina que a quem espirra no meio da refeição é proibido dizer-lhe "saúde", por causa de perigo de vida (pois falar enquanto engole pode fazer o alimento entrar pela traqueia).

05A diferença entre o mugmar e o vinho: quem recita a bênção sobre o mugmar
Yerushalmi · Berachot 6:6
וְאוֹמֵר עַל הַמּוּגְמָר. מַה בֵּין מוּגְמָר וּבֵין יַיִן. מוּגְמָּר כּוּלָּן מֵרִיחִין. יַיִן אֶחָד הוּא טוֹעֵם.

E ele recita a bênção sobre o mugmar. Que diferença há entre o mugmar e o vinho (por que apenas um recita a bênção sobre o mugmar, mas isso não impede o comensal de já ter abençoado individualmente sobre o vinho, quando servido no meio da refeição)? O mugmar, todos igualmente o cheiram (sua fruição é comum a todos ao mesmo tempo, e por isso um só pode abençoar por todos); o vinho, cada um o experimenta individualmente pelo paladar, não igualmente partilhado, o que em certos casos exige bênção própria.

06A extensa sugia sobre as fórmulas de bênção do mugmar e dos óleos perfumados
Yerushalmi · Berachot 6:6
רִבִּי זְעִירָא בְשֵׁם רַב יִרְמְיָה מוּגְמָר כֵּיוָן שֶׁהֶעֱלָה עָשָׁן צָרִיךְ לְבָרֵךְ. רִבִּי יִרְמְיָה בְעָא מִיבְדּוֹק לְרִבִּי זְעוּרָא. אֲמַר לֵיהּ כֵּיצַד הוּא אוֹמֵר עַל שֶׁמֶן עָרֵב. אֲמַר לֵיהּ אֲשֶׁר נָתַן רֵיחַ טוֹב בְּשֶׁמֶן עָרֵב. אָמַר לֵיהּ אֲשֶׁר נָתַן רֵיחַ טוֹב בַּעֲצֵי בְּשָׂמִים. יִצְחָק בַּר אַבָּא בַּר מְחַסְיָה וְרַב חֲנַנְאֵל הֲווּ יָתְבִין חַד אֲמַר בָּרוּךְ שֶׁנָּתַן רֵיחַ טוֹב בַּעֲצֵי בְּשָׂמִים. וְחָרָנָה אֲמַר בָּרוּךְ שֶׁנָּתַן רֵיחַ טוֹב בְּעֵשֶׂב הָאָרֶץ. מָתִיב מַן דָּמַר בְּעֵשֶׂב הָאָרֶץ לְמָן דֵּמָר בַּעֲצֵי בְּשָׂמִים. וְכִי עֵצִים הֵן. אָמַר לֵיהּ וְהָכְתִיב וַתִּטְמְנֵם בְּפִשְׁתֵּי הָעֵץ. וְכִי עֵצִים הֵן. סָלְקִין לְבֵית רַב וְשָׁמְעוֹן רַב חוּנָה בְּשֵׁם רַב אֲשֶׁר נָתַן רֵיחַ טוֹב בַּעֲצֵי בְּשָׂמִים. גָּנִיבָא אָמַר שֶׁמֶן לְזוּהֲמָה אֵינוֹ צָרִיךְ לְבָרֵךְ. אָמַר רִבִּי יוּדָן וַאֲפִילוּ קָוִוי לְתוֹךְ יָדוֹ. רִבִּי חֶלְבּוֹ רַב הוּנָא בְשֵׁם רַב הַמְּרַבֵּץ אֳלֵינְתִּית בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ אֵינוֹ צָרִיךְ לְבָרֵךְ. אָמַר רַב חִסְדָּא עַל כּוּלָּן הוּא אוֹמֵר אֲשֶׁר נָתַן רֵיחַ טוֹב בַּעֲצֵי בְּשָׂמִים. בָּר מִן אֲהֵן מוֹסְכִין דְּיֵימַר אֲשֶׁר נָתַן רֵיחַ טוֹב בְּמִינֵי בְּשָׂמִים.

