A nova Mishná desta halachá trata de quem come figos, uvas e romãs — as frutas pelas quais a Terra de Israel é louvada — e da disputa sobre se elas obrigam, depois de comidas, as três bênçãos completas do Birkat Hamazon (opinião de Rabán Gamliel) ou apenas uma bênção abreviada que contém a essência das três (opinião dos sábios); acrescenta a extensão de Rabi Akiva a qualquer alimento que sirva de sustento principal, ainda que seja legume cozido; e fecha com a fórmula de quem bebe água por sede — "shehakol", segundo o texto simples, ou "borê nefashot rabot", segundo Rabi Tarfon. A halachá, mais longa que as anteriores, abre com o princípio de que mudar de lugar durante a refeição exige nova bênção — mesmo debaixo da mesma figueira, mudar do lado leste para o lado oeste —, estende esse princípio ao vinho velho e ao vinho novo, distingue mudança de vinho (que não exige nova bênção) de mudança de lugar (que exige) e equipara a distração da mente à mudança de lugar; relata o costume de Rebbi de abençoar cada barril de vinho que abria, com a fórmula "o Bom e o Benfazejo", e narra o episódio da festa que Rabi Akiva fez para seu filho Shimon; e fecha com uma sugia sobre a bênção da água bebida por sede, a exceção da "água de espinhos" segundo Rabi Yoná, a extensão de Rabi Yossei a toda água que sacia a sede, e a proposta de Rabi Abun de uma bênção própria — "que criou águas de cura" — para a água medicinal, com a dupla tradição tanaítica sobre o nome dessa água e sua origem etimológica.
Quem comeu figos, uvas e romãs — abençoa sobre eles três bênçãos (o Birkat Hamazon completo); palavras de Rabán Gamliel. E os sábios dizem: uma única bênção que contém a essência das três. Rabi Akiva diz: mesmo quem comeu legume cozido, sendo este o seu sustento (alimento principal), abençoa sobre ele três bênçãos. Quem bebe água por sua sede diz: "que tudo veio a ser por Sua palavra". Rabi Tarfon diz: "que cria numerosas almas (e suas necessidades)".
Rabi Simon e Rabi Tadai, em nome de Rabi Hoshaya: quem comeu no lado leste de uma figueira e veio comer no lado oeste dela precisa abençoar de novo.
Abba bar Rav Huna disse: de vinho velho para vinho novo, precisa abençoar de novo. Mudança de vinho (apenas trocar de um vinho para outro do mesmo tipo) não precisa abençoar de novo. Mudança de lugar precisa abençoar de novo. Quem desviou sua mente (a distração de quem, tendo terminado de beber ou comer, deixou de pensar em continuar) é como quem mudou de lugar.
Rebbi, sobre cada barril e barril de vinho que abria, abençoava de novo sobre ele. E o que dizia? Rabi Yitzchak Ruba, em nome de Rabi: "Bendito o Bom e o Benfazejo".
Aconteceu com Rabi Akiva, que fez um banquete de núpcias para seu filho Shimon: sobre cada barril e barril que abria, abençoava sobre ele e dizia: "Vinho bom, pela vida dos sábios e de seus discípulos!"
Quem bebe água por sua sede diz: "Bendito, que tudo veio a ser por Sua palavra". Disse Rabi Yoná: exceto a água de espinhos (mei dekarim — uma água de sabor ou propriedade particular). Disse Rabi Yossei: e a fórmula vale para toda água pela qual ele tenha sede.
Disse Rabi Abun: quem bebe água de espinhos, o que diz? "Bendito, que criou águas de cura".
Há tradição de tanaítas que ensinam "água de dekarim" (espinhos), e há tradição de tanaítas que ensinam "água de dekalim" (tamareiras). Quem diz "água de dekarim" entende que elas espetam (dokrin) a bile. E quem diz "água de dekalim" entende que elas saem de entre duas tamareiras (dekalim).
Esta oitava halachá do Perek Vav comenta a Mishná dos figos, das uvas e das romãs — três dos frutos pelos quais a Terra de Israel é louvada — e a disputa sobre se, tendo servido de refeição, eles obrigam o Birkat Hamazon completo (opinião de Rabán Gamliel) ou apenas uma bênção abreviada que resume as três (opinião dos sábios), com a extensão de Rabi Akiva a qualquer alimento — mesmo um simples legume cozido — que sirva de sustento principal a quem o come, e com a fórmula final para a água bebida por sede. A halachá propriamente dita, porém, dedica-se sobretudo ao tema lateral da mudança de lugar e de bebida durante a refeição: Rabi Simon e Rabi Tadai, em nome de Rabi Hoshaya, ensinam que mesmo permanecer sob a mesma figueira não basta — mudar do lado leste para o lado oeste da árvore já exige nova bênção, pois se considera uma ruptura do lugar da refeição; Abba bar Rav Huna estende esse princípio ao vinho, distinguindo a troca de vinho velho por vinho novo (que exige nova bênção, por serem tidos como bebidas distintas) da simples mudança de um vinho para outro do mesmo tipo (que não exige), e equipara a distração da mente — quando alguém deixa de ter em vista continuar comendo ou bebendo — à própria mudança de lugar. Em seguida, a halachá relata o costume de Rebbi (Rabi Yehudá HaNassi), que abençoava cada barril de vinho que abria com a fórmula "o Bom e o Benfazejo", e narra o episódio de Rabi Akiva, que na festa de núpcias de seu filho Shimon abençoava cada barril aberto e brindava "vinho bom, pela vida dos sábios e de seus discípulos" — dois exemplos de piedade que ultrapassam a exigência estrita da lei. Por fim, a halachá retoma o texto da Mishná sobre a água bebida por sede, com a fórmula "shehakol"; Rabi Yoná excetua a chamada "água de espinhos", de sabor ou propriedade particular; Rabi Yossei estende a fórmula simples a toda água que efetivamente sacia a sede de quem bebe; e Rabi Abun propõe, para essa água peculiar, uma bênção própria — "que criou águas de cura" —, à qual a halachá acrescenta, para encerrar, uma nota lexicográfica: há tradição tanaítica que chama essa água de "mei dekarim" (água de espinhos, por espetar a bile) e tradição que a chama de "mei dekalim" (água de tamareiras, por brotar entre duas palmeiras) — duas explicações etimológicas concorrentes para o mesmo fenômeno.