Rabi Zeirá, em nome de Rav Yirmiyá: assim que o mugmar solta fumaça, é preciso abençoar. Rabi Yirmiyá quis examinar Rabi Zeirá: disse-lhe: como se diz sobre óleo perfumado? Disse-lhe: "Que deu bom aroma no óleo perfumado." Disse-lhe: a fórmula correta é "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." Yitschac bar Aba bar Mechassiá e Rav Chananel estavam sentados; um disse: "Bendito Aquele que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." E o outro disse: "Bendito Aquele que deu bom aroma na erva da terra." Objetou o que disse "na erva da terra" ao que disse "nas madeiras de especiaria": acaso são madeiras? Disse-lhe: não está escrito (Josué 2:6) "e as escondeu nos pishtê (talos) de linho da madeira"? Acaso o linho e o cânhamo são madeiras (e, no entanto, a Escritura os chama assim; do mesmo modo, as especiarias vegetais podem ser chamadas "madeiras")? Subiram à casa de Rav e ouviram Rav Huna, em nome de Rav: "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria." Ganivá disse: óleo usado para limpar sujeira não precisa de bênção. Disse Rabi Yudan: e mesmo que o tenha recolhido na própria mão (ainda que sinta o aroma ao fazê-lo, não abençoa, pois sua intenção é apenas limpar-se). Rabi Chelbo e Rav Huna, em nome de Rav: quem espalha olentia (essência aromática usada para perfumar o ambiente) em sua casa não precisa abençoar (pois sua intenção principal é eliminar mau odor ou sujeira, não desfrutar do perfume). Disse Rav Chisdá: sobre todos esses aromas se diz "Que deu bom aroma nas madeiras de especiaria", exceto sobre o almíscar (de origem animal, não vegetal), sobre o qual se diz "Que deu bom aroma em toda espécie de especiarias."

Nota

Esta sexta halachá do Perek Vav parte de uma nova Mishná que regula a alternância entre bênção individual e bênção coletiva à mesa: sentados informalmente, cada um abençoa por si; reclinados como num banquete formal, um só abençoa por todos; mas o vinho servido no meio da própria refeição quebra essa regra e volta a exigir bênção individual de cada comensal, voltando à bênção coletiva apenas depois da refeição, quando o mesmo indivíduo que abençoa por todos também recita a bênção sobre o mugmar — as especiarias postas sobre brasas para perfumar o ambiente ao final do banquete. A halachá abre com uma disputa sobre o alcance dessa Mishná: Rabi Yehoshua ben Levi a restringe a banquetes festivos como a circuncisão, excluindo a refeição comum do dono de casa em sua própria mesa, enquanto Rabi Chiya a estende a qualquer refeição doméstica, bastando que todos estejam reclinados. Segue-se uma baraita detalhada com a sequência completa de uma refeição formal na antiguidade — a chegada dos convidados, sentados em bancos e cadeiras à espera dos retardatários, uma primeira rodada de vinho, lavagem de uma só mão, e petiscos, todos abençoados individualmente nessa fase preliminar; e só depois, quando sobem à sala do banquete e se reclinam, uma segunda rodada de vinho, lavagem completa das duas mãos e nova rodada de petiscos, desta vez abençoados coletivamente por um só, com o limite de três rodadas de petiscos depois do qual nenhum convidado atrasado pode mais ser admitido. Uma digressão temática, ligada pelo tema da mudança de local, traz a sugia paralela sobre a suká do encerramento de Sucot — quando é permitido desmontá-la, a necessidade de invalidá-la de propósito caso não se pretenda mais usá-la, e a disputa entre Rav e Shmuel, harmonizada por Rabi Avin, sobre se o Kidush do último dia deve ser dito em casa ou pode ser dito visando depois comer na própria suká, sugia que Rabi Imi conecta ao princípio de que a troca de local de consumo pode exigir nova bênção. A halachá retorna então à Mishná com a explicação de Ben Zoma para a exceção do vinho do meio da refeição: a garganta ocupada em engolir não permite a devida atenção à resposta "Amém", o que leva Rabi Maná a derivar daí a proibição, por perigo de vida, de dizer "saúde" a quem espirra durante a refeição. A distinção final entre o mugmar (cujo aroma é sentido igualmente por todos ao mesmo tempo) e o vinho (que cada um experimenta individualmente) explica por que só o primeiro permite bênção coletiva mesmo em pleno banquete. A halachá fecha com uma extensa sugia sobre as fórmulas corretas de bênção para incensos e óleos perfumados — a fórmula "que deu bom aroma nas madeiras de especiaria" e sua justificativa bíblica mesmo para plantas não lenhosas, a fórmula alternativa "na erva da terra", os casos em que o óleo ou o perfume usado para limpeza ou para eliminar mau odor dispensam bênção porque a fruição do aroma não é a intenção principal, e a exceção do almíscar, de origem animal, que exige fórmula própria segundo Rav Chisdá